quarta-feira, agosto 22, 2007

Exemplar!

A frase é retirada dum post deste blogue - Timor Lorosae Nação. Mas refere-se a outro post de um outro blogue e assinado por Ângela Carrascalão.

Mas o verdadeiro autor da frase é o Povo de Timor!

"Nós, povo kiik, já abrimos os olhos; lutámos pela independência e essa já a conseguimos. Agora, a luta é pelas cadeiras. Os líderes querem cadeiras. Então eles que lutem por elas!

Três Médicos Da CUF Infante Santo Alvo De Processos Disciplinares.

E foi a Ordem, a tal corporativa para muitos, a instaurar o processo por queixa de uma jornalista.

"O Conselho Disciplinar Regional do Sul da Ordem dos Médicos instaurou processos disciplinares a três médicos do Hospital da CUF Infante Santo, em Lisboa, na sequência de uma queixa de negligência médica apresentada por uma jornalista, por os clínicos não terem diagnosticado devidamente um enfarte do miocárdio à sua mãe, que faleceu um mês depois."


In "Tribuna Médica" de 21 de Agosto.

sexta-feira, agosto 17, 2007

Pêlos Públicos!?

De certeza que se trata de uma gralha ou de falha de revisão, mas que tem piada tem, trocar os pêlos púbicos pelos públicos. E não foi no jornal Público mas no Diário de Notícias de 16 de Agosto de 2007.


Era um artigo sobre os partos naturais nos hospitais públicos e referiam que as cesarianas tiveram "até uma diminuição de 32 para 29,6 %".

Na véspera outro jornal referia que as cesarianas nos hospitais privados continuavam a crescer


"No Hospital S. João, por exemplo, os procedimentos de rotina para os partos de baixo risco estão a ser alterados. À entrada, explica a enfermeira-parteira Elisa Santos, a mulher não é imediatamente colocada a soro. Já não há rapagem dos pêlos públicos e, se quiser, a parturiente pode caminhar pelo corredor do bloco durante o trabalho de parto. A episiotomia - corte do períneo para facilitar a saída do bebé - já só é feita quando necessária e não por prevenção em todos os casos. A política hospitalar prima ainda pela redução dos toques vaginais (usados para avaliação do progresso do trabalho de parto) e há também uma adopção de protocolo que quer diminuir o número de cesarianas realizadas."


Assina: Elsa Costa e Silva

quarta-feira, agosto 15, 2007

Viva A Inspecção Geral de Saúde! Viva A Jornalista Joana Ferreira da Costa!

E digo "viva" porque estamos no Verão, é dia abençoado e os médicos e todos os intervenientes na cadeia de uma emergência e da saúde em geral devem ficar satisfeitos com os resultados positivos de inquéritos a uma das actividades mais vigiadas do país.

Não é cunha à ex-IGS porque sou anónimo e ninguém me conhece (?!) e muito menos à jornalista que também não conheço.

Em relação aos inspectores da ex-IGS dos que conheço tenho boa opinião, na isenção e na tentativa de fazerem um trabalho de investigação exaustivo, quer nas suas auditorias, quer em relação aos inquéritos.

O "viva" para a jornalista deve-se ao facto de fazer uma notícia sem provocações subliminares anti-médico como é habitual nos media actuais.


Julgam eles, os media, que conseguem denegrir a imagem positiva da profissão, mas enganam-se como mostra o recente inquérito europeu, onde se demonstra que as campanhas anti-médico atingiram apenas os próprios médicos e não a população em geral, originando nesta camada profissional um efeito de ricochete na imagem dos jornalistas na classe médica e nos outros profissionais da saúde, por vezes com algum exagero, como eu por vezes demonstro.


"Inspecção diz que mulher que morreu na ambulância dos bombeiros em Vendas Novas foi bem assistida


A Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS) concluiu que não houve falhas na polémica assistência a uma mulher de Vendas Novas, que morreu na ambulância dos bombeiros a caminho do Hospital de Évora. Defende ainda que o fecho nocturno do atendimento permamente (SAP) no centro de saúde da localidade "não teve influência na assistência prestada, nem no desfecho".
Nas conclusões da investigação ao caso - pedida pelo ministro da Saúde, Correia de Campos - a IGAS afirma que os bombeiros voluntários de Vendas Novas chegaram junto da doente dez minutos depois do alerta de emergência . A mulher de 51 anos, com antecedentes de problemas vasculares, "estaria em paragem cardio-respiratória" e foi transportada "sem perda de tempo" para o hospital, lê-se no comunicado de imprensa enviado pelo gabinete de Correia de Campos.

A essa hora, pouco antes das dez da manhã, o centro de saúde estava já a funcionar em pleno, mas as orientações dos serviços do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) do encaminhamento da doente para a unidade de Évora foram as correctas. A ambulância dos bombeiros era a única disponível, já que a viatura médica de emergência e reanimação (VMER) de Évora "estava a assistir um doente com enfarte e edema pulmonar agudo".
"Ainda que o SAP de Vendas Novas se encontrasse aberto 24 horas por dia, dada a situação clínica da doente, que corresponde a uma emergência, seria altamente improvável a sua sobrevivência [numa unidade deste tipo]", acrescenta. A IGAS conclui que não encontrou "qualquer comportamento infractório, ou menos correcto" na "actuação de todos os envolvidos na assistência à vítima", pelo que decidiu arquivar o processo.

A morte da doente de Vendas Novas causou uma enorme controvérsia, por ter ocorrido menos de um mês após o ministro ter posto fim ao atendimento nocturno no centro de saúde.
O presidente da Câmara Municipal de Vendas Novas, José Figueira, acusou mesmo o ministro de ser responsável pelo desfecho trágico, por ter desrespeitado a ordem do Tribunal Administrativo de Beja, na sequência de uma providência cautelar interposta pela câmara para travar o fecho do SAP. "

in Publico, 15-08-2007.


segunda-feira, agosto 13, 2007

Afinal Em Que Ficamos: Há Ou Não Há?

A notícia é do Correio da Manhã de 19 de Julho de 2007 e confirma aquilo que já se disse neste blogue.

Interessante, pois não ouvi nada na comunicação audiovisual. Opções!

Em conclusão: em Portugal não médicos a mais para a nossa população.

Começam é a haver faculdades a mais…

"Portugal supera Reino Unido

Médicos acima da média em Portugal


O número de médicos por mil habitantes (3,4) é superior à média dos países da OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (3.0). De acordo com um relatório ontem divulgado, o País supera o Reino Unido (2,4) ou o Japão (2.0).

Quanto às remunerações, o mesmo relatório refere que os médicos especialistas portugueses recebem mais do que os da Suécia ou os da Noruega."

O Publico também "postou" nesse mesmo dia, por Alexandra Campos:

"Portugal dispõe de mais médicos do que a média dos países da OCDE.

O número de médicos aumentou substancialmente nos últimos 15 anos e Portugal não é excepção.

Segundo um relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento) ontem divulgado, em 2005 havia 3,4 médicos por cada mil habitantes em Portugal, o que nos colocava ao nível de países como a França e a Alemanha e acima da média da organização (3 clínicos por mil habitantes).

A OCDE ressalva, porém, que os dados portugueses se referem ao total de clínicos inscritos na respectiva ordem profissional, não referindo os que se encontram efectivamente em actividade, ao contrário do que acontece com outros países. A profissão médica é "uma indústria em crescimento", nota a organização em comunicado, lembrando que, nos últimos 15 anos, o acréscimo foi da ordem dos 35 por cento e que hoje estão no activo cerca de 2,8 milhões de clínicos. Na maior parte dos países, este aumento deveu-se sobretudo ao crescente número de especialistas - o acréscimo registado entre os clínicos com especialidades foi de 50 por cento contra um aumento de apenas 20 por cento dos chamados generalistas.

À semelhança do que vinha acontecendo em anos anteriores, em 2005 Portugal o peso das despesas com a saúde aumentou, passando para 10.2 por cento do PIB (Produto Interno Bruto), acima da média da OCDE (9 por cento). Um em cada quatro países da OCDE gastam agora mais do que 10 por cento do seu PIB com a saúde, nota a organização. Os dados indicam que, entre 1990 e 2005, em Portugal as despesas com a saúde quase duplicaram, passando de 5,9 para 10.2 por cento do PIB. Na OCDE, em média, o crescimento foi bem menor, de 6.9 (em 1990) para 9 por cento do PIB (em 2005).

Uma explicação para este fenómeno é a de que o PIB português não tem crescido ao mesmo ritmo do dos outros países. De facto, os gastos em saúde per capita, no ano de 2005, colocavam Portugal nos últimos lugares da tabela (2033 dólares), bem abaixo da média da OCDE (2759 dólares)."

domingo, agosto 12, 2007

Promiscuidade crescente!


 

Esta notícia tem um mês, foi publicada num jornal regional, As Beiras em 03 de Julho de 2007 e mostra a promiscuidade (que já existe!) entre associações científicas, médicas e não médicas, de profissionais, de doentes, etc. e a indústria farmacêutica.


 

É apenas um pequeno exemplo, mas dá para pensar.


 


 

"Rastreios gratuitos aos pés

A Associação Portuguesa de Podologia, em parceria com o Lamisil 1, promove rastreios gratuitos aos pés, no dia 5 de Julho, das 11H00 às 17H00, na Farmácia S. José e na Farmácia Estádio, em Coimbra, com os objectivos de sensibilizar os portugueses para a saúde dos pés e fazer o despiste precoce das doenças podológicas, como o pé-de-atleta que afecta mais de dois milhões de portugueses.
Para prevenir as doenças dos pés o podologista, Manuel Azevedo Portela, presidente da Associação Portuguesa de Podologia, recomenda que se deve secar sempre bem os pés, especialmente entre os dedos, trocar de calçado diariamente, não andar descalço em locais públicos, usar meias de fibras naturais, como seda ou algodão, manter os pés limpos, usar chinelos em instalações públicas como piscinas e balneários e, fundamentalmente, examinar regularmente os pés.
As acções vão decorrer na Farmácia S. José, na Alameda Calouste Gulbenkian e na Farmácia Estádio, na Rua D. João III."

domingo, julho 29, 2007

Assim Continua O Nosso Jornalismo!

A jornalista Cristina Meireles, de Vila Real vai receber o próximo prémio Pulitzer.

Para além de inventar uma nova doença - insuficiência cardíaca digestiva, acrescenta uns detalhes verdadeiramente interessantes para compreender a notícia e afirmações erradas.

Aconteceu no Correio da Manhã de 25-07-2007 e foi assim contado:

“Régua: Homem de 58 anos falece nas urgências
Morreu à espera do médico

Cristina Meireles

Angelina Pinto não se conforma com a forma como o seu marido, Jorge Pinto, foi atendido no Hospital D. Luís, em Peso da Régua

"Se o médico não estivesse a dormir o meu homem poderia estar vivo!” É o desabafo de revolta e dor de Angelina Pinto, 49 anos, mulher de Jorge Monteiro Ferreira Pinto, de 58 anos, que faleceu ontem, às 06h40, nos serviços de urgência do Hospital D. Luís, em Peso da Régua.

A viúva não se conforma com o que ocorreu desde que o marido, “com dores no peito e falta de ar”, saiu, por volta das 04h45, do lugar da Fronteira, em Fontes, concelho de Santa Marta de Penaguião, numa ambulância dos Bombeiros Voluntários de Fontes. Inconsolável, aponta o dedo ao Hospital da Régua. “Fui chamar os bombeiros e eles vieram logo. Cheguei ao hospital, estava lá uma enfermeira que o atendeu e foi para dentro. Mas do médico nem vê-lo. Fiquei aflita porque o meu marido sofre do coração e avisei: ‘Ele acaba aqui.’ Disse várias vezes que lhe faltava ar e que ia morrer.”
Revoltada, Angelina Pinto diz que o funcionário “que estava a preencher as fichas” lhe disse que “na altura o médico estava a dormir”. “Só passados mais de vinte minutos é que apareceu. Apeteceu-me partir a porta, pois acredito que se ele chegasse mais cedo o meu homem ainda hoje estava vivo. Depois disseram-me que já tinha morrido, numa altura em que a viatura de emergência do INEM ainda estava a chegar.” Segundo a viúva, “o médico era um espanhol que costuma lá estar”.

Em Fontes o falecido era bem conhecido. Um seu amigo, António Hortas, disse ao CM que o avisara “para não fazer grandes esforços” devido à sua doença. “Já tinha tido vários problemas com o coração, mas teimava em andar sempre a mexer na vinha.” O corpo chegou à capela de Fontes por volta das 10h00. “Eu só queria que me ajudassem quando ele entrou. Enquanto o médico não veio, piorou. O meu Jorge morreu por falta de médico”, repetiu então Angelina.
BOMBEIROS CONFIRMAM ATRASO

O alegado atraso do médico de serviço na altura em que Jorge Pinto entrou nas urgências do Hospital D. Luís não teve confirmação oficial. No entanto, uma fonte próxima dos Bombeiros Voluntários de Fontes confirmou que o clínico demorou algum tempo a aparecer e que a vítima foi assistida a nível respiratório ao longo de toda a viagem, entrando ainda consciente e a falar nas urgências.
O Gabinete de Utentes do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes, com sede em Vila Real, estrutura que a nível hierárquico gere administrativamente a unidade hospitalar de Peso da Régua, “mostrou disponibilidade para avaliar a situação com a família de Jorge Monteiro Ferreira Pinto e, caso se justifique, avançar com um processo de averiguações sobre o caso”·
O certificado de óbito, emitido ontem, é bem claro: o falecido foi vítima de edema agudo do pulmão e de insuficiência cardíaca digestiva. A hipótese de a família apresentar uma queixa junto do Hospital da Régua, ao que o CM apurou junto de Angelina Pinto, é improvável. “Como é que eu vou andar com isto para a frente? Já morreu... mas é uma vergonha o que aconteceu. O Governo deveria pôr mais médicos nos hospitais”, disse a viúva.
DETALHES

DRAMA FAMILIAR

O funeral foi marcado pela forte emoção dos presentes. Viúva, filha, genro e outros familiares de Jorge Pinto não conseguiram evitar uma enorme consternação no momento da chegada da urna à mortuária de Fontes, trazida por um armador de Santa Marta de Penaguião. O momento da abertura da urna foi dramático, com Angelina Pinto a gritar de dor e revolta pelo que aconteceu ao marido.

A 12 QUILÓMETROS

Fontes, uma freguesia de Santa Marta de Penaguião, está situada no sopé da Serra do Marão. Até ao Hospital D. Luís, na Régua, há que percorrer uma distância de 12 quilómetros.

FILHO DA TERRA

Jorge Pinto era uma pessoa querida junto da população de Fontes. Os amigos já há muito que o alertavam para a necessidade de não esforçar o coração, devido aos problemas que tinha.

SAIBA MAIS

12 foram os quilómetros que a ambulância que transportou Jorge Pinto teve de percorrer, através de estradas sinuosas, até conseguir chegar ao Hospital da Régua.

1836 é o ano em que foi reconhecido o concelho da Régua. No entanto, referências a locais que hoje constituem esse município remontam ao foral manuelino de Penaguião de 1514.

EM RISCO

A Urgência do Hospital D. Luís é uma das que poderá ser encerrada pelo Ministério da Saúde. Nos últimos anos a unidade hospitalar, outrora uma das principais do Norte, tem perdido valências.

SERRANOS

Fontes é uma freguesia do concelho de Santa Marta de Penaguião e está situada quase no sopé da serra do Marão.

Cristina Meireles, Vila Real"

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terça-feira, julho 17, 2007

Utente Ameaça Publicamente Morder No Médico.

Publicado no Diário de Viseu de 17/07/2007


Manuel Santos Murtinheira, de 44 anos, natural e residente de Abravezes, na sequência de um acidente de viação em 2003, teve uma fractura tripla no braço esquerdo. Como resultado do sinistro, foi-lhe colocada uma placa de osteossintese (metal) nesse membro.


Blablablá,
blablablá, blablablá, blablablá, ...


"Ferida cirúrgica
com infecção


"O osso ficou à mostra e não colou pele com pele", indicou Manuel Murtinheira, que depois do episódio, em Vila Real, foi submetido a uma nova cirurgia para remover "os bordos, sendo feita uma nova sutura com linha nylon".
"Estou a correr riscos de possíveis infecções por estar tanto tempo sem cicatrizar", afirmou, realçando que já procede à toma de antibióticos há mais de três semanas. "A minha filha está a estudar veterinária e já me disse que nem aos animais se faz isto, porque se os magoam, eles mordem", concluiu."

"Poeiras prejudiciais


Manuel Murtinheira tem uma empresa de comércio de montagem de estores e não tem funcionários. "Corro o risco de não trabalhar até meados de Agosto e as poeiras que os estores levantam podem ser muito prejudiciais para a cicatrização", vincou.
[baixa fraudulenta]


Referiu ainda que a situação que se assiste em "Vila Real é carne para canhão", indicando mesmo ao Diário de Viseu que vai "partir para a via judicial" contra o médico que o operou naquela unidade."

domingo, julho 15, 2007

Os Números Verdadeiros das Eleições Em Lisboa.

57 907 lisboetas que correspondem a 11% votaram no Partido Socialista Mas refere a maior vitória de sempre e que vai lavar tudo.

32 734 lisboetas que correspondem a 6% votaram no Carmona Rodrigues. Diz que ficou à frente do partido-mãe.

30 855 lisboetas que correspondem a 5,9% votaram no Partido Social Democrata. Diz que perdeu.

20 006 lisboetas que correspondem a 3,8% votaram na Helena Roseta. Diz que ganhou. Se eu tivesse votado, seria a minha escolha.

18 681 lisboetas que correspondem a 3,6% votaram na CDU. E como sempre refere uma esmagadora vitória dos trabalhadores.

13 348 lisboetas que correspondem a 2,5% votaram no Bloco de Esquerda. E portanto o Manel lá continua.

7 258 lisboetas que correspondem a 1,4% votaram no CDS. E novas convulsões no partido-táxi que passará a partido-tandem.

3 122 lisboetas que correspondem a 0,6% votaram no MRPP. Os do costume.

1 501 lisboetas que correspondem a 0,3% votaram no Partido Nacional Renovador. Ainda bem!

1 187 lisboetas que correspondem a 0,2% votaram no Partido da Nova Democracia. Outro Manel que parece que não faz falta.

1 052 lisboetas que correspondem a 0,2% votaram no Partido da Terra. Mas há mais defensores da Terra, como eu.

745 lisboetas que correspondem a 0,1 % votaram no fadista do Partido Popular Monárquico. Três sabemos quem são.


Isto é:



Só 25,7% dos lisboetas maiores de 18 anos votaram nos partidos.


75% dos lisboetas não seguem os partidos.


Para reflectir…

sábado, julho 14, 2007

Cortesia!

Depois de tanta desumanidade ainda há quem se insurja contra a distribuição de normas sobre cortesia e boas práticas aos profissionais de saúde, incluindo médicos. Foi na ARS do Norte.

Pode-se compreender algum exagero. E até se pode afirmar que muito da falta de humanidade se deve às condições de trabalho, das infraestruturas e da própria quantidade de trabalho.

Mas, estes casos são paradigmáticos de um país sem norte e de um ministro que quer revolucionar tudo à pressa criando redes sobre redes sem qualquer sentido de globalização e e integração.

Bem haja a ARS do Norte e as suas normas de cortesia.

Humanismo Negligenciado II

Desta feita é o Correio da Manhã de 14/07/07 que denuncia, pela pena de Cátia Vicente um caso de falta de humanidade de médicos/hospitais, neste caso de directores de serviço, uma casta geralmente intragável e muitas vezes vitalícia.

Castelo Branco : Guerras internas na origem do caso
Criança fez 200 km para pôr gesso

Uma criança de 12 anos portadora de doença rara partiu uma perna durante um exercício de fisioterapia no Hospital Amato Lusitano, em Castelo Branco, mas teve de deslocar-se mais de 200 quilómetros para pôr gesso.

A mãe do menino, Zulmira Antunes, está revoltada e atribui responsabilidades a “guerras entre o Serviço de Ortopedia e o director clínico”.

Ricardo Antunes sofre de síndrome de Lowe – doença genética que se transmite de mães para filhos rapazes – e tem os ossos muito frágeis. Na quarta-feira, às 15h30, partiu uma perna durante uma sessão de fisioterapia.

Hora e meia depois, “o ortopedista que o viu disse ao director clínico que precisava de alguém que o ajudasse a pôr gesso”, conta a mãe. A resposta chegou às 20h00 e foi a menos esperada. “Mandaram-nos para Coimbra para pôr um bocado de gesso”, revelou Zulmira Antunes.

Já passava das 00h30 quando Ricardo e a mãe chegaram de ambulância ao Hospital Pediátrico de Coimbra. Durante o tempo de espera, a criança – que devido à doença tem problemas renais, dificuldades motoras e cataratas – esteve sem comer, o que deixou a mãe ainda mais indignada. “Será que não têm ninguém dentro do hospital que ajude o ortopedista a pôr gesso?”, questiona.

Zulmira Antunes disse ao CM que “o ortopedista que viu o Ricardo queria tratá-lo mas não teve autorização superior nem uma pessoa para o ajudar”, por isso “fez uma tala improvisada”, para que o transporte fosse menos doloroso.

João Frederico, director clínico do Hospital Amato Lusitano, diz que “é público que tem havido uma situação de divergência entre o Serviço de Ortopedia e a administração” mas afirma que “na ficha clínica do doente em causa apenas é referido que este precisava de uma intervenção e que o colega (ortopedista) não a podia fazer sozinho, pelo que foi solicitado ao Hospital Pediátrico de Coimbra se podia receber o doente”.

Os conflitos no Hospital de Castelo Branco já levaram à demissão do director do Serviço de Ortopedia, função agora ocupada por João Frederico. O médico exerce ainda os cargos de director clínico e da Unidade de Cuidados Intensivos.

Há dois anos, Ricardo tinha partido uma perna no hospital mas “fizeram-lhe logo um raio-X e puseram- -lhe gesso”, conta a mãe, afirmando que “isto só acontece agora porque andam zangados uns com os outros, mas os doentes não têm culpa e não podem ser prejudicados”.

A criança ainda está internada no Hospital Pediátrico de Coimbra, onde vai ser sujeita a uma intervenção cirúrgica às pernas, intervenção essa que já estava prevista há algum tempo."


Humanismo Negligenciado!

No Jornal de Notícias de 13/07/07, por Jesus Zing.

Falta de humanismo?

Uma certa forma de racismo?

Não sei que diga, mas que é crime, é.

E praticado por colegas meus...

"De hospital em hospital com fractura exposta

Um homem, de 33 anos, andou seis horas com uma fractura exposta do úmero e cotovelo entre os serviços de Urgência dos Hospitais Infante D. Pedro de Aveiro e da Universidade de Coimbra, sem que alguém o tivesse assistido.

O insólito aconteceu em finais do passado mês de Maio, quando D. Kredo, um cidadão do país do leste europeu, residente em Aveiro, deu entrada no serviço de Urgência do Infante D. Pedro, pouco depois das 23 horas, vítima de um acidente de viação.

O ferido recebeu os primeiros tratamentos por uma equipa médica ortopedista contratada pelo hospital de Aveiro para suprir a falta de ortopedistas daquela unidade hospitalar na Urgência, tendo sido enviada para o Hospital da Universidade de Coimbra (HUC) a fim de ser tratado por uma equipa de Cirurgia Plástica.

O doente chegou a Coimbra pouco depois das duas horas da madrugada e acabou por ser devolvido a Aveiro, onde deu entrada pelas 5.30 horas, sem que tivesse sido observado pelos cirurgiões plásticos. Segundo apurou o JN, os ortopedistas de serviço na Urgência em Coimbra recusaram o internamento do sinistrado, considerando que "não se justificava", na altura, a intervenção dos colegas de cirurgia plástica, serviço que, aliás, a partir da meia noite, não funciona na Urgência dos HUC.

O doente acabou na sala de operações do hospital de Aveiro, dez horas depois de ter dado entrada na Urgência, a fim de ser tratado pela equipa médica do quadro do hospital aveirense. Este facto, sabe o JN, levou a directora clínica, Lurdes Sá, a encarar a possibilidade de prescindir dos dois médicos contratados à Helped, Prestação de Serviços de Saúde, que ordenaram o envio do sinistrado para Coimbra. O JN tentou falar com Lurdes Sá, mas a directora clínica recusou prestar declarações.

Recorde-se que o serviço de Urgência do Hospital de Aveiro, em alguns dias da semana, é assegurado por equipas de médicos estranhos ao serviço do hospital de Aveiro, um facto que tem provocado mau estar na Ortopedia. A diminuição da qualidade do serviço prestado e o aumento da lista de espera levaram a que o director do serviço, António Meireles se tivesse demitido. Mesmo a substituição pelo ortopedista Costa Martins não foi bem aceite, o que levou a que a directora clínica Lurdes Sá assumisse a direcção da Ortopedia."

quinta-feira, julho 12, 2007

A Demagogia De Fernando Madrinha

Como a maior parte dos jornalistas (os tais que tinham, têm?) uma segurança social de luxo, com baixas também, escreve uma crónica no mínimo demagógica.

Por um lado critica "os médicos" presumo que os 40 mil por fraudulentarem as baixas. Isto é: o médico, sentado na sua secretária, convoca o doente e propõe-lhe uma baixa. Será assim, presumo: oh senhor Manel, vai uma baixinha? Vá lá, aceite qué de borla e ainda lhe pagam por cima!

E o senhor Manel vai para casa pensar, conversa com a esposa e regressa, dizendo: Oh senhor doutor, eu só aceito a sua baixa se puder continuar a trabalhar, pode ser?

Claro que pode. Quem vai verificar isso são os fiscais. E como sabe nós não somos fiscais, embora haja um jornalista de referência que pensa que sim...

Por outro lado critica "os médicos" presumo que os 40 mil por actos inversos aos primeiros: não dão baixas a quem delas precisa.

Será assim, por exemplo: o senhor X é pianista na função pública, tem um acidente e ficam sem os 10 dedos, vai a uma junta médica e pimba, dizem-lhe os malandros dos médicos: não tens dedos, toca com o nariz. Só quando ficares sem o narizito é que te consideramos incapaz...

Nota para que não me acusem de corporativista:

Há médicos maus? Há sim senhor. Há médicos corruptos? Há sim senhor. Assim como em todas as profissões. Veja-se na PJ. Alguém leu "toda a judite é corrupta?" Claro que não, pois não é.




sexta-feira, julho 06, 2007

domingo, julho 01, 2007

Pide/dgS

Este seria o meu título para este artigo de Ivete Carneiro no Jornal de Notícias.


Não tenho qualquer simpatia pelas pessoas em questão, mas se hoje são os bloguers, as anedotas, a afixação de cartazes, amanhã será a comunicação social, a stand up comedy e o pensamento em geral...


"A sombra da delação e da perseguição política paira sobre o caso da exoneração da directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, apesar de todas as negações oficiais. Antes de se fechar em "blackout" informativo, o líder da concelhia local do PS admitiu ter sido um membro da Juventude Socialista de Vieira do Minho o "cidadão" que pediu o Livro Amarelo do estabelecimento para se queixar do cartaz da polémica. Um cartaz que reproduzia uma entrevista do ministro da Saúde, publicada no JN a 6 de Agosto de 2006, dizendo que nunca iria a um serviço de antendimento permanente (SAP).

Relatado ao PS local, o caso foi remetido ao PS nacional e o ministro da Saúde tomou as devidas medidas, adiantou o socialista Jorge Dantas à Antena Um. Caiu a directora do centro de saúde, Celeste Cardoso, esposa de um vereador independente da autarquia de Vieira do Minho, apoiado pelo PSD. Que fora nomeada para o lugar pelo Governo PSD/CDS, por "manifesto favor político", deixou ontem escapar o ministro da Saúde, numa conferência de Imprensa convocada à pressa para justificar a demissão, já comparada ao afastamento do professor Charrua da Direcção de Educação do Norte.

Correia de Campos negou, contudo, estar em causa qualquer perseguição política. "Não há nenhuma matéria dessa ordem no despacho de exoneração". Apenas a data da sua nomeação, anterior à chegada do PS ao Governo. E garante que Maria Celeste Cardoso "teve todos os prazos para recorrer da decisão e não o fez".

Contactada pelo JN, a ex-directora - e actual funcionária administrativa do centro de saúde - disse não ter querido contar a sua demissão na altura (a 5 de Janeiro) por ser "recatada" e não gostar de "confusão". Isto, apesar de a própria família "querer que seguisse para tribunal". "Sabia que ia acontecer isto que está a acontecer". E só responde "talvez" quando lhe falam em perseguição política.

Classificando de "mentira" algumas afirmações do ministro, Celeste Cardoso desmente que o cartaz "jocoso" - em que o médico Salgado Almeida, vereador da CDU em Guimarães, escreveu "Atenção! Você está num SAP Fuja! Faça como o ministro da Saúde deste pobre país corra para a urgência de Braga!" - tivesse estado exposto "vários dias". "Foi posto na noite da quinta-feira 10 de Agosto. No sábado de manhã, uma funcionária ligou-me a dizer que estava lá um senhor a tirar fotos. Disse-lhe para tirar o cartaz".

Além do PS, a foto chegou à Sub-região de Saúde de Braga a 17 de Agosto, altura em que a directora foi confrontada. Segundo o ministro, Celeste Cardoso foi instada a retirá-lo. Coisa que, garante ela, já fora feita, tal como o fora o inquérito interno que determinou o autor da brincadeira. Que este logo assumiu como um "acto irreflectido, sem intenção de prejudicar o ministro". "Sentia-se indignado por considerar que as declarações do ministro desvalorizavam os funcionários dos SAP". Foi repreendido e o processo entregue à sub-região. Quando esta lhe sugeriu que colocasse o lugar à disposição, recusou fazê-lo. "Não tinha culpa". E diz que nunca lhe foi dito que instaurasse um processo ao médico. Coisa que, de resto, "não faria". "Não havia motivo para tal. Eram declarações do ministro!".

Para o ministro, Celeste Cardoso "desresponsabilizou-se", manifestando "deslealdade para a tutela", prova de que "não reúne condições" para seguir as orientações superiores na implementação das políticas do Ministério. "Demonstrou incapacidade para o exercício do cargo ao não impedir que um espaço de prestação de cuidados de saúde fosse utilizado para a luta política local", lê-se no despacho assinado de 5 de Janeiro. Dois meses antes de a directora terminar a sua comissão de serviço."

sábado, junho 30, 2007

O Ministro Da Saúde Está JOCOSAMENTE Doente

O jocoso está a dar. E para o torto.

Tudo o que é jocoso é susceptível de exclusão, demissão, investigação, etc.

O País está a ficar cinzento...

"SIM - Sindicato Independente dos Médicos Jornal Virtual do SIM


NOJO
Ao Ministro da Saúde, não lhe chega demitir. Não lhe chega que o faça sem motivo sério, revelando autoritarismo, défice democrático e intolerância. Não. É preciso, para além da autoritária demissão, ofender, achincalhar e massacrar.
É claro que a Senhora Directora, ora demitida, estava no cargo por vontade política, que não era médica, que estava ligada a um Decreto do anterior Ministro que já nem está em vigor. Também é claro que todos os Directores continuam a ser nomeados pela lapela e que devem lealdade a quem os nomeia politicamente.
Mas a Senhora está a ser demitida porque se recusou a levantar um processo disciplinar ao médico que, voluntariamente, logo se identificou como o autor da aleivosia e da imprudência. E recusou-se porque advertiu o médico e retirou o cartaz logo que dele teve conhecimento, sanando um incidente, necessariamente menor.
Mas não chega. O Ministro queria a cabeça do malandro e, como a não teve, ficou com a cabeça da chefe do malandro. Alegando deslealdade. E porque é proibido falar ou ousar tecer qualquer comentário, mesmo que com salutar humor, do Ministro da Saúde e do Governo.
E, claro, quer que todos esqueçam o que disse: nunca fui a um SAP nem nunca irei. Frase que ofende milhares de médicos e que causa insegurança nos doentes que recorrem aos mesmíssimos SAP que o Ministro da Saúde mantém abertos e para onde, ainda hoje, o próprio INEM drena as suas emergências (sim está escrito emergências).
O despacho, conhecido desde Janeiro, viu agora a luz do dia no elucidativo Diário da República. E este, para a história, dita o que toda a gente vê: prepotência, excesso, autoritarismo. À perplexidade pública da leitura do Despacho de Sua Excelência, diligentemente assumido por um subalterno leal, o Ministro acrescenta sal na ferida justificando a confusão em conferência de imprensa. Porque quer ter razão. Porque não percebe que o que fez nunca lhe pode dar razão. Porque só lhe dará razão quem o bajula e quem perdeu o discernimento da vida, da democracia e da tolerância.
Inevitavelmente, Correia de Campos, o Ministro da Saúde, há-de tropeçar na sua própria língua.
"

Acabou-se O Repouso Neste Portugal Profundo!

A solidariedade ao autor do blog Portugal Profundo obrigou-me a sair da hibernação e como quero também ser acusado e julgado digo e repito que o senhor Sócrates usou um título profissional indevidamente e que toda a história que tem sido contada sobre a sua faxil licenciatura deveria ser investigada pela Polícia Judiciária se esta de facto fosse independente do Governo. Basta ver de quem se rodeou o senhor Sócrates neste processo: uns estão presos, outros arguidos e outros investigados.

quinta-feira, junho 07, 2007

terça-feira, maio 22, 2007

Para Pensar.

Sucesso é reduzido

Gastar dinheiro para preservar células do cordão umbilical é erro, defende especialista do IPO

O responsável pela unidade de transplantação de medula óssea do Instituto Português de Oncologia, Manuel Abecassis, considerou hoje não valer a pena gastar mais de mil euros na criopreservação de células estaminais do sangue do cordão umbilical.

"Não sei exactamente para que serve [a congelação do sangue]", afirmou Manuel Abecassis aos jornalistas, após ter participado no 3º Congresso Português de Medicina da Reprodução, onde falou sobre o tema "Criopreservação do sangue do cordão umbilical para uso autólogo (próprio): será justificável?".

"Nestes milhares de sacos de sangue congelado em todo o mundo há três casos de sucesso, portanto, não se pode dizer que não serve para nada, mas o que se pode dizer é que a probabilidade de utilização é muito baixa e, provavelmente para todos os casos, há alternativas", justificou.

O responsável afirmou que se tivesse agora um filho "pegava nos 1.200 euros e comprava certificados de aforro", e quando ele tivesse 18 anos entregar-lhe-ia os títulos.

"Acho que ele ficava muito mais satisfeito do que se lhe desse o sangue do cordão umbilical", ironizou, acrescentando que a "probabilidade de utilização para uso próprio é tão pequena que não há benefício".

Para o especialista, a criopreservação das células estaminais do sangue do cordão umbilical vende porque "está a ser uma moda".

"As pessoas são livres de fazerem o que quiserem. Entendo que a actividade privada não deve ser proibida, como acontece em Itália e em Espanha, mas temos que ter a certeza que as empresas que a praticam dão informação científica rigorosa e objectiva aos seus potenciais clientes, e isso não está a acontecer", disse.

Manuel Abecassis afirmou que os sites das empresas privadas que se dedicam à congelação do sangue do cordão umbilical "não contêm informação correcta, rigorosa e objectiva", sendo "muito fantasiosos".

"Estamos muito longe daquela recomendação da União Europeia de que a informação deve ser cientificamente válida", sustentou.

O responsável criticou o facto de as empresas portuguesas que desenvolvem esta actividade apresentarem esta técnica aos pais como "um seguro de vida para o filho", dando a entender que o sangue "pode servir para tudo e mais alguma coisa".

Em contrapartida, o responsável defendeu a criação de um banco público de sangue do cordão umbilical, afirmando que "faz falta".

"Temos conseguido obter sangue de cordão umbilical noutros países, e com regularidade temo-lo feito. É possível que existindo um banco da população portuguesa se consiga obter amostras que sejam geneticamente mais favoráveis", disse.

O especialista salientou, no entanto, que a criação de um banco deste tipo "tem que ser muito bem pensada", por se tratar de "uma iniciativa que não pode falhar".

"Tem que se ter objectivos claramente definidos, metas para os conseguir alcançar e, sobretudo, saber de onde vem o financiamento", defendeu. n

Lusa

sábado, maio 05, 2007

Prof. José Manuel Silva A Bastonário!

Subscrevo integralmente.

Este homem merece ser Bastonário.

"Michael Porter e Correia de Campos
Artigo do Prof. José Manuel Silva*

Não, não se preocupem que não confundo as duas personalidades!

Michael Porter é um reconhecido e laureado economista, especialista em estratégia competitiva e profundo conhecedor da Saúde; em co-autoria com Elisabeth Teisberg escreveu um livro notável -- Redefining Health Care. Creating Value-Based Competition on Results.

Um pequeno resumo das ideias veiculadas nessa magnífica obra, cuja leitura recomendo vivamente, em particular aos responsáveis nacionais e locais da Saúde, foi agora publicado (JAMA, 2007; 297: 1103-11). Vale a pena salientar algumas frases:

- Embora as propostas de reforma da Saúde difiram, têm isto em comum: todas examinam o sistema actual e perguntam que modificações, impostas de fora, podem efectivamente controlar os custos, que são elevados e aumentam continuamente. Esta abordagem do problema falhará, porque começa com uma falsa premissa. O objectivo do sistema de Saúde não é minimizar os custos mas fornecer valor aos doentes, ou seja, mais saúde por cada dólar gasto.

- É necessária uma maior liderança dos médicos, agora. A única solução real para o problema nacional da Saúde é aumentar dramaticamente o valor dos cuidados de saúde prestados com o dinheiro que está a ser gasto. Isso nunca será conseguido do exterior, remendando esquemas de pagamento e incentivos. Aumentar o valor dos cuidados é algo que apenas pode ser conseguido pelos médicos.

- A competição na Saúde é disfuncional quando cada interveniente no sistema ganha não porque aumenta o valor para os doentes mas porque rouba valor de outros (diminuir tempos de consulta, esmagar salários, restringir serviços, transferir custos, etc.). Nenhuma destas medidas melhora os resultados da Saúde por cada dólar gasto -- de facto, muitas vezes tem o efeito inverso.

- A competição pelos resultados (melhor saúde por dólar gasto) produziria múltiplos vencedores: os doentes, que receberiam melhores cuidados, os médicos, que seriam recompensados pela excelência, e os custos, que seriam contidos.

- Um sistema baseado em valor fundar-se-ia em três princípios simples: 1) o objectivo é o valor para os doentes; 2) os cuidados de saúde devem ser organizados em redor de condições médicas e dos seus ciclos de cuidados, não em serviços de especialidades que obrigam o doente a percorrer múltiplos departamentos; 3) os resultados são medidos e divulgados (na cirurgia de by-pass coronário, a mortalidade em New York diminuiu 41% nos primeiros quatro anos de comunicação de resultados).

Tudo ao contrário

Basta olhar para a política de Correia de Campos para percebermos que tudo está a ser feito ao contrário. Os objectivos são exactamente os de esmagar salários, restringir serviços, transferir custos para os doentes, asfixiar instituições, substituir recursos públicos por privados… Nada que um qualquer coveiro de um qualquer cemitério deste país não conseguisse fazer. É o caminho mais fácil e o que exige menos conhecimento, experiência e inteligência.

Nestes dois anos de mandato do actual ministro da Saúde, apenas duas medidas são, de facto, de elogiar: a diminuição do preço dos medicamentos e o tímido início da criação de economia de escala com centrais de compras. Há muitos anos que defendo uma moderna e funcional central de compras do Ministério da Saúde para consumíveis, incluindo medicamentos; a poupança seria de milhares de milhões de euros! Mas talvez afectasse alguns interesses…

Todas as restantes medidas visam o racionamento cego, as pseudo-grandes reformas estão encalhadas, as nomeações continuam a ser maioritariamente de carácter nepótico e os «pequenos poderes» exercem-se de forma discricionária, liquidando totalmente a microeconomia do SNS (será esse o objectivo oculto?...).

A reforma dos cuidados de saúde familiares, a mais importante e determinante reforma da Saúde (cujo êxito se deseja e se exige!), caminha a passo de lesma e prenhe de problemas e indefinições. O que tem reflexos graves para todo o sistema de Saúde, nomeadamente para as Urgências hospitalares. Começando com uma excelente ideia, a filosofia das USF, colocou-se o carro à frente dos bois. Pela admirável generosidade e idealismo de muitos, interesses particulares de alguns e pressões sobre outros, constituiu-se pouco mais de meia centena de USF, claramente aquém das expectativas e das necessidades, e sem o devido enquadramento jurídico. Entretanto, induziram-se mais elevados níveis de organização e responsabilidade, o aumento das listas de utentes e maiores cargas de trabalho, mantendo o mesmo acanhado vencimento base dos médicos e com alguns colegas, inclusivamente, a perder dinheiro (o sonho de qualquer ministro! Por isso, o ministro quer mais USF modelo A, sem definir as respectivas regras e compensações…)!

Reforma subvertida

A reforma das Urgências está a ser totalmente subvertida pelas sucessivas decisões ministeriais. Até se inventa a sandice da «valência peculiar» da «Ortopedia a quente» para justificar o não cumprimento do relatório da CTRAPU no que respeito ao Curry Cabral (como é que alguém pode produzir estas atoardas e continuar ministro da Saúde?!).

Confirma-se aquilo de que já se suspeitava, o ministro apenas queria um relatório descartável, que pudesse usar a seu bel-prazer e lhe permitisse fechar SAP indiscriminadamente. Assim, poupa nos anéis e corta os dedos! Nada faz para cumprir o relatório da comissão pela positiva, mas vai fechando toda a assistência médica de proximidade em situações de urgência, ainda antes da implementação das imprescindíveis alternativas.

O que se passa no distrito de Bragança é vergonhoso e perigoso, mas traduz fielmente os objectivos do actual Governo: encerrar progressivamente o Interior do País. A rede de Urgências ainda não está implementada, a rede e o equipamento de emergência pré-hospitalar são uma miragem, a VMER de Bragança está frequentemente INOP, não há um regulamento das consultas abertas, mas os SAP já vão ser encerrados. Porém, como o ministro até reconhece a necessidade de «qualquer coisa», porque as populações ficam demasiado desprotegidas, transforma os SAP em SEP, ou seja, serviços de enfermagem permanente (ao aceitar esta caricata situação, a Ordem dos Enfermeiros evidencia a sua visão distorcida da equipa de saúde e que a sua prioridade não é a qualidade dos cuidados prestados aos cidadãos)!

O mesmo ministro que teve o despudor de dizer que um médico com estetoscópio num SAP não oferecia confiança (não obstante a presença de enfermeiro e auxiliar e os recursos técnicos e físicos existentes), agora já acha que um enfermeiro oferece confiança e segurança às populações?! Não representa esta medida uma profunda hipocrisia? O senhor ministro, quando está gravemente doente, recorre a um enfermeiro e depois pede-lhe para chamar um médico que pode estar até meia hora de distância? O ministro da Saúde está a insultar a inteligência e a brincar com a vida dos portugueses! E pretender que uma linha telefónica ineficiente (24 Horas, 30/04/07), milionária, espartilhada e burocratizada, independentemente das informações úteis que dispense, pode substituir o atendimento médico urgente presencial é raiar a insanidade e o cinismo!

Até quando?

Vai morrer gente no distrito de Bragança em situações de urgência/emergência por falta de assistência médica, é inexorável. Mas claro, lá iremos ter o INEM a lavar as mãos e o senhor ministro a orgulhar-se de não abrir inquéritos. Mas deve estar todo contente porque vai poupar mais uns euros em horas extraordinárias… Até quando?...

Alguns médicos, mesmo não sendo sequer obrigados a concordar com o regime de chamada, vão aceitá-lo, inclusive permanecendo em presença física durante a noite. Por consideração para com os doentes. Mas o ministro não merece essa consideração. Parece-me chegada a altura de os sindicatos dos médicos pegarem frontalmente na questão dos vencimentos base dos médicos, que são inaceitavelmente baixos, como até este ministro já reconheceu. Vamos dignificar o preço/hora dos médicos, lutando pela sua duplicação (no mínimo!), e aceitar a diminuição do valor das horas extraordinárias para metade. Os benefícios para os médicos e para as suas reformas são evidentes.

Quanto ao senhor ministro, finalmente deixará de andar obcecado com as horas extraordinárias dos médicos, deixará de agitar publicamente recibos de horas extraordinárias, deixará de condicionar a política de Saúde e a assistência aos doentes em função das mesmas, e deixará de as poder usar como arma de arremesso quando lhe convém (basta recordar o elucidativo e cirúrgico título de primeira página do JN de 23/04/07, com óbvia origem ministerial: «Médicos travam mudança dos centros de saúde para manter horas extras»…).

Fica este forte e sério desafio aos sindicatos; curiosamente, era um favor que faziam aos médicos, aos doentes e às obsessões do senhor ministro da Saúde…

*Presidente do Conselho Regional do Centro da Ordem dos Médicos

Subtítulos e destaques da responsabilidade da Redacção

TM ONLINE de 2007.05.03
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quarta-feira, abril 25, 2007

Hospitais Militares: Uma Vergonha.

Segundo os jornais, haverá uma reforma dos hospitais militares.

Segundo essas mesmas notícias a reforma durará meia década.

Meia década!?

É só fechar a porta dos hospitais. É só mandar a ex-Inspecção Geral da Saúde lá dar uma volta.

O que encontrará será o fim-do-mundo...

Mas cinco anos? Porquê?

25 de Abril: A Única Coisa...

.. que me arrependo de ter feito na minha vida aconteceu no dia 25 de Abril de 1974.

Fiquei em casa.
Era estudante universitário e decidi cumprir os apelos do MFA para ficar em casa.

Depois vi que o povo estava na rua e eu em casa.

Não havia telemóveis, computadores, messenger, skype, e-mails... e a "velhota" que me alugava o quarto tinha, como muitas, o telefone fechado com um cadeado....

Como me arrependo do que fiz nesse dia!

segunda-feira, abril 23, 2007

As Carótidas Do Público.

O jornal Público tão preocupado com os diplomas do nosso primeiro, tem que começar a exigir diplomas de cultura geral aos seus jornalistas.

O senhor Hugo Daniel Sousa afirma:

"Eusébio tem placas de ateromas nas carótidas, patologia designada como aterosclerose ou, nos casos em que afecta artérias, também conhecida como arteriosclerose."

Saberá o senhor Hugo o que é uma carótida? Mas se "carótida" for artéria, então o Eusébio terá arterioesclerose e não aterosclerose, de acordo com a explicação do senhor jornalista.

Confuso.

domingo, abril 22, 2007

Liberdade de Expressão.

Em resposta a um post deste blog, sobre um blog cubano (anti-castrista) recebi este comentário com uma ligação para um site sobre a cooperação dos médicos cubanos.

A Natureza (Fraqueza) Humana Não Tem Cura.

No blogue Ladrões de Bicicletas, neste post com um vídeo do Youtube, uma personagem pública.

terça-feira, abril 17, 2007

Se A Cultura é De Violência, Porquê Tanta Admiração!

Da Voz Do Abade: Uma Vergonha, A Ser Verdade!

Ainda é teenager e já manda num hospital! Já para o Guiness.

Neste blog: A Voz do Abade.

E neste post.

domingo, abril 08, 2007

Universidade Pendente.

Carvalho Rodrigues...
Posted by Picasa

sexta-feira, abril 06, 2007

Utente Negligente, Jornalista Iliterato!

Basta ler a notícia com "olhos científicos" e concluir-se que o senhor Romarigo, para além dos seus minutos de fama e vaidade, deveria ser condenado pelos tribunais pelo uso e abuso dos serviços de urgência. E tentar explicar a este senhor vendedor de automóveis o significado da palavra "agudo".

À senhora jornalista Ermelinda Osório, vendedora de notícias, tentar explicar o mesmo.

Jornal de Notícias de 05/04/07:

"Utente acusa hospital de negligência médica

ermelinda osório

Romarigo garante que se não fossem os belgas já estava morto



Agostinho Romarigo, de 34 anos, residente em Peso da Régua, pensou "várias vezes que ia morrer a qualquer momento". Ao fim de vários anos de idas às urgências, consultas e exames aos intestinos, estômago, ecografias e análises, está convicto de que "se não tivesse viajado de emergência para a Bélgica, já estaria, sem dúvida, morto", disse ao JN.

Romarigo é vendedor de automóveis e um conhecido praticante de desportos motorizados e náuticos da região. O seu "calvário" começou em Dezembro de 2003. De lá para cá, coleccionou idas às urgências do Hospital D. Luiz I, na Régua, e do Hospital de S. Pedro, em Vila Real, hoje integrados no Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro. "Mais de 50 registos de entradas nos hospitais" provam o que considera "um acto óbvio de negligência médica", e pondera uma queixa aos tribunais.

A carta do médico belga, redigida em francês, confirma a operação a uma apendicite aguda e à vesícula. Romarigo explica "Cheguei lá ao final do dia e, na manhã seguinte, operaram-me. Foram duas operações - uma para retirar o apêndice e outra para retirar a vesícula, que sofreu, entretanto, danos graves".

A história tem o seu "pico" a 11 de Março de 2007, um domingo. Mais uma crise levou o jovem ao hospital. "Penso que achavam que a dor era psicológica. Na Régua, já nem me consultavam. Eu até tinha vergonha de lá ir. Davam-me soro e sedativos e mandavam-me embora", diz. Nesse mesmo dia, ainda voltou à Urgência do D. Luiz I "Encolhi as pernas com as dores e nunca mais consegui esticá-las. Mandaram-me para casa com 40 graus de febre. Eu já só pedia a Deus para morrer, porque não aguentava", acrescenta. É então que a família resolve socorrer-se de parentes na Bélgica. Viajou para lá na quarta-feira seguinte.

O presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar, Carlos Vaz, diz que "não cabe na cabeça de ninguém que uma pessoa com apendicite aguda aguente este tempo todo. Se o problema fosse esse, já estaria morto, não tenho dúvidas".

Na Covilhã foi diferente

Em Janeiro de 2006, Romarigo teve uma crise na serra da Estrela. "No Centro Hospitalar Cova da Beira, na Covilhã, disseram-me que tinha de ser operado ao apêndice. O médico de lá mandou uma carta, mas um dos vários médicos que me atenderam em Vila Real, leu-a e riu-se", conta. Carlos Vaz garante que "todos os exames foram feitos e o utente chegou a dormir no hospital, mas nada foi detectado". O administrador lembra que "o sr. Agostinho Romarigo até tinha o número de telemóvel do cirurgião que o estava a seguir. No dia 11 de Março, podia ter-lhe telefonado, mas não o fez"."

sábado, março 31, 2007

Patético!

Lembram-se dos fenómenos do Entroncamento?

Pois agora temos as grávidas da Figueira da Foz!

Esta da garagem é mesmo patética. Não o acontecimento, que pode acontecer a qualquer grávida (relapsada?), mas fazer disso uma notícia, uma "caixa".

Nem com uma maternidade no rés-do-chão desse edifício, este parto era hospitalar.

Os leitores que pensem quantas localidades de Portugal não têm maternidades, há dezenas, centenas de anos e nunca se afirmou que, após um parto numa ambulância, se reivindicasse uma maternidade local.

Tenham dó!

Nesta matéria das maternidades estou com o CC e contra a demagogia de toda a oposição.

domingo, março 25, 2007

Patética!

A Júlia Pinheiro é a Júlia Pinheiro. Está tudo dito!

Habituou-se a estupidificar os portugueses através dos seus programas, e nós habituámo-nos a vê-la como a personificação desta televisão estupidificadora.

Escreveu umas patéticas linhas no jornal 24 horas de 23 de Março, com o título "Patético."

"Patético

No futuro, algumas crianças portuguesas vão ter dificuldade em assumir a sua identidade geográfica. Dentro de uma década e meia, adolescentes perturbados vão perguntar: “Será que o facto de eu ter nascido numa autoestrada fez de mim este ser errante, sem raízes, sem futuro?”

O retrato está um bocadinho carregado e tem um tom anedótico, mas verdade é que, desde que fecharam algumas maternidades do País, os bebés começaram a nascer em ambulâncias embalados pela sirenes do veículo e por um cheirinho a escape e combustível, que os prepara logo para um mundo marcado por terríveis alterações climáticas."

Quem quiser ler mais pode ir ao site do 24 horas.

A Júlia Pinheiro só agora descobriu uma realidade que já existe há décadas, desde que há ambulâncias, bombeiros e grávidas. Os bombeiros até têm os seus "especialistas" em partos...

O mundo rural é uma realidade e uma óptima realidade, e sempre as grávidas tiveram os seus filhos longe, nos antigos hospitais distritais e muitas vezes no trajecto.

Nunca se falou e quando se falava era em tom factual sem qualquer carga político-jornalística. Até em aviões já nasceram crianças...

Mas a Júlia Pinheiro só agora descobriu que há um país para além dos estúdios da TVI... paciência.

Talvez essas grávidas sejam apoiantes fieis dos seus programas e desconheçam o que são "sinais de parto" que aparecem muito antes do período expulsivo.

Talvez a Júlia Pinheiro possa usar os seus programas e aproveitá-los para um pequeno serviço público, divulgando:

SINAIS DE PARTO
  • Expulsão do Rolhão Mucoso, que consiste na eliminação, pela vagina, de muco gelatinoso, rosado ou acastanhado. A sua expulsão pode ocorrer dias ou horas antes do parto e significa que o nascimento estará para breve.
  • Rotura da Bolsa de Águas, que é a saída de líquido amniótico pela vagina, devido à rotura das membranas que envolvem o bebé. Pode sair lentamente ou de repente, em grande quantidade. Normalmente, é claro e transparente. Nesta situação deve dirigir-se ao hospital da sua área de residência o mais rapidamente possível.
  • Contracções Uterinas Regulares - no início do trabalho de parto, as contracções são irregulares (isto é, os intervalos não são certos) e são pouco frequentes. Começa por sentir que a barriga fica rija, podendo não haver dor. Progressivamente, vão-se tornando mais regulares, mais intensas e mais próximas. Quando as contracções forem regulares, com intervalos de dez minutos, deve dirigir-se à maternidade.

O trabalho de parto dura em média de 6 a 12 horas!

Neste site (de onde foram retiradas estes sinais de parto) da Universidade de Aveiro há informações interessantes com desenhos bem elucidativos.

Mas os culpados, presumo, já estão encontrados: os médicos e os enfermeiros que não informaram detalhadamente as gestantes, os bombeiros e o INEM que não foram rápidos, as maternidades que fecharam (e ainda bem!), enquanto estas perdiam tempo a assistir às patetices da Júlia Pinheiro.

Curiosamente lembro-me dos livros que a minha mãe comprou há mais de cinquenta anos para, já nessa altura, não ser surpreendida nas suas gravidezes.

Sempre foi uma mulher previdente... porque não são estas mães agora?

sábado, março 24, 2007

A Tuberculose VIP

Post intitulado O PORTO E A TÍSICA, assinado por e retirado do blogue Rerum Natura (espero que autorizem!):


"O que têm em comum (por ordem alfabética, estando entre parêntesis a respectiva idade quando morreram): Lorde Byron (36 anos), Frédéric Chopin (39 anos), Bento Espinosa (45 anos), Franz Kafka (41 anos), John Keats (26 anos), D. H. Lawrence (45 anos), George Orwell (47 anos), Edgar Allan Poe (40 anos) e Anton Tchekov (44 anos)?

São todos eles nomes das artes e das letras, mas não só. Estará o leitor confuso? Então acrescentemos uma lista de nomes portugueses, todos eles ainda da área das artes e das letras: António Aleixo (50 anos), Amadeo de Souza-Cardoso (31 anos), Júlio Dinis (42 anos), António Nobre (33 anos), António Soares dos Passos (34 anos) e Cesário Verde (31 anos)?

Não, não é apenas a data da morte, que em todos esses casos ocorreu precocemente. É a causa da morte, que foi a mesma em todos eles: a doença que o povo chamava tísica e a que a ciência deu o nome de tuberculose. A tuberculose, causada pela terrível bactéria que dá pelo nome de Mycobacterium tuberculosis (ou bacilo de Koch) foi uma das enfermidades mais letais para as artes e para as letras. Paradoxalmente, como se pode avaliar pelas obras dos autores listados, marcadas em grande medida pela fatalidade, e ainda por obras como “A Montanha Mágica”, de Thomas Mann (que descreve a estada de Hans Castorp num sanatório suíço para tratar a tísica, uma história inspirada pela doença da mulher do escritor), ou a “A Dama das Camélias” de Alexandre Dumas (baseado num facto real e mais tarde adaptado a ópera por Giuseppe Verdi: no final de “La Traviata”, a jovem Violeta esvai-se, completamente tísica), que teria sido das artes e das letras sem essa doença? Também em “Crime e Castigo”, Fedor Dostoievski conta uma morte por tuberculose inspirado provavelmente na morte similar da sua mulher. E até o famoso quadro “O Grito” de Edvard Munch pode ter sido influenciado pela morte, por tuberculose, da mãe e da irmã do artista.

Também a ciência sofreu com a tuberculose. Dois dos maiores matemáticos de todos os tempos: Niels Hendrik Abel (26 anos) e Georg Bernhard Riemann (39 anos) morreram de tuberculose. O mesmo sucedeu, embora em idades bem mais avançadas, com Julius Mayer (64 anos), um físico tísico que foi um dos criadores da termodinâmica, e com Erwin Schroedinger (73 anos), um dos criadores da teoria quântica. Um outro físico quântico, Richard Feynman, escreveu cartas comoventes à sua primeira mulher, Arline, quando ela estava a morrer de tuberculose e ele trabalhava no projecto Manhattan, em Los Alamos, de construção da bomba atómica.

Em Portugal, a doença conheceu particular incidência na cidade do Porto. Em 1899 o médico portuense Ricardo Jorge chamava-lhe “a sua cidade cemiterial”. E ainda hoje o Porto é uma cidade com uma taxa de casos de tuberculose que ultrapassa largamente a média nacional (infelizmente, Portugal também neste índice ocupa um lugar na cauda da Europa). A doença espalhou-se devido às más condições sanitárias, em particular as que existiam nas chamadas “ilhas” do Porto, que no século XIX e ainda no século XX tinham condições de promiscuidade inimagináveis. Eram verdadeiros “pastos” para a bactéria!

Não admira por isso que um médico pneumologista do Porto, António Ramalho de Almeida, tenha escrito um livro intitulado “O Porto e a tuberculose” e subintitulado “História de 100 anos de luta”. Ele conhece bem o problema por dentro, uma vez que trabalhou mais de 30 anos no Sanatório de D. Manuel II depois de se ter licenciado em Medicina na Universidade do Porto. O livro descreve a vida e a morte na cidade do Porto ao longo dos dois últimos séculos. Começa por falar do Cerco do Porto e de D. Pedro IV, um dos tísicos mais célebres. Porque vem a talhe de foice, acrescente-se, que Salazar, embora não tenha morrido da doença, foi outro tuberculoso célebre, tendo chegado a ser tratado no Caramulo (hoje, no Museu do Caramulo, pode ser visto um retrato dele na serra, da autoria de Eduardo Malta). Esse facto, que não foi muito divulgado, levou Winston Churchill a definir Portugal de uma maneira muito violenta, que só encontra eco no modo como Lord Byron nos tratou (“Com tal gente, / Ó Natureza! Por que desperdiçaste os favores?”):

“É um país de tuberculosos governado por um tuberculoso”.

O livro fala depois do Porto de Júlio Dinis, que apesar de médico doente não escreveu muito sobre a sua doença. Já o mesmo não se passou com António Nobre, também natural do Porto e o autor de “Só”, o livro mais triste que jamais houve em Portugal. São dele e desse livro os versos muito tristes (poema “Canto do Lume”):

“Mês de Novembro! Mês dos tísicos! Suando,
Quantos, a esta hora, não se estorcem a morrer!
Vê-se os padres as mãos, contentes, esfregando...
Mês em que a cera dá mais e a botica, e quando
Os carpinteiros têm mais obra p’ra fazer”.

E também são tristíssimos os versos do poema “Pobre tísica”, que começa assim;

“Quando ela passa à minha porta
Magra, lívida, quase morta,
E vai até à beira mar,
Lábios brancos, olhos pisados:
Meu coração dobra a finados,
Meu coração põe-se a chorar”.

A obra do Dr. António Almeida trata principalmente da longa luta travada contra a tuberculose no Porto, que incluiu, depois da chamada da atenção para a insalubridade nas “ilhas” do Porto por Ricardo Jorge em 1899, a criação pela Rainha D. Amélia nesse mesmo ano da Liga Nacional contra a tuberculose. Essa luta incluiu a angariação de fundos, como a venda do selo anti-tuberculoso, e a construção do Dispensário do Porto, da Colónia Sanatorial Marítima da Foz do Douro e do Sanatório Marítimo do Norte, na praia de Francelos (tal como os ares da montanha, os ares marítimos faziam bem à doença e houve quem fosse tratar-se para a Foz do Douro, assim como houve quem fosse – muitos deles nomes famosos – para a ilha da Madeira). O livro fala de outros sanatórios nortenhos como o de Montalto, no cimo da serra de Valongo, e o já referido Sanatório de D. Manuel II, que foi construído em 1933 no cimo do Monte da Virgem.

A tuberculose foi muito reduzida, em todo o mundo e também no Porto, com a descoberta da bactéria em 1882 pelo alemão Robert Koch (Prémio Nobel da Medicina em 1905). O primeiro sucesso de vacinação anti-tuberculose deveu-se aos franceses Albert Calmette e Camille Guerin em 1906. Foi a vacina BCG (Bacilo de Calmette e Guerin), usada pela primeira vez em seres humanos em 1921 (quem não se lembra dessa vacina no tempo da escola?). Mas só em 1946, com a preparação do antibiótico estreptomicina, o tratamento da doença se tornou possível. O norte-americano de origem russa Selman Waksman foi o autor da proeza, que lhe valeu o Prémio Nobel da Medicina de 1952.

No entanto, a luta com a doença está longe de estar terminada. A SIDA veio modernamente fazer recrudescer o velho mal. A tal ponto que o Dr. António Almeida termina o seu livro com um grito de revolta:

“Enquanto durar este tipo de mentalidade, enquanto as pessoas não forem informadas com verdade do poder da tuberculose, enquanto nas Universidades não se ensinar devidamente a realidade da tuberculose nas suas múltiplas facetas clínicas, enquanto a comunicação social não fizer uma campanha exigente, consertada e continuada no tempo, e enquanto a tuberculose não der votos, ou por outra, não sensibilizar os políticos, o Porto será a cidade portuguesa com maior número de casos de tuberculose, apesar de tudo o que atrás foi dito com verdade, com história e com alguma glória. Sinceramente não somos merecedores daqueles antepassados que tudo fizeram para que o mal não fosse maior”.

Tem uma correcção de um comentarista que refere que Amadeo de Souza-Cardoso (31 anos) faleceu em 1918 em consequência do surto pandémico da gripe espanhola.

sexta-feira, março 23, 2007

Em Portugal Passou-se O Mesmo Com Os Médicos Espanhóis.

Do blog Medicina Cubana:

martes, marzo 20, 2007

Médicos becados por Cuba causan conflicto en Honduras.

Los pobladores de las zonas rurales del país deberán seguir pagando las consecuencias de los conflictos entre la Secretaría de Salud y los médicos en servicio social. Hoy inicia la segunda semana en la que estos estudiantes de último año de Medicina se han declarado en asambleas informativas.
La razón del conflicto son los supuestos privilegios que Salud le ha otorgado a los estudiantes hondureños becados por Cuba, al permitirles hacer su servicio social sin cumplir el requisito de haber realizado un año de internado rotatorio.
Otra de las quejas es la pretensión de otorgarles un determinado número de plazas médicas directas sin que sean sometidas a concurso. Ángelo Murcia es uno de los médicos en paro y asegura que “las pláticas con la Secretaría (de Salud) ya iniciaron, pero hasta la fecha no hemos podido solucionar nada, esperamos que en el transcurso de la semana se logre resolver algo”, explicó.
LOS AFECTADOS
Salud desconoce la cantidad de pobladores que se han visto afectados por la medida de presión de los médicos en servicio social, pero sí se garantizó que son alrededor de 300 los centros de salud que se han visto perjudicados, la mayoría de ellos ubicados en la zona rural del país.

sexta-feira, março 02, 2007

A Menina Bonita Do Ministro Da Saúde, Queixa-se!

As Unidades de Saúde Familiar são a bandeira de luta do ministro CC e a solução para todos os males da Saúde, nomeadamente para a reestruturação das urgências.

Mas no site do jornal Médico de Família parece que a situação não é assim tão boa.

Eis o que diz um dos intervenientes (José Luís Biscaia) na formação de uma USF:

"Sem os meios necessários a reforma cai!

José Luís Biscaia, vice-presidente da APMCG, lança um aviso: a reforma dos Cuidados de Saúde Primários foi iniciada, mas ainda falta muita legislação de suporte, imprescindível à concretização do processo… Como também faltam muitas das ferramentas essenciais ao funcionamento e à avaliação do trabalho desenvolvido nas Unidades de Saúde Familiar.

A área das tecnologias da informação é, em campo de ineficiência, um exemplo pragmático, com a entidade responsável pelo sector, o IGIF, a revelar-se incapaz de resolver os muitos problemas que afectam o trabalho no terreno. Por exemplo, aponta o médico de família da Figueira da Foz, a sua USF está ligada ao CS por uma largura de banda de 512 kb. Este está ligado à SRS com uma largura de 1 mega… Que por sua vez comunica com o IGIF com uma capacidade de 2 mega.

Ora, não é preciso ser perito informático para perceber que basta que alguns profissionais estejam a utilizar a Internet em simultâneo para que o sistema bloqueie.

Isto, num país onde o Governo apregoa estar em curso um choque tecnológico. Atendendo ao que se passa no terreno, desabafa o médico, “fica a impressão de que na Saúde… Ainda não ligaram o disjuntor”.

Enquanto isso, a paciência dos milhares de profissionais que avançaram no terreno e dos muitos mais que aguardam por novidades para dar o primeiro passo, vai-se esgotando…

Sendo certo que em caso de colapso… A reforma será arrastada na queda!"

quinta-feira, março 01, 2007

Rupatadina, Ainda.

Um comentário anónimo reactiva os posts de 2005, aqui e aqui:

"Anônimo disse...
Além disso, o Rinialer NÃO está aprovado pela EMEA (Agência Europeia do Medicamento) nem pela FDA (Agência Americana de Comida e Medicamento). No que respeita à origem do fármaco, essa é Espanhola e o fabrico tb...
"

domingo, fevereiro 25, 2007