terça-feira, janeiro 23, 2007

Vidas Desperdiçadas Em Potência (IV) : O Condom.

(O sémen do rei Minos, filho de Zeus, era povoado por serpentes, escorpiões e lacraias que matavam suas amantes. Procris teve a idéia de introduzir uma bexiga de cabra em sua vagina para se proteger.)

Na senda da demagogia dos defensores do NÂO, temos que lutar contra a perda de vidas em potência.

O preservativo (condom) é um meio usado para desperdiçar milhões de vidas diariamente:


O seu inventor da era moderna: Gabriele Falloppio

bora lá ilegalizá-lo

como na "Ireland, condoms (and other contraceptives) were originally available only to those with a doctor's prescription (finding a doctor willing to prescribe them was very difficult - almost impossible if one was unmarried) or via the black market (usually smuggled from Northern Ireland). This was later altered to being available only to those over the age of 18 in pharmacies in 1985. Sale outside of pharmacies was only legalised in 1993, although stores such as the Virgin Megastore had in fact been selling them openly since 1988. The age limitations were also removed in 1993."

nas "The Philippines is a predominantly Roman Catholic nation, and the Catholic Church is a powerful force in Philippine politics. The Church teaches that only natural family planning methods are moral ways to prevent pregnancy, and opposes promotion of condoms for any purpose.
While condoms are legal in the Philippines, the government will not promote them or pay for their distribution. As of 2004, several local officials - including the mayor of Manila - had banned distribution of condoms in government health facilities, and some locations even ban government health workers from discussing condoms
."

e na Somália "In 2003, a powerful Somalian Muslim group banned selling or using condoms in Somalia. The punishments for violating this include flogging." (from Wikipedia).




O preservativo aconselhado pelo clero português.

O preservativo usado pelas tias apoiantes do NÃO.
O preservativo feminino.

O preservativo dos alcoólicos.


O preservativo do megalómanos.
As brincadeiras sempre existiram.
The pink condom.

Preservativo mais antigo que se conhece.
(Imagens retiradas de vários sites da Internet)


domingo, janeiro 21, 2007

TVI

"... terapêutica endovenosa directamente nas veias..." pois, pois, haveria de ser onde?

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Vidas Desperdiçadas Em Potência (III) : O Padre.

Continuando com a exemplificação de "vidas potencialmente desperdiçadas", palavra de ordem do NÃO, cabe agora a vez ao Padre.
Deus deu-lhe também a capacidade para se reproduzir.
Mas a Igreja retirou-lhe essa graça divina.
Produz espermatozóides como todo o género masculino, os quais, pelo voto de castidade (se o cumprirem) são desperdiçados.

Portanto depois da ilegalização da masturbação, das freiras, agora teremos que ilegalizar o Clero.

3. O Padre.


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Jean-Baptiste Greuze
The Widow and Her Priest, undated
The State Hermitage Museum, St. Petersburg, Russia

Sabia Que?

De um comunicado do Sindicato Independente dos Médicos no Jornal Virtual

"PODE ESTABELECER-SE A CONFUSÃO NOS CENTROS DE SAÚDE

Foi hoje libertado para a Comunicação Social um Relatório da Inspecção-Geral de Saúde que, ainda que não identificando qualquer relação entre os congressos patrocinados pela indústria farmacêutica e a prescrição médica, identificaria os 14 médicos maiores prescritores de medicamentos. Numa contabilidade à receita e aos custos dos medicamentos prescritos, o mais gastador seria um médico de um CS de Aveiro, prescritor de 95 receitas/dia, aliás suplantado por dois outros (de Santarém e de Guimarães) com mais de 100 receitas/dia.

Nada é divulgado quanto ao nº de doentes que esses médicos atendem por dia,
quanto às doenças que têm e
à sua idade (se são idosos e com várias doenças crónicas, por ex.)
quanto ao nº de utentes na sua Lista,
quantos doentes sem Médico de Família do seu CS atendem e respectiva medicação crónica renovam diariamente.

É omitido que faltam Médicos de Família nos CS, existindo cerca de 700.00 portugueses sem Médico de Família.

É omitido que cada receita do SNS não pode ter mais do que 4 medicamentos diferentes e de cada um mais do que 2 caixas.

É omitido que há medicamentos que são tomados cronicamente e que não são passíveis de serem prescritos em receita renovável tendo que ser prescritos logo na mesma consulta para não obrigar o doente a deslocar-se repetidamente ao CS.

É omitido que as receitas renováveis de 3 vias e com validade para 6 meses têm todas a data do mesmo dia.

É omitido que há medicamentos que apenas são comparticipados na sua embalagem mais pequena, tal como é omitido que os medicamentos são caros em Portugal e que são organismos estatais que fixam os PVP e as comissões dos intermediários.

A menos que seja provado que essas receitas não corresponderam a actos médicos e actos médicos perfeitamente tipificados,
a menos que se chegue à conclusão de que essas prescrições foram inadequadas às patologias dos doentes, então se calhar esses médicos até deveriam receber um louvor do Sr. Ministro da Saúde publicado em Diário da República por trabalharem demais!

Esta jogada populista e pretensamente intimidadora dos Médicos, geradora de eventual perturbação da relação de confiança médico/doente, procedimento a que já nos habituamos a ver ser utilizado pelo Ministério da Saúde em alturas de aperto e para desviar as atenções, pode vir a lançar a confusão nos Centros de Saúde…

E se a partir de amanhã os Médicos de Família

- se recusarem a atender diariamente mais doentes da sua Lista do que o nº referente a umas tantas receitas (60? 70? 80? 90?),
- se recusarem atender
- e renovar medicação crónica aos doentes sem Médico de Família?

- Se quando à noite forem trabalhar para um serviço de Urgência já tiverem ultrapassado a sua quota diária?

Se não aceitarem ser apelidados de “reis da receita”?

Querem que os Médicos apenas atendam utentes não doentes? Como é que vai ser, Sr. Ministro Correia de Campos?"

Nem Sei Que Nome Dar Ao Post! Ai Público, Público!

Tudo começou com uma análise ao perfil dos maiores prescritores do SNS por distrito: a tutela queria saber quem era e o que receitavam os 5 ou 6 maiores prescritores por Sub-região de Saúde.

Também se analisou o que prescreviam.

Depois, decidiu quem de direito, analisar os 14 maiores a nível nacional. Analisar isto é, fazer uma auditoria. Simplesmente uma auditoria clínica.

Mas hoje, o Público já titula "RECEITAS FALSAS", a RTP-1 fala em "EXPULSÕES DA ORDEM DOS MÉDICOS". Fala-se em "INQUÉRITOS DISCIPLINARES".

O bastonário entra no jogo, alarma, até propõe uma "INVESTIGAÇÃO DA POLÍCIA JUDICIÁRIA".

Eu sei porquê. O alvo é uma classe. Depois acusem-me de corporativista...

Será que a entidade que fez a auditoria (a ex-IGS ?) não poderia fazer um desmentido?

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Vidas Desperdiçadas Em Potência (II) : As Freiras.

Um óvulo transformado em ovo por um espermatozóide pode originar, em média e em cada mulher cerca de 444 potenciais vidas.

Não sei quantas freirinhas haverá no planeta, mas muitas vidas potenciais se perderão. Nem todas são como a Soror Mariana Alcoforado.

2. As Freiras
















Hieronymus Bosch, 1450?-1516.
Hertogenbosch, Brabante Setentrional, Holanda.
(retirado daqui)

terça-feira, janeiro 16, 2007

Vidas Desperdiçadas Em Potência (I) : A Masturbação.

Este blogue vai iniciar a publicação de algumas situações a ilegalizar, pois representam perdas em potência de vidas humanas: uma bandeira dos defensores do NÃO.

1. A Masturbação:

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Peter Johann Nepomuk Geiger, Erotic Aquarell about 1840 (Austrian, 1805-1880)

domingo, janeiro 14, 2007

Unsafe Abortion: The Preventable Pandemic. (Aborto Ilegal: A Pandemia Evitável)

É um artigo sério que se pode encontrar aqui: Unsafe abortion: the preventable pandemic (COPYRIGHT 2006 The Lancet Publishing Group).

Para reflexão:

"1 An estimated 19-20 million unsafe abortions take place every year, 97% of these are in developing countries.

2 Despite its frequency, unsafe abortion remains one of the most neglected global public health challenges.

3 An estimated 68 000 women die every year from unsafe abortion, and millions more are injured, many permanently.

4 Leading causes of death are haemorrhage, infection, and poisoning from substances used to induce abortion.

5 Access to modern contraception can reduce but never eliminate the need for abortion.

6 Legalisation of abortion is a necessary but insufficient step toward eliminating unsafe abortion.

7 When abortion is made legal, safe, and easily accessible, women's health rapidly improves. By contrast, women's health deteriorates when access to safe abortion is made more difficult or illegal.

8 Legal abortion in developed countries is one of the safest procedures in contemporary practice, with case-fatality rates less than one death per 100 000 procedures.

9 Manual vacuum aspiration (a handheld syringe as a suction source) and medical methods of inducing abortion have reduced complications.

10 Treating complications of unsafe abortion overwhelms impoverished health-care services and diverts limited resources from other critical health-care programmes.

11 The underlying causes of this global pandemic are apathy and disdain for women; they suffer and die because they are not valued."

Ourique, Já Em Agosto Se Morria Assim...

No Correio da Manhã de 24/08/06, por Alexandre M. Silva:

"Beja - Médicos não garantem 24 horas/dia
Família de acidentado critica serviço do INEM
Alexandre M. Silva

A vítima mortal, Jacinto Baptista, conduzia este veículo da marca Mercedes
Os familiares de Jacinto Baptista, um homem de 64 anos que faleceu no dia 14 de Agosto na sequência de um acidente de viação em Ourique, Beja, vão apresentar uma queixa ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) alegando falta de assistência à vitima no local do sinistro.
“Não compreendemos por que é que o meu pai não foi assistido no local do acidente por uma equipa do INEM e transportado para o Hospital de Beja pela Viatura Médica de Emergência Rápida (VMER), atribuída àquela unidade no dia 7 de Agosto”, acusou o filho, Vítor Baptista. “Os responsáveis dizem que o serviço funciona 24 horas por dia, mas no caso do meu pai foram os bombeiros que lhe deram assistência porque o veículo não estava operacional por falta de médico.”

O falecido, que conduzia um carro de marca Mercedes, sofreu, por volta das 02h30, uma violenta colisão de um outro veículo, no IC1, perto de Aldeia de Palheiros, Ourique. “Esteve três horas encarcerado e quando chegou ao hospital estava quase sem sangue. Acabou por morrer cerca das 11h00.” Vítor Baptista sublinhou ainda que, caso o resultado da autópsia confirme que o seu pai faleceu por falta de assistência irá apresentar uma queixa em tribunal.

LIMITAÇÕES EM AGOSTO

O administrador do Hospital de Beja, Rui Santos, admitiu que alguns turnos da VMER não se realizaram por falta de médicos com curso, mas sublinhou que o INEM tinha conhecimento das limitações do serviço em Agosto.

Sobre o sinistro no IC1, disse que “o falecimento deveu-se, sobretudo, às lesões”. Segundo fonte do INEM, a operacionalidade da viatura está a cargo do hospital e “foram encaminhados” todos os meios disponíveis para o acidente.
"

Só Pode Ser: O Juíz Do Luisão Era Do Benfica!

Outra história de juízes e alcoolemia no Diário de Notícias de 13/01/07, por Inês David Bastos.

"Juiz condenado por conduzir com álcool

Um juiz conselheiro jubilado acaba de ser condenado pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ) pelo crime de condução sob o efeito de álcool. O magistrado do Supremo - residente no Porto - foi apanhado pela Brigada de Trânsito da GNR na Estrada Nacional 218 (que dá acesso ao IP4) a conduzir a sua viatura com uma taxa de alcoolemia de 1,28 gramas por litro, que no teste efectuado mais tarde no Instituto de Medicina Legal do Porto subiu para 1,60. Recorde-se que a partir de 1,20 gramas por litro passa a ser crime.

O juiz conselheiro , segundo refere o acórdão do STJ que o condena a uma pena de multa de mil euros e à inibição de conduzir por três meses, elaborado pelo relator Pereira Madeira na passada quarta- -feira, foi interceptado pela BT no dia 30 de Maio de 2005 às 22.15, quando se dirigia para uma sua residência em Bragança. O caso seguiu para o Procurador-geral da República, que - por ser um juiz conselheiro - requereu ao Supremo o julgamento. O conselheiro pediu a abertura da instrução, alegando não existir qualquer infracção. Com que fundamentos?

A contestação

O juiz-conselheiro alega que a sua conduta não preenche "a tipicidade do crime em causa" por não ser verdade "que tivesse ingerido prévia e voluntariamente bebidas alcoólicas em excesso". O magistrado garante que se limitou a acompanhar a refeição "com meia garrafa de vinho" e um digestivo. E justifica que foi o facto de ter"tomado comprimidos para a dor de cabeça" que inflaccionou a taxa de alcoolemia detectada, com a qual disse ter ficado "surpreendido". O conselheiro argumenta ainda que, se "tivesse consciência do grau de alcoolemia, não teria iniciado a condução", que em mais de 40 anos como encartado "nunca provocou qualquer acidente" e que a viagem que "ia fazer era apenas de seis quilómetros".

Argumentos que não colheram qualquer fruto junto dos seus pares do Supremo, que o condenaram por unanimidade (assinam ainda o acórdão os conselheiros Santos Carvalho e Costa Mortágua).

Argumentos do Supremo

O acórdão sustenta que, para praticar o crime de condução sob o efeito de álcool, basta que a pessoa conduza com uma taxa de álcool no sangue igual ou superior a 1,2 g/l, não sendo sequer necessário o dolo, ou seja, a consciência da condução ilegal. "Qualquer condutor, seja ele quem for, tem de ter certos cuidados básicos durante a condução e antes dela (...) tais cuidados, necessariamente ao alcance das capacidades intelectivas e volitivas do juiz conselheiro (...), eram de redobrada observância", escrevem os juízes do Supremo, considerando que o conselheiro "devia ter evitado beber ou, pelo menos, evitar conduzir depois de beber
".

O CODU E O INEM

Publicitou-se que o CODU já estava em todo o país, mas nunca se disse que o INEM só funciona 24 sobre 24 horas nas grande cidades.

Este morreu e outros morrerão e a culpa nunca morrerá solteira, porque a culpa será sempre do(s) médico(s), nunca do(s) ministro(s), nem de quem planeia...

In TSF on-line:

"INEM demite-se de responsabilidades na morte de homem em Odemira
O INEM considera que as suas equipas médicas fizeram tudo ao seu alcance no socorro de um homem de Odemira, que demorou sete horas a chegar ao hospital em Lisboa, acabando por falecer. O ministro da Saúde quer perceber o que aconteceu de errado.

( 21:03 / 13 de Janeiro 07 )

O INEM considerou, este sábado, que as suas equipas médicas envolvidas no socorro de um homem de Odemira, que demorou sete horas a chegar ao hospital em Lisboa acabando por falecer, fizeram o que os meios disponíveis lhes permitiram.

Após averiguar o ocorrido, Nelson Pereira, director dos serviços médicos do INEM disse, em declarações à TSF, que a actuação dos seus profissionais, «em três momentos diferentes», decorreu «dentro da normalidade».

«Evidentemente que lamentamos sempre que estas situações ocorram», mas «se nos referirmos ao facto de que Odemira é, infelizmente, como algumas zonas do país, deficitária em termos de acessibilidades a cuidados de saúde diferenciados, em determinadas especialidades, é possível que situações destas aconteçam, referiu Nelson Pereira.

Um homem de 54 anos sofreu um acidente, esta segunda-feira, na estrada que liga freguesias de São Teotónio e Mil Fontes, no concelho de Odemira, para onde o centro de triagem do INEM enviou uma ambulância sem qualquer apoio médico.

Posteriormente, a vitima foi levada para o Serviço de Apoio Permanente de Odemira, onde esteve duas horas, embora sem receber o apoio médico devido, tendo em conta que aquela unidade não dispõe de médios para socorrer uma vítima politraumatizada e com lesões cranioencefálicas.

Depois disso, foi chamada uma viatura médica de emergência e reanimação do INEM, estacionada no hospital de Beja, que demorou uma hora a chegar ao local e outra para tentar estabilizar a vítima.

Foi então decidido evacuar o ferido por helicóptero para o hospital de Santa Maria, em Lisboa, mas, dada a gravidade das lesões, o helicóptero teve de voar a baixa altitude e a reduzida velocidade, tendo o indivíduo acabado por morrer.

Nelson Pereira justificou que para o local foi enviada uma viatura sem apoio médico, porque «em Odemira não existem viaturas com apoio médico», mas apenas em Beja, a 100 quilómetros do local.

Em todo o distrito de Beja, o maior do país, apenas existe uma viatura de emergência médica. No entanto, Nelson Pereira adiantou que esta situação pode mudar num futuro próximo, já que «está a ser equacionada, há algum tempo atrás, a possibilidade de ter outras unidades no distrito».

O director dos serviços médicos do INEM relembrou ainda que «o sistema duplicou o número de unidades nos últimos três anos e vai continuar com certeza a alargar a sua actividade».

Questionado pela TSF, o ministro da Saúde, Correia de Campos, mostrou-se «interessado em conhecer» o sucedido, acrescentando que irá «necessariamente actuar procurando conhecer o que se passou» e perceber «se por ventura alguma coisa de errado funcionou».
"

sábado, janeiro 13, 2007

Posição Da Federação Nacional dos Médicos Sobre A Decisão Ministerial De Controlo Electrónico Da Assiduidade

A recente divulgação da decisão do Ministro da Saúde em aplicar o controlo electrónico da assiduidade dos médicos e as reacções que tem suscitado, motivam a seguinte tomada de posição FNAM:

1. O controlo da assiduidade na Administração Pública encontra-se legislado para o conjunto dos vários sectores profissionais, ainda que não ajustado às respectivas especificidades.
Sempre houve casos de incumprimento e de menor empenho em todos os sectores profissionais. No entanto, está amplamente documentado que o incumprimento de horários, o absentismo e a baixa produtividade derivam fundamentalmente de disfunções institucionais e da inadequação dos métodos de organização de trabalho e de gestão.

2. Aproveitando um inquérito da Inspecção-Geral da Saúde que referiu a situação da grande maioria dos estabelecimentos públicos de saúde proceder ao controle da assiduidade através de “livro de ponto”, o Ministério da Saúde tomou a imediata decisão de aplicar sistemas electrónicos a esse controlo sem discussão prévia desta medida com as organizações sindicais. Procurou, ao mesmo tempo, passar para a opinião pública a mensagem de que, com esta medida, visava melhorar o funcionamento dos serviços e aumentar a sua capacidade produtiva. Estava assim encontrado o pretexto e justificação, para responsabilizar terceiros pelos maus resultados da sua gestão e pela incapacidade de reestruturação dos Serviços Públicos de Saúde até agora demonstrada pela actual equipa ministerial.

3. O controlo burocrático da assiduidade, electrónico ou por outros meios, é apenas um dos instrumentos de gestão e não seguramente o mais importante nas organizações modernas. Ao colocar o acento tónico no estrito cumprimento dos horários como forma de aumentar a produtividade, o Ministério da Saúde procura demitir-se de promover mecanismos de regulação interna centrada na contratualização, com alteração das regras de gestão intermédia das organizações de saúde e da criação de incentivos que discriminem positivamente os profissionais mais empenhados. Acresce ainda que a desresponsabilização dos Directores de Serviço e o esvaziamento do seu importante papel na garantia da concretização dos objectivos assistenciais, vem pôr em causa a desejável autonomia das unidades funcionais.

4. É uma evidência que o Ministério da Saúde tem sido incapaz de definir e contratualizar objectivos de produção para os serviços públicos de saúde, designadamente a nível das unidades hospitalares. Se assim não fosse, já há muito teria desenvolvido esforços na implementação dos Centros de Responsabilidade Integrados (CRI), em vez de continuar a ignorar a legislação que os consagra e que continua em vigor. Simultaneamente, nunca apresentou quaisquer medidas incentivadoras de aumento da produtividade destes serviços, limitando-se a focalizar a sua intervenção em cortes, sem critérios, nas despesas e nos recursos humanos.

5. A gestão de recursos humanos tem sido desastrosa. Pela forte desmotivação que origina, em nada contribui para a produtividade o sucessivo adiamento das negociações do Acordo Colectivo de Trabalho para os hospitais EPE e sobre Carreiras Médicas, deixando milhares de médicos sem qualquer enquadramento socioprofissional, à mercê do arbítrio das administrações.
O recente episódio com os médicos internos, que levou ao adiamento da colocação nas especialidades por o Ministério da Saúde não conseguir dar cumprimento às normas regulares de funcionamento quanto ao início de funções no Internato de 2007, é elucidativa do pouco respeito que os profissionais lhe merecem. Ao frustrar expectativas de jovens que anseiam entrar na vida profissional, o Ministério da Saúde não deu um sinal motivador a estes colegas em início de actividade.

Em defesa do direito constitucional á saúde e dos interesses socioprofissionais dos médicos, a FNAM continua empenhada na dinamização de soluções credíveis e tecnicamente sustentadas que visem reforçar o insubstituível papel das carreiras médicas e do SNS.


A Comissão Executiva da FNAM



Lisboa, 11 de Janeiro de 2007

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Não Era Personalidade Pública!

Assim se combate o alcoolismo em Portugal e na juventude:

- Quem é personalidade pública pode beber em excesso, que está perdoado!

- Se for "Comissária da PSP detida com álcool a mais"


No Portugal Diário de 10/01/07, por Cláudia Lima da Costa

"Agente conduzia com 2,39 g/l de álcool no sangue e teve acidente


"66 condutores detidos em operações stop.
205 condutores com excesso de álcool.

Uma comissária da PSP de Leiria foi detida na madrugada desta quarta-feira por estar a conduzir com uma taxa de alcoolémia de 2,39 g/l. A oficial da PSP foi detida pela GNR depois de ser interveniente num acidente de viação em Santo Antão de Leiria.
Segundo a PSP confirmou ao PortugalDiário o acidente de trânsito ocorreu às 2h00 da madrugada. A Brigada de Trânsito foi chamada ao local e depois de efectuar o teste de álcool constatou que a agente apresentava mais de 1,2 g/l e como tal teria que ser detida.
A Comissária foi presente ao juiz já nesta quarta-feira e enfrenta agora um processo-crime e um processo disciplinar na PSP.
"

Se o juiz fosse médico, era negligência.

Mas falou-se no juíz? Não! Só no Luisão.

(Esta minha mania de me sentir perseguido...)

terça-feira, janeiro 09, 2007

É Impossível Trabalhar Assim !

in Tempo Medicina, de 2007.01.08

Artigo do Prof. José Manuel Silva*

Em meu nome pessoal e no dos médicos, reclamo das condições em que
somos obrigados a trabalhar e declino quaisquer responsabilidades
pelos erros que possam ser cometidos em situações de sobrecarga nos
serviços de urgência de qualquer instituição de saúde

Excluindo os cada vez mais raros dias de relativa acalmia, amiúde a
procura da Urgência dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC)
ultrapassa amplamente a sua capacidade de resposta com eficiência.
No espaço central da Urgência, que foi dimensionado para 17 macas, é
frequente estar o dobro, o triplo, ou mais, de doentes!
Como especialista em Medicina Interna, estive de serviço à Urgência
dos HUC no passado dia 26 de Dezembro, das 9 às 21 horas. Nesse dia,
das zero às 24 horas, 604 doentes recorreram à Urgência (incluindo a
maternidade)! Na Urgência do Bloco Central, durante o dia, foram
admitidos quase 50 doentes por hora! Um verdadeiro mar de gente, que
provocou atrasos inaceitáveis, logo para a realização da primeira
triagem, e muitas horas de espera para os doentes menos urgentes.
Não é possível responder com atenção, humanidade, acuidade e
qualidade a tantos doentes, com as mais variadas queixas, patologias
e necessidades. O espaço físico não comporta esta quantidade e os
recursos humanos e técnicos, sobretudo os primeiros, são claramente
insuficientes nas horas de maior sufoco.
Em dias de maior enchente não há condições para observar os doentes,
nem macas suficientes para os deitar! Interrogamos um doente e estão
vários a escutar a conversa! Observamos outro doente e somos
acompanhados pelo olhar atento de uns quantos! Queremos auscultar um
coração mas o ruído de fundo parece o de uma discoteca! Necessitamos
de medir a tensão arterial e temos de ir, em verdadeira gincana
entre cadeiras e macas, buscar um aparelho que, muitas vezes, existe
em número insuficiente! Palpamos abdómens com doentes sentados
porque não há um local apropriado para os deitar! Queremos
concentrar-nos nos problemas de um doente e está outro a clamar para
que o despachemos! É necessária uma glicemia capilar mas, no meio da
confusão, já ninguém sabe onde está a máquina! É importante
administrar um medicamento ou colher sangue para análises, mas os
enfermeiros estão todos sobreocupados! É preciso transportar um
doente à ecografia, mas não há auxiliares disponíveis! Chega um
doente grave e está outro a gritar por um urinol! Os telefones tocam
por informações (por vezes, sobre o mesmo doente, são inúmeros
telefonemas!) ao mesmo tempo que os doentes (os que falam) solicitam
assistência! Tão depressa um doente está em risco de aspirar um
vómito quanto é necessário acorrer a um doente desorientado à beira
de se atirar da maca abaixo! Os frascos de soro de 100 cc esgotaram,
pelo que é necessário desperdiçar mais tempo a preparar diluições
com frascos de 500 cc! Etc., etc., etc...

Carta ao director clínico
Em Agosto de 2006 escrevi ao director clínico dos HUC uma carta, da
qual transcrevo o seguinte excerto: "O dia 22 de Agosto foi um dia
de enorme afluência de doentes à Urgência dos HUC, o que implicou um
trabalho profundamente absorvente e desgastante. O mal desenhado
espaço da Urgência (para o tipo de urgência hospitalar que ocorre em
Portugal) mais parecia uma feira, com ruído, confusão, gritos,
ordens, maus cheiros, falta de privacidade, calor, chamamentos,
lamentos, doentes em terceira fila, stress, pessoal subdimensionado,
etc. Os exageros da triagem de Manchester e os conselhos do ministro
da Saúde para que os doentes recorram às urgências hospitalares
vieram piorar o frágil desequilíbrio anterior. Como dizia um colega
ortopedista, quando sentia a agitação no seu sector da Urgência como
demasiada vinha apreciar a babilónia da sala de Medicina, o que lhe
permitia regressar mais animado e reconfortado à Ortopedia".
É completamente impossível trabalhar com qualidade desta maneira.
Para bem dos doentes, como profissionais de saúde tentamos cumprir a
nossa obrigação o melhor que podemos e sabemos, mas, como um dos
porta-vozes dos médicos, não posso deixar de denunciar que, ao
sermos compelidos a trabalhar nestas condições, seguramente que não
podemos evitar alguns erros que, de forma alguma, podem vir a ser
imputados à responsabilidade médica.

Denunciar nas instâncias apropriadas
É no cumprimento do parecer do Conselho Nacional do Exercício
Técnico de Medicina, da Ordem dos Médicos, sobre Recursos Humanos no
Serviço de Urgência, que escrevo estas linhas. Efectivamente,
segundo esse parecer, «os médicos devem denunciar, nas instâncias
apropriadas, a falta de recursos técnicos e/ou humanos para o
exercício da sua actividade com dignidade e segurança para os seus
doentes, não poderão, no entanto, declinar responsabilidades do que
ocorrer durante este exercício de actividade, em nome das ditas
insuficiências. Porém, na Constituição da República, no ponto 2 do
art.º 271.º, afirma-se: "É excluída a responsabilidade do
funcionário ou agente que actue no cumprimento de ordens ou
instruções emanadas de legítimo superior hierárquico e em matéria de
serviço, se previamente delas tiver reclamado ou tiver exigido a sua
transmissão ou confirmação por escrito"».
Infelizmente, os problemas que aponto à urgência dos HUC, apenas
porque os vivo intensamente cada vez que estou de serviço, são
extensíveis a muitos outros hospitais, senão a todos eles. Durante o
mesmo período, 540 doentes recorreram ao Serviço de Urgência do
Hospital de Aveiro, um hospital com muito menos recursos e que está
a rebentar de problemas de gestão! No dia 1 de Janeiro a Urgência do
Santa Maria foi um caos total, conforme vem referenciado na
comunicação social. Não é possível continuar assim!

Declinar responsabilidades
Por tudo isto, em meu nome pessoal e em nome dos médicos, ao abrigo
do art.º 271.º da Constituição, venho reclamar das condições em que
somos obrigados a trabalhar e declinar quaisquer responsabilidades
pelos erros que possam ser cometidos em situações de sobrecarga de
doentes nos serviços de Urgência de qualquer instituição de saúde.
Quem fecha serviços de atendimento permanente nos centros de saúde
sem alternativas efectivas, quem pretende encerrar serviços de
Urgência sem uma reforma profunda do sistema de Saúde, quem
desorganiza serviços de Urgência com a contratação de empresas de
mão-de-obra médica desligada da respectiva instituição, quem não
cuida de criar mecanismos de assistência aos idosos que dispensem o
recurso sistemático à Urgência hospitalar, quem não investe a sério
em verdadeiros cuidados paliativos, quem se preocupa mais com o
orçamento do que com os doentes, quem não tem conhecimento
suficiente para introduzir reformais racionais e não racionamento
cego, quem não dimensiona os recursos técnicos e humanos de forma
dinâmica em função das necessidades, quem não resolve os
constrangimentos ao fluxo de doentes, quem concede populares
tolerâncias de ponto sem cuidar de mecanismos de compensação e
rotatividade (só para as greves é necessário assegurar serviços
mínimos?), etc., etc., etc., quem governa deficientemente que assuma
integralmente as suas responsabilidades!
Basta! Não é justo nem aceitável que os médicos possam ser
responsabilizados pelas inevitáveis consequências negativas e
desnecessários riscos e prejuízos para os doentes que decorrem dos
cortes irracionais e dos erros e insuficiências de gestão e
organização dos responsáveis governamentais e seus representantes, e
da falta de condições adequadas para a prática de uma Medicina
humanizada e eficiente. É profundamente lamentável estar a perder-se
mais uma oportunidade para uma verdadeira, global e coerente reforma
do Serviço Nacional de Saúde.

*Presidente do Conselho Regional do Centro da Ordem dos Médicos
Subtítulos e destaques da responsabilidade da Redacção

8 de Janeiro de 2007 o2/n1545/t1/G.L

sábado, janeiro 06, 2007

Um Comentário Sobre A Medicina Privada

Medico Explica disse...

Quando se fala de medicina privada, está-se a falar de muita coisa.

● da banca e seguros e dos seus hospitais que estão sempre de vento em popa,

● de nichos de privada como é a fisioterapia (que vive de convenções e de prolongamentos escandalosos de tratamentos... é um caso para a ex-IGS),

● da estomatologia e da oftalmologia em que o Estado se demitiu completamente,

● da pediatria (outro escândalo, pois os pediatras que "sugam" contos e contos só para dizerem "o seu filho está muito bem!" e quando estão de facto doentes têm sempre o telemóvel desligado, entupindo os saps, os médicos de família e as urgências hospitalares),

● dos Profs. e outros, que delegam a consulta nos seus "ajudantes", mas a receitinha leva sempre o seu nome e

● de outros ainda que se valem do lobie na comunicação social (o jet-set da medicina como be disse CF)

e também da pequena privada, pequenos e médios consultórios das cidades, vilas e aldeias com forte tendência para desaparecer.... como o estão a ser o único local onde os doentes do interior podiam ter consultas públicas fora de horas: os SAPS.

Mas o senhor Ministro CC dos SAPS, só conhece o da sua rua, na capital... POR ISSO NÃO O FREQUENTA E DIRIGE-SE LOGO À URGÊNCIA HOSPITALAR, NA CAPITAL, POIS CLARO...

12:24 PM

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Hoje Fui Roubado!

Fiz o pagamento à Entidade Reguladora da Saúde.

Fui equiparado aos Mellos, aos Esprito Santos e por aí.

domingo, dezembro 31, 2006

Mais Uma Calinadazinha...

Na Sicnotícias, sobre transplantação hepática:

"risco de vida"

como não consegui perceber, presumo que se queriam referir a "esperança de vida".

sábado, dezembro 30, 2006

Porra! Admite-se Isto No Mundo?

O meu comentário:

1) A justiça dos vencedores.
2) A pena de morte é uma ilusão.
3) A frase hipócrita de Bush, de que a democracia iraquiana se alicerça com a morte deste homem (e com a de milhares de outros, mais do que este já matou, ex-aliado do Pai Bush!)
4) Como médico, defendo a vida e não a morte.

No Expresso on-line de hoje:

Saddam: advogado Najib Al Nueimi em entrevista exclusiva ao Expresso
"O enforcamento é a humilhação"
Henrique Cymerman, correspondente em Telavive

Para o causídico que o defendeu, o ex-ditador estava condenado à partida. «Quando a filha dele me contratou, disse-lhe: pedes-me que participe na execução do teu pai».

Como avalia o processo judicial?

Uma tragédia. Sabe que 26 assessores norte-americanos, incluindo um canadiano, acompanharam o julgamento, manipularam a ordem dos trabalhos e chegaram a inventar provas? Trouxeram testemunhas do Ministério Público que em 1982 eram muito pequenos, razão pela qual a lei não os aceita como tal. Pedi ao juiz que invalidasse esses testemunhos, o que não aconteceu. Vimos o juiz Rauf Abd el-Rahman (de origem curda) a expulsar o meu colega norte-americano Ramsey Clarck só porque exigiu que a defesa participasse nas últimas audiências do julgamento. Recordo que nos apresentaram uma lista de pessoas cuja execução tinha sido alegadamente ordenada. Procurámos e encontrámos testemunhas que afirmavam que um deles era seu primo, que estava vivo, e que se encontrava em Dujail. Outra disse que aquele era seu vizinho e que ainda ontem o tinha visto. Casos destes repetiram-se. Exigiram que o demonstrássemos e que fossemos a Dujail. Quero esclarecer que se o tivéssemos feito, não teríamos regressado porque teríamos sido executados pela população de lá.

O facto de se ter dado a conhecer a sentença neste preciso momento tem algo a ver com as eleições nos Estados Unidos?

Sem dúvida, os republicanos continuam a enganar o povo americano e a afirmar que salvaram o Iraque, que levaram a calma e a tranquilidade ao povo iraquiano e que agora haverá justiça no país.

É obvio que não há calma nem tranquilidade no Iraque. São os seguidores de Saddam Hussein os responsáveis por isso?

É quase seguro que não. Os seguidores de Saddam constituem apenas 10% do total da oposição iraquiana, maioritariamente composta por membros de grupos radicais islâmicos.

No caso de ser condenado à pena capital, Saddam Hussein já expressou o desejo de ser fuzilado. Porque é que a sentença fala de enforcamento?
Não querem permitir-lhe a glória de morrer como um militar, apesar do promotor público ter expressado o seu consentimento no fuzilamento.

É claro que o enforcamento implica a humilhação do presidente.

Quando é que será apresentado o recurso?

Esse direito caduca ao fim de 25 dias, pelo que, na próxima semana, entraremos com o pedido em tribunal. Mas tudo isto é uma tragédia, um tipo de representação montada, com injustiça e mau gosto. Não me parece, de todo, provável que anulem a pena capital do presidente Saddam Hussein.

P Saddam foi um ditador que fez muitos inimigos durante o tempo que foi presidente. Você como seu advogado já sofreu perseguições e ameaças de morte. Isso não o dissuadiu?

O advogado é o escudo da justiça. Nada poderá dissuadir-me de continuar a ser o defensor do presidente. Na verdade, além das ameaças telefónicas contra a minha vida e a da minha família, ao sair de uma das audiências um guarda iraquiano sacou a sua arma, apontou-a à minha cabeça e ameaçou-me dizendo que o meu final estava próximo. Num outro momento, quatro membros das forças de segurança iraquiana bateram-me porque eu tinha protestado pelo seu comportamento em relação a uma testemunha da defesa, a quem tinham também espancado selvaticamente. Esta é a ocasião para recordar o nosso companheiro, o advogado iraquiano Jamis ao-Obeidi, cruelmente assassinado por ser membro da defesa.

Chamou-nos a atenção o facto de durante todo o processo judicial, Saddam Hussein ter na mão um exemplar do Corão. Mas ele nunca foi um muçulmano muito praticante. Porquê?

É verdade, esse livro tem uma história. Depois da sua detenção, o presidente Saddam pediu aos seus carcereiros, os soldados norte-americanos, que lhe permitissem sair a fim de se lavar e preparar para a oração. Eles acederam, e ao sair viu um exemplar do Corão no chão, rasgado, parcialmente queimado e atravessado por um tiro. Tomou-o nas mãos e os norte-americanos quiseram dar-lhe um livro novo, mas ele negou-se e disse-lhes: só podereis tirar-me este livro depois de morto. Tratava-se de um livro do seu palácio, que ele via como a sua salvação e amuleto.

Saddam escreveu as suas memórias? Quando serão publicadas?

Sim, escreveu as suas memórias e também escreveu poesia porque é um género que lhe agrada muito. Suponho que o que escreveu está em poder da sua família, e são eles que decidirão o que fazer.

Publicado na edição impressa em 11/11/2006

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Porra! Admite-se Isto Em Portugal!

Estou tão revoltado, como está revoltado aquele pescador que repete inúmeras vezes

"Admite-se Isto Em Portugal!"

Deixar morrer 6 pescadores a metros de uma praia, com uma base aérea a 5 minutos, com alertas desde as 7 da manhã. Não se pode admitir.

Tem que haver culpados! Tem que haver negligência!

Se alguma instituição de saúde estivesse implicada, já haveria ministros a prometer inquéritos e os media em coro, já se interrogavam: "Mas estará algum médico ou enfermeiro envolvido?" Temos que lançar a dúvida.

(Um dia antes já os ministros em coro afirmavam: "Vamos exigir ao Procurador da República um inquérito rigoroso ao Centro de Saúde e ao Hospital e à CPCJ!"

Uma educadora foi observando o desfilar de lesões numa criança ia, ia e só depois de muitos "ias" é que reportou há dias à CPCJ.

Umas lágrimas na TV e os ministros em coro vão para o inquérito geral. Alguém se lembrou de inquirir a educadora? )

No português mais vernáculo que ouvi dezenas de vezes quando em criança convivia com pescadores e assistia a manobras arriscadas, faço minhas as palavras deles:

"Foda-se, ide todos pró caralho.
Morreram seis pescadores a metros da praia e ninguém fez nada!

Puta que vos pariu a todos.

O caralho de um helicóptero demorou 2 horas a chegar.

Admite-se isto em Portugal.
Foda-se, foda-se, foda-se.

E ninguém faz nada? Algum ministro falou?
Alguma punheta d'um ministro disse que ia abrir um inquérito?

Algum cabrão do caralho de um jornal insinuou alguma coisa? Isto é tudo a mesma merda!

Ninguém tem colhões neste país!"

Corre-me o mar nas veias.
Cresci a ouvir histórias de pescadores.
Algumas gerações atrás, talvez quatro, tive um ascendente que sulcou várias vezes o Atlântico.

Não posso ficar indiferente à indiferença deste Portugal e destes ministros.

E mais 6 pescadores morreram, não foi em directo, porque os media também se atrasaram.

Ai se chegassem a tempo! Que grande espectáculo.

Afinal foram só seis pescadores, nenhum era médico.

Morreram...

Porra! Hoje É Qu'eu Ia P'os Anjinhos!

E tudo por causa de um genérico!

Dedo em riste, apontado para a cara do médico (a minha), debruçado na secretária (ainda eu sorria desejando-lhe um bom dia), explodindo cólera e atirando-me com uma caixa de um medicamento:

- "Nunca mais me faça isto! O que eu sofri por sua causa!"

Resumindo e concluindo: tinha trocado um determinado medicamento de marca por um genérico, por sinal o único no mercado. E como habitualmente, após avisar e ter o acordo do doente.

Mas o mais importante nesta história é que o doente tinha razão, isto é, pelos sintomas que me descreveu, era óbvio que houve falência terapêutica que diminuiu bastante a sua qualidade de vida.

Enfim, sobrevivi...

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Isto Está Bonito!

Do Jornal de Notícias do dia de Natal, por Jesus Zing.

(parece qu'é uma espécie de ... prenda!)

"Ortopedistas contratados falharam Urgência do Hospital de Aveiro nas últimas horas

O serviço de Urgência do Hospital Infante D. Pedro, de Aveiro, não teve ortopedistas de serviço durante todo o dia de ontem, situação que se prolongou até às oito horas da manhã de hoje, segundo soube o JN.

Os dois ortopedistas contratados exteriormente pela administração do hospital para assegurarem o serviço da Urgência não apareceram ao serviço, obrigando a que os doentes que entraram na Urgência aveirense com problemas do foro de ortopedia tivessem que ser transferidos para o Hospital da Universidade de Coimbra (HUC), situação que a meio da tarde tinha já acontecido em cinco casos.

A contratação de uma empresa de fornecimento de mão-de-obra médica para fazer face à carência de ortopedistas no serviço de Urgência do hospital de Aveiro, levou a Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM), recentemente, a considerar desastrosa a política do Ministério da Saúde de retirar "o justo pagamento das horas extraordinárias pela tabela máxima".

O presidente da SRCOM, José Manuel Silva, afirmou em comunicado que o serviço de Ortopedia do hospital de Aveiro, "que tinha um funcionamento modelar e sem lista de espera, foi destroçado".

"O facto de os ortopedistas do Hospital se verem obrigados a operar na rotina os doentes traumatológicos desorganizou todo o serviço interno do serviço, com o disparar de uma lista de espera que, até então, não existia", afirmou José Manuel Silva.

A lista de espera na ortopedia do hospital de Aveiro disparou desde Setembro passado, atingindo hoje 100 doentes, e com tendência a agravar-se, segundo apurámos.
O JN tentou mas não conseguiu ouvir ontem o administrador do Hospital, Luís Delgado."

P.S. Só não compreendo os critérios das maiúculas...

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Disparate No Jornal De Referência: Público.

A pedido de um leitor (que não solicitou o anonimato, mas preservei a sua privacidade) e a quem agradeço a colaboração, concordando em absoluto com as suas afirmações:

"From: xxxxxxx [mailto: ...fundao@yahoo.com.br]
Sent: quarta-feira, 20 de Dezembro de 2006 11:09
To: memai@sapo.pt
Subject: disparate no Público de 20/12/2006


No Público de hoje , vem um disparate tremendo que eu epilético me indignei .

Nesta noticia
http://jornal.publico.clix.pt/noticias.asp?a=2006&m=12&d=20&uid=&id=113189&sid=12493

o jornalista Ricardo Dias Felner diz a certa altura


"Dedicada à produção de cerâmica, a ARFAI-IGM tem sido reconhecida por integrar nos seus quadros três trabalhadores com deficiências, ainda que ligeiras:

um com deficiência auditiva,

outro com epilepsia e

outro ainda com incapacidade numa das pernas e um problema crónico nos rins"

Para citar no seu blog..

Cumprimentos"

terça-feira, dezembro 19, 2006

Em Tempos de Solidariedades Bacocas E Exploradoras...

Não posso deixar de lembrar este poema de António Gedeão (biografia do Instituto Camões) sobre o Natal. E ainda corria o ano de 1961 quando foi publicado ...

Não posso deixar de lembrar o espectáculo Dança Comigo deste último Domingo, bom, sob o ponto de vista televisivo, mas subliminarmente escandaloso:

- Porquê pedir dinheiro para os serviços do SNS, a quem o não tem ?

- Porquê para o Serviço de Pediatria do IPO ?

- Porquê um Serviço de Pediatria e não um de Geriartria ?

- Porquê o IPO, um hospital EPE e rico (e de onde saiu Maria de Belém para o BES...) ?

- Porque não o Centro de Saúde de Fornos de Algodres ou o Hospital de Seia, muito mais carenciados ?

- Quem lucrou com 12 horas seguidas de promoção: a RTP? A embaixadora Catarina Furtado? Os outros participantes?

- A imagem de Catarina Furtado saiu reforçada para novas publicidades? O seu "preço" subiu?

- O mesmo com a RTP com aumento do share, se é que o houve?

- Porquê passar a mensagem subliminar do consumismo ao escolher uma empresa de crédito fácil e rápido ? Quantas chamadas foram feitas para essa empresa nesse dia ? Com quanto contribuiu essa empresa ?

- Onde foram depositados os milhares "sugados" aos sentimentos nobres de quem participou?

- Quem vai gerir? Quem vai controlar ?

- E os bancos e os seus gestores, também deram a sua contribuição?

- Afinal, quem mais lucrou com as 12 horas seguidas de promoção? E a publicidade que a RTP angariou?

O poema de António Gedeão... para reflectir!

DIA DE NATAL (escrito em 13 de Janeiro 1960)

Dia de Natal
Hoje é dia de era bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

É dia de pensar nos outros— coitadinhos— nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra— louvado seja o Senhor!— o que nunca tinha pensado comprado.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.

Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.

Ah!!!!!!!!!!

Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.

Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.

Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.

(retirado daqui.)

domingo, dezembro 17, 2006

Maria de Belém: O Exemplo Deve Vir De Cima.

Não me vou alongar muito.

Maria de Belém tem qualidades, espero que o BES a tenha escolhido por esse motivo e não por outros, mas, para a mulher de César...

Mas, a filosofia do legislador não se aplica também ao que se está a passar com a ex-ministra, actual deputada e presidente da Comissão Parlamentar de Saúde?



O Despacho nº 289/06, de Correia de Campos:

1- O exercício efectivo de funções de coordenação e direcção, independentemente da sua natureza e forma jurídica, em instituições privadas prestadoras de cuidados de saúde, por profissionais pertencentes a instituições integradas no Serviço Nacional de Saúde (SNS), sujeitos, ou não, ao regime da administração pública, deve ser sempre considerado incompatível.

2- Devem os conselhos de administração das ARS e instituições integradas no SNS proceder em conformidade e, em caso de dúvida, solicitar esclarecimentos à Secretaria-Geral do Ministério da Saúde.

3- Os órgãos referidos no número antecedente procedem à avaliação das situações actuais uniformizando-as com o presente despacho.

A notícia do Tempo Medicina de 18 de 12 de 2006:

No despacho assinado por Correia de Campos, a que o «TM» teve acesso, justifica-se o impedimento com a necessidade de salvaguardar o interesse público.

«O exercício de funções dirigentes em entidades privadas prestadoras de cuidados de saúde, por profissionais de instituições integradas no Serviço Nacional de Saúde (SNS), independentemente da sua natureza jurídica, é passível de comprometer a isenção e imparcialidade com o consequente risco de prejuízo efectivo para o interesse público», pode ler-se.

Mais à frente, determina-se que «o exercício efectivo de funções de coordenação e direcção, independentemente da sua natureza e forma jurídica, em instituições privadas prestadoras de cuidados de saúde, por profissionais pertencentes a instituições integradas no Serviço Nacional de Saúde (SNS), sujeitos, ou não, ao regime da administração pública, deve ser sempre considerado incompatível».

A opinião do bastonário:

«É um suicídio, em termos de SNS, dizer aos médicos que se querem trabalhar no privado não podem trabalhar no público. Ao obrigar os médicos a optar entre o público e o privado, arriscamo-nos, num momento em há muita falta de médicos, a descapitalizar o serviço público e a fazer retornar a Medicina portuguesa ao tempo em que havia os hospitais públicos para os pobres e os hospitais privados para os ricos», no Tempo Medicina.


A notícia do SOL de 15 de 12 de 2006:

O Sol anuncia o que já se sabia: Maria de Belém, deputada socialista e ex-ministra da Saúde, é avençada do Grupo Espírito Santo, para a área dos cuidados continuados. E não só para esse banco, mas para outros.

A interrogação:

Legalmente é compatível. Não discuto.

A independência dos deputados?

Os lucros acintosos da Banca?

O Capital ainda não está satisfeito com os milhões?

Com o aumento da esperança de vida, os cuidados continuados vão ser uma actividade lucrativa.

Já foram misericórdias para indigentes,
já foram asilos para pobres,
lares para a terceira idade
e agora cuidados continuados supostamente para todos e suportados pelo Estado.

Por isso os bancos já se preparam para o ataque.

Quem tem dinheiro, tem Saúde e bem-estar, quem não tem, continua a ter Saúde, mas com listas de espera, médicos estrangeiros de qualidade duvidosa, instalações degradadas, desumanização, será a "gadização" da medicina...

Afinal alonguei-me. Não gosto de bancos. São os predadores da raça humana.

Como cliente, cumpro os meus compromissos...

sábado, dezembro 16, 2006

O Símbolo Religioso Actual

No blogue Small Brother o símbolo religioso mais idolatrado da quadra, aqui.

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Choro Convulsivo!

Este post deveria ter sido colocado há cerca de um mês.

Mas eu próprio me senti "sentido" e só hoje decidi postá-lo com um "P grande".

Fui procurado telefonicamente por um doente que habitualmente sigo no consultório insistindo que necessitava de falar urgentemente comigo.

Sabia quem era e lembrava-me que o tinha referenciado a uma determinada especialidade para ser sujeito a uma ...scopia que pressupunha uma posição inabitual.

A suspeita já de si era grave.

Lá conseguiu ser observado num dos melhores (ou maiores) hospitais públicos do país e lá se agendou o exame.

Quando o doente entrou no meu consultório, inicia um choro convulsivo que me emocionou. É um homem que já passou por muito, incluindo a injusta guerra.

Pensei: Confirmou-se o pior, tem cancro e vê a sua vida que ainda está a meio, a reduzir-se muito.

Deixei-o chorar, e quando acabou diz-me, soluçando:

- "Não pode ser! Não pode ser!"

- "Fui tratado como gado naquele hospital."

- "Puseram-me mais de uma hora naquela posição, ao frio, sem me ligarem, passada essa hora chega o médico, com maus modos, com muitas enfermeiras atrás, tudo na galhofa, trata-me mal, pergunta-me o que estou ali a fazer, agride-me verbalmente reafirmando que não deveria estar ali. Para ir para o hospital da minha terra e que não havia nada a fazer."

- "Não pode ser senhor doutor. Foi aquele médico que depois de me observar me mandou para aquele hospital e depois diz que estou ali a mais, depois de me deixar mais de uma hora numa posição incómoda, própria de mulheres. Não pode ser!" Reiniciando o choro convulsivo.

Propus-lhe que fizesse uma reclamação. Não quis. O seu objectivo não era esse. Era mesmo só falar.

(A)moral da história: história sem moral.
Há ALGUNS médicos que deviam ser porqueiros (porqueiro: homem que guarda porcos.)

terça-feira, dezembro 12, 2006

Banca lucra 6,6 milhões por dia !!?? (Não Haverá Engano?)

No Jornal de Negócios de hoje.

"No primeiro semestre de 2006.


Os bancos a operar em Portugal tiveram um lucro diário de 6,6 milhões de euros nos primeiros 181 dias do ano. De acordo com os dados revelados pelo Boletim Informativo da Associação Portuguesa de Bancos (APB) referentes ao primeiro semestre de 2006, o resultado líquido da Banca ascendeu aos 1,2 mil milhões de euros. A maioria dos lucros decorreu de juros e de comissões sobre serviços.
"

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Pois É! Cá Para Lá Caminhamos...

No Diário Económico de hoje, por Sofia Lobato Dias

"Bush sem soluções para controlo de custos

Médicos da Flórida fogem com medo de processos.

Nos Estados Unidos, a factura das despesas coma medicina defensiva chega aos onze dígitos, batendo todos os recordes possíveis.

São quase 77 mil milhões de euros, entre processos judiciais, honorários com advogados, companhias seguradoras e toda uma parafernália de exames, análises e cirurgias desnecessárias. Os números foram recentemente revelados pela própria administração Bush, alarmada comas proporções que o fenómeno está a atingir, não só ao nível financeiro mas também ao nível da Saúde
”.

domingo, dezembro 10, 2006

Nesta Data

Relembro o meu colega Salvador Allende que trocou a medicina pela política.

Afinal Somos Bons!

No Diário Digital de hoje:

"Unicef: Portugal é dos países com menos mortalidade infantil


Portugal é um dos países do Mundo com mais baixa taxa de mortalidade infantil ao registar, no ano passado, cinco mortes em cada mil crianças, revela um relatório da UNICEF hoje divulgado.

De acordo com o relatório «Situação da Infância 2007», do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Portugal é o 13º país (em mais de 180) com a mais baixa taxa de mortalidade infantil.

Suíça, Eslovénia, Finlândia, Itália, Japão, Liechtenstein, Noruega, República Checa, Suécia, Andorra, Singapura, Islândia e San Marino são os países que aprestam uma taxa de mortalidade infantil mais baixa do que Portugal.

Segundo o documento da UNICEF, em 1990 registaram-se em Portugal 14 mortes por cada mil crianças, enquanto em 2005 o número de mortes desceu para cinco em cada mil.
O mesmo relatório indica ainda que em 2005 nasceram em Portugal 111 mil bebés e morreram mil crianças até aos cinco anos de idade.

O documento acrescenta ainda que nesse ano, oito por cento dos bebés em Portugal tinham baixo peso (menos de 2,5 quilos) quando nasceram.

A UNICEF destaca que a taxa de natalidade no país tem vindo a diminuir, tendo-se apenas registado um aumento de 0,3% da população entre 1990 e 2005.

O relatório indica igualmente que Portugal é um dos países do mundo com a esperança média de vida mais elevada, 78 anos.

A esperança média de vida só é mais alta na Suíça, Suécia, Noruega, Nova Zelândia, Finlândia, Holanda, Islândia, Itália, Israel e Luxemburgo.

O relatório da UNICEF refere ainda que em Portugal há um maior número de raparigas matriculadas no ensino secundário do que rapazes.

De acordo com o documento, menos de dois por cento da população portuguesa vive com menos de um dólar por dia (cerca de 80 cêntimos).
"

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Para Os Fundamentalistas Do Relógio de Ponto!

Paulo Mendo, médico e ex-ministro da saúde no Primeiro de Janeiro de hoje.

Fui muito prejudicado quando o dr Paulo Mendo foi ministro. Só o Tribunal me deu razão, mas concordo com este seu artigo.

"Pontualidade e livro de ponto

Noticiaram, há dias, os jornais e a televisão que nos hospitais públicos a presença do pessoal passaria a ser feita por controlo informático biométrico. Disso será pioneiro o Hospital de Matosinhos onde esse método acaba de entrar em pleno funcionamento.

Julgo que o processo é mais ou menos o seguinte: o funcionário chega, digita o seu passe, põe o dedo onde a máquina manda e a sua presença e hora é registada.
Método que a tecnologia tornou simples e eficaz e que naturalmente saúdo. Mas, com a experiencia de quarenta anos de vida hospitalar, já vi e vivi não sei quantos processos de controlo das presenças, sem que lhes possa atribuir uma qualquer influência no verdadeiro funcionamento dos serviços.

Lembro-me que o relógio de ponto era usado no controlo das presenças médicas no Hospital de S. João, quando este foi inaugurado. Quem entrava marcava o ponto e o mesmo fazia à saída. Simplesmente, como é óbvio, não era o ponto que controlava o que o médico fazia entre a entrada e a saída devidamente registadas. Por isso, qualquer um podia sair, ir à sua vida extra hospitalar e quando tinha tempo, lá para o fim da tarde, vinha marcar o ponto de saída, ficando comprovado o seu dedicado trabalho, tantas vezes para além das horas contratuais!

Foi esse processo abandonado e durante a minha vida profissional conheci variadas tentativas de exercício deste controlo. Assim no Hospital de Santo António, quando ainda era administrado pela Misericórdia do Porto, existiu, durante um período longo, um livro de ponto que íamos assinar ao Gabinete do Director, havendo assim um controlo visual e hierárquico sobre as entradas.

Mais tarde passou a assinar-se o livro de ponto nos serviços, com, escrita pelo interessado, a sua hora de entrada e de saída, sendo posteriormente, esse livro, que permanecia no serviço, substituído por folhas de ponto, que eram recolhidas pelos serviços centrais administrativos, pouco tempo depois do início do horário de trabalho. E confesso que nunca vi que esses vários processos fossem mais do que tentativas falhadas para controlar a produtividade do pessoal, nomeadamente dos médicos.

E, isto, porque a única forma de garantir a presença funcional de alguém é fazê-lo indispensável para que o trabalho se processe. Nos grupos de funcionários trabalhando em equipas, onde cada qual é responsabilizado perante o grupo e onde a sua falta intempestiva bloqueia todo o trabalho, a marcação da entrada não passa, quando muito de uma necessidade administrativa, sendo completamente inútil para avaliação da produtividade do funcionário.

Se o funcionário não está responsabilizado perante os outros, se não tem tarefas marcadas, se não tem horários a cumprir, então o registo de entrada para nada serve, por que não será esse registo que o impedirá de nada fazer, de permanecer no bar a ler o jornal ou mesmo, eventualmente, a sair, definitivamente, ou regressando para marcar o ponto de saída se a isso é obrigado.

Se o processo agora incrementado é uma simples e talvez necessária acção burocrática, nada nos diz da eficiência dos “controlados”, se não assentar numa organização do trabalho em que seja nítida e conhecida a responsabilidade de cada qual face aos outros.

E existindo isso o controlo de entrada e saída é, funcionalmente, inútil.
Muito mais importante seria uma permanente luta contra a falta de pontualidade, doença crónica deste país, que ocasiona ritmos de trabalho lentos, início de acções programadas com atrasos inadmissíveis e representa uma falta de respeito pelos outros, que seria intolerável, se não fosse um pecado que todos aceitam, porque quase todos praticam

Conto uma história passada há dias com um amigo meu.

Convocado para uma junta médica às dez e meia da manhã, aí chegou, cumpridor e responsável como sempre foi, um pouco antes da hora.
Depois de esperar mais de meia hora, vê sair os elementos da junta que vão tomar um “cafezinho” a meio da manhã, interrompendo o seu trabalho, desprezando quem na sala de espera aguardava a sua vez e provavelmente nem lhes passando pela cabeça que estavam a fazer qualquer coisa de inadmissível.
E o mais grave é que nesta nossa terra ninguém protesta, tal é a aceitação da entrada nas consultas com duas horas de atraso, do início das conferências sem respeito pelos horários programados, da chegada às reuniões muito depois das horas marcadas e que sistematicamente o “maldito trânsito” justifica.
E, como verificou uma equipa que recentemente fez um estudo sobre este nosso defeito (congénito?), todos os entrevistados se queixaram da falta de pontualidade dos outros, mas todos, ou quase todos, se afirmaram praticantes de uma pontualidade exemplar.
Talvez por isso seja tão difícil uma pedagogia da pontualidade!
E essa sim é que deveria poder ser sujeita a permanente monitorização informática generalizada."

quarta-feira, dezembro 06, 2006

É Por Isto Que O Meu Voto É Pelo Sim

Apenas por isto. Com o SIM salvo vidas.

Sem mais comentários.

No Diário de Notícias de 25 de Novembro.

"Complicações por aborto afectam cinco milhões

Os números fazem lembrar os de uma epidemia. Mas, ao contrário das epidemias que são provocadas por vírus, esta tem causas muito humanas. De acordo com um estudo publicado na revista científica Lancet, cinco milhões de mulheres de países em desenvolvimento têm que ser anualmente hospitalizadas por complicações de saúde, na sequência de abortos realizados em condições de segurança ou de higiene deficientes. E, destas, 68 mil acabam mesmo por morrer. A Organização Mundial de Saúde calcula que todos os anos são feitos 19 milhões de abortos no mundo.

Em comparação, "nos países desenvolvidos, as complicações de saúde por abortos são raras", escreve a autora, Susheela Singh, do Instituto Guttmacher, em Nova Iorque, sublinhando a diferença de padrões de vida.

Segundo esta médica e investigadora, os números mostram que as consequências destes abortos feitos em condições deficientes geram um enorme problema de saúde pública nos países em desenvolvimento, com impacto nas famílias e na própria economia.

"A melhor maneira de eliminar esta causa altamente evitável de doença e de morte das mulheres, seria tornar seguro e legal o acesso a serviços para interrupção voluntária da gravidez", afirma Singh, sublinhando que um outro objectivo imediato para evitar gravidezes indesejáveis seria "implementar o uso de métodos contraceptivos". Estes objectivos, diz Susheela Singh, são prioritários e críticos nestes países.

A investigadora analisou dos dados de 13 países em desenvolvimento (do Egipto ao Brasil, Chile ou Uganda), relativos às admissões hospitalares de mulheres com idades entre os 15 e os 44 anos, em consequência deste problema.
"

Gralha? Incúria? Ai Senhores Jornalistas Um Pouco Mais De Respeito Pelos Leitores

Jornal de Notícias de 5 de Dezembro, por Helena Norte e Reis Pinto.

São duas notícias numa, mas a segunda é este "case study":

.../...

"Internato e doutoramento

Os médicos que desejem fazer o doutoramento em simultâneo com o internamento de especialidade poderão fazê-lo, já a partir do próximo ano. O ministro da Saúde anunciou, para breve, a aprovação da legislação que altera o regime de internamento e que permitirá acoplar a vertente de investigação clínica à da especialização. O programa de doutoramento em Medicina Clínica integrado no internato de especialidade deverá ser aprovado, nas próximas semanas, em Conselho de Ministros e resulta de uma colaboração entre os ministérios da Saúde e da Ciência, Inovação e Ensino Superior, explicou Correia de Campos, no Porto, depois de ter presidido à apresentação do Infocancer. O objectivo desta medida é "recuperar o atraso" nesta área e proporcionar aos jovens médicos, interessados em fazer investigação científica, a oportunidade de fazerem o doutoramento durante o internato, que terá uma duração mais longa, visto parte do tempo ser ocupado com investigação."


Em que ficamos: internato ou internamento?

terça-feira, dezembro 05, 2006

Mas Não Pode Mesmo?

A notícia foi repescada do Jornal de Negócios de Setembro, dia 4:

Inteiramente de acordo com esta acção da IGS.

E a IGS não terá também autoridade para obrigar o Estado a pagar o que deve aos seus profissionais? E é tanto...


Título: "Inspecção-Geral recuperou mais de um milhão euros na Saúde."

Sub-título: "Mais de um milhão de euros que estavam por cobrar ou tinham sido indevidamente pagos a profissionais no Serviço Nacional de Saúde (SNS) foram recuperadas pela Inspecção-Geral da Saúde em 2005, segundo o relatório de actividades deste organismo."

"Mais de um milhão de euros que estavam por cobrar ou tinham sido indevidamente pagos a profissionais no Serviço Nacional de Saúde (SNS) foram recuperadas pela Inspecção-Geral da Saúde em 2005, segundo o relatório de actividades deste organismo.

De acordo com o documento, a que a Agência Lusa teve acesso, a Inspecção-Geral da Saúde (IGS) foi chamada a intervir em 19.693 situações no ano passado.


No mesmo período, a actuação deste organismo resultou na recuperação de 1.177.802 euros, dos quais 957.030 euros foram relativos a remunerações, 95.502 euros a horas extraordinárias, 46.765 euros a senhas/taxas moderadoras e 78.505 euros a outros valores pagos indevidamente.


Os 1.177.802 euros recuperados representam a esmagadora maioria dos 1.396.919 euros que a IGS apurou terem sido pagos indevidamente ou se encontravam por cobrar.
A acção da IGS com incidência financeira resultou ainda na instauração de oito processos de natureza disciplinar.


Uma das acções desenvolvidas pela IGS no ano passado foi o acompanhamento da inspecção às "Remunerações e outras regalias dos dirigentes e gestores dos estabelecimentos e serviços do Serviço Nacional de Saúde (SNS)".


Esta intervenção teve por objecto as remunerações e outras regalias dos dirigentes máximos e gestores dos estabelecimentos e serviços do SNS.
Foi abrangida a totalidade dos estabelecimentos hospitalares e organismos regionais de saúde, envolvendo a avaliação dos aspectos remuneratórios e outras regalias, de mais de 300 dirigentes e gestores do SNS.


A IGS estimou em 1.196.287,58 euros o valor das importâncias a repor, uma vez que foram "indevidamente processadas". Deste montante, "mais de 80% do valor apurado já foi regularizado ou encontra- se em vias de regularização", ou seja, 957.030 euros.
Além da devolução dos montantes, decorrem "26 procedimentos de natureza disciplinar (inquéritos e processos disciplinares) para melhor esclarecimento e apuramento de eventuais responsabilidades disciplinares".


Em relação às horas extraordinárias, a IGS recuperou em 2005 95.502 euros, tendo realizado nesse período o acompanhamento das medidas tomadas pelos órgãos de gestão das Administrações Regionais de Saúde (ARS), em articulação com os coordenadores sub-regionais de saúde e com os órgãos de gestão dos hospitais, para promover a análise e implementação das recomendações emitidas pela IGS, em 2003 e 2004, nos relatórios das inspecções temáticas sobre as horas extraordinárias nos estabelecimentos hospitalares do SNS.


Já em 2003, a IGS tinha apurado que "o grupo de pessoal médico é responsável por cerca de 77 por cento dos encargos com o trabalho extraordinário e o serviço de urgência absorve, na totalidade ou na quase totalidade, os custos com as horas extraordinárias, destacando- se naturalmente e de novo o grupo de pessoal médico, uma vez que, em vários hospitais, o total dos encargos com trabalho extraordinário do pessoal médico se refere ao serviço de urgência, e, nos restantes casos, traduz sempre valores percentuais elevados".


No ano passado, a IGS procedeu ainda ao acompanhamento do cumprimento das recomendações emitidas numa intervenção anterior que visou garantir a regularidade dos procedimentos administrativos e a fiabilidade dos registos contabilísticos relativos à cobrança de taxas moderadoras, bem como a regularidade das situações de isenção do seu pagamento.
Nessa intervenção, a IGS apurara que 70% das isenções às taxas moderadoras concedidas pelos centros de saúde eram ilegais, fazendo com que o Estado perdesse anualmente milhões de euros.


A auditoria da IGS apontou ainda para uma falta de controlo total, por parte dos centros de saúde e das sub-regiões às quais pertencem, das verbas cobradas.
De acordo com o relatório das actividades desenvolvidas em 2005 por este organismo fiscalizador, nesse ano foram recuperados 46.765 euros relativos a senhas/taxas moderadoras.


Em 2005, a IGS contou com 37 inspectores e 37 elementos de outro pessoal."

quinta-feira, novembro 30, 2006

Francisco José Viegas: Em Que Mundo Vive?

Crónica de Francisco José Viegas no Jornal de Notícias, dia 29, intitulada "O governo ou o caos":

Uma das tentações mais medíocres do homem público consiste em queixar-se da imprensa. Acontece a todos e a lista de queixosos é vasta, desacreditada e, vá lá, está cheia de gente inutilizada pela política.

O senhor ministro da Saúde foi recentemente à televisão e, a meio, sucumbiu à tentação de falar dos seus inimigos ocultos ou com identidade duvidosa. Diante das câmaras da SIC Notícias, o senhor ministro da Saúde acusou os jornalistas em geral, bem como as televisões e os jornais, de receberem dinheiro da indústria farmacêutica a fim de publicarem ou difundirem as instruções, as notícias, as indicações e a opinião da mesma indústria. Eu, que li "O Fiel Jardineiro", de John Le Carré, muito antes do senhor Ministro, e que na extinta "Grande Reportagem" acompanhei as investigações em redor do "caso Pequito", sucumbi à revelação finalmente, alguém com elevadas responsabilidades políticas, como é o caso do senhor ministro da Saúde, permitia-se o luxo de fazer acusações na televisão. Não acusações tão vagas como mencionar a existência de uma conspiração, de uma rede de acordos obscuros, de uma máfia dos medicamentos e dos negócios hospitalares. Não. O senhor ministro da Saúde, com a sua habitual placidez, indicava dois inimigos brutais: os jornalistas e a indústria farmacêutica. Naturalmente, havia provas, havia dados, havia factos, havia demonstração clara de uma conspiração, de uma negociata e de uma barreira (até aí invisível, portanto) contra o sistema de saúde português.

Desilusão. Analisadas as declarações, bem vistas as frases, tratava-se apenas de uma acusação tão vaga como a de Santana Lopes contra os árbitros de Canal Caveira. O que diz quase tudo sobre a matéria.

Procurei no site do sindicato dos jornalistas uma reacção contra as declarações do ministro; nada. Visitei os blogues mais atentos ao assunto; nada. Procurei no site da digníssima Entidade Reguladora da Comunicação Social, tão sempre vigilante; nada. Um cidadão (embora ministro) faz acusações tão fortes e definitivas, acusando jornalistas de receberem dinheiro e a indústria de o fornecer com abundância - e ninguém liga ao assunto. Que desperdício.

No dia seguinte, porém, um assessor do ministro aparece para deslocar a acusação afinal, a indústria não paga aos jornalistas e sim às agências de comunicação que, a seu bel-prazer, publicam e difundem essas notícias junto da opinião pública. Sinceramente, é pior a emenda do que a asneira anterior: como a entidade "os jornalistas" é demasiado difusa, a assessoria do senhor ministro encontrou as agências de comunicação (às quais o governo e o ministério da Saúde recorrem abundantemente) como alvo, e as empresas de comunicação social como parceiros de mais "uma cabala".


Não compreendo a sua admiração (posso compreender a indignação!) perante aquilo que já é um lugar comum sobre a força, o poder e o dinheiro:

"A indústria não paga [SÓ] aos jornalistas e (sim) às agências de comunicação que, a seu bel-prazer, publicam e difundem essas notícias junto da opinião pública".

Paga a médicos, enfermeiros, farmacêuticos, associações de doentes (agora é a grande moda!), sociedades científicas, suplementos em jornais generalistas de referência, NOTÍCIAS, ENTREVISTAS, etc.

E não compra só a prescrição de médicos e enfermeiros (sim, também de enfermeiros!) ou a substituição de fârmacos nas farmácias:

- influencia estudos clínicos,
manobra guidelines,
compra artigos em revistas credíveis,
influencia até (há quem diga!) a poderosa FDA (Food and Drug Administracion),
inventa doenças para as quais tem o remédio certo,
etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc.

O grande problema é que a incansável avidez pelo lucro, também faz avançar a investigação científica, a descoberta de novos medicamentos, o aperfeiçoamento de outros.

Não tenhamos dúvidas. Se a Indústria não existisse, não seriam os Governos a aprofundar a investigação sobre o cancro, a sida, as doenças neurológicas, o Alzheimer, e por aí fora,

Enfim. É o capitalismo. O mercado. As duas faces da moeda...

domingo, novembro 26, 2006

De Acordo!

Na revista XIS do Público, de 25 de Novembro, por Marta Condesso, de Aveiro.



"Às Médicas que assistiram o Meu Pai

Esperei, propositadamente, o passar do tempo, para que não questionassem a lucidez das minhas considerações. Sou filha de um doente oncológico, falecido há um ano. O que se segue não são, portanto, palavras precipitadas (de quem está "louco" com a dor de uma perda recente).

Venho, porque me impus este dever, convencida que estou de não falar só por mim, mas também em nome de muitas outras famílias. E na esperança (vontade séria e profunda) de que origine reflexão e mudança.

Venho pela distância (inaceitável). Venho pelo desacompanhamento. Venho pela inexistência de relação médico-paciente. Venho pelo sempre pouco tempo. Pela indisponibilidade manifesta. Venho pelo(s) silêncio(s). Venho por uma "parede" difícil de enfrentar (quando as forças eram precisas noutras "frentes"). Venho pelos monossílabos, "gelados", em que nos falavam: em voz baixa, de olhos postos nos papéis ou no écran do computador; depois de intermináveis momentos de indiferença à nossa presença (nunca desnecessária, abusiva, ignorante): nós, ali, ao alto; humildes e em sofrimento.

Venho porque ouvir o meu pai (juiz desembargador, portanto, "viciado" na racionalidade, moderação e contenção dos seus juízos) dizer "Eu não hei-de morrer a estas mãos!" foi terrível. E é grave.

Estou obviamente consciente do avultado número de doentes; da responsabilidade do vosso trabalho; da escassez do vosso tempo e da excelência do vosso saber científico. Mas não é isso, evidentemente, que está em causa. Falo da Dignidade na doença (da privação dela!), quando mais do que nunca ela é importante. Falo de um grau mínimo de exigência...

Refiro-me a toda uma (outra) atitude; a um outro uso do mesmo tempo em consulta: olhar (Olhar nos olhos) é fundamental e básico numa relação que se pretende de confiança; cumprimentar e despedir com um sorriso; revelar uma disposição e um ânimo atentos; transmitir disponibilidade e calma; mostrar interesse e empenho (em vez de um distanciamento terrivelmente constrangedor), não é "leviandade" nem nada tem a ver com a gravidade do problema ou com "falsas esperanças".

Exercer Medicina numa área particularmente difícil como é a vossa, em que difíceis serão sempre todos os pacientes (independentemente dos diagnósticos: mais felizes ou menos), só pode obrigar a um relacionamento especial: de mais comprometimento; mais exigente; mais sensível; mais entregue! Estabelecê-lo parece-me uma obrigação profissional. Melhorarem (melhorarem muito, na minha opinião): uma urgência.

Há uma percentagem no Sofrimento (todo) do meu pai, por que o vosso comportamento é responsável. E isto é difícil de esquecer... Acrescentar-se a tantos sentimentos "negros e fundos", que já suporta uma pessoa gravemente doente, a sensação de absoluto abandono, de solidão e frieza, em relação ao seu médico, será com certeza negligente.

Resta-me lamentar ainda que, com este não-envolvimento (no que respeita à dimensão humana — que tentei expor e que não pode considerar-se um "extra") percam a oportunidade de conhecer pessoas incríveis, raras, maravilhosas (e perdoem-me a parcialidade de acrescentar: como o meu pai), que passam por essas salas (às vezes durante tanto tempo). É uma pena. É uma pobreza. Mas é, acima de tudo, profundamente injusto.

Despeço-me, com a tranquilidade do "dever cumprido": escrevendo, tento que não volte a acontecer com ninguém!

13 de Novembro de 2006
"

O que gostava de saber:

- A que nível de cuidados de saúde se passou?

- Qual a duração da doença?

- Como evoluiu a fase terminal da doença?

- A posição das médicas?

- Existiu o sentimento de impotência? Ou de desleixo? Ou de frieza?

- Não teriam faltado os cuidados paliativos ou continuados?

Condolências Ao Jornalismo Português.

sábado, novembro 25, 2006

Será Que É Solução?

No Expresso de hoje, por Ana Sofia Santos:

"Laboratórios cortam emprego

As principais empresas farmacêuticas já iniciaram a vaga de dispensas prevista dos delegados de informação médica
Alterar tamanho

Os delegados de informação médica (DIM) vivem dias difíceis, acossados pelo fantasma do desemprego. Fala-se na existência de uma estratégia concertada entre os principais laboratórios farmacêuticos, que actuam no mercado português, para aliviar os quadros de pessoal.

Os nomes ventilados são: Pfizer, Glaxo Farmacêutica, Sanofi Aventis, Solvay Farma, Wyeth Lederle, Merck Sharp & Dohme, Bristol-Myers Squibb e Serono. Serão à volta de centena e meia os delegados que já aceitaram rescindir o contrato de trabalho e aqueles que foram contactados para negociar a sua saída. Numa altura em que a especulação se espalha como um rastilho de pólvora, consta mesmo que na calha está a eliminação de mil postos de trabalho, nos próximos meses.

Aliás, corre que existe um acordo informal entre o Governo e a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma), para reduzir em 23% o total de DIM que existem actualmente (7887, segundo o Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento), até 2008. O objectivo é refrear as vendas de medicamentos e o consequente aumento da despesa pública com comparticipações.

Fonte oficial do Ministério da Saúde afirma desconhecer qualquer acordo que estabeleça uma meta deste tipo. E a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma) nega peremptoriamente a existência de um compromisso oficioso. A porta-voz da associação confirma a onda de despedimentos no sector e remete a culpa dessa situação para o Executivo. “É o resultado das sucessivas baixas nos preços dos medicamentos impostas pelo Governo”, atira, acrescentando que a indústria farmacêutica em Portugal atravessa um período de “recessão”, que a está a obrigar a proceder a reestruturações nos quadros de pessoal. O aumento da concorrência dos medicamentos genéricos é outro factor de pressão.

A Glaxo não comenta o assunto, mas o Expresso apurou que o laboratório rescindiu com 21 trabalhadores, aos quais foram oferecidas condições acima da lei. Houve casos de delegados que ficaram com o carro e o telemóvel de serviço e que continuam a usufruir do seguro de saúde, ainda durante algum tempo. O mesmo terá acontecido com 20 colaboradores da Wyeth, que contactada pelo Expresso respondeu: “as recentes mudanças na nossa organização fazem parte da nossa estratégia de liderança, que por ser confidencial não pode ser comentada em detalhe”.

Na Pfizer deverão ser dispensadas 25 pessoas. Grassa um sentimento de insegurança entre os delegados deste laboratório, face aos rumores de despedimento colectivo. “No quadro de condicionantes imposto pelo Estado é natural que tenham lugar processos de reestruturação. A Pfizer também está confrontada com a necessidade de lidar com este tipo de situação, o que fará, como é seu hábito, avaliando e procurando minimizar o seu impacto social”, garante a farmacêutica.
Quanto à Solvay Farma, o seu director-geral, Álvaro Rosa, afirma que o laboratório “não faz despedimentos”. Embora admita que a empresa está em reestruturação (comprou recentemente a Fournier Farmacêutica), nega a existência de qualquer saída de pessoal. No entanto, ao Expresso chegou a informação que houve rescisões amigáveis na Solvay (6 a 8) e que há contratos da Fournier que não serão renovados (12).

A Merck e a Sanofi (a reestruturação da segunda implica 70 baixas) também não comentam e, até ao fecho desta edição, não houve respostas por parte da Bristol-Myers e da Serono.
"

quarta-feira, novembro 22, 2006

Tributo

"Boa Noite

É uma honra para mim ter na caixa de correio uma mensagem sua. Da jornalista Rita Marrafa de Carvalho.

Mas infelizmente não a posso ajudar porque deve haver um qualquer engano: não assisti ao acidente que descreve!

Continuação do seu óptimo trabalho.

Com jornalistas como você, este blogue não teria necessidade de existir
!"

-----Original Message-----

From: Rita Marrafa de Carvalho [mailto: @rtp.pt]
Sent: terça-feira, 21 de Novembro de 2006 13:50
To: memai@sapo.pt.
Subject: Reportagem

Boas-tardes,

sou jornalista da RTP e blogger activa. Foi por aí que
tive acesso à informação de que o Dr. teria assistido e
acompanhado Daniel, um menino de 13 anos cujos pais
morreram num acidente no IP4. .../....

Gostaria de saber se tem disponibilidade, caso esta
informação se confirme, para conversar um pouco comigo.
Obrigada,

Rita Marrafa de Carvalho

..................................
Rita Marrafa de Carvalho
Jornalista


R.T.P.
Avenida Marechal Gomes da Costa
217947000
"

Notícia Que Desejo A Todos

Exame macroscópico:

Já fixados, fragmentos de tecido irregulares, membranáceos, rosa esbranquiçados, tendo no conjunto o diâmetro de 0,4 cm. Inclusão total.

Estudo histológico:

Retalhos de mucosa ……. parcialmente revestidos por epitélio transicional com presença de pequenos ninhos de V….. B….. Lâmina própria com ligeiro edema e vasos congestivos.
Não se observam aspectos suspeitos de lesão tumoral
.”

quarta-feira, novembro 15, 2006

Ontem Na RTP ...

... pela voz de um dos mais credíveis jornalistas portugueses foi dada a conhecer uma nova doença oftalmológica:

a AMBLIO.

A Idade Do Álcool

No Primeiro de Janeiro de 12 de Outubro:

"Consumo de álcool apenas aos 18 anos


O director do Centro de Alcoologia do Centro defendeu, em Coimbra, o aumento da idade permitida para consumir álcool dos 16 para os 18 anos.

“A permissividade é muito grande. Não tem havido vontade política para intervir rapidamente nesta área”, afirmou Augusto Pinto, à margem de uma sessão em que alertou a população universitária coimbrã para os perigos do consumo.

De acordo com o director do CRAC, o aumento justifica-se porque a educação para a saúde e a prevenção não são suficientes para evitar o aumento do consumo entre os jovens.

“São produtos baratos e acessíveis, pelo que tem de haver uma redução da oferta com intervenção rápida a nível de estratégias de limitação do acesso”, preconizou, lembrando que os 18 anos vigoram em grande parte dos países europeus e só Portugal, França e a Itália apresentam os 16 como limite mínimo para a aquisição e consumo."


Só não compreendo a notícia. Há dezenas de anos que se sabe que a capacidade regeneradora das células hepáticas mortas com a ingestão de álcool só está perfeitamente desenvolvida lá para os 18 anos...

Tem sido mais um lóbie nefasto...

domingo, novembro 12, 2006

HIV/SIDA: Prevalência - 0,4%...

Estamos em era de mudança.

A SIDA já não é o que era. A doença transformou-se em doença crónica, as mortes vão diminuindo e aquelas imagens de há uma década de doentes moribundos nas camas dos hospitais (e por isso nasceram as várias associações de apoio) já escasseiam.

O HIV/SIDA é uma doença "normal", de baixa prevalência, de conhecida prevenção e de bom controlo a longo prazo, caro, é um facto.

O lóbie da SIDA vai-se ressentindo.

É natural que algumas associações comecem a não ter doentes para apoiar, pois estes já podem fazer a sua vida integrados na sociedade.

É, portanto, tempo de canalizar o orçamento disponível para a medicação crónica e deixar de subsidiar associações que já não tem razão de existir.

As guidelines internacionais assim apontam...

Três associações que trabalham na área da sida em Portugal afirmam que estão “à beira da ruptura” por falta de financiamento e “na eminência de fechar as portas aos projectos já aprovados”. Acusam o Estado de não ter capacidade nem vontade de ajudar quem precisa.

As associações Abraço, Positivo e Sol, num comunicado conjunto, reagiram ontem às recentes declarações do Coordenador Nacional para a Infecção VIH, Henrique Barros, que no passado domingo admitiu o falhanço do programa de prevenção e combate a este síndroma.

“Os resultados mostram claramente que sim”, respondeu Henrique Barros quando questionado sobre se o programa ainda em curso tinha falhado.

Perante esta afirmação, decidiram tomar uma posição conjunta, na qual atribuem à falta de diálogo com as associações, “que se encontram no terreno há mais tempo e que melhor sabem sobre esta matéria”.

As denúncias estendem-se à situação da Comissão Nacional da Infecção pelo VIH (CNIVIH): “A CNIVIH encontra-se, do ponto de vista administrativo e financeiro, literalmente sem técnicos, pois os contratos de trabalho dos mesmos não foram validados atempadamente”. Para as associações, “quem fica a perder” é “o comum cidadão que não tem voz activa”.

As três associações alertam para o facto de “reencaminhar para o Governo todos os utentes que o Estado não tem capacidade, nem vontade de ajudar”, declarando que estão “à beira da ruptura” por falta de financiamento e “na eminência de fechar as portas aos projectos já aprovados”.


Nota de roda-pé:

As mortes em Portugal estacionaram,não aumentando. Nos restantes países a taxa de mortalidade continua a diminuir desde o aparecimento dos novos fármacos há uma década.

sexta-feira, novembro 10, 2006

A Letra De Médico...

TM 1.º CADERNO de 2006.10.11

"E ESTA?
Receita para analfabetos
De vez em quando, lá vem a «letra de médico» para animar a difícil relação dos prescritores com as farmácias. Aqui, nesta secção, ainda há bem pouco tempo remoçámos o assunto, com o recurso aos dados de um estudo da agência americana do medicamento — FDA — e com o alerta de que já há médicos condenados, nos Estados Unidos, por causa da ilegibilidade da escrita.

Na sequência, um leitor atento recordou ao «TM» uma saborosa estória de uma Lisboa distante, a dos alvores dos anos 40. João Armando de Aragão e Rio, assim se chama o médico que nos escreveu, conta que um dia um trabalhador das obras se despediu da sua empresa para rumar a um novo emprego, no Porto. Pediu, então, uma carta de apresentação — elogiosa, já se vê — para o seu futuro patrão. Mas o problema é que tão analfabeto era o empregado como o patrão, que de forma desenrascada, rabiscou uma folha de papel e meteu-a dentro de um envelope.

O trabalhador, legitimamente curioso, terá pedido a um polícia que lhe lesse a carta, mas o cívico, também analfabeto, remeteu o homem para a farmácia próxima, onde decerto lhe atenderiam o pedido. E assim foi. Depois de uma espera na fila, lá chegou o trabalhador à sua vez. Num ápice, o homem da farmácia pegou no papel rabiscado, desapareceu no interior e trouxe uma receita aviada, com a solene indicação de que deveria ser tomada três vezes ao dia…
E esta?

D.C
."


0612111C12406DC41A

A Saúde vs A Doença vs O Financiamento vs O Lucro

No Diário Económico de 2006-10-13:

Comissão para a reforma do sistema de saúde considera que SNS é viável

A Comissão que estuda o financiamento do SNS não vai defender grandes alterações ao actual modelo. Na opinião dos peritos, a sustentabilidade do sistema passa apenas pela melhoria nos pontos críticos.”

No Público de 2006-10-13:

Maior clínica privada do país abre em Cascais


Nova unidade do Grupo Português Saúde
vai criar 200 novos postos de trabalho

A Clínica Unimed Cascais, uma unidade de saúde privada que é a maior do seu género no país, vai abrir na primeira semana de Novembro com um total de 27 especialidades destinadas a servir 750 mil pessoas dos concelhos de Cascais, Oeiras e Sintra.
A unidade pertence ao Grupo Português Saúde (GPS) e representou um investimento superior a 20 milhões de euros, prevendo-se que venha a criar 200 novos postos de trabalho directos...
por Alexandra Reis”

1999

No Público de 12/10/2006.

"Médicos dos centros de saúde usam manual de 1999

Os médicos de família necessitam de mais informação sobre a resistência aos antibióticos, disse Alberto Pinto Hespanhol, revelando que os profissionais nos centros de saúde dispõem apenas, para se guiar na prescrição, de um Manual de Práticas Terapêuticas Antimicrobianas feito por especialistas espanhóis em 1999.

Para o director do Centro de Saúde de S. João e professor da Faculdade de Medicina do Porto, a estratégia para diminuir o uso de antibióticos e os níveis de resistência antimicrobiana passa pela "monitorização do seu uso associada à vigilância dessa mesma resistência".

Em teoria, os médicos de família devem preferir os antibióticos menos tóxicos, de espectro reduzido e os mais económicos.

Mas os estudos sobre a sua utilização nos cuidados primários até à data realizados "têm demonstrado um aumento do uso dos novos antibióticos, os de largo espectro, como a associação amoxicilina/ácido clavulânico", em detrimento do "uso dos antigos antibióticos, os de espectro reduzido, como as benzilpenicilinas e as cefalosporinas de primeira geração", lembrou.

Uma realidade diferente é a da utilização de antibióticos no contexto hospitalar. António Sarmento, infecciologista do Hospital de S. João (Porto), destacou a importância da melhoria das medidas de higiene e do controlo da disseminação dos microrganismos, nomeadamente através do isolamento dos doentes que estão infectados com bactérias multi-resistentes. A.C."

domingo, novembro 05, 2006

Blog De Um Médico Contra A Administração Do Seu Hospital

O Hospital é o Amato Lusitano, em Castelo Branco.

O médico é Vasco Rolo, director demissionário do Serviço de Estomatologia.

Está aqui: Hospital? Amato Lusitano.

E este post intitulado: "LULAS MINHAS QUERIDAS MANAS" e que assim termina, é uma pérola:

"O mesmo tenho a certeza não fez a administração. POR ISSO CUMPRAM AS AMEAÇAS e veremos quem pagará.

Se não gostam do que escrevo melhor, quem não quer ser lobo não lhe veste a pele.

Deste humilde choco

Vasco Rolo
"

domingo, outubro 29, 2006

O Médico Explica Medicina A Intelectuais ...

... em determinadas curvas da vida também apela a todos os Santos... mesmo sendo agnóstico!



(foto de telemóvel)