sábado, setembro 23, 2006

Indiana Hospitals To Post Errors

September 22, 2006

"The Indiana State Department of Health on Wednesday adopted new rules that next year will require hospitals to disclose their medical errors to the public, the Indianapolis Star reports.

The reports, which will be made public in February 2007, will identify only hospitals, not the medical officials or patients.

The hospitals must release their mistakes within 15 days after accepting fault, and within six months after the error.

The Department of Health announced 27 mistakes that hospitals must report to the state, including surgery on the wrong part of the body, deaths from contaminated drugs and sexual assault on patients, the Star reports.

Terry Whitson, assistant commissioner at the Indiana State Department of Health, said Indiana hospitals have reported fewer than 100 mistakes since Gov. Mitch Daniels (R) ordered the reports on Jan 1.

A provision in the rules states that the errors cannot be used in patient lawsuits, although patients still may sue, the Star reports.


Minnesota is the only other state that requires its hospitals to publicly disclose their errors (Hupp, Indianapolis Star, 9/21).

Indiana's error information will be available at www.in.gov/isdh (Indianapolis Star, 9/21)."

quinta-feira, setembro 14, 2006

As Quecas De Verão.

Disse um leitor:

"Epá, ó MEMI:
Reforce o Channel e o camembert, junte Martin's 20 anos e invente um fetiche. Agora ensine os MCP e os FE's a dar uma queca.


É que andam todos mal f******!!!"


Vamos então lá às quecas.

Patrocinado por um laboratório (Organon) para promover uma nova forma de anticoncepção, o anel vaginal, realizou-se um estudo intitulado "Amores de Verão 06" com as seguintes conclusões:

Nas férias,

- metade das mulheres fica sexualmente mais activa;

- 1/4 das mulheres sente-se mais sexy;

- 8 em cada 10 gostaria de não ter período menstrual nas férias;

- 1 em cada 5 tem relações fortuitas;

- 5 em cada 6 não pensa antecipadamente na contracepção.

Contem lá como foi a fortuitidade nas vossas férias.

domingo, setembro 10, 2006

Oh nãoseiquenomeusar Não Sabe Que Nome Usar? Eu Digo!

naoseiquenome usar (cliquem na ligação que vale a pena) disse a propósito do post dos "vómitos fecalóides" e do blogue que é "um esgoto a céu aberto":

"Bem, o que faltava agora era que viesse alguém reivindicar rigor jornalístico a um blog!

Um blog que só lê e "frequenta" quem quer e ainda por cima de graça, e se o fazem porque não têm nada de útil para fazer, olhe dê graças ao aspecto lúdico e aos ganhos adquiridos com tal atitude, entre milhares de blogs, alguns sem ponta por onde se lhe pegue;


mas cada um tem o direito de os gerir como quiser, enquanto as entidades onde estão alojados o permitirem.

Ora essa! Não sei se o Sr. Dr. MEMI tem carteira jornalística. Seguramente terá carteira profissional de médico. E entre muitos artigos escritos por aqui, alguns são de grande valia. Outros há, é certo, que são de afronta, de provocação, ou de quase ofensa se se quiser.

Eu própria às vezes fico chocada. Com os comentadores do blog também.

Alguns manifestam uma "quase" falta de respeito pelos outros.

Na notícia em questão é utilizada uma linguagem muito forte, e são tecidos juízos sobre um determinado trabalho, que lamentavelmente se podem confundir com juízos sobre a pessoa por detrás do trabalho. Lamentavelmente, repito, porque pessoas argutas percebem que não pode haver confusão quanto aos papéis.

Acrescente-se contudo, a bem da verdade, que a notícia em causa nada tem de exclusiva, resultando antes da compilação de vários casos trazidos a público, quase sempre de forma distorcida e que ali também não se cuidou de aprofundar.

Acrescente-se ainda que a referência a entidades citadas como fonte do "exclusivo" é uma falácia, para não dizer outra coisa.

Mas convenhamos, caramba: o saldo deste blog que o sr. jornalista apelida de "esgoto a céu aberto", é, largamente positivo! Podemos até dizer que é um "esgoto Channel" :)

Agora o que o "sr." jornalista nunca poderia fazer, era atacar o homem por detrás do blog!

Acaso conhece-o no seu quotidiano? Como ser humano? Ou a mim, que também tenho um (pseudo, é certo, não percebo nada daquilo em termos operativos) blog. Ou aos "n", exponenciais que os têm? (em caso afirmativo, pelo desculpa. é minha convicção que não!) ...

Caso não saiba FE, isso é difamação (ou não ponderou tal, FE? ... olhe que o aviso está claro no cabeçalho do blog)!

Justificadamente, FE, conceder-se-lhe-ia o direito de criticar o blog. Mas não apresentou (ao que parece), nenhuma justificação. Foi, simplesmente, ofensivo! E, mais: se repararem bem, o Dr. MEMI,até costuma, em cada "notícia", respeitar a pirâmide jornalística, a saber - quem? quando? onde? como? porquê? - coisa de que os srs. jornalistas encarteirados se têm vindo a esquecer amiúde.

Cumprimentos bloguísticos, até para os comentadores mais "impetuosos" (muitos anónimos, o mais possível, vá-se lá saber porquê)."

Pois o nome que deve usar deve ser D. Qualidade Imparcial.

sexta-feira, setembro 08, 2006

Direito De Resposta

Embora não solicitado pelo autor, divulgo como direito de resposta a este post, este mail recebido do jornalista Fernando Esteves:

" De:
Fernando Esteves
[mailto:fernandoesteves@sabado.cofina.pt]
Enviada: sexta-feira, 8 de Setembro de 2006 11:49
Para: memai@sapo.pt
Assunto:

Uma amiga que não tem nada de particularmente útil para fazer pediu-me para ver este blogue, sem me dizer do que se tratava. Por piedade, lá lhe fiz a vontade. Quero dizer-lhe (identificadamente, claro está) que você é uma merda de homem e o seu blogue é um esgoto a céu aberto.

Fernando Esteves
--------------------------------------------------------------
Fernando Esteves
SÁBADO newsmagazine
Av. Conde Valbom, nº 30, 6º
1050-068 Lisboa
Telefone/Phone Nr.: 210126500
"
----------------------------------------------------------------

Apenas quero reafirmar que, embora com adjectivos fortes e personalizados, apenas tento criticar o trabalho e nunca a pessoa, que no dia seguinte pode assinar um excelente trabalho.
São estilos de escrita, e este é o meu!

terça-feira, setembro 05, 2006

Por Falar Em "Baixas", Agora CITs

Um leitor reenviou-me esta mensagem:


----- Original Message -----
From: F G
To: M........@yahoogrupos.com.br
Sent: Tuesday, September 05, 2006 2:17 AM
Subject: Re: [M] Ainda as "Baixas"


Era uma vez uma miúda simpatica e divertida que sempre quis ser médica...
Fez por isso e resolveu que Coimbra é que era o sítio que lhe dava jeito.

Por lá andou os anos necessários para sacar o canudo....

Jogávamos muitas vezes às cartas, no bar, entre duas aulas ou em vez de
alguma delas a que não apetecia ir....

Terminamos o curso: ela foi à vida dela e eu à minha.. Nunca mais a vi
Soube que era MF lá para os lados de Abrantes..

Passados uns anos numa qualquer manhã ouvi ou li que uma Médica
tinha sido assassinada na região de Abrantes.

Lembrei-me que ela estava por lá .......

Era mesmo ela .. Morta no consultório com um tiro por causa de uma
"baixa" que entendeu não dever passar.

O marido daquela colega e os filhos que suponho tinha,
dificilmente terão compreendido em nome de quê é que foi dada aquela vida.

domingo, setembro 03, 2006

Caras Colegas:

Resposta a comentários da "médicaquetambémexplica" e da "CF":

Inteiramente de acordo com esses princípios:
- a IF merece ter lucro,
- não são instituições de solidariedade social
- é legítimo fazer a publicidade.
- a prescrição se baseasse na evidência e não na publicidade.
- teria de começar por haver guidelines,
- auditorias aos perfis de prescrição,
- a recertificação dos médicos.

Eu quero ser diferente de muitos médicos que por aí pululam, mas não sou ingénuo, já passei essa minha fase de "querer mudar o mundo sozinho", "de demonizar os DIM", quando terminei o curso, éramos contra os "barões da Medicina", mas eles continuam, apadrinhados pelo sistema, os seus consultórios continuam a ser publicitados pelos media.

A minha luta foi inglória, mas não estou arrependido.

Quanto aos problemas da prescrição, basta um simples decreto ou um despacho até, para inverter a situação.

Mas talvez não interesse ao Poder.

Gosto de saber que há jovens médicas com valores morais tão elevados.
A influência das multiacionais da IF já não se mede pelos almoços.

As "gifts, treaps and meals" começarão a perder influência para os estudos, as guidelines (quantas destas não terão já o dedinho da IF?

Fico satisfeito por do alto dos meus 50 anos e 25 de prática, saber que há jovens na minha profissão que me merecem todo o respeito!

PS: dizem nos mentideros que o responsável pela Medicina Baseada na Evidência, tem muitos créditos a enumerar na IF...

sábado, setembro 02, 2006

A Insustentável Gravidade Das Medicinas Alternativas (actualização 120 dias depois)

Neste post de Maio (A Insustentável Gravidade Das Medicinas Alternativas) contava uma história real.

Muitos comentários depois, mais um post de resposta à mar, muito dinheiro mal gasto (nos intocáveis alternadeiros), e outro bem gasto na procura do diagnóstico, depois de 3 meses de internamento, depois de muita massa cinzenta activada com milhões de sinapses efectuadas (talvez as sinapses sejam a diferença entre a Medicina e a pseudo-Medicina) por todos neurónios de todos os técnicos da saúde, depois de muito sofrimento, o diagnóstico chegou:

tuberculose óssea.

Pode parecer tão simples, um diagnóstico de tuberculose para uma simples lombalgia, mas não é para quem é médico.
Nós sabemos que um diagnóstico não é, apenas, um mero somatório de sinais e sintomas...

Para si e para todos os que me lêm, as lombalgias serão uma coisa normal (80% das pessoas já tiveram pelo menos um episódio de lombalgia), uma espondilodiscite tuberculosa é uma situação rara.

Para a sua lombalgia tem aqui coisas interessantes para ler.

quarta-feira, agosto 30, 2006

A Teoria Evolucionista Da Medicina

Posted by Picasa

"No Hospital de Necker em Paris, Dr Laennec atende inúmeras vítimas do surto de tuberculose que na época não havia tratamento medicamentoso. Desenvolveu aparelho tubular com membrana a qual podia transmitir sons naturais ou patológicos e que afirmava, após realização de autópsias, ter importante correspondência clínica o que na época foi motivo de reprovação na classe médica. Hoje o estetoscópio é importante instrumento diagnóstico e peça inerente a todo profissional de saúde."

Conteúdo de um e-mail enviado por um membro da corporação médica.

F******: Denunciem A Máfia Dos Livros Escolares

Um dia de folga (as férias ainda por gozar!), uma garrafa de vinho branco fresquinho do Alentejo, uns amigos, uma jantar, uma denúncia!

Há muitas máfias organizadas e legais em Portugal. A dos livros escolares é uma delas!

Há também médicos mafiosos, para que não me acusem de "corporativista"...

Médicos Em Greve Às Horas Extraordinárias

Sem comentários.

Dos jornais:

"As paralisações vão ter início a partir de 4 de Setembro e durar «até ao dia exacto em que for publicado o decreto lei que revoga a obrigatoriedade das horas extra» feitas pelos clínicos nos serviços de urgência.
A greve às horas extra vai igualmente ocorrer em alguns centros de saúde do distrito.
A contestação do SIM à determinação legal que obriga os médicos a fazerem 12 horas extra por semana na urgência sempre que as administrações hospitalares assim o entendem surgiu depois de o governo ter revogado, em decisão tomada a 3 de Agosto, um decreto-lei datado de 2001 que remunerava este trabalho pela tabela máxima, de forma idêntica para todos os clínicos.
Para o SIM, ao decidir reduzir o valor pago pelas horas extra, o governo não pode manter a obrigação legal de os médicos as fazerem."

domingo, agosto 27, 2006

Blogues Sobre Saúde

Quem estiver interessado sobre a temática da saúde na blogosfera, tem aqui um artigo on-line de João Canavilhas da Universidade da Beira Interior, intitulado "A saúde na blogosfera portuguesa", sem data de publicação.

sábado, agosto 26, 2006

Afinal Vou Fugir da Sobreda Já! Um Médico Para 170.000 Habitantes!

Tá visto.

Os números não são o forte dos jornalistas!

Agora até o Portal do Cidadão diz disparates... porque não creio que tenha sido o Ministro Correia de Campos...


"Cem Unidades de Saúde Familiares em 2006

Segundo o ministro da Saúde, Correia de Campos, até ao final deste ano serão abertas cerca de 100 Unidades de Saúde Familiares (USF), assegurando um médico por cada 170 mil cidadãos."

sexta-feira, agosto 25, 2006

Um Vómito!

F. E. vomitou na revista Sábado de hoje.

Não pelo conteúdo, pois o que lá está escrito não é mais do que a compilação de diversas notícias que ao longo do ano foram sendo divulgadas nos jornais.

Mas pela forma como os títulos, sub-títulos e algumas frases foram construídas, só posso crer que o jornalista sem nome (não lhe dou o prazer do Google o vir buscar a este site!) estava demente (ou alzheimerizado, como se diz hoje) e teve vómitos de conteúdo fecalóide para o teclado do seu computador, sofrendo de alguma obstrução alta do tubo digestivo com acumulação de detritos em locais cinzentos.

Vejam-se as mentiras:

"Exclusivo. As investigações secretas da saúde. Crimes de bata branca.
Uma médica algarvia usou o cartão de crédito de uma utente. Um radiologista asssediou três menores. As crianças podem ser raptadas nos hospitais. Está tudo em documentos a que a Sábado teve acesso. Por f.e. "

- Exclusivo - exclusivo uma merda! Foram notícias nos jornais durante mais de um ano.

- secretas - secretas uma ova. Públicas.

- radiologista - o próprio jornalista escreve no interior que se trata de um técnico de radiologia!

- As crianças podem ser raptadas nos hospitais - podem ser raptadas em qualquer lugar...

- documentos a que a Sábado teve acesso - lá pelo meio dizem que a Inspecção-Geral de Saúde lhe forneceu os documentos, o que não acredito. A Sábado teve acesso aos numerosos jornais que têm publicado...

sábado, agosto 19, 2006

Quero Ir Para A Sobreda!

Segundo o Primeiro de Janeiro,

"O ministro da Saúde anunciou que o Governo pretende abrir cem unidades de saúde familiar (USF) “até ao fim deste ano”, para aumentar em 170 mil o número de pessoas com acesso a um médico de família. “A nossa meta é abrir cem unidades de saúde familiar até ao fim deste ano”, declarou Correia de Campos, durante uma visita ao Centro de Saúde da Sobreda, na Costa da Caparica, adiantando que o Ministério da Saúde pretende ter já em Setembro “entre seis e 12 [daquelas unidades] abertas a título experimental”, distribuídas por todo o País.

No caso do centro de Saúde da Sobreda, onde irá funcionar uma das primeiras USF a abrir já em Setembro, cerca de 1.600 pessoas passarão a ser atendidas por seis médicos,

permitindo, de acordo com o ministro da Saúde, um “regresso à pureza do conceito de medicina familiar”. “É uma mudança radical para a qualidade do atendimento”, considerou o ministro da Saúde."


Ora, 1600 a dividir por 6 médicos dá 266,6 pessoas por médico. Ora, como apenas cerca de 60/70% dos utentes são activos, dá 186,6 utentes por médico.

Quero ir trabalhar para a Sobreda e levar a minha família comigo... é melhor que na Ilha do Corvo!

domingo, agosto 06, 2006

Para Abel G - Resposta A Um Comentário

Caro Amigo, não diga disparates.

Para essas operações, de tão banais,corriqueiras e frequentes não há lista de espera.

Qualquer dia são como as apendicites: são para os internos.

O serviço do Prof. Manuel Antunes é um exemplo. E refiro-me como é óbvio a angioplastias programadas.

Se lhe disseram que era uma cunha enganaram-no.

Há muita gente que se gaba de meter uma cunha: qualquer trabalhador dum hospital pode dizer que vai meter uma cunha, mas é falso...

domingo, julho 30, 2006

E Os Outros Passarões, Passarão?

No Jornal de Notícias, de ontem, por Manuel Correia.

É uma notícia muito gira, por causa de 200 euros.

É muito giro investigar que os doentes psiquiátricos também vão ao futebol.

É muito giro investigar que o Hospital pagou a um "velhote" uma viagem a Olhão.

É tudo muito giro, mas será que os nossos inspectores perdem tempo com isto? Trabalham para agradar ao Senhor Ministro da Saúde?

E os milhões de euros gastos em automóveis de luxo?

E as condições de vida em muitos hospícios psiquiátricos?

E as viagens por esse mumdo fora de muitos administradores hospitalares?

Para isso já não há inspectores da IGS disponíveis...





"Verba da saúde usada no apoio à Académica

Pereira Coelho, director do Sobral Cid, foi repreendido pelo ministro

O administrador do Hospital Psiquiátrico Sobral Cid, José Alberto Pereira Coelho, é acusado, no âmbito de uma investigação da Inspecção-Geral da Saúde, de ter usado indevidamente verbas públicas para apoiar um clube de futebol (Académica), noticiou, ontem, o jornal "Expresso".

Segundo o relatório a que o "Expresso" teve acesso, José Alberto Pereira Coelho (ex-candidato a líder do PSD) e Wander de Carvalho (vogal do Conselho de Administração), "adquiriram por 230 euros, suportados pelo hospital, uma faixa onde se lia 'o Hospital Sobral Cid apoia a Académica', que era exibida nos dias de jogo".

Em causa, de acordo com aquele jornal, está também o transporte, para Olhão, de um antigo jogador do clube, "com veículo e motorista da instituição pública, para participar nas comemorações do 60º aniversário do Sobral Cid".

De acordo com a mesma notícia, a investigação, desencadeada por ordem do próprio ministro da Saúde, Correia de Campos, na sequência de uma denúncia anónima, conclui ainda que os doentes se ausentam do hospital para assistir a jogos da Académica.

No relatório é criticado o apoio de um hospital público a uma actividade desportiva profissional, tendo os dois responsáveis sido repreendidos, por escrito, por Correia de Campos. O JN tentou ouvir José Alberto Pereira Coelho, tendo um familiar afirmado que se encontrava "incontactável" no estrangeiro."

domingo, julho 23, 2006

Sobre A Autora Da Carta: Clara Pracana.

Sem dúvida que se trata de alguém inteligente! Pesquisei no Google, li alguma coisa e parece ser alguém com elevado estatuto profissional. Por isso, parece mesmo confirmar-se a minha hipótese de que a carta foi escrita em período de descontrolo emocinal, pós-trauma.

Gostava de ouvir a opinião de outros psicólogos.

Até uma académica, como a dr Clara Pragana pode ter momentos de desorientação, como o Zidane. Posso comprender, mas não aceito. Quem tem responsabilidades para além do seu umbigo, tem que ter calma e paciência.

Os médicos merecem uma desculpa da economista-psicóloga.

Uma senhora como a drª Clara Pracana, não generaliza como ela fez e nos termos em que o fez, a toda uma classe profissional, por causa de uma péssima experiência.

Talvez Freud tivesse razão...

"Mesmo em recuo, a herança freudiana continua a ser suficientemente estimulante para atrair candidatos a analistas que nem sequer vêm do mundo das "psis". Clara Pracana, gestora de sucesso na banca, trocou o que sabia fazer pelo desconhecido, e aos 45 anos iniciou a longa preparação para psicanalista (não é obrigatório ter passado por Medicina, mas tem que se ter formação em psicologia). "Um gestor precisa de conhecimentos técnicos, capacidade de liderança, saber motivar pessoas, ter uma visão do futuro e sobretudo bom-senso. Mas não é nada de transcendente. E ao fim de 15 anos torna-se um bocado rotineiro. O que faço hoje é muito mais complicado, não tem comparação".

Ser gestora levou-a a dar aulas de teoria das organizações no ISPA, o que a levou a interessar-se por programas de dinâmica grupal e liderança, o que a levou à Holanda e à Bélgica onde teve contactos com psicanalistas, o que a levou a fazer um mestrado de psicopatologia e psicologia clínica no ISPA, e depois à análise didáctica com António Coimbra de Matos, enquanto ganhava prática nas consultas de psicologia do Hospital Miguel Bombarda.

Agora, está a fazer um doutoramento sobre culpa e vergonha. Na hierárquica escala da Sociedade Portuguesa de Psicanálise - 19 titulares, cerca de 40 aderentes e cerca de 140 candidatos, num total que ronda os 200 psicanalistas, 60 por cento dos quais mulheres - está no grande bolo dos Candidatos. Já exerce, mas, formalmente, com o título de psicoterapeuta psicanalítica.

Escolheu esta segunda vida em idade tão madura que estranho seria se não a defendesse convictamente. "A psicanálise não é um dogma. É um duro caminho de confronto connosco. Se por um lado nos obriga a ver coisas de que não gostamos, cria uma liberdade maior, também. Aparecem aqui auto-condenados a um único caminho, o da neurose..." Idealmente, a análise abre alternativas. "Entramos com uma narrativa e saímos com outra".

A sala dos pacientes - neste grande apartamento onde (ao contrário de Milheiro, Pereira ou Coimbra de Matos) a analista também habita, no alto de uma torre, ao Campo Grande, em Lisboa - tem as duas poltronas do face-a-face e um divã "à la Corbusier".

Igual àquele em que se deitou, quando estava a ser analisada por António Coimbra de Matos.
"

Alexandra Lucas Coelho, in Pública 30-04-06.

sábado, julho 22, 2006

Gostava de Uma Análise Ao Perfil Psicológico Da Autora: "sou psicoterapeuta, investigadora, privilegiada"

No Público de hoje:

"Hospital de Santa Maria, 2006: a desumanização banalizada?

Clara Pracana

No meu caso, bastaram duas noites no SO de Santa Maria. E pertenço a uma classe privilegiada, sou psicoterapeuta, investigadora. Como é possível ser assim tão fácil retirar ao outro a qualidade de ser pensante? Negar-lhe a condição humana em tão curto espaço de tempo?

Acontece. Pode acontecer a qualquer um de nós. O que não devia acontecer a nenhum de nós, rico ou pobre, gordo ou magro, preto ou branco, saudável ou não, é o que passarei a relatar. Não está em causa a minha pessoa, mas a dignidade da pessoa humana. De todas as pessoas. E essa, valor que reputo fundamental, é mais fácil de se perder do que se pensa. É mesmo muito fácil. No meu caso, bastaram duas noites no SO de Santa Maria. E pertenço a uma classe privilegiada, sou psicoterapeuta, investigadora. Como é possível ser assim tão fácil retirar ao outro a qualidade de ser pensante? Negar-lhe por completo a condição de ser humano (que passa a ser apenas um bocado de carne) num tão curto espaço de tempo?
Tive o azar de, a 7 de Junho, ter um violento acidente de automóvel. Depois de horas de encarceramento, lá conseguiram extrair-me do monte de sucata em que o carro se transformara. Transportada para as urgências do Santa Maria, foram-me detectadas várias costelas partidas e três fracturas na bacia. Fui carregada para o SO.
Aqui entra em cena a personagem do dr. Zé Manel, como o designavam no SO. Desconheço o seu apelido, nem me interessa sabê-lo, não tencionando voltar a pôr os olhos em cima de tão repelente criatura. Mas neste caso o dr. Z. M. é mais que ele próprio uma criatura mal-educada, com impulsos omnipotentes e sádicos. Ele é o paradigma de todos os drs. Z. M., todos aqueles que pululam por Santa Maria como devem pulular por outros hospitais. Logo por azar, a minha cama no SO ficava mesmo em frente do local onde os médicos se reuniam durante a noite. Se por acaso as dores que eu tinha e os gritos do vizinho da cama ao lado me permitissem dormir, não conseguiria fazê-lo tal o nível de decibéis das risadas e da animada conversata entre os doutores (para não falar das luzes sempre ligadas). Ouvi falar de tudo, talvez até de mais: as questões laborais, os casos amorosos, as últimas anedotas, a questão das reformas, a nova legislação, etc. Na segunda noite que lá passei, um deles teve o seguinte desabafo: "Eh, pá, que chatice, hoje não há nada que fazer. Nem uma reanimaçãozinha!" (E pensar que pagamos nós a esta gente com os nossos impostos...)
Pois nessa noite dava-se justamente o caso de estar há duas horas a atentar chamar a atenção de alguém naquele SO. Apenas conseguia murmurar "por favor" e agitar o braço esquerdo, já que o direito pouco se movia. Que pretendia eu, pedaço de carne jacente numa cama? Apenas que me antecipassem por duas horas a ingestão do Omeprazole, já que o refluxo gastro-esofágico me estava a provocar uma tosse dolorosíssima, devido às costelas partidas. Levei duas horas até que alguém me ouvisse (e foi um enfermeiro), mas fiquei a saber muita coisa da vida dos médicos naquele hospital, dos drs. Z. M. e dos interesses que comandam aquelas vidas. E é aquilo o SO, onde os doentes são supostos estar sob observação...
Entretanto, ao fim de cerca de 24 horas no SO, a minha cama foi colocada no corredor para ser levada para a Ortopedia, segundo alguma alma caridosa me informou (certamente uma enfermeira ou enfermeiro, porque eram os únicos seres educados, assim como muitos dos auxiliares). Porque ali não se informam os doentes. Ali, tal como no livro de Job, não se explica nada, nem se dão razões para nada. A omnipotência dos senhores doutores, cuja má-educação me continua a intrigar, intrigaria certamente o próprio Job: mas terão de ser todos assim? E porquê? Será resultado de défices narcísicos a precisar de um engrandecimento à custa do esmagamento do outro, da sua redução a um objecto? Será uma questão de escola? De cumplicidades tecidas no dia-a-dia? Protecções corporativistas? Não sei. Mas acho que o fenómeno desta grosseria básica (e bárbara) devia ser investigado, porque diz respeito a todos nós, e todos nós pagamos (nos dois sentidos da palavra) por isso.
Certo é que a esperança de sair dali para a Ortopedia durou pouco. Passado algum tempo, a minha cama foi puxada novamente para o SO, e eu lá voltei para o meu lugarzinho, a cama nº 7.
Nessa manhã, o dr. Z. M. passeava-se com um seu acólito pelo SO. Personagem rubicunda, de fraca presença, ostentava para compensar um ar imperial, pairando acima dos apelos, gritos e soluços dos pedaços de carne que ali, como eu, se encontravam. Tendo ele entrado no meu cubículo, pretendi saber porque não tinha sido ainda levada para a enfermaria da Ortopedia, se essa tinha sido a opinião do médico da especialidade cardiotorácica (tal como ouvira da boca do próprio, o único médico educado que encontrei, além de uma médica espanhola). O que fui dizer! "Intromissão nas decisões do hospital", foi o que o dr. Z. M., do alto do seu poder, chamou à pretensão de querer saber acerca da minha saúde e do que me esperava. Eu argumentei, na fraca voz que as costelas partidas me permitiam, que me parecia legítimo inquirir acerca do meu estado de saúde. Irritado com os argumentos que fui expondo, o dr. Z. M. não deu resposta, foi-se embora.
Muitas horas depois, de novo me surge o dr. Z. M., sempre com o seu acólito. Mandou-o tirar-me sangue. Eu, que já estava mais esburacada que um passador, perguntei em tom cordato se as três seringas de sangue que tinha tirado há duas horas não serviriam para as análises em causa. Resposta irada do dr. Z. M.: "Mas por que é que me disse que não lhe tinham tirado sangue?" Eu, que não me lembrava nada de ter dito tal coisa, respondi que não me lembrava de o ter dito, que talvez tivesse feito alguma confusão... "Ah!", exclamou o dr. Z. M. triunfante, com os pequenos olhinhos brilhando de alegria. "Pooooois!" E naquele "pois" estava todo triunfo dele sobre o ser ainda pensante que eu tinha sido antes. Agora, eu já nem sabia pensar. Era uma tonta, só fazia confusões, já nem sabia o que dizia, tinha perdido por completo a capacidade de ser pensante, ou seja, deixara de ser um ser racional, uma pessoa. A partir desse momento, perdi o direito à palavra. O dr. Z. M. tornou-se omnipotente.
Hannah Arendt escreveu muito, e bem, sobre a banalização do mal, sobre como medíocres homenzinhos como Eichmann se tornam capazes de assassinar milhões. E como é fácil as pessoas ditas "de bem", virarem a cara para o lado, limitarem-se a não ver. Primo Levi, que sobreviveu a Auschwitz, relata em tom desapaixonado o que passou nesse campo. Devíamos ler e reler a obra prima que é Se isto É Um Homem. E aprender como em poucos dias, ou mesmo horas, é fácil perder a qualidade de pessoa, quando se está entre seres para quem o triunfo narcísico passa pelo aniquilamento do outro. É sobre gente desta, os medíocres drs. Z. M. deste mundo, que se torna possível erguer os abusos à pessoa humana, instalar os totalitarismos de várias caras, instituir o processo de aniquilação do outro, a morte em vida. Quando começaremos a ser capazes de dizer não ao poder destrutivo do outro sobre nós? Quando seremos capazes de construir mecanismos civilizacionais que nos protejam de situações como estas? Quando seremos capazes de pensar, pensar a sério, nos mecanismos e nas motivações que estão por detrás dos nossos actos? Investigadora

P.S. - Nesse mesmo dia decidir fazer tudo para ser transferida para outra unidade hospitalar. Assinei um termo de responsabilidade, já que a minha saúde corria considerável perigo na transferência e fugi do SO. Recuperei o direito à palavra, mas fiquei com o peso da culpa. Quantos podem fazer o mesmo que eu? Neste momento, entre quantos seres desapossados da sua dignidade, passeará o dr. Z. M. a sua mediocridade destrutiva e maligna? Ele, e todos os outros drs. Z. M., seus acólitos. E nós, quando acordaremos? Quando usaremos o direito à palavra? O direito à indignação? Ah, e não me venham dizer que nos meios hospitalares é quase sempre assim, porque são meios onde a morte está sempre presente. Essa é mais uma razão para não tolerarmos as grosserias e a violência de gente como esta sobre nós.
"

Não Há Mais Post De Compressas Esquecidas!

No Primeiro de Janeiro de 19 de Julho:

"“Chip” detecta material cirúrgico


Uma equipa de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford, na Califórnia, criou um minúsculo “chip” capaz de detectar material cirúrgico esquecido dentro do corpo dos pacientes depois das intervenções cirúrgicas. O “chip”, com apenas dois centímetros de comprimento, é inspirado nos detectores anti-roubo existentes nas lojas. Sendo implantado numa gaze, por exemplo, o dispositivo deverá apitar quando um aparelho leitor lhe passar por cima, segundo avança um estudo publicado na última edição da revista «Archives of Surgery». Estes esquecimentos após as intervenções cirúrgicas são relativamente raros, estimando-se que ocorram apenas numa de cada 10 mil operações, mas podem provocar a morte do paciente. Cerca de dois terços dos objectos esquecidos são gazes.

Método adicional
O método utilizado até agora para evitar o problema é muito mais rudimentar, consistindo na mera contagem das gazes e de todos os outros instrumentos antes, durante e depois das intervenções realizadas em bloco operatório. Este novo “chip” de radiofrequência foi testado pela equipa de Alex Macário, perito da Universidade de Stanford, em oito pacientes submetidos a operações abdominais ou pélvicas. Em todos os casos, o detector conseguiu localizar em menos de três segundos gazes deixadas no interior dessas pessoas antes da sutura das incisões. “As tecnologias para aumentar a segurança nas salas de operações, como é o caso deste identificador por radiofrequência, requerem a realização de mais estudos para comprovar se deverão acrescentar-se, melhor do que substituir, à contagem manual”, conclui o estudo divulgado ontem."

sábado, julho 15, 2006

Portugal vs Itália

Em Itália, dias após se tornar campeã do mundo em futebol, um tribunal decide que os maiores clubes desçam de divisão por corrupção. Clubes esses aos quais pertenciam cerca de 2/3 dos jogadores campeões.

Em Portugal,

- o processo apito dourado foi arquivado, após anos de pseudo investigação!

- um clube protesta sobre um caso de doping e a federação rapidamente o iliba, tornando-se o único caso do mundo de perdão de doping!

E depois?