domingo, novembro 26, 2006

De Acordo!

Na revista XIS do Público, de 25 de Novembro, por Marta Condesso, de Aveiro.



"Às Médicas que assistiram o Meu Pai

Esperei, propositadamente, o passar do tempo, para que não questionassem a lucidez das minhas considerações. Sou filha de um doente oncológico, falecido há um ano. O que se segue não são, portanto, palavras precipitadas (de quem está "louco" com a dor de uma perda recente).

Venho, porque me impus este dever, convencida que estou de não falar só por mim, mas também em nome de muitas outras famílias. E na esperança (vontade séria e profunda) de que origine reflexão e mudança.

Venho pela distância (inaceitável). Venho pelo desacompanhamento. Venho pela inexistência de relação médico-paciente. Venho pelo sempre pouco tempo. Pela indisponibilidade manifesta. Venho pelo(s) silêncio(s). Venho por uma "parede" difícil de enfrentar (quando as forças eram precisas noutras "frentes"). Venho pelos monossílabos, "gelados", em que nos falavam: em voz baixa, de olhos postos nos papéis ou no écran do computador; depois de intermináveis momentos de indiferença à nossa presença (nunca desnecessária, abusiva, ignorante): nós, ali, ao alto; humildes e em sofrimento.

Venho porque ouvir o meu pai (juiz desembargador, portanto, "viciado" na racionalidade, moderação e contenção dos seus juízos) dizer "Eu não hei-de morrer a estas mãos!" foi terrível. E é grave.

Estou obviamente consciente do avultado número de doentes; da responsabilidade do vosso trabalho; da escassez do vosso tempo e da excelência do vosso saber científico. Mas não é isso, evidentemente, que está em causa. Falo da Dignidade na doença (da privação dela!), quando mais do que nunca ela é importante. Falo de um grau mínimo de exigência...

Refiro-me a toda uma (outra) atitude; a um outro uso do mesmo tempo em consulta: olhar (Olhar nos olhos) é fundamental e básico numa relação que se pretende de confiança; cumprimentar e despedir com um sorriso; revelar uma disposição e um ânimo atentos; transmitir disponibilidade e calma; mostrar interesse e empenho (em vez de um distanciamento terrivelmente constrangedor), não é "leviandade" nem nada tem a ver com a gravidade do problema ou com "falsas esperanças".

Exercer Medicina numa área particularmente difícil como é a vossa, em que difíceis serão sempre todos os pacientes (independentemente dos diagnósticos: mais felizes ou menos), só pode obrigar a um relacionamento especial: de mais comprometimento; mais exigente; mais sensível; mais entregue! Estabelecê-lo parece-me uma obrigação profissional. Melhorarem (melhorarem muito, na minha opinião): uma urgência.

Há uma percentagem no Sofrimento (todo) do meu pai, por que o vosso comportamento é responsável. E isto é difícil de esquecer... Acrescentar-se a tantos sentimentos "negros e fundos", que já suporta uma pessoa gravemente doente, a sensação de absoluto abandono, de solidão e frieza, em relação ao seu médico, será com certeza negligente.

Resta-me lamentar ainda que, com este não-envolvimento (no que respeita à dimensão humana — que tentei expor e que não pode considerar-se um "extra") percam a oportunidade de conhecer pessoas incríveis, raras, maravilhosas (e perdoem-me a parcialidade de acrescentar: como o meu pai), que passam por essas salas (às vezes durante tanto tempo). É uma pena. É uma pobreza. Mas é, acima de tudo, profundamente injusto.

Despeço-me, com a tranquilidade do "dever cumprido": escrevendo, tento que não volte a acontecer com ninguém!

13 de Novembro de 2006
"

O que gostava de saber:

- A que nível de cuidados de saúde se passou?

- Qual a duração da doença?

- Como evoluiu a fase terminal da doença?

- A posição das médicas?

- Existiu o sentimento de impotência? Ou de desleixo? Ou de frieza?

- Não teriam faltado os cuidados paliativos ou continuados?

Condolências Ao Jornalismo Português.

sábado, novembro 25, 2006

Será Que É Solução?

No Expresso de hoje, por Ana Sofia Santos:

"Laboratórios cortam emprego

As principais empresas farmacêuticas já iniciaram a vaga de dispensas prevista dos delegados de informação médica
Alterar tamanho

Os delegados de informação médica (DIM) vivem dias difíceis, acossados pelo fantasma do desemprego. Fala-se na existência de uma estratégia concertada entre os principais laboratórios farmacêuticos, que actuam no mercado português, para aliviar os quadros de pessoal.

Os nomes ventilados são: Pfizer, Glaxo Farmacêutica, Sanofi Aventis, Solvay Farma, Wyeth Lederle, Merck Sharp & Dohme, Bristol-Myers Squibb e Serono. Serão à volta de centena e meia os delegados que já aceitaram rescindir o contrato de trabalho e aqueles que foram contactados para negociar a sua saída. Numa altura em que a especulação se espalha como um rastilho de pólvora, consta mesmo que na calha está a eliminação de mil postos de trabalho, nos próximos meses.

Aliás, corre que existe um acordo informal entre o Governo e a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma), para reduzir em 23% o total de DIM que existem actualmente (7887, segundo o Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento), até 2008. O objectivo é refrear as vendas de medicamentos e o consequente aumento da despesa pública com comparticipações.

Fonte oficial do Ministério da Saúde afirma desconhecer qualquer acordo que estabeleça uma meta deste tipo. E a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma) nega peremptoriamente a existência de um compromisso oficioso. A porta-voz da associação confirma a onda de despedimentos no sector e remete a culpa dessa situação para o Executivo. “É o resultado das sucessivas baixas nos preços dos medicamentos impostas pelo Governo”, atira, acrescentando que a indústria farmacêutica em Portugal atravessa um período de “recessão”, que a está a obrigar a proceder a reestruturações nos quadros de pessoal. O aumento da concorrência dos medicamentos genéricos é outro factor de pressão.

A Glaxo não comenta o assunto, mas o Expresso apurou que o laboratório rescindiu com 21 trabalhadores, aos quais foram oferecidas condições acima da lei. Houve casos de delegados que ficaram com o carro e o telemóvel de serviço e que continuam a usufruir do seguro de saúde, ainda durante algum tempo. O mesmo terá acontecido com 20 colaboradores da Wyeth, que contactada pelo Expresso respondeu: “as recentes mudanças na nossa organização fazem parte da nossa estratégia de liderança, que por ser confidencial não pode ser comentada em detalhe”.

Na Pfizer deverão ser dispensadas 25 pessoas. Grassa um sentimento de insegurança entre os delegados deste laboratório, face aos rumores de despedimento colectivo. “No quadro de condicionantes imposto pelo Estado é natural que tenham lugar processos de reestruturação. A Pfizer também está confrontada com a necessidade de lidar com este tipo de situação, o que fará, como é seu hábito, avaliando e procurando minimizar o seu impacto social”, garante a farmacêutica.
Quanto à Solvay Farma, o seu director-geral, Álvaro Rosa, afirma que o laboratório “não faz despedimentos”. Embora admita que a empresa está em reestruturação (comprou recentemente a Fournier Farmacêutica), nega a existência de qualquer saída de pessoal. No entanto, ao Expresso chegou a informação que houve rescisões amigáveis na Solvay (6 a 8) e que há contratos da Fournier que não serão renovados (12).

A Merck e a Sanofi (a reestruturação da segunda implica 70 baixas) também não comentam e, até ao fecho desta edição, não houve respostas por parte da Bristol-Myers e da Serono.
"

quarta-feira, novembro 22, 2006

Tributo

"Boa Noite

É uma honra para mim ter na caixa de correio uma mensagem sua. Da jornalista Rita Marrafa de Carvalho.

Mas infelizmente não a posso ajudar porque deve haver um qualquer engano: não assisti ao acidente que descreve!

Continuação do seu óptimo trabalho.

Com jornalistas como você, este blogue não teria necessidade de existir
!"

-----Original Message-----

From: Rita Marrafa de Carvalho [mailto: @rtp.pt]
Sent: terça-feira, 21 de Novembro de 2006 13:50
To: memai@sapo.pt.
Subject: Reportagem

Boas-tardes,

sou jornalista da RTP e blogger activa. Foi por aí que
tive acesso à informação de que o Dr. teria assistido e
acompanhado Daniel, um menino de 13 anos cujos pais
morreram num acidente no IP4. .../....

Gostaria de saber se tem disponibilidade, caso esta
informação se confirme, para conversar um pouco comigo.
Obrigada,

Rita Marrafa de Carvalho

..................................
Rita Marrafa de Carvalho
Jornalista


R.T.P.
Avenida Marechal Gomes da Costa
217947000
"

Notícia Que Desejo A Todos

Exame macroscópico:

Já fixados, fragmentos de tecido irregulares, membranáceos, rosa esbranquiçados, tendo no conjunto o diâmetro de 0,4 cm. Inclusão total.

Estudo histológico:

Retalhos de mucosa ……. parcialmente revestidos por epitélio transicional com presença de pequenos ninhos de V….. B….. Lâmina própria com ligeiro edema e vasos congestivos.
Não se observam aspectos suspeitos de lesão tumoral
.”

quarta-feira, novembro 15, 2006

Ontem Na RTP ...

... pela voz de um dos mais credíveis jornalistas portugueses foi dada a conhecer uma nova doença oftalmológica:

a AMBLIO.

A Idade Do Álcool

No Primeiro de Janeiro de 12 de Outubro:

"Consumo de álcool apenas aos 18 anos


O director do Centro de Alcoologia do Centro defendeu, em Coimbra, o aumento da idade permitida para consumir álcool dos 16 para os 18 anos.

“A permissividade é muito grande. Não tem havido vontade política para intervir rapidamente nesta área”, afirmou Augusto Pinto, à margem de uma sessão em que alertou a população universitária coimbrã para os perigos do consumo.

De acordo com o director do CRAC, o aumento justifica-se porque a educação para a saúde e a prevenção não são suficientes para evitar o aumento do consumo entre os jovens.

“São produtos baratos e acessíveis, pelo que tem de haver uma redução da oferta com intervenção rápida a nível de estratégias de limitação do acesso”, preconizou, lembrando que os 18 anos vigoram em grande parte dos países europeus e só Portugal, França e a Itália apresentam os 16 como limite mínimo para a aquisição e consumo."


Só não compreendo a notícia. Há dezenas de anos que se sabe que a capacidade regeneradora das células hepáticas mortas com a ingestão de álcool só está perfeitamente desenvolvida lá para os 18 anos...

Tem sido mais um lóbie nefasto...

domingo, novembro 12, 2006

HIV/SIDA: Prevalência - 0,4%...

Estamos em era de mudança.

A SIDA já não é o que era. A doença transformou-se em doença crónica, as mortes vão diminuindo e aquelas imagens de há uma década de doentes moribundos nas camas dos hospitais (e por isso nasceram as várias associações de apoio) já escasseiam.

O HIV/SIDA é uma doença "normal", de baixa prevalência, de conhecida prevenção e de bom controlo a longo prazo, caro, é um facto.

O lóbie da SIDA vai-se ressentindo.

É natural que algumas associações comecem a não ter doentes para apoiar, pois estes já podem fazer a sua vida integrados na sociedade.

É, portanto, tempo de canalizar o orçamento disponível para a medicação crónica e deixar de subsidiar associações que já não tem razão de existir.

As guidelines internacionais assim apontam...

Três associações que trabalham na área da sida em Portugal afirmam que estão “à beira da ruptura” por falta de financiamento e “na eminência de fechar as portas aos projectos já aprovados”. Acusam o Estado de não ter capacidade nem vontade de ajudar quem precisa.

As associações Abraço, Positivo e Sol, num comunicado conjunto, reagiram ontem às recentes declarações do Coordenador Nacional para a Infecção VIH, Henrique Barros, que no passado domingo admitiu o falhanço do programa de prevenção e combate a este síndroma.

“Os resultados mostram claramente que sim”, respondeu Henrique Barros quando questionado sobre se o programa ainda em curso tinha falhado.

Perante esta afirmação, decidiram tomar uma posição conjunta, na qual atribuem à falta de diálogo com as associações, “que se encontram no terreno há mais tempo e que melhor sabem sobre esta matéria”.

As denúncias estendem-se à situação da Comissão Nacional da Infecção pelo VIH (CNIVIH): “A CNIVIH encontra-se, do ponto de vista administrativo e financeiro, literalmente sem técnicos, pois os contratos de trabalho dos mesmos não foram validados atempadamente”. Para as associações, “quem fica a perder” é “o comum cidadão que não tem voz activa”.

As três associações alertam para o facto de “reencaminhar para o Governo todos os utentes que o Estado não tem capacidade, nem vontade de ajudar”, declarando que estão “à beira da ruptura” por falta de financiamento e “na eminência de fechar as portas aos projectos já aprovados”.


Nota de roda-pé:

As mortes em Portugal estacionaram,não aumentando. Nos restantes países a taxa de mortalidade continua a diminuir desde o aparecimento dos novos fármacos há uma década.

sexta-feira, novembro 10, 2006

A Letra De Médico...

TM 1.º CADERNO de 2006.10.11

"E ESTA?
Receita para analfabetos
De vez em quando, lá vem a «letra de médico» para animar a difícil relação dos prescritores com as farmácias. Aqui, nesta secção, ainda há bem pouco tempo remoçámos o assunto, com o recurso aos dados de um estudo da agência americana do medicamento — FDA — e com o alerta de que já há médicos condenados, nos Estados Unidos, por causa da ilegibilidade da escrita.

Na sequência, um leitor atento recordou ao «TM» uma saborosa estória de uma Lisboa distante, a dos alvores dos anos 40. João Armando de Aragão e Rio, assim se chama o médico que nos escreveu, conta que um dia um trabalhador das obras se despediu da sua empresa para rumar a um novo emprego, no Porto. Pediu, então, uma carta de apresentação — elogiosa, já se vê — para o seu futuro patrão. Mas o problema é que tão analfabeto era o empregado como o patrão, que de forma desenrascada, rabiscou uma folha de papel e meteu-a dentro de um envelope.

O trabalhador, legitimamente curioso, terá pedido a um polícia que lhe lesse a carta, mas o cívico, também analfabeto, remeteu o homem para a farmácia próxima, onde decerto lhe atenderiam o pedido. E assim foi. Depois de uma espera na fila, lá chegou o trabalhador à sua vez. Num ápice, o homem da farmácia pegou no papel rabiscado, desapareceu no interior e trouxe uma receita aviada, com a solene indicação de que deveria ser tomada três vezes ao dia…
E esta?

D.C
."


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A Saúde vs A Doença vs O Financiamento vs O Lucro

No Diário Económico de 2006-10-13:

Comissão para a reforma do sistema de saúde considera que SNS é viável

A Comissão que estuda o financiamento do SNS não vai defender grandes alterações ao actual modelo. Na opinião dos peritos, a sustentabilidade do sistema passa apenas pela melhoria nos pontos críticos.”

No Público de 2006-10-13:

Maior clínica privada do país abre em Cascais


Nova unidade do Grupo Português Saúde
vai criar 200 novos postos de trabalho

A Clínica Unimed Cascais, uma unidade de saúde privada que é a maior do seu género no país, vai abrir na primeira semana de Novembro com um total de 27 especialidades destinadas a servir 750 mil pessoas dos concelhos de Cascais, Oeiras e Sintra.
A unidade pertence ao Grupo Português Saúde (GPS) e representou um investimento superior a 20 milhões de euros, prevendo-se que venha a criar 200 novos postos de trabalho directos...
por Alexandra Reis”

1999

No Público de 12/10/2006.

"Médicos dos centros de saúde usam manual de 1999

Os médicos de família necessitam de mais informação sobre a resistência aos antibióticos, disse Alberto Pinto Hespanhol, revelando que os profissionais nos centros de saúde dispõem apenas, para se guiar na prescrição, de um Manual de Práticas Terapêuticas Antimicrobianas feito por especialistas espanhóis em 1999.

Para o director do Centro de Saúde de S. João e professor da Faculdade de Medicina do Porto, a estratégia para diminuir o uso de antibióticos e os níveis de resistência antimicrobiana passa pela "monitorização do seu uso associada à vigilância dessa mesma resistência".

Em teoria, os médicos de família devem preferir os antibióticos menos tóxicos, de espectro reduzido e os mais económicos.

Mas os estudos sobre a sua utilização nos cuidados primários até à data realizados "têm demonstrado um aumento do uso dos novos antibióticos, os de largo espectro, como a associação amoxicilina/ácido clavulânico", em detrimento do "uso dos antigos antibióticos, os de espectro reduzido, como as benzilpenicilinas e as cefalosporinas de primeira geração", lembrou.

Uma realidade diferente é a da utilização de antibióticos no contexto hospitalar. António Sarmento, infecciologista do Hospital de S. João (Porto), destacou a importância da melhoria das medidas de higiene e do controlo da disseminação dos microrganismos, nomeadamente através do isolamento dos doentes que estão infectados com bactérias multi-resistentes. A.C."

domingo, novembro 05, 2006

Blog De Um Médico Contra A Administração Do Seu Hospital

O Hospital é o Amato Lusitano, em Castelo Branco.

O médico é Vasco Rolo, director demissionário do Serviço de Estomatologia.

Está aqui: Hospital? Amato Lusitano.

E este post intitulado: "LULAS MINHAS QUERIDAS MANAS" e que assim termina, é uma pérola:

"O mesmo tenho a certeza não fez a administração. POR ISSO CUMPRAM AS AMEAÇAS e veremos quem pagará.

Se não gostam do que escrevo melhor, quem não quer ser lobo não lhe veste a pele.

Deste humilde choco

Vasco Rolo
"

domingo, outubro 29, 2006

O Médico Explica Medicina A Intelectuais ...

... em determinadas curvas da vida também apela a todos os Santos... mesmo sendo agnóstico!



(foto de telemóvel)

segunda-feira, outubro 16, 2006

O Ministro Da Saúde E Os Stents Revestidos

O próximo (Que pode ser quem me lê, o colesterol, pois então. O tabaquinho, pois então) que precisar de um stent para desobstruir a sua coronária, talvez já não tenha direito a um "revestido" e ... perguntem ao Ministro o que vai acontecer, alguns anos depois.


"FACTO DA SEMANA

Os stents e a «vergonha»

Na entrevista à RTP (programa «Grande Entrevista», de Judite de Sousa) o ministro da Saúde oscilou, mais uma vez, entre o mérito, a teimosia e o desbragamento verbal. Correia de Campos é um impulsivo e ninguém, alguma vez, o há-de transformar. Nada de muito grave, dirão os incondicionais, entre os quais não nos incluímos, mas o feitio cria-lhe dificuldades acrescidas.
Tomemos como exemplo o seu gosto por usar termos fortes, no momento em que disse (quase a terminar a entrevista) que o uso significativo de stents revestidos, em Portugal, é «uma vergonha».
Ora, a nosso ver, um ministro pode dizer, eventualmente, que não há dinheiro, no SNS, para pagar stents revestidos em mais casos do que os que são estabelecidos pelas guidelines; um ministro da Saúde poderia até dizer que Portugal não tem dinheiro que chegue para pagar stents revestidos a ninguém, aceitando implicitamente pagar o custo político disso. Seriam ambas as afirmações politicamente legítimas. Mas o que Correia de Campos não poderia ter dito (e disse) é que tratar muito bem os doentes, em vez de tratar de acordo com as orientações mínimas, é «uma vergonha». O ministro disse, com isso, foi que os médicos envolvidos (cardiologia de intervenção) se devem envergonhar quando tratam um doente com os melhores cuidados de acordo com a melhor tecnologia de que dispõem… Ou seja de tratar os doentes «demasiadamente bem».
E, repare-se, pode dizer-se tudo isto, criticando parte da intervenção do ministro (e sustentando a crítica) sem ser necessário considerá-la «uma vergonha».

J.M.A."


Tempo Medicina
1.º CADERNO de 2006.10.16

quinta-feira, outubro 12, 2006

Senhor Boldão E Seus Pares: A Censura Não Passará!

















Por mais que não gostem do que aqui se escreve, este blogue continuará, enquanto tiver mais de 200 visitas diárias e eu entender.

Não gostam, muito bem.

Discordam, muito bem.

posts errados. Muito bem.

Os comentários existem para vocês se exprimirem. E eu aprender e corrigir se necessário.

(Fotos retiradas da Internet através do Google.)

domingo, outubro 08, 2006

A Resposta Adequada E Especializada

"Caro "medico explica",


 

Não lhe sei precisar as estatísticas em Portugal, mas as mãos ocuparão uma percentagem superior a metade dos casos de transmissão.

Por se tratar de uma superfície com atrito, humidade, temperatura e nutriente é - mais que o tecido - ideal para aderir microrganismos de um doente (ou mesmo do ar).

Eles sobrevivem satisfeitos na sua mão até encontrar o próximo doente, cuja temperatura possivelmente 0.5, 1 ou 2 graus acima da sua e humidade tipicamente mais elevada serve como um atractivo irresistível para mudarem de hospedeiro e aderirem ao doente.

O mesmo acontece se você usar luvas.

Apenas uma pequena percentagem será transmitida pelo ar - há casos típicos de pneumonia multi-resistente em serviços de traumatologia com internamentos prolongados - em que certamente não são causadas pelo ar a circular entre serviços.

Estes 2-3 quartos incluirão infecções causadas por microrganismos aderidos a cateteres que foram tocados por mãos mal lavadas ou luvas contaminadas.

Incluiria também nesta fracção microrganismos aderidos a batas que vieram do exterior e SIM a estetoscópios que passam de paciente em paciente cuja mistura de células epiteliais/suor vêm acompanhadas de outras formas de vida que foram tossidas, excretadas, etc.

Eu diria que só uma parte do último quarto se deve a transmissões aéreas e a visitas, sendo que estas últimas não representam um problema grave pois transportam estirpes selvagens, não multi-resistentes.

Por último, pergunto-me o que sente com a ideia de partilhar com os seus colegas de trabalho a "pool" de microrganismos que os seus pacientes partilham consigo, com a ideia de os levar para casa, de os deixar na sua chávena de café...

Concordo com as batas e equipamentos descartáveis, mas mais importante que isso será descartar mentes retrógradas e resistentes a "receber ordens", muito frequente entre TODAS as classes de técnicos de saúde.

Por ultimo doutor, tem conhecido claramente os microbiologistas errados...não há nada para fazermos numa secretaria com papeis. Trabalho só existe em "campo", sim, com pacientes, com pessoas reais, com alimentos, com fármacos, com populações, com animais.

Espero ter contribuído construtivamente para esta discussão.

Ass. Microbiologista explica microbiologia a médicos :)"

Vamos Ser Radicais!

Eu comprendo que os médicos sejam os culpados de tudo.
É normal nos comentários deste blog e é para isso que aqui estamos com os comentários abertos...

Compreendo que as infecções hospitalares existam porque existem médicos.
Mesmo aqueles médicos que são infectados nos hospitais, são-no porque querem.

E quem diz médicos diz enfermeiros. Uns e outros quando "apanham" (para melhor compreenderem) a tuberculose num hospital foi-o exclusivamente porque assim o decidiram.

As Comissões de Controlo da Infecção Hospitalar, não existem.
Esta do Hospital de Santa Maria não existe.
É virtual.
Não cliquem que não vale a pena.
O link não existe, fui eu que pintei as letras de azul.

Não é verdade que seja composta por médicos infecciologistas, patologistas, administradores hospitalares e enfermeiros.

Como me pedem, vou dar a minha opinião sobre o controle radical da infecção hospitalar:

1) Fechar os hospitais e todos os doentes passam a ser tratados no seu domicílio.

2) Encerrar os blocos operatórios e todas as cirurgias passam a efectuar-se a céu aberto para as bectérias poderem voar para longe.

3) Os médicos (as) e enfermeiras (os) passam a trabalhar nus, após um duche conjunto à entrada e à saída.

4) Pelo contrário os doentes passam a ser observados depois de vestirem fatos apropriados para a guerra biológica.

5) Proibir a entrada das bactérias nos hospitais reforçando a segurança nas entradas. Colocar redes nas janelas para os vírus.

6) Proibir a entrada dos familiares e os contactos destes com os doentes passam a ser efectuados com lenços brancos nas janelas.

7) Todo o médico que for apanhado a namorar com bactérias, tipo Legionella pneumophila, Neisseria meningitidis ou Escherichia coli ou as médicas namorando com o Streptococcus pneumoniae, com o Staphylococcus aureus ou mesmo o Enterococcus faecium, serão irradiados pela sua Ordem da profissão. Se o namoro for com a Candida albicans têm atenuantes.

8) Finalmente ilegalizar todos os antibióticos como forma de erradicar o aparecimento das resistências.

9) Este plano acabaria em menos de 2 anos com todas as infecções nosocomiais e em 5 com toda a população mundial.

10) Brinquem, brinquem e não se juntem aos médicos neste combate e verão para onde vamos todos...

sábado, outubro 07, 2006

Hospital de S. João, Outra Vez...

De um leitor:

"Caro Dr,
venho especialmente ao seu blog pedir-lhe para dedicar um post a dissertar a razao pela qual os medicos no S.Joao e (arrisco dizer) um pouco por todos os hospitais vao tomar cafe de bata, e mais ainda vao almocar de estetoscopio, que usam mesmo aqueles que nao fazem clinica. É um fenomeno social unico e incompreensivel visto q nao vejo os professores levarem os livros de ponto nem os mecanicos levarem as ferramentas...so uma questao. Como Microbiolgista deixou-me de cabelos em pe ha dias ver um medico amigo a cozinhar com o fato para procedimentos cirurgicos que trouxera do hospital...isto é infelizmente demasiado frequente, escandaloso, uma questao de saude publica. Por favor, explique-me. Porque do meu ponto de vista, teria suficiente argumentos para escrever um livro...Agradecido,S.P
"

domingo, outubro 01, 2006

Tau-Tau Para Quem Não Lavar As Mãos!

No Jornal de Notícias de 29/09/06, pode ler-se:

Os médicos, enfermeiros e auxiliares do Hospital de S. João, no Porto, que não lavem as mãos após actos clínicos susceptíveis de provocar infecções hospitalares vão ser alvo de procedimentos disciplinares. A intenção da Direcção Clínica do hospital foi manifestada aos profissionais numa nota interna, que receberam juntamente com o último recibo de vencimento. "Não inventámos nada, apenas seguimos o que são as normas internacionais para combater a infecção hospitalar", disse o director clínico, António Ferreira.

Aquele responsável reconhece que existe um problema grave no Hospital (os últimos dados disponíveis, de 2005, referiam que os valores eram o dobro da taxa nacional) e "tem que ser resolvido. Daqui a um ano, podem pedir contas, pois a taxa de infecção hospitalar será muito mais baixa".

O director clínico admite que os "profissionais reagiram, mas aconteceu o mesmo com a questão dos medicamentos e hoje todos querem contribuir".

Salientou ainda que o combate à infecção hospitalar passa também pelas obras que estão a realizar no hospital, e por outras medidas que serão anunciadas em breve
.”

Se é assim que o senhor director clínico quer combater a infecção hospitalar, está mal.
Primeiro obrigar os médicos a lavar as mãos, sem lavatórios e outros dispositivos apropriados e depois divulgas as outras medidas...

Com métodos paternalistas, inquisitórios e repressivos, nada se consegue.

Os médicos do Hospital de S. João, serão os principais interessados em não transportarem consigo microrganismos pois também poderão passar de hospedeiros a doentes…

O director clínico fez um TPC do Prof. Correia de Campos. "Lavar as maõs" só por si não chega para combater a infecção hospitalar.

Terão responsabilidade os profissionais? Claro que sim.

Os médicos, enfermeiros, auxiliares e outros técnicos têm uma parte da responsabilidade.
E estão conscientes disso.

Mas outras medidas são necessárias e também demasiado importantes para não se divulgarem:

1 – A existência de um plano actualizado para o circuito próprio dos resíduos sólidos (vulgo lixos) hospitalares, a sua não existência, actualização e vigilância do seu cumprimento, potenciam o risco de infecção.

2 - Com doentes “mesmo mesmo” doentes (com tosse, espirros, urinas, fezes, saliva, catéteres, máscaras respiratórias, sangues e por aí fora) nos corredores desde a urgência até ao último piso, ou em enfermarias com distâncias de separação entre eles impróprias, não se combate a infecção.

3 – A partilha dos corredores com camas com doentes e todo o tipo de tráfego de pessoas (doentes, pessoal hospitalar directo, visitas, fornecedores, pessoal de manutenção, administrativos e um sem número de outras pessoas que circulam nos corredores de hospitais) e material, incluindo os lixos hospitalres ajuda a propagar a infecção.

4 – A disponibilização de vestuário descartável pelos médicos e enfermeiras também ajudaria… a combater.

5 – Os marcadores da infecção hospitalar não se pode comparar em termos absolutos entre hospitais com funções e “públicos” diferentes.

6- A forma como publicamente foi divulgada a circular, não é o melhor método de sensibilizar os profissionais, desde o médico até ao maqueiro. Pode-se concluir: lavem as mãos seus porcos e se não o fizerem apanham tau-tau.

O Poder da Indústria Farmacêutica E A Estupurose!

Mais um dia para assinalar com pompa e circunstância, o Dia Nacional do Cancro Digestivo.

(E para quando o Dia Nacional das Hemorróidas? Ou o Dia Nacional da Fissura Anal? Ou o Dia Nacional da Onicocriptose?
E para quando a Associção Humanitária de Apoio aos Doentes com Hemorróidas?)

E o dia foi asssinalado com uma pseudo-entrevista onde a mãozinha da Indústria farmacêutica, bem se nota.

Para divulgar o Dia será necessário divulgarem-se medicamentos?

E para divulgar o Grupo de Investigação do Cancro Digestivo será necessário anunciar a futura criação de uma associação de doentes?

Não será óbvia a ligação entre o laboratório que investiga o medicamento referido, este grupo de investigação e a futura associação de doentes?

Serão todas associações sem fins lucrativos, ninguém duvida...

Outro área de influência do polvo da indústria farmacêutica, são os rastreios.

Cada laboratório apoia fortemente o rastreio das doenças para as quais propõe alternativas terapêuticas: há dias entra-me pelo consultório adentro, uma doente com um papelito já desbotado pelo tempo (pouco) afirmando que tinha fazer uma rastreio à "ESTUPUROSE" na farmácia do bairro e que a tinham mandado vir mostrar o papelito por causa da estupurose e à espera de mais um medicamento para o seu saco de plástico.

E isto num consultório particular, como será no público...

No Primero de Janeiro de 30/09/06, sobre o Dia Nacional do Fecaloma, perdão, Cancro Digestivo.

"Estatísticas negras assinalam hoje o Dia Nacional do Cancro Digestivo.
Metade dos doentes morre.


O cancro colorectal é “uma doença do mundo ocidental”, e todos os anos é diagnosticada a mais de cinco mil pessoas, das quais metade acabará por morrer.
Por ocasião do Dia Nacional do Cancro Digestivo, que hoje se assinala, as estatísticas dão pouco espaço ao optimismo.
Todos os anos são diagnosticados em Portugal 5.500 a 6.000 novos casos de cancro colorectal, sendo que metade resultará na morte do doente, revelou ontem o presidente do Grupo de Investigação do Cancro Digestivo.
No âmbito das comemorações do Dia Nacional do Cancro Digestivo, que se assinala hoje, Evaristo Sanches afirmou que a incidência daquele tumor continua a aumentar no País e na Europa.
“É uma doença do mundo ocidental” que tem origem nalguns casos em “erros genéticos” hereditários, mas a maior parte é adquirida.
O sedentarismo, o consumo de tabaco, uma vida desregrada e a ingestão de carnes vermelhas e alimentos ricos em calorias e gorduras estão entre as principais causas atribuídas.
O cancro colorectal ocupa o segundo lugar nas mortes por cancro em Portugal, e é o terceiro mais comum a nível mundial.
Anualmente surgem na Europa 300 mil novos casos, sendo o terceiro cancro mais frequente no homem e o segundo na mulher.
Quarenta por cento dos europeus a quem foi diagnosticado morrerá vítima da doença. Contudo, se detectado precocemente, o tumor “tem enorme capacidade de cura, superior a 80 por cento”, explicou Evaristo Sanches.
Entre os sintomas mais frequentes figuram a alteração dos hábitos intestinais, a presença de sangue nas fezes, a perda de peso inexplicada, o cansaço constante, as náuseas e os vómitos.
O oncologista afirmou que cirurgia e quimioterapia continuam a ser as principais formas de tratamento, sublinhando que está a ser feita uma investigação clínica para verificar a eficácia de três fármacos usados em associação.
Os três medicamentos que compõem o complexo Ervicox, usado actualmente, são utilizados individualmente, mas o objectivo é conhecer a sua eficácia em conjunto.
“Estamos na fase final de recrutamento de doentes. Dentro de um ano talvez possa saber-se os resultados”, disse.
O presidente do GICD deu a conhecer uma campanha nacional de sensibilização e anunciou a criação de uma associação de doentes, a apresentar em Novembro.

Campanha
Mais investigação. A campanha de sensibilização inicia-se hoje, com a distribuição de folhetos informativos com normas alimentares e hábitos de vida para prevenir a doença. O GICD é uma associação fundada por médicos ligados ao tratamento de tumores do aparelho digestivo, que tem como principais objectivos promover a investigação naquela área, divulgar tratamentos e medidas de prevenção e criar critérios de uniformização entre os diversos profissionais."