quinta-feira, junho 15, 2006

A Feira, O Circo, A Banha-da-Cobra

Há de tudo.

Diagnosticar, prescrever, produzir e vender.

Tudo em família.

Seriedade? Será que a "banha-da-cobra" também não dá resposta a isto: "Aqui, entre muitos outros, podem ser resolvidos problemas de tiróide, próstata, problemas mamários, pólipos, alzheimer, asma e bronquite, refere Dulce Santos."

Ah, faltam as hemorroidas e as varizes.


"MEDICINA NATURAL - Clínica Rituais abriu na Figueira da Foz

A Clínica Rituais foi recentemente inaugurada na Figueira da Foz. Uma aposta no bem-estar dos clientes, promovendo um acompanhamento personalizado, cuidado e natural.

A Clínica Rituais funciona no número 3 da Travessa do Morim, junto ao Centro de Emprego. Vocacionada para todo o tipo de tratamentos de medicina natural, os seus utentes podem usufruir de todo o tipo de tratamentos com produtos naturais e à base de água, “fiáveis, rigorosos e seguros”, o que lhes confere a “certeza de bons resultados”.

Segunda Dulce Santos, a proprietária do espaço, “a Clínica Rituais” está bem preparada e tem nos seus colaboradores bons profissionais, além de estar equipada com as tecnologias mais avançadas para todo o tipo de patologias.

A técnica referiu que na clínica serão administrados “tratamentos únicos, rigorosos e sérios”, contribuindo para tal, a tecnologia única e exclusiva, existente, ao serviço do bem-estar dos clientes. Aqui, entre muitos outros, podem ser resolvidos problemas de tiróide, próstata, problemas mamários, pólipos, alzheimer, asma e bronquite, refere Dulce Santos.

Os utentes tem ao seu dispor, das 09H00 às 20H00, sem interrupções para almoço e, de segunda a sexta-feira, consultas de Naturopatia, Reflexologia, Iridologia, Hipnoterapia, Homeopatia e Shiatsu.

Dulce Santos trabalha em parceria com Clara Esteves (profissional com experiência de 15 anos em internamento e IPO), sendo que ambas estagiaram com Fernando Figueiredo (conhecido, de entre outros, do programa televisivo “Hora Viva”).

António Barreiro é o responsável pelo shiatsu e pelo reiki e José Amsellem Santos pela Hipnoterapia. Os utentes encontram no espaço muitos dos produtos prescritos, sendo os mesmos, na sua maioria, exclusivos na zona centro e produzidos segundo receita de Fernando Figueiredo."

Uma notícia (??!!) no jornal As Beiras.

A Compressa, O Médico E O Advogado Negligente.

A compressa lá ficou, infelizmente.

O médico acabou o seu trabalho e a enfermeira-instrumentista contou, mas contou mal as compressas utilizadas e recuperadas.

O advogado, na ânsia de atacar e condenar "os médicos", esqueceu-se de acusar a enfermeira-instrumentista. Isto é, foi negligente com o seu cliente.

Obviamente, o tribunal confirmou que uma compressa ficou onde não devia, mas absolveu o médico, afirmando na sentença que a responsabilidade da contagem das compressas pertence à enfermeira-instrumentista e que o advogado esqueceu-se de a incluir no rol dos putativos culpados.

Mas o que choca, é que, apesar da sentença ser tão explícita, o pasquim Diário de Notícias, escolheu este título: "Absolvido médico que se esqueceu de uma compressa".

Mas isto são jornalistas? Ou serão pategos da comunicação?

E Esta Pérola Do Nosso Jornalismo!

No JN de hoje:

"A jovem deverá ter tido alta ao fim do dia de ontem e a perda do seu feto, às 24 semanas, horas depois de ter sido internada nos serviços de Obstetrícia do Hospital de Portalegre, veio dar força aos que têm contestado o fecho do bloco de partos no Hospital de Elvas."

Mas se a expulsão (aborto) tivesse acontecido no Hospital de Elvas, a notícia seria assim:

"A jovem deverá ter tido alta ao fim do dia de ontem e a perda do seu feto, às 24 semanas, horas depois de ter sido internada nos serviços de Obstetrícia do Hospital de Elvas, veio dar força aos que têm contestado o não-fecho do bloco de partos no Hospital de Elvas."

quarta-feira, junho 14, 2006

Assim Se Vê A Força Da Manipulação!

Da Sic on-line (o conteúdo da notícia não tem nada que ver com o que o seu título subliminarmente quer transparecer!)

"Grávida de Elvas perde bebé em Portalegre

Mulher ainda deu entrada nas urgências de Elvas

Uma jovem de 21 anos grávida de 24 semanas perdeu o feto hoje de madrugada, no Hospital de Portalegre, horas depois de ser transferida a partir das urgências de Elvas, informou a unidade hospitalar.

O Conselho de Administração do Hospital de Santa Luzia de Elvas, cuja sala de partos foi encerrada ontem, explica em comunicado divulgado ao final da tarde, que, "às 17h47, a jovem foi admitida nas urgências, apresentando "dores moderadas" na região abdominal, sem "perdas hemáticas" (de sangue).

"Às 18h00 foi transferida para o Hospital Dr. José Maria Grande de Portalegre que, na rede nacional, de acordo com a requalificação dos serviços de Urgência peri-natal, constitui o serviço de apoio à população de Elvas, para as situações não emergentes", refere o hospital.

A jovem deu entrada nas urgências de Portalegre às 19h07, de acordo com o hospital de Elvas, com o diagnóstico de "gravidez de
24 semanas em período expulsivo, ficando internada no serviço de Obstetrícia. (...) Às 20h15 verificou-se rotura prematura de membranas, tendo ocorrido a expulsão do feto às 00h20 de hoje", ou seja cerca de cinco horas depois de ter dado entrada na unidade de Portalegre, acrescenta a administração hospitalar de Elvas.

O comunicado refere, por último, que a jovem continua internada no serviço de Obstetrícia do Hospital de Portalegre, devendo ter alta "nas próximas horas". Contactada pelos jornalistas, a administração hospitalar de Elvas recusou, alem do teor da nota informativa, prestar quaisquer esclarecimentos adicionais.

Este caso foi hoje utilizado pelo presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Elvas, João Carpinteiro, para pôr em causa o transporte de grávidas após o encerramento do bloco de partos da Maternidade de Elvas, que ocorreu segunda-feira.

Carpinteiro também é membro do movimento cívico Pró- Maternidade de Elvas e dos "Amigos da Fundação Mariana Martins", instituição proprietária da maternidade.

"Perto das 18h00 de segunda-feira os bombeiros receberam um alerta do hospital de Elvas para transportar uma grávida para Portalegre. O bombeiro que se deslocou ao local, ainda perguntou se não era necessário o transporte ser acompanhado por algum profissional de enfermagem ou médico, mas disseram que não", argumentou.

João Carpinteiro considerou ainda que, "com o fecho da sala de partos está tudo a ser tratado em cima do joelho. Enviámos a nossa ambulância mais moderna, medicalizada e com os aparelhos necessários a bordo, e, além de não ter indicado um profissional para acompanhar o motorista, o hospital também não nos solicitou um maqueiro para apoiar", acrescentou.

Contactado pela Lusa, o comandante da corporação dos bombeiros de Elvas, José Santos, recusou pronunciar-se pormenorizadamente sobre este caso, mas frisou: "O hospital e a maternidade de Elvas não se entendem, mas os bombeiros não podem entrar nestes conflitos".

O comandante dos bombeiros explicou à Lusa que, no caso de situações de risco no hospital de Elvas, mesmo antes do fecho da sala de partos, "sempre foram encaminhadas para os hospitais de Portalegre ou Évora".

Esta polémica local surge após o encerramento a sala de partos da cidade por determinação do ministro da Saúde, Correia de Campos, uma decisão contestada pela Fundação proprietária da maternidade e por um movimento cívico constituído para o efeito, entidades que já interpuseram duas providências cautelares em tribunal, das quais se aguarda decisão."

segunda-feira, junho 12, 2006

Parabéns Scolari! Fizeste O Impossível!

O sr Scolari conseguiu que uma parte significativa da população, concretamente muitos adeptos do FCP, não vibrassem com a selecção.

Com as suas guerrilhas patetas (como a dos intelectuais!) retirou-me a alegria de gritar pela minha selecção, que se transformou na seleção do Scolari.

Nunca estive tão indiferente aos êxitos da selecção do meu país, como hoje! Nem no Euro estive tão amorfo...

domingo, junho 11, 2006

"Médicos defendem notificação de erros em saúde."

No Público de 02/06/06, por Catarina Gomes.

"Receber tratamentos em hospitais ou outras unidades é mais perigoso do que andar de avião, defendeu clínico."

Em Portugal, deveria ser criada uma lei para fazer com que a notificação de incidentes médicos às autoridades seja uma rotina, defenderam ontem três responsáveis médicos no II Congresso da seguradora Médis, que decorreu em Lisboa.

Receber cuidados numa unidade de saúde põe tanto em risco a vida como escalar montanhas e é mais perigoso do que andar de avião, afirmou Nicolás Garcia, médico da Clínica Universitária de Navarra, em Espanha, com base num estudo científico.

* Tratamentos médicos desadequados,
* infecções hospitalares ou
* erros

são alguns dos possíveis perigos que um doente enfrenta numa unidade de saúde, juntou.

O bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, afirmou que a cultura de culpabilização de profissionais de saúde esconde, muitas vezes, as causas dos "acidentes médicos", designação que diz ser mais fiel à realidade do que "erro médico".

E a designação "nada tem de corporativo", reiterou. Ao usar o termo "acidente médico", está-se a incluir casos de negligência médica, de "erro involuntário", de problemas de equipamentos ou até de problemas de rotulagem de fármacos que podem induzir em erro e levar à administração errada, referiu.

"Tudo o que corre mal devia ser reportado", disse o bastonário. Mas são muito poucos os hospitais portugueses que dão conta de "acidentes" ocorridos com os seus doentes, defendeu o responsável. Cinquenta por cento dos erros são evitáveis.

Na cultura ocidental, "o erro está associado à culpa", mas falta haver "aprendizagem com o erro", defendeu, por seu turno, José Fragata, cirurgião do Hospital de Santa Marta e professor da Faculdade de Medicina de Lisboa.

"Setenta por cento dos erros não têm consequências, cinco por cento são muito graves e podem implicar a morte. Cinquenta por cento dos erros são evitáveis", conclui, baseando-se em estatísticas internacionais.

De 20 ocorrências, só uma não é ocultada, nota.
O médico afirma que a procura da culpa faz esquecer a origem do problema, que tem, na maiorias das vezes, razões no sistema.

Fragata descreveu o erro médico muitas vezes como "erro honesto", algo diferente da "negligência". "Falhas organizacionais são a maior causa de acidente." O relato destas situações, voluntário ou compulsivo, é uma das hipóteses que se deviam colocar, notou.

O presidente da Associação dos Médicos Gestores de Unidades de Saúde, João Gamelas, disse que deveria haver "uma política nacional do erro". "O relatório de ocorrências de erro ou de situações anómalas devia ser obrigatório por lei."

quinta-feira, junho 08, 2006

"É O Fim Da Minha Vida!"

Afirma peremptória a doente de 65 anos, indiferenciada, percepcionando aquilo que o médico estava a pensar.

Transmissão de pensamento?

Conhecimentos científicos?

Reflexos mais profundos da sobrevivência?

Ou só a revolta do médico perante as injustiças divinas e as incapacidades da Medicina em "tratar tudo", como muita boa gente pensa.

Em Honra A Júlio Machado Vaz.

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sexta-feira, junho 02, 2006

Resposta à "mar"

A amiga "mar" (todos os meus comentadores são meus amigos!) faz grande e interessada reflexão e coloca algumas questões pertinentes, vou tentar responder:

O doente era um doente regular? Sim!

Preocupado? Sim por causa da dor!

Era informado e esclarecido? Doente sexagenário, analfabeto, mas, informado ou esclarecido … sobre que assunto: o presente ou em termos generalistas?

Leu o relatório do radiologista? Desconheço, mas facilitei-lhe a sua leitura, pois propositadamente abri o envelope, li, coloquei-o aberto dentro do TC e mandei-o regressar no dia seguinte.

Se sim, qual foi a sua reacção? Não reagiu, pois voltou no dia seguinte.

Se não, porquê? Talvez por ser analfabeto.

A informação não deve ser transmitida ao doente? Sim senhora, toda a informação, toda a estratégia de diagnóstico e terapêutica, deve ser transmitida ao doente, mas de forma a que o seu conhecimento não vá provocar males maiores se for brusca(ansiedade, depressão, suicídio) e só deve ser transmitida quando se souber o diagnóstico exacto (análise histológica da peça) sob pena de lhe ter mentido sobre uma doença inexistente. Os exames imagiológicos podem falhar!

O exame não é dele? Aí não sei se haverá consenso. A informação contida no exame é indubitavelmente dele, o objecto “exame”, pago pelo Serviço Nacional de Saúde, não sei, embora por questões práticas os faculte ao doente.

Teve uma atitude paternalista porque a pessoa do doente assim o impunha? Talvez. Não. Os médicos não devem ser paternalistas. Devem procurar informar o doente, sem omitir a gravidade, mas de acordo com o que afirmei anteriormente. A sua família devê-lo-á ser imediatamente, dentro da ética do sigilo médico e utilizando estratégias bem definidas, sem revelar o diagnóstico e desde que o doente não se oponha.
Por exemplo, haverá necessidade de verbalizar a palavra “cancro” a um doente com 95 anos com cancro da próstata diagnosticado, sabendo que essa doença provavelmente não irá afectar nem a qualidade, nem a sua esperança de vida?

Mas definitivamente não é esclarecedor. Concordo. A medicina é assim, falível, o que hoje é verdade, amanhã pode não o ser e por vezes é tão subjectiva como a psicologia , que a amiga “Mar” referencia.

Mas confesso que
1) respeito as medicinas tradicionais, sejam portuguesas, chinesas ou africanas, desde que praticadas e inseridas nos seus respectivos meios culturais.

2) Não respeito e sou agressivamente contra todas as outras medicinas ditas alternativas, invenções mais ou menos recentes, com fins mais ou menos ocultos. Sou contra a sua legalização, como por exemplo, a homeopatia, reflexologia, e outras.

3) Respeitos algumas técnicas manipulativas, como a osteopatia, quiropráxia, diversas técnicas de massagens, vistas, apenas, como técnicas terapêuticas (muitas inseridas na medicina física e de reabilitação, vulgo fisioterapia) e não técnicas diagnósticas ou médicas.

4) Dentro do princípio da liberdade individual, cada um pode dirigir-se onde quiser por sua inteira responsabilidade. Deverão as entidades inspectoras actuar perante possíveis erros, atrasos de diagnóstico, negligências e usurpações de funções à luz da legislação actual.

quarta-feira, maio 31, 2006

A Insustentável Gravidade Das Medicinas Ditas Alternativas

Quando se discute a problemática das "medicinas ditas alternativas ou complementares" a Ordem dos Médicos afirma sempre que todos os doentes só deveriam frequentar as chamadas "medicinas alternativas" ou melhor, terapêuticas complementares após uma observação médica com uma referenciação posterior.

A Ordem dos Médicos, como se sabe, aceitou a osteopatia, a acupunctura e a quiropraxia como técnicas terapêuticas complementares condicionando sempre uma consulta médica anterior e impedindo que os doentes fossem consultados, diagnosticados e tratados por estes profissionais.

Agora com um caso em mãos, compreendo esta imposição da Ordem dos Médicos.

O doente x, já passado dos 65 anos, inicia um processo de lombalgias de características mistas, de aparecimento recente e que o próprio supõe tratar-se de um mau jeito.

Instituido primeiramente um simples tratamento conservador, que não mostrou resultados apreciáveis, requisita-se posteriormente uma radiografia da coluna lombar.

As queixas vão continuando, diminuindo a qualidade de vida do doente e perante um resultado normal da radiografia, avança-se para uma tomografia computorizada da região lombar.

Três semanas durou este processo, quando o doente me mostrou o TC o diagnóstico não poderia ser mais desanimador. Segundo o radiologista as imagens sugeriam uma metástase de um tumor.

Expliquei ao doente que era necessário requisitar novos exames porque havia um problema provavelmente grave a descobrir.

Em três dias o sistema de saúde agendou-lhe uma cintigrafia óssea e outros exames para esclarecer a sua situação.

Perante a sua não comparência, investigamos e concluímos: o doente encontrava-se já há 2 dias em tratamentos osteopáticos numa clínica da sua rua e afirmava que só quando acabasse os tratamentos (um mês) iria pensar em voltar SNS!

domingo, maio 28, 2006

A Renite do Expresso!

O Expresso, o tal "simples jornal de um país pobre e periférico" e a sua jornalista Vera Lúcia Arreigoso inventaram um nova doença.

O artigo é sobre o SED, síndrome do edifício doente (também não percebo qual a gramática do Expresso que escreve o nome das doenças com maiúsculas.) e as suas repercussões na saúde dos seus utilizadores.

Pois o Expresso, o tal simples jornal de um país pobre e periférico descobriu a renite, não sei se será alguma doença relacionada com as pastilhas rennie ou se quereria dizer rinite!

Enfim, iliteracia.

Ai Timor, Timor!

A "Revolução" Nas Farmácias Não Existe!

Depois de falar com vários farmacêuticos, parece-me que estas medidas interessam a:

a) ANF.

b) Belmiro de Azevedo e outras grandes empresas de distribuição do género.

c) Ao negócio. Todos me disseram que as farmácias com estas medidas vão valorizar. O seu preço vai inflacionar bastante.

d) Não interessa aos jovens licenciados pois o grande capital não irá pagar os ordenados que pagam os actuais farmacêuticos donos de farmácias aos seus colegas farmacêuticos.

e) Às duas empresas já existentes que controlam milhares de farmácias na Europa. O ramo português de uma pertence à ANF.

f) Ao dr João Cordeiro que continua a impedir a liberalização da instalação de novas farmácias, prejudicando os jovens farmacêuticos.

Em conclusão: o negócio das farmácias continua protegido!

A Ordem dos Farmacêuticos continua perplexa com o Governo!


"A Ordem dos Farmacêuticos manifestou-se "perplexa" com as medidas anunciadas pelo primeiro-ministro para as farmácias e advertiu que a liberalização da propriedade daqueles estabelecimentos pode provocar "concentrações económicas nefastas"." do JN.

quinta-feira, maio 25, 2006

Rui Araújo, José Carlos Abrantes, Felisbela Lopes e Ribeiro Cardoso Explicam Jornalismo A Intelectuais!

Foi no Clube de Jornalistas, na 2 e não houve circo mediático, nem palmas.

É pena que até na 2 e no Clube de Jornalistas se ouça: temos que ser mais rápidos pois o nosso tempo está a chegar ao fim.

"No primeiro programa emitido depois da apresentação do livro de Manuel Maria Carrilho vão ser discutidas algumas questões que têm aflorado no debate que, entretanto, se gerou. Estarão em estúdio Rui Araújo e José Carlos Abrantes, provedores dos leitores do "Público" e do "DN", respectivamente, e a investigadora Felisbela Lopes, da Universidade do Minho. O debate será moderado por Ribeiro Cardoso e um dos temas dominantes será a «lei de Gresham» aplicada ao jornalismo português — estará ou não o mau jornalismo a ganhar ao bom jornalismo?"

O título deste post e do anterior também tem um toque de jornalismo sensacionalista: apenas queria usar o nome deste blogue.

terça-feira, maio 23, 2006

Carrilho, Rangel e Pacheco Explicam Jornalismo A Intelectuais!

Até que enfim!

Há três anos a lutar sozinho contra o mau jornalismo sobre saúde, medicina e médicos.

Muitas vezes ultrapassando o adjectivo de mau e entrando em áreas agora denunciadas por estes três.

Bem haja o livro do Carrilho que provocou a discussão!

sábado, maio 20, 2006

Arrepiem-se!

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Enforcado

Há quem se enforque.

Há quem escolha o enforcamento para desaparecer.

Mas não desaparece.

Fica só e exposto à comiseração de outros olhos.

O enforcado é o paradigma do suicida?

Quantos cadáveres já vi? Não sei!

O cadáver de um enforcado arrepia-me! Talvez por se manter na posição vertical. Habitualmente.

Já passava dos 97. Não quis esperar mais!

Fui eu. Lá estava em pé. À minha espera.

Arrepiei-me mais uma vez.

Experimentem aqui a sensação.
Escolham: hanging.

Arrepiem-se. Vá lá. Sejam fortes.
Olhem um minuto para cada fotografia.

Sejam médicos por um minuto!

Sofram como eu!

terça-feira, maio 16, 2006

Erro Médico

Correspondência oficial.

HOSPITAL CENTRAL DE LISBOA

Lisboa, 20 de Abril de 2006

Sr. MANUEL DE OLIVEIRA

Prezado Senhor,
"...informamos que o resultado da análise da mancha vermelha que o
Senhor tinha no pênis era só batom.

Lamentamos a amputação..."

Dr. Joaquim de Almeida
Diretoria

sábado, maio 06, 2006

Expresso: Um Simples Jornal De Um País Pobre E Periférico

Confesso que o Expresso já não me desperta a curiosidade e a ansiedade na sua compra desde há alguns anos.
Vou comprando, quase por hábito e por pressão familiar, mas leio as "gordas" da primeira página e o noticiário internacional. Pouco mais.

Quanto ao resto, para mim, já perdeu a credibilidade de outros tempos.

Li este parágrafo sobre médicos:

"OS PROCESSOS DE DAVID
David já cumpriu pena: cinco anos por tráfico de droga, crime que cometeu quando era um simples médico de família de província e se envolveu com as pessoas erradas
."

Com estes pequenos e ternurentos adjectivos se descredibiliza uma especialidade que os jornalistas ainda não sabem que existe.

A medicina geral e familiar (ou medicina comunitária e familiar, em Espanha, ou family medicine nos Estados Unidos da Améria do Norte) tem um colégio na Ordem dos Médicos.

É uma especialidade generalista, como o é a medicina interna ou a pediatria.

Desta frase esteriotipada "simples médico de família da província" pode-se concluir:

- todos os MF são simples, os outros não o são;
- na província só há MF;
- os outros especialistas são urbanos;
- um MF na província é menor que um MF da cidade;
- mas mesmo na cidade não deixa de ser simples;
- conclusão: procurar sempre um médico oposto a simples e urbano.

Se queremos que os utentes não acorram aos serviços de urgência "urbanos" para serem observados por médicos não-simples, temos que deixar cair as frases esteriotipadas deste tipo.

Há médicos de família, mestres e doutores, professores universitários, investigadores e gestores. Há médicos de família próximos dos seus utentes, dedicados apenas à actividade assistencial.

Há cardiologistas, infecciologistas, radiologistas, pediatras, mestres e doutores, professores universitários, investigadores e gestores.
Há cardiologistas, infecciologistas, radiologistas, pediatras próximos dos seus utentes, dedicados apenas à actividade assistencial.


Enfim!

sexta-feira, maio 05, 2006

Eu Que Não Sou Leigo Fico Confuso!

Ao ler a telenovela da morte do amigo do Dino cada órgão de informação conta a sua história.

A Visão de ontem refere que o amigo do Francisco Adam "foi operado ao fígado, aos intestinos e à coluna" sic, pressupõe-se que no dia do acidente, 16 de Abril de 2006. Segundo o mesmo órgão de informação foi transferido para o Hospital Garcia de Orta no dia 28 de Abril, isto é, 13 dias depois das cirurgias, período durante o qual esteve internado e vigiado no Hospital de Santa Maria.

Segundo se lê, saiu estabilizado. 13 dias são suficientes para avaliar o pós-operatório imediato e as suas previsíveis complicações.

Podia ter havido má comunicação entre os hospitais (o habitual), mas não me parece que a sua morte esteja relacionada com a transferência.

Poderia ter acontecido em qualquer local.

quinta-feira, maio 04, 2006

Confiemos na Inspecção-Geral da Saúde

Segundo os jornais, a IGS vai averiguar. Que averigue e conclua.

Custa-me que com todo este burburinho se esqueça o principal: duas mortes de dois jovens num acidente de viação a altas horas da madrugada, por despiste.

Aproveitemos as figuras públicas também para educar.

quarta-feira, maio 03, 2006

A Traição Do Jornal de Notícias!

A dr Marília Pascoal comentou que, por respeito à História deveria escrever correctamente o nome do Hospital Garcia da Orta.

Cara drª tem toda a razão e penitencio-me por esse grande erro: GARCIA (AVRAHAM) DA ORTA e nunca "de Horta".

Mas fui investigar quem me induziu em erro. Habitualmente "posto" no final do dia e rapidamente e consequentemente sujeito a mais erros.

E descobri.
Tinha a mesma notícia em dois jornais: o Diário de Notícias e o Jornal de Notícias.

Foi mais fácil fazer o copy and paste do Jornal de Notícias de 1 de Maio e lá está escrito em letras bem gordas: "Familía quer processar Garcia da Horta" (com a acentuação errada.)

E o senhor jornalista que se assina por PB, ainda repete o erro 7 vezes no mesmo artigo.

E assim se induzem erros por Portugal inteiro. E quando falamos de Ciência, podem imaginar e iliteracia.

Aqui ficam umas notas de Garcia da Orta, cristão-novo, médico e naturalista do século XVI:

"- 1499?: Garcia da Orta nasce em Castelo de Vide, filho de Fernando (Isaac) da Orta e de Leonor Gomes.
- 1523: Retorna a Portugal depois de estudar medicina em Salamanca e Alcalá de Henares.
- 1530: Ingressa como professor de Lógica na Universidade de Coimbra.
- 1534: Parte para Goa, Índia portuguesa, onde passa a residir, a trabalhar como médico e no comércio de especiarias e pedras preciosas.
- 1563: Publica o seu Colóquios dos Simples e Drogas da Índia.
- 1568: Falece.
- 1580, 4 de dezembro: Condenado post-mortem pelo Tribunal do Santo Ofício pelo "crime" de "judaísmo"; tem seus ossos desenterrados e queimados
."

in Vidas Lusófonas de Francisco Moreno de Carvalho.

Obrigado nãoseiquenomeusar!

segunda-feira, maio 01, 2006

E Eu Pensava Que Queriam Processar O Dino Da Telenovela

Segundo os jornais, quem conduzia o automóvel e provocou o acidente, assassinando o seu amigo Osvaldo Serrão, foi o Dino, não foi nenhum médico do Hospital Garcia da Horta.

Uma embolia pulmonar pode surgir após horas ou dias depois de uma cirurgia ou traumatismo!

"Familía quer processar Garcia da Horta


Marco Serrão, irmão de Osvaldo Serrão, confirmou ao JN que a família tem a intenção de processar o Hospital Garcia da Horta. Para os seus familiares, Osvaldo não terá recebido os cuidados médicos adequados. Segundo Marco Serrão, o irmão foi transferido dos cuidados intensivos do Hospital Santa Maria para o Hospital Garcia da Horta, mas "quando lá chegou não o quiseram receber". No Garcia da Horta, em Almada, consideraram que Osvaldo Serrão deveria seguir para o hospital da sua residência que é o do Montijo. "Passou-se muita coisa", prossegue Marco num testemunho emocionado ao JN em que relata o facto de o irmão "ter ficado numa maca, num corredor das urgências, durante sete horas. Entre as seis e meia da tarde e a uma e meia da manhã".

A evolução do seu estado clínico tinha sido bastante favorável e, por isso, tinha sido decidida a sua transferência para o Hospital Garcia da Horta, mais perto de sua casa, onde chegou "consciente e bem disposto", mas horas depois o seu estado começou a piorar.

O JN contactou os responsáveis do Hospital Garcia da Horta, mas não foi possível obter comentários pelo facto da administração estar ausente. O chefe de equipa dos médicos da urgência que ontem estava a trabalhar desconhecia o que se tinha passado no dia anterior e, por isso, recusou-se naturalmente a comentar o assunto.

Osvaldo Serrão era amigo do actor Francisco Adam, que representava o personagem Dino na novela "Morangos com Açúcar". Do acidente, em que Francisco perdeu a vida, resultaram também dois feridos.Filipe Diegues teve alta poucos dias depois, enquanto que Osvaldo Serrão ficou em estado grave e esteve hospitalizado no Santa Maria durante duas semanas, onde recuperou de um "estado de coma".Acabou por falecer no sábado à tarde no Hospital Garcia da Horta.
"

in Jornal de Notícias

domingo, abril 30, 2006

A História De Rui Frade Ou A Maledicência Dos Jornalistas (A Maioria)

Em 30 de Outubro de 2003, escrevi este post, desafiado por alguém que me "impunha" que criticasse um médico.

Acreditei na nossa comunicação social vs jornalistas e lá disse mal do Homem, acreditando que os jornalistas teriam feito a sua investigação séria e honesta e baseado naquilo que a comunicação social transmitiu, também o insultei e apelidei-o de desonesto. Embora afirmasse que achava estranho que o prof. Daniel Sampaio com ele tivesse trabalhado.

913 dias depois, o Tribunal absolve-o das acusações e sabe-se a verdade: Rui Frade é licenciado em Medicina e frequentou até ao último dia o internato da especialidade de psiquiatria num hospital do Porto. Não fez o exame de saída pelos motivos que ele saberá.

Mas o que disseram os nosso imaculados jornalistas? Pediram desculpa pela destruição da imagem de um homem? Não, os santos jornalistas nas peças que eu vi, limitaram-se a dar a notícia e a passar peças de há 3 anos em que era entrevistada a mãe de uma doente em que "achincalhava" mais o médico e o homem.

Destruiram a vida de uma pessoa, que agora segundo disseram, faz urgências gerais num hospital de provínica,para sobreviver

Se os jornalistas vivem com os médicos que temos, Portugal inteiro vive com a "merda" da comunicação social que tem, onde se contam pelos dedos os jornalistas com J.

E ressalvo novamente: não foi a estória errada que me chocou. Foram as peças destes dias, onde depois do Tribunal o ter absolvido, alguns jornalistas ainda o continuaram a julgar.

P.S. Agradeço ao leitor José M. Bruno Gonçalo Padrão a lembrança para limpar o nome de Rui Frade neste blog, mas já o pensava fazer, apenas razões de logística o impediram.

segunda-feira, abril 24, 2006

A insustentável gravidade das cirurgias do lado errrado

Por Jorge Varanda, in Público.


As cirurgias erradas não são uma fatalidade. A sua probabilidade de ocorrência pode ser reduzida a quase a zero. Aprender com os erros e não escondê-los, é o caminho que os países mais evoluídos estão a trilhar

Alguém tem de dizer o que deve ser dito a partir do caso de cirurgia do lado errado que terá ocorrido a 12 de Abril no Hospital de Vila Real: uma mulher de 25 anos operada ao pé esquerdo, em vez do direito. Perder esta oportunidade é contribuir para que casos de tal natureza ocorram, apesar, felizmente, da sua extrema raridade. É imprescindível que se diga que estes erros não são hoje uma inevitabilidade.
Para carregar mais o cenário, lembre-se que os casos de cirurgias do lado errado são potencialmente devastadores.

Os casos mais graves arrepiam só de pensar neles, como o da amputação da perna errada ou a ablação do seio errado. Tais situações ocorreram no passado e podem acontecer no presente, se nada for feito para mudar os procedimentos preparatórios dos actos cirúrgicos. Nos EUA, a Joint Commission on Accreditation of Health Care Organizations analisou as causas 126 casos reportados de cirurgias erradas.
Há que afastar a ideia estabelecida que o erro se deve pura e simplesmente à negligência do cirurgião, o qual, nessa lógica, sendo o culpado deve sofrer as consequências do acto.

A moral assumida pelo direito e pela opinião pública leva a que alguém deva sempre expiar "o pecado". É o nosso fundo moral judaico e cristão a impor-se. Acontece, porém, que o desenho dos processos de trabalho está na origem da maior parte dos erros. Se o médico operador chega à sala com o doente já anestesiado e o campo operatório lhe apresenta a parte errada do corpo, o risco de errar pode consumar-se. Acrescente-se que nenhum dos elementos que prepara o doente é o cirurgião. Por isso, é o próprio desenho do processo de trabalho que contem em si o germe do problema.
A Saúde tem vindo a aprender com as metodologias da qualidade aplicadas noutros sectores de actividade, onde a experiência diz que mais de 80 por cento dos problemas são gerados nos processos de trabalho, ou seja na forma como se encadeiam os procedimentos que conduzem ao resultado pretendido.

Contudo o desenho dos processos de trabalho é da responsabilidade dos níveis de gestão das organizações e não obrigatoriamente do profissional individual apanhado no turbilhão do problema.

O objectivo principal deste texto é o de transmitir a mensagem de que as cirurgias erradas não são mais uma fatalidade. A probabilidade de ocorrência de tais casos pode ser hoje reduzida praticamente a zero. Este assunto foi tratado no contexto da acreditação de um grupo dos antigos Hospitais SA pela Joint Commission International, tendo sido traduzido e divulgado entre eles para aplicação "o protocolo universal para prevenir a cirurgia do local errado, do procedimento errado e da pessoa errada".

Esse protocolo propõe basicamente os seguintes procedimentos:
- Processo de verificação pré-operatório.
- Marcação, em geral com tinta indelével, do local do corpo a operar, com a colaboração do doente.
- Verificação final mesmo antes da operação começar, na presença dos membros da equipa operatória.

O meu apelo vai no sentido de, com a liderança apropriada do Ministério da Saúde, no que se refere ao SNS, das Ordens e dos gestores e lideres médicos e de enfermagem dos hospitais públicos e privados se promova a difusão deste protocolo para que em Portugal ninguém mais tenha que sofrer as consequências desastrosas de erros tão devastadores como as cirurgias do lado errado.

A Saúde é uma actividade de risco elevado. Problemas de segurança de vária natureza (erros com medicamentos, erros na administração de sangue, infecções adquiridas em ambiente hospitalar, queimaduras, úlceras de pressão, quedas, erros de diagnóstico) podem acontecer na prestação de cuidados. As áreas de maior complexidade e de maior densidade tecnológica aumentam o risco, designadamente unidades de cuidados intensivos, blocos operatórios e emergência.

O modo tradicional de tratar esta realidade não serve o interesse público da segurança do doente: a abordagem judicial dos casos de erro em Saúde leva a que o sistema se feche sobre si mesmo, não analise as causas-raiz dos problemas e não actue preventivamente sobre as fontes dos erros.

Aprender com os erros e não escondê-los, é o caminho actual que os países mais evoluídos do mundo estão a trilhar. Como em tudo, só a verdade e a transparência nos ajudam a avançar. Responsável do programa de acreditação pela Joint Commission International dos antigos Hospitais SA

quarta-feira, abril 19, 2006

Resposta ao Sr. Madrid: Médico Explica disse...

Desculpe, Sr Madrid, mas defender os direitos de um doente não é incompatível com a caricatura do mesmo, neste caso, da jovem em questão e se for caso disso.

Porque está ela na cama? E não numa cadeira? Porque está de fato-de-treino (o pijama/robe do nosso povo!)? E não vestidinha como toda a gente? Porque é preciso falar com a mãe, a tia, o pai, o piriquito, o cão, o merceeiro, o amante, etc.? Não chega ouvi-la?

Esta era uma cirurgia simples.

E se a indemnização for rápida, até haverá mais erros a ser descobertos, mas menos circo mediático. Ou então faz-se um desconto na indmnização por cada minuto de TV.

Se o prejudicado tiver uma actividade comercial, isto também lhe dará lucro!

segunda-feira, abril 17, 2006

A História Dos Pés.

Num século que se quer de excelência para tudo, há erros indesculpáveis.

Continuam a ser erros, mas erros grosseiros, independentemente das causas que os originaram ou de efectiva negligência, se se apurar.

Aparte "os 15 minutos de fama" da jovem esparrachada com o seu fato de treino no sofá da sala, concordo que sofreu desnecessariamente e que deve ser indemnizada convenientemente pelo Estado, por danos físicos e morais.

Este erros não podem acontecer!

domingo, abril 16, 2006

Indústria Farmacêutica Acusada De Fabricar Doenças Para Vender Mais

No Diário de Notícias de 12/04/06:

"O receio instintivo da morte e da doença está a ser aproveitado pela indústria farmacêutica para aumentar as suas vendas, denuncia um relatório divulgado ontem.

Segundo o estudo de David Henry e Ray Moynilhan, apresentado numa conferência médica que decorre até quarta-feira na Austrália, as grandes empresas são responsáveis por muitas prescrições desnecessárias de medicamentos. Mas, mais grave do que isso, chegam ao ponto de promover tratamentos para doenças cuja existência nem sequer está comprovada.

As consequências destas práticas vão desde o desperdício de recursos financeiros, que poderiam ser utilizados no combate a doenças verdadeiramente graves, a problemas de saúde motivados pelo uso indevido de medicamentos.

Os autores deste trabalho, um médico e um jornalista especializado, denunciam a existência de uma verdadeira teia de influências não oficial, montada entre a indústria farmacêutica e grupos de media e publicidade. A estratégia consiste em criar a necessidade e depois apresentar a solução milagrosa.

"Esta prática é demonstrada muito explicitamente nas campanhas de sensibilização sobre as doenças financiadas pela indústria", indica o relatório publicado na School of Medical Practice and Public Health. "É mais frequente estas serem destinadas a vender medicamentos do que a iluminar, informar ou educar sobre a prevenção de doenças ou a manutenção da saúde".
Entre os exemplos de situações alegadamente empoladas pela indústria conta-se a "síndrome das pernas irrequietas" (RLS). Desde 2003, a multinacional GlaxonSmithKline tem promovido a ideia de que o que muita gente encara como um simples tique nervoso, habitual em situações de tensão, é afinal "uma síndrome comum mas ainda não reconhecida" para a qual, naturalmente, já existe um medicamento: o Ropinorole.

Outra doença dos tempos modernos é a disfunção sexual feminina (FSD). Alguns especialistas descrevem-na como a versão feminina da disfunção eréctil, e garantem que afecta 44% das mulheres, Outros, garantem que as descrições desta condição são, no mínimo, vagas. No entanto, já há empresas a trabalhar na solução.

Mais frequentes, segundo os autores deste estudo, são os diagnósticos errados de doenças verdadeiras , devido às campanhas que convidam os médicos e os consumidores a estarem "atentos" a sinais. Nesta lista incluem-se desde comportamentos normais das crianças, que são confundidos com hiperactividade e perda de atenção, aos problemas erécteis de homens com mais de 40 anos."

quinta-feira, abril 13, 2006

Não Podia Estar Mais de Acordo Com Este Senhor Sobre A “Propaganda enganosa de medicamentos”

In o "Primeiro de Janeiro" (13 de Abril)

"O bastonário da ordem dos Farmacêuticos, Aranda da Silva, criticou a ‘propaganda enganosa’ de medicamentos, que aumenta os custos com a saúde e gera desperdício. Segundo Aranda da Silva “são as autoridades que devem intervir de forma sistemática para evitar esse tipo de propaganda enganosa, que é lamentável”."

quinta-feira, abril 06, 2006

Hemorróidas: O Jornal de Notícias Descobriu Uma Nova Técnica Com Uma Década De Vida

In Jornal de Notícias de 03/04/06

"Nova técnica para operar hemorróidas


Margarida Luzio

O Hospital de Chaves vai passar a utilizar uma nova técnica para operar hemorróidas, uma doença que afecta cerca de 10 por cento da população servida por esta unidade de saúde.

Numa espécie de experiência-piloto, a hemorroidopexia por grampeamento (técnica de Longo), que vem substituir a cirurgia tradicional, foi aplicada, anteontem de manhã, a três pacientes pelo especialista António Araújo Teixeira que, passo a passo, foi explicando aos cirurgiões do hospital flaviense os "truques" para um trabalho mais "eficiente".

"Perde-se o tempo que for preciso na hemóstase (estancar o sangramento). É muito desagradável ter que vir novamente com o doente ao bloco", recomendava Araújo Teixeira.

Menos dor no período pós- -operatório e uma recuperação mais rápida são algumas das vantagens da nova técnica, que, em vez da simples incisão cutânea, faz a reposição do tecido hemorroidário para o seu estado fisiológico natural.

A dois passos do bloco operatório, na sala de conferências, as intervenções foram acompanhadas por médicos, enfermeiros e estudantes, através de um sistema de videoconferência."

segunda-feira, abril 03, 2006

"As Boas Maneiras De Dar Más Notícias"

Título e artigo do jornal "Tempo Medicina".

Quando as notícias são más, ainda podem piorar se a forma como são anunciadas não for a melhor. A pensar na relação entre médico e doente, Walter Baile, especialista mundial no treino de aptidões de comunicação em Oncologia, esteve em Lisboa para dar a conhecer o que pode fazer toda a diferença. No âmbito do projecto «Organização e desenvolvimento de um programa de cuidados paliativos no Hospital de S. José», e para alargar a formação nesta área, realizou-se no passado dia 23 a conferência/workshop sobre «A importância das aptidões de comunicação em Oncologia – Apresentação do protocolo de más notícias», em que foi orador Walter Baile, do MD Anderson Cancer Center da Universidade do Texas (EUA). A ideia partiu de Luzia Travado, psico-oncologista no Hospital de S. José e coordenadora da Unidade de Psicologia Clínica do Centro Hospitalar de Lisboa, que considera o tema da máxima importância. Isto porque, na sua opinião, a qualidade da comunicação entre o profissional de saúde e o doente é um factor crítico para a adaptação deste à sua doença, adesão aos tratamentos e satisfação.

Como referiu, «as aptidões de comunicação podem ser treinadas e melhoradas, bem como as “más notícias” – diagnóstico, prognóstico, recidiva, etc. – podem ser comunicadas de modo sensível e adequado às necessidades de cada doente e suas famílias, diminuindo o stress desta difícil tarefa». Desta forma, acrescentou, «a moderna Oncologia clínica e os cuidados paliativos não dispensam o conhecimento destas técnicas e o seu treino, que constituem uma importante ferramenta para os médicos».

Walter Baile mostrou um pequeno vídeo com um diálogo doente/médico, que considerou um exemplo claro de má comunicação. O médico não olhava directamente para a sua interlocutora, sendo notório que não lhe estava a prestar grande atenção, escrevia enquanto esta falava e interrompeu-a várias vezes. «Se um doente quando vai ter connosco já está nervoso à partida, uma atitude destas só piora», salientou o especialista.

E porque é importante, para os cuidados clínicos, ter boas competências na forma de comunicar? Segundo Walter Baile, estas fazem com que o doente esteja mais satisfeito, reduz-se a má prática, promovem-se objectivos clínicos cruciais e uma excelente relação com o médico. E «mesmo que este não o cure, o doente vê nele competência», sendo que «um bom diálogo faz com que o doente seja um parceiro nas opções de tratamento, o que é sempre benéfico para ambas as partes», lembrou o orador, sublinhando: «Hoje em dia cada vez mais as pessoas querem fazer parte do seu tratamento, gostam de saber as escolhas que existem e de ter um papel activo nas mesmas».

Mas se existe um protocolo de más notícias, há que conhecer os passos a dar.
Walter Baile definiu o protocolo SPIKES (Setting up the interview, Perception, Invitation, Knowledge, Emotions, Strategy), em que o primeiro passo é o da preparação para a entrevista com o doente, devendo o médico fazer antecipadamente com que não haja interrupções e, por estranho que possa parecer, levar sempre lenços de papel.

De seguida, vem a percepção, e aí há que tentar perceber quais as informações que o doente possa ter sobre a doença, para que, eventualmente, caso não sejam correctas, poder corrigi-las. O próximo passo é saber se o doente quer ter informação, pois há indivíduos que não desejam ser informados. E caso o doente não queira falar da patologia, o médico pode sempre perguntar-lhe se não quer saber quais os planos de tratamento e, portanto, ajudar de outra forma.

O quarto passo é passar a informação e o conhecimento, e uma boa maneira de dar a má notícia é dizer, de forma calma, «infelizmente tenho más notícias» ou «o que se passa é sério, tenho muita pena de lho dizer». É essencial dar a conhecer os factos aos poucos e usar sempre uma linguagem ao nível do doente, nunca utilizar termos técnicos, «porque muitas vezes as pessoas têm vergonha de dizer que não estão a perceber» e há que explicar tudo da melhor forma para que o esclarecimento seja total.

No quinto passo, o das emoções com respostas empáticas, o médico tem que ter um papel reconfortante, «porque corresponder às emoções de um doente nestas circunstâncias é, sem dúvida, um dos maiores desafios, pois perante a má noticia a pessoa entra em choque, dor e solidão».

Ao informar da doença por etapas, devem aproveitar-se metáforas que o doente use para a patologia e dar explicações por esquemas ou gráficos no papel. Aqui há que mostrar apoio e solidariedade e dar respostas empáticas, mas dizer sempre a verdade.

Durante a conversa, o médico deve fazer pausas, escutar com atenção e mostrar proximidade. Por fim, vem a estratégia em que se visa fazer o plano para o futuro, sendo crucial que se discutam todas as opções de tratamento, o que dá sempre ao doente a sensação de que os seus desejos são ouvidos.

Baseado nesta informação Joaquim Reis, doutorado em Psicologia e professor de Psicologia da Saúde, desenvolveu, com a colaboração técnica de Luzia Travado, um DVD para os especialistas portugueses, designado «Aptidões de comunicação e de relação para profissionais de saúde».

E Depois Pensem: Este Juiz Foi Negligente?

In "Público", por Francisco Teixeira da Mota.

Direito de retrocesso.

"O João era um médico de clínica geral que exercia a sua profissão na Região Autónoma dos Açores desde 1982 tendo sido nomeado presidente do conselho de administração do centro de saúde local, em 1998.

A sua vida decorria com toda normalidade, quando, no início de 1998, foi apresentada uma queixa-crime contra si, por alegadamente ter ofendido a saúde e causado a morte de um seu doente.

Ouvido pelo Ministério Público, negou a sua responsabilidade no ocorrido, tendo prestado ojá famoso, TIR (termo de identidade e residência) e continuou a sua vida mas... Em 2 de Junho de 1999, o juiz de instrução considerou que "havia indícios da prática, pelo menos, de um homicídio negligente, praticado com violação grosseira das legis artis, e de um crime de ofensas à integridade física por negligência", e embora "considerasse que a matéria revestia grande complexidade científica", o juiz de instrução impôs ao dr. João. as seguintes medidas de coacção:
- "prestação de caução de 2.000.000$00 e
- suspensão imediata do exercício da sua profissão de médico,
- tanto a nível da função pública
- como em exercício da actividade laboral,
- com proibição expressa de prática de qualquer acto médico
- ou de outros de que deste tipo de acto dependam em qualquer lugar, designadamente, estabelecimento público ou particular de saúde".

Considerava o juiz de instrução ser "manifesto o perigo de continuação da actividade criminosa e perturbação do inquérito e, ainda, que havia o perigo de fuga".

O João recorreu e, ao mesmo tempo, requereu ao juiz que alterasse as medidas de coacção que lhe tinham impostas. Mas o juiz manteve as medidas de coacção decretadas.

Entretanto o Ministério Público, no dia 25 de Junho de 1999, determinou o arquivamento do processo, por considerar inexistirem indícios da prática de qualquer crime pelo João, mas os familiares do paciente falecido requereram a continuação do processo pelo que o mesmo não foi arquivado.

Só em 9 de Dezembro de 1999, veio o Tribunal de Relação de Lisboa revogar as medidas de coacção a que estava sujeito o João, substituindo-as, novamente, pelo mencionado TIR.

O Tribunal da Relação esclareceu que "a natureza dos factos a investigar era de grande complexidade não se compadecendo com confirmações apenas com base em testemunhas, exigindo sim pareceres técnicos prestados por entidades científicas com competência para tanto", sendo certo que o juiz de instrução "nada esclarecera sobre a personalidade do João nem sobre o risco de perturbação do andamento do inquérito" e, quanto ao perigo de o João continuar a praticar crimes, o Tribunal da Relação lembrou o facto de o João exercer clínica na região "desde 3 de Fevereiro de 1982 sem que nunca tivesse sido posta em causa a sua competência profissional".

O processo foi posteriormente arquivado e o João nunca chegou a ser julgado.

Veio, então, o João pedir uma indemnização ao Estado pelos prejuízos que lhe tinham sido causados pelas medidas de coacção que lhe tinham sido impostas pelo juiz de instrução, inadequadas e desproporcionadas, nomeadamente a proibição de exercício da sua profissão.

Na 1.ª instância, o João conseguiu que lhe fosse atribuída uma indemnização de 65.911,86 euros pelos danos patrimoniais e de 20.000,00 euros pelos danos não patrimoniais ou morais.

O Estado recorreu e o Tribunal da Relação revogou a decisão, absolvendo o Estado.
Mas o Supremo Tribunal de Justiça, na sua decisão do passado dia 7 de Março, subscrita pelos juízes conselheiros Fernandes Magalhães, Azevedo Ramos e Silva Salazar, revogou a decisão do Tribunal da Relação e confirmou a decisão da 1.ª instância.

O Estado procurou assim, como é seu dever, reparar o mal que fizera a um seu cidadão...

A história do João, com um "fim feliz", não é uma história muito habitual, já que a responsabilização do Estado pelos seus "desmandos", nomeadamente no âmbito da actividade judicial, não tem muitos casos de sucesso para as vítimas.

Se gosta da blogosfera e desta matéria, sugere-se a visita ao Dizpositivo."

sexta-feira, março 31, 2006

Estudo Europeu Sobre Erro Médico

"Cidadãos têm medo mas confiam

Um estudo da União Europeia (UE) revelou que metade dos portugueses teme vir a ser vítima de um erro médico. Mas, apesar dos muitos receios, os doentes parecem confiar nos médicos. O «TM» ouviu alguns especialistas na matéria para saber como encaram estes resultados.
Cinquenta por cento dos portugueses receia vir a ser alvo de erros médicos e 59% considera ser provável sofrer um erro grave, provocado por um médico ou outro profissional de saúde, num hospital do nosso país. Estas são algumas das conclusões mais marcantes do estudo do Eurobarómetro da Comissão Europeia, o primeiro sobre erros médicos.
O trabalho, divulgado no início deste mês, revela que o erro médico é uma preocupação para a maioria dos europeus, embora a dimensão do fenómeno varie de forma considerável em todo o território europeu. Em média, 4 em cada 5 cidadãos do velho continente pensa que o erro médico é um importante problema no seu país.
Em Portugal, a percepção é semelhante – 77% dos inquiridos julga que o erro médico é uma questão preocupante. Mesmo assim, neste particular, estamos longe das cifras quase assustadoras da Itália, onde 97% dos cidadãos considera o erro médico um problema nacional importante.

Definição imprecisa

Mas quando se pergunta aos portugueses se pensam ser provável vir a ser alvo de um erro médico grave num hospital nacional, o número de respostas afirmativas (59%) coloca-nos em sétimo lugar, na tabela dos 30 países estudados, e acima da média comunitária (47%).
António Vaz Carneiro, médico e director do Centro de Estudos da Medicina Baseada na Evidência da Faculdade de Medicina de Lisboa, defende que estes números devem ser analisados com muito rigor, não só porque o problema do erro médico é complexo, mas também porque a percepção do conceito, por parte da opinião pública, é com frequência imprecisa. «Muitas vezes, aquilo que as pessoas pensam ser um erro médico é antes um efeito adverso ou uma reacção alérgica inesperada», explicou.
Por isso, Vaz Carneiro considerou, nas suas declarações ao «TM», que as pessoas estão confusas e, a crer nos números, muito assustadas, sem razão. «Se, de facto, mais de metade dos portugueses pensa ser possível um dia sofrer um erro médico grave dentro de um hospital nosso, então, estão fora da realidade, porque felizmente a percentagem de erro médico não é tão elevada», frisou.
Por seu turno, José Fragata, cirurgião e autor do livro O erro em Medicina, também ouvido pelo «TM», admitu que as cifras encontradas estão «dentro do que seria esperado», mas sublinha a peculiaridade deste estudo. Na verdade, os trabalhos até agora conhecidos (sobretudo oriundos dos Estados Unidos, Inglaterra e Austrália) baseiam-se na declaração voluntária ou revisão de processos feita por profissionais de saúde, enquanto o estudo da UE assenta em inquéritos efectuados ao público, «o que aumenta a sensibilidade, mas reduz a especificidade ou o rigor na definição de erro».
Neste contexto, o especialista destaca que, de acordo com o Eurobarómetro, o reconhecimento do problema entre a população é elevado, mas apenas um pequena parte declara já ter sido vítima de um erro médico (23%, no total, 16% em Portugal). Para o cirurgião, esta aparente discrepância «traduz bem o impacte da notícia e o papel dos media na divulgação, nem sempre bem feita, deste problema de saúde».
Já Guilherme de Oliveira, director científico do Centro de Direito Biomédico da Faculdade de Direito de Coimbra, disse ao «TM» que estes números estão em consonância com os resultados dos estudos realizados nos Estados Unidos sobre a matéria. «Não me admira que haja, na Europa, muito mais erro médico do que se pensa, se, de facto, a nossa realidade não for muito distinta da norte-americana. E os dados agora divulgados vêm mostrar que a população tem essa percepção ou, pelo menos, desconfia», afirmou o jurista.

Confiança nos profissionais

Apesar destas cifras reveladoras de uma apreensão generalizada em relação ao erro médico, é curioso notar que os cidadãos europeus parecem confiar nos seus profissionais. Entre nós, os dentistas são os mais merecedores da confiança dos utentes (70%), seguindo-se os clínicos e o restante staff médico (ambos 68%).
Vaz Carneiro não tem dúvidas que a confiança demonstrada nos médicos é «um sinal positivo para a classe», enquanto José Fragata defende que este resultado ilustra a «complexidade das determinantes da relação médico-doente», entre as quais se destaca a confiança, «parte integral do “contrato de tratar”».
No entanto, a educação dos doentes é uma «batalha difícil» e que «está longe de ser vencida». E essa é uma tarefa dos médicos, lembra Vaz Carneiro.

Nórdicos são excepção à regra

No meio de um mapa em que reina o pessimismo, a Finlândia e a Dinamarca parecem ser as excepções que confirmam a regra. Estes são os únicos países onde apenas menos de metade da população considera importante o problema do erro médico. Pelo contrário, em Itália, na Polónia e na Lituânia mais de 90% dos inquiridos encara a questão do erro médico como um problema de alto relevo no seu país.
No geral, os europeus confiam mais nos dentistas (74%) do que nos médicos (69%). Os menos confiantes nos seus profissionais são os gregos, os cipriotas, os búlgaros e os polacos, enquanto, uma vez mais, os finlandeses se distinguem pela positiva, ao serem os mais crentes na capacidade do seus recursos humanos da Saúde."

in "Tempo Medicina"

terça-feira, março 28, 2006

Gripe Aviária: Leia Um Cheirinho De Ciência

Retirado do Jornal Tempo Medicina.

A lista de pessoas que vão ter prioridade na quimioprofilaxia da gripe foi encarada pelos meios de informação geral «de uma forma muito desagradável» e numa «perspectiva negativa», disse Graça Freitas, no Porto, lembrando que tal medida é para «benefício da sociedade».

A questão da lista das pessoas com prioridade para receber oseltamivir, recentemente apresentada, foi levantada por Filipe Fróis, do Serviço de Pneumologia do Hospital de Pulido Valente, no passado dia 18, no decorrer de uma mesa dedicada à pandemia da gripe, integrada nas Jornadas Galaico-Durienses, que decorreram no Porto.

Este médico referiu que o assunto foi divulgado à população «de uma forma extremamente negativa», sendo «útil esclarecer os colegas sobre os critérios que presidiram à elaboração dessa lista de pessoas indicadas para fazer quimioprofilaxia de longa duração».

A subdirectora-geral da Saúde Graça Freitas, prelectora nesta mesa, reconheceu que, de facto, houve «situações muito desagradáveis» na informação, garantindo que esta medida «não vai privilegiar elites», nem os cidadãos incluídos são beneficiados.

«Pelo contrário, são pessoas que vão trabalhar no duro horas e horas a fio», acentuou. Como explicou, Portugal procedeu como todos os países desenvolvidos, visto que a reserva de oseltamivir, além de contemplar o tratamento para 2,5 milhões de portugueses, se destina também à quimioprofilaxia das pessoas «consideradas prioritárias», porque vão «prestar serviços essenciais ao País».

Quanto aos critérios, Graça Freitas esclareceu que não foram apenas contemplados médicos e enfermeiros, sendo a escolha feita por «um grupo de peritos», em função do tecido social e seus grupos profissionais, e, naturalmente, «com base na literatura internacional».

A responsável disse mesmo que, se vier a contrair a gripe, gostaria que «um dos médicos presentes ou outro qualquer» estivesse saudável para a tratar. «Isso é a noção de quimioprofilaxia prioritária», frisou, garantindo que «o resto da população não vai morrer por falta de medicamentos».

Planos de contingênciaNa sua apresentação, dedicada ao tema «Que fazer antes, durante e depois» da pandemia da gripe, centrado, nomeadamente, na aplicação do plano de contingência, que como se sabe se estende a vários ministérios e empresas, Graça Freitas disse que foi necessário fazer cenários, os quais tiveram que ser revistos.

O cenário mais crítico apresentado refere-se a um pico de uma semana em que, com uma «taxa de ataque» de 25%, estarão doentes 413 mil pessoas. A subdirectora-geral da saúde enumerou ainda outros cenários para consultas médicas no período pandémico, apontando quatro eixos «importantíssimos» que estão a ser desenvolvidos: «A informação em saúde, a prevenção e controlo com medidas de Saúde Pública (internamento, ambulatório, vacinas e medicamentos), a comunicação e a avaliação do processo».

A responsável disse que estão a ser criados mecanismos para «impedir fugas de medicação armazenada», lembrando que quando os frascos do fármaco forem distribuídos aos centros de saúde, farmácias e hospitais, o mesmo doente, com o mesmo episódio de gripe, só pode ter acesso a uma receita. «Mesmo que vá a 10 médicos diferentes, tem que haver algum tipo de controlo, e isso passa obviamente pela informática», sublinhou, lembrando ainda que «há que impedir os médicos de prescreverem a quem não reúna critérios para prescrição».

Mutação adaptativa.

Na mesma reunião, Maria de São José, professora da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, fez o ponto da situação da gripe aviária, lembrando que um dos receios mais evidentes é que os humanos possam ser infectados de forma concomitante com o H5N1 e o vírus da gripe sazonal.

Neste caso pode ocorrer a recombinação, ou seja, a mistura dos genes de uma estirpe humana com o H5N1, situação que, informou a especialista, «daria ao vírus da gripe aviária aquilo que ele pretende: possibilidade de se transmitir facilmente, adquirindo uma hemaglutinina». Mas também a mutação adaptativa pode ocorrer, já que «quanto mais tempo este vírus estiver no homem mais possibilidades temos que recomece a adaptar-se», sublinhou Maria de São José, reconhecendo que «a situação não é, de maneira alguma, favorável para nós».

Como lembrou, a evolução do H5N1 durante os anos 2004-2005 foi «muito preocupante», sobretudo porque «aumentou a variedade de hospedeiros» e começou a matar aves migratórias e também gatos e tigres (147 tigres, segundo disse, morreram na Tailândia por comer carcaças de galinhas infectadas).

Falência multiorgânica: Maria de São José comparou a gripe de 1918 com a gripe aviária, no que diz respeito a severidade, lembrando que os doentes têm apresentado, além da pneumonia viral primária, que se complica depois com a síndrome de dificuldade respiratória aguda, «uma falência multiorgânica», inferindo que «parece ser a resposta imunológica a responsável por este quadro tão dramático».

De qualquer forma, a farmacêutica referiu que, apesar de hoje se tentar extrapolar a mortalidade desta gripe para a de 1918, temos que pensar que presentemente temos muito melhores cuidados de saúde, muito mais medicamentos, mais meios de diagnóstico e muito maior capacidade de produção de vacinas.
Por outro lado, em 1918 havia «uma população muito mal nutrida, saída de uma guerra».

Traçando um quadro mais optimista, Maria de São José disse que o H5N1 pode continuar a ter dificuldade em «saltar a barreira das espécies, como de resto continua a ter, se atendermos aos milhões de aves de capoeira que já foram infectadas» e aos 177 casos humanos. «Sabemos que não estamos perante um vírus humano» e que ele «tem dificuldade em se adaptar à multiplicação nas nossas células», disse, concluindo, ainda num cenário optimista, que o H5N1 «pode nunca chegar a ter capacidade de se transmitir de pessoa a pessoa».

H5N1 «aumentou a estabilidade ambiental»«O vírus está muito mais voltado para as aves domésticas e para os modelos animais, e aumentou a estabilidade ambiental, o que começa a tornar possível a transmissão ambiente-pessoa, como já aconteceu em alguns casos através de fezes de galinhas ou de outras aves domésticas doentes», salientou Maria de São José.

De resto, para a especialista, o que se passou na Turquia foi «alarmante» (aparecimento de 20 casos humanos em apenas duas semanas), já que no Sudoeste asiático, conforme recordou, «nunca se criaram clusters tão grandes», o que a levou a concluir que aí possa ter havido também transmissão inter-humana.

Por outro lado, «mostrou-se que as estirpes H5N1 isoladas na Turquia começaram a apresentar alterações preocupantes, ou seja, uma mutação», sublinhou a especialista, esclarecendo que isso «faz com que a hemaglutinina da gripe aviária já comece a aumentar a sua afinidade para os sectores das células humanas»....

A gripe e o «empolamento interno» O «empolamento interno e internacional» relativamente à gripe das aves foi criticado pelo pneumologista José Miguel de Carvalho, do Hospital de Santarém, ao defender que o que se tem visto até agora são «situações autonomizadas».

«Por exemplo, na Turquia não haverá grandes meios», em termos de equipamentos sociais e de habitação, e «noutros locais as coisas acabam por ser evitadas». O facto de morrerem 100% das aves infectadas não é novo para este especialista, uma vez que se trata de «um mecanismo de autolimitação de expansão» da doença com a mortalidade.

«Até agora não temos exemplos de que o tal cenário catastrofista seja real», disse, considerando que, no entanto, continua-se a «vender o panorama de pânico» de 1918.

«Acho que há uma distorção», sublinhou. O pneumologista recordou que, apesar de tudo, há muitas doenças subestimadas no mundo. «Muitas pessoas morrem por falta de tratamento e, mesmo nos nosso país, há falta de dinheiro para comprar os remédios e às vezes morre-se por causa disso», acrescentou, lembrando ainda que «em muitos locais as autoridades de Saúde subestimam essa questão, mesmo a nível internacional».

terça-feira, março 21, 2006

Passo Dias E Dias Sem Ver Ninguém... (cont.)

E revendo a sua ficha de entrada, hoje era o seu dia de aniversário. 77 anos.

E não lhe dei os parabéns!

E será que alguém se lembrou?

Passo Dias E Dias Sem Ver Ninguém...

... acaba de afirmar a doente ao levantar-se após a consulta e fechando a porta do gabinete médico da urgência.

Satisfeita porque já falou com alguém, desconhecido, mas alguém que a ouviu.

As queixas foram muitas e o médico tem que compreender que ISTO para a doente era uma urgência. Por isso a mediquei com antidepressivos, enquanto a ia ouvindo, mas o melhor seria prescrever-lhe o antigo companheiro que a deixou há 10 anos. Ela tem agora 77.

Para o médico será sempre uma FALSA urgência. E para a estatística.

Dramas sociais em directo, que a Internet nos gabinetes médicos permite postar.

segunda-feira, março 20, 2006

Para Os Pais Que Merecem Ser Trocados Por Dois Peixinhos Vermelhos


Com a devida vénia transcrevo este post do blog portocarago:



"Neil Gaiman e Dave McKean juntaram-se em boa hora para escrever um daqueles livros que os adultos compram desculpabilizados com a desculpa de ser para as crianças: "O Dia em que troquei o meu pai por dois peixinhos vermelhos".
A história é muito simples, à falta de cromos, um menino resolve trocar um pai que passa o tempo todo a ler o jornal. O problema é que a mãe não está muito pelos ajustes. E o segundo problema é destrocar todas as trocas sucessivas.

Neil Gaiman e Dave McKean, O Dia em que troquei o meu pai por dois peixinhos vermelhos, Vitamina BD / Devir Livraria, Lda., 56 págs., 15.00E
"

domingo, março 19, 2006

Manuel Antunes: Quem Lhe Pagará As Horas Extraordinárias?

Manuel Antunes afirmava dias atrás, a propósito da redução de gastos em horas extraordinárias, "assim mais vale entregar as chaves"... do seu serviço de cardiologia nos HUC. Criticou o ministro e o seu governo porque lhe tocava no ordenado.
Sabemos da enorme dedicação do pessoal do seu serviço que recebe horas extraordinárias 24 sobre 24 horas. Não critico. As horas extraordinárias são para quem trabalha. E trabalha-se muito, não só no serviço do senhor dr Manuel Antunes, mas também em muitos outros serviços dos cuidados de saúde primários, secundários e terciários e altamente diferenciados. Uns mais visíveis que outros.

Mas, pergunta Manuel Antunes...

"Financiamento do Serviço Nacional de Saúde: chegou a hora de mudar?"

Sabemos que há muito que mudar no Serviço Nacional de Saúde.
Há abusos por parte dos profissionais e por parte dos doentes!
Há desperdício generalizado, por parte dos utentes e dos profissionais!
Há muita irresponsabilidade e desresponsabilização por parte das administrações, dos profissionais e dos, novamente, utilizadores!

E segundo Manuel Antunes: "optemos pelo princípio do utilizador-pagador. Em minha opinião, este é o melhor modo de contribuir para a sustentabilidade do nosso SNS e para evitar a perda da sua universalidade. De outro modo, são os mais pobres quem mais tem a perder."

E perderão.

O Serviço Nacional de Saúde tem que ser financiado pelo Estado no seu todo.
As regras têm que ser mudadas, os utilizadores têm que saber quanto custam ao Estado e têm que ser responsabilizados pelos seus gastos, assim como os prestadores têm que ser responsabilizados pelas suas prescrições...

sábado, março 18, 2006

Escrevia Um Jornalista ...

... num jornal diário, dissertando sobre a "visita" do Ministro Correia de Campos ao Parlamento que as USF (Unidades de Saúde Familiar) iriam substituir os SAP encerrados.
O leitor não tem conhecimentos para saber se a notícia é falsa ou não.
Lê e inconscientemente vai armazenando a informação (errada).
Um médico ou outra pessoa ligada à organização dos Cuidados de Saúde Primários percebe que há um erro crasso na notícia.
Mas, o que mais me preocupa é o facto de o erro esconder uma realidade muito mais profunda do meio jornalístico: quem comete um erro deste quilate demonstra que não tem conhecimento nenhum sobre a organização dos Cuidados de Saúde Primários, nem a presente, nem a futura com as Unidades de Saúde Familiar, que serão, não uma alternativa aos Centros de Saúde, mas uma nova forma de trabalhar para os médicos de família e uma nova forma de assistência para a população, particularmente nas grandes zonas urbanas.
As USF com o seu funcionamento moderno e mais próximo da população que assistirá poderá ser a pedrada no charco que são os grandes Centros de Saúde das cidades.
Centros de Saúde impenetráveis para a população activa que esporadicamente deles possa necessitar.
As USF poderão gerir melhor as necessidades dos doentes crónicos, os quais, pela organização "caixificada" dos actuais Centros de Saúde ocupam todo o tempo assitencial disponível.
Isto o jornalista não saberá, concerteza ao dizer que as USF irão substituir os SAP encerrados...

terça-feira, março 14, 2006

Falar Sobre Jornais?

Já desisti.
Hoje lendo vários jornais, perdi a conta às notícias sobre as variadas "negligências" anunciadas.
Em algumas notícias concluí que poderia haver matéria para negligência, mas a forma de as tratar, reality-showando-as confundem o leitor e ficamos sem perceber o desenrolar dos factos.
Desde a verruga saltitante, que deu um pulo de uma mesa directamente para o caixote do lixo, até à agulha que perfurou o pulmão durante uma infiltração na omoplata, OBVIAMENTE evidente erro, passando pela absolvição da mártir de Matosinhos que era acusada por um casal de pais leigos e ansiosos de ter recusado assistência médica a uma criança saudável e cujos jornais ainda hoje referiam: "Médica acusada de recusar assistência absolvida".
Paradigmático este título. Foi absolvida pelos tribunais, mas continua a ser acusada pelos títulos dos jornais.
Até o coitado do juíz parece que a absolveu, apenas porque a não pode condenar. Não tinha provas, conclui-se. Mas já as tinha quando acusou a médica, na leitura da sentença, de falta de solidariedade.
Como se vê, é um juíz português: absolvo-te, mas acuso-te.
Não dá para criticar mais. As palermices são tantas...

domingo, março 12, 2006

Vocês Falam, Falam, ... Mas Os Médicos Também Sofrem

Para uns, os médicos são seres que nunca adoecem...

Para outros, os médicos têm que ser aquilo que Salazar impunha às enfermeiras e hospedeiras: não-seres humanos, estereotipos sempre ao serviço de quem precisa, com a nuance de qque, quem decide o quê e quando precisa é quem está "precisado". Doente imaginário ou real.

Para outros, ainda, os médicos são uma merda (todos os médicos são uma merda!) porque um deles fez merda ao próprio, ao primo, ao cunhado ou simplesmente ao vizinho!

Pois, mas os médicos também sofrem e são apanhados de surpresa muitas vezes e com a particularidade de desenharem logo o seu futuro próximo e verem o seu mundo a desmoronar num segundo.

No dia x falei horas com um médico amigo, revivemos o passado, falamos do presente e imaginamos o futuro próximo e longínquo, com muitos desenhos.

Marcamos novo encontro para quando o destino nos juntar, pois virtualmente vamos falando...

No dia x+1, perguntam-me:

- "Conheces o fulano?"
– "Perfeitamente, fomos colegas de curso!", respondo eu.
- "Olha, palpou uma adenopatia, foi ao hospital x e diagnosticaram-lhe um tumor com diversas metástases. Tá difícil! E esteve sempre assintomático!"

Difícil foi para mim gerir as emoções, mas lembrei-me: partilhar isto com o Mundo ajuda e assim talvez compreendam que os médicos são iguais a eles e não lhes podem resolver todos os seus problemas porque também não podem resolver os seus...

sexta-feira, março 03, 2006

Para Reflectir

Do jornal Tempo Medicina:

"Esperança de vida «aumenta quatro anos» em 2016

Cada dois anos e meio que passam a nossa esperança de vida aumenta um ano, «o que significa que em 2016 vai aumentar quatro anos em Portugal», disse Sobrinho Simões.

O director Ipatimup, que falava à margem da apresentação dos testes, referiu que «por cada ano de esperança de vida aumenta muito o número de cancros» diagnosticados, embora isso não intervenha de forma decisiva no número de mortes. «Felizmente, como estes cancros não são muito agressivos, não têm aumentado a mortalidade», afirmou.

Mas o facto de dois anos e meio corresponderem a um ano mais de sobrevida é, para o director do Ipatimup, «assustador», embora considere que esta situação não persistirá indefinidamente: «Isto não será sempre assim, a evolução é em planalto, mas é impressionante verificar quanto a Medicina tem conseguido aumentar a sobrevida das pessoas»."

Maria João Pires E Os Jornalistas

E depois não há iliteracia nos nossos jornais...

Ontem fui ouvindo.

MJP teve um efarte.

MJP não teve um enfarte, mas sim uma válvula entupida e vai fazer um by-pass. (Na TSF. Esta é a linguagem que usa o meu doente mais analfabeto. O jornalista quereria dizar coronária!)

MJP teve um mal-estar cardíaco e já recuperou.

MJP teve um enfarte e vai fazer um cateterismo.

MJP tem uma coronária constrangida.

E hoje finalmente o Jornal de Notícias anuncia: "MJP teve um enfarte do miocárdio e recuperou!" Um enfarte do miocárdio e recupera como que por milagre no dia seguinte!

O que todos queriam dizer era que MJP teve a famosa "angina de peito" ou síndrome coronário agudo.

As suas coronárias provavelmente "entupidas" de colesterol...

quarta-feira, março 01, 2006

Medicina Interna: Uma Especialidade Ameaçada

Retirado do jornal Tempo Medicina:

"A Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) reuniu, pela primeira vez, os internos da área. Este encontro teve como objectivo promover o «espírito de corpo» e motivar os jovens médicos para a defesa e promoção da imagem da «sua» especialidade.

.../...

Este 1.º Encontro Nacional dos Internos de Medicina Interna, que juntou cerca de 60 jovens médicos, pretendeu sobretudo cativar os recém-especialistas para a defesa da especialidade.

.../...

De facto, como pano de fundo deste encontro estiveram os resultados de um estudo efectuado pela APEME, uma empresa especializada em planeamento e estudos de mercado, que revelou, entre outros dados, que 80% dos internistas considera que a especialidade está «seriamente ameaçada» ou «ameaçada».

.../...

Estes internistas consideram que a flexibilidade na construção da carreira, o «prazer intelectual de fazer um bom diagnóstico», a possibilidade de «fugir» ao excesso tecnicista, a autonomia do internista ou a capacidade para aplicar as diversas aprendizagens e de ver o doente como um todo são alguns dos atractivos da especialidade.

.../...

A ideia de que os internistas podem desempenhar um papel preponderante nos novos modelos de gestão hospitalar que estão a ser ensaiados entre nós foi também trabalhada por um terceiro grupo de internos. Este delineou alguns argumentos, que podem ser apresentados em defesa desta tese. É possível, por exemplo, demonstrar o valor económico da prática da especialidade, evidenciando as vantagens de criar um «grande departamento» de Medicina Interna, que traria melhorias ao nível da gestão dos recursos, e de profissionalizar as urgências (o que libertaria os internistas para o trabalho assistencial).

Por fim, um último grupo de jovens clínicos delineou uma estratégia de comunicação para promover a imagem da especialidade. Posicionar o internista como o especialista de referência, o médico hospitalar fácil de localizar; promover a sua imagem como médico que está sempre presente no hospital, constantemente activo e a quem o doente pergunta o nome foram ideias sugeridas."


Segundo noticiaram os jornais, alguns hospitais de Lisboa já encerraram/desactivaram alguns serviços autónomos de Medicna Interna...

terça-feira, fevereiro 28, 2006

Conflito de Interesses.

No excelente blog Blasfémias este post sobre os diversos conflitos de interesse na Medicina.

Estando a actividade médica tão mercantilizada, desde o medicamento, a prevenção, as técnicas de diagnóstico, o apoio aos idosos, etc, etc, neste artigo pode ler-se que hoje em dia até os doentes têm os seus conflitos de interesse.

Acrescento: as faltas ao trabalho com "baixas" pagas, as indemnizações astronómicas pelas companhias de seguros, as percentagens de invalidez nos acidentes de trabalho,de viação, as reduções nos impostos, e até o "afecto" e a "pena" de quem está doente. Não nos esqueçamos que os primeiros hospitais eram hospícios onde se escondia quem estava doente...

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Acabou!

Com o extracto desta notícia da Lusa, onde se pode ler que uma professora universitária (mas não aplico a teoria boldânica e não incluo o senhor professor universitário de física, dr Boldão, no rol dos professores universitários a contas com a justiça) termina toda e qualquer resposta ao referido pofessor. A pouca qualidade dos seus argumentos, mas a sua repetição até à exaustão tem marcado a agenda deste blog.

Não pode ser!

O blog continuará, mas a agenda não será marcada pelo referido comentarista, embora o mesmo não seja banido dos comentários.

"27-02-2006 12:59:00. Fonte LUSA.
Saúde/Fraude: Burla superior a dois milhões euros leva seis arguidos a tribunal

Lisboa, 27 Fev (Lusa) - Seis arguidos, entre os quais três farmacêuticas,.../...

No âmbito deste processo, Gerarda Marques esteve em prisão domiciliária e Delmina Subtil foi obrigada ao pagamento de uma caução de 25 mil euros. Todos os arguidos estão actualmente sujeitos apenas ao Termo de Identidade e Residência (TIR).
Os restantes arguidos são Manuel Marques, marido da Gerarda Marques, que se fazia passar por enfermeiro, Artur Tavares, auxiliar de acção médica no Hospital de São José, em Lisboa, Henriqueta Marques dos Santos, professora universitária, Margarida Santos Leite e Rosário Mesquita Dias, ambas farmacêuticas.
"

domingo, fevereiro 26, 2006

Boldanices em bold

Diz o comentador residente e anti-médico primário deste blog, professor universitário de Física, sr dr Raúl Boldão:

"De acordo com este semanário, em média, cada médico, declarou como rendimento ilíquido anual, em 2003, qualquer coisa como 307.985€. O que, em moeda antiga, já sei que não estão para fazer contas por isso faço eu, representa, qualquer coisa como 61.745 contos. Ou, mensualizando, se tivermos a bondade de contar 14 meses por ano (com subsidio de férias e Natal), 4.410 contos por mês."

O sr Boldão e os seus acólitos já demonstraram que o seu grande problema são os ordenados dos médicos. Mainada.

Resumindo: INVEJA. Sempre foi um problema dos portugueses.

A INVEJA e a HIPOCRISIA. O Sr. Boldão diz que conhece médicos prevaricadores (casos de polícia e para a IGS) e afirma que os não denuncia porque são seus amigos. Mas, como apenas conhece as ovelhas negras desta nobre profissão, tem como princípio de análise a generalização: aliás, outra característica dos portugueses: o "eles" são os culpados de tudo.

Mas estou consigo Sr Boldão, também estou com inveja destes números que apresentou:
- se eu ganhasse 4,5 mil contos por mês, nem perdia tempo a discutir consigo.

E refere que é uma média!

Eu quero o meu dinheiro.

Quem se está a abotoar com a minha parte?

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Ai Se Fosse Médico...

Como não é, apenas um diário regional (Diário de Leiria) contou esta história:

"Mulher acusa ‘padre’ exorcista de assédio sexual
m casal de Vila Franca, ele de 38 anos e ela de 31, pais de uma menina de cinco anos que sofre de hiperactividade, resolveram pedir ajuda espiritual, depois de esgotadas as tentativas através da medicina convencional e de não saberem como lidar com a situação. E foi ao 'padre' Humberto Gama, que conheceram através de reportagens televisivas, que decidiram recorrer, por três vezes.
Na primeira consulta, em Outubro do ano passado, e segundo relatou ao nosso Jornal o marido da paciente, nada de anormal se passou, tendo Humberto Gama referido que o problema não estava na criança mas sim na mãe, alegadamente possuída por um “espírito homossexual”, pelo que seriam necessárias mais consultas, ao que o casal acedeu.
No dia 28 de Dezembro voltaram à casa do 'padre', em Valinhos de Fátima, e foi aí que terão começado a acontecer práticas menos ortodoxas. Desta vez, e ao contrário da primeira consulta, o marido e a filha da suposta vítima já não estiveram ao seu lado, uma vez que terá sido levada para um quarto onde se encontrava, para além do 'padre', uma alegada enfermeira. "Aí, e para além de lhe ter apertado várias partes do corpo, ele introduziu o dedo na vagina da minha esposa e disse a essa rapariga que o fizesse também. Isso seria, segundo ele, para empurrar o espírito", recorda o homem, ainda longe de imaginar que no dia 11 de Janeiro deste ano é que o 'exorcismo' teria contornos mais perversos.
"Nesse dia ele foi sozinho para o quarto com a minha esposa, beijou-a na boca, apalpou-a, voltou a introduzir o dedo na vagina e exibiu o sexo dele enquanto gritava 'ama-me, ama-me!'", relatou o homem que só mais tarde teve conhecimento de tudo isto, uma vez que a esposa, temendo uma reacção mais violenta do marido, não lhe contou de imediato o sucedido, apesar de estranhar as práticas de exorcismo que lhe foram aplicadas, chegando mesmo a marcar uma quarta consulta "porque a minha esposa estava cada vez pior e eu fazia de tudo para ela ficar boa".
A quarta consulta nunca chegou a realizar-se, mas o casal 'consultou' a PSP de Fátima, onde apresentou queixa, "para evitar que mais pessoas sejam vítimas deste homem devasso e imoral disfarçado de padre e que só quer extorquir dinheiro às pessoas. Nós não queremos um tostão só queremos que seja desmascarado, para que não haja mais vítimas".
O marido da alegada vítima de abusos sexuais sublinha ainda o facto de Humberto Gama, a quem acusa de ter "mau carácter", dizer sempre que "os outros é que são doidos, doentes, e malucos com imaginação", para “se defender dos crimes hediondos que comete".
“Tentativa de extorsão”

Confrontado com estas acusações, Humberto Gama, que já foi acusado outras duas vezes por práticas de idêntico cariz, assegura que esta "não foi a primeira e não vai ser a última queixa contra mim", já que "tudo isto se trata de uma organização" que tem por objectivo denegrir a sua imagem.
Segundo o 'padre', o casal que agora o acusa de assédio sexual, "anda a ser tratado em psicologia e neurologia, que já correu seca e meca, não houve bruxo, não houve ninguém que eles não tivessem contactado", mas acabaram por bater lhe bater à porta, na sua residência perto de Fátima (possui outra em Murça).
"Vieram cá a primeira vez e eu disse-lhes que pensava que o mal vinha dela e do marido e não da filha. Depois voltaram uma segunda vez e eu tratei-os aqui (numa sala), sempre juntos, e aí eu disse-lhe que aquilo não era comigo, não era do meu aforro, porque aquilo é uma esquizofrenia" e porque "o pai estava aqui aos murros na mesa, e a mãe a tremer, eu e a enfermeira que estava comigo levámos a senhora para um quarto para impedir que a criança visse aquilo", recorda o 'padre'.
O casal voltou uma terceira vez, mas Humberto Gama diz que tudo o que eles contam se passou na segunda consulta e que da terceira já nem os queria atender mas acabou por fazê-lo. E mais, assegura o exorcista, "depois de todas estas coisas e das queixas ainda tentaram marcar uma quarta consulta, via telefone, e insultaram a minha empregada porque ela lhes disse, que se queria uma nova consulta, é porque gostou".
Para este homem, que até já foi candidato do CDS-PP à câmara de Murça, todo este caso é uma tentativa de extorsão de dinheiro, à semelhança de outros casos que já lhe sucederam, pelo que não tem problemas em sentar-se no banco dos réus, "porque depois quem pede uma indemnização sou eu", assegura, frisando que tudo não passou de "uma masturbação intelectual" de alguém que, ao contrário dele, "tem medo de dar a cara" e que neste caso “é a minha palvra contar a dela”, porque eu só estou aqui para ajudar as pessoas, e elas querem ser ajudadas.
O 'padre' explica ainda que o exorcismo "é uma energia que pode aparecer em qualquer parte", pelo que não faz sentido "colocar a mão na cabeça de uma pessoa, se o mal que ela tem está nas costas, e que os médicos também tocam nos pacientes", e desafiou-nos a assistir a um exorcismo para mostrar que fala verdade."

sábado, fevereiro 04, 2006

É Tudo Muito Complicado...

Anjos e demónios dos medicamentos
Artigo de João Paulo de Oliveira

Será o enquadramento legal em vigor suficiente para evitar conflitos de interesses entre médicos e companhias farmacêuticas? Para dez médicos americanos, liderados pelo Prof. Troyen Brennan, da Harvard University, não. Para o Prof. Paul Rubin, da Emory University, restringir a capacidade de comunicação da Indústria Farmacêutica (IF) porá em causa a Saúde Pública.
O actual contexto não poderia ser mais propício ao debate das relações entre médicos e IF. Persistem ainda os ecos da retirada do mercado de vários medicamentos, agravada por posteriores alegações de subtracção de dados «inconvenientes» sobre a sua segurança por parte dos investigadores e pelo envolvimento de prestigiadas revistas médicas na divulgação de informações desvirtuadas que os seus editores tomaram como boas; há cientistas que assumem ter falseado o resultados das suas pesquisas e utilizado o bom nome daquelas publicações para construírem uma glória efémera ou obterem dinheiro de forma menos lícita; há a polémica sobre os ghostwriters, médicos que serão principescamente pagos para assinar artigos com informação distorcida que não escreveram, credibilizando-os. E, last but not the least, há a crise económico-financeira em que os sistemas de Saúde procuram flutuar: em 2005, parlamentares ingleses quiseram policiar o marketing farmacêutico para reduzir a factura em medicamentos, alegando que muitos fármacos são prescritos sem que se conheça o seu perfil integral de efeitos secundários. Os seus esforços não foram avante, porque a IF é a terceira actividade mais lucrativa e pujante do país, e a ministra da Saúde, Jane Kennedy, afirmou à BBC ser do interesse do Governo britânico que a IF «mantenha a sua forte posição», sem prejuízo de continuar a pugnar por uma relação cada vez mais equilibrada entre as partes.

Tensão matricial

Estes afloramentos de uma tensão matricial que governa as relações entre a IF, os médicos e o poder ocorrem por vagas, mas a actual, tantos são os casos e os aspectos, gera desconfiança, mesmo um descrédito crescentes sobre a Indústria Farmacêutica e sobre os cientistas que para ela ou com ela trabalham, e não pode, por isso ser ignorada. O artigo de Brennan et al. é prova dessa inquietação. Publicaram um artigo na edição do passado dia 25 da JAMA, no qual propõem um conjunto de novas medidas restritivas da interacção entre médicos e IF, baseados em estudos que quantificam os aspectos negativos dessa interacção para os profissionais de saúde e para os doentes.
As medidas propostas incluem a proibição de aceitação de presentes, independentemente do seu valor, e a regulamentação da oferta de amostras e do financiamento da participação em congressos e simpósios. Na raiz destas propostas está, por exemplo, o artigo de Dr. Ashley Wazana, publicado também na JAMA em Janeiro de 2000.
Neste artigo, o psiquiatra da Universidade de Montreal, no Canadá, analisou 29 estudos sobre o relacionamento entre médicos e Indústria Farmacêutica, e concluiu, na maioria deles, pela existência de resultados negativos dessa interacção, nomeadamente prescrição não-racional, e prescrição crescente de fármacos mais recentes e caros sem vantagem demonstrada sobre os antigos da mesma classe, tendo os médicos demonstrado «falta de preocupação com a influência de presentes, material promocional, refeições e almoços de trabalho», que estarão na origem do favorecimento da companhia com a qual interactuam. Isto apesar de, como reconheceu o autor do artigo em declarações a The Medical Post, a introdução de guidelines nesta área ter «alterado significativamente as coisas».
No editorial que acompanhava o artigo da JAMA, o Dr. Robert Tenery, do American Medical Association Council on Ethical and Judicial Affairs, temperava as conclusões do Dr. Wazana, notando que «os delegados de informação médica podem ser uma valiosa fonte de informação para os médicos» e que «seria irrealista propor que todas as refeições, entretenimentos ou financiamentos são anti-éticos».

Outro ângulo

Que «as coisas» não estão bem é evidente, mas como não há só uma verdade, será curioso examiná-las de outro ângulo, o que fez o Prof. Paul Rubin, na Regulation (Verão de 2005), a propósito do artigo do Dr. Wazana.
Escreve o docente de Economia e Direito na Emory University: «Os delegados de informação médica (DIM) recebem incentivos para venderem “excessivamente” os seus produtos; mas também fornecem informação de confiança acerca dos benefícios dos seus fármacos. Ao analisar os efeitos dos esforços de promoção e de vendas, é importante considerar os aspectos positivos e negativos do marketing farmacêutico». Ora, «a literatura é geralmente crítica daqueles esforços, centrando-se nos aspectos negativos da promoção (...) e embora se exprima em termos empíricos e científicos, e faça uso de dados, sofre de algumas fraquezas», acrescenta o Prof. Rubin, que não hesita em afirmar: «Se os mesmos métodos e nível de rigor fossem utilizados na análise de outro problema — por exemplo, a efectividade de um medicamento —, as publicações científicas rejeitariam a investigação e a FDA não aprovaria o fármaco». O articulista aponta, na análise em apreço, viéses de selecção, insistência no estudo de fármacos inefectivos e uma escolha de endpoints da qual, como o próprio Dr. Wazana salienta, está ausente, em todos os estudos revistos, o bem-estar do doente. O resultado, escreve, é que «não existe evidência na literatura de malefício para os doentes da promoção e do marketing farmacêutico; o que existe é evidência ambígua e fraca de prescrição imprópria com base num estudo holandês de 1982». Os outros estudos «mostram simplesmente que o contacto com os DIM cria uma impressão favorável da companhia e que os presentes levam a um contacto mais frequente com os DIM. Estes efeitos seriam maléficos se a promoção levasse a prescrição incorrecta ou lesiva para a saúde», mas não existem dados que o demonstrem.
De acordo com o articulista, uma das principais bases da economia de mercado — e ainda não inventámos outra menos má — é que «as actividades realizadas em proveito particular levam muitas vezes a benefício público». A seu ver, isto também é verdade para a IF.

O cerne da questão

No fim do artigo, o Prof. Rubin vai ao cerne da questão. Em 1983, Avorn e Soumerai sugeriram que um centro académico poderia fornecer melhor informação aos médicos do que os DIM, e que a Medicaid, a HMO ou a Veteran’s Administration poderiam financiar estes programas. Até hoje, nota o articulista, «nenhuma destas entidades se dispôs a fazê-lo (...). Não admira, porque o custo de fornecer informação aos médicos sobre medicamentos ronda os 11 biliões de dólares por ano (...). Mesmo que o actual processo de promoção de fármacos tenha falhas, é difícil pensar numa alternativa praticável. Também era bom que todos os médicos lessem regularmente jornais médicos, mas não lêem»...
Assim, o Prof. Rubin pensa que se os regulamentos e os códigos de Ética tornarem a capacidade de comunicação da IF «mais difícil ou mais cara, o custo não será apenas suportado pelas companhias. A principal consequência será que muitos médicos aprenderão menos sobre medicamentos, o que se reflectirá negativamente na saúde dos doentes».
As sociedades confiaram a investigação, produção e comercialização de medicamentos e outras terapêuticas à IF, e esta não tardou a construir empórios cotados na bolsa. Ora, este é um contexto onde, como os últimos anos têm demonstrado amplamente, a perversidade está sempre pronta a saltar, porque a pressão dos accionistas, a exigirem lucros de forma cega e permanente, é tremenda. Mas se a Humanidade tem hoje mais tempo de vida e com melhor qualidade de vida, deve-o em grande medida, no que dos medicamentos depende, à IF — onde decerto não apenas se movimentam anjos. Como em lado algum, de resto.
O debate em curso, que é legítimo, necessário, mesmo urgente, tem revelado por todo o Mundo onde se trava com mais calor algumas posições sem esforço etiquetáveis de hipócritas, mal fundamentadas, até maldosas, em certos casos. Espera-se que de todos os lados acabe por prevalecer o bom senso e o compromisso com o progresso.
Sem lucros não há investigação, e sem investigação o futuro da Humanidade estará ameaçado. Será concebível um Mundo onde, subitamente, se abandone a busca de novas moléculas para tratar melhor ou curar qualquer das patologias que continuam a afligir os seres humanos? Ou estarão os cidadãos dispostos a financiar, através dos seus impostos, um ministério da Investigação para o qual trabalhem todos os investigadores em Biomedicina, dotado de um orçamento construído no pressuposto de que os custos do desenvolvimento de uma nova molécula rondam hoje os mil milhões de euros?

joao.oliveira@tempomedicina.com

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Agrediu Um Médico. É Um Santo!

O autor, Francisco Pedro de Leiria ou Carlos Ferreira, que presumo serão jornalistas, (do Correio da Manhã, está tudo dito) noticiam hoje a agressão de um doente a um médico na urgência de um hospital.

Seria de prever uma notícia pedagógica condizente com uma agressão gratuita. Mas não. O senhor jornalista apresenta o agressor como vítima e o médico como vilão. É óbvio que o doente descarregou a sua frustração por ter um "tomate inflamado" e portanto não poder dar a sua quequasita habitual, no médico, mas a sua intensão seria agredir a instituição.

Refere o senhor jornalista que as agressões têm vindo a aumentar. Sem dúvida. E notícias como esta, com foto e tudo, são o motor desse aumento em progressão geométrica.

"Pedro Cordeiro afirma que agrediu o médico porque foi mal atendido no Hospital de Leiria

Um doente com uma inflamação num testículo perdeu a paciência nas urgências do Hospital de Santo André (HSA), em Leiria, e agrediu um médico a murro na cara. O clínico está de baixa e vai processar o agressor, que continua sem o problema de saúde resolvido.

Pedro Cordeiro, de 44 anos, tem passado os últimos cinco meses em aflição, por causa de uma inflamação no testículo esquerdo. A primeira vez que o problema surgiu deslocou-se ao Hospital de Leiria. Recebeu um diagnóstico desanimador. “Disseram-me que o problema só se resolvia com uma operação.”

Três dias depois, o serralheiro voltou às urgências, com o mesmo problema. O diagnóstico manteve-se, mas com uma variante. “O especialista mandou-me pedir credenciais ao médico de família para apresentar nas consultas externas, mas nunca fui chamado pelo hospital.”

Há quatro meses, regressou às urgências, passou uma tarde com gelo na zona inflamada, recebendo alta a seguir. Terça-feira, a inflamação voltou a manifestar-se. O doente dirigiu-se de novo ao hospital, com o testículo “do tamanho de um punho fechado”, sendo recebido pelo mesmo especialista. Quando este lhe disse que teria de “entrar na lista de espera das operações”, Pedro Cordeiro perdeu as estribeiras e agrediu-o a murro. A PSP tomou de imediato conta da ocorrência.

ADMINISTRAÇÃO INDIGNADA

Segundo o director clínico do HSA, o caso “não justifica atendimento num serviço de urgência”. Por isso, o doente foi orientado “para tratamento cirúrgico através da consulta externa do hospital”.

Hélder Leitão lamenta a excessiva pressão por parte do doente para contrariar as regras de acesso aos cuidados hospitalares não urgentes e que, por causa da atitude “indigna e reprovável”, o clínico tenha sofrido “danos físicos consideráveis” e ficado de baixa médica.

OFENSAS E AGRESSÕES SUCEDEM-SE

AUMENTO

Um estudo efectuado pela Direcção-Geral de Saúde concluiu que as agressões a profissionais de saúde têm vindo a aumentar. As zonas mais problemáticas, segundo o estudo, são o Norte, Centro e Lisboa e Vale do Tejo."