terça-feira, janeiro 23, 2007

Vidas Desperdiçadas Em Potência (IV) : O Condom.

(O sémen do rei Minos, filho de Zeus, era povoado por serpentes, escorpiões e lacraias que matavam suas amantes. Procris teve a idéia de introduzir uma bexiga de cabra em sua vagina para se proteger.)

Na senda da demagogia dos defensores do NÂO, temos que lutar contra a perda de vidas em potência.

O preservativo (condom) é um meio usado para desperdiçar milhões de vidas diariamente:


O seu inventor da era moderna: Gabriele Falloppio

bora lá ilegalizá-lo

como na "Ireland, condoms (and other contraceptives) were originally available only to those with a doctor's prescription (finding a doctor willing to prescribe them was very difficult - almost impossible if one was unmarried) or via the black market (usually smuggled from Northern Ireland). This was later altered to being available only to those over the age of 18 in pharmacies in 1985. Sale outside of pharmacies was only legalised in 1993, although stores such as the Virgin Megastore had in fact been selling them openly since 1988. The age limitations were also removed in 1993."

nas "The Philippines is a predominantly Roman Catholic nation, and the Catholic Church is a powerful force in Philippine politics. The Church teaches that only natural family planning methods are moral ways to prevent pregnancy, and opposes promotion of condoms for any purpose.
While condoms are legal in the Philippines, the government will not promote them or pay for their distribution. As of 2004, several local officials - including the mayor of Manila - had banned distribution of condoms in government health facilities, and some locations even ban government health workers from discussing condoms
."

e na Somália "In 2003, a powerful Somalian Muslim group banned selling or using condoms in Somalia. The punishments for violating this include flogging." (from Wikipedia).




O preservativo aconselhado pelo clero português.

O preservativo usado pelas tias apoiantes do NÃO.
O preservativo feminino.

O preservativo dos alcoólicos.


O preservativo do megalómanos.
As brincadeiras sempre existiram.
The pink condom.

Preservativo mais antigo que se conhece.
(Imagens retiradas de vários sites da Internet)


domingo, janeiro 21, 2007

TVI

"... terapêutica endovenosa directamente nas veias..." pois, pois, haveria de ser onde?

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Vidas Desperdiçadas Em Potência (III) : O Padre.

Continuando com a exemplificação de "vidas potencialmente desperdiçadas", palavra de ordem do NÃO, cabe agora a vez ao Padre.
Deus deu-lhe também a capacidade para se reproduzir.
Mas a Igreja retirou-lhe essa graça divina.
Produz espermatozóides como todo o género masculino, os quais, pelo voto de castidade (se o cumprirem) são desperdiçados.

Portanto depois da ilegalização da masturbação, das freiras, agora teremos que ilegalizar o Clero.

3. O Padre.


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Jean-Baptiste Greuze
The Widow and Her Priest, undated
The State Hermitage Museum, St. Petersburg, Russia

Sabia Que?

De um comunicado do Sindicato Independente dos Médicos no Jornal Virtual

"PODE ESTABELECER-SE A CONFUSÃO NOS CENTROS DE SAÚDE

Foi hoje libertado para a Comunicação Social um Relatório da Inspecção-Geral de Saúde que, ainda que não identificando qualquer relação entre os congressos patrocinados pela indústria farmacêutica e a prescrição médica, identificaria os 14 médicos maiores prescritores de medicamentos. Numa contabilidade à receita e aos custos dos medicamentos prescritos, o mais gastador seria um médico de um CS de Aveiro, prescritor de 95 receitas/dia, aliás suplantado por dois outros (de Santarém e de Guimarães) com mais de 100 receitas/dia.

Nada é divulgado quanto ao nº de doentes que esses médicos atendem por dia,
quanto às doenças que têm e
à sua idade (se são idosos e com várias doenças crónicas, por ex.)
quanto ao nº de utentes na sua Lista,
quantos doentes sem Médico de Família do seu CS atendem e respectiva medicação crónica renovam diariamente.

É omitido que faltam Médicos de Família nos CS, existindo cerca de 700.00 portugueses sem Médico de Família.

É omitido que cada receita do SNS não pode ter mais do que 4 medicamentos diferentes e de cada um mais do que 2 caixas.

É omitido que há medicamentos que são tomados cronicamente e que não são passíveis de serem prescritos em receita renovável tendo que ser prescritos logo na mesma consulta para não obrigar o doente a deslocar-se repetidamente ao CS.

É omitido que as receitas renováveis de 3 vias e com validade para 6 meses têm todas a data do mesmo dia.

É omitido que há medicamentos que apenas são comparticipados na sua embalagem mais pequena, tal como é omitido que os medicamentos são caros em Portugal e que são organismos estatais que fixam os PVP e as comissões dos intermediários.

A menos que seja provado que essas receitas não corresponderam a actos médicos e actos médicos perfeitamente tipificados,
a menos que se chegue à conclusão de que essas prescrições foram inadequadas às patologias dos doentes, então se calhar esses médicos até deveriam receber um louvor do Sr. Ministro da Saúde publicado em Diário da República por trabalharem demais!

Esta jogada populista e pretensamente intimidadora dos Médicos, geradora de eventual perturbação da relação de confiança médico/doente, procedimento a que já nos habituamos a ver ser utilizado pelo Ministério da Saúde em alturas de aperto e para desviar as atenções, pode vir a lançar a confusão nos Centros de Saúde…

E se a partir de amanhã os Médicos de Família

- se recusarem a atender diariamente mais doentes da sua Lista do que o nº referente a umas tantas receitas (60? 70? 80? 90?),
- se recusarem atender
- e renovar medicação crónica aos doentes sem Médico de Família?

- Se quando à noite forem trabalhar para um serviço de Urgência já tiverem ultrapassado a sua quota diária?

Se não aceitarem ser apelidados de “reis da receita”?

Querem que os Médicos apenas atendam utentes não doentes? Como é que vai ser, Sr. Ministro Correia de Campos?"

Nem Sei Que Nome Dar Ao Post! Ai Público, Público!

Tudo começou com uma análise ao perfil dos maiores prescritores do SNS por distrito: a tutela queria saber quem era e o que receitavam os 5 ou 6 maiores prescritores por Sub-região de Saúde.

Também se analisou o que prescreviam.

Depois, decidiu quem de direito, analisar os 14 maiores a nível nacional. Analisar isto é, fazer uma auditoria. Simplesmente uma auditoria clínica.

Mas hoje, o Público já titula "RECEITAS FALSAS", a RTP-1 fala em "EXPULSÕES DA ORDEM DOS MÉDICOS". Fala-se em "INQUÉRITOS DISCIPLINARES".

O bastonário entra no jogo, alarma, até propõe uma "INVESTIGAÇÃO DA POLÍCIA JUDICIÁRIA".

Eu sei porquê. O alvo é uma classe. Depois acusem-me de corporativista...

Será que a entidade que fez a auditoria (a ex-IGS ?) não poderia fazer um desmentido?

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Vidas Desperdiçadas Em Potência (II) : As Freiras.

Um óvulo transformado em ovo por um espermatozóide pode originar, em média e em cada mulher cerca de 444 potenciais vidas.

Não sei quantas freirinhas haverá no planeta, mas muitas vidas potenciais se perderão. Nem todas são como a Soror Mariana Alcoforado.

2. As Freiras
















Hieronymus Bosch, 1450?-1516.
Hertogenbosch, Brabante Setentrional, Holanda.
(retirado daqui)

terça-feira, janeiro 16, 2007

Vidas Desperdiçadas Em Potência (I) : A Masturbação.

Este blogue vai iniciar a publicação de algumas situações a ilegalizar, pois representam perdas em potência de vidas humanas: uma bandeira dos defensores do NÃO.

1. A Masturbação:

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Peter Johann Nepomuk Geiger, Erotic Aquarell about 1840 (Austrian, 1805-1880)

domingo, janeiro 14, 2007

Unsafe Abortion: The Preventable Pandemic. (Aborto Ilegal: A Pandemia Evitável)

É um artigo sério que se pode encontrar aqui: Unsafe abortion: the preventable pandemic (COPYRIGHT 2006 The Lancet Publishing Group).

Para reflexão:

"1 An estimated 19-20 million unsafe abortions take place every year, 97% of these are in developing countries.

2 Despite its frequency, unsafe abortion remains one of the most neglected global public health challenges.

3 An estimated 68 000 women die every year from unsafe abortion, and millions more are injured, many permanently.

4 Leading causes of death are haemorrhage, infection, and poisoning from substances used to induce abortion.

5 Access to modern contraception can reduce but never eliminate the need for abortion.

6 Legalisation of abortion is a necessary but insufficient step toward eliminating unsafe abortion.

7 When abortion is made legal, safe, and easily accessible, women's health rapidly improves. By contrast, women's health deteriorates when access to safe abortion is made more difficult or illegal.

8 Legal abortion in developed countries is one of the safest procedures in contemporary practice, with case-fatality rates less than one death per 100 000 procedures.

9 Manual vacuum aspiration (a handheld syringe as a suction source) and medical methods of inducing abortion have reduced complications.

10 Treating complications of unsafe abortion overwhelms impoverished health-care services and diverts limited resources from other critical health-care programmes.

11 The underlying causes of this global pandemic are apathy and disdain for women; they suffer and die because they are not valued."

Ourique, Já Em Agosto Se Morria Assim...

No Correio da Manhã de 24/08/06, por Alexandre M. Silva:

"Beja - Médicos não garantem 24 horas/dia
Família de acidentado critica serviço do INEM
Alexandre M. Silva

A vítima mortal, Jacinto Baptista, conduzia este veículo da marca Mercedes
Os familiares de Jacinto Baptista, um homem de 64 anos que faleceu no dia 14 de Agosto na sequência de um acidente de viação em Ourique, Beja, vão apresentar uma queixa ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) alegando falta de assistência à vitima no local do sinistro.
“Não compreendemos por que é que o meu pai não foi assistido no local do acidente por uma equipa do INEM e transportado para o Hospital de Beja pela Viatura Médica de Emergência Rápida (VMER), atribuída àquela unidade no dia 7 de Agosto”, acusou o filho, Vítor Baptista. “Os responsáveis dizem que o serviço funciona 24 horas por dia, mas no caso do meu pai foram os bombeiros que lhe deram assistência porque o veículo não estava operacional por falta de médico.”

O falecido, que conduzia um carro de marca Mercedes, sofreu, por volta das 02h30, uma violenta colisão de um outro veículo, no IC1, perto de Aldeia de Palheiros, Ourique. “Esteve três horas encarcerado e quando chegou ao hospital estava quase sem sangue. Acabou por morrer cerca das 11h00.” Vítor Baptista sublinhou ainda que, caso o resultado da autópsia confirme que o seu pai faleceu por falta de assistência irá apresentar uma queixa em tribunal.

LIMITAÇÕES EM AGOSTO

O administrador do Hospital de Beja, Rui Santos, admitiu que alguns turnos da VMER não se realizaram por falta de médicos com curso, mas sublinhou que o INEM tinha conhecimento das limitações do serviço em Agosto.

Sobre o sinistro no IC1, disse que “o falecimento deveu-se, sobretudo, às lesões”. Segundo fonte do INEM, a operacionalidade da viatura está a cargo do hospital e “foram encaminhados” todos os meios disponíveis para o acidente.
"

Só Pode Ser: O Juíz Do Luisão Era Do Benfica!

Outra história de juízes e alcoolemia no Diário de Notícias de 13/01/07, por Inês David Bastos.

"Juiz condenado por conduzir com álcool

Um juiz conselheiro jubilado acaba de ser condenado pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ) pelo crime de condução sob o efeito de álcool. O magistrado do Supremo - residente no Porto - foi apanhado pela Brigada de Trânsito da GNR na Estrada Nacional 218 (que dá acesso ao IP4) a conduzir a sua viatura com uma taxa de alcoolemia de 1,28 gramas por litro, que no teste efectuado mais tarde no Instituto de Medicina Legal do Porto subiu para 1,60. Recorde-se que a partir de 1,20 gramas por litro passa a ser crime.

O juiz conselheiro , segundo refere o acórdão do STJ que o condena a uma pena de multa de mil euros e à inibição de conduzir por três meses, elaborado pelo relator Pereira Madeira na passada quarta- -feira, foi interceptado pela BT no dia 30 de Maio de 2005 às 22.15, quando se dirigia para uma sua residência em Bragança. O caso seguiu para o Procurador-geral da República, que - por ser um juiz conselheiro - requereu ao Supremo o julgamento. O conselheiro pediu a abertura da instrução, alegando não existir qualquer infracção. Com que fundamentos?

A contestação

O juiz-conselheiro alega que a sua conduta não preenche "a tipicidade do crime em causa" por não ser verdade "que tivesse ingerido prévia e voluntariamente bebidas alcoólicas em excesso". O magistrado garante que se limitou a acompanhar a refeição "com meia garrafa de vinho" e um digestivo. E justifica que foi o facto de ter"tomado comprimidos para a dor de cabeça" que inflaccionou a taxa de alcoolemia detectada, com a qual disse ter ficado "surpreendido". O conselheiro argumenta ainda que, se "tivesse consciência do grau de alcoolemia, não teria iniciado a condução", que em mais de 40 anos como encartado "nunca provocou qualquer acidente" e que a viagem que "ia fazer era apenas de seis quilómetros".

Argumentos que não colheram qualquer fruto junto dos seus pares do Supremo, que o condenaram por unanimidade (assinam ainda o acórdão os conselheiros Santos Carvalho e Costa Mortágua).

Argumentos do Supremo

O acórdão sustenta que, para praticar o crime de condução sob o efeito de álcool, basta que a pessoa conduza com uma taxa de álcool no sangue igual ou superior a 1,2 g/l, não sendo sequer necessário o dolo, ou seja, a consciência da condução ilegal. "Qualquer condutor, seja ele quem for, tem de ter certos cuidados básicos durante a condução e antes dela (...) tais cuidados, necessariamente ao alcance das capacidades intelectivas e volitivas do juiz conselheiro (...), eram de redobrada observância", escrevem os juízes do Supremo, considerando que o conselheiro "devia ter evitado beber ou, pelo menos, evitar conduzir depois de beber
".

O CODU E O INEM

Publicitou-se que o CODU já estava em todo o país, mas nunca se disse que o INEM só funciona 24 sobre 24 horas nas grande cidades.

Este morreu e outros morrerão e a culpa nunca morrerá solteira, porque a culpa será sempre do(s) médico(s), nunca do(s) ministro(s), nem de quem planeia...

In TSF on-line:

"INEM demite-se de responsabilidades na morte de homem em Odemira
O INEM considera que as suas equipas médicas fizeram tudo ao seu alcance no socorro de um homem de Odemira, que demorou sete horas a chegar ao hospital em Lisboa, acabando por falecer. O ministro da Saúde quer perceber o que aconteceu de errado.

( 21:03 / 13 de Janeiro 07 )

O INEM considerou, este sábado, que as suas equipas médicas envolvidas no socorro de um homem de Odemira, que demorou sete horas a chegar ao hospital em Lisboa acabando por falecer, fizeram o que os meios disponíveis lhes permitiram.

Após averiguar o ocorrido, Nelson Pereira, director dos serviços médicos do INEM disse, em declarações à TSF, que a actuação dos seus profissionais, «em três momentos diferentes», decorreu «dentro da normalidade».

«Evidentemente que lamentamos sempre que estas situações ocorram», mas «se nos referirmos ao facto de que Odemira é, infelizmente, como algumas zonas do país, deficitária em termos de acessibilidades a cuidados de saúde diferenciados, em determinadas especialidades, é possível que situações destas aconteçam, referiu Nelson Pereira.

Um homem de 54 anos sofreu um acidente, esta segunda-feira, na estrada que liga freguesias de São Teotónio e Mil Fontes, no concelho de Odemira, para onde o centro de triagem do INEM enviou uma ambulância sem qualquer apoio médico.

Posteriormente, a vitima foi levada para o Serviço de Apoio Permanente de Odemira, onde esteve duas horas, embora sem receber o apoio médico devido, tendo em conta que aquela unidade não dispõe de médios para socorrer uma vítima politraumatizada e com lesões cranioencefálicas.

Depois disso, foi chamada uma viatura médica de emergência e reanimação do INEM, estacionada no hospital de Beja, que demorou uma hora a chegar ao local e outra para tentar estabilizar a vítima.

Foi então decidido evacuar o ferido por helicóptero para o hospital de Santa Maria, em Lisboa, mas, dada a gravidade das lesões, o helicóptero teve de voar a baixa altitude e a reduzida velocidade, tendo o indivíduo acabado por morrer.

Nelson Pereira justificou que para o local foi enviada uma viatura sem apoio médico, porque «em Odemira não existem viaturas com apoio médico», mas apenas em Beja, a 100 quilómetros do local.

Em todo o distrito de Beja, o maior do país, apenas existe uma viatura de emergência médica. No entanto, Nelson Pereira adiantou que esta situação pode mudar num futuro próximo, já que «está a ser equacionada, há algum tempo atrás, a possibilidade de ter outras unidades no distrito».

O director dos serviços médicos do INEM relembrou ainda que «o sistema duplicou o número de unidades nos últimos três anos e vai continuar com certeza a alargar a sua actividade».

Questionado pela TSF, o ministro da Saúde, Correia de Campos, mostrou-se «interessado em conhecer» o sucedido, acrescentando que irá «necessariamente actuar procurando conhecer o que se passou» e perceber «se por ventura alguma coisa de errado funcionou».
"

sábado, janeiro 13, 2007

Posição Da Federação Nacional dos Médicos Sobre A Decisão Ministerial De Controlo Electrónico Da Assiduidade

A recente divulgação da decisão do Ministro da Saúde em aplicar o controlo electrónico da assiduidade dos médicos e as reacções que tem suscitado, motivam a seguinte tomada de posição FNAM:

1. O controlo da assiduidade na Administração Pública encontra-se legislado para o conjunto dos vários sectores profissionais, ainda que não ajustado às respectivas especificidades.
Sempre houve casos de incumprimento e de menor empenho em todos os sectores profissionais. No entanto, está amplamente documentado que o incumprimento de horários, o absentismo e a baixa produtividade derivam fundamentalmente de disfunções institucionais e da inadequação dos métodos de organização de trabalho e de gestão.

2. Aproveitando um inquérito da Inspecção-Geral da Saúde que referiu a situação da grande maioria dos estabelecimentos públicos de saúde proceder ao controle da assiduidade através de “livro de ponto”, o Ministério da Saúde tomou a imediata decisão de aplicar sistemas electrónicos a esse controlo sem discussão prévia desta medida com as organizações sindicais. Procurou, ao mesmo tempo, passar para a opinião pública a mensagem de que, com esta medida, visava melhorar o funcionamento dos serviços e aumentar a sua capacidade produtiva. Estava assim encontrado o pretexto e justificação, para responsabilizar terceiros pelos maus resultados da sua gestão e pela incapacidade de reestruturação dos Serviços Públicos de Saúde até agora demonstrada pela actual equipa ministerial.

3. O controlo burocrático da assiduidade, electrónico ou por outros meios, é apenas um dos instrumentos de gestão e não seguramente o mais importante nas organizações modernas. Ao colocar o acento tónico no estrito cumprimento dos horários como forma de aumentar a produtividade, o Ministério da Saúde procura demitir-se de promover mecanismos de regulação interna centrada na contratualização, com alteração das regras de gestão intermédia das organizações de saúde e da criação de incentivos que discriminem positivamente os profissionais mais empenhados. Acresce ainda que a desresponsabilização dos Directores de Serviço e o esvaziamento do seu importante papel na garantia da concretização dos objectivos assistenciais, vem pôr em causa a desejável autonomia das unidades funcionais.

4. É uma evidência que o Ministério da Saúde tem sido incapaz de definir e contratualizar objectivos de produção para os serviços públicos de saúde, designadamente a nível das unidades hospitalares. Se assim não fosse, já há muito teria desenvolvido esforços na implementação dos Centros de Responsabilidade Integrados (CRI), em vez de continuar a ignorar a legislação que os consagra e que continua em vigor. Simultaneamente, nunca apresentou quaisquer medidas incentivadoras de aumento da produtividade destes serviços, limitando-se a focalizar a sua intervenção em cortes, sem critérios, nas despesas e nos recursos humanos.

5. A gestão de recursos humanos tem sido desastrosa. Pela forte desmotivação que origina, em nada contribui para a produtividade o sucessivo adiamento das negociações do Acordo Colectivo de Trabalho para os hospitais EPE e sobre Carreiras Médicas, deixando milhares de médicos sem qualquer enquadramento socioprofissional, à mercê do arbítrio das administrações.
O recente episódio com os médicos internos, que levou ao adiamento da colocação nas especialidades por o Ministério da Saúde não conseguir dar cumprimento às normas regulares de funcionamento quanto ao início de funções no Internato de 2007, é elucidativa do pouco respeito que os profissionais lhe merecem. Ao frustrar expectativas de jovens que anseiam entrar na vida profissional, o Ministério da Saúde não deu um sinal motivador a estes colegas em início de actividade.

Em defesa do direito constitucional á saúde e dos interesses socioprofissionais dos médicos, a FNAM continua empenhada na dinamização de soluções credíveis e tecnicamente sustentadas que visem reforçar o insubstituível papel das carreiras médicas e do SNS.


A Comissão Executiva da FNAM



Lisboa, 11 de Janeiro de 2007

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Não Era Personalidade Pública!

Assim se combate o alcoolismo em Portugal e na juventude:

- Quem é personalidade pública pode beber em excesso, que está perdoado!

- Se for "Comissária da PSP detida com álcool a mais"


No Portugal Diário de 10/01/07, por Cláudia Lima da Costa

"Agente conduzia com 2,39 g/l de álcool no sangue e teve acidente


"66 condutores detidos em operações stop.
205 condutores com excesso de álcool.

Uma comissária da PSP de Leiria foi detida na madrugada desta quarta-feira por estar a conduzir com uma taxa de alcoolémia de 2,39 g/l. A oficial da PSP foi detida pela GNR depois de ser interveniente num acidente de viação em Santo Antão de Leiria.
Segundo a PSP confirmou ao PortugalDiário o acidente de trânsito ocorreu às 2h00 da madrugada. A Brigada de Trânsito foi chamada ao local e depois de efectuar o teste de álcool constatou que a agente apresentava mais de 1,2 g/l e como tal teria que ser detida.
A Comissária foi presente ao juiz já nesta quarta-feira e enfrenta agora um processo-crime e um processo disciplinar na PSP.
"

Se o juiz fosse médico, era negligência.

Mas falou-se no juíz? Não! Só no Luisão.

(Esta minha mania de me sentir perseguido...)

terça-feira, janeiro 09, 2007

É Impossível Trabalhar Assim !

in Tempo Medicina, de 2007.01.08

Artigo do Prof. José Manuel Silva*

Em meu nome pessoal e no dos médicos, reclamo das condições em que
somos obrigados a trabalhar e declino quaisquer responsabilidades
pelos erros que possam ser cometidos em situações de sobrecarga nos
serviços de urgência de qualquer instituição de saúde

Excluindo os cada vez mais raros dias de relativa acalmia, amiúde a
procura da Urgência dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC)
ultrapassa amplamente a sua capacidade de resposta com eficiência.
No espaço central da Urgência, que foi dimensionado para 17 macas, é
frequente estar o dobro, o triplo, ou mais, de doentes!
Como especialista em Medicina Interna, estive de serviço à Urgência
dos HUC no passado dia 26 de Dezembro, das 9 às 21 horas. Nesse dia,
das zero às 24 horas, 604 doentes recorreram à Urgência (incluindo a
maternidade)! Na Urgência do Bloco Central, durante o dia, foram
admitidos quase 50 doentes por hora! Um verdadeiro mar de gente, que
provocou atrasos inaceitáveis, logo para a realização da primeira
triagem, e muitas horas de espera para os doentes menos urgentes.
Não é possível responder com atenção, humanidade, acuidade e
qualidade a tantos doentes, com as mais variadas queixas, patologias
e necessidades. O espaço físico não comporta esta quantidade e os
recursos humanos e técnicos, sobretudo os primeiros, são claramente
insuficientes nas horas de maior sufoco.
Em dias de maior enchente não há condições para observar os doentes,
nem macas suficientes para os deitar! Interrogamos um doente e estão
vários a escutar a conversa! Observamos outro doente e somos
acompanhados pelo olhar atento de uns quantos! Queremos auscultar um
coração mas o ruído de fundo parece o de uma discoteca! Necessitamos
de medir a tensão arterial e temos de ir, em verdadeira gincana
entre cadeiras e macas, buscar um aparelho que, muitas vezes, existe
em número insuficiente! Palpamos abdómens com doentes sentados
porque não há um local apropriado para os deitar! Queremos
concentrar-nos nos problemas de um doente e está outro a clamar para
que o despachemos! É necessária uma glicemia capilar mas, no meio da
confusão, já ninguém sabe onde está a máquina! É importante
administrar um medicamento ou colher sangue para análises, mas os
enfermeiros estão todos sobreocupados! É preciso transportar um
doente à ecografia, mas não há auxiliares disponíveis! Chega um
doente grave e está outro a gritar por um urinol! Os telefones tocam
por informações (por vezes, sobre o mesmo doente, são inúmeros
telefonemas!) ao mesmo tempo que os doentes (os que falam) solicitam
assistência! Tão depressa um doente está em risco de aspirar um
vómito quanto é necessário acorrer a um doente desorientado à beira
de se atirar da maca abaixo! Os frascos de soro de 100 cc esgotaram,
pelo que é necessário desperdiçar mais tempo a preparar diluições
com frascos de 500 cc! Etc., etc., etc...

Carta ao director clínico
Em Agosto de 2006 escrevi ao director clínico dos HUC uma carta, da
qual transcrevo o seguinte excerto: "O dia 22 de Agosto foi um dia
de enorme afluência de doentes à Urgência dos HUC, o que implicou um
trabalho profundamente absorvente e desgastante. O mal desenhado
espaço da Urgência (para o tipo de urgência hospitalar que ocorre em
Portugal) mais parecia uma feira, com ruído, confusão, gritos,
ordens, maus cheiros, falta de privacidade, calor, chamamentos,
lamentos, doentes em terceira fila, stress, pessoal subdimensionado,
etc. Os exageros da triagem de Manchester e os conselhos do ministro
da Saúde para que os doentes recorram às urgências hospitalares
vieram piorar o frágil desequilíbrio anterior. Como dizia um colega
ortopedista, quando sentia a agitação no seu sector da Urgência como
demasiada vinha apreciar a babilónia da sala de Medicina, o que lhe
permitia regressar mais animado e reconfortado à Ortopedia".
É completamente impossível trabalhar com qualidade desta maneira.
Para bem dos doentes, como profissionais de saúde tentamos cumprir a
nossa obrigação o melhor que podemos e sabemos, mas, como um dos
porta-vozes dos médicos, não posso deixar de denunciar que, ao
sermos compelidos a trabalhar nestas condições, seguramente que não
podemos evitar alguns erros que, de forma alguma, podem vir a ser
imputados à responsabilidade médica.

Denunciar nas instâncias apropriadas
É no cumprimento do parecer do Conselho Nacional do Exercício
Técnico de Medicina, da Ordem dos Médicos, sobre Recursos Humanos no
Serviço de Urgência, que escrevo estas linhas. Efectivamente,
segundo esse parecer, «os médicos devem denunciar, nas instâncias
apropriadas, a falta de recursos técnicos e/ou humanos para o
exercício da sua actividade com dignidade e segurança para os seus
doentes, não poderão, no entanto, declinar responsabilidades do que
ocorrer durante este exercício de actividade, em nome das ditas
insuficiências. Porém, na Constituição da República, no ponto 2 do
art.º 271.º, afirma-se: "É excluída a responsabilidade do
funcionário ou agente que actue no cumprimento de ordens ou
instruções emanadas de legítimo superior hierárquico e em matéria de
serviço, se previamente delas tiver reclamado ou tiver exigido a sua
transmissão ou confirmação por escrito"».
Infelizmente, os problemas que aponto à urgência dos HUC, apenas
porque os vivo intensamente cada vez que estou de serviço, são
extensíveis a muitos outros hospitais, senão a todos eles. Durante o
mesmo período, 540 doentes recorreram ao Serviço de Urgência do
Hospital de Aveiro, um hospital com muito menos recursos e que está
a rebentar de problemas de gestão! No dia 1 de Janeiro a Urgência do
Santa Maria foi um caos total, conforme vem referenciado na
comunicação social. Não é possível continuar assim!

Declinar responsabilidades
Por tudo isto, em meu nome pessoal e em nome dos médicos, ao abrigo
do art.º 271.º da Constituição, venho reclamar das condições em que
somos obrigados a trabalhar e declinar quaisquer responsabilidades
pelos erros que possam ser cometidos em situações de sobrecarga de
doentes nos serviços de Urgência de qualquer instituição de saúde.
Quem fecha serviços de atendimento permanente nos centros de saúde
sem alternativas efectivas, quem pretende encerrar serviços de
Urgência sem uma reforma profunda do sistema de Saúde, quem
desorganiza serviços de Urgência com a contratação de empresas de
mão-de-obra médica desligada da respectiva instituição, quem não
cuida de criar mecanismos de assistência aos idosos que dispensem o
recurso sistemático à Urgência hospitalar, quem não investe a sério
em verdadeiros cuidados paliativos, quem se preocupa mais com o
orçamento do que com os doentes, quem não tem conhecimento
suficiente para introduzir reformais racionais e não racionamento
cego, quem não dimensiona os recursos técnicos e humanos de forma
dinâmica em função das necessidades, quem não resolve os
constrangimentos ao fluxo de doentes, quem concede populares
tolerâncias de ponto sem cuidar de mecanismos de compensação e
rotatividade (só para as greves é necessário assegurar serviços
mínimos?), etc., etc., etc., quem governa deficientemente que assuma
integralmente as suas responsabilidades!
Basta! Não é justo nem aceitável que os médicos possam ser
responsabilizados pelas inevitáveis consequências negativas e
desnecessários riscos e prejuízos para os doentes que decorrem dos
cortes irracionais e dos erros e insuficiências de gestão e
organização dos responsáveis governamentais e seus representantes, e
da falta de condições adequadas para a prática de uma Medicina
humanizada e eficiente. É profundamente lamentável estar a perder-se
mais uma oportunidade para uma verdadeira, global e coerente reforma
do Serviço Nacional de Saúde.

*Presidente do Conselho Regional do Centro da Ordem dos Médicos
Subtítulos e destaques da responsabilidade da Redacção

8 de Janeiro de 2007 o2/n1545/t1/G.L

sábado, janeiro 06, 2007

Um Comentário Sobre A Medicina Privada

Medico Explica disse...

Quando se fala de medicina privada, está-se a falar de muita coisa.

● da banca e seguros e dos seus hospitais que estão sempre de vento em popa,

● de nichos de privada como é a fisioterapia (que vive de convenções e de prolongamentos escandalosos de tratamentos... é um caso para a ex-IGS),

● da estomatologia e da oftalmologia em que o Estado se demitiu completamente,

● da pediatria (outro escândalo, pois os pediatras que "sugam" contos e contos só para dizerem "o seu filho está muito bem!" e quando estão de facto doentes têm sempre o telemóvel desligado, entupindo os saps, os médicos de família e as urgências hospitalares),

● dos Profs. e outros, que delegam a consulta nos seus "ajudantes", mas a receitinha leva sempre o seu nome e

● de outros ainda que se valem do lobie na comunicação social (o jet-set da medicina como be disse CF)

e também da pequena privada, pequenos e médios consultórios das cidades, vilas e aldeias com forte tendência para desaparecer.... como o estão a ser o único local onde os doentes do interior podiam ter consultas públicas fora de horas: os SAPS.

Mas o senhor Ministro CC dos SAPS, só conhece o da sua rua, na capital... POR ISSO NÃO O FREQUENTA E DIRIGE-SE LOGO À URGÊNCIA HOSPITALAR, NA CAPITAL, POIS CLARO...

12:24 PM

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Hoje Fui Roubado!

Fiz o pagamento à Entidade Reguladora da Saúde.

Fui equiparado aos Mellos, aos Esprito Santos e por aí.

domingo, dezembro 31, 2006

Mais Uma Calinadazinha...

Na Sicnotícias, sobre transplantação hepática:

"risco de vida"

como não consegui perceber, presumo que se queriam referir a "esperança de vida".

sábado, dezembro 30, 2006

Porra! Admite-se Isto No Mundo?

O meu comentário:

1) A justiça dos vencedores.
2) A pena de morte é uma ilusão.
3) A frase hipócrita de Bush, de que a democracia iraquiana se alicerça com a morte deste homem (e com a de milhares de outros, mais do que este já matou, ex-aliado do Pai Bush!)
4) Como médico, defendo a vida e não a morte.

No Expresso on-line de hoje:

Saddam: advogado Najib Al Nueimi em entrevista exclusiva ao Expresso
"O enforcamento é a humilhação"
Henrique Cymerman, correspondente em Telavive

Para o causídico que o defendeu, o ex-ditador estava condenado à partida. «Quando a filha dele me contratou, disse-lhe: pedes-me que participe na execução do teu pai».

Como avalia o processo judicial?

Uma tragédia. Sabe que 26 assessores norte-americanos, incluindo um canadiano, acompanharam o julgamento, manipularam a ordem dos trabalhos e chegaram a inventar provas? Trouxeram testemunhas do Ministério Público que em 1982 eram muito pequenos, razão pela qual a lei não os aceita como tal. Pedi ao juiz que invalidasse esses testemunhos, o que não aconteceu. Vimos o juiz Rauf Abd el-Rahman (de origem curda) a expulsar o meu colega norte-americano Ramsey Clarck só porque exigiu que a defesa participasse nas últimas audiências do julgamento. Recordo que nos apresentaram uma lista de pessoas cuja execução tinha sido alegadamente ordenada. Procurámos e encontrámos testemunhas que afirmavam que um deles era seu primo, que estava vivo, e que se encontrava em Dujail. Outra disse que aquele era seu vizinho e que ainda ontem o tinha visto. Casos destes repetiram-se. Exigiram que o demonstrássemos e que fossemos a Dujail. Quero esclarecer que se o tivéssemos feito, não teríamos regressado porque teríamos sido executados pela população de lá.

O facto de se ter dado a conhecer a sentença neste preciso momento tem algo a ver com as eleições nos Estados Unidos?

Sem dúvida, os republicanos continuam a enganar o povo americano e a afirmar que salvaram o Iraque, que levaram a calma e a tranquilidade ao povo iraquiano e que agora haverá justiça no país.

É obvio que não há calma nem tranquilidade no Iraque. São os seguidores de Saddam Hussein os responsáveis por isso?

É quase seguro que não. Os seguidores de Saddam constituem apenas 10% do total da oposição iraquiana, maioritariamente composta por membros de grupos radicais islâmicos.

No caso de ser condenado à pena capital, Saddam Hussein já expressou o desejo de ser fuzilado. Porque é que a sentença fala de enforcamento?
Não querem permitir-lhe a glória de morrer como um militar, apesar do promotor público ter expressado o seu consentimento no fuzilamento.

É claro que o enforcamento implica a humilhação do presidente.

Quando é que será apresentado o recurso?

Esse direito caduca ao fim de 25 dias, pelo que, na próxima semana, entraremos com o pedido em tribunal. Mas tudo isto é uma tragédia, um tipo de representação montada, com injustiça e mau gosto. Não me parece, de todo, provável que anulem a pena capital do presidente Saddam Hussein.

P Saddam foi um ditador que fez muitos inimigos durante o tempo que foi presidente. Você como seu advogado já sofreu perseguições e ameaças de morte. Isso não o dissuadiu?

O advogado é o escudo da justiça. Nada poderá dissuadir-me de continuar a ser o defensor do presidente. Na verdade, além das ameaças telefónicas contra a minha vida e a da minha família, ao sair de uma das audiências um guarda iraquiano sacou a sua arma, apontou-a à minha cabeça e ameaçou-me dizendo que o meu final estava próximo. Num outro momento, quatro membros das forças de segurança iraquiana bateram-me porque eu tinha protestado pelo seu comportamento em relação a uma testemunha da defesa, a quem tinham também espancado selvaticamente. Esta é a ocasião para recordar o nosso companheiro, o advogado iraquiano Jamis ao-Obeidi, cruelmente assassinado por ser membro da defesa.

Chamou-nos a atenção o facto de durante todo o processo judicial, Saddam Hussein ter na mão um exemplar do Corão. Mas ele nunca foi um muçulmano muito praticante. Porquê?

É verdade, esse livro tem uma história. Depois da sua detenção, o presidente Saddam pediu aos seus carcereiros, os soldados norte-americanos, que lhe permitissem sair a fim de se lavar e preparar para a oração. Eles acederam, e ao sair viu um exemplar do Corão no chão, rasgado, parcialmente queimado e atravessado por um tiro. Tomou-o nas mãos e os norte-americanos quiseram dar-lhe um livro novo, mas ele negou-se e disse-lhes: só podereis tirar-me este livro depois de morto. Tratava-se de um livro do seu palácio, que ele via como a sua salvação e amuleto.

Saddam escreveu as suas memórias? Quando serão publicadas?

Sim, escreveu as suas memórias e também escreveu poesia porque é um género que lhe agrada muito. Suponho que o que escreveu está em poder da sua família, e são eles que decidirão o que fazer.

Publicado na edição impressa em 11/11/2006

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Porra! Admite-se Isto Em Portugal!

Estou tão revoltado, como está revoltado aquele pescador que repete inúmeras vezes

"Admite-se Isto Em Portugal!"

Deixar morrer 6 pescadores a metros de uma praia, com uma base aérea a 5 minutos, com alertas desde as 7 da manhã. Não se pode admitir.

Tem que haver culpados! Tem que haver negligência!

Se alguma instituição de saúde estivesse implicada, já haveria ministros a prometer inquéritos e os media em coro, já se interrogavam: "Mas estará algum médico ou enfermeiro envolvido?" Temos que lançar a dúvida.

(Um dia antes já os ministros em coro afirmavam: "Vamos exigir ao Procurador da República um inquérito rigoroso ao Centro de Saúde e ao Hospital e à CPCJ!"

Uma educadora foi observando o desfilar de lesões numa criança ia, ia e só depois de muitos "ias" é que reportou há dias à CPCJ.

Umas lágrimas na TV e os ministros em coro vão para o inquérito geral. Alguém se lembrou de inquirir a educadora? )

No português mais vernáculo que ouvi dezenas de vezes quando em criança convivia com pescadores e assistia a manobras arriscadas, faço minhas as palavras deles:

"Foda-se, ide todos pró caralho.
Morreram seis pescadores a metros da praia e ninguém fez nada!

Puta que vos pariu a todos.

O caralho de um helicóptero demorou 2 horas a chegar.

Admite-se isto em Portugal.
Foda-se, foda-se, foda-se.

E ninguém faz nada? Algum ministro falou?
Alguma punheta d'um ministro disse que ia abrir um inquérito?

Algum cabrão do caralho de um jornal insinuou alguma coisa? Isto é tudo a mesma merda!

Ninguém tem colhões neste país!"

Corre-me o mar nas veias.
Cresci a ouvir histórias de pescadores.
Algumas gerações atrás, talvez quatro, tive um ascendente que sulcou várias vezes o Atlântico.

Não posso ficar indiferente à indiferença deste Portugal e destes ministros.

E mais 6 pescadores morreram, não foi em directo, porque os media também se atrasaram.

Ai se chegassem a tempo! Que grande espectáculo.

Afinal foram só seis pescadores, nenhum era médico.

Morreram...

Porra! Hoje É Qu'eu Ia P'os Anjinhos!

E tudo por causa de um genérico!

Dedo em riste, apontado para a cara do médico (a minha), debruçado na secretária (ainda eu sorria desejando-lhe um bom dia), explodindo cólera e atirando-me com uma caixa de um medicamento:

- "Nunca mais me faça isto! O que eu sofri por sua causa!"

Resumindo e concluindo: tinha trocado um determinado medicamento de marca por um genérico, por sinal o único no mercado. E como habitualmente, após avisar e ter o acordo do doente.

Mas o mais importante nesta história é que o doente tinha razão, isto é, pelos sintomas que me descreveu, era óbvio que houve falência terapêutica que diminuiu bastante a sua qualidade de vida.

Enfim, sobrevivi...