domingo, novembro 26, 2006

De Acordo!

Na revista XIS do Público, de 25 de Novembro, por Marta Condesso, de Aveiro.



"Às Médicas que assistiram o Meu Pai

Esperei, propositadamente, o passar do tempo, para que não questionassem a lucidez das minhas considerações. Sou filha de um doente oncológico, falecido há um ano. O que se segue não são, portanto, palavras precipitadas (de quem está "louco" com a dor de uma perda recente).

Venho, porque me impus este dever, convencida que estou de não falar só por mim, mas também em nome de muitas outras famílias. E na esperança (vontade séria e profunda) de que origine reflexão e mudança.

Venho pela distância (inaceitável). Venho pelo desacompanhamento. Venho pela inexistência de relação médico-paciente. Venho pelo sempre pouco tempo. Pela indisponibilidade manifesta. Venho pelo(s) silêncio(s). Venho por uma "parede" difícil de enfrentar (quando as forças eram precisas noutras "frentes"). Venho pelos monossílabos, "gelados", em que nos falavam: em voz baixa, de olhos postos nos papéis ou no écran do computador; depois de intermináveis momentos de indiferença à nossa presença (nunca desnecessária, abusiva, ignorante): nós, ali, ao alto; humildes e em sofrimento.

Venho porque ouvir o meu pai (juiz desembargador, portanto, "viciado" na racionalidade, moderação e contenção dos seus juízos) dizer "Eu não hei-de morrer a estas mãos!" foi terrível. E é grave.

Estou obviamente consciente do avultado número de doentes; da responsabilidade do vosso trabalho; da escassez do vosso tempo e da excelência do vosso saber científico. Mas não é isso, evidentemente, que está em causa. Falo da Dignidade na doença (da privação dela!), quando mais do que nunca ela é importante. Falo de um grau mínimo de exigência...

Refiro-me a toda uma (outra) atitude; a um outro uso do mesmo tempo em consulta: olhar (Olhar nos olhos) é fundamental e básico numa relação que se pretende de confiança; cumprimentar e despedir com um sorriso; revelar uma disposição e um ânimo atentos; transmitir disponibilidade e calma; mostrar interesse e empenho (em vez de um distanciamento terrivelmente constrangedor), não é "leviandade" nem nada tem a ver com a gravidade do problema ou com "falsas esperanças".

Exercer Medicina numa área particularmente difícil como é a vossa, em que difíceis serão sempre todos os pacientes (independentemente dos diagnósticos: mais felizes ou menos), só pode obrigar a um relacionamento especial: de mais comprometimento; mais exigente; mais sensível; mais entregue! Estabelecê-lo parece-me uma obrigação profissional. Melhorarem (melhorarem muito, na minha opinião): uma urgência.

Há uma percentagem no Sofrimento (todo) do meu pai, por que o vosso comportamento é responsável. E isto é difícil de esquecer... Acrescentar-se a tantos sentimentos "negros e fundos", que já suporta uma pessoa gravemente doente, a sensação de absoluto abandono, de solidão e frieza, em relação ao seu médico, será com certeza negligente.

Resta-me lamentar ainda que, com este não-envolvimento (no que respeita à dimensão humana — que tentei expor e que não pode considerar-se um "extra") percam a oportunidade de conhecer pessoas incríveis, raras, maravilhosas (e perdoem-me a parcialidade de acrescentar: como o meu pai), que passam por essas salas (às vezes durante tanto tempo). É uma pena. É uma pobreza. Mas é, acima de tudo, profundamente injusto.

Despeço-me, com a tranquilidade do "dever cumprido": escrevendo, tento que não volte a acontecer com ninguém!

13 de Novembro de 2006
"

O que gostava de saber:

- A que nível de cuidados de saúde se passou?

- Qual a duração da doença?

- Como evoluiu a fase terminal da doença?

- A posição das médicas?

- Existiu o sentimento de impotência? Ou de desleixo? Ou de frieza?

- Não teriam faltado os cuidados paliativos ou continuados?

Condolências Ao Jornalismo Português.

sábado, novembro 25, 2006

Será Que É Solução?

No Expresso de hoje, por Ana Sofia Santos:

"Laboratórios cortam emprego

As principais empresas farmacêuticas já iniciaram a vaga de dispensas prevista dos delegados de informação médica
Alterar tamanho

Os delegados de informação médica (DIM) vivem dias difíceis, acossados pelo fantasma do desemprego. Fala-se na existência de uma estratégia concertada entre os principais laboratórios farmacêuticos, que actuam no mercado português, para aliviar os quadros de pessoal.

Os nomes ventilados são: Pfizer, Glaxo Farmacêutica, Sanofi Aventis, Solvay Farma, Wyeth Lederle, Merck Sharp & Dohme, Bristol-Myers Squibb e Serono. Serão à volta de centena e meia os delegados que já aceitaram rescindir o contrato de trabalho e aqueles que foram contactados para negociar a sua saída. Numa altura em que a especulação se espalha como um rastilho de pólvora, consta mesmo que na calha está a eliminação de mil postos de trabalho, nos próximos meses.

Aliás, corre que existe um acordo informal entre o Governo e a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma), para reduzir em 23% o total de DIM que existem actualmente (7887, segundo o Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento), até 2008. O objectivo é refrear as vendas de medicamentos e o consequente aumento da despesa pública com comparticipações.

Fonte oficial do Ministério da Saúde afirma desconhecer qualquer acordo que estabeleça uma meta deste tipo. E a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma) nega peremptoriamente a existência de um compromisso oficioso. A porta-voz da associação confirma a onda de despedimentos no sector e remete a culpa dessa situação para o Executivo. “É o resultado das sucessivas baixas nos preços dos medicamentos impostas pelo Governo”, atira, acrescentando que a indústria farmacêutica em Portugal atravessa um período de “recessão”, que a está a obrigar a proceder a reestruturações nos quadros de pessoal. O aumento da concorrência dos medicamentos genéricos é outro factor de pressão.

A Glaxo não comenta o assunto, mas o Expresso apurou que o laboratório rescindiu com 21 trabalhadores, aos quais foram oferecidas condições acima da lei. Houve casos de delegados que ficaram com o carro e o telemóvel de serviço e que continuam a usufruir do seguro de saúde, ainda durante algum tempo. O mesmo terá acontecido com 20 colaboradores da Wyeth, que contactada pelo Expresso respondeu: “as recentes mudanças na nossa organização fazem parte da nossa estratégia de liderança, que por ser confidencial não pode ser comentada em detalhe”.

Na Pfizer deverão ser dispensadas 25 pessoas. Grassa um sentimento de insegurança entre os delegados deste laboratório, face aos rumores de despedimento colectivo. “No quadro de condicionantes imposto pelo Estado é natural que tenham lugar processos de reestruturação. A Pfizer também está confrontada com a necessidade de lidar com este tipo de situação, o que fará, como é seu hábito, avaliando e procurando minimizar o seu impacto social”, garante a farmacêutica.
Quanto à Solvay Farma, o seu director-geral, Álvaro Rosa, afirma que o laboratório “não faz despedimentos”. Embora admita que a empresa está em reestruturação (comprou recentemente a Fournier Farmacêutica), nega a existência de qualquer saída de pessoal. No entanto, ao Expresso chegou a informação que houve rescisões amigáveis na Solvay (6 a 8) e que há contratos da Fournier que não serão renovados (12).

A Merck e a Sanofi (a reestruturação da segunda implica 70 baixas) também não comentam e, até ao fecho desta edição, não houve respostas por parte da Bristol-Myers e da Serono.
"

quarta-feira, novembro 22, 2006

Tributo

"Boa Noite

É uma honra para mim ter na caixa de correio uma mensagem sua. Da jornalista Rita Marrafa de Carvalho.

Mas infelizmente não a posso ajudar porque deve haver um qualquer engano: não assisti ao acidente que descreve!

Continuação do seu óptimo trabalho.

Com jornalistas como você, este blogue não teria necessidade de existir
!"

-----Original Message-----

From: Rita Marrafa de Carvalho [mailto: @rtp.pt]
Sent: terça-feira, 21 de Novembro de 2006 13:50
To: memai@sapo.pt.
Subject: Reportagem

Boas-tardes,

sou jornalista da RTP e blogger activa. Foi por aí que
tive acesso à informação de que o Dr. teria assistido e
acompanhado Daniel, um menino de 13 anos cujos pais
morreram num acidente no IP4. .../....

Gostaria de saber se tem disponibilidade, caso esta
informação se confirme, para conversar um pouco comigo.
Obrigada,

Rita Marrafa de Carvalho

..................................
Rita Marrafa de Carvalho
Jornalista


R.T.P.
Avenida Marechal Gomes da Costa
217947000
"

Notícia Que Desejo A Todos

Exame macroscópico:

Já fixados, fragmentos de tecido irregulares, membranáceos, rosa esbranquiçados, tendo no conjunto o diâmetro de 0,4 cm. Inclusão total.

Estudo histológico:

Retalhos de mucosa ……. parcialmente revestidos por epitélio transicional com presença de pequenos ninhos de V….. B….. Lâmina própria com ligeiro edema e vasos congestivos.
Não se observam aspectos suspeitos de lesão tumoral
.”

quarta-feira, novembro 15, 2006

Ontem Na RTP ...

... pela voz de um dos mais credíveis jornalistas portugueses foi dada a conhecer uma nova doença oftalmológica:

a AMBLIO.

A Idade Do Álcool

No Primeiro de Janeiro de 12 de Outubro:

"Consumo de álcool apenas aos 18 anos


O director do Centro de Alcoologia do Centro defendeu, em Coimbra, o aumento da idade permitida para consumir álcool dos 16 para os 18 anos.

“A permissividade é muito grande. Não tem havido vontade política para intervir rapidamente nesta área”, afirmou Augusto Pinto, à margem de uma sessão em que alertou a população universitária coimbrã para os perigos do consumo.

De acordo com o director do CRAC, o aumento justifica-se porque a educação para a saúde e a prevenção não são suficientes para evitar o aumento do consumo entre os jovens.

“São produtos baratos e acessíveis, pelo que tem de haver uma redução da oferta com intervenção rápida a nível de estratégias de limitação do acesso”, preconizou, lembrando que os 18 anos vigoram em grande parte dos países europeus e só Portugal, França e a Itália apresentam os 16 como limite mínimo para a aquisição e consumo."


Só não compreendo a notícia. Há dezenas de anos que se sabe que a capacidade regeneradora das células hepáticas mortas com a ingestão de álcool só está perfeitamente desenvolvida lá para os 18 anos...

Tem sido mais um lóbie nefasto...

domingo, novembro 12, 2006

HIV/SIDA: Prevalência - 0,4%...

Estamos em era de mudança.

A SIDA já não é o que era. A doença transformou-se em doença crónica, as mortes vão diminuindo e aquelas imagens de há uma década de doentes moribundos nas camas dos hospitais (e por isso nasceram as várias associações de apoio) já escasseiam.

O HIV/SIDA é uma doença "normal", de baixa prevalência, de conhecida prevenção e de bom controlo a longo prazo, caro, é um facto.

O lóbie da SIDA vai-se ressentindo.

É natural que algumas associações comecem a não ter doentes para apoiar, pois estes já podem fazer a sua vida integrados na sociedade.

É, portanto, tempo de canalizar o orçamento disponível para a medicação crónica e deixar de subsidiar associações que já não tem razão de existir.

As guidelines internacionais assim apontam...

Três associações que trabalham na área da sida em Portugal afirmam que estão “à beira da ruptura” por falta de financiamento e “na eminência de fechar as portas aos projectos já aprovados”. Acusam o Estado de não ter capacidade nem vontade de ajudar quem precisa.

As associações Abraço, Positivo e Sol, num comunicado conjunto, reagiram ontem às recentes declarações do Coordenador Nacional para a Infecção VIH, Henrique Barros, que no passado domingo admitiu o falhanço do programa de prevenção e combate a este síndroma.

“Os resultados mostram claramente que sim”, respondeu Henrique Barros quando questionado sobre se o programa ainda em curso tinha falhado.

Perante esta afirmação, decidiram tomar uma posição conjunta, na qual atribuem à falta de diálogo com as associações, “que se encontram no terreno há mais tempo e que melhor sabem sobre esta matéria”.

As denúncias estendem-se à situação da Comissão Nacional da Infecção pelo VIH (CNIVIH): “A CNIVIH encontra-se, do ponto de vista administrativo e financeiro, literalmente sem técnicos, pois os contratos de trabalho dos mesmos não foram validados atempadamente”. Para as associações, “quem fica a perder” é “o comum cidadão que não tem voz activa”.

As três associações alertam para o facto de “reencaminhar para o Governo todos os utentes que o Estado não tem capacidade, nem vontade de ajudar”, declarando que estão “à beira da ruptura” por falta de financiamento e “na eminência de fechar as portas aos projectos já aprovados”.


Nota de roda-pé:

As mortes em Portugal estacionaram,não aumentando. Nos restantes países a taxa de mortalidade continua a diminuir desde o aparecimento dos novos fármacos há uma década.

sexta-feira, novembro 10, 2006

A Letra De Médico...

TM 1.º CADERNO de 2006.10.11

"E ESTA?
Receita para analfabetos
De vez em quando, lá vem a «letra de médico» para animar a difícil relação dos prescritores com as farmácias. Aqui, nesta secção, ainda há bem pouco tempo remoçámos o assunto, com o recurso aos dados de um estudo da agência americana do medicamento — FDA — e com o alerta de que já há médicos condenados, nos Estados Unidos, por causa da ilegibilidade da escrita.

Na sequência, um leitor atento recordou ao «TM» uma saborosa estória de uma Lisboa distante, a dos alvores dos anos 40. João Armando de Aragão e Rio, assim se chama o médico que nos escreveu, conta que um dia um trabalhador das obras se despediu da sua empresa para rumar a um novo emprego, no Porto. Pediu, então, uma carta de apresentação — elogiosa, já se vê — para o seu futuro patrão. Mas o problema é que tão analfabeto era o empregado como o patrão, que de forma desenrascada, rabiscou uma folha de papel e meteu-a dentro de um envelope.

O trabalhador, legitimamente curioso, terá pedido a um polícia que lhe lesse a carta, mas o cívico, também analfabeto, remeteu o homem para a farmácia próxima, onde decerto lhe atenderiam o pedido. E assim foi. Depois de uma espera na fila, lá chegou o trabalhador à sua vez. Num ápice, o homem da farmácia pegou no papel rabiscado, desapareceu no interior e trouxe uma receita aviada, com a solene indicação de que deveria ser tomada três vezes ao dia…
E esta?

D.C
."


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A Saúde vs A Doença vs O Financiamento vs O Lucro

No Diário Económico de 2006-10-13:

Comissão para a reforma do sistema de saúde considera que SNS é viável

A Comissão que estuda o financiamento do SNS não vai defender grandes alterações ao actual modelo. Na opinião dos peritos, a sustentabilidade do sistema passa apenas pela melhoria nos pontos críticos.”

No Público de 2006-10-13:

Maior clínica privada do país abre em Cascais


Nova unidade do Grupo Português Saúde
vai criar 200 novos postos de trabalho

A Clínica Unimed Cascais, uma unidade de saúde privada que é a maior do seu género no país, vai abrir na primeira semana de Novembro com um total de 27 especialidades destinadas a servir 750 mil pessoas dos concelhos de Cascais, Oeiras e Sintra.
A unidade pertence ao Grupo Português Saúde (GPS) e representou um investimento superior a 20 milhões de euros, prevendo-se que venha a criar 200 novos postos de trabalho directos...
por Alexandra Reis”

1999

No Público de 12/10/2006.

"Médicos dos centros de saúde usam manual de 1999

Os médicos de família necessitam de mais informação sobre a resistência aos antibióticos, disse Alberto Pinto Hespanhol, revelando que os profissionais nos centros de saúde dispõem apenas, para se guiar na prescrição, de um Manual de Práticas Terapêuticas Antimicrobianas feito por especialistas espanhóis em 1999.

Para o director do Centro de Saúde de S. João e professor da Faculdade de Medicina do Porto, a estratégia para diminuir o uso de antibióticos e os níveis de resistência antimicrobiana passa pela "monitorização do seu uso associada à vigilância dessa mesma resistência".

Em teoria, os médicos de família devem preferir os antibióticos menos tóxicos, de espectro reduzido e os mais económicos.

Mas os estudos sobre a sua utilização nos cuidados primários até à data realizados "têm demonstrado um aumento do uso dos novos antibióticos, os de largo espectro, como a associação amoxicilina/ácido clavulânico", em detrimento do "uso dos antigos antibióticos, os de espectro reduzido, como as benzilpenicilinas e as cefalosporinas de primeira geração", lembrou.

Uma realidade diferente é a da utilização de antibióticos no contexto hospitalar. António Sarmento, infecciologista do Hospital de S. João (Porto), destacou a importância da melhoria das medidas de higiene e do controlo da disseminação dos microrganismos, nomeadamente através do isolamento dos doentes que estão infectados com bactérias multi-resistentes. A.C."

domingo, novembro 05, 2006

Blog De Um Médico Contra A Administração Do Seu Hospital

O Hospital é o Amato Lusitano, em Castelo Branco.

O médico é Vasco Rolo, director demissionário do Serviço de Estomatologia.

Está aqui: Hospital? Amato Lusitano.

E este post intitulado: "LULAS MINHAS QUERIDAS MANAS" e que assim termina, é uma pérola:

"O mesmo tenho a certeza não fez a administração. POR ISSO CUMPRAM AS AMEAÇAS e veremos quem pagará.

Se não gostam do que escrevo melhor, quem não quer ser lobo não lhe veste a pele.

Deste humilde choco

Vasco Rolo
"

domingo, outubro 29, 2006

O Médico Explica Medicina A Intelectuais ...

... em determinadas curvas da vida também apela a todos os Santos... mesmo sendo agnóstico!



(foto de telemóvel)

segunda-feira, outubro 16, 2006

O Ministro Da Saúde E Os Stents Revestidos

O próximo (Que pode ser quem me lê, o colesterol, pois então. O tabaquinho, pois então) que precisar de um stent para desobstruir a sua coronária, talvez já não tenha direito a um "revestido" e ... perguntem ao Ministro o que vai acontecer, alguns anos depois.


"FACTO DA SEMANA

Os stents e a «vergonha»

Na entrevista à RTP (programa «Grande Entrevista», de Judite de Sousa) o ministro da Saúde oscilou, mais uma vez, entre o mérito, a teimosia e o desbragamento verbal. Correia de Campos é um impulsivo e ninguém, alguma vez, o há-de transformar. Nada de muito grave, dirão os incondicionais, entre os quais não nos incluímos, mas o feitio cria-lhe dificuldades acrescidas.
Tomemos como exemplo o seu gosto por usar termos fortes, no momento em que disse (quase a terminar a entrevista) que o uso significativo de stents revestidos, em Portugal, é «uma vergonha».
Ora, a nosso ver, um ministro pode dizer, eventualmente, que não há dinheiro, no SNS, para pagar stents revestidos em mais casos do que os que são estabelecidos pelas guidelines; um ministro da Saúde poderia até dizer que Portugal não tem dinheiro que chegue para pagar stents revestidos a ninguém, aceitando implicitamente pagar o custo político disso. Seriam ambas as afirmações politicamente legítimas. Mas o que Correia de Campos não poderia ter dito (e disse) é que tratar muito bem os doentes, em vez de tratar de acordo com as orientações mínimas, é «uma vergonha». O ministro disse, com isso, foi que os médicos envolvidos (cardiologia de intervenção) se devem envergonhar quando tratam um doente com os melhores cuidados de acordo com a melhor tecnologia de que dispõem… Ou seja de tratar os doentes «demasiadamente bem».
E, repare-se, pode dizer-se tudo isto, criticando parte da intervenção do ministro (e sustentando a crítica) sem ser necessário considerá-la «uma vergonha».

J.M.A."


Tempo Medicina
1.º CADERNO de 2006.10.16

quinta-feira, outubro 12, 2006

Senhor Boldão E Seus Pares: A Censura Não Passará!

















Por mais que não gostem do que aqui se escreve, este blogue continuará, enquanto tiver mais de 200 visitas diárias e eu entender.

Não gostam, muito bem.

Discordam, muito bem.

posts errados. Muito bem.

Os comentários existem para vocês se exprimirem. E eu aprender e corrigir se necessário.

(Fotos retiradas da Internet através do Google.)

domingo, outubro 08, 2006

A Resposta Adequada E Especializada

"Caro "medico explica",


 

Não lhe sei precisar as estatísticas em Portugal, mas as mãos ocuparão uma percentagem superior a metade dos casos de transmissão.

Por se tratar de uma superfície com atrito, humidade, temperatura e nutriente é - mais que o tecido - ideal para aderir microrganismos de um doente (ou mesmo do ar).

Eles sobrevivem satisfeitos na sua mão até encontrar o próximo doente, cuja temperatura possivelmente 0.5, 1 ou 2 graus acima da sua e humidade tipicamente mais elevada serve como um atractivo irresistível para mudarem de hospedeiro e aderirem ao doente.

O mesmo acontece se você usar luvas.

Apenas uma pequena percentagem será transmitida pelo ar - há casos típicos de pneumonia multi-resistente em serviços de traumatologia com internamentos prolongados - em que certamente não são causadas pelo ar a circular entre serviços.

Estes 2-3 quartos incluirão infecções causadas por microrganismos aderidos a cateteres que foram tocados por mãos mal lavadas ou luvas contaminadas.

Incluiria também nesta fracção microrganismos aderidos a batas que vieram do exterior e SIM a estetoscópios que passam de paciente em paciente cuja mistura de células epiteliais/suor vêm acompanhadas de outras formas de vida que foram tossidas, excretadas, etc.

Eu diria que só uma parte do último quarto se deve a transmissões aéreas e a visitas, sendo que estas últimas não representam um problema grave pois transportam estirpes selvagens, não multi-resistentes.

Por último, pergunto-me o que sente com a ideia de partilhar com os seus colegas de trabalho a "pool" de microrganismos que os seus pacientes partilham consigo, com a ideia de os levar para casa, de os deixar na sua chávena de café...

Concordo com as batas e equipamentos descartáveis, mas mais importante que isso será descartar mentes retrógradas e resistentes a "receber ordens", muito frequente entre TODAS as classes de técnicos de saúde.

Por ultimo doutor, tem conhecido claramente os microbiologistas errados...não há nada para fazermos numa secretaria com papeis. Trabalho só existe em "campo", sim, com pacientes, com pessoas reais, com alimentos, com fármacos, com populações, com animais.

Espero ter contribuído construtivamente para esta discussão.

Ass. Microbiologista explica microbiologia a médicos :)"

Vamos Ser Radicais!

Eu comprendo que os médicos sejam os culpados de tudo.
É normal nos comentários deste blog e é para isso que aqui estamos com os comentários abertos...

Compreendo que as infecções hospitalares existam porque existem médicos.
Mesmo aqueles médicos que são infectados nos hospitais, são-no porque querem.

E quem diz médicos diz enfermeiros. Uns e outros quando "apanham" (para melhor compreenderem) a tuberculose num hospital foi-o exclusivamente porque assim o decidiram.

As Comissões de Controlo da Infecção Hospitalar, não existem.
Esta do Hospital de Santa Maria não existe.
É virtual.
Não cliquem que não vale a pena.
O link não existe, fui eu que pintei as letras de azul.

Não é verdade que seja composta por médicos infecciologistas, patologistas, administradores hospitalares e enfermeiros.

Como me pedem, vou dar a minha opinião sobre o controle radical da infecção hospitalar:

1) Fechar os hospitais e todos os doentes passam a ser tratados no seu domicílio.

2) Encerrar os blocos operatórios e todas as cirurgias passam a efectuar-se a céu aberto para as bectérias poderem voar para longe.

3) Os médicos (as) e enfermeiras (os) passam a trabalhar nus, após um duche conjunto à entrada e à saída.

4) Pelo contrário os doentes passam a ser observados depois de vestirem fatos apropriados para a guerra biológica.

5) Proibir a entrada das bactérias nos hospitais reforçando a segurança nas entradas. Colocar redes nas janelas para os vírus.

6) Proibir a entrada dos familiares e os contactos destes com os doentes passam a ser efectuados com lenços brancos nas janelas.

7) Todo o médico que for apanhado a namorar com bactérias, tipo Legionella pneumophila, Neisseria meningitidis ou Escherichia coli ou as médicas namorando com o Streptococcus pneumoniae, com o Staphylococcus aureus ou mesmo o Enterococcus faecium, serão irradiados pela sua Ordem da profissão. Se o namoro for com a Candida albicans têm atenuantes.

8) Finalmente ilegalizar todos os antibióticos como forma de erradicar o aparecimento das resistências.

9) Este plano acabaria em menos de 2 anos com todas as infecções nosocomiais e em 5 com toda a população mundial.

10) Brinquem, brinquem e não se juntem aos médicos neste combate e verão para onde vamos todos...

sábado, outubro 07, 2006

Hospital de S. João, Outra Vez...

De um leitor:

"Caro Dr,
venho especialmente ao seu blog pedir-lhe para dedicar um post a dissertar a razao pela qual os medicos no S.Joao e (arrisco dizer) um pouco por todos os hospitais vao tomar cafe de bata, e mais ainda vao almocar de estetoscopio, que usam mesmo aqueles que nao fazem clinica. É um fenomeno social unico e incompreensivel visto q nao vejo os professores levarem os livros de ponto nem os mecanicos levarem as ferramentas...so uma questao. Como Microbiolgista deixou-me de cabelos em pe ha dias ver um medico amigo a cozinhar com o fato para procedimentos cirurgicos que trouxera do hospital...isto é infelizmente demasiado frequente, escandaloso, uma questao de saude publica. Por favor, explique-me. Porque do meu ponto de vista, teria suficiente argumentos para escrever um livro...Agradecido,S.P
"

domingo, outubro 01, 2006

Tau-Tau Para Quem Não Lavar As Mãos!

No Jornal de Notícias de 29/09/06, pode ler-se:

Os médicos, enfermeiros e auxiliares do Hospital de S. João, no Porto, que não lavem as mãos após actos clínicos susceptíveis de provocar infecções hospitalares vão ser alvo de procedimentos disciplinares. A intenção da Direcção Clínica do hospital foi manifestada aos profissionais numa nota interna, que receberam juntamente com o último recibo de vencimento. "Não inventámos nada, apenas seguimos o que são as normas internacionais para combater a infecção hospitalar", disse o director clínico, António Ferreira.

Aquele responsável reconhece que existe um problema grave no Hospital (os últimos dados disponíveis, de 2005, referiam que os valores eram o dobro da taxa nacional) e "tem que ser resolvido. Daqui a um ano, podem pedir contas, pois a taxa de infecção hospitalar será muito mais baixa".

O director clínico admite que os "profissionais reagiram, mas aconteceu o mesmo com a questão dos medicamentos e hoje todos querem contribuir".

Salientou ainda que o combate à infecção hospitalar passa também pelas obras que estão a realizar no hospital, e por outras medidas que serão anunciadas em breve
.”

Se é assim que o senhor director clínico quer combater a infecção hospitalar, está mal.
Primeiro obrigar os médicos a lavar as mãos, sem lavatórios e outros dispositivos apropriados e depois divulgas as outras medidas...

Com métodos paternalistas, inquisitórios e repressivos, nada se consegue.

Os médicos do Hospital de S. João, serão os principais interessados em não transportarem consigo microrganismos pois também poderão passar de hospedeiros a doentes…

O director clínico fez um TPC do Prof. Correia de Campos. "Lavar as maõs" só por si não chega para combater a infecção hospitalar.

Terão responsabilidade os profissionais? Claro que sim.

Os médicos, enfermeiros, auxiliares e outros técnicos têm uma parte da responsabilidade.
E estão conscientes disso.

Mas outras medidas são necessárias e também demasiado importantes para não se divulgarem:

1 – A existência de um plano actualizado para o circuito próprio dos resíduos sólidos (vulgo lixos) hospitalares, a sua não existência, actualização e vigilância do seu cumprimento, potenciam o risco de infecção.

2 - Com doentes “mesmo mesmo” doentes (com tosse, espirros, urinas, fezes, saliva, catéteres, máscaras respiratórias, sangues e por aí fora) nos corredores desde a urgência até ao último piso, ou em enfermarias com distâncias de separação entre eles impróprias, não se combate a infecção.

3 – A partilha dos corredores com camas com doentes e todo o tipo de tráfego de pessoas (doentes, pessoal hospitalar directo, visitas, fornecedores, pessoal de manutenção, administrativos e um sem número de outras pessoas que circulam nos corredores de hospitais) e material, incluindo os lixos hospitalres ajuda a propagar a infecção.

4 – A disponibilização de vestuário descartável pelos médicos e enfermeiras também ajudaria… a combater.

5 – Os marcadores da infecção hospitalar não se pode comparar em termos absolutos entre hospitais com funções e “públicos” diferentes.

6- A forma como publicamente foi divulgada a circular, não é o melhor método de sensibilizar os profissionais, desde o médico até ao maqueiro. Pode-se concluir: lavem as mãos seus porcos e se não o fizerem apanham tau-tau.

O Poder da Indústria Farmacêutica E A Estupurose!

Mais um dia para assinalar com pompa e circunstância, o Dia Nacional do Cancro Digestivo.

(E para quando o Dia Nacional das Hemorróidas? Ou o Dia Nacional da Fissura Anal? Ou o Dia Nacional da Onicocriptose?
E para quando a Associção Humanitária de Apoio aos Doentes com Hemorróidas?)

E o dia foi asssinalado com uma pseudo-entrevista onde a mãozinha da Indústria farmacêutica, bem se nota.

Para divulgar o Dia será necessário divulgarem-se medicamentos?

E para divulgar o Grupo de Investigação do Cancro Digestivo será necessário anunciar a futura criação de uma associação de doentes?

Não será óbvia a ligação entre o laboratório que investiga o medicamento referido, este grupo de investigação e a futura associação de doentes?

Serão todas associações sem fins lucrativos, ninguém duvida...

Outro área de influência do polvo da indústria farmacêutica, são os rastreios.

Cada laboratório apoia fortemente o rastreio das doenças para as quais propõe alternativas terapêuticas: há dias entra-me pelo consultório adentro, uma doente com um papelito já desbotado pelo tempo (pouco) afirmando que tinha fazer uma rastreio à "ESTUPUROSE" na farmácia do bairro e que a tinham mandado vir mostrar o papelito por causa da estupurose e à espera de mais um medicamento para o seu saco de plástico.

E isto num consultório particular, como será no público...

No Primero de Janeiro de 30/09/06, sobre o Dia Nacional do Fecaloma, perdão, Cancro Digestivo.

"Estatísticas negras assinalam hoje o Dia Nacional do Cancro Digestivo.
Metade dos doentes morre.


O cancro colorectal é “uma doença do mundo ocidental”, e todos os anos é diagnosticada a mais de cinco mil pessoas, das quais metade acabará por morrer.
Por ocasião do Dia Nacional do Cancro Digestivo, que hoje se assinala, as estatísticas dão pouco espaço ao optimismo.
Todos os anos são diagnosticados em Portugal 5.500 a 6.000 novos casos de cancro colorectal, sendo que metade resultará na morte do doente, revelou ontem o presidente do Grupo de Investigação do Cancro Digestivo.
No âmbito das comemorações do Dia Nacional do Cancro Digestivo, que se assinala hoje, Evaristo Sanches afirmou que a incidência daquele tumor continua a aumentar no País e na Europa.
“É uma doença do mundo ocidental” que tem origem nalguns casos em “erros genéticos” hereditários, mas a maior parte é adquirida.
O sedentarismo, o consumo de tabaco, uma vida desregrada e a ingestão de carnes vermelhas e alimentos ricos em calorias e gorduras estão entre as principais causas atribuídas.
O cancro colorectal ocupa o segundo lugar nas mortes por cancro em Portugal, e é o terceiro mais comum a nível mundial.
Anualmente surgem na Europa 300 mil novos casos, sendo o terceiro cancro mais frequente no homem e o segundo na mulher.
Quarenta por cento dos europeus a quem foi diagnosticado morrerá vítima da doença. Contudo, se detectado precocemente, o tumor “tem enorme capacidade de cura, superior a 80 por cento”, explicou Evaristo Sanches.
Entre os sintomas mais frequentes figuram a alteração dos hábitos intestinais, a presença de sangue nas fezes, a perda de peso inexplicada, o cansaço constante, as náuseas e os vómitos.
O oncologista afirmou que cirurgia e quimioterapia continuam a ser as principais formas de tratamento, sublinhando que está a ser feita uma investigação clínica para verificar a eficácia de três fármacos usados em associação.
Os três medicamentos que compõem o complexo Ervicox, usado actualmente, são utilizados individualmente, mas o objectivo é conhecer a sua eficácia em conjunto.
“Estamos na fase final de recrutamento de doentes. Dentro de um ano talvez possa saber-se os resultados”, disse.
O presidente do GICD deu a conhecer uma campanha nacional de sensibilização e anunciou a criação de uma associação de doentes, a apresentar em Novembro.

Campanha
Mais investigação. A campanha de sensibilização inicia-se hoje, com a distribuição de folhetos informativos com normas alimentares e hábitos de vida para prevenir a doença. O GICD é uma associação fundada por médicos ligados ao tratamento de tumores do aparelho digestivo, que tem como principais objectivos promover a investigação naquela área, divulgar tratamentos e medidas de prevenção e criar critérios de uniformização entre os diversos profissionais."

quarta-feira, setembro 27, 2006

Que Vergonha, Senhor Ministro!

Do jornal virtual do SIM (Sindicato Independente dos Médicos)

"Numa das suas entrevistas, desta vez ao Semana Médica e publicada na edição de 21-27 de Setembro, o responsável máximo da Saúde confessa que nem sabe o nome da sua Médica de Família e diz acreditar que seja uma situação comum a muitos portugueses. E adianta que com as USF vai haver um contacto de pessoa a pessoa.

Fica mal ao Senhor Ministro o nem saber o nome da médica a quem deveria caber a gestão da sua saúde.

Talvez se utilizasse os seus préstimos não precisasse de recorrer ao Serviço de Urgência (já que SAP nem vê-lo.) quando está doente.

Que mau exemplo!

Ah. e já agora, Senhor Ministro da Saúde, deveria saber que a situação comum a muitos portugueses é saber o nome do seu ou da sua Médico(a) de Família, com o(a) qual têm um contacto pessoal com ou sem USF."

USF - Unidade de Saúde Familiar

sábado, setembro 23, 2006

Indiana Hospitals To Post Errors

September 22, 2006

"The Indiana State Department of Health on Wednesday adopted new rules that next year will require hospitals to disclose their medical errors to the public, the Indianapolis Star reports.

The reports, which will be made public in February 2007, will identify only hospitals, not the medical officials or patients.

The hospitals must release their mistakes within 15 days after accepting fault, and within six months after the error.

The Department of Health announced 27 mistakes that hospitals must report to the state, including surgery on the wrong part of the body, deaths from contaminated drugs and sexual assault on patients, the Star reports.

Terry Whitson, assistant commissioner at the Indiana State Department of Health, said Indiana hospitals have reported fewer than 100 mistakes since Gov. Mitch Daniels (R) ordered the reports on Jan 1.

A provision in the rules states that the errors cannot be used in patient lawsuits, although patients still may sue, the Star reports.


Minnesota is the only other state that requires its hospitals to publicly disclose their errors (Hupp, Indianapolis Star, 9/21).

Indiana's error information will be available at www.in.gov/isdh (Indianapolis Star, 9/21)."

quinta-feira, setembro 14, 2006

As Quecas De Verão.

Disse um leitor:

"Epá, ó MEMI:
Reforce o Channel e o camembert, junte Martin's 20 anos e invente um fetiche. Agora ensine os MCP e os FE's a dar uma queca.


É que andam todos mal f******!!!"


Vamos então lá às quecas.

Patrocinado por um laboratório (Organon) para promover uma nova forma de anticoncepção, o anel vaginal, realizou-se um estudo intitulado "Amores de Verão 06" com as seguintes conclusões:

Nas férias,

- metade das mulheres fica sexualmente mais activa;

- 1/4 das mulheres sente-se mais sexy;

- 8 em cada 10 gostaria de não ter período menstrual nas férias;

- 1 em cada 5 tem relações fortuitas;

- 5 em cada 6 não pensa antecipadamente na contracepção.

Contem lá como foi a fortuitidade nas vossas férias.

domingo, setembro 10, 2006

Oh nãoseiquenomeusar Não Sabe Que Nome Usar? Eu Digo!

naoseiquenome usar (cliquem na ligação que vale a pena) disse a propósito do post dos "vómitos fecalóides" e do blogue que é "um esgoto a céu aberto":

"Bem, o que faltava agora era que viesse alguém reivindicar rigor jornalístico a um blog!

Um blog que só lê e "frequenta" quem quer e ainda por cima de graça, e se o fazem porque não têm nada de útil para fazer, olhe dê graças ao aspecto lúdico e aos ganhos adquiridos com tal atitude, entre milhares de blogs, alguns sem ponta por onde se lhe pegue;


mas cada um tem o direito de os gerir como quiser, enquanto as entidades onde estão alojados o permitirem.

Ora essa! Não sei se o Sr. Dr. MEMI tem carteira jornalística. Seguramente terá carteira profissional de médico. E entre muitos artigos escritos por aqui, alguns são de grande valia. Outros há, é certo, que são de afronta, de provocação, ou de quase ofensa se se quiser.

Eu própria às vezes fico chocada. Com os comentadores do blog também.

Alguns manifestam uma "quase" falta de respeito pelos outros.

Na notícia em questão é utilizada uma linguagem muito forte, e são tecidos juízos sobre um determinado trabalho, que lamentavelmente se podem confundir com juízos sobre a pessoa por detrás do trabalho. Lamentavelmente, repito, porque pessoas argutas percebem que não pode haver confusão quanto aos papéis.

Acrescente-se contudo, a bem da verdade, que a notícia em causa nada tem de exclusiva, resultando antes da compilação de vários casos trazidos a público, quase sempre de forma distorcida e que ali também não se cuidou de aprofundar.

Acrescente-se ainda que a referência a entidades citadas como fonte do "exclusivo" é uma falácia, para não dizer outra coisa.

Mas convenhamos, caramba: o saldo deste blog que o sr. jornalista apelida de "esgoto a céu aberto", é, largamente positivo! Podemos até dizer que é um "esgoto Channel" :)

Agora o que o "sr." jornalista nunca poderia fazer, era atacar o homem por detrás do blog!

Acaso conhece-o no seu quotidiano? Como ser humano? Ou a mim, que também tenho um (pseudo, é certo, não percebo nada daquilo em termos operativos) blog. Ou aos "n", exponenciais que os têm? (em caso afirmativo, pelo desculpa. é minha convicção que não!) ...

Caso não saiba FE, isso é difamação (ou não ponderou tal, FE? ... olhe que o aviso está claro no cabeçalho do blog)!

Justificadamente, FE, conceder-se-lhe-ia o direito de criticar o blog. Mas não apresentou (ao que parece), nenhuma justificação. Foi, simplesmente, ofensivo! E, mais: se repararem bem, o Dr. MEMI,até costuma, em cada "notícia", respeitar a pirâmide jornalística, a saber - quem? quando? onde? como? porquê? - coisa de que os srs. jornalistas encarteirados se têm vindo a esquecer amiúde.

Cumprimentos bloguísticos, até para os comentadores mais "impetuosos" (muitos anónimos, o mais possível, vá-se lá saber porquê)."

Pois o nome que deve usar deve ser D. Qualidade Imparcial.

sexta-feira, setembro 08, 2006

Direito De Resposta

Embora não solicitado pelo autor, divulgo como direito de resposta a este post, este mail recebido do jornalista Fernando Esteves:

" De:
Fernando Esteves
[mailto:fernandoesteves@sabado.cofina.pt]
Enviada: sexta-feira, 8 de Setembro de 2006 11:49
Para: memai@sapo.pt
Assunto:

Uma amiga que não tem nada de particularmente útil para fazer pediu-me para ver este blogue, sem me dizer do que se tratava. Por piedade, lá lhe fiz a vontade. Quero dizer-lhe (identificadamente, claro está) que você é uma merda de homem e o seu blogue é um esgoto a céu aberto.

Fernando Esteves
--------------------------------------------------------------
Fernando Esteves
SÁBADO newsmagazine
Av. Conde Valbom, nº 30, 6º
1050-068 Lisboa
Telefone/Phone Nr.: 210126500
"
----------------------------------------------------------------

Apenas quero reafirmar que, embora com adjectivos fortes e personalizados, apenas tento criticar o trabalho e nunca a pessoa, que no dia seguinte pode assinar um excelente trabalho.
São estilos de escrita, e este é o meu!

terça-feira, setembro 05, 2006

Por Falar Em "Baixas", Agora CITs

Um leitor reenviou-me esta mensagem:


----- Original Message -----
From: F G
To: M........@yahoogrupos.com.br
Sent: Tuesday, September 05, 2006 2:17 AM
Subject: Re: [M] Ainda as "Baixas"


Era uma vez uma miúda simpatica e divertida que sempre quis ser médica...
Fez por isso e resolveu que Coimbra é que era o sítio que lhe dava jeito.

Por lá andou os anos necessários para sacar o canudo....

Jogávamos muitas vezes às cartas, no bar, entre duas aulas ou em vez de
alguma delas a que não apetecia ir....

Terminamos o curso: ela foi à vida dela e eu à minha.. Nunca mais a vi
Soube que era MF lá para os lados de Abrantes..

Passados uns anos numa qualquer manhã ouvi ou li que uma Médica
tinha sido assassinada na região de Abrantes.

Lembrei-me que ela estava por lá .......

Era mesmo ela .. Morta no consultório com um tiro por causa de uma
"baixa" que entendeu não dever passar.

O marido daquela colega e os filhos que suponho tinha,
dificilmente terão compreendido em nome de quê é que foi dada aquela vida.

domingo, setembro 03, 2006

Caras Colegas:

Resposta a comentários da "médicaquetambémexplica" e da "CF":

Inteiramente de acordo com esses princípios:
- a IF merece ter lucro,
- não são instituições de solidariedade social
- é legítimo fazer a publicidade.
- a prescrição se baseasse na evidência e não na publicidade.
- teria de começar por haver guidelines,
- auditorias aos perfis de prescrição,
- a recertificação dos médicos.

Eu quero ser diferente de muitos médicos que por aí pululam, mas não sou ingénuo, já passei essa minha fase de "querer mudar o mundo sozinho", "de demonizar os DIM", quando terminei o curso, éramos contra os "barões da Medicina", mas eles continuam, apadrinhados pelo sistema, os seus consultórios continuam a ser publicitados pelos media.

A minha luta foi inglória, mas não estou arrependido.

Quanto aos problemas da prescrição, basta um simples decreto ou um despacho até, para inverter a situação.

Mas talvez não interesse ao Poder.

Gosto de saber que há jovens médicas com valores morais tão elevados.
A influência das multiacionais da IF já não se mede pelos almoços.

As "gifts, treaps and meals" começarão a perder influência para os estudos, as guidelines (quantas destas não terão já o dedinho da IF?

Fico satisfeito por do alto dos meus 50 anos e 25 de prática, saber que há jovens na minha profissão que me merecem todo o respeito!

PS: dizem nos mentideros que o responsável pela Medicina Baseada na Evidência, tem muitos créditos a enumerar na IF...

sábado, setembro 02, 2006

A Insustentável Gravidade Das Medicinas Alternativas (actualização 120 dias depois)

Neste post de Maio (A Insustentável Gravidade Das Medicinas Alternativas) contava uma história real.

Muitos comentários depois, mais um post de resposta à mar, muito dinheiro mal gasto (nos intocáveis alternadeiros), e outro bem gasto na procura do diagnóstico, depois de 3 meses de internamento, depois de muita massa cinzenta activada com milhões de sinapses efectuadas (talvez as sinapses sejam a diferença entre a Medicina e a pseudo-Medicina) por todos neurónios de todos os técnicos da saúde, depois de muito sofrimento, o diagnóstico chegou:

tuberculose óssea.

Pode parecer tão simples, um diagnóstico de tuberculose para uma simples lombalgia, mas não é para quem é médico.
Nós sabemos que um diagnóstico não é, apenas, um mero somatório de sinais e sintomas...

Para si e para todos os que me lêm, as lombalgias serão uma coisa normal (80% das pessoas já tiveram pelo menos um episódio de lombalgia), uma espondilodiscite tuberculosa é uma situação rara.

Para a sua lombalgia tem aqui coisas interessantes para ler.

quarta-feira, agosto 30, 2006

A Teoria Evolucionista Da Medicina

Posted by Picasa

"No Hospital de Necker em Paris, Dr Laennec atende inúmeras vítimas do surto de tuberculose que na época não havia tratamento medicamentoso. Desenvolveu aparelho tubular com membrana a qual podia transmitir sons naturais ou patológicos e que afirmava, após realização de autópsias, ter importante correspondência clínica o que na época foi motivo de reprovação na classe médica. Hoje o estetoscópio é importante instrumento diagnóstico e peça inerente a todo profissional de saúde."

Conteúdo de um e-mail enviado por um membro da corporação médica.

F******: Denunciem A Máfia Dos Livros Escolares

Um dia de folga (as férias ainda por gozar!), uma garrafa de vinho branco fresquinho do Alentejo, uns amigos, uma jantar, uma denúncia!

Há muitas máfias organizadas e legais em Portugal. A dos livros escolares é uma delas!

Há também médicos mafiosos, para que não me acusem de "corporativista"...

Médicos Em Greve Às Horas Extraordinárias

Sem comentários.

Dos jornais:

"As paralisações vão ter início a partir de 4 de Setembro e durar «até ao dia exacto em que for publicado o decreto lei que revoga a obrigatoriedade das horas extra» feitas pelos clínicos nos serviços de urgência.
A greve às horas extra vai igualmente ocorrer em alguns centros de saúde do distrito.
A contestação do SIM à determinação legal que obriga os médicos a fazerem 12 horas extra por semana na urgência sempre que as administrações hospitalares assim o entendem surgiu depois de o governo ter revogado, em decisão tomada a 3 de Agosto, um decreto-lei datado de 2001 que remunerava este trabalho pela tabela máxima, de forma idêntica para todos os clínicos.
Para o SIM, ao decidir reduzir o valor pago pelas horas extra, o governo não pode manter a obrigação legal de os médicos as fazerem."

domingo, agosto 27, 2006

Blogues Sobre Saúde

Quem estiver interessado sobre a temática da saúde na blogosfera, tem aqui um artigo on-line de João Canavilhas da Universidade da Beira Interior, intitulado "A saúde na blogosfera portuguesa", sem data de publicação.

sábado, agosto 26, 2006

Afinal Vou Fugir da Sobreda Já! Um Médico Para 170.000 Habitantes!

Tá visto.

Os números não são o forte dos jornalistas!

Agora até o Portal do Cidadão diz disparates... porque não creio que tenha sido o Ministro Correia de Campos...


"Cem Unidades de Saúde Familiares em 2006

Segundo o ministro da Saúde, Correia de Campos, até ao final deste ano serão abertas cerca de 100 Unidades de Saúde Familiares (USF), assegurando um médico por cada 170 mil cidadãos."

sexta-feira, agosto 25, 2006

Um Vómito!

F. E. vomitou na revista Sábado de hoje.

Não pelo conteúdo, pois o que lá está escrito não é mais do que a compilação de diversas notícias que ao longo do ano foram sendo divulgadas nos jornais.

Mas pela forma como os títulos, sub-títulos e algumas frases foram construídas, só posso crer que o jornalista sem nome (não lhe dou o prazer do Google o vir buscar a este site!) estava demente (ou alzheimerizado, como se diz hoje) e teve vómitos de conteúdo fecalóide para o teclado do seu computador, sofrendo de alguma obstrução alta do tubo digestivo com acumulação de detritos em locais cinzentos.

Vejam-se as mentiras:

"Exclusivo. As investigações secretas da saúde. Crimes de bata branca.
Uma médica algarvia usou o cartão de crédito de uma utente. Um radiologista asssediou três menores. As crianças podem ser raptadas nos hospitais. Está tudo em documentos a que a Sábado teve acesso. Por f.e. "

- Exclusivo - exclusivo uma merda! Foram notícias nos jornais durante mais de um ano.

- secretas - secretas uma ova. Públicas.

- radiologista - o próprio jornalista escreve no interior que se trata de um técnico de radiologia!

- As crianças podem ser raptadas nos hospitais - podem ser raptadas em qualquer lugar...

- documentos a que a Sábado teve acesso - lá pelo meio dizem que a Inspecção-Geral de Saúde lhe forneceu os documentos, o que não acredito. A Sábado teve acesso aos numerosos jornais que têm publicado...

sábado, agosto 19, 2006

Quero Ir Para A Sobreda!

Segundo o Primeiro de Janeiro,

"O ministro da Saúde anunciou que o Governo pretende abrir cem unidades de saúde familiar (USF) “até ao fim deste ano”, para aumentar em 170 mil o número de pessoas com acesso a um médico de família. “A nossa meta é abrir cem unidades de saúde familiar até ao fim deste ano”, declarou Correia de Campos, durante uma visita ao Centro de Saúde da Sobreda, na Costa da Caparica, adiantando que o Ministério da Saúde pretende ter já em Setembro “entre seis e 12 [daquelas unidades] abertas a título experimental”, distribuídas por todo o País.

No caso do centro de Saúde da Sobreda, onde irá funcionar uma das primeiras USF a abrir já em Setembro, cerca de 1.600 pessoas passarão a ser atendidas por seis médicos,

permitindo, de acordo com o ministro da Saúde, um “regresso à pureza do conceito de medicina familiar”. “É uma mudança radical para a qualidade do atendimento”, considerou o ministro da Saúde."


Ora, 1600 a dividir por 6 médicos dá 266,6 pessoas por médico. Ora, como apenas cerca de 60/70% dos utentes são activos, dá 186,6 utentes por médico.

Quero ir trabalhar para a Sobreda e levar a minha família comigo... é melhor que na Ilha do Corvo!

domingo, agosto 06, 2006

Para Abel G - Resposta A Um Comentário

Caro Amigo, não diga disparates.

Para essas operações, de tão banais,corriqueiras e frequentes não há lista de espera.

Qualquer dia são como as apendicites: são para os internos.

O serviço do Prof. Manuel Antunes é um exemplo. E refiro-me como é óbvio a angioplastias programadas.

Se lhe disseram que era uma cunha enganaram-no.

Há muita gente que se gaba de meter uma cunha: qualquer trabalhador dum hospital pode dizer que vai meter uma cunha, mas é falso...

domingo, julho 30, 2006

E Os Outros Passarões, Passarão?

No Jornal de Notícias, de ontem, por Manuel Correia.

É uma notícia muito gira, por causa de 200 euros.

É muito giro investigar que os doentes psiquiátricos também vão ao futebol.

É muito giro investigar que o Hospital pagou a um "velhote" uma viagem a Olhão.

É tudo muito giro, mas será que os nossos inspectores perdem tempo com isto? Trabalham para agradar ao Senhor Ministro da Saúde?

E os milhões de euros gastos em automóveis de luxo?

E as condições de vida em muitos hospícios psiquiátricos?

E as viagens por esse mumdo fora de muitos administradores hospitalares?

Para isso já não há inspectores da IGS disponíveis...





"Verba da saúde usada no apoio à Académica

Pereira Coelho, director do Sobral Cid, foi repreendido pelo ministro

O administrador do Hospital Psiquiátrico Sobral Cid, José Alberto Pereira Coelho, é acusado, no âmbito de uma investigação da Inspecção-Geral da Saúde, de ter usado indevidamente verbas públicas para apoiar um clube de futebol (Académica), noticiou, ontem, o jornal "Expresso".

Segundo o relatório a que o "Expresso" teve acesso, José Alberto Pereira Coelho (ex-candidato a líder do PSD) e Wander de Carvalho (vogal do Conselho de Administração), "adquiriram por 230 euros, suportados pelo hospital, uma faixa onde se lia 'o Hospital Sobral Cid apoia a Académica', que era exibida nos dias de jogo".

Em causa, de acordo com aquele jornal, está também o transporte, para Olhão, de um antigo jogador do clube, "com veículo e motorista da instituição pública, para participar nas comemorações do 60º aniversário do Sobral Cid".

De acordo com a mesma notícia, a investigação, desencadeada por ordem do próprio ministro da Saúde, Correia de Campos, na sequência de uma denúncia anónima, conclui ainda que os doentes se ausentam do hospital para assistir a jogos da Académica.

No relatório é criticado o apoio de um hospital público a uma actividade desportiva profissional, tendo os dois responsáveis sido repreendidos, por escrito, por Correia de Campos. O JN tentou ouvir José Alberto Pereira Coelho, tendo um familiar afirmado que se encontrava "incontactável" no estrangeiro."

domingo, julho 23, 2006

Sobre A Autora Da Carta: Clara Pracana.

Sem dúvida que se trata de alguém inteligente! Pesquisei no Google, li alguma coisa e parece ser alguém com elevado estatuto profissional. Por isso, parece mesmo confirmar-se a minha hipótese de que a carta foi escrita em período de descontrolo emocinal, pós-trauma.

Gostava de ouvir a opinião de outros psicólogos.

Até uma académica, como a dr Clara Pragana pode ter momentos de desorientação, como o Zidane. Posso comprender, mas não aceito. Quem tem responsabilidades para além do seu umbigo, tem que ter calma e paciência.

Os médicos merecem uma desculpa da economista-psicóloga.

Uma senhora como a drª Clara Pracana, não generaliza como ela fez e nos termos em que o fez, a toda uma classe profissional, por causa de uma péssima experiência.

Talvez Freud tivesse razão...

"Mesmo em recuo, a herança freudiana continua a ser suficientemente estimulante para atrair candidatos a analistas que nem sequer vêm do mundo das "psis". Clara Pracana, gestora de sucesso na banca, trocou o que sabia fazer pelo desconhecido, e aos 45 anos iniciou a longa preparação para psicanalista (não é obrigatório ter passado por Medicina, mas tem que se ter formação em psicologia). "Um gestor precisa de conhecimentos técnicos, capacidade de liderança, saber motivar pessoas, ter uma visão do futuro e sobretudo bom-senso. Mas não é nada de transcendente. E ao fim de 15 anos torna-se um bocado rotineiro. O que faço hoje é muito mais complicado, não tem comparação".

Ser gestora levou-a a dar aulas de teoria das organizações no ISPA, o que a levou a interessar-se por programas de dinâmica grupal e liderança, o que a levou à Holanda e à Bélgica onde teve contactos com psicanalistas, o que a levou a fazer um mestrado de psicopatologia e psicologia clínica no ISPA, e depois à análise didáctica com António Coimbra de Matos, enquanto ganhava prática nas consultas de psicologia do Hospital Miguel Bombarda.

Agora, está a fazer um doutoramento sobre culpa e vergonha. Na hierárquica escala da Sociedade Portuguesa de Psicanálise - 19 titulares, cerca de 40 aderentes e cerca de 140 candidatos, num total que ronda os 200 psicanalistas, 60 por cento dos quais mulheres - está no grande bolo dos Candidatos. Já exerce, mas, formalmente, com o título de psicoterapeuta psicanalítica.

Escolheu esta segunda vida em idade tão madura que estranho seria se não a defendesse convictamente. "A psicanálise não é um dogma. É um duro caminho de confronto connosco. Se por um lado nos obriga a ver coisas de que não gostamos, cria uma liberdade maior, também. Aparecem aqui auto-condenados a um único caminho, o da neurose..." Idealmente, a análise abre alternativas. "Entramos com uma narrativa e saímos com outra".

A sala dos pacientes - neste grande apartamento onde (ao contrário de Milheiro, Pereira ou Coimbra de Matos) a analista também habita, no alto de uma torre, ao Campo Grande, em Lisboa - tem as duas poltronas do face-a-face e um divã "à la Corbusier".

Igual àquele em que se deitou, quando estava a ser analisada por António Coimbra de Matos.
"

Alexandra Lucas Coelho, in Pública 30-04-06.

sábado, julho 22, 2006

Gostava de Uma Análise Ao Perfil Psicológico Da Autora: "sou psicoterapeuta, investigadora, privilegiada"

No Público de hoje:

"Hospital de Santa Maria, 2006: a desumanização banalizada?

Clara Pracana

No meu caso, bastaram duas noites no SO de Santa Maria. E pertenço a uma classe privilegiada, sou psicoterapeuta, investigadora. Como é possível ser assim tão fácil retirar ao outro a qualidade de ser pensante? Negar-lhe a condição humana em tão curto espaço de tempo?

Acontece. Pode acontecer a qualquer um de nós. O que não devia acontecer a nenhum de nós, rico ou pobre, gordo ou magro, preto ou branco, saudável ou não, é o que passarei a relatar. Não está em causa a minha pessoa, mas a dignidade da pessoa humana. De todas as pessoas. E essa, valor que reputo fundamental, é mais fácil de se perder do que se pensa. É mesmo muito fácil. No meu caso, bastaram duas noites no SO de Santa Maria. E pertenço a uma classe privilegiada, sou psicoterapeuta, investigadora. Como é possível ser assim tão fácil retirar ao outro a qualidade de ser pensante? Negar-lhe por completo a condição de ser humano (que passa a ser apenas um bocado de carne) num tão curto espaço de tempo?
Tive o azar de, a 7 de Junho, ter um violento acidente de automóvel. Depois de horas de encarceramento, lá conseguiram extrair-me do monte de sucata em que o carro se transformara. Transportada para as urgências do Santa Maria, foram-me detectadas várias costelas partidas e três fracturas na bacia. Fui carregada para o SO.
Aqui entra em cena a personagem do dr. Zé Manel, como o designavam no SO. Desconheço o seu apelido, nem me interessa sabê-lo, não tencionando voltar a pôr os olhos em cima de tão repelente criatura. Mas neste caso o dr. Z. M. é mais que ele próprio uma criatura mal-educada, com impulsos omnipotentes e sádicos. Ele é o paradigma de todos os drs. Z. M., todos aqueles que pululam por Santa Maria como devem pulular por outros hospitais. Logo por azar, a minha cama no SO ficava mesmo em frente do local onde os médicos se reuniam durante a noite. Se por acaso as dores que eu tinha e os gritos do vizinho da cama ao lado me permitissem dormir, não conseguiria fazê-lo tal o nível de decibéis das risadas e da animada conversata entre os doutores (para não falar das luzes sempre ligadas). Ouvi falar de tudo, talvez até de mais: as questões laborais, os casos amorosos, as últimas anedotas, a questão das reformas, a nova legislação, etc. Na segunda noite que lá passei, um deles teve o seguinte desabafo: "Eh, pá, que chatice, hoje não há nada que fazer. Nem uma reanimaçãozinha!" (E pensar que pagamos nós a esta gente com os nossos impostos...)
Pois nessa noite dava-se justamente o caso de estar há duas horas a atentar chamar a atenção de alguém naquele SO. Apenas conseguia murmurar "por favor" e agitar o braço esquerdo, já que o direito pouco se movia. Que pretendia eu, pedaço de carne jacente numa cama? Apenas que me antecipassem por duas horas a ingestão do Omeprazole, já que o refluxo gastro-esofágico me estava a provocar uma tosse dolorosíssima, devido às costelas partidas. Levei duas horas até que alguém me ouvisse (e foi um enfermeiro), mas fiquei a saber muita coisa da vida dos médicos naquele hospital, dos drs. Z. M. e dos interesses que comandam aquelas vidas. E é aquilo o SO, onde os doentes são supostos estar sob observação...
Entretanto, ao fim de cerca de 24 horas no SO, a minha cama foi colocada no corredor para ser levada para a Ortopedia, segundo alguma alma caridosa me informou (certamente uma enfermeira ou enfermeiro, porque eram os únicos seres educados, assim como muitos dos auxiliares). Porque ali não se informam os doentes. Ali, tal como no livro de Job, não se explica nada, nem se dão razões para nada. A omnipotência dos senhores doutores, cuja má-educação me continua a intrigar, intrigaria certamente o próprio Job: mas terão de ser todos assim? E porquê? Será resultado de défices narcísicos a precisar de um engrandecimento à custa do esmagamento do outro, da sua redução a um objecto? Será uma questão de escola? De cumplicidades tecidas no dia-a-dia? Protecções corporativistas? Não sei. Mas acho que o fenómeno desta grosseria básica (e bárbara) devia ser investigado, porque diz respeito a todos nós, e todos nós pagamos (nos dois sentidos da palavra) por isso.
Certo é que a esperança de sair dali para a Ortopedia durou pouco. Passado algum tempo, a minha cama foi puxada novamente para o SO, e eu lá voltei para o meu lugarzinho, a cama nº 7.
Nessa manhã, o dr. Z. M. passeava-se com um seu acólito pelo SO. Personagem rubicunda, de fraca presença, ostentava para compensar um ar imperial, pairando acima dos apelos, gritos e soluços dos pedaços de carne que ali, como eu, se encontravam. Tendo ele entrado no meu cubículo, pretendi saber porque não tinha sido ainda levada para a enfermaria da Ortopedia, se essa tinha sido a opinião do médico da especialidade cardiotorácica (tal como ouvira da boca do próprio, o único médico educado que encontrei, além de uma médica espanhola). O que fui dizer! "Intromissão nas decisões do hospital", foi o que o dr. Z. M., do alto do seu poder, chamou à pretensão de querer saber acerca da minha saúde e do que me esperava. Eu argumentei, na fraca voz que as costelas partidas me permitiam, que me parecia legítimo inquirir acerca do meu estado de saúde. Irritado com os argumentos que fui expondo, o dr. Z. M. não deu resposta, foi-se embora.
Muitas horas depois, de novo me surge o dr. Z. M., sempre com o seu acólito. Mandou-o tirar-me sangue. Eu, que já estava mais esburacada que um passador, perguntei em tom cordato se as três seringas de sangue que tinha tirado há duas horas não serviriam para as análises em causa. Resposta irada do dr. Z. M.: "Mas por que é que me disse que não lhe tinham tirado sangue?" Eu, que não me lembrava nada de ter dito tal coisa, respondi que não me lembrava de o ter dito, que talvez tivesse feito alguma confusão... "Ah!", exclamou o dr. Z. M. triunfante, com os pequenos olhinhos brilhando de alegria. "Pooooois!" E naquele "pois" estava todo triunfo dele sobre o ser ainda pensante que eu tinha sido antes. Agora, eu já nem sabia pensar. Era uma tonta, só fazia confusões, já nem sabia o que dizia, tinha perdido por completo a capacidade de ser pensante, ou seja, deixara de ser um ser racional, uma pessoa. A partir desse momento, perdi o direito à palavra. O dr. Z. M. tornou-se omnipotente.
Hannah Arendt escreveu muito, e bem, sobre a banalização do mal, sobre como medíocres homenzinhos como Eichmann se tornam capazes de assassinar milhões. E como é fácil as pessoas ditas "de bem", virarem a cara para o lado, limitarem-se a não ver. Primo Levi, que sobreviveu a Auschwitz, relata em tom desapaixonado o que passou nesse campo. Devíamos ler e reler a obra prima que é Se isto É Um Homem. E aprender como em poucos dias, ou mesmo horas, é fácil perder a qualidade de pessoa, quando se está entre seres para quem o triunfo narcísico passa pelo aniquilamento do outro. É sobre gente desta, os medíocres drs. Z. M. deste mundo, que se torna possível erguer os abusos à pessoa humana, instalar os totalitarismos de várias caras, instituir o processo de aniquilação do outro, a morte em vida. Quando começaremos a ser capazes de dizer não ao poder destrutivo do outro sobre nós? Quando seremos capazes de construir mecanismos civilizacionais que nos protejam de situações como estas? Quando seremos capazes de pensar, pensar a sério, nos mecanismos e nas motivações que estão por detrás dos nossos actos? Investigadora

P.S. - Nesse mesmo dia decidir fazer tudo para ser transferida para outra unidade hospitalar. Assinei um termo de responsabilidade, já que a minha saúde corria considerável perigo na transferência e fugi do SO. Recuperei o direito à palavra, mas fiquei com o peso da culpa. Quantos podem fazer o mesmo que eu? Neste momento, entre quantos seres desapossados da sua dignidade, passeará o dr. Z. M. a sua mediocridade destrutiva e maligna? Ele, e todos os outros drs. Z. M., seus acólitos. E nós, quando acordaremos? Quando usaremos o direito à palavra? O direito à indignação? Ah, e não me venham dizer que nos meios hospitalares é quase sempre assim, porque são meios onde a morte está sempre presente. Essa é mais uma razão para não tolerarmos as grosserias e a violência de gente como esta sobre nós.
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Não Há Mais Post De Compressas Esquecidas!

No Primeiro de Janeiro de 19 de Julho:

"“Chip” detecta material cirúrgico


Uma equipa de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford, na Califórnia, criou um minúsculo “chip” capaz de detectar material cirúrgico esquecido dentro do corpo dos pacientes depois das intervenções cirúrgicas. O “chip”, com apenas dois centímetros de comprimento, é inspirado nos detectores anti-roubo existentes nas lojas. Sendo implantado numa gaze, por exemplo, o dispositivo deverá apitar quando um aparelho leitor lhe passar por cima, segundo avança um estudo publicado na última edição da revista «Archives of Surgery». Estes esquecimentos após as intervenções cirúrgicas são relativamente raros, estimando-se que ocorram apenas numa de cada 10 mil operações, mas podem provocar a morte do paciente. Cerca de dois terços dos objectos esquecidos são gazes.

Método adicional
O método utilizado até agora para evitar o problema é muito mais rudimentar, consistindo na mera contagem das gazes e de todos os outros instrumentos antes, durante e depois das intervenções realizadas em bloco operatório. Este novo “chip” de radiofrequência foi testado pela equipa de Alex Macário, perito da Universidade de Stanford, em oito pacientes submetidos a operações abdominais ou pélvicas. Em todos os casos, o detector conseguiu localizar em menos de três segundos gazes deixadas no interior dessas pessoas antes da sutura das incisões. “As tecnologias para aumentar a segurança nas salas de operações, como é o caso deste identificador por radiofrequência, requerem a realização de mais estudos para comprovar se deverão acrescentar-se, melhor do que substituir, à contagem manual”, conclui o estudo divulgado ontem."

sábado, julho 15, 2006

Portugal vs Itália

Em Itália, dias após se tornar campeã do mundo em futebol, um tribunal decide que os maiores clubes desçam de divisão por corrupção. Clubes esses aos quais pertenciam cerca de 2/3 dos jogadores campeões.

Em Portugal,

- o processo apito dourado foi arquivado, após anos de pseudo investigação!

- um clube protesta sobre um caso de doping e a federação rapidamente o iliba, tornando-se o único caso do mundo de perdão de doping!

E depois?

sexta-feira, julho 14, 2006

João Cordeiro: Não Dá Ponto Sem Nó

No Primeiro de Janeiro, de hoje:

Dois dias depois de ser apresentado o documento sobre os princípios para a liberalização da propriedade de farmácia, que inclui a realização de meios auxiliares de diagnóstico, ser apresentado pelo Governo, algumas farmácias receberam um panfleto promocional de um equipamento que permite a realização de testes no sangue e urina, para prevenir e gerir doenças como a diabetes, o colesterol total, doenças de fígado (ácido úrico e ácido láctico) e a anemia. O equipamento é apresentado pela empresa Quilaban -Química Laboratorial Analítica Lda, cujo director-geral João Cordeiro, também presidente da Associação Nacional de Farmácias. Referem que tendo em conta o "enquadramento legislativo em que a Farmácia Portuguesa se vai mover nos próximos anos", é por isso "fundamental que saibam ocupar os novos espaços profissionais". "Estranhei que apenas dois dias depois de ser apresentado o documento, onde estão incluídos os meios auxiliares de diagnóstico, seja apresentado um kit para a realização de alguns testes. Parece que tudo estava preparado para uma mudança, que ainda não está definida", afirmou Francisco Correia da Associação de Farmácias de Portugal.

sábado, julho 08, 2006

Grssssss!

Chega!

Absolvem o médico, mas...

Não basta aos excelentíssimos dignatários do nosso sistema judicial afirmarem o lugar comum:

“não foram observados todos os cuidados médicos que se exigiam", segundo o Ministério Público.

"A juíza referiu que o médico actuou de modo displicente e negligente, omitindo deveres inerentes à sua profissão", segundo a juíza do processo.

Mas se mesmo a autópsia revela que "não se encontrou qualquer lesão que por si só justificasse a morte"

É tempo de se justificar o que se diz, isto é, quais são esses preceitos que foram omitidos? Eu sei que não li o processo, mas tenho uma enorme curiosidade.

Já não basta ao médico a autópsia para o ilibar, talvez entremos agora na era da Medicina esotérica e da bruxaria, na óptica dos tribunais. Isto é adivinhação...

Mas saberão os nossos doutos magistrados o que é "morte por inibição", saberão o que é uma "autópsia branca"?

Eu também não digo.
Investiguem...

No Primeiro de Janeiro de hoje:

"O Tribunal do Marco de Canaveses absolveu quinta-feira um médico da urgência do hospital local, a quem tinha sido imputado um crime de homicídio por negligência, disse à Lusa fonte ligada ao processo. O caso remonta a 3 de Novembro de 2001, quando uma mulher que foi atropelada entrou nas urgências daquele hospital cerca das 18h, recebeu alta cerca das 23h e morreu 24 horas depois. O Ministério Público (MP) acusou o médico, de 56 anos, natural de Moçambique, de homicídio por negligência, considerando que “não foram observados todos os cuidados médicos que se exigiam” a esta mulher que ficou politraumatizada no atropelamento ocorrido em Vila Boa de Quires, Marco de Canaveses. “Na autópsia não se encontrou qualquer lesão que por si só justificasse a morte”, referiu o MP, ao fundamentar a acusação ao médico. Na avaliação do MP, a morte ficou a dever-se a um comportamento “omisso” do clínico, que “não adoptou todos os cuidados médicos que se exigiam”. Contactada pela Lusa, a fonte ligada ao processo adiantou que o médico foi absolvido, mas não se livrou de uma “censura muito forte” da juíza que liderou o julgamento. “A juíza referiu que o médico actuou de modo displicente e negligente, omitindo deveres inerentes à sua profissão”, afirmou. Contudo, “como o relatório da autópsia da vítima levanta dúvidas se a morte ficou a dever-se apenas à omissão do médico ou a causas naturais” o clínico foi absolvido, acrescentou. Os advogados assistentes deste processo, que actuaram em defesa dos familiares da vítima, decidiram já recorrer desta decisão judicial, tendo agora 15 dias para apresentar o recurso no Tribunal do Marco de Canaveses, dirigindo-o ao Tribunal da Relação do Porto."

Não Sei Que Título Dar!

No Público de hoje.

"Absolvido médico do Marco acusado de homicídio por negligência

Apesar de não ter dado como provada a acusação, juíza considerou que o clínico actuou de "modo displicente e negligente"

O médico acusado de um crime de homicídio por negligência foi ontem absolvido pelo Tribunal Judicial do Marco de Canaveses. A magistrada que julgou este processo acusou o médico de actuar "de modo displicente e negligente, omitindo deveres inerentes à sua profissão", mas não conseguiu encontrar provas concludentes de causa e efeito, ..."

quarta-feira, julho 05, 2006

É Giro Fim Da Notícia!

A notícia de tão confusa que é não merece comentários. É só mais um médico que será ou não acusado de negligência, com razão ou sem ela, já pouco me interessa.

É o que está a dar e qualquer dia, poderei ser eu...

... e se pensarmos na qualidade dos nosso magistrados que saem das "n" faculdades de direito privadas, fazem o seu cursozinho no SEJ e vão para comarcas de entrada, novinhos e com tanto poder na mão...

Ai as histórias que eu sei.... grsssss*

(E são contadas por magistrados meus familiares...)


Mas o que mais gostei de ler foram as duas últimas linhas: a família perdoou ao automobilista atropelante, fica contente com a condenação do médico.

(E isto independentemente dos motivos que levaram ao perdão, sejam eles quais forem, da caridade ao dinheiro!)

Fonte: Diário Digital / Lusa 04-07-2006 13:14:00

"Médico acusado de homicídio conhece sentença quinta-feira

O Tribunal de Marco de Canaveses lê quinta-feira a sentença de um caso de homicídio por negligência imputado a um médico da urgência do hospital local, disse hoje à Lusa uma fonte judicial.

Segundo o Ministério Público (MP), «não foram observados todos os cuidados médicos que se exigiam» a uma mulher que ficou politraumatizada num atropelamento ocorrido há cinco anos em Vila Boa de Quires, Marco de Canaveses.

A mulher foi atropelada cerca das 18:00, de 03 de Novembro de 2001, e recebeu alta hospitalar às 23:00 do mesmo dia, tendo morrido 24 horas depois.

«Na autópsia não se encontrou qualquer lesão que por si só justificasse a morte», refere o MP, ao fundamentar a acusação formulada ao médico, de 56 anos, natural de Moçambique.

Na avaliação do MP, a morte ficou a dever-se a um comportamento «omisso» do clínico, que «não adoptou todos os cuidados médicos que se exigiam já que lhe era previsível que o resultado morte podia acontecer».

A acusação refere que o arguido deu alta à vítima «apesar das queixas de dores e das dificuldades de locomoção» da doente.

Um parecer do Conselho Médico-Legal argumenta que «não eram perceptíveis ao médico quaisquer lesões que pusessem em perigo a vida da paciente, de imediato ou à posteriori».

No entanto, e «conforme resulta do relatório de autópsia», não foi determinada uma radiografia à coluna dorsal que permitiria detectar as lesões raqui-medulares que foram causa directa da morte, contrapõe a acusação do MP.

«Por outro lado, a observação da radiografia realizada a uma parte da coluna (região dorso-lombar) indica que isso justificava »por si só» o estudo radiológico da restante coluna, «o que não foi feito», sublinha a acusação.

Fonte ligada ao processo disse à Lusa que chegou a ser iniciado um outro procedimento criminal contra o condutor da viatura que atropelou a mulher.

«O processo foi declarado extinto porque os familiares da vítima apenas pretenderam que houvesse procedimento criminal contra o médico», disse à Lusa o advogado de acusação, Adão Ferreira de Oliveira.
"
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* eu sei que devia pagar direitos de autor.

sábado, julho 01, 2006

A Ciência A Avançar! A Religião A Travar! No Meio A Pobreza!

"Panel Unanimously Recommends Cervical Cancer Vaccine for Girls 11 and Up
By GARDINER HARRIS

A federal vaccine advisory panel voted unanimously yesterday to recommend that all girls and women ages 11 to 26 receive a new vaccine that prevents most cases of cervical cancer.

The vote all but commits the federal government to spend as much as $2 billion alone on a program to buy the vaccine for the nation's poorest girls from 11 to 18.

The vaccine, Gardasil, protects against cancer and genital warts by preventing infection from four strains of the human papillomavirus, the most common sexually transmitted disease, according to federal health officials. The virus is also a cause of other cancers in women.

Gardasil is manufactured by Merck and should be available within days. Girls as young as 9 can receive the vaccine if doctors wish, the panel voted.

But Gardasil's benefits could be blunted by a complex brew of practical, economic and religious considerations. On the practical side, Gardasil is supposed to be given as three shots over six months. While pediatricians and government health agencies have long been successful in having parents adhere to complex vaccination schedules for infants, older children are more difficult to manage.

Another challenge is Gardasil's price. At $360 for the three-shot regimen, it is among the most expensive vaccines ever. Because cervical cancer is mostly a disease of poverty, those in most need of the vaccine will be the least able to afford it. State vaccination programs, already under financial strain, may refuse to provide it.

"This vaccine will be more expensive than all other childhood vaccines put together," said John Schiller, a senior investigator at the National Cancer Institute, whose discoveries underpinned Gardasil's development. "How do you make sure it gets to the poor women who need it the most?"

Because Gardasil prevents a sexually transmitted disease, some religious groups have sounded reservations about vaccinating young girls.

"You can't catch the virus, you have to go out and get it with sexual behavior," said Linda Klepacki of Focus on the Family, a conservative Christian group based in Colorado Springs. "We can prevent it by having the best public health method, and that's not having sex before marriage."

Ms. Klepacki's group opposes mandating Gardasil vaccinations. States and school districts have the power to decide whether to mandate vaccinations, but such decisions are usually not made until at least a year after a vaccine is introduced.

In a news conference, the federal panel, the Advisory Committee on Immunization Practices, Dr. Anne Schuchat, director of the immunization program at the Centers for Disease Control and Prevention, called the panel's approval of Gardasil historic and "a breakthrough for women's health."

Though the vaccine is costly, studies presented at the meeting showed that its widespread use would save more in health expenses than the cost of buying the vaccine. In the United States, 9,710 women contract cervical cancer each year, and 3,700 die. Millions of women have annual Pap smears to test for cervical cancer, and tens of thousands undergo further expensive testing and procedures after receiving false positive tests.

Such testing will continue in part because the vaccine's preventive effects are years away but also because Gardasil does not protect against viral strains that cause up to 30 percent of cervical cancers.

Cervical cancer is far more deadly in the developing world. Worldwide, it affects 470,000 women and kills 233,000 each year. Merck and some international health groups have said they are committed to making Gardasil available in the developing world, but the World Health Organization is already struggling to provide a worldwide $3.50 vaccine against five major killer diseases.

In the United States, health insurers will probably cover the cost of vaccinations, Dr. Schuchat said. Poor girls without insurance should be able to get the vaccine through Vaccines for Children, a federal program that distributes nearly half of all vaccines.

In fact, the panel's vote all but commits the federal government to buy vaccines for as many as seven million girls at a total price that could exceed $2 billion. The Department of Health and Human Services must confirm this decision, but such affirmations are routine.

After the government initiates a "catch-up" campaign focusing on girls from 13 to 18, it will seek to vaccinate all 11- and 12-year-olds routinely. The vaccine is most effective if given before girls first have sex.

Girls who are not poor enough to qualify for the federal program but who do not have adequate private insurance may have difficulty obtaining Gardasil. Most states have programs to vaccinate those who fall between the health system's cracks, but budgets are already strained.

Merck also hopes someday to receive approval to have boys vaccinated with Gardasil, which protects against two strains of virus that cause 90 percent of genital warts.

Although a few religious groups have expressed mild reservations about the vaccine, many conservative organizations support it."

sexta-feira, junho 30, 2006

Ah! Ah! Ah! É Demais A Falta De Rigor Dos Media

Eu queria que este post fosse uma elegia à Inspeção-Geral de Saúde, que com imparcialidade cumpriu a sua obrigação analisando rápida, mas eficientemente o processo do "falecido feto vs encerramento de blocos de partos".

Sabendo nós que os inspectores e inspectoras da IGS, são (também) funcionários públicos com as suas qualidades e defeitos, mas principalmente sofrendo com os defeitos e exigências de todos os serviços da Administração Central: trabalho, trabalho, trabalho, trabalho, sem reconhecimento, sem reconhecimento, sem reconhecimento e, acima de tudo, sem retribuição compatível.
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Mas a LUSA, descobriu que as grávidas podem ter "perdas hepáticas" pela vagina.

Coitadas, não lhes chega ter o seu fígado lá encurraldo no abdómen, ainda o vão perdendo pela vagina.
E já repararam se os inspectores da IGS tivesses que investigar também as "perdas hepáticas" daquela grávida, para além da perda do feto?

Eis a notícia veiculada pela LUSA:

"Maternidade/Elvas:Atendimento e transporte sem responsabilidade morte de feto-MS


Lisboa, 29 Jun (Lusa) - O ministro da Saúde afirmou hoje que as averiguações à morte de um feto no hospital de Portalegre, após a transferência da maternidade de Elvas, não atribuem responsabilidades ao atendimento na primeira unidade, nem ao transporte da grávida.

Em declarações aos jornalistas, após uma interpelação do CDS- PP no parlamento, António Correia de Campos asseverou não ser possível estabelecer "um nexo de causalidade" entre o desfecho desta gravidez e o atendimento da grávida e indicou que a morte do feto iria ocorrer independentemente das condições de atendimento.

A morte do feto ocorreu na madrugada de 13 de Junho, no hospital de Portalegre, no dia em que encerrou o bloco de partos da maternidade de Elvas (às 24:00 de 12 de Junho).

A mãe foi primeiramente atendida nesta instituição sendo depois transferida para Portalegre.

O Conselho de Administração do Hospital de Elvas explicou, na altura, que jovem, de 21 anos, tinha sido admitida nas urgências, apresentando "dores moderadas" na região abdominal, sem "perdas hepáticas" (de sangue), e que foi transferida para o Hospital Dr.José Maria Grande, de Portalegre, que faz serviço de apoio à população de Elvas para "situações não emergentes".

A rapariga deu entrada nas urgências de Portalegre, de acordo com Hospital de Elvas, com o diagnóstico de "gravidez de 24 semanas em período expulsivo, ficando internada no serviço de obstetrícia".

O hospital acrescentou que no final desse dia "verificou-se rotura prematura de membranas, tendo ocorrido a expulsão do feto".

HM.

Lusa/Fim.
"

segunda-feira, junho 26, 2006

Portugal Popular, Não É Um Portugal Violento!

A Voz Dos Leitores: Ainda Rui Frade.

"Eu sou Delegado de Propaganda Médica há 26 anos. Actualmente chamam-nos Delegados de Informação Médica. Até 1997 trabalhei medicamentos para todas as especialidades entre as quais estariam a Psiquiatria. Lembro-me do Dr. Rui Frade como médico Interno de Especialidade e lembro-me dele com um conceituado consultório no Porto. Sei que terá tido alguns casos que lhe correram mal, mas em 26 anos de profissão, não conheci nenhum médico que não tenha tido o seu fracasso, assim como não conheço nenhum profissional, seja de que área for, que não tenha de tempos a tempos algo que lhe corra mal, incluindo eu.
Saudações amigas,
Larousse

"A Ignorância é a mãe do Preconceito e este é o pai maldito de todas as tragédias sociais"
Larousse
"

quinta-feira, junho 15, 2006

A Feira, O Circo, A Banha-da-Cobra

Há de tudo.

Diagnosticar, prescrever, produzir e vender.

Tudo em família.

Seriedade? Será que a "banha-da-cobra" também não dá resposta a isto: "Aqui, entre muitos outros, podem ser resolvidos problemas de tiróide, próstata, problemas mamários, pólipos, alzheimer, asma e bronquite, refere Dulce Santos."

Ah, faltam as hemorroidas e as varizes.


"MEDICINA NATURAL - Clínica Rituais abriu na Figueira da Foz

A Clínica Rituais foi recentemente inaugurada na Figueira da Foz. Uma aposta no bem-estar dos clientes, promovendo um acompanhamento personalizado, cuidado e natural.

A Clínica Rituais funciona no número 3 da Travessa do Morim, junto ao Centro de Emprego. Vocacionada para todo o tipo de tratamentos de medicina natural, os seus utentes podem usufruir de todo o tipo de tratamentos com produtos naturais e à base de água, “fiáveis, rigorosos e seguros”, o que lhes confere a “certeza de bons resultados”.

Segunda Dulce Santos, a proprietária do espaço, “a Clínica Rituais” está bem preparada e tem nos seus colaboradores bons profissionais, além de estar equipada com as tecnologias mais avançadas para todo o tipo de patologias.

A técnica referiu que na clínica serão administrados “tratamentos únicos, rigorosos e sérios”, contribuindo para tal, a tecnologia única e exclusiva, existente, ao serviço do bem-estar dos clientes. Aqui, entre muitos outros, podem ser resolvidos problemas de tiróide, próstata, problemas mamários, pólipos, alzheimer, asma e bronquite, refere Dulce Santos.

Os utentes tem ao seu dispor, das 09H00 às 20H00, sem interrupções para almoço e, de segunda a sexta-feira, consultas de Naturopatia, Reflexologia, Iridologia, Hipnoterapia, Homeopatia e Shiatsu.

Dulce Santos trabalha em parceria com Clara Esteves (profissional com experiência de 15 anos em internamento e IPO), sendo que ambas estagiaram com Fernando Figueiredo (conhecido, de entre outros, do programa televisivo “Hora Viva”).

António Barreiro é o responsável pelo shiatsu e pelo reiki e José Amsellem Santos pela Hipnoterapia. Os utentes encontram no espaço muitos dos produtos prescritos, sendo os mesmos, na sua maioria, exclusivos na zona centro e produzidos segundo receita de Fernando Figueiredo."

Uma notícia (??!!) no jornal As Beiras.

A Compressa, O Médico E O Advogado Negligente.

A compressa lá ficou, infelizmente.

O médico acabou o seu trabalho e a enfermeira-instrumentista contou, mas contou mal as compressas utilizadas e recuperadas.

O advogado, na ânsia de atacar e condenar "os médicos", esqueceu-se de acusar a enfermeira-instrumentista. Isto é, foi negligente com o seu cliente.

Obviamente, o tribunal confirmou que uma compressa ficou onde não devia, mas absolveu o médico, afirmando na sentença que a responsabilidade da contagem das compressas pertence à enfermeira-instrumentista e que o advogado esqueceu-se de a incluir no rol dos putativos culpados.

Mas o que choca, é que, apesar da sentença ser tão explícita, o pasquim Diário de Notícias, escolheu este título: "Absolvido médico que se esqueceu de uma compressa".

Mas isto são jornalistas? Ou serão pategos da comunicação?

E Esta Pérola Do Nosso Jornalismo!

No JN de hoje:

"A jovem deverá ter tido alta ao fim do dia de ontem e a perda do seu feto, às 24 semanas, horas depois de ter sido internada nos serviços de Obstetrícia do Hospital de Portalegre, veio dar força aos que têm contestado o fecho do bloco de partos no Hospital de Elvas."

Mas se a expulsão (aborto) tivesse acontecido no Hospital de Elvas, a notícia seria assim:

"A jovem deverá ter tido alta ao fim do dia de ontem e a perda do seu feto, às 24 semanas, horas depois de ter sido internada nos serviços de Obstetrícia do Hospital de Elvas, veio dar força aos que têm contestado o não-fecho do bloco de partos no Hospital de Elvas."

quarta-feira, junho 14, 2006

Assim Se Vê A Força Da Manipulação!

Da Sic on-line (o conteúdo da notícia não tem nada que ver com o que o seu título subliminarmente quer transparecer!)

"Grávida de Elvas perde bebé em Portalegre

Mulher ainda deu entrada nas urgências de Elvas

Uma jovem de 21 anos grávida de 24 semanas perdeu o feto hoje de madrugada, no Hospital de Portalegre, horas depois de ser transferida a partir das urgências de Elvas, informou a unidade hospitalar.

O Conselho de Administração do Hospital de Santa Luzia de Elvas, cuja sala de partos foi encerrada ontem, explica em comunicado divulgado ao final da tarde, que, "às 17h47, a jovem foi admitida nas urgências, apresentando "dores moderadas" na região abdominal, sem "perdas hemáticas" (de sangue).

"Às 18h00 foi transferida para o Hospital Dr. José Maria Grande de Portalegre que, na rede nacional, de acordo com a requalificação dos serviços de Urgência peri-natal, constitui o serviço de apoio à população de Elvas, para as situações não emergentes", refere o hospital.

A jovem deu entrada nas urgências de Portalegre às 19h07, de acordo com o hospital de Elvas, com o diagnóstico de "gravidez de
24 semanas em período expulsivo, ficando internada no serviço de Obstetrícia. (...) Às 20h15 verificou-se rotura prematura de membranas, tendo ocorrido a expulsão do feto às 00h20 de hoje", ou seja cerca de cinco horas depois de ter dado entrada na unidade de Portalegre, acrescenta a administração hospitalar de Elvas.

O comunicado refere, por último, que a jovem continua internada no serviço de Obstetrícia do Hospital de Portalegre, devendo ter alta "nas próximas horas". Contactada pelos jornalistas, a administração hospitalar de Elvas recusou, alem do teor da nota informativa, prestar quaisquer esclarecimentos adicionais.

Este caso foi hoje utilizado pelo presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Elvas, João Carpinteiro, para pôr em causa o transporte de grávidas após o encerramento do bloco de partos da Maternidade de Elvas, que ocorreu segunda-feira.

Carpinteiro também é membro do movimento cívico Pró- Maternidade de Elvas e dos "Amigos da Fundação Mariana Martins", instituição proprietária da maternidade.

"Perto das 18h00 de segunda-feira os bombeiros receberam um alerta do hospital de Elvas para transportar uma grávida para Portalegre. O bombeiro que se deslocou ao local, ainda perguntou se não era necessário o transporte ser acompanhado por algum profissional de enfermagem ou médico, mas disseram que não", argumentou.

João Carpinteiro considerou ainda que, "com o fecho da sala de partos está tudo a ser tratado em cima do joelho. Enviámos a nossa ambulância mais moderna, medicalizada e com os aparelhos necessários a bordo, e, além de não ter indicado um profissional para acompanhar o motorista, o hospital também não nos solicitou um maqueiro para apoiar", acrescentou.

Contactado pela Lusa, o comandante da corporação dos bombeiros de Elvas, José Santos, recusou pronunciar-se pormenorizadamente sobre este caso, mas frisou: "O hospital e a maternidade de Elvas não se entendem, mas os bombeiros não podem entrar nestes conflitos".

O comandante dos bombeiros explicou à Lusa que, no caso de situações de risco no hospital de Elvas, mesmo antes do fecho da sala de partos, "sempre foram encaminhadas para os hospitais de Portalegre ou Évora".

Esta polémica local surge após o encerramento a sala de partos da cidade por determinação do ministro da Saúde, Correia de Campos, uma decisão contestada pela Fundação proprietária da maternidade e por um movimento cívico constituído para o efeito, entidades que já interpuseram duas providências cautelares em tribunal, das quais se aguarda decisão."

segunda-feira, junho 12, 2006

Parabéns Scolari! Fizeste O Impossível!

O sr Scolari conseguiu que uma parte significativa da população, concretamente muitos adeptos do FCP, não vibrassem com a selecção.

Com as suas guerrilhas patetas (como a dos intelectuais!) retirou-me a alegria de gritar pela minha selecção, que se transformou na seleção do Scolari.

Nunca estive tão indiferente aos êxitos da selecção do meu país, como hoje! Nem no Euro estive tão amorfo...

domingo, junho 11, 2006

"Médicos defendem notificação de erros em saúde."

No Público de 02/06/06, por Catarina Gomes.

"Receber tratamentos em hospitais ou outras unidades é mais perigoso do que andar de avião, defendeu clínico."

Em Portugal, deveria ser criada uma lei para fazer com que a notificação de incidentes médicos às autoridades seja uma rotina, defenderam ontem três responsáveis médicos no II Congresso da seguradora Médis, que decorreu em Lisboa.

Receber cuidados numa unidade de saúde põe tanto em risco a vida como escalar montanhas e é mais perigoso do que andar de avião, afirmou Nicolás Garcia, médico da Clínica Universitária de Navarra, em Espanha, com base num estudo científico.

* Tratamentos médicos desadequados,
* infecções hospitalares ou
* erros

são alguns dos possíveis perigos que um doente enfrenta numa unidade de saúde, juntou.

O bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, afirmou que a cultura de culpabilização de profissionais de saúde esconde, muitas vezes, as causas dos "acidentes médicos", designação que diz ser mais fiel à realidade do que "erro médico".

E a designação "nada tem de corporativo", reiterou. Ao usar o termo "acidente médico", está-se a incluir casos de negligência médica, de "erro involuntário", de problemas de equipamentos ou até de problemas de rotulagem de fármacos que podem induzir em erro e levar à administração errada, referiu.

"Tudo o que corre mal devia ser reportado", disse o bastonário. Mas são muito poucos os hospitais portugueses que dão conta de "acidentes" ocorridos com os seus doentes, defendeu o responsável. Cinquenta por cento dos erros são evitáveis.

Na cultura ocidental, "o erro está associado à culpa", mas falta haver "aprendizagem com o erro", defendeu, por seu turno, José Fragata, cirurgião do Hospital de Santa Marta e professor da Faculdade de Medicina de Lisboa.

"Setenta por cento dos erros não têm consequências, cinco por cento são muito graves e podem implicar a morte. Cinquenta por cento dos erros são evitáveis", conclui, baseando-se em estatísticas internacionais.

De 20 ocorrências, só uma não é ocultada, nota.
O médico afirma que a procura da culpa faz esquecer a origem do problema, que tem, na maiorias das vezes, razões no sistema.

Fragata descreveu o erro médico muitas vezes como "erro honesto", algo diferente da "negligência". "Falhas organizacionais são a maior causa de acidente." O relato destas situações, voluntário ou compulsivo, é uma das hipóteses que se deviam colocar, notou.

O presidente da Associação dos Médicos Gestores de Unidades de Saúde, João Gamelas, disse que deveria haver "uma política nacional do erro". "O relatório de ocorrências de erro ou de situações anómalas devia ser obrigatório por lei."