sábado, outubro 04, 2003

Os Médicos e Os Atestados

A minha dependência continua, ainda não consegui fazer o que tinha programado.

--//--

Li no Abrupto o seguinte:

"Nos Jaquinzinhos há uma nota intitulada "Portugalidade", que explica à saciedade o que se passa

"Rodeado de amigos à mesa de um restaurante, dizia o médico:

"Não há maneira de dar a volta a isto! Estes gajos mal se apanham com algum poder, abusam, isto é só cunhas, favores aos amigos, esta porra está enraizada na sociedade! Olha lá, Zé, eu passo-te o atestado por mais 2 dias e assim podes juntar a quarta ao fim-de-semana, está bem?"
"

Os atestados médicos e as CITS (vulgo baixas) são um cancro na actividade dos médicos.

De bom grado dispensaríamos tal actividade.

Lembro, por exemplo, que a maior parte dos atestados que os réus apresentam nos tribunais, fazem-no a pedido dos advogados e por inúmeros motivos.

Já me aconteceu ser chamado oficialmente por um tribunal, para verificar a doença de um réu, na própria hora em que se iria iniciar o julgamento.
E assim é que se deveria proceder, sempre!.

Em tempos, não me recordo quando, a Ordem dos Médicos tinha proposto que as incapacidades para o trabalho ou outras só deveriam ser atestados (do verbo atestar) por um médico passados 30 dias.
Assim: para toda a incapacidade resultante de doença por períodos inferiores a 30 dias, seriam os próprios interessados a responsabilizar-se pela justificação da sua doença. O médico só entraria no processo, ou se se presumisse que a doença se prolongaria por mais de 30 dias (acidentes ou doenças graves, doenças psiquiátricas, etc.) ou se fosse solicitada pelas entidades interessadas a verificação da doença.

A responsabilização do próprio doente obrigá-lo-ia a ser mais coerente (honesto) consigo, sabendo que a sua doença poderia ser confirmada por um técnico.

Vitriólica - A Doméstica-Cibernética

Todos os dias, digo, penso, exijo, para os meus botões: hoje tem que continuar a ser um período de reflexão. Não posso ir, nem ao meu, nem a qualquer outro blog.
Mal ligo o computador, desta vez foi o portátil, longe do local habitual, já lá estou, antes de pensar que não quero ir. Será dependência? Será que estou adicto? É uma boa adicção, mas preocupa-me.

E assim descobri um blog caloiro, mas muito interessante pelos 4 dias de vida e pelas 5 mensagens lá afixadas.

Enviei-lhe esta mensagem:

"Se todas as domésticas (nome que abomino)/donas de casa (já posso aceitar) fossem como a Vitriólica, metade das depressões e distimias que se observam nas mulheres que trabalham para a família desapareciam.
Gostei da sua ideia e só desconfio se será só "doméstica"
Parabéns.
"

E é uma crua e real verdade. As mulheres domésticas ou donas de casa merecem da minha parte e sempre que as consulto uma atenção redobrada pois poderá existir uma depressão ou distimia disfarçada por outras queixas.
Todos sabemos que vivemos numa sociedade patriarcal, marialva, dominada pelo homem, pelo marido, pelo pai e até pelo avô.
Por mais excepções que existam, por mais avanços que se tenham conseguido, por mais woman's libs que se organizem, por mais legislação paritária que se promulgue, o estigma da mulher doméstica lá está.
A sua vida tem horizontes muito limitados, os seus canais de comunicação são a nossa televisão que só lhes proporciona incultura, misticismo, sentimentos balofos, concursos infantis, piadas brejeiras e fáceis, o que lhes aumenta a iliteracia, o analfabetismo cultural, etc.
Por outro lado, o seu trabalho não é reconhecido, não têm salário e vivem daquilo que o marido lhes dá, com o consequente controle de que é sempre mal gasto. Não pode chegar tarde ao emprego, não tem colegas para conversar (só as vizinhas, que sofrem da mesma síndroma que elas).
Passam as 8 horas do dia sozinhas, e quando o marido e o resto da família regressam a casa, (que bom é regressar a casa cansado e poder descansar) lá está ela novamente a servir a família com as suas necessidades e exigências.

Acreditem que muitas vezes proponho para as minhas doentes com estas características, com quelxas politópicas, contínuas, subjectivas, uma actividade profissional, produtiva, que muito tem ajudado. O difícil por vezes é a descoberta de um emprego.

Por isso tenho uma admiração especial pelas domésticas do nosso país, aquelas que o são há dezenas de anos e consumidoras habituais de antidepressivos e ansiolíticos.

Se todas fossem como a Vitriólica (Vi para os amigos, como diz) teríamos a nova doméstica-cibernética, que se libertaria da limitação dos horizontes que a "profissão" lhes impõe.

quinta-feira, outubro 02, 2003

Medicina: Arte ou Ciência

Enquanto vou reflectindo, divulgo uma interessante mensagem de um colega e algumas ligações a artigos ou resumos de artigos sobre a Arte vs. Ciência da Medicina.
"De: Paolo C
Data: Quinta-Feira, 2 de Outubro de 2003, 0:50
Para: medicoexplicamedicina@iol.pt

Assunto: de um colega
Prezado Colega,
que, apesar disso..., desde já permita o trate por Amigo, permito-me maça-lo, eu, neofito descobridor da lusitana blogoesfera pois que só através do Abrupto consegui chegar ao Seu blog.
Exultante fiquei, pois vi em virtuais letras de imprensa o que desde sempre sonhei poder, em suporte mais conservador ( papel, rádio ou mesmo TV) ver difundido.
A Medicina, arte que tende para uma ciência, dificilmente poderá ser compreendida por intelectuais, que certamente procuram descobrir equações fractais num tela de Pollock ou outras interpretações metafisicas numa aguarela de Turner.
Pessoalmente dado a algumas distracções pictóricas para compensar as raivas contidas na prática diária da Medicina, espero continuar a apreciar as suas palavras que agitam um meio / classe que me parece algo sonolento ou resignado.
Um amigo, e como aprendi a dizer "in illo tempore ", um Colega sempre ao dispor
P. C.
"

- Medicina: arte o ciencia.
- Medicina: ciencia? arte? ciencia y arte?
- Medicina de Família: Ciência e Arte com Metodologia Acadêmica
- Apuntes Sobre Historia de la Medicina - Cuarta Clase - El Arte Hipocrático.
- Medicine: Art Versus Science.
- Medicine: a healing or a dying art?
- The art and science of clinical knowledge: evidence beyond measures and numbers.

quarta-feira, outubro 01, 2003

Uma Opinião Educadíssima a Defender o Ponto de Vista das Farmácias

"Boa noite,

Permita-me corrigi-lo ou acrescentar algo ao que escreveu no seu Blog acerca das farmácias:

"...Trespassam-se farmácias por centenas de milhares de contos..."
É um facto, assim como muitas se trespassam por poucas dezenas de milhares: tudo depende de uma análise financeira escorreita - qualquer negócio (farmácias, consultórios médicos, laboratórios, stands de automóveis, etc.) vale os retornos líquidos futuros expectáveis, actualizados a uma taxa de risco adequada.

"...Só Portugal é que protege este negócios, contrariando a livre concorrência que defende para todas as outras actividades económicas..."
Não é verdade - a legislação dos países europeus é semelhante à portuguesa, quando não mais protectora (maiores margens de comercialização, maiores capitações, etc.). Até o país mais liberal, o Reino Unido, vetou recentemente uma maior liberalização das Farmácias, com o argumento de que tal é prejudicial ao povo inglês - de facto, o país do mundo com legislação mais aberta, os EUA, é aquele que tem os medicamentos mais caros do mundo (já depois da correcção com a paridade do poder de compra). Isto é sempre verdade em qualquer negócio: depois de um período de competição feroz, ganha o mais forte (leia-se "o que tem os bolsos mais fundos") que depois faz valer a sua posição de monopolista e volta a subir os preços, ficando o consumidor pior do que inicialmente.
E já agora: "...todas as outras actividades económicas..." também não é verdade - se, por exemplo, o Sr. Dr. quiser abrir um hipermercado não poderá fazê-lo, pois não há alvarás para concessão.

O sector das Farmácias é o único da área da saúde que está em mãos 100% portuguesas; cuja posse é totalmente atomizada (existindo 2500 farmácias, existem, pelo menos, 2500 proprietários - nenhum farmacêutico pode ter quotas em mais que uma farmácia); e que cobre eficazmente todo o território nacional.

Fala-lhe daqui um Engenheiro Mecânico, filho de farmacêutica, que tem alguns conhecimentos sobre o sector (sector este que goza de excelente imagem junto do consumidor final)- só lhe peço que não tome a árvore pela floresta, pois todas actividades económicas têm casos extraordinários que podem perverter um debate sério sobre as temáticas em questão.

Cumprimentos,
Rui M.
"

Continuo em profunda reflexão bloguística!

segunda-feira, setembro 29, 2003

Uma História de Hoje (Profissão: Escrever), Antes de Um Período de Reflexão

Chegar a casa, a pensar em descansar, responder a alguns e-mails, entre os quais ao Sr Hugo Almeida, dando a mão à palmatória, e depois receber o mail que no post anterior divulgo do mesmo senhor, deprimiu-me.
Conto a história (já sem convicção) e vou parar para reflectir!

******************************************

Foi uma das últimas doentes de Domingo, entrou com a mão direita no ar, já besuntada com várias pomadas, reluzindo dentro do gabinete. Indiferenciada. Com ar "de poucochinho", como diz o povo. Oligofrenia cultural, dizem alguns psiquiatras.

Perguntei: então o que faz, qual a sua profissão? Escrever, respondeu ela.

Olho para a ficha e não vejo a profissão.

- Então em que é que trabalha?
- Estou a escrever.
- A escrever? Mas a escrever o quê?
- A escrever nisso dos cursos.
- Mas que cursos. Está a estudar?
- Não. Estou a escrever, nisso dos cursos.
- Mas que curso está a tirar?
- Não sei, estou nisso dos cursos. Estou a escrever.

Tinha que acreditar no que dizia, pois os seus dedos da mão direita, usados habitualmente na escrita, estavam com várias e enormes bolhas.
Provavelmente escreveu demais ou era alérgica a “escrever nisso dos cursos”.
Não foi uma consulta de medicina legal, mas não podia excluir que as bolhas fossem de origem traumática.

Tenho que dar razão ao ministro Bagão Félix.

Cursos de formação profissional, onde os formandos nem sabem o que estão a fazer, apenas sabem que recebem um subsídio mensal.
Formadores (há-os óptimos, interessados em ensinar, com métodos pedagógicos) sem qualquer qualificação e que, pelos vistos, ditam, ditam, ditam, ditam e os coitados dos formandos escrevem, escrevem, escrevem, escrevem...


domingo, setembro 28, 2003

O Hotmail (que demora na entrega), a Ansiedade de Hugo A. e a Minha Segunda Resposta Que Não Leu

A minha segunda resposta, depois de 12 horas de banco hoje, 12 ontem e 6 na sexta:
(E só trago esta polémica para aqui, porque o Sr Hugo Almeida, na sua irrequieta juventude de jovem licenciado, enviou a peça que se segue para os e-mails de blogues que me merecem a maior estima e consideração.)

"Data Domingo, 28 de Setembro de 2003, 23:04
Para "Hugo A."
Assunto Re: Enfim...

"Ok, venceu.

Mas, também lhe digo que a minha filha estuda em Farmácia, por opção, note-se. Gosta de facto do medicamento, para já. Não gosta do comércio do medicamento.

Assim como muitos médicos, se renderam e rendem aos laboratórios, muitos farmacêuticos, só tiraram o curso de farmácia para ficarem com a farmácia do pai.
.../...
A posse das farmácias é um escândalo nacional. Trespassam-se farmácias por centenas de milhares de contos. Repito é um escândalo. Só Portugal é que protege este negócios, contrariando a livre concorrência que defende para todas as outras actividades económicas.
Polémico, seria se dissesse tudo isto no meu blogue. Mas censurei-me.

Em relação ao dito farmacêutico, não troquei correspondência com ele, ao contrário do que ele diz. Apenas me madou duas vezes o seu link para eu o visitar. Aqui vai para si: http://trenguices.blogspot.com

E parabéns pelo seu blogue que já conhecia.

Med. Expl."


E ASSIM AGRADECEU O SR HUGO ALMEIDA,
que mostrou que de facto há muitos carteiros, muito mais educados que muitos doutores. (Já agora, senhor doutor Hugo Almeida, imaginará quantos carteiros, como este, lerão blogues? Por isso publiquei o seu e-mail. Não pelos elogios, porque só podem ser para o que escrevo, para o que faço, julgam-me os doentes)

"Mail aberto ao Médico que Explica Medicina a Intelectuais.

Caros Bloguistas

Foi a minha primeira decepção na Blogosfera. Escrevi o que se segue ao
Médico que Explica Medicina a Intelectuais e vejam o que recebi

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28 de Setembro de 03

Caro Médico Explicador

Ontem escrevi-lhe um mail com um pedido. Não sei se o terá recebido pelo que
aqui vai pela segunda vez. Gostaria que me enviasse o link para o blog do
farmacêutico com o qual tem trocado argumentos. Gostaria de ter os dois
pontos de vista. Neste momento a minha visão do caso é totalmente
desapaixonada (e incompleta) embora, seja fácil reconhecer um certo... como
dizer?... bem, digamos que o bilhete do farmacêutico roçou o mau gosto.
Acho, (opinião pessoal) que quando alguém se envolve nestas discussões
deveria deixar o link, ou outra referência (e-mail, por exemplo) do
oponente. Porque veja, O Médico Explicador de Medicina pôde, no seu blog que
possui um razoável impacto, comentar frase a frase, o bilhete do
farmacêutico, mas este último, do qual desconheço o blogue, embora possa
escrever defendendo-se, não o está fazendo para a mesma audiência.
Saudações da blogosfera profunda

Hugo A. (Bactéria Blog, www.bacb.blogspot.com)

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E isto foi o que recebi

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(publicado sem autorização)
Caro Colega:
O meu blog não é para polemizar.
Também só faço publicidade a quem acho que devo fazer.
Limitei-me a transcrever.
Med. Expl.
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Nem um ?boa tarde?!
(Não é a educação dos bloguistas que me leva a escrever esta carta, pelo que
vou continuar).
Fiquei zangado! O blogue do Médico Explicador polemiza, ao contrário do que
me respondeu. Emite opiniões que são próprias (direito que lhe assiste),
comenta. Não é um blog neutro. Ainda bem que assim é. Neste canto espera-se
interactividade e debate entre pessoas. Podemos ganhar e aprender muito.
Será sempre melhor acreditar que temos muito a receber do que partir do
princípio que todos têm a aprender connosco, que temos muito a ensinar? seja
medicina, ou qualquer outra matéria, seja a intelectuais ou a qualquer outro
tipo de audiência.
Quanto à questão da publicidade? enfim. Digam-me honestamente se é isso que
vos move, caros bloguistas. Ele, médico, diz que não publicita. O que dirá o
farmacêutico?
Já agora se não publicita porque é que publica as deprimentes cartas com
estes títulos ?Sr dr, chamo-me João S, tenho 28 anos e sou carteiro de
profissão?; cartas com rasgados elogios, do estilo ?Acredito na sua
competência como médico ,
embora não conheça o sr dr pessoalmente, e creio que quando escreve no seu
blog, escreve o que sabe, não inventa? ou ?Sr dr permita-me que lhe diga
algo ... quanto as ofensas que lhe foram
feitas, pelo dito farmacêutico, peço-lhe que não lhes dê importância ,
pois penso que cada coisa só tem a importância que nós próprios na condição
de seres humanos, lhes damos, como tal, não creio que as ofensas que lhe
foram feitas sejam importantes, para mim na condição de ser humano e de
leitor do seu blog, o importante é o que o sr dr tem escrito até hoje, por
isso mesmo deste humilde ser humano um muito obrigado?

Comentários? Poderia, o Senhor Doutor guardar humildemente este mail.
Poderia eventualmente agradecer ao Sr Carteiro no blog mas, Oh!
descaramento? vejam bem o que lá está: ?O Senhor é bom, o Farmacêutico é
mau.? Está lá, até um pobre coitado como um carteiro é capaz de perceber
quão bom é o Senhor Doutor.
Encontram-se mais cartas elogiosas ao longo do blog do médico.

Quanto ao último ponto da resposta. O Doutor transcreve, sim, mas também
comenta. Regressando ao que motivou este mail, o que terá escrito o dito
farmacêutico?

Por fim, não se despediu de mim, oh! Eu disse que não falaria em educação.

Para terminar este Mail aberto que já vai longo, gostaria que atentassem bem
ao nome ?Médico explica medicina a intelectuais?

1- Quem foi/foram o(s) intelectual(ais) que pediram explicações de medicina?
Quero apurar responsabilidades.
2- Se o médico explica medicina a intelectuais concluímos que os
intelectuais não sabem medicina. Se não sabem medicina, não são médicos e,
portanto, os médicos não são intelectuais. Ou seja não tem a capacidade de
usar o intelecto. Nisto eu não acredito. Pela relação de parentesco que
tenho com 2 médicos, pela relação de amizade que tenho por muitos (futuros e
presentes) médicos e até pelo namoro que tenho com uma (futura) médica.

Aqui me despeço. Fiz muita publicidade ao médico que não gosta de
publicidade mas, fiz com gosto. Assim é a minha blogosfera. Ensina-se,
aprende-se, debate-se?

Saudações a todos os bloguistas!

Hugo Almeida
Bactéria Blog
bacb.blogspot.com
"

sábado, setembro 27, 2003

"Sr dr, chamo-me João S, tenho 28 anos e sou carteiro de profissão"

De: joão s < @msn.com>
Data: Sabado, 27 de Setembro de 2003, 22:37
Para: medicoexplicamedicina@iol.pt
Assunto: Obrigado!!
"Sr dr, chamo-me João S, tenho 28 anos e sou carteiro de profissão,
nunca fui muito dedicado aos estudos e a minha formação escolar para os
tempos que correm é muito reduzida, contudo tento manter-me informado e
tento evoluir por conta propria. Acredito na sua competência como médico ,
embora não conheça o sr dr pessoalmente, e creio que quando escreve no seu
blog, escreve o que sabe, não inventa. Desta forma, embora não precise,
venho por este meio prestar-lhe o meu apoio e agradecer-lhe o tempo que
dispensa ao seu blog e aos leitores do mesmo em que eu me incluo. Obrigado
por todos os esclarecimentos voluntários que nos presta, obrigado pela
partilha que faz conosco das suas experiências profissionais, obrigado
tambem pelos alertas que nos faz. Ao visitar hoje o seu blog, pareceu-me
que mexeu numa "ferida" bastante infectada, por isso, tambem quero
agradecer-lhe a sua coragem .
Sr dr permita-me que lhe diga algo ... quanto as ofensas que lhe foram
feitas, pelo dito farmacêutico, peço-lhe que não lhes dê importância ,
pois penso que cada coisa só tem a importância que nós próprios na condição
de seres humanos, lhes damos, como tal, não creio que as ofensas que lhe
foram feitas sejam importantes, para mim na condição de ser humano e de
leitor do seu blog, o importante é o que o sr dr tem escrito até hoje, por
isso mesmo deste humilde ser humano um muito obrigado
."

Sensibilizadíssimo com esta mensagem de alguém que não pôde, mas quer adquirir conhecimentos e sabe que os mesmos só são úteis quando partilhados.

"ANF Tenta Travar Distribuição de Medicamentos para Pressionar Tutela"

É um título do Público de hoje.

Eu estou calado!

Afirma Pereira

N' O 1º Janeiro de 27/09/03:
"O ministro da Saúde, Luís Filipe Pereira, considerou ontem que o aumento da taxa de penetração dos medicamentos genéricos no mercado nacional, que representam actualmente seis por cento, é "caso único" na Europa.

A quota de mercado "aumentou seis vezes em sete ou oito meses, é um caso único até em termos europeus", sublinhou o governante
".

Se, como ouço constantemente, os médicos não permitem, não querem, odeiam, proscrevem, condenam, desterram,
abolem, banem, extinguem os medicamentos genéricos, quem afinal os anda a prescrever?

Esta pergunta também é para os caros jornalistas.....

Onde Está O Ódio? Decida O Leitor.....

Usei um direito que me assiste, numa sociedade democrática de criticar aquilo com que não concordo. Não insultei ninguém (li e reli o meu bilhete anterior), apenas afirmei e continuo a afirmar que o Dr João Cordeiro, presidente da ANF, é um exímio defensor das farmácias, fundou um lobie com uma força impressionante e sabe geri-lo muito bem. É o seu papel. Tomara os médicos terem bastonários assim!

Mas eu não gosto do Dr João Cordeiro! Também é um direito que me assiste, o não gostar, não implica ser inimigo, detratar, insultar.

Então de que lado estará o ódio? Leiam este bilhete que um farmacêutico colocou no seu blog e decidam:

"Apreciem, meus caros, o ódio e a inveja [Ai se tu me conhecesses, pá!] que destila um blogueiro médico relativamente aos farmacêuticos. Já aqui falei na "Guerra das Cruzinhas" [Não ponho cruzinhas, dou total liberdade ao doente, para sua informação.]; ora aqui está um magnífico exemplar do fel expelido pelo médico explica medicina a intelectuais.
O tipo não fala de mais nada. Nada de interesse,
[Parece que não é bem assim...] pelo menos (mesmo assim foi classificado como o melhor da semana no Mata-Mouros, grande amigo). Obcessão.[Serão ciúmes? Inveja?]
O blogue até tinha um projecto de intenções com algum interesse. Mas a pose não enganava; arrogava-se o meco, [Insulto nº 1] desde logo, como um sabe-tudo, e a terminologia é a de um supra-sumo, um ser iluminado "São tantos os dislates que se ouvem e lêem..." . [Já afirmei em alguns textos que estou sempre a aprender, é uma necessidade fundamental, até posso dizer que nada sei, mas sei o que sei! ]
Em tempos fartei-me de o aturar e mandei-lhe um imeil a informá-lo que ia processá-lo por difamação e calúnia. [É um brincalhão, este amigo farmacêutico! ] O homenzinho [Insulto nº 2] assustou-se e acalmou-se. [Olhe que não! ]Como se eu fosse perder tempo com uma alimária destas [Insulto nº 3].
Deve ser um clinicozeco-geral [Tenho um respeito enorme por quem trabalha nos Centros de Saúde. ] enterrado num centro de saúde, escriturário de receitas, [Que seriam das farmácias sem o receituários emanado pelos Centros de Saúde?] um médico do 25 de Abril, [É uma honra ter vivido o 25 de Abril na Universidade] que pediu transferência de História para Medicina e fez o curso em 4 anos, à custa de passagens administrativas.[Não diga asneiras, pá!] [Insultos nº 4 a 7]
Agora está tramado, acabaram-se as férias nas Maldivas à custa dos laboratórios. [Nunca fui às Maldivas. E o senhor? Mas gostava de ir, confesso!] Tem que viver com o miserável ordenado de funcionário público [Tem razão!] e conviver com os colegas Ucranianos (de dia estão nas obras, à noite fazem bancos nas urgências), Guineenses e Espanhois. [Laivos de xenofobia, por esses lados?]
Doutorzinho [Insulto nº 8] explique-me lá o que quer dizer cotovelalgia?
Deixe lá os farmacêuticos em paz, preocupe-se com os problemas da sua classe.
[E são muitos!]
E interesse-se mais pelos doentes" [Gosto do que faço]

quinta-feira, setembro 25, 2003

"Novamente Os Genéricos", por Dr João Cordeiro

É a novela dos genéricos!
Tenho a certeza que os médicos se sensibilizariam muito mais a prescrever genéricos, se o Dr João Cordeiro se mantivesse calado.
Os anticorpos que gerou na classe médica, eu incluído, são muitos. Quando fala, apetece-me fazer o contrário do que propõe.

Afirmaram todos os jornais: "O representante máximo da ANF não vai mais longe, mas deixa implícita para todos os presentes na conferência de imprensa de ontem a ideia de que pretende pressionar os médicos a prescreverem mais genéricos, acusando-os inclusivamente de «não cumprirem a legislação que obriga a que a prescrição seja feita por Denominação Comum Internacional»".

Posso fazer uma pergunta?
Se os médicos «não cumprirem a legislação que obriga a que a prescrição seja feita por Denominação Comum Internacional», porque motivo as farmácias continuam a aceitar as prescrições ilegais? Porque não as recusam e obrigam os médicos a passar as receitas como deve ser?

Posso fazer outra pergunta?
Se os médicos não prescrevem genéricos, porque razão a sua venda tem subido exponencialmente?

Posso fazer, ainda, outra pergunta,?
Porque é que a ANF publicitou este estudo? Então o que anda a fazer o Infarmed? E os seus laboratórios? Não é ao Infarmed que compete dar e publicitar estes estudos?

Posso fazer, outra pergunta, esta maliciosa?
Porque é que a ANF publicitou este estudo dias depois de assinar um contrato milionário com o Ministério da Saúde, sem qualquer interesse científico para os doentes diabéticos?

É-me permitido mais uma pergunta?
Porque razão o Dr João Cordeiro defende tão activamente os genéricos? Os farmacêuticos, por definição, também se deveriam preocupar com a descoberta de novas moléculas, com os novos desenvolvimentos farmacológicos, com a biotecnologia e não só com o seu comércio a retalho. Uma farmácia hoje em dia é apenas um intermediário na comercialização dos medicamentos, já perdeu toda a sua história de farmácia de oficina, de romantismo, de cavaqueira, (lembram-se da série Os Pós de Bem-Querer?)

E para finalizar, outras perguntas maliciosas: porque razão, com tantos farmacêuticos no desemprego ou a fazer de balconistas nas farmácias, o Dr João Cordeiro não propõe a liberalização da abertura das farmácias a quem esteja interessado? Porque não permite a venda de medicamentos nas grandes superfícies, com a supervisão de farmacêuticos?

Já disse anteriormente que prescrevo genéricos, em grande quantidade. Talvez cerca de trinta ou mais por cento da minha prescrição é de medicamentos genéricos, altero muitas prescrições de medicamentos de marca para genéricos, explicando ao doente. Uns querem ou outros não.

Para que não restem dúvidas: tenho vários farmacêuticos/as no meu círculo de amigos, em várias áreas das Ciências Farmacêuticas, defendo os genéricos (sem marca e por unidose), defendo a investigação dos grandes laboratórios, defendo os medicamentos de marca e defendo a liberalização da atribuição de farmácias a todos os farmacêuticos que o desejem.

Nietzsche & Schopenhauer

Não parece, mas é nome de blog.
E ainda mais estranho é ser nome de blog sobre futebol, sim futebol, aquele jogo adorado por milhões e detestado por milhares.
Mas ainda mais estranho, é ser um blog sobre o Benfica. E digo estranho, não por ser do Benfica, mas por ser um blog inteligente, crítico, acutilante, educado, e não-agressivo, apesar da fase menos boa que o Benfica atravessa e que defende as suas posições e critica as dos outros clubes com uma elevação de palavras, que não é usual ouvir-se quando se discute ou fala de futebol.

É um blog aconselhado para todos, quer sejam ou não adeptos do Benfica.

Há uns anos atrás escrevi umas linhas num grupo de discussão de medicina, sobre a influência da prestação contínua dos clubes, no bem-estar das famílias.
Pode parecer ridículo, mas a influência que o futebol tem, não se restringe apenas às quatro linhas de um campo de futebol, nem aos números do resultado final, prolonga-se sub-liminarmente pela vida fora.

Bom, mau? Talvez o Nietzsche e Schopenhauer possam dar a resposta. Ou melhor o Frederico e o Artur ou quem por eles escreve!

Early Morning ...

Early Morning Blogs e está tudo dito! É uma frase que pertence ao dito. Não sei se estará registada na SPA. Mas a comunidade blogueira identifica-a de imediato.

Mas ontem, às early nove horas o primeiro doente do banco direccionou-me de imediato para o JPP e para os seus early morning blogs. Não sei por onde estaria voando, mas, mirando a face do doente, com um pronunciado desvio da comissura labial, nada colaborante e até ausente deste mundo, num mesmo instante cheguei ao diagnóstico e aos early morning blogs.

De momento não compreendi a razão deste reflexo condicionado. O JPP é intelectual, este doente era operário, tinha visto o JPP na TV, dois dias antes, e a este nunca o tinha visto, físicamente parecidos, mas o operário não tinha barba, o intelectual deveria estar em grande reunião discutindo grandes problemas, o operário foi trazido pelo seu capataz e directamente da máquina que operava, para a urgência.

Depois de ingerir a dose de cafeína matinal para enfrentar a calma de uma urgência, fez-se luz: o que condicionou o reflexo foram as palavras early morning. O JPP inicia a sua early morning com actividade intelectual, este operário iniciou a sua early morning com actividade puramente reflexa, talvez como o JPP e todos os leitores dos seus early morning blogs.
Mas este operário, desconhecedor dos blogs, dirigiu-se à fábrica onde trabalha há décadas, sentou-se preparando-se para iniciar o seu dia de trabalho, com a boca ao lado, com os braços caídos, desinteressado do mundo que o rodeava, não reconhecendo os seus colegas de trabalho, mas não abandonando o seu posto.
O operário fez ou estava a fazer um AVC, nas early morning hours. É assim na literatura científica inglesa: enfartes e tromboses cerebrais são mais frequentes nas early morning hours. Este early morning é que inconscientemente me catapultou para o JPP e os seus early morning blogs.

A este operário, de apenas 50 anos, nem um AVC o retirou do seu posto de trabalho.

E alertemo-nos todos, enfartes e AVCs podem aparecer nas early morning hours, ao levantar.

Controle a sua pressão arterial e o seu colesterol e nunca será o protagonista desta história.

quarta-feira, setembro 24, 2003

Hoje Não Dá Para Explicar Nada!

Só dá para agradecer ao Mata-Mouros o óscar semanal do melhor blog, empatado com o Dicionário do Diabo. E para dizer que não mereço tal distinção.

Não é falsa modéstia.
Reconheço que estou a léguas da qualidade de muitos blogues, nomedamente do próprio Mata-Mouros e do do Pedro Mexia. Apenas dedico algum tempo nocturno, já com a cabeça pendente e os olhos semi-cerrados a esta actividade. Se saem alguns bilhetes interessantes, o mérito é do sono!

Um presente para o Mata-Mouros: uma ligação para uma cidade onde já estive, no México, Matamoros, na fronteira com a cidade estado-unidense de Brownsville, Texas, com o Rio Bravo (para os mexicanos) ou Rio Grande (para os texanos) a separá-las e famoso pelos nossos westerns da adolescência.

segunda-feira, setembro 22, 2003

Não Sei Se Conseguirei Explicar ... (Actualizado)

Pois trata-se de um negócio das arábias, este negócio entre o Sr Dr João Cordeiro e o Ministério da Saúde.
Demonstra que o País, afinal não está de tanga!

Não sei os pormenores. Mas deverá ser assim: o Ministério da Saúde transferirá 120.000 contos mensalmente (?) para os cofres da ANF. A ANF decide as farmácias com as quais fará os seus acordos.
Até aqui, nada a opor. As farmácias são empresas e fazem os negócios que entenderem e com quem entenderem.
Mas ficam-me algumas dúvidas:
1) O que são actos farmacêuticos? Estão legislados? Há alguma referência nas faculdades de farmácia sobre os actos farmacêuticos?

2) O que é para este contrato "diabetes não controlada"? Se até para o médico por vezes é difícil chegar a conclusões numa única consulta, sem recorrer a uma análise que se chama hemoglobina glicosilada, como concluirão os farmacêuticos rapidamente que a diabetes está descontrolada?

3) Será só pela picadinha no dedo que significa glicémia capilar? E quem paga as tiras (testes colorimétricos de glicose no sangue) para essa picadinha feita na farmácia? O Estado já subsidia as tiras de diagnóstico, os laboratórios já oferecem as máquinas a quem compre as suas tiras. Os médicos já há muito tempo dizem que as picadinhas no dedo, tem um alcance muito limitado para a maioria dos diabéticos, os insulino-dependentes (diabetes 1) ou os portadores de diabetes 2, mas insulino-tratados, serão os únicos que precisarão, REGRA GERAL, de um controle apertado da sua glicémia para efeitos terapêuticos.

4) E porque pagarão os doentes diabéticos cerca de 500 escudos nas farmácias, quando as suas consultas nos centros de saúde e hospitais são gratuítas?

5) - E continuarão os doentes diabéticos com inúmeras dificuldades no acesso a consultas de oftalmologia para despiste e controle da retinopatia diabética, principal causa de cegueira.
- E continuarão os doentes diabéticos com inúmeras dificuldades no acesso a consultas hospitalares para tratamento de diabetes de dificil controle nos centros de saúde.
- E continuarão os doentes diabéticos com inúmeras dificuldades no acesso a consultas com nutricionistas hospitalares (único local oficial onde as há) para alteração dos hábitos alimentares.
- E continuarão os diabéticos a ficar cegos por que não podem pagar consultas privadas de oftalmologia, e continuarão os diabéticos a cometer erros alimentares porque não podem pagar consultas com nutricionistas privados, e continuarão a ser amputados e a ter enfartes e AVCs, e etc.
- E coitados dos médicos de família nos seus centros de saúde que agora terão mais um canal para marcação de consultas: o doente sai da consulta com um rol de análises para três ou seis meses, as análises anteriores até estavam óptimas, mas como está com fome vai almoçar, depois lembra-se de ir fazer a picadinha no dedo à farmácia do bairro, onde até está uma técnico que ele conhece, a picadinha mostra 147 mg/dl de glicémia capilar, o técnico ou farmacêutico olha para os seus papéis e diz: está com um valor superior ao normal, vá já ao seu médico (entupir ainda mais as consultas) e assim os centros de saúde continurão a funcionar mal.

6) Outras perguntas se poderiam colocar: há um Programa de Controlo de Diabetes, oficial, onde se inserem as farmácias neste programa? Ficará a ANF responsável pela compra, pela distribuição, pela escolha das farmácias e depois ... quem pagará serão todos os portugueses.

7) Finalmente: será que o Ministério da Saúde apenas ouviu o Sr Dr João Cordeiro? Ou ouviu as sociedades científicas de diabetes? E há várias em Portugal:
# Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal;
# Sociedade Portuguesa de Diabetologia;
# Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo;
# Sociedade Portuguesa de Cardiologia;
# Grupo de Estudos da Diabetes da APMCG;
# DGS - circular normativa sobre actualização dos critérios de diagnóstico;
# DGS - circular normativa sobre diagnóstico sistemático da nefropatia diabética


Então Não Era para Facilitar (Democratizar!) o Acesso!

O Correio da Manhã de 2003-09-20, confunde-me, ou será o título escolhido para a notícia, aquele que mais vende?

Muito Mentiroso ...
345 - Porque será que o Correio da manhã escolheu este título"

"MAIS DIFÍCIL TIRAR MEDICINA

A partir do próximo ano lectivo será mais difícil aceder aos cursos de Medicina e de Medicina Dentária já que os candidatos a estas licenciaturas terão que realizar uma prova nacional de acesso que terá um peso de 50% na nota de candidatura.

Este exame substituirá as actuais provas de ingresso de Biologia e Química que se realizam no 12.º ano.

A prova vai realizar-se em duas fases. A primeira decorrerá a 5 de Julho de 2004 e a segunda a 26 de Julho de 2004, devendo a afixação dos resultados coincidir com a dos exames nacionais do ensino secundário. Os locais e as datas para a inscrição, bem como os locais de realização da prova serão divulgados posteriormente.

Este tipo de exame ainda está em testes, prevendo-se que os resultados desta experiência sejam divulgados no mês de Novembro.

O manual da prova, distribuído aos alunos no processo de testagem, contendo, entre outras matérias, a estrutura da prova e exemplos de perguntas-tipo, irá estar disponível no ‘site’ do ministério da tutela (www.mces.gov.pt) e em www.acessoensinosuperior.pt. Prevê-se igualmente que seja divulgado, até final do ano, o texto integral da prova testada, bem como o regulamento da prova para 2004."

:)

"Caríssimo doutor :)
Para começar... parabéns pelo seu Blog! Obrigada pela análise sã e divertida
que põe em todos os textos que escreve!
Leio, quase todos os dias meia duzia de blogs que tenho como referência...
entre eles o seu.
Já por vezes estive para escrever... mas, deixei para depois... (e depois...
depois é tarde... e fica para o dia seguinte... ) mas hoje tinha que
devolver-lhe o sorriso!
Sou Lic. em Informática... e fartei-me de rir com a descrição da suposta
formação... Tambem eu já estive dos dois lados... do do staff e do lado do
formando... sei bem o que é ter 40 olhos à espera de uma password ou dum
computador que resolveu não arrancar!!!
E, sou tambem mulher... adorei um texto, ha uns tempos atrás, em que era
meia noite e ia oferecer flores... Há textos que nos tocam, mensagens que
ficam...
Obrigada, pela partilha de ideias e de tempo com que nos brinda (espero que
durante ainda muito tempo)"

M T.

Não Sei Se Conseguirei Explicar ...

Não sei mesmo. O Sr João Cordeiro da ANF é um ás a inventar negócios.

De uma coisa tenho a certeza: os doentes diabéticos não vão ganhar nada; as farmácias vão ganhar tudo!

Voltarei.

sábado, setembro 20, 2003

Rezo Por Eles Todos os Dias ….

É terça-feira. Recebo no telemóvel uma chamada de uma conhecida doente.

Pergunta-me se a posso consultar e a uma amiga. Digo-lhe que apenas as poderei consultar na quinta-feira após as 18 horas.

Fica combinado. Quinta-feira aparece, mas não aparecem. Faço o que tenho a fazer e eis-nos na sexta-feira.

Faço o que tenho a fazer. Faço o que estava programado, por estar escalado e a que não posso fugir.

Pelas 16 horas, novo telefonema:
- “Senhor doutor, já cá estamos!”
- “Estão onde?”
- “À sua espera em sua casa, para a consulta, como combinado.”
- “Dona Z, a consulta era para ontem. Hoje só a posso ver depois das nove!”
- “Não faz mal, a gente espera.”

Às nove e meia, chego a casa e lá estão as minhas doentinhas: a Dona Z de 81 anos e a Dona Y de 82 anos. São diferenciadas. Economicamente estáveis. Vieram de táxi, e esperaram 5h30 para a consulta. Reprogramaram o táxi para as 22 horas.
O que eu tinha a fazer era jantar. Mas não janto. Algo me impele para consultar as minhas doentes idosas.
Começo pela Dona Z e pergunto como se entreteu nestas cinco horas.
Oh, senhor doutor, eu nunca saio de casa, vim apanhar ar puro, respirar, andar, falar com a minha amiga, pois só falo quando venho ao médico. Mas conversamos muito."
Começa a consulta com as queixas habituais, subjectivas, tonturas, dores de cabeça, esquecimentos, e um certo ar triste. Mais triste que o habitual. Encaminho a consulta para esse ar triste. Explica-me que o cunhado faleceu em 2001, a irmã em 2002 e o irmão em 2003. "Acompanhei as suas doenças", diz. Por isso estive muito tempo sem vir à consulta. E choro todos os dias. Mas é pelo meu filho que morreu há 24 anos. Mas rezo por todos eles todos os dias.
Menos hoje, que vim para aqui.
Nem chorei, nem rezei.
Estive a conversar com a Dona Y e passou o tempo.

Posso chamar a Dona Y para a consulta? É que a sua irmã, pediu-me para a acompanhar, porque ela não ouve nada. “É surda como uma porta!” acrescenta.

sexta-feira, setembro 19, 2003

Médicos e Engenheiros

Diz o Pedro Rolo: "(afinal os Engenheiros de vez em quando também ajudam os
médicos!)".


Não deve colocar entre parêntesis a frase.
É uma realidade a ajuda que refere. Eu até acrescentaria mais: sem os engenheiros, a Medicina teria estagnado. Os engenheiros, de qualquer área, são imprescindíveis actualmente para o desenvolvimento da Medicina.