Repouso!
"Tanto dislate se ouve e lê, por vezes publicado inconscientemente, que decidi esclarecer quem me procurar, para que os jornalistas (e outros intelectuais!) sejam um meio para os 'media' fomentarem a literacia científica."
Sucesso é reduzido
Gastar dinheiro para preservar células do cordão umbilical é erro, defende especialista do IPO
O responsável pela unidade de transplantação de medula óssea do Instituto Português de Oncologia, Manuel Abecassis, considerou hoje não valer a pena gastar mais de mil euros na criopreservaçã
"Não sei exactamente para que serve [a congelação do sangue]", afirmou Manuel Abecassis aos jornalistas, após ter participado no 3º Congresso Português de Medicina da Reprodução, onde falou sobre o tema "Criopreservaçã
"Nestes milhares de sacos de sangue congelado em todo o mundo há três casos de sucesso, portanto, não se pode dizer que não serve para nada, mas o que se pode dizer é que a probabilidade de utilização é muito baixa e, provavelmente para todos os casos, há alternativas", justificou.
O responsável afirmou que se tivesse agora um filho "pegava nos 1.200 euros e comprava certificados de aforro", e quando ele tivesse 18 anos entregar-lhe-
"Acho que ele ficava muito mais satisfeito do que se lhe desse o sangue do cordão umbilical", ironizou, acrescentando que a "probabilidade de utilização para uso próprio é tão pequena que não há benefício".
Para o especialista, a criopreservaçã
"As pessoas são livres de fazerem o que quiserem. Entendo que a actividade privada não deve ser proibida, como acontece em Itália e em Espanha, mas temos que ter a certeza que as empresas que a praticam dão informação científica rigorosa e objectiva aos seus potenciais clientes, e isso não está a acontecer", disse.
Manuel Abecassis afirmou que os sites das empresas privadas que se dedicam à congelação do sangue do cordão umbilical "não contêm informação correcta, rigorosa e objectiva", sendo "muito fantasiosos".
"Estamos muito longe daquela recomendação da União Europeia de que a informação deve ser cientificamente válida", sustentou.
O responsável criticou o facto de as empresas portuguesas que desenvolvem esta actividade apresentarem esta técnica aos pais como "um seguro de vida para o filho", dando a entender que o sangue "pode servir para tudo e mais alguma coisa".
Em contrapartida, o responsável defendeu a criação de um banco público de sangue do cordão umbilical, afirmando que "faz falta".
"Temos conseguido obter sangue de cordão umbilical noutros países, e com regularidade temo-lo feito. É possível que existindo um banco da população portuguesa se consiga obter amostras que sejam geneticamente mais favoráveis", disse.
O especialista salientou, no entanto, que a criação de um banco deste tipo "tem que ser muito bem pensada", por se tratar de "uma iniciativa que não pode falhar".
"Tem que se ter objectivos claramente definidos, metas para os conseguir alcançar e, sobretudo, saber de onde vem o financiamento", defendeu. n
Lusa
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Subscrevo integralmente.
Este homem merece ser Bastonário.
"Michael Porter e Correia de Campos
Artigo do Prof. José Manuel Silva*
Não, não se preocupem que não confundo as duas personalidades!
Michael Porter é um reconhecido e laureado economista, especialista em estratégia competitiva e profundo conhecedor da Saúde; em co-autoria com Elisabeth Teisberg escreveu um livro notável -- Redefining Health Care. Creating Value-Based Competition on Results.
Um pequeno resumo das ideias veiculadas nessa magnífica obra, cuja leitura recomendo vivamente, em particular aos responsáveis nacionais e locais da Saúde, foi agora publicado (JAMA, 2007; 297: 1103-11). Vale a pena salientar algumas frases:
- Embora as propostas de reforma da Saúde difiram, têm isto em comum: todas examinam o sistema actual e perguntam que modificações, impostas de fora, podem efectivamente controlar os custos, que são elevados e aumentam continuamente. Esta abordagem do problema falhará, porque começa com uma falsa premissa. O objectivo do sistema de Saúde não é minimizar os custos mas fornecer valor aos doentes, ou seja, mais saúde por cada dólar gasto.
- É necessária uma maior liderança dos médicos, agora. A única solução real para o problema nacional da Saúde é aumentar dramaticamente o valor dos cuidados de saúde prestados com o dinheiro que está a ser gasto. Isso nunca será conseguido do exterior, remendando esquemas de pagamento e incentivos. Aumentar o valor dos cuidados é algo que apenas pode ser conseguido pelos médicos.
- A competição na Saúde é disfuncional quando cada interveniente no sistema ganha não porque aumenta o valor para os doentes mas porque rouba valor de outros (diminuir tempos de consulta, esmagar salários, restringir serviços, transferir custos, etc.). Nenhuma destas medidas melhora os resultados da Saúde por cada dólar gasto -- de facto, muitas vezes tem o efeito inverso.
- A competição pelos resultados (melhor saúde por dólar gasto) produziria múltiplos vencedores: os doentes, que receberiam melhores cuidados, os médicos, que seriam recompensados pela excelência, e os custos, que seriam contidos.
- Um sistema baseado em valor fundar-se-ia em três princípios simples: 1) o objectivo é o valor para os doentes; 2) os cuidados de saúde devem ser organizados em redor de condições médicas e dos seus ciclos de cuidados, não em serviços de especialidades que obrigam o doente a percorrer múltiplos departamentos; 3) os resultados são medidos e divulgados (na cirurgia de by-pass coronário, a mortalidade em New York diminuiu 41% nos primeiros quatro anos de comunicação de resultados).
Tudo ao contrário
Basta olhar para a política de Correia de Campos para percebermos que tudo está a ser feito ao contrário. Os objectivos são exactamente os de esmagar salários, restringir serviços, transferir custos para os doentes, asfixiar instituições, substituir recursos públicos por privados… Nada que um qualquer coveiro de um qualquer cemitério deste país não conseguisse fazer. É o caminho mais fácil e o que exige menos conhecimento, experiência e inteligência.
Nestes dois anos de mandato do actual ministro da Saúde, apenas duas medidas são, de facto, de elogiar: a diminuição do preço dos medicamentos e o tímido início da criação de economia de escala com centrais de compras. Há muitos anos que defendo uma moderna e funcional central de compras do Ministério da Saúde para consumíveis, incluindo medicamentos; a poupança seria de milhares de milhões de euros! Mas talvez afectasse alguns interesses…
Todas as restantes medidas visam o racionamento cego, as pseudo-grandes reformas estão encalhadas, as nomeações continuam a ser maioritariamente de carácter nepótico e os «pequenos poderes» exercem-se de forma discricionária, liquidando totalmente a microeconomia do SNS (será esse o objectivo oculto?...).
A reforma dos cuidados de saúde familiares, a mais importante e determinante reforma da Saúde (cujo êxito se deseja e se exige!), caminha a passo de lesma e prenhe de problemas e indefinições. O que tem reflexos graves para todo o sistema de Saúde, nomeadamente para as Urgências hospitalares. Começando com uma excelente ideia, a filosofia das USF, colocou-se o carro à frente dos bois. Pela admirável generosidade e idealismo de muitos, interesses particulares de alguns e pressões sobre outros, constituiu-se pouco mais de meia centena de USF, claramente aquém das expectativas e das necessidades, e sem o devido enquadramento jurídico. Entretanto, induziram-se mais elevados níveis de organização e responsabilidade, o aumento das listas de utentes e maiores cargas de trabalho, mantendo o mesmo acanhado vencimento base dos médicos e com alguns colegas, inclusivamente, a perder dinheiro (o sonho de qualquer ministro! Por isso, o ministro quer mais USF modelo A, sem definir as respectivas regras e compensações…)!
Reforma subvertida
A reforma das Urgências está a ser totalmente subvertida pelas sucessivas decisões ministeriais. Até se inventa a sandice da «valência peculiar» da «Ortopedia a quente» para justificar o não cumprimento do relatório da CTRAPU no que respeito ao Curry Cabral (como é que alguém pode produzir estas atoardas e continuar ministro da Saúde?!).
Confirma-se aquilo de que já se suspeitava, o ministro apenas queria um relatório descartável, que pudesse usar a seu bel-prazer e lhe permitisse fechar SAP indiscriminadamente
O mesmo ministro que teve o despudor de dizer que um médico com estetoscópio num SAP não oferecia confiança (não obstante a presença de enfermeiro e auxiliar e os recursos técnicos e físicos existentes), agora já acha que um enfermeiro oferece confiança e segurança às populações?! Não representa esta medida uma profunda hipocrisia? O senhor ministro, quando está gravemente doente, recorre a um enfermeiro e depois pede-lhe para chamar um médico que pode estar até meia hora de distância? O ministro da Saúde está a insultar a inteligência e a brincar com a vida dos portugueses! E pretender que uma linha telefónica ineficiente (24 Horas, 30/04/07), milionária, espartilhada e burocratizada, independentemente das informações úteis que dispense, pode substituir o atendimento médico urgente presencial é raiar a insanidade e o cinismo!
Até quando?
Vai morrer gente no distrito de Bragança em situações de urgência/emergê
Quanto ao senhor ministro, finalmente deixará de andar obcecado com as horas extraordinárias dos médicos, deixará de agitar publicamente recibos de horas extraordinárias, deixará de condicionar a política de Saúde e a assistência aos doentes em função das mesmas, e deixará de as poder usar como arma de arremesso quando lhe convém (basta recordar o elucidativo e cirúrgico título de primeira página do JN de 23/04/07, com óbvia origem ministerial: «Médicos travam mudança dos centros de saúde para manter horas extras»…).
Fica este forte e sério desafio aos sindicatos; curiosamente, era um favor que faziam aos médicos, aos doentes e às obsessões do senhor ministro da Saúde…
*Presidente do Conselho Regional do Centro da Ordem dos Médicos
Subtítulos e destaques da responsabilidade da Redacção
TM ONLINE de 2007.05.03
0718ANT5F0307JMA18B "
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Segundo os jornais, haverá uma reforma dos hospitais militares.
Segundo essas mesmas notícias a reforma durará meia década.
Meia década!?
É só fechar a porta dos hospitais. É só mandar a ex-Inspecção Geral da Saúde lá dar uma volta.
O que encontrará será o fim-do-mundo...
Mas cinco anos? Porquê?
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.. que me arrependo de ter feito na minha vida aconteceu no dia 25 de Abril de 1974.
Fiquei em casa.
Era estudante universitário e decidi cumprir os apelos do MFA para ficar em casa.
Depois vi que o povo estava na rua e eu em casa.
Não havia telemóveis, computadores, messenger, skype, e-mails... e a "velhota" que me alugava o quarto tinha, como muitas, o telefone fechado com um cadeado....
Como me arrependo do que fiz nesse dia!
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O jornal Público tão preocupado com os diplomas do nosso primeiro, tem que começar a exigir diplomas de cultura geral aos seus jornalistas.
O senhor Hugo Daniel Sousa afirma:
"Eusébio tem placas de ateromas nas carótidas, patologia designada como aterosclerose ou, nos casos em que afecta artérias, também conhecida como arteriosclerose."
Saberá o senhor Hugo o que é uma carótida? Mas se "carótida" for artéria, então o Eusébio terá arterioesclerose e não aterosclerose, de acordo com a explicação do senhor jornalista.
Confuso.
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Em resposta a um post deste blog, sobre um blog cubano (anti-castrista) recebi este comentário com uma ligação para um site sobre a cooperação dos médicos cubanos.
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No blogue Ladrões de Bicicletas, neste post com um vídeo do Youtube, uma personagem pública.
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Ainda é teenager e já manda num hospital! Já para o Guiness.
Neste blog: A Voz do Abade.
E neste post.
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À senhora jornalista Ermelinda Osório, vendedora de notícias, tentar explicar o mesmo.
Jornal de Notícias de 05/04/07:
"Utente acusa hospital de negligência médica
| ermelinda osório |
|
|
| Romarigo garante que se não fossem os belgas já estava morto |
Agostinho Romarigo, de 34 anos, residente em Peso da Régua, pensou "várias vezes que ia morrer a qualquer momento". Ao fim de vários anos de idas às urgências, consultas e exames aos intestinos, estômago, ecografias e análises, está convicto de que "se não tivesse viajado de emergência para a Bélgica, já estaria, sem dúvida, morto", disse ao JN.
Romarigo é vendedor de automóveis e um conhecido praticante de desportos motorizados e náuticos da região. O seu "calvário" começou em Dezembro de 2003. De lá para cá, coleccionou idas às urgências do Hospital D. Luiz I, na Régua, e do Hospital de S. Pedro, em Vila Real, hoje integrados no Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro. "Mais de 50 registos de entradas nos hospitais" provam o que considera "um acto óbvio de negligência médica", e pondera uma queixa aos tribunais.
A carta do médico belga, redigida em francês, confirma a operação a uma apendicite aguda e à vesícula. Romarigo explica "Cheguei lá ao final do dia e, na manhã seguinte, operaram-me. Foram duas operações - uma para retirar o apêndice e outra para retirar a vesícula, que sofreu, entretanto, danos graves".
A história tem o seu "pico" a 11 de Março de 2007, um domingo. Mais uma crise levou o jovem ao hospital. "Penso que achavam que a dor era psicológica. Na Régua, já nem me consultavam. Eu até tinha vergonha de lá ir. Davam-me soro e sedativos e mandavam-me embora", diz. Nesse mesmo dia, ainda voltou à Urgência do D. Luiz I "Encolhi as pernas com as dores e nunca mais consegui esticá-las. Mandaram-me para casa com 40 graus de febre. Eu já só pedia a Deus para morrer, porque não aguentava", acrescenta. É então que a família resolve socorrer-se de parentes na Bélgica. Viajou para lá na quarta-feira seguinte.
O presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar, Carlos Vaz, diz que "não cabe na cabeça de ninguém que uma pessoa com apendicite aguda aguente este tempo todo. Se o problema fosse esse, já estaria morto, não tenho dúvidas".
Na Covilhã foi diferente
Em Janeiro de 2006, Romarigo teve uma crise na serra da Estrela. "No Centro Hospitalar Cova da Beira, na Covilhã, disseram-me que tinha de ser operado ao apêndice. O médico de lá mandou uma carta, mas um dos vários médicos que me atenderam em Vila Real, leu-a e riu-se", conta. Carlos Vaz garante que "todos os exames foram feitos e o utente chegou a dormir no hospital, mas nada foi detectado". O administrador lembra que "o sr. Agostinho Romarigo até tinha o número de telemóvel do cirurgião que o estava a seguir. No dia 11 de Março, podia ter-lhe telefonado, mas não o fez"."
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12:12
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Lembram-se dos fenómenos do Entroncamento?
Pois agora temos as grávidas da Figueira da Foz!
Esta da garagem é mesmo patética. Não o acontecimento, que pode acontecer a qualquer grávida (relapsada?), mas fazer disso uma notícia, uma "caixa".
Nem com uma maternidade no rés-do-chão desse edifício, este parto era hospitalar.
Os leitores que pensem quantas localidades de Portugal não têm maternidades, há dezenas, centenas de anos e nunca se afirmou que, após um parto numa ambulância, se reivindicasse uma maternidade local.
Tenham dó!
Nesta matéria das maternidades estou com o CC e contra a demagogia de toda a oposição.
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09:47
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A Júlia Pinheiro é a Júlia Pinheiro. Está tudo dito!
Habituou-se a estupidificar os portugueses através dos seus programas, e nós habituámo-nos a vê-la como a personificação desta televisão estupidificadora.
Escreveu umas patéticas linhas no jornal 24 horas de 23 de Março, com o título "Patético."
"Patético
No futuro, algumas crianças portuguesas vão ter dificuldade em assumir a sua identidade geográfica. Dentro de uma década e meia, adolescentes perturbados vão perguntar: “Será que o facto de eu ter nascido numa autoestrada fez de mim este ser errante, sem raízes, sem futuro?”
O retrato está um bocadinho carregado e tem um tom anedótico, mas verdade é que, desde que fecharam algumas maternidades do País, os bebés começaram a nascer em ambulâncias embalados pela sirenes do veículo e por um cheirinho a escape e combustível, que os prepara logo para um mundo marcado por terríveis alterações climáticas."
Quem quiser ler mais pode ir ao site do 24 horas.
A Júlia Pinheiro só agora descobriu uma realidade que já existe há décadas, desde que há ambulâncias, bombeiros e grávidas. Os bombeiros até têm os seus "especialistas" em partos...
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Post intitulado O PORTO E A TÍSICA, assinado por Carlos Fiolhais e retirado do blogue Rerum Natura (espero que autorizem!):
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Do blog Medicina Cubana:
Los pobladores de las zonas rurales del país deberán seguir pagando las consecuencias de los conflictos entre la Secretaría de Salud y los médicos en servicio social. Hoy inicia la segunda semana en la que estos estudiantes de último año de Medicina se han declarado en asambleas informativas.
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As Unidades de Saúde Familiar são a bandeira de luta do ministro CC e a solução para todos os males da Saúde, nomeadamente para a reestruturação das urgências.
Mas no site do jornal Médico de Família parece que a situação não é assim tão boa.
Eis o que diz um dos intervenientes (José Luís Biscaia) na formação de uma USF:
"Sem os meios necessários a reforma cai!
José Luís Biscaia, vice-presidente da APMCG, lança um aviso: a reforma dos Cuidados de Saúde Primários foi iniciada, mas ainda falta muita legislação de suporte, imprescindível à concretização do processo… Como também faltam muitas das ferramentas essenciais ao funcionamento e à avaliação do trabalho desenvolvido nas Unidades de Saúde Familiar.
A área das tecnologias da informação é, em campo de ineficiência, um exemplo pragmático, com a entidade responsável pelo sector, o IGIF, a revelar-se incapaz de resolver os muitos problemas que afectam o trabalho no terreno. Por exemplo, aponta o médico de família da Figueira da Foz, a sua USF está ligada ao CS por uma largura de banda de 512 kb. Este está ligado à SRS com uma largura de 1 mega… Que por sua vez comunica com o IGIF com uma capacidade de 2 mega.
Ora, não é preciso ser perito informático para perceber que basta que alguns profissionais estejam a utilizar a Internet em simultâneo para que o sistema bloqueie.
Isto, num país onde o Governo apregoa estar em curso um choque tecnológico. Atendendo ao que se passa no terreno, desabafa o médico, “fica a impressão de que na Saúde… Ainda não ligaram o disjuntor”.
Enquanto isso, a paciência dos milhares de profissionais que avançaram no terreno e dos muitos mais que aguardam por novidades para dar o primeiro passo, vai-se esgotando…
Sendo certo que em caso de colapso… A reforma será arrastada na queda!"
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Um comentário anónimo reactiva os posts de 2005, aqui e aqui:
"Anônimo disse...
Além disso, o Rinialer NÃO está aprovado pela EMEA (Agência Europeia do Medicamento) nem pela FDA (Agência Americana de Comida e Medicamento). No que respeita à origem do fármaco, essa é Espanhola e o fabrico tb..."
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Há muito que não subscrevo os editoriais do José Manuel Fernandes no Público.
Mas este, do dia 23/02/07, subscrevo-o integralmente!
"Da Patuleia a Chaves, a Valença, a... etc., etc.
Não se pede aos cidadãos que compreendam por que é melhor ter menos urgências, mas melhores - mas exige-se dos autarcas que não incendeiem o bairrismo e procurem, ao menos, compreender os argumentos da racionalidade.
Duas histórias curtas. Primeira: há quase 20 anos, os médicos de uma miúda que sofria de otites crónicas sugeriam aos pais que era melhor levá-la a um hospital francês. Os pais podiam pagar, levaram a filha e o diagnóstico surgiu num ápice: estava-se perante uma infecção rara mas fácil de curar. O médico francês, perante o desalento da família, sossegou-a sobre a qualidade dos médicos portugueses: "Aqui, observo destes casos várias vezes ao ano.
Lá, tenho colegas que se calhar vêem um ou dois na vida. Para mim o diagnóstico é mais fácil."
Segunda: há uma dúzia de anos, pouco tempo após a abertura de um novo grande hospital, o responsável pelo serviço de neurocirurgia pedia à respectiva administração para não lhe darem mais cirurgiões. Esta, porém, queria que houvesse sempre um neurocirurgião de turno nas urgências. O médico contra-argumentava: "Com mais cirurgiões, nenhum deles vai fazer o número de operações suficiente para ser realmente um bom profissional, e com a equipa que tenho consigo colocar um especialista no bloco operatório a tempo caso exista uma verdadeira urgência." A administração, ao que parece, tinha medo do que poderia um dia sair na comunicação social...
Estes dois episódios mostram como para haver excelência nos cuidados médicos, os médicos têm de ter experiência, ter visto muitos casos, ter operado muitas vezes. Isso não se consegue espalhando os profissionais por centenas de centros de atendimento, por muitas maternidades ou, também, por um número exagerado de urgências onde passam muitas horas inactivos.
Isso implica antes uma rede racionalizada que minimize a possibilidade de os médicos ficarem noites e noites de braços cruzados para depois, perante um caso mais complexo numa urgência "descentralizada" e pouco utilizada, acabarem a reencaminhá-lo para as urgências diferenciadas.
A verdade, contudo, é que nem sempre os argumentos de racionalidade ultrapassam o que por natureza é irracional. E não há que temer as palavras: é irracional pretender ter serviços de urgência abertos 24 horas por dia ao virar da esquina pois tais serviços, mesmo que fosse possível pagá-los, prestariam pior serviço que unidades especializadas, competentes, experientes e, por isso mesmo, raras.
Por isso, quando ontem se olhava para a imagem da primeira página do PÚBLICO, era quase impossível deixar de recordar imagens idênticas de revoltas antigas como as da Patuleia, essa quase guerra civil que se seguiu à revolta da Maria da Fonte.
E que levou Maria da Fonte à revolta? Uma medida menor e de elementar higiene pública: a proibição dos enterros dentro das igrejas. Também então a irracionalidade saiu à rua.Nos dias que correm já não se exige que se enterrem os mortos nas igrejas, mas da mesma forma que não se deseja ter lixeiras no quintal, reivindica-se um médico ou uma parteira em cada esquina. E nada disto mudará se, localmente, os eleitos não souberem passar da irracionalidade de quintal à discussão séria das alternativas.
Por exemplo: há discriminação do interior? Não: em 15 urgências que fecham, só três são no interior. Há discriminação política? Também não: dos 15 concelhos afectados, oito são governados pelo PSD, seis pelo PS e um pela CDU. Há menos serviços com um mínimo de qualificação? Não, pois se fecham 15 urgências, abrem 26.
Há ausência de critérios objectivos? Não, basta ler o relatório do grupo de trabalho.
O que há, isso sim, é muito sangue quente e um secular bairrismo.
Pelo que, ou o Governo aguenta este embate, ou então nunca fará uma das reformas que prometeu e que toca ainda mais nas sensibilidades localistas: a da redefinição do mapa judiciário.
José Manuel Fernandes"
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