sexta-feira, dezembro 15, 2006

Choro Convulsivo!

Este post deveria ter sido colocado há cerca de um mês.

Mas eu próprio me senti "sentido" e só hoje decidi postá-lo com um "P grande".

Fui procurado telefonicamente por um doente que habitualmente sigo no consultório insistindo que necessitava de falar urgentemente comigo.

Sabia quem era e lembrava-me que o tinha referenciado a uma determinada especialidade para ser sujeito a uma ...scopia que pressupunha uma posição inabitual.

A suspeita já de si era grave.

Lá conseguiu ser observado num dos melhores (ou maiores) hospitais públicos do país e lá se agendou o exame.

Quando o doente entrou no meu consultório, inicia um choro convulsivo que me emocionou. É um homem que já passou por muito, incluindo a injusta guerra.

Pensei: Confirmou-se o pior, tem cancro e vê a sua vida que ainda está a meio, a reduzir-se muito.

Deixei-o chorar, e quando acabou diz-me, soluçando:

- "Não pode ser! Não pode ser!"

- "Fui tratado como gado naquele hospital."

- "Puseram-me mais de uma hora naquela posição, ao frio, sem me ligarem, passada essa hora chega o médico, com maus modos, com muitas enfermeiras atrás, tudo na galhofa, trata-me mal, pergunta-me o que estou ali a fazer, agride-me verbalmente reafirmando que não deveria estar ali. Para ir para o hospital da minha terra e que não havia nada a fazer."

- "Não pode ser senhor doutor. Foi aquele médico que depois de me observar me mandou para aquele hospital e depois diz que estou ali a mais, depois de me deixar mais de uma hora numa posição incómoda, própria de mulheres. Não pode ser!" Reiniciando o choro convulsivo.

Propus-lhe que fizesse uma reclamação. Não quis. O seu objectivo não era esse. Era mesmo só falar.

(A)moral da história: história sem moral.
Há ALGUNS médicos que deviam ser porqueiros (porqueiro: homem que guarda porcos.)

terça-feira, dezembro 12, 2006

Banca lucra 6,6 milhões por dia !!?? (Não Haverá Engano?)

No Jornal de Negócios de hoje.

"No primeiro semestre de 2006.


Os bancos a operar em Portugal tiveram um lucro diário de 6,6 milhões de euros nos primeiros 181 dias do ano. De acordo com os dados revelados pelo Boletim Informativo da Associação Portuguesa de Bancos (APB) referentes ao primeiro semestre de 2006, o resultado líquido da Banca ascendeu aos 1,2 mil milhões de euros. A maioria dos lucros decorreu de juros e de comissões sobre serviços.
"

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Pois É! Cá Para Lá Caminhamos...

No Diário Económico de hoje, por Sofia Lobato Dias

"Bush sem soluções para controlo de custos

Médicos da Flórida fogem com medo de processos.

Nos Estados Unidos, a factura das despesas coma medicina defensiva chega aos onze dígitos, batendo todos os recordes possíveis.

São quase 77 mil milhões de euros, entre processos judiciais, honorários com advogados, companhias seguradoras e toda uma parafernália de exames, análises e cirurgias desnecessárias. Os números foram recentemente revelados pela própria administração Bush, alarmada comas proporções que o fenómeno está a atingir, não só ao nível financeiro mas também ao nível da Saúde
”.

domingo, dezembro 10, 2006

Nesta Data

Relembro o meu colega Salvador Allende que trocou a medicina pela política.

Afinal Somos Bons!

No Diário Digital de hoje:

"Unicef: Portugal é dos países com menos mortalidade infantil


Portugal é um dos países do Mundo com mais baixa taxa de mortalidade infantil ao registar, no ano passado, cinco mortes em cada mil crianças, revela um relatório da UNICEF hoje divulgado.

De acordo com o relatório «Situação da Infância 2007», do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Portugal é o 13º país (em mais de 180) com a mais baixa taxa de mortalidade infantil.

Suíça, Eslovénia, Finlândia, Itália, Japão, Liechtenstein, Noruega, República Checa, Suécia, Andorra, Singapura, Islândia e San Marino são os países que aprestam uma taxa de mortalidade infantil mais baixa do que Portugal.

Segundo o documento da UNICEF, em 1990 registaram-se em Portugal 14 mortes por cada mil crianças, enquanto em 2005 o número de mortes desceu para cinco em cada mil.
O mesmo relatório indica ainda que em 2005 nasceram em Portugal 111 mil bebés e morreram mil crianças até aos cinco anos de idade.

O documento acrescenta ainda que nesse ano, oito por cento dos bebés em Portugal tinham baixo peso (menos de 2,5 quilos) quando nasceram.

A UNICEF destaca que a taxa de natalidade no país tem vindo a diminuir, tendo-se apenas registado um aumento de 0,3% da população entre 1990 e 2005.

O relatório indica igualmente que Portugal é um dos países do mundo com a esperança média de vida mais elevada, 78 anos.

A esperança média de vida só é mais alta na Suíça, Suécia, Noruega, Nova Zelândia, Finlândia, Holanda, Islândia, Itália, Israel e Luxemburgo.

O relatório da UNICEF refere ainda que em Portugal há um maior número de raparigas matriculadas no ensino secundário do que rapazes.

De acordo com o documento, menos de dois por cento da população portuguesa vive com menos de um dólar por dia (cerca de 80 cêntimos).
"

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Para Os Fundamentalistas Do Relógio de Ponto!

Paulo Mendo, médico e ex-ministro da saúde no Primeiro de Janeiro de hoje.

Fui muito prejudicado quando o dr Paulo Mendo foi ministro. Só o Tribunal me deu razão, mas concordo com este seu artigo.

"Pontualidade e livro de ponto

Noticiaram, há dias, os jornais e a televisão que nos hospitais públicos a presença do pessoal passaria a ser feita por controlo informático biométrico. Disso será pioneiro o Hospital de Matosinhos onde esse método acaba de entrar em pleno funcionamento.

Julgo que o processo é mais ou menos o seguinte: o funcionário chega, digita o seu passe, põe o dedo onde a máquina manda e a sua presença e hora é registada.
Método que a tecnologia tornou simples e eficaz e que naturalmente saúdo. Mas, com a experiencia de quarenta anos de vida hospitalar, já vi e vivi não sei quantos processos de controlo das presenças, sem que lhes possa atribuir uma qualquer influência no verdadeiro funcionamento dos serviços.

Lembro-me que o relógio de ponto era usado no controlo das presenças médicas no Hospital de S. João, quando este foi inaugurado. Quem entrava marcava o ponto e o mesmo fazia à saída. Simplesmente, como é óbvio, não era o ponto que controlava o que o médico fazia entre a entrada e a saída devidamente registadas. Por isso, qualquer um podia sair, ir à sua vida extra hospitalar e quando tinha tempo, lá para o fim da tarde, vinha marcar o ponto de saída, ficando comprovado o seu dedicado trabalho, tantas vezes para além das horas contratuais!

Foi esse processo abandonado e durante a minha vida profissional conheci variadas tentativas de exercício deste controlo. Assim no Hospital de Santo António, quando ainda era administrado pela Misericórdia do Porto, existiu, durante um período longo, um livro de ponto que íamos assinar ao Gabinete do Director, havendo assim um controlo visual e hierárquico sobre as entradas.

Mais tarde passou a assinar-se o livro de ponto nos serviços, com, escrita pelo interessado, a sua hora de entrada e de saída, sendo posteriormente, esse livro, que permanecia no serviço, substituído por folhas de ponto, que eram recolhidas pelos serviços centrais administrativos, pouco tempo depois do início do horário de trabalho. E confesso que nunca vi que esses vários processos fossem mais do que tentativas falhadas para controlar a produtividade do pessoal, nomeadamente dos médicos.

E, isto, porque a única forma de garantir a presença funcional de alguém é fazê-lo indispensável para que o trabalho se processe. Nos grupos de funcionários trabalhando em equipas, onde cada qual é responsabilizado perante o grupo e onde a sua falta intempestiva bloqueia todo o trabalho, a marcação da entrada não passa, quando muito de uma necessidade administrativa, sendo completamente inútil para avaliação da produtividade do funcionário.

Se o funcionário não está responsabilizado perante os outros, se não tem tarefas marcadas, se não tem horários a cumprir, então o registo de entrada para nada serve, por que não será esse registo que o impedirá de nada fazer, de permanecer no bar a ler o jornal ou mesmo, eventualmente, a sair, definitivamente, ou regressando para marcar o ponto de saída se a isso é obrigado.

Se o processo agora incrementado é uma simples e talvez necessária acção burocrática, nada nos diz da eficiência dos “controlados”, se não assentar numa organização do trabalho em que seja nítida e conhecida a responsabilidade de cada qual face aos outros.

E existindo isso o controlo de entrada e saída é, funcionalmente, inútil.
Muito mais importante seria uma permanente luta contra a falta de pontualidade, doença crónica deste país, que ocasiona ritmos de trabalho lentos, início de acções programadas com atrasos inadmissíveis e representa uma falta de respeito pelos outros, que seria intolerável, se não fosse um pecado que todos aceitam, porque quase todos praticam

Conto uma história passada há dias com um amigo meu.

Convocado para uma junta médica às dez e meia da manhã, aí chegou, cumpridor e responsável como sempre foi, um pouco antes da hora.
Depois de esperar mais de meia hora, vê sair os elementos da junta que vão tomar um “cafezinho” a meio da manhã, interrompendo o seu trabalho, desprezando quem na sala de espera aguardava a sua vez e provavelmente nem lhes passando pela cabeça que estavam a fazer qualquer coisa de inadmissível.
E o mais grave é que nesta nossa terra ninguém protesta, tal é a aceitação da entrada nas consultas com duas horas de atraso, do início das conferências sem respeito pelos horários programados, da chegada às reuniões muito depois das horas marcadas e que sistematicamente o “maldito trânsito” justifica.
E, como verificou uma equipa que recentemente fez um estudo sobre este nosso defeito (congénito?), todos os entrevistados se queixaram da falta de pontualidade dos outros, mas todos, ou quase todos, se afirmaram praticantes de uma pontualidade exemplar.
Talvez por isso seja tão difícil uma pedagogia da pontualidade!
E essa sim é que deveria poder ser sujeita a permanente monitorização informática generalizada."

quarta-feira, dezembro 06, 2006

É Por Isto Que O Meu Voto É Pelo Sim

Apenas por isto. Com o SIM salvo vidas.

Sem mais comentários.

No Diário de Notícias de 25 de Novembro.

"Complicações por aborto afectam cinco milhões

Os números fazem lembrar os de uma epidemia. Mas, ao contrário das epidemias que são provocadas por vírus, esta tem causas muito humanas. De acordo com um estudo publicado na revista científica Lancet, cinco milhões de mulheres de países em desenvolvimento têm que ser anualmente hospitalizadas por complicações de saúde, na sequência de abortos realizados em condições de segurança ou de higiene deficientes. E, destas, 68 mil acabam mesmo por morrer. A Organização Mundial de Saúde calcula que todos os anos são feitos 19 milhões de abortos no mundo.

Em comparação, "nos países desenvolvidos, as complicações de saúde por abortos são raras", escreve a autora, Susheela Singh, do Instituto Guttmacher, em Nova Iorque, sublinhando a diferença de padrões de vida.

Segundo esta médica e investigadora, os números mostram que as consequências destes abortos feitos em condições deficientes geram um enorme problema de saúde pública nos países em desenvolvimento, com impacto nas famílias e na própria economia.

"A melhor maneira de eliminar esta causa altamente evitável de doença e de morte das mulheres, seria tornar seguro e legal o acesso a serviços para interrupção voluntária da gravidez", afirma Singh, sublinhando que um outro objectivo imediato para evitar gravidezes indesejáveis seria "implementar o uso de métodos contraceptivos". Estes objectivos, diz Susheela Singh, são prioritários e críticos nestes países.

A investigadora analisou dos dados de 13 países em desenvolvimento (do Egipto ao Brasil, Chile ou Uganda), relativos às admissões hospitalares de mulheres com idades entre os 15 e os 44 anos, em consequência deste problema.
"

Gralha? Incúria? Ai Senhores Jornalistas Um Pouco Mais De Respeito Pelos Leitores

Jornal de Notícias de 5 de Dezembro, por Helena Norte e Reis Pinto.

São duas notícias numa, mas a segunda é este "case study":

.../...

"Internato e doutoramento

Os médicos que desejem fazer o doutoramento em simultâneo com o internamento de especialidade poderão fazê-lo, já a partir do próximo ano. O ministro da Saúde anunciou, para breve, a aprovação da legislação que altera o regime de internamento e que permitirá acoplar a vertente de investigação clínica à da especialização. O programa de doutoramento em Medicina Clínica integrado no internato de especialidade deverá ser aprovado, nas próximas semanas, em Conselho de Ministros e resulta de uma colaboração entre os ministérios da Saúde e da Ciência, Inovação e Ensino Superior, explicou Correia de Campos, no Porto, depois de ter presidido à apresentação do Infocancer. O objectivo desta medida é "recuperar o atraso" nesta área e proporcionar aos jovens médicos, interessados em fazer investigação científica, a oportunidade de fazerem o doutoramento durante o internato, que terá uma duração mais longa, visto parte do tempo ser ocupado com investigação."


Em que ficamos: internato ou internamento?

terça-feira, dezembro 05, 2006

Mas Não Pode Mesmo?

A notícia foi repescada do Jornal de Negócios de Setembro, dia 4:

Inteiramente de acordo com esta acção da IGS.

E a IGS não terá também autoridade para obrigar o Estado a pagar o que deve aos seus profissionais? E é tanto...


Título: "Inspecção-Geral recuperou mais de um milhão euros na Saúde."

Sub-título: "Mais de um milhão de euros que estavam por cobrar ou tinham sido indevidamente pagos a profissionais no Serviço Nacional de Saúde (SNS) foram recuperadas pela Inspecção-Geral da Saúde em 2005, segundo o relatório de actividades deste organismo."

"Mais de um milhão de euros que estavam por cobrar ou tinham sido indevidamente pagos a profissionais no Serviço Nacional de Saúde (SNS) foram recuperadas pela Inspecção-Geral da Saúde em 2005, segundo o relatório de actividades deste organismo.

De acordo com o documento, a que a Agência Lusa teve acesso, a Inspecção-Geral da Saúde (IGS) foi chamada a intervir em 19.693 situações no ano passado.


No mesmo período, a actuação deste organismo resultou na recuperação de 1.177.802 euros, dos quais 957.030 euros foram relativos a remunerações, 95.502 euros a horas extraordinárias, 46.765 euros a senhas/taxas moderadoras e 78.505 euros a outros valores pagos indevidamente.


Os 1.177.802 euros recuperados representam a esmagadora maioria dos 1.396.919 euros que a IGS apurou terem sido pagos indevidamente ou se encontravam por cobrar.
A acção da IGS com incidência financeira resultou ainda na instauração de oito processos de natureza disciplinar.


Uma das acções desenvolvidas pela IGS no ano passado foi o acompanhamento da inspecção às "Remunerações e outras regalias dos dirigentes e gestores dos estabelecimentos e serviços do Serviço Nacional de Saúde (SNS)".


Esta intervenção teve por objecto as remunerações e outras regalias dos dirigentes máximos e gestores dos estabelecimentos e serviços do SNS.
Foi abrangida a totalidade dos estabelecimentos hospitalares e organismos regionais de saúde, envolvendo a avaliação dos aspectos remuneratórios e outras regalias, de mais de 300 dirigentes e gestores do SNS.


A IGS estimou em 1.196.287,58 euros o valor das importâncias a repor, uma vez que foram "indevidamente processadas". Deste montante, "mais de 80% do valor apurado já foi regularizado ou encontra- se em vias de regularização", ou seja, 957.030 euros.
Além da devolução dos montantes, decorrem "26 procedimentos de natureza disciplinar (inquéritos e processos disciplinares) para melhor esclarecimento e apuramento de eventuais responsabilidades disciplinares".


Em relação às horas extraordinárias, a IGS recuperou em 2005 95.502 euros, tendo realizado nesse período o acompanhamento das medidas tomadas pelos órgãos de gestão das Administrações Regionais de Saúde (ARS), em articulação com os coordenadores sub-regionais de saúde e com os órgãos de gestão dos hospitais, para promover a análise e implementação das recomendações emitidas pela IGS, em 2003 e 2004, nos relatórios das inspecções temáticas sobre as horas extraordinárias nos estabelecimentos hospitalares do SNS.


Já em 2003, a IGS tinha apurado que "o grupo de pessoal médico é responsável por cerca de 77 por cento dos encargos com o trabalho extraordinário e o serviço de urgência absorve, na totalidade ou na quase totalidade, os custos com as horas extraordinárias, destacando- se naturalmente e de novo o grupo de pessoal médico, uma vez que, em vários hospitais, o total dos encargos com trabalho extraordinário do pessoal médico se refere ao serviço de urgência, e, nos restantes casos, traduz sempre valores percentuais elevados".


No ano passado, a IGS procedeu ainda ao acompanhamento do cumprimento das recomendações emitidas numa intervenção anterior que visou garantir a regularidade dos procedimentos administrativos e a fiabilidade dos registos contabilísticos relativos à cobrança de taxas moderadoras, bem como a regularidade das situações de isenção do seu pagamento.
Nessa intervenção, a IGS apurara que 70% das isenções às taxas moderadoras concedidas pelos centros de saúde eram ilegais, fazendo com que o Estado perdesse anualmente milhões de euros.


A auditoria da IGS apontou ainda para uma falta de controlo total, por parte dos centros de saúde e das sub-regiões às quais pertencem, das verbas cobradas.
De acordo com o relatório das actividades desenvolvidas em 2005 por este organismo fiscalizador, nesse ano foram recuperados 46.765 euros relativos a senhas/taxas moderadoras.


Em 2005, a IGS contou com 37 inspectores e 37 elementos de outro pessoal."

quinta-feira, novembro 30, 2006

Francisco José Viegas: Em Que Mundo Vive?

Crónica de Francisco José Viegas no Jornal de Notícias, dia 29, intitulada "O governo ou o caos":

Uma das tentações mais medíocres do homem público consiste em queixar-se da imprensa. Acontece a todos e a lista de queixosos é vasta, desacreditada e, vá lá, está cheia de gente inutilizada pela política.

O senhor ministro da Saúde foi recentemente à televisão e, a meio, sucumbiu à tentação de falar dos seus inimigos ocultos ou com identidade duvidosa. Diante das câmaras da SIC Notícias, o senhor ministro da Saúde acusou os jornalistas em geral, bem como as televisões e os jornais, de receberem dinheiro da indústria farmacêutica a fim de publicarem ou difundirem as instruções, as notícias, as indicações e a opinião da mesma indústria. Eu, que li "O Fiel Jardineiro", de John Le Carré, muito antes do senhor Ministro, e que na extinta "Grande Reportagem" acompanhei as investigações em redor do "caso Pequito", sucumbi à revelação finalmente, alguém com elevadas responsabilidades políticas, como é o caso do senhor ministro da Saúde, permitia-se o luxo de fazer acusações na televisão. Não acusações tão vagas como mencionar a existência de uma conspiração, de uma rede de acordos obscuros, de uma máfia dos medicamentos e dos negócios hospitalares. Não. O senhor ministro da Saúde, com a sua habitual placidez, indicava dois inimigos brutais: os jornalistas e a indústria farmacêutica. Naturalmente, havia provas, havia dados, havia factos, havia demonstração clara de uma conspiração, de uma negociata e de uma barreira (até aí invisível, portanto) contra o sistema de saúde português.

Desilusão. Analisadas as declarações, bem vistas as frases, tratava-se apenas de uma acusação tão vaga como a de Santana Lopes contra os árbitros de Canal Caveira. O que diz quase tudo sobre a matéria.

Procurei no site do sindicato dos jornalistas uma reacção contra as declarações do ministro; nada. Visitei os blogues mais atentos ao assunto; nada. Procurei no site da digníssima Entidade Reguladora da Comunicação Social, tão sempre vigilante; nada. Um cidadão (embora ministro) faz acusações tão fortes e definitivas, acusando jornalistas de receberem dinheiro e a indústria de o fornecer com abundância - e ninguém liga ao assunto. Que desperdício.

No dia seguinte, porém, um assessor do ministro aparece para deslocar a acusação afinal, a indústria não paga aos jornalistas e sim às agências de comunicação que, a seu bel-prazer, publicam e difundem essas notícias junto da opinião pública. Sinceramente, é pior a emenda do que a asneira anterior: como a entidade "os jornalistas" é demasiado difusa, a assessoria do senhor ministro encontrou as agências de comunicação (às quais o governo e o ministério da Saúde recorrem abundantemente) como alvo, e as empresas de comunicação social como parceiros de mais "uma cabala".


Não compreendo a sua admiração (posso compreender a indignação!) perante aquilo que já é um lugar comum sobre a força, o poder e o dinheiro:

"A indústria não paga [SÓ] aos jornalistas e (sim) às agências de comunicação que, a seu bel-prazer, publicam e difundem essas notícias junto da opinião pública".

Paga a médicos, enfermeiros, farmacêuticos, associações de doentes (agora é a grande moda!), sociedades científicas, suplementos em jornais generalistas de referência, NOTÍCIAS, ENTREVISTAS, etc.

E não compra só a prescrição de médicos e enfermeiros (sim, também de enfermeiros!) ou a substituição de fârmacos nas farmácias:

- influencia estudos clínicos,
manobra guidelines,
compra artigos em revistas credíveis,
influencia até (há quem diga!) a poderosa FDA (Food and Drug Administracion),
inventa doenças para as quais tem o remédio certo,
etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc.

O grande problema é que a incansável avidez pelo lucro, também faz avançar a investigação científica, a descoberta de novos medicamentos, o aperfeiçoamento de outros.

Não tenhamos dúvidas. Se a Indústria não existisse, não seriam os Governos a aprofundar a investigação sobre o cancro, a sida, as doenças neurológicas, o Alzheimer, e por aí fora,

Enfim. É o capitalismo. O mercado. As duas faces da moeda...

domingo, novembro 26, 2006

De Acordo!

Na revista XIS do Público, de 25 de Novembro, por Marta Condesso, de Aveiro.



"Às Médicas que assistiram o Meu Pai

Esperei, propositadamente, o passar do tempo, para que não questionassem a lucidez das minhas considerações. Sou filha de um doente oncológico, falecido há um ano. O que se segue não são, portanto, palavras precipitadas (de quem está "louco" com a dor de uma perda recente).

Venho, porque me impus este dever, convencida que estou de não falar só por mim, mas também em nome de muitas outras famílias. E na esperança (vontade séria e profunda) de que origine reflexão e mudança.

Venho pela distância (inaceitável). Venho pelo desacompanhamento. Venho pela inexistência de relação médico-paciente. Venho pelo sempre pouco tempo. Pela indisponibilidade manifesta. Venho pelo(s) silêncio(s). Venho por uma "parede" difícil de enfrentar (quando as forças eram precisas noutras "frentes"). Venho pelos monossílabos, "gelados", em que nos falavam: em voz baixa, de olhos postos nos papéis ou no écran do computador; depois de intermináveis momentos de indiferença à nossa presença (nunca desnecessária, abusiva, ignorante): nós, ali, ao alto; humildes e em sofrimento.

Venho porque ouvir o meu pai (juiz desembargador, portanto, "viciado" na racionalidade, moderação e contenção dos seus juízos) dizer "Eu não hei-de morrer a estas mãos!" foi terrível. E é grave.

Estou obviamente consciente do avultado número de doentes; da responsabilidade do vosso trabalho; da escassez do vosso tempo e da excelência do vosso saber científico. Mas não é isso, evidentemente, que está em causa. Falo da Dignidade na doença (da privação dela!), quando mais do que nunca ela é importante. Falo de um grau mínimo de exigência...

Refiro-me a toda uma (outra) atitude; a um outro uso do mesmo tempo em consulta: olhar (Olhar nos olhos) é fundamental e básico numa relação que se pretende de confiança; cumprimentar e despedir com um sorriso; revelar uma disposição e um ânimo atentos; transmitir disponibilidade e calma; mostrar interesse e empenho (em vez de um distanciamento terrivelmente constrangedor), não é "leviandade" nem nada tem a ver com a gravidade do problema ou com "falsas esperanças".

Exercer Medicina numa área particularmente difícil como é a vossa, em que difíceis serão sempre todos os pacientes (independentemente dos diagnósticos: mais felizes ou menos), só pode obrigar a um relacionamento especial: de mais comprometimento; mais exigente; mais sensível; mais entregue! Estabelecê-lo parece-me uma obrigação profissional. Melhorarem (melhorarem muito, na minha opinião): uma urgência.

Há uma percentagem no Sofrimento (todo) do meu pai, por que o vosso comportamento é responsável. E isto é difícil de esquecer... Acrescentar-se a tantos sentimentos "negros e fundos", que já suporta uma pessoa gravemente doente, a sensação de absoluto abandono, de solidão e frieza, em relação ao seu médico, será com certeza negligente.

Resta-me lamentar ainda que, com este não-envolvimento (no que respeita à dimensão humana — que tentei expor e que não pode considerar-se um "extra") percam a oportunidade de conhecer pessoas incríveis, raras, maravilhosas (e perdoem-me a parcialidade de acrescentar: como o meu pai), que passam por essas salas (às vezes durante tanto tempo). É uma pena. É uma pobreza. Mas é, acima de tudo, profundamente injusto.

Despeço-me, com a tranquilidade do "dever cumprido": escrevendo, tento que não volte a acontecer com ninguém!

13 de Novembro de 2006
"

O que gostava de saber:

- A que nível de cuidados de saúde se passou?

- Qual a duração da doença?

- Como evoluiu a fase terminal da doença?

- A posição das médicas?

- Existiu o sentimento de impotência? Ou de desleixo? Ou de frieza?

- Não teriam faltado os cuidados paliativos ou continuados?

Condolências Ao Jornalismo Português.

sábado, novembro 25, 2006

Será Que É Solução?

No Expresso de hoje, por Ana Sofia Santos:

"Laboratórios cortam emprego

As principais empresas farmacêuticas já iniciaram a vaga de dispensas prevista dos delegados de informação médica
Alterar tamanho

Os delegados de informação médica (DIM) vivem dias difíceis, acossados pelo fantasma do desemprego. Fala-se na existência de uma estratégia concertada entre os principais laboratórios farmacêuticos, que actuam no mercado português, para aliviar os quadros de pessoal.

Os nomes ventilados são: Pfizer, Glaxo Farmacêutica, Sanofi Aventis, Solvay Farma, Wyeth Lederle, Merck Sharp & Dohme, Bristol-Myers Squibb e Serono. Serão à volta de centena e meia os delegados que já aceitaram rescindir o contrato de trabalho e aqueles que foram contactados para negociar a sua saída. Numa altura em que a especulação se espalha como um rastilho de pólvora, consta mesmo que na calha está a eliminação de mil postos de trabalho, nos próximos meses.

Aliás, corre que existe um acordo informal entre o Governo e a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma), para reduzir em 23% o total de DIM que existem actualmente (7887, segundo o Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento), até 2008. O objectivo é refrear as vendas de medicamentos e o consequente aumento da despesa pública com comparticipações.

Fonte oficial do Ministério da Saúde afirma desconhecer qualquer acordo que estabeleça uma meta deste tipo. E a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma) nega peremptoriamente a existência de um compromisso oficioso. A porta-voz da associação confirma a onda de despedimentos no sector e remete a culpa dessa situação para o Executivo. “É o resultado das sucessivas baixas nos preços dos medicamentos impostas pelo Governo”, atira, acrescentando que a indústria farmacêutica em Portugal atravessa um período de “recessão”, que a está a obrigar a proceder a reestruturações nos quadros de pessoal. O aumento da concorrência dos medicamentos genéricos é outro factor de pressão.

A Glaxo não comenta o assunto, mas o Expresso apurou que o laboratório rescindiu com 21 trabalhadores, aos quais foram oferecidas condições acima da lei. Houve casos de delegados que ficaram com o carro e o telemóvel de serviço e que continuam a usufruir do seguro de saúde, ainda durante algum tempo. O mesmo terá acontecido com 20 colaboradores da Wyeth, que contactada pelo Expresso respondeu: “as recentes mudanças na nossa organização fazem parte da nossa estratégia de liderança, que por ser confidencial não pode ser comentada em detalhe”.

Na Pfizer deverão ser dispensadas 25 pessoas. Grassa um sentimento de insegurança entre os delegados deste laboratório, face aos rumores de despedimento colectivo. “No quadro de condicionantes imposto pelo Estado é natural que tenham lugar processos de reestruturação. A Pfizer também está confrontada com a necessidade de lidar com este tipo de situação, o que fará, como é seu hábito, avaliando e procurando minimizar o seu impacto social”, garante a farmacêutica.
Quanto à Solvay Farma, o seu director-geral, Álvaro Rosa, afirma que o laboratório “não faz despedimentos”. Embora admita que a empresa está em reestruturação (comprou recentemente a Fournier Farmacêutica), nega a existência de qualquer saída de pessoal. No entanto, ao Expresso chegou a informação que houve rescisões amigáveis na Solvay (6 a 8) e que há contratos da Fournier que não serão renovados (12).

A Merck e a Sanofi (a reestruturação da segunda implica 70 baixas) também não comentam e, até ao fecho desta edição, não houve respostas por parte da Bristol-Myers e da Serono.
"

quarta-feira, novembro 22, 2006

Tributo

"Boa Noite

É uma honra para mim ter na caixa de correio uma mensagem sua. Da jornalista Rita Marrafa de Carvalho.

Mas infelizmente não a posso ajudar porque deve haver um qualquer engano: não assisti ao acidente que descreve!

Continuação do seu óptimo trabalho.

Com jornalistas como você, este blogue não teria necessidade de existir
!"

-----Original Message-----

From: Rita Marrafa de Carvalho [mailto: @rtp.pt]
Sent: terça-feira, 21 de Novembro de 2006 13:50
To: memai@sapo.pt.
Subject: Reportagem

Boas-tardes,

sou jornalista da RTP e blogger activa. Foi por aí que
tive acesso à informação de que o Dr. teria assistido e
acompanhado Daniel, um menino de 13 anos cujos pais
morreram num acidente no IP4. .../....

Gostaria de saber se tem disponibilidade, caso esta
informação se confirme, para conversar um pouco comigo.
Obrigada,

Rita Marrafa de Carvalho

..................................
Rita Marrafa de Carvalho
Jornalista


R.T.P.
Avenida Marechal Gomes da Costa
217947000
"

Notícia Que Desejo A Todos

Exame macroscópico:

Já fixados, fragmentos de tecido irregulares, membranáceos, rosa esbranquiçados, tendo no conjunto o diâmetro de 0,4 cm. Inclusão total.

Estudo histológico:

Retalhos de mucosa ……. parcialmente revestidos por epitélio transicional com presença de pequenos ninhos de V….. B….. Lâmina própria com ligeiro edema e vasos congestivos.
Não se observam aspectos suspeitos de lesão tumoral
.”

quarta-feira, novembro 15, 2006

Ontem Na RTP ...

... pela voz de um dos mais credíveis jornalistas portugueses foi dada a conhecer uma nova doença oftalmológica:

a AMBLIO.

A Idade Do Álcool

No Primeiro de Janeiro de 12 de Outubro:

"Consumo de álcool apenas aos 18 anos


O director do Centro de Alcoologia do Centro defendeu, em Coimbra, o aumento da idade permitida para consumir álcool dos 16 para os 18 anos.

“A permissividade é muito grande. Não tem havido vontade política para intervir rapidamente nesta área”, afirmou Augusto Pinto, à margem de uma sessão em que alertou a população universitária coimbrã para os perigos do consumo.

De acordo com o director do CRAC, o aumento justifica-se porque a educação para a saúde e a prevenção não são suficientes para evitar o aumento do consumo entre os jovens.

“São produtos baratos e acessíveis, pelo que tem de haver uma redução da oferta com intervenção rápida a nível de estratégias de limitação do acesso”, preconizou, lembrando que os 18 anos vigoram em grande parte dos países europeus e só Portugal, França e a Itália apresentam os 16 como limite mínimo para a aquisição e consumo."


Só não compreendo a notícia. Há dezenas de anos que se sabe que a capacidade regeneradora das células hepáticas mortas com a ingestão de álcool só está perfeitamente desenvolvida lá para os 18 anos...

Tem sido mais um lóbie nefasto...

domingo, novembro 12, 2006

HIV/SIDA: Prevalência - 0,4%...

Estamos em era de mudança.

A SIDA já não é o que era. A doença transformou-se em doença crónica, as mortes vão diminuindo e aquelas imagens de há uma década de doentes moribundos nas camas dos hospitais (e por isso nasceram as várias associações de apoio) já escasseiam.

O HIV/SIDA é uma doença "normal", de baixa prevalência, de conhecida prevenção e de bom controlo a longo prazo, caro, é um facto.

O lóbie da SIDA vai-se ressentindo.

É natural que algumas associações comecem a não ter doentes para apoiar, pois estes já podem fazer a sua vida integrados na sociedade.

É, portanto, tempo de canalizar o orçamento disponível para a medicação crónica e deixar de subsidiar associações que já não tem razão de existir.

As guidelines internacionais assim apontam...

Três associações que trabalham na área da sida em Portugal afirmam que estão “à beira da ruptura” por falta de financiamento e “na eminência de fechar as portas aos projectos já aprovados”. Acusam o Estado de não ter capacidade nem vontade de ajudar quem precisa.

As associações Abraço, Positivo e Sol, num comunicado conjunto, reagiram ontem às recentes declarações do Coordenador Nacional para a Infecção VIH, Henrique Barros, que no passado domingo admitiu o falhanço do programa de prevenção e combate a este síndroma.

“Os resultados mostram claramente que sim”, respondeu Henrique Barros quando questionado sobre se o programa ainda em curso tinha falhado.

Perante esta afirmação, decidiram tomar uma posição conjunta, na qual atribuem à falta de diálogo com as associações, “que se encontram no terreno há mais tempo e que melhor sabem sobre esta matéria”.

As denúncias estendem-se à situação da Comissão Nacional da Infecção pelo VIH (CNIVIH): “A CNIVIH encontra-se, do ponto de vista administrativo e financeiro, literalmente sem técnicos, pois os contratos de trabalho dos mesmos não foram validados atempadamente”. Para as associações, “quem fica a perder” é “o comum cidadão que não tem voz activa”.

As três associações alertam para o facto de “reencaminhar para o Governo todos os utentes que o Estado não tem capacidade, nem vontade de ajudar”, declarando que estão “à beira da ruptura” por falta de financiamento e “na eminência de fechar as portas aos projectos já aprovados”.


Nota de roda-pé:

As mortes em Portugal estacionaram,não aumentando. Nos restantes países a taxa de mortalidade continua a diminuir desde o aparecimento dos novos fármacos há uma década.

sexta-feira, novembro 10, 2006

A Letra De Médico...

TM 1.º CADERNO de 2006.10.11

"E ESTA?
Receita para analfabetos
De vez em quando, lá vem a «letra de médico» para animar a difícil relação dos prescritores com as farmácias. Aqui, nesta secção, ainda há bem pouco tempo remoçámos o assunto, com o recurso aos dados de um estudo da agência americana do medicamento — FDA — e com o alerta de que já há médicos condenados, nos Estados Unidos, por causa da ilegibilidade da escrita.

Na sequência, um leitor atento recordou ao «TM» uma saborosa estória de uma Lisboa distante, a dos alvores dos anos 40. João Armando de Aragão e Rio, assim se chama o médico que nos escreveu, conta que um dia um trabalhador das obras se despediu da sua empresa para rumar a um novo emprego, no Porto. Pediu, então, uma carta de apresentação — elogiosa, já se vê — para o seu futuro patrão. Mas o problema é que tão analfabeto era o empregado como o patrão, que de forma desenrascada, rabiscou uma folha de papel e meteu-a dentro de um envelope.

O trabalhador, legitimamente curioso, terá pedido a um polícia que lhe lesse a carta, mas o cívico, também analfabeto, remeteu o homem para a farmácia próxima, onde decerto lhe atenderiam o pedido. E assim foi. Depois de uma espera na fila, lá chegou o trabalhador à sua vez. Num ápice, o homem da farmácia pegou no papel rabiscado, desapareceu no interior e trouxe uma receita aviada, com a solene indicação de que deveria ser tomada três vezes ao dia…
E esta?

D.C
."


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A Saúde vs A Doença vs O Financiamento vs O Lucro

No Diário Económico de 2006-10-13:

Comissão para a reforma do sistema de saúde considera que SNS é viável

A Comissão que estuda o financiamento do SNS não vai defender grandes alterações ao actual modelo. Na opinião dos peritos, a sustentabilidade do sistema passa apenas pela melhoria nos pontos críticos.”

No Público de 2006-10-13:

Maior clínica privada do país abre em Cascais


Nova unidade do Grupo Português Saúde
vai criar 200 novos postos de trabalho

A Clínica Unimed Cascais, uma unidade de saúde privada que é a maior do seu género no país, vai abrir na primeira semana de Novembro com um total de 27 especialidades destinadas a servir 750 mil pessoas dos concelhos de Cascais, Oeiras e Sintra.
A unidade pertence ao Grupo Português Saúde (GPS) e representou um investimento superior a 20 milhões de euros, prevendo-se que venha a criar 200 novos postos de trabalho directos...
por Alexandra Reis”

1999

No Público de 12/10/2006.

"Médicos dos centros de saúde usam manual de 1999

Os médicos de família necessitam de mais informação sobre a resistência aos antibióticos, disse Alberto Pinto Hespanhol, revelando que os profissionais nos centros de saúde dispõem apenas, para se guiar na prescrição, de um Manual de Práticas Terapêuticas Antimicrobianas feito por especialistas espanhóis em 1999.

Para o director do Centro de Saúde de S. João e professor da Faculdade de Medicina do Porto, a estratégia para diminuir o uso de antibióticos e os níveis de resistência antimicrobiana passa pela "monitorização do seu uso associada à vigilância dessa mesma resistência".

Em teoria, os médicos de família devem preferir os antibióticos menos tóxicos, de espectro reduzido e os mais económicos.

Mas os estudos sobre a sua utilização nos cuidados primários até à data realizados "têm demonstrado um aumento do uso dos novos antibióticos, os de largo espectro, como a associação amoxicilina/ácido clavulânico", em detrimento do "uso dos antigos antibióticos, os de espectro reduzido, como as benzilpenicilinas e as cefalosporinas de primeira geração", lembrou.

Uma realidade diferente é a da utilização de antibióticos no contexto hospitalar. António Sarmento, infecciologista do Hospital de S. João (Porto), destacou a importância da melhoria das medidas de higiene e do controlo da disseminação dos microrganismos, nomeadamente através do isolamento dos doentes que estão infectados com bactérias multi-resistentes. A.C."

domingo, novembro 05, 2006

Blog De Um Médico Contra A Administração Do Seu Hospital

O Hospital é o Amato Lusitano, em Castelo Branco.

O médico é Vasco Rolo, director demissionário do Serviço de Estomatologia.

Está aqui: Hospital? Amato Lusitano.

E este post intitulado: "LULAS MINHAS QUERIDAS MANAS" e que assim termina, é uma pérola:

"O mesmo tenho a certeza não fez a administração. POR ISSO CUMPRAM AS AMEAÇAS e veremos quem pagará.

Se não gostam do que escrevo melhor, quem não quer ser lobo não lhe veste a pele.

Deste humilde choco

Vasco Rolo
"

domingo, outubro 29, 2006

O Médico Explica Medicina A Intelectuais ...

... em determinadas curvas da vida também apela a todos os Santos... mesmo sendo agnóstico!



(foto de telemóvel)

segunda-feira, outubro 16, 2006

O Ministro Da Saúde E Os Stents Revestidos

O próximo (Que pode ser quem me lê, o colesterol, pois então. O tabaquinho, pois então) que precisar de um stent para desobstruir a sua coronária, talvez já não tenha direito a um "revestido" e ... perguntem ao Ministro o que vai acontecer, alguns anos depois.


"FACTO DA SEMANA

Os stents e a «vergonha»

Na entrevista à RTP (programa «Grande Entrevista», de Judite de Sousa) o ministro da Saúde oscilou, mais uma vez, entre o mérito, a teimosia e o desbragamento verbal. Correia de Campos é um impulsivo e ninguém, alguma vez, o há-de transformar. Nada de muito grave, dirão os incondicionais, entre os quais não nos incluímos, mas o feitio cria-lhe dificuldades acrescidas.
Tomemos como exemplo o seu gosto por usar termos fortes, no momento em que disse (quase a terminar a entrevista) que o uso significativo de stents revestidos, em Portugal, é «uma vergonha».
Ora, a nosso ver, um ministro pode dizer, eventualmente, que não há dinheiro, no SNS, para pagar stents revestidos em mais casos do que os que são estabelecidos pelas guidelines; um ministro da Saúde poderia até dizer que Portugal não tem dinheiro que chegue para pagar stents revestidos a ninguém, aceitando implicitamente pagar o custo político disso. Seriam ambas as afirmações politicamente legítimas. Mas o que Correia de Campos não poderia ter dito (e disse) é que tratar muito bem os doentes, em vez de tratar de acordo com as orientações mínimas, é «uma vergonha». O ministro disse, com isso, foi que os médicos envolvidos (cardiologia de intervenção) se devem envergonhar quando tratam um doente com os melhores cuidados de acordo com a melhor tecnologia de que dispõem… Ou seja de tratar os doentes «demasiadamente bem».
E, repare-se, pode dizer-se tudo isto, criticando parte da intervenção do ministro (e sustentando a crítica) sem ser necessário considerá-la «uma vergonha».

J.M.A."


Tempo Medicina
1.º CADERNO de 2006.10.16

quinta-feira, outubro 12, 2006

Senhor Boldão E Seus Pares: A Censura Não Passará!

















Por mais que não gostem do que aqui se escreve, este blogue continuará, enquanto tiver mais de 200 visitas diárias e eu entender.

Não gostam, muito bem.

Discordam, muito bem.

posts errados. Muito bem.

Os comentários existem para vocês se exprimirem. E eu aprender e corrigir se necessário.

(Fotos retiradas da Internet através do Google.)

domingo, outubro 08, 2006

A Resposta Adequada E Especializada

"Caro "medico explica",


 

Não lhe sei precisar as estatísticas em Portugal, mas as mãos ocuparão uma percentagem superior a metade dos casos de transmissão.

Por se tratar de uma superfície com atrito, humidade, temperatura e nutriente é - mais que o tecido - ideal para aderir microrganismos de um doente (ou mesmo do ar).

Eles sobrevivem satisfeitos na sua mão até encontrar o próximo doente, cuja temperatura possivelmente 0.5, 1 ou 2 graus acima da sua e humidade tipicamente mais elevada serve como um atractivo irresistível para mudarem de hospedeiro e aderirem ao doente.

O mesmo acontece se você usar luvas.

Apenas uma pequena percentagem será transmitida pelo ar - há casos típicos de pneumonia multi-resistente em serviços de traumatologia com internamentos prolongados - em que certamente não são causadas pelo ar a circular entre serviços.

Estes 2-3 quartos incluirão infecções causadas por microrganismos aderidos a cateteres que foram tocados por mãos mal lavadas ou luvas contaminadas.

Incluiria também nesta fracção microrganismos aderidos a batas que vieram do exterior e SIM a estetoscópios que passam de paciente em paciente cuja mistura de células epiteliais/suor vêm acompanhadas de outras formas de vida que foram tossidas, excretadas, etc.

Eu diria que só uma parte do último quarto se deve a transmissões aéreas e a visitas, sendo que estas últimas não representam um problema grave pois transportam estirpes selvagens, não multi-resistentes.

Por último, pergunto-me o que sente com a ideia de partilhar com os seus colegas de trabalho a "pool" de microrganismos que os seus pacientes partilham consigo, com a ideia de os levar para casa, de os deixar na sua chávena de café...

Concordo com as batas e equipamentos descartáveis, mas mais importante que isso será descartar mentes retrógradas e resistentes a "receber ordens", muito frequente entre TODAS as classes de técnicos de saúde.

Por ultimo doutor, tem conhecido claramente os microbiologistas errados...não há nada para fazermos numa secretaria com papeis. Trabalho só existe em "campo", sim, com pacientes, com pessoas reais, com alimentos, com fármacos, com populações, com animais.

Espero ter contribuído construtivamente para esta discussão.

Ass. Microbiologista explica microbiologia a médicos :)"

Vamos Ser Radicais!

Eu comprendo que os médicos sejam os culpados de tudo.
É normal nos comentários deste blog e é para isso que aqui estamos com os comentários abertos...

Compreendo que as infecções hospitalares existam porque existem médicos.
Mesmo aqueles médicos que são infectados nos hospitais, são-no porque querem.

E quem diz médicos diz enfermeiros. Uns e outros quando "apanham" (para melhor compreenderem) a tuberculose num hospital foi-o exclusivamente porque assim o decidiram.

As Comissões de Controlo da Infecção Hospitalar, não existem.
Esta do Hospital de Santa Maria não existe.
É virtual.
Não cliquem que não vale a pena.
O link não existe, fui eu que pintei as letras de azul.

Não é verdade que seja composta por médicos infecciologistas, patologistas, administradores hospitalares e enfermeiros.

Como me pedem, vou dar a minha opinião sobre o controle radical da infecção hospitalar:

1) Fechar os hospitais e todos os doentes passam a ser tratados no seu domicílio.

2) Encerrar os blocos operatórios e todas as cirurgias passam a efectuar-se a céu aberto para as bectérias poderem voar para longe.

3) Os médicos (as) e enfermeiras (os) passam a trabalhar nus, após um duche conjunto à entrada e à saída.

4) Pelo contrário os doentes passam a ser observados depois de vestirem fatos apropriados para a guerra biológica.

5) Proibir a entrada das bactérias nos hospitais reforçando a segurança nas entradas. Colocar redes nas janelas para os vírus.

6) Proibir a entrada dos familiares e os contactos destes com os doentes passam a ser efectuados com lenços brancos nas janelas.

7) Todo o médico que for apanhado a namorar com bactérias, tipo Legionella pneumophila, Neisseria meningitidis ou Escherichia coli ou as médicas namorando com o Streptococcus pneumoniae, com o Staphylococcus aureus ou mesmo o Enterococcus faecium, serão irradiados pela sua Ordem da profissão. Se o namoro for com a Candida albicans têm atenuantes.

8) Finalmente ilegalizar todos os antibióticos como forma de erradicar o aparecimento das resistências.

9) Este plano acabaria em menos de 2 anos com todas as infecções nosocomiais e em 5 com toda a população mundial.

10) Brinquem, brinquem e não se juntem aos médicos neste combate e verão para onde vamos todos...

sábado, outubro 07, 2006

Hospital de S. João, Outra Vez...

De um leitor:

"Caro Dr,
venho especialmente ao seu blog pedir-lhe para dedicar um post a dissertar a razao pela qual os medicos no S.Joao e (arrisco dizer) um pouco por todos os hospitais vao tomar cafe de bata, e mais ainda vao almocar de estetoscopio, que usam mesmo aqueles que nao fazem clinica. É um fenomeno social unico e incompreensivel visto q nao vejo os professores levarem os livros de ponto nem os mecanicos levarem as ferramentas...so uma questao. Como Microbiolgista deixou-me de cabelos em pe ha dias ver um medico amigo a cozinhar com o fato para procedimentos cirurgicos que trouxera do hospital...isto é infelizmente demasiado frequente, escandaloso, uma questao de saude publica. Por favor, explique-me. Porque do meu ponto de vista, teria suficiente argumentos para escrever um livro...Agradecido,S.P
"

domingo, outubro 01, 2006

Tau-Tau Para Quem Não Lavar As Mãos!

No Jornal de Notícias de 29/09/06, pode ler-se:

Os médicos, enfermeiros e auxiliares do Hospital de S. João, no Porto, que não lavem as mãos após actos clínicos susceptíveis de provocar infecções hospitalares vão ser alvo de procedimentos disciplinares. A intenção da Direcção Clínica do hospital foi manifestada aos profissionais numa nota interna, que receberam juntamente com o último recibo de vencimento. "Não inventámos nada, apenas seguimos o que são as normas internacionais para combater a infecção hospitalar", disse o director clínico, António Ferreira.

Aquele responsável reconhece que existe um problema grave no Hospital (os últimos dados disponíveis, de 2005, referiam que os valores eram o dobro da taxa nacional) e "tem que ser resolvido. Daqui a um ano, podem pedir contas, pois a taxa de infecção hospitalar será muito mais baixa".

O director clínico admite que os "profissionais reagiram, mas aconteceu o mesmo com a questão dos medicamentos e hoje todos querem contribuir".

Salientou ainda que o combate à infecção hospitalar passa também pelas obras que estão a realizar no hospital, e por outras medidas que serão anunciadas em breve
.”

Se é assim que o senhor director clínico quer combater a infecção hospitalar, está mal.
Primeiro obrigar os médicos a lavar as mãos, sem lavatórios e outros dispositivos apropriados e depois divulgas as outras medidas...

Com métodos paternalistas, inquisitórios e repressivos, nada se consegue.

Os médicos do Hospital de S. João, serão os principais interessados em não transportarem consigo microrganismos pois também poderão passar de hospedeiros a doentes…

O director clínico fez um TPC do Prof. Correia de Campos. "Lavar as maõs" só por si não chega para combater a infecção hospitalar.

Terão responsabilidade os profissionais? Claro que sim.

Os médicos, enfermeiros, auxiliares e outros técnicos têm uma parte da responsabilidade.
E estão conscientes disso.

Mas outras medidas são necessárias e também demasiado importantes para não se divulgarem:

1 – A existência de um plano actualizado para o circuito próprio dos resíduos sólidos (vulgo lixos) hospitalares, a sua não existência, actualização e vigilância do seu cumprimento, potenciam o risco de infecção.

2 - Com doentes “mesmo mesmo” doentes (com tosse, espirros, urinas, fezes, saliva, catéteres, máscaras respiratórias, sangues e por aí fora) nos corredores desde a urgência até ao último piso, ou em enfermarias com distâncias de separação entre eles impróprias, não se combate a infecção.

3 – A partilha dos corredores com camas com doentes e todo o tipo de tráfego de pessoas (doentes, pessoal hospitalar directo, visitas, fornecedores, pessoal de manutenção, administrativos e um sem número de outras pessoas que circulam nos corredores de hospitais) e material, incluindo os lixos hospitalres ajuda a propagar a infecção.

4 – A disponibilização de vestuário descartável pelos médicos e enfermeiras também ajudaria… a combater.

5 – Os marcadores da infecção hospitalar não se pode comparar em termos absolutos entre hospitais com funções e “públicos” diferentes.

6- A forma como publicamente foi divulgada a circular, não é o melhor método de sensibilizar os profissionais, desde o médico até ao maqueiro. Pode-se concluir: lavem as mãos seus porcos e se não o fizerem apanham tau-tau.

O Poder da Indústria Farmacêutica E A Estupurose!

Mais um dia para assinalar com pompa e circunstância, o Dia Nacional do Cancro Digestivo.

(E para quando o Dia Nacional das Hemorróidas? Ou o Dia Nacional da Fissura Anal? Ou o Dia Nacional da Onicocriptose?
E para quando a Associção Humanitária de Apoio aos Doentes com Hemorróidas?)

E o dia foi asssinalado com uma pseudo-entrevista onde a mãozinha da Indústria farmacêutica, bem se nota.

Para divulgar o Dia será necessário divulgarem-se medicamentos?

E para divulgar o Grupo de Investigação do Cancro Digestivo será necessário anunciar a futura criação de uma associação de doentes?

Não será óbvia a ligação entre o laboratório que investiga o medicamento referido, este grupo de investigação e a futura associação de doentes?

Serão todas associações sem fins lucrativos, ninguém duvida...

Outro área de influência do polvo da indústria farmacêutica, são os rastreios.

Cada laboratório apoia fortemente o rastreio das doenças para as quais propõe alternativas terapêuticas: há dias entra-me pelo consultório adentro, uma doente com um papelito já desbotado pelo tempo (pouco) afirmando que tinha fazer uma rastreio à "ESTUPUROSE" na farmácia do bairro e que a tinham mandado vir mostrar o papelito por causa da estupurose e à espera de mais um medicamento para o seu saco de plástico.

E isto num consultório particular, como será no público...

No Primero de Janeiro de 30/09/06, sobre o Dia Nacional do Fecaloma, perdão, Cancro Digestivo.

"Estatísticas negras assinalam hoje o Dia Nacional do Cancro Digestivo.
Metade dos doentes morre.


O cancro colorectal é “uma doença do mundo ocidental”, e todos os anos é diagnosticada a mais de cinco mil pessoas, das quais metade acabará por morrer.
Por ocasião do Dia Nacional do Cancro Digestivo, que hoje se assinala, as estatísticas dão pouco espaço ao optimismo.
Todos os anos são diagnosticados em Portugal 5.500 a 6.000 novos casos de cancro colorectal, sendo que metade resultará na morte do doente, revelou ontem o presidente do Grupo de Investigação do Cancro Digestivo.
No âmbito das comemorações do Dia Nacional do Cancro Digestivo, que se assinala hoje, Evaristo Sanches afirmou que a incidência daquele tumor continua a aumentar no País e na Europa.
“É uma doença do mundo ocidental” que tem origem nalguns casos em “erros genéticos” hereditários, mas a maior parte é adquirida.
O sedentarismo, o consumo de tabaco, uma vida desregrada e a ingestão de carnes vermelhas e alimentos ricos em calorias e gorduras estão entre as principais causas atribuídas.
O cancro colorectal ocupa o segundo lugar nas mortes por cancro em Portugal, e é o terceiro mais comum a nível mundial.
Anualmente surgem na Europa 300 mil novos casos, sendo o terceiro cancro mais frequente no homem e o segundo na mulher.
Quarenta por cento dos europeus a quem foi diagnosticado morrerá vítima da doença. Contudo, se detectado precocemente, o tumor “tem enorme capacidade de cura, superior a 80 por cento”, explicou Evaristo Sanches.
Entre os sintomas mais frequentes figuram a alteração dos hábitos intestinais, a presença de sangue nas fezes, a perda de peso inexplicada, o cansaço constante, as náuseas e os vómitos.
O oncologista afirmou que cirurgia e quimioterapia continuam a ser as principais formas de tratamento, sublinhando que está a ser feita uma investigação clínica para verificar a eficácia de três fármacos usados em associação.
Os três medicamentos que compõem o complexo Ervicox, usado actualmente, são utilizados individualmente, mas o objectivo é conhecer a sua eficácia em conjunto.
“Estamos na fase final de recrutamento de doentes. Dentro de um ano talvez possa saber-se os resultados”, disse.
O presidente do GICD deu a conhecer uma campanha nacional de sensibilização e anunciou a criação de uma associação de doentes, a apresentar em Novembro.

Campanha
Mais investigação. A campanha de sensibilização inicia-se hoje, com a distribuição de folhetos informativos com normas alimentares e hábitos de vida para prevenir a doença. O GICD é uma associação fundada por médicos ligados ao tratamento de tumores do aparelho digestivo, que tem como principais objectivos promover a investigação naquela área, divulgar tratamentos e medidas de prevenção e criar critérios de uniformização entre os diversos profissionais."

quarta-feira, setembro 27, 2006

Que Vergonha, Senhor Ministro!

Do jornal virtual do SIM (Sindicato Independente dos Médicos)

"Numa das suas entrevistas, desta vez ao Semana Médica e publicada na edição de 21-27 de Setembro, o responsável máximo da Saúde confessa que nem sabe o nome da sua Médica de Família e diz acreditar que seja uma situação comum a muitos portugueses. E adianta que com as USF vai haver um contacto de pessoa a pessoa.

Fica mal ao Senhor Ministro o nem saber o nome da médica a quem deveria caber a gestão da sua saúde.

Talvez se utilizasse os seus préstimos não precisasse de recorrer ao Serviço de Urgência (já que SAP nem vê-lo.) quando está doente.

Que mau exemplo!

Ah. e já agora, Senhor Ministro da Saúde, deveria saber que a situação comum a muitos portugueses é saber o nome do seu ou da sua Médico(a) de Família, com o(a) qual têm um contacto pessoal com ou sem USF."

USF - Unidade de Saúde Familiar

sábado, setembro 23, 2006

Indiana Hospitals To Post Errors

September 22, 2006

"The Indiana State Department of Health on Wednesday adopted new rules that next year will require hospitals to disclose their medical errors to the public, the Indianapolis Star reports.

The reports, which will be made public in February 2007, will identify only hospitals, not the medical officials or patients.

The hospitals must release their mistakes within 15 days after accepting fault, and within six months after the error.

The Department of Health announced 27 mistakes that hospitals must report to the state, including surgery on the wrong part of the body, deaths from contaminated drugs and sexual assault on patients, the Star reports.

Terry Whitson, assistant commissioner at the Indiana State Department of Health, said Indiana hospitals have reported fewer than 100 mistakes since Gov. Mitch Daniels (R) ordered the reports on Jan 1.

A provision in the rules states that the errors cannot be used in patient lawsuits, although patients still may sue, the Star reports.


Minnesota is the only other state that requires its hospitals to publicly disclose their errors (Hupp, Indianapolis Star, 9/21).

Indiana's error information will be available at www.in.gov/isdh (Indianapolis Star, 9/21)."

quinta-feira, setembro 14, 2006

As Quecas De Verão.

Disse um leitor:

"Epá, ó MEMI:
Reforce o Channel e o camembert, junte Martin's 20 anos e invente um fetiche. Agora ensine os MCP e os FE's a dar uma queca.


É que andam todos mal f******!!!"


Vamos então lá às quecas.

Patrocinado por um laboratório (Organon) para promover uma nova forma de anticoncepção, o anel vaginal, realizou-se um estudo intitulado "Amores de Verão 06" com as seguintes conclusões:

Nas férias,

- metade das mulheres fica sexualmente mais activa;

- 1/4 das mulheres sente-se mais sexy;

- 8 em cada 10 gostaria de não ter período menstrual nas férias;

- 1 em cada 5 tem relações fortuitas;

- 5 em cada 6 não pensa antecipadamente na contracepção.

Contem lá como foi a fortuitidade nas vossas férias.

domingo, setembro 10, 2006

Oh nãoseiquenomeusar Não Sabe Que Nome Usar? Eu Digo!

naoseiquenome usar (cliquem na ligação que vale a pena) disse a propósito do post dos "vómitos fecalóides" e do blogue que é "um esgoto a céu aberto":

"Bem, o que faltava agora era que viesse alguém reivindicar rigor jornalístico a um blog!

Um blog que só lê e "frequenta" quem quer e ainda por cima de graça, e se o fazem porque não têm nada de útil para fazer, olhe dê graças ao aspecto lúdico e aos ganhos adquiridos com tal atitude, entre milhares de blogs, alguns sem ponta por onde se lhe pegue;


mas cada um tem o direito de os gerir como quiser, enquanto as entidades onde estão alojados o permitirem.

Ora essa! Não sei se o Sr. Dr. MEMI tem carteira jornalística. Seguramente terá carteira profissional de médico. E entre muitos artigos escritos por aqui, alguns são de grande valia. Outros há, é certo, que são de afronta, de provocação, ou de quase ofensa se se quiser.

Eu própria às vezes fico chocada. Com os comentadores do blog também.

Alguns manifestam uma "quase" falta de respeito pelos outros.

Na notícia em questão é utilizada uma linguagem muito forte, e são tecidos juízos sobre um determinado trabalho, que lamentavelmente se podem confundir com juízos sobre a pessoa por detrás do trabalho. Lamentavelmente, repito, porque pessoas argutas percebem que não pode haver confusão quanto aos papéis.

Acrescente-se contudo, a bem da verdade, que a notícia em causa nada tem de exclusiva, resultando antes da compilação de vários casos trazidos a público, quase sempre de forma distorcida e que ali também não se cuidou de aprofundar.

Acrescente-se ainda que a referência a entidades citadas como fonte do "exclusivo" é uma falácia, para não dizer outra coisa.

Mas convenhamos, caramba: o saldo deste blog que o sr. jornalista apelida de "esgoto a céu aberto", é, largamente positivo! Podemos até dizer que é um "esgoto Channel" :)

Agora o que o "sr." jornalista nunca poderia fazer, era atacar o homem por detrás do blog!

Acaso conhece-o no seu quotidiano? Como ser humano? Ou a mim, que também tenho um (pseudo, é certo, não percebo nada daquilo em termos operativos) blog. Ou aos "n", exponenciais que os têm? (em caso afirmativo, pelo desculpa. é minha convicção que não!) ...

Caso não saiba FE, isso é difamação (ou não ponderou tal, FE? ... olhe que o aviso está claro no cabeçalho do blog)!

Justificadamente, FE, conceder-se-lhe-ia o direito de criticar o blog. Mas não apresentou (ao que parece), nenhuma justificação. Foi, simplesmente, ofensivo! E, mais: se repararem bem, o Dr. MEMI,até costuma, em cada "notícia", respeitar a pirâmide jornalística, a saber - quem? quando? onde? como? porquê? - coisa de que os srs. jornalistas encarteirados se têm vindo a esquecer amiúde.

Cumprimentos bloguísticos, até para os comentadores mais "impetuosos" (muitos anónimos, o mais possível, vá-se lá saber porquê)."

Pois o nome que deve usar deve ser D. Qualidade Imparcial.

sexta-feira, setembro 08, 2006

Direito De Resposta

Embora não solicitado pelo autor, divulgo como direito de resposta a este post, este mail recebido do jornalista Fernando Esteves:

" De:
Fernando Esteves
[mailto:fernandoesteves@sabado.cofina.pt]
Enviada: sexta-feira, 8 de Setembro de 2006 11:49
Para: memai@sapo.pt
Assunto:

Uma amiga que não tem nada de particularmente útil para fazer pediu-me para ver este blogue, sem me dizer do que se tratava. Por piedade, lá lhe fiz a vontade. Quero dizer-lhe (identificadamente, claro está) que você é uma merda de homem e o seu blogue é um esgoto a céu aberto.

Fernando Esteves
--------------------------------------------------------------
Fernando Esteves
SÁBADO newsmagazine
Av. Conde Valbom, nº 30, 6º
1050-068 Lisboa
Telefone/Phone Nr.: 210126500
"
----------------------------------------------------------------

Apenas quero reafirmar que, embora com adjectivos fortes e personalizados, apenas tento criticar o trabalho e nunca a pessoa, que no dia seguinte pode assinar um excelente trabalho.
São estilos de escrita, e este é o meu!

terça-feira, setembro 05, 2006

Por Falar Em "Baixas", Agora CITs

Um leitor reenviou-me esta mensagem:


----- Original Message -----
From: F G
To: M........@yahoogrupos.com.br
Sent: Tuesday, September 05, 2006 2:17 AM
Subject: Re: [M] Ainda as "Baixas"


Era uma vez uma miúda simpatica e divertida que sempre quis ser médica...
Fez por isso e resolveu que Coimbra é que era o sítio que lhe dava jeito.

Por lá andou os anos necessários para sacar o canudo....

Jogávamos muitas vezes às cartas, no bar, entre duas aulas ou em vez de
alguma delas a que não apetecia ir....

Terminamos o curso: ela foi à vida dela e eu à minha.. Nunca mais a vi
Soube que era MF lá para os lados de Abrantes..

Passados uns anos numa qualquer manhã ouvi ou li que uma Médica
tinha sido assassinada na região de Abrantes.

Lembrei-me que ela estava por lá .......

Era mesmo ela .. Morta no consultório com um tiro por causa de uma
"baixa" que entendeu não dever passar.

O marido daquela colega e os filhos que suponho tinha,
dificilmente terão compreendido em nome de quê é que foi dada aquela vida.

domingo, setembro 03, 2006

Caras Colegas:

Resposta a comentários da "médicaquetambémexplica" e da "CF":

Inteiramente de acordo com esses princípios:
- a IF merece ter lucro,
- não são instituições de solidariedade social
- é legítimo fazer a publicidade.
- a prescrição se baseasse na evidência e não na publicidade.
- teria de começar por haver guidelines,
- auditorias aos perfis de prescrição,
- a recertificação dos médicos.

Eu quero ser diferente de muitos médicos que por aí pululam, mas não sou ingénuo, já passei essa minha fase de "querer mudar o mundo sozinho", "de demonizar os DIM", quando terminei o curso, éramos contra os "barões da Medicina", mas eles continuam, apadrinhados pelo sistema, os seus consultórios continuam a ser publicitados pelos media.

A minha luta foi inglória, mas não estou arrependido.

Quanto aos problemas da prescrição, basta um simples decreto ou um despacho até, para inverter a situação.

Mas talvez não interesse ao Poder.

Gosto de saber que há jovens médicas com valores morais tão elevados.
A influência das multiacionais da IF já não se mede pelos almoços.

As "gifts, treaps and meals" começarão a perder influência para os estudos, as guidelines (quantas destas não terão já o dedinho da IF?

Fico satisfeito por do alto dos meus 50 anos e 25 de prática, saber que há jovens na minha profissão que me merecem todo o respeito!

PS: dizem nos mentideros que o responsável pela Medicina Baseada na Evidência, tem muitos créditos a enumerar na IF...

sábado, setembro 02, 2006

A Insustentável Gravidade Das Medicinas Alternativas (actualização 120 dias depois)

Neste post de Maio (A Insustentável Gravidade Das Medicinas Alternativas) contava uma história real.

Muitos comentários depois, mais um post de resposta à mar, muito dinheiro mal gasto (nos intocáveis alternadeiros), e outro bem gasto na procura do diagnóstico, depois de 3 meses de internamento, depois de muita massa cinzenta activada com milhões de sinapses efectuadas (talvez as sinapses sejam a diferença entre a Medicina e a pseudo-Medicina) por todos neurónios de todos os técnicos da saúde, depois de muito sofrimento, o diagnóstico chegou:

tuberculose óssea.

Pode parecer tão simples, um diagnóstico de tuberculose para uma simples lombalgia, mas não é para quem é médico.
Nós sabemos que um diagnóstico não é, apenas, um mero somatório de sinais e sintomas...

Para si e para todos os que me lêm, as lombalgias serão uma coisa normal (80% das pessoas já tiveram pelo menos um episódio de lombalgia), uma espondilodiscite tuberculosa é uma situação rara.

Para a sua lombalgia tem aqui coisas interessantes para ler.

quarta-feira, agosto 30, 2006

A Teoria Evolucionista Da Medicina

Posted by Picasa

"No Hospital de Necker em Paris, Dr Laennec atende inúmeras vítimas do surto de tuberculose que na época não havia tratamento medicamentoso. Desenvolveu aparelho tubular com membrana a qual podia transmitir sons naturais ou patológicos e que afirmava, após realização de autópsias, ter importante correspondência clínica o que na época foi motivo de reprovação na classe médica. Hoje o estetoscópio é importante instrumento diagnóstico e peça inerente a todo profissional de saúde."

Conteúdo de um e-mail enviado por um membro da corporação médica.

F******: Denunciem A Máfia Dos Livros Escolares

Um dia de folga (as férias ainda por gozar!), uma garrafa de vinho branco fresquinho do Alentejo, uns amigos, uma jantar, uma denúncia!

Há muitas máfias organizadas e legais em Portugal. A dos livros escolares é uma delas!

Há também médicos mafiosos, para que não me acusem de "corporativista"...

Médicos Em Greve Às Horas Extraordinárias

Sem comentários.

Dos jornais:

"As paralisações vão ter início a partir de 4 de Setembro e durar «até ao dia exacto em que for publicado o decreto lei que revoga a obrigatoriedade das horas extra» feitas pelos clínicos nos serviços de urgência.
A greve às horas extra vai igualmente ocorrer em alguns centros de saúde do distrito.
A contestação do SIM à determinação legal que obriga os médicos a fazerem 12 horas extra por semana na urgência sempre que as administrações hospitalares assim o entendem surgiu depois de o governo ter revogado, em decisão tomada a 3 de Agosto, um decreto-lei datado de 2001 que remunerava este trabalho pela tabela máxima, de forma idêntica para todos os clínicos.
Para o SIM, ao decidir reduzir o valor pago pelas horas extra, o governo não pode manter a obrigação legal de os médicos as fazerem."

domingo, agosto 27, 2006

Blogues Sobre Saúde

Quem estiver interessado sobre a temática da saúde na blogosfera, tem aqui um artigo on-line de João Canavilhas da Universidade da Beira Interior, intitulado "A saúde na blogosfera portuguesa", sem data de publicação.

sábado, agosto 26, 2006

Afinal Vou Fugir da Sobreda Já! Um Médico Para 170.000 Habitantes!

Tá visto.

Os números não são o forte dos jornalistas!

Agora até o Portal do Cidadão diz disparates... porque não creio que tenha sido o Ministro Correia de Campos...


"Cem Unidades de Saúde Familiares em 2006

Segundo o ministro da Saúde, Correia de Campos, até ao final deste ano serão abertas cerca de 100 Unidades de Saúde Familiares (USF), assegurando um médico por cada 170 mil cidadãos."

sexta-feira, agosto 25, 2006

Um Vómito!

F. E. vomitou na revista Sábado de hoje.

Não pelo conteúdo, pois o que lá está escrito não é mais do que a compilação de diversas notícias que ao longo do ano foram sendo divulgadas nos jornais.

Mas pela forma como os títulos, sub-títulos e algumas frases foram construídas, só posso crer que o jornalista sem nome (não lhe dou o prazer do Google o vir buscar a este site!) estava demente (ou alzheimerizado, como se diz hoje) e teve vómitos de conteúdo fecalóide para o teclado do seu computador, sofrendo de alguma obstrução alta do tubo digestivo com acumulação de detritos em locais cinzentos.

Vejam-se as mentiras:

"Exclusivo. As investigações secretas da saúde. Crimes de bata branca.
Uma médica algarvia usou o cartão de crédito de uma utente. Um radiologista asssediou três menores. As crianças podem ser raptadas nos hospitais. Está tudo em documentos a que a Sábado teve acesso. Por f.e. "

- Exclusivo - exclusivo uma merda! Foram notícias nos jornais durante mais de um ano.

- secretas - secretas uma ova. Públicas.

- radiologista - o próprio jornalista escreve no interior que se trata de um técnico de radiologia!

- As crianças podem ser raptadas nos hospitais - podem ser raptadas em qualquer lugar...

- documentos a que a Sábado teve acesso - lá pelo meio dizem que a Inspecção-Geral de Saúde lhe forneceu os documentos, o que não acredito. A Sábado teve acesso aos numerosos jornais que têm publicado...

sábado, agosto 19, 2006

Quero Ir Para A Sobreda!

Segundo o Primeiro de Janeiro,

"O ministro da Saúde anunciou que o Governo pretende abrir cem unidades de saúde familiar (USF) “até ao fim deste ano”, para aumentar em 170 mil o número de pessoas com acesso a um médico de família. “A nossa meta é abrir cem unidades de saúde familiar até ao fim deste ano”, declarou Correia de Campos, durante uma visita ao Centro de Saúde da Sobreda, na Costa da Caparica, adiantando que o Ministério da Saúde pretende ter já em Setembro “entre seis e 12 [daquelas unidades] abertas a título experimental”, distribuídas por todo o País.

No caso do centro de Saúde da Sobreda, onde irá funcionar uma das primeiras USF a abrir já em Setembro, cerca de 1.600 pessoas passarão a ser atendidas por seis médicos,

permitindo, de acordo com o ministro da Saúde, um “regresso à pureza do conceito de medicina familiar”. “É uma mudança radical para a qualidade do atendimento”, considerou o ministro da Saúde."


Ora, 1600 a dividir por 6 médicos dá 266,6 pessoas por médico. Ora, como apenas cerca de 60/70% dos utentes são activos, dá 186,6 utentes por médico.

Quero ir trabalhar para a Sobreda e levar a minha família comigo... é melhor que na Ilha do Corvo!

domingo, agosto 06, 2006

Para Abel G - Resposta A Um Comentário

Caro Amigo, não diga disparates.

Para essas operações, de tão banais,corriqueiras e frequentes não há lista de espera.

Qualquer dia são como as apendicites: são para os internos.

O serviço do Prof. Manuel Antunes é um exemplo. E refiro-me como é óbvio a angioplastias programadas.

Se lhe disseram que era uma cunha enganaram-no.

Há muita gente que se gaba de meter uma cunha: qualquer trabalhador dum hospital pode dizer que vai meter uma cunha, mas é falso...

domingo, julho 30, 2006

E Os Outros Passarões, Passarão?

No Jornal de Notícias, de ontem, por Manuel Correia.

É uma notícia muito gira, por causa de 200 euros.

É muito giro investigar que os doentes psiquiátricos também vão ao futebol.

É muito giro investigar que o Hospital pagou a um "velhote" uma viagem a Olhão.

É tudo muito giro, mas será que os nossos inspectores perdem tempo com isto? Trabalham para agradar ao Senhor Ministro da Saúde?

E os milhões de euros gastos em automóveis de luxo?

E as condições de vida em muitos hospícios psiquiátricos?

E as viagens por esse mumdo fora de muitos administradores hospitalares?

Para isso já não há inspectores da IGS disponíveis...





"Verba da saúde usada no apoio à Académica

Pereira Coelho, director do Sobral Cid, foi repreendido pelo ministro

O administrador do Hospital Psiquiátrico Sobral Cid, José Alberto Pereira Coelho, é acusado, no âmbito de uma investigação da Inspecção-Geral da Saúde, de ter usado indevidamente verbas públicas para apoiar um clube de futebol (Académica), noticiou, ontem, o jornal "Expresso".

Segundo o relatório a que o "Expresso" teve acesso, José Alberto Pereira Coelho (ex-candidato a líder do PSD) e Wander de Carvalho (vogal do Conselho de Administração), "adquiriram por 230 euros, suportados pelo hospital, uma faixa onde se lia 'o Hospital Sobral Cid apoia a Académica', que era exibida nos dias de jogo".

Em causa, de acordo com aquele jornal, está também o transporte, para Olhão, de um antigo jogador do clube, "com veículo e motorista da instituição pública, para participar nas comemorações do 60º aniversário do Sobral Cid".

De acordo com a mesma notícia, a investigação, desencadeada por ordem do próprio ministro da Saúde, Correia de Campos, na sequência de uma denúncia anónima, conclui ainda que os doentes se ausentam do hospital para assistir a jogos da Académica.

No relatório é criticado o apoio de um hospital público a uma actividade desportiva profissional, tendo os dois responsáveis sido repreendidos, por escrito, por Correia de Campos. O JN tentou ouvir José Alberto Pereira Coelho, tendo um familiar afirmado que se encontrava "incontactável" no estrangeiro."

domingo, julho 23, 2006

Sobre A Autora Da Carta: Clara Pracana.

Sem dúvida que se trata de alguém inteligente! Pesquisei no Google, li alguma coisa e parece ser alguém com elevado estatuto profissional. Por isso, parece mesmo confirmar-se a minha hipótese de que a carta foi escrita em período de descontrolo emocinal, pós-trauma.

Gostava de ouvir a opinião de outros psicólogos.

Até uma académica, como a dr Clara Pragana pode ter momentos de desorientação, como o Zidane. Posso comprender, mas não aceito. Quem tem responsabilidades para além do seu umbigo, tem que ter calma e paciência.

Os médicos merecem uma desculpa da economista-psicóloga.

Uma senhora como a drª Clara Pracana, não generaliza como ela fez e nos termos em que o fez, a toda uma classe profissional, por causa de uma péssima experiência.

Talvez Freud tivesse razão...

"Mesmo em recuo, a herança freudiana continua a ser suficientemente estimulante para atrair candidatos a analistas que nem sequer vêm do mundo das "psis". Clara Pracana, gestora de sucesso na banca, trocou o que sabia fazer pelo desconhecido, e aos 45 anos iniciou a longa preparação para psicanalista (não é obrigatório ter passado por Medicina, mas tem que se ter formação em psicologia). "Um gestor precisa de conhecimentos técnicos, capacidade de liderança, saber motivar pessoas, ter uma visão do futuro e sobretudo bom-senso. Mas não é nada de transcendente. E ao fim de 15 anos torna-se um bocado rotineiro. O que faço hoje é muito mais complicado, não tem comparação".

Ser gestora levou-a a dar aulas de teoria das organizações no ISPA, o que a levou a interessar-se por programas de dinâmica grupal e liderança, o que a levou à Holanda e à Bélgica onde teve contactos com psicanalistas, o que a levou a fazer um mestrado de psicopatologia e psicologia clínica no ISPA, e depois à análise didáctica com António Coimbra de Matos, enquanto ganhava prática nas consultas de psicologia do Hospital Miguel Bombarda.

Agora, está a fazer um doutoramento sobre culpa e vergonha. Na hierárquica escala da Sociedade Portuguesa de Psicanálise - 19 titulares, cerca de 40 aderentes e cerca de 140 candidatos, num total que ronda os 200 psicanalistas, 60 por cento dos quais mulheres - está no grande bolo dos Candidatos. Já exerce, mas, formalmente, com o título de psicoterapeuta psicanalítica.

Escolheu esta segunda vida em idade tão madura que estranho seria se não a defendesse convictamente. "A psicanálise não é um dogma. É um duro caminho de confronto connosco. Se por um lado nos obriga a ver coisas de que não gostamos, cria uma liberdade maior, também. Aparecem aqui auto-condenados a um único caminho, o da neurose..." Idealmente, a análise abre alternativas. "Entramos com uma narrativa e saímos com outra".

A sala dos pacientes - neste grande apartamento onde (ao contrário de Milheiro, Pereira ou Coimbra de Matos) a analista também habita, no alto de uma torre, ao Campo Grande, em Lisboa - tem as duas poltronas do face-a-face e um divã "à la Corbusier".

Igual àquele em que se deitou, quando estava a ser analisada por António Coimbra de Matos.
"

Alexandra Lucas Coelho, in Pública 30-04-06.

sábado, julho 22, 2006

Gostava de Uma Análise Ao Perfil Psicológico Da Autora: "sou psicoterapeuta, investigadora, privilegiada"

No Público de hoje:

"Hospital de Santa Maria, 2006: a desumanização banalizada?

Clara Pracana

No meu caso, bastaram duas noites no SO de Santa Maria. E pertenço a uma classe privilegiada, sou psicoterapeuta, investigadora. Como é possível ser assim tão fácil retirar ao outro a qualidade de ser pensante? Negar-lhe a condição humana em tão curto espaço de tempo?

Acontece. Pode acontecer a qualquer um de nós. O que não devia acontecer a nenhum de nós, rico ou pobre, gordo ou magro, preto ou branco, saudável ou não, é o que passarei a relatar. Não está em causa a minha pessoa, mas a dignidade da pessoa humana. De todas as pessoas. E essa, valor que reputo fundamental, é mais fácil de se perder do que se pensa. É mesmo muito fácil. No meu caso, bastaram duas noites no SO de Santa Maria. E pertenço a uma classe privilegiada, sou psicoterapeuta, investigadora. Como é possível ser assim tão fácil retirar ao outro a qualidade de ser pensante? Negar-lhe por completo a condição de ser humano (que passa a ser apenas um bocado de carne) num tão curto espaço de tempo?
Tive o azar de, a 7 de Junho, ter um violento acidente de automóvel. Depois de horas de encarceramento, lá conseguiram extrair-me do monte de sucata em que o carro se transformara. Transportada para as urgências do Santa Maria, foram-me detectadas várias costelas partidas e três fracturas na bacia. Fui carregada para o SO.
Aqui entra em cena a personagem do dr. Zé Manel, como o designavam no SO. Desconheço o seu apelido, nem me interessa sabê-lo, não tencionando voltar a pôr os olhos em cima de tão repelente criatura. Mas neste caso o dr. Z. M. é mais que ele próprio uma criatura mal-educada, com impulsos omnipotentes e sádicos. Ele é o paradigma de todos os drs. Z. M., todos aqueles que pululam por Santa Maria como devem pulular por outros hospitais. Logo por azar, a minha cama no SO ficava mesmo em frente do local onde os médicos se reuniam durante a noite. Se por acaso as dores que eu tinha e os gritos do vizinho da cama ao lado me permitissem dormir, não conseguiria fazê-lo tal o nível de decibéis das risadas e da animada conversata entre os doutores (para não falar das luzes sempre ligadas). Ouvi falar de tudo, talvez até de mais: as questões laborais, os casos amorosos, as últimas anedotas, a questão das reformas, a nova legislação, etc. Na segunda noite que lá passei, um deles teve o seguinte desabafo: "Eh, pá, que chatice, hoje não há nada que fazer. Nem uma reanimaçãozinha!" (E pensar que pagamos nós a esta gente com os nossos impostos...)
Pois nessa noite dava-se justamente o caso de estar há duas horas a atentar chamar a atenção de alguém naquele SO. Apenas conseguia murmurar "por favor" e agitar o braço esquerdo, já que o direito pouco se movia. Que pretendia eu, pedaço de carne jacente numa cama? Apenas que me antecipassem por duas horas a ingestão do Omeprazole, já que o refluxo gastro-esofágico me estava a provocar uma tosse dolorosíssima, devido às costelas partidas. Levei duas horas até que alguém me ouvisse (e foi um enfermeiro), mas fiquei a saber muita coisa da vida dos médicos naquele hospital, dos drs. Z. M. e dos interesses que comandam aquelas vidas. E é aquilo o SO, onde os doentes são supostos estar sob observação...
Entretanto, ao fim de cerca de 24 horas no SO, a minha cama foi colocada no corredor para ser levada para a Ortopedia, segundo alguma alma caridosa me informou (certamente uma enfermeira ou enfermeiro, porque eram os únicos seres educados, assim como muitos dos auxiliares). Porque ali não se informam os doentes. Ali, tal como no livro de Job, não se explica nada, nem se dão razões para nada. A omnipotência dos senhores doutores, cuja má-educação me continua a intrigar, intrigaria certamente o próprio Job: mas terão de ser todos assim? E porquê? Será resultado de défices narcísicos a precisar de um engrandecimento à custa do esmagamento do outro, da sua redução a um objecto? Será uma questão de escola? De cumplicidades tecidas no dia-a-dia? Protecções corporativistas? Não sei. Mas acho que o fenómeno desta grosseria básica (e bárbara) devia ser investigado, porque diz respeito a todos nós, e todos nós pagamos (nos dois sentidos da palavra) por isso.
Certo é que a esperança de sair dali para a Ortopedia durou pouco. Passado algum tempo, a minha cama foi puxada novamente para o SO, e eu lá voltei para o meu lugarzinho, a cama nº 7.
Nessa manhã, o dr. Z. M. passeava-se com um seu acólito pelo SO. Personagem rubicunda, de fraca presença, ostentava para compensar um ar imperial, pairando acima dos apelos, gritos e soluços dos pedaços de carne que ali, como eu, se encontravam. Tendo ele entrado no meu cubículo, pretendi saber porque não tinha sido ainda levada para a enfermaria da Ortopedia, se essa tinha sido a opinião do médico da especialidade cardiotorácica (tal como ouvira da boca do próprio, o único médico educado que encontrei, além de uma médica espanhola). O que fui dizer! "Intromissão nas decisões do hospital", foi o que o dr. Z. M., do alto do seu poder, chamou à pretensão de querer saber acerca da minha saúde e do que me esperava. Eu argumentei, na fraca voz que as costelas partidas me permitiam, que me parecia legítimo inquirir acerca do meu estado de saúde. Irritado com os argumentos que fui expondo, o dr. Z. M. não deu resposta, foi-se embora.
Muitas horas depois, de novo me surge o dr. Z. M., sempre com o seu acólito. Mandou-o tirar-me sangue. Eu, que já estava mais esburacada que um passador, perguntei em tom cordato se as três seringas de sangue que tinha tirado há duas horas não serviriam para as análises em causa. Resposta irada do dr. Z. M.: "Mas por que é que me disse que não lhe tinham tirado sangue?" Eu, que não me lembrava nada de ter dito tal coisa, respondi que não me lembrava de o ter dito, que talvez tivesse feito alguma confusão... "Ah!", exclamou o dr. Z. M. triunfante, com os pequenos olhinhos brilhando de alegria. "Pooooois!" E naquele "pois" estava todo triunfo dele sobre o ser ainda pensante que eu tinha sido antes. Agora, eu já nem sabia pensar. Era uma tonta, só fazia confusões, já nem sabia o que dizia, tinha perdido por completo a capacidade de ser pensante, ou seja, deixara de ser um ser racional, uma pessoa. A partir desse momento, perdi o direito à palavra. O dr. Z. M. tornou-se omnipotente.
Hannah Arendt escreveu muito, e bem, sobre a banalização do mal, sobre como medíocres homenzinhos como Eichmann se tornam capazes de assassinar milhões. E como é fácil as pessoas ditas "de bem", virarem a cara para o lado, limitarem-se a não ver. Primo Levi, que sobreviveu a Auschwitz, relata em tom desapaixonado o que passou nesse campo. Devíamos ler e reler a obra prima que é Se isto É Um Homem. E aprender como em poucos dias, ou mesmo horas, é fácil perder a qualidade de pessoa, quando se está entre seres para quem o triunfo narcísico passa pelo aniquilamento do outro. É sobre gente desta, os medíocres drs. Z. M. deste mundo, que se torna possível erguer os abusos à pessoa humana, instalar os totalitarismos de várias caras, instituir o processo de aniquilação do outro, a morte em vida. Quando começaremos a ser capazes de dizer não ao poder destrutivo do outro sobre nós? Quando seremos capazes de construir mecanismos civilizacionais que nos protejam de situações como estas? Quando seremos capazes de pensar, pensar a sério, nos mecanismos e nas motivações que estão por detrás dos nossos actos? Investigadora

P.S. - Nesse mesmo dia decidir fazer tudo para ser transferida para outra unidade hospitalar. Assinei um termo de responsabilidade, já que a minha saúde corria considerável perigo na transferência e fugi do SO. Recuperei o direito à palavra, mas fiquei com o peso da culpa. Quantos podem fazer o mesmo que eu? Neste momento, entre quantos seres desapossados da sua dignidade, passeará o dr. Z. M. a sua mediocridade destrutiva e maligna? Ele, e todos os outros drs. Z. M., seus acólitos. E nós, quando acordaremos? Quando usaremos o direito à palavra? O direito à indignação? Ah, e não me venham dizer que nos meios hospitalares é quase sempre assim, porque são meios onde a morte está sempre presente. Essa é mais uma razão para não tolerarmos as grosserias e a violência de gente como esta sobre nós.
"

Não Há Mais Post De Compressas Esquecidas!

No Primeiro de Janeiro de 19 de Julho:

"“Chip” detecta material cirúrgico


Uma equipa de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford, na Califórnia, criou um minúsculo “chip” capaz de detectar material cirúrgico esquecido dentro do corpo dos pacientes depois das intervenções cirúrgicas. O “chip”, com apenas dois centímetros de comprimento, é inspirado nos detectores anti-roubo existentes nas lojas. Sendo implantado numa gaze, por exemplo, o dispositivo deverá apitar quando um aparelho leitor lhe passar por cima, segundo avança um estudo publicado na última edição da revista «Archives of Surgery». Estes esquecimentos após as intervenções cirúrgicas são relativamente raros, estimando-se que ocorram apenas numa de cada 10 mil operações, mas podem provocar a morte do paciente. Cerca de dois terços dos objectos esquecidos são gazes.

Método adicional
O método utilizado até agora para evitar o problema é muito mais rudimentar, consistindo na mera contagem das gazes e de todos os outros instrumentos antes, durante e depois das intervenções realizadas em bloco operatório. Este novo “chip” de radiofrequência foi testado pela equipa de Alex Macário, perito da Universidade de Stanford, em oito pacientes submetidos a operações abdominais ou pélvicas. Em todos os casos, o detector conseguiu localizar em menos de três segundos gazes deixadas no interior dessas pessoas antes da sutura das incisões. “As tecnologias para aumentar a segurança nas salas de operações, como é o caso deste identificador por radiofrequência, requerem a realização de mais estudos para comprovar se deverão acrescentar-se, melhor do que substituir, à contagem manual”, conclui o estudo divulgado ontem."

sábado, julho 15, 2006

Portugal vs Itália

Em Itália, dias após se tornar campeã do mundo em futebol, um tribunal decide que os maiores clubes desçam de divisão por corrupção. Clubes esses aos quais pertenciam cerca de 2/3 dos jogadores campeões.

Em Portugal,

- o processo apito dourado foi arquivado, após anos de pseudo investigação!

- um clube protesta sobre um caso de doping e a federação rapidamente o iliba, tornando-se o único caso do mundo de perdão de doping!

E depois?

sexta-feira, julho 14, 2006

João Cordeiro: Não Dá Ponto Sem Nó

No Primeiro de Janeiro, de hoje:

Dois dias depois de ser apresentado o documento sobre os princípios para a liberalização da propriedade de farmácia, que inclui a realização de meios auxiliares de diagnóstico, ser apresentado pelo Governo, algumas farmácias receberam um panfleto promocional de um equipamento que permite a realização de testes no sangue e urina, para prevenir e gerir doenças como a diabetes, o colesterol total, doenças de fígado (ácido úrico e ácido láctico) e a anemia. O equipamento é apresentado pela empresa Quilaban -Química Laboratorial Analítica Lda, cujo director-geral João Cordeiro, também presidente da Associação Nacional de Farmácias. Referem que tendo em conta o "enquadramento legislativo em que a Farmácia Portuguesa se vai mover nos próximos anos", é por isso "fundamental que saibam ocupar os novos espaços profissionais". "Estranhei que apenas dois dias depois de ser apresentado o documento, onde estão incluídos os meios auxiliares de diagnóstico, seja apresentado um kit para a realização de alguns testes. Parece que tudo estava preparado para uma mudança, que ainda não está definida", afirmou Francisco Correia da Associação de Farmácias de Portugal.

sábado, julho 08, 2006

Grssssss!

Chega!

Absolvem o médico, mas...

Não basta aos excelentíssimos dignatários do nosso sistema judicial afirmarem o lugar comum:

“não foram observados todos os cuidados médicos que se exigiam", segundo o Ministério Público.

"A juíza referiu que o médico actuou de modo displicente e negligente, omitindo deveres inerentes à sua profissão", segundo a juíza do processo.

Mas se mesmo a autópsia revela que "não se encontrou qualquer lesão que por si só justificasse a morte"

É tempo de se justificar o que se diz, isto é, quais são esses preceitos que foram omitidos? Eu sei que não li o processo, mas tenho uma enorme curiosidade.

Já não basta ao médico a autópsia para o ilibar, talvez entremos agora na era da Medicina esotérica e da bruxaria, na óptica dos tribunais. Isto é adivinhação...

Mas saberão os nossos doutos magistrados o que é "morte por inibição", saberão o que é uma "autópsia branca"?

Eu também não digo.
Investiguem...

No Primeiro de Janeiro de hoje:

"O Tribunal do Marco de Canaveses absolveu quinta-feira um médico da urgência do hospital local, a quem tinha sido imputado um crime de homicídio por negligência, disse à Lusa fonte ligada ao processo. O caso remonta a 3 de Novembro de 2001, quando uma mulher que foi atropelada entrou nas urgências daquele hospital cerca das 18h, recebeu alta cerca das 23h e morreu 24 horas depois. O Ministério Público (MP) acusou o médico, de 56 anos, natural de Moçambique, de homicídio por negligência, considerando que “não foram observados todos os cuidados médicos que se exigiam” a esta mulher que ficou politraumatizada no atropelamento ocorrido em Vila Boa de Quires, Marco de Canaveses. “Na autópsia não se encontrou qualquer lesão que por si só justificasse a morte”, referiu o MP, ao fundamentar a acusação ao médico. Na avaliação do MP, a morte ficou a dever-se a um comportamento “omisso” do clínico, que “não adoptou todos os cuidados médicos que se exigiam”. Contactada pela Lusa, a fonte ligada ao processo adiantou que o médico foi absolvido, mas não se livrou de uma “censura muito forte” da juíza que liderou o julgamento. “A juíza referiu que o médico actuou de modo displicente e negligente, omitindo deveres inerentes à sua profissão”, afirmou. Contudo, “como o relatório da autópsia da vítima levanta dúvidas se a morte ficou a dever-se apenas à omissão do médico ou a causas naturais” o clínico foi absolvido, acrescentou. Os advogados assistentes deste processo, que actuaram em defesa dos familiares da vítima, decidiram já recorrer desta decisão judicial, tendo agora 15 dias para apresentar o recurso no Tribunal do Marco de Canaveses, dirigindo-o ao Tribunal da Relação do Porto."