A CULPA MORRERÁ SOLTEIRA ?
A notícia da morte de uma jovem de 24 anos na sequência de uma lipoaspiração vem de novo relançar o tema da charlatanice e da usurpação de competências médicas ( mesmo entre elementos desta classe profissional), da proliferação sem controle de instituições prestadoras de "cuidados de saúde e beleza" e dos perigos de se pretender ter um corpo perfeito a todo o custo...
Neste caso as ilegalidades apontadas são várias. Convirá contudo esclarecer que a tromboembolia pos-cirurgica é uma complicação cirurgica tardia frequente e que nos casos da lipoaspiração o risco de uma embolia gorda é ainda maior. Nada adiantaria ter estado presente uma anestesista... ( e se fosse um anestesista, oh senhora jornalista ? Convirá tb ter mais cuidado com os títulos: morrer na operação é muito diferente de morrer três dias depois... E há que ter mais cuidado na explicitação de termos médicos: tromboembolia pulmonar é algo diferente de obstrução da artéria...) mas a lei é para se respeitar!
Ressalve-se ainda que agora a IGAS pode intervir em estabelecimentos de saúde privados, algo que a antiga IGS não podia. Ainda bem!!
Clínica onde morreu jovem numa operação está ilegal
arquivo jn
"Ontem, a clínica onde foi efectuada a cirurgia a que é atribuída a morte da jovem continuava a funcionar
Marisa Rodrigues
A clínica Estéticalgarve, em Faro, onde foi feita uma lipoaspiração que causou a morte a uma jovem de 24 anos, está a funcionar de forma ilegal. A conclusão resulta de inquérito da Inspeção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS), que detectou irregularidades a vários níveis. A clínica continuava ontem aberta ao público e o médico responsável remetido ao silêncio. Fátima Santos faleceu com uma trombo-embolia pulmonar (obstrução de artéria) três dias depois de ter sido submetida a uma lipoaspiração com anestesia local, no dia 12 de Janeiro. Ao contrário do que a lei obriga, no bloco operatório não estava uma anestesista, mas uma massagista.
Ao que o JN apurou, a IGSA entendeu que há suspeitas de crime - um eventual homicídio por negligência - e remeteu o inquérito para o Ministério Público, que já começou a ouvir testemunhas. A IGSA aponta o dedo ao médico pelo facto de a clínica não estar registada na Entidade Reguladora da Saúde. Ordem dos Médicos (OM) e Direcção-Geral de Saúde ignoravam a existência da clínica, por não lhes ter sido comunicada, como obriga a lei. À OM, a inspecção-geral sugere que apure as competências do clínico para efectuar este tipo de cirurgias, uma vez que está inscrito como nefrologista (especialista em rins). Sugere, também, uma peritagem médica da especialidade de cirurgia plástica para apurar se a actuação do médico foi a mais correcta, bem como se o diagnóstico e a avaliação pós-operatória e os medicamentes prescritos (analgésicos, antibióticos e anti-inflamatórios) foram os adequados. Ao que o JN apurou, a clínica pode vir a encerrar, mas o vazio legal na matéria não facilita a actuação das entidades de saúde."


Thomas Beatie vive no estado norte-americano de Oregon e será, dentro de quatro meses, o primeiro transexual a dar à luz uma criança. Depois de uma tentativa falhada, e de médicos se terem negado a tratá-lo, Beatie conseguiu engravidar. Na ficção, Arnold Schwarzenegger já o tinha conseguido em ”Júnior”. Na vida real é a primeira vez que acontece.

