sexta-feira, abril 04, 2008

Tu Que Me Vais Ler És Doente E Não Sabes!

 

Podes estar no grupo de leitores (5 em cada 10) que sofre de uma doença maligna chamada hipertensão, ou melhor, doença hipertensiva, e se estás nesse grupo provavelmente ainda não sabes que és portador de uma doença que afecta uma das paredes das tuas artérias.

Essa doença, se não tratada conduz invariavelmente à morte por acidente vascular cerebral ou enfarte do miocárdio (de insuficiência renal não vais morrer porque já há hemodiálise).

Quando mediste a tua pressão arterial pela última vez? Passas horas aí sentado a olhar para mim e não fazes exercício, nem cuidas da tua saúde.

Vai medir a tua pressão arterial, porra!

Levanta-te e zarpa!

Se nunca a mediste, vai ao vizinho, à farmácia ou ao teu médico de família.

Mas lembra-te de uma coisa: medir a pressão arterial é como tirar a febre!

Apenas ficamos a saber que naquele momento ela estava alta.

É necessário medi-la mais vezes. E se estiver mais de três vezes seguidas igual ou acima de 140 e 90 milímetros de mercúrio ou entre os 120 e os 140 e/ou entre os 80 e 90 mmhg, BOLAS, marca já uma consulta para o teu médico de família.

Usa e abusa do teu médico de família (se o tiveres!) e se ele não te der uma resposta atempada faz queixa. Usa e abusa do livro amarelo. A tua vida está em perigo.

Para se morrer de hipertensão, não é necessário ela estar muito alta (desculpa se ficaste admirado, mas é mais um mito que tinhas que desaparece) mas que esteja acima dos valores considerados normais durante alguns anitos...

E não te esqueças: a merda desta doença não dá sintomas. Nem tonturas, nem dores de cabeça, nem comichões nos pés (outro mito, não?). Por vezes o primeiro sintoma é a morte...

O Jornal de Notícias falou-nos disso aqui:

"Hipertensão está a ser desvalorizada
A hipertensão é uma doença que em Portugal está subvalorizada, situação que tem levado a hipertensões não controladas, responsáveis por lesões várias que podem provocar a morte do doente, alertou uma especialista portuguesa no Congresso Anual de Cardiologia dos Estados Unidos que ontem terminou em Chicago. No encontro foram apresentadas novas formas de tratar a hipertensão, uma doença que afecta 25% dos europeus e 42% dos portugueses.
"É neste tipo de Congresso que aparecem os resultados dos grandes ensaios de fármacos que nos dão algumas respostas de como tratar, por exemplo, doentes hipertensos e neste congresso apresentaram-se os resultados de três estudos, um deles de uma enorme importância", explicou à Lusa uma médica portuguesa presente.
Paula Alcântara, uma entre muitos especialistas portugueses que participaram no 57º Congresso Anual de Cardiologia,considera que a doença no nosso país não está mal diagnosticada, está antes "subdiagnosticada" porque está "desvalorizada".
Prova disso está o facto da hipertensão afectar cerca de 42% de portugueses, mas só 12% desses ter a doença controlada, segundo os dados do único estudo feito sobre esta doença em Portugal."

PCP denuncia aumento de fosso entre ricos e pobres

O Jornal Público, informa:

03.04.2008 - 16h10 Sofia Rodrigues


O fosso entre ricos e pobres “quase duplicou” entre 1995 e 2006, alerta o PCP. “Em 2006, o rendimento médio anual das famílias 10 por cento mais pobres era 8,9 vezes inferior aos ganhos dos 10 por cento mais ricos e há dez anos a diferença era apenas 4,6 vezes”, disse hoje Agostinho Lopes, deputado do PCP, no Parlamento.



O deputado referia-se à análise dos dados das despesas de famílias divulgados há dois dias pelo Instituto Nacional de Estatística.




Faz-se assim anunciar o fim da classe média, iniciando-se paulatinamente o processo da globalização do futuro proletariado.

quinta-feira, abril 03, 2008

O nosso modelo de desenvolvimento é que causou esta epidemia de obesos


Entrevista da Drª Isabel do Carmo, no suplemento do Público, Peso & Medida.


Boa entrevista da colega como é hábito, extremamente didáctica, a precisar de intervenção do MS/DGS com programa específicos de intervenção alimentar nas escolas, mais concretamente nos refeitórios, buffetes e máquinas de alimentação automática espalhadas de norte a sul por essas escolas, Centros de Saúde e Hospitais, já que como o povo diz, "santos da casa não fazem milagres".



DEPURALINA ...o poder da publicidade e da crendice



Em apenas três meses, foram vendidas 165 mil embalagens de Depuralina, o suplemento alimentar publicitado como coadjuvante de emagrecimento e retirado do mercado depois de reportados três "episódios tóxicos graves".
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Hoje, a distribuidora do suplemento - que garante ter cumprido a legislação sobre a matéria - decide se vai processar o Ministério da Agricultura, por alegadamente ter ordenado a suspensão do produto sem fundamentos.
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Neste negócio milionário - os portugueses compraram 850 mil unidades de produtos de emagrecimento num ano -, importa saber até que ponto estes produtos são eficazes e seguros.Para se introduzir no mercado português um suplemento alimentar - seja para emagrecer ou para qualquer outra aplicação - basta comunicar essa intenção ao Gabinete de Planeamento e Políticas (GPP), do Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas. Não é necessário uma autorização nem estudos clínicos que comprovem a eficácia porque, em rigor, não é um medicamento. À Autoridade de Segurança Alimentar e Económica compete a fiscalização do produto, mas não se trata de uma condição prévia à sua comercialização.
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Como não são medicamentos, os suplementos alimentares não carecem de autorização da Autoridade do Medicamento (Infarmed) nem são sujeitos ao mesmo tipo de controlo de qualidade. Isso não significa que os suplementos alimentares não estejam regulamentados. Há legislação sobre a matéria, em transposição de directivas comunitária, que determina quais as substâncias autorizadas e as regras de rotulagem.O que não existe é qualquer controlo sobre quem os usa ou em que condições são tomados. Ou seja, como são de venda livre, qualquer pessoa pode comprar os suplementos que desejar, abusar das doses e misturar à medida da sua ignorância.
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Outro perigo - porventura o mais comum - é o da ineficácia total. Porque numa coisa os especialistas convergem sem alterar o estilo de vida (alimentação e exercício o), não há emagrecimento saudável e duradouro.

Apetece perguntar: e quem processa o Estado português e o Ministério da Saúde por deixar que isto seja possível?

E quem controla a publicidade paga nos orgãos de comunicação social escrita e falada, que estimulam a venda a e crendice? Não são só anúncios, não são só spots publicitários radiofónicos...são inclusive entrevistas pretensamente científico-médicas!

Mas a família não autorizou a autópsia...

Morreu após longa espera no hospital. Família acusa hospital de manter idoso em cadeira de rodas demasiado tempo até ser socorrido
http://jn.sapo.pt/2008/04/03/primeiro_plano/morreu_apos_longaespera_hospital.html
Ao todo foram quatro horas, desde que J.M. entrou nas urgências do Hospital Curry Cabral, em Lisboa, anteontem à tarde, até finalmente ter sido observado por um médico daquela unidade de saúde, perante os apelos insistentes da família. Mas já era tarde de mais. O octogenário acabou por falecer cerca de meia hora depois, com o clínico que o assistiu aos gritos com os colegas, pela falta de assistência a que o idoso terá sido sujeito, garantem os familiares, que equacionam apresentar uma queixa à Direcção-Geral de Saúde.
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"Pelas 22 horas, com a nossa insistência, um médico, que ia a sair, decidiu ver o que se passava e ficou estupefacto", descreveu a neta. Segundo esta, o clínico, apercebendo-se da gravidade do caso, terá mostrado publicamente o descontentamento pelo cenário em que encontrou o idoso. "Começou aos gritos, dizendo que o meu avó estava pior do que quando entrou. De repente, surgiram médicos e enfermeiros de todo o lado a querer ajudar", acrescentou a familiar.
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Porém, com o sofrimento causado por todo este episódio, a família não permitiu que fosse realizada a autópsia. "A morte foi há poucas horas. Se a família apresentar uma queixa, realizaremos um inquérito", salientou Manuel Delgado, administrador do Curry Cabral. O funeral realiza-se hoje.

Lamentavelmente toda esta cena trágica não é acompanhada por ao menos uma fotografia a preto e branco da tal familiar que com tanto sentido dramatico faz o relato dos acontecimentos, incluindo o comportamento histriónico de um clínico, e assim perde um bocadinho do direito à fama. Ou será que este relato sai da pena dramaturga do jornalista ?

Malvada da Triagem de Manchester que tanta margem de erro tem nos seus algoritmos...e logo isto haveria de acontecer no hospital dirigido pelo Sr. Dr. Manuel Delgado!

terça-feira, abril 01, 2008

Novo: A Ingerência On-line dos Media no Funcionamento das Instituições da Saúde!

Pela primeira vez, um jornal digital coloca uma notícia (ou não-notícia!) no seu site reportando situações que ainda se estão a desenvolver num banco de urgência.

Esta ingerência vai colocar os médicos e restante pessoal da saúde perante a intensa pressão dos media on-line.

No Diário Digital de hoje.

"V. F. Xira: Cardíaca por atender na Urgência há oito horas

Uma idosa com problemas cardíacos entrou há mais de oito horas na Urgência do Hospital de Vila Franca de Xira, onde a falta de médicos impede hoje a assistência atempada de doentes, indicaram um familiar e uma médica.

Em declarações à Agência Lusa, David Pereira contou que a sua sogra, de 77 anos, deu entrada na urgência hospitalar às 16:30 de segunda-feira, com problemas cardíacos, depois de ter passado pelo Serviço de Atendimento Permanente de Benavente.

“Já preenchemos quatro impressos a pedir informações e não sabemos de nada. Não sabemos se fez análises, exames, se está melhor ou pior”, relatou David Pereira, acrescentando logo de seguida, citando informações posteriores de uma administrativa, que a sogra “está a ser medicada e avaliada”.

Segundo David Pereira, algumas pessoas que aguardavam notícias dos seus familiares formavam “fila” para apresentar queixa no livro de reclamações.

A chefe da equipa médica da Urgência, Alice Frazão, justificou à agência Lusa a demora no atendimento aos doentes com a falta de clínicos.

“Temos três médicos desde as 08:30 [de segunda-feira] ao serviço quando deveriam estar sete”, frisou, acrescentando que às segundas-feiras é habitual haver “muitos doentes e poucos médicos”.

A 03 de Março, precisamente numa segunda-feira, a Lusa foi confrontada com a grande afluência de utentes na Urgência, que levou doentes a esperarem durante várias horas assistência em macas por falta de camas nas enfermarias.

Nesse dia, de acordo com David Pereira, a sogra teve alta depois de estar 36 horas deitada numa maca.

“Deram-lhe alta porque não tinham sítio onde a meter”, reclamou.

Diário Digital / Lusa"

Autarquias vigilantes...Hey, Hey Silver !

Na Lourinhã já vigora o espírito dos Agrupamentos de Centros de Saúde, de intervenção e vigilância autárquica... onde estará o Tonto?

Falha na compensação do encerramento do SAP.
Centro de Saúde da Lourinhã com nova equipa após incumprimento de protocolo.

01.04.2008 - 17h18 Lusa

"O centro de saúde da Lourinhã tem, a partir de hoje, uma nova equipa directiva, após o incumprimento pela anterior directora do protocolo estabelecido em Março entre a Administração Regional de Saúde de Lisboa e a câmara municipal.

O incumprimento do acordo estabelecido há um mês entre a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo e a Câmara da Lourinhã, que previa medidas de compensação pelo encerramento do Serviço de Atendimento Permanente (SAP) provocou a demissão da directora do centro de saúde, disse fonte da autarquia.

"O acordo não estava a ser cumprido e segunda-feira foi o último dia da antiga directora do centro de saúde [Natália Reis]", disse hoje o presidente da Câmara da Lourinhã, José Custódio (PS). "Se não fosse a insistência da Câmara não teria havido a demissão da directora que, apesar da boa vontade dos médicos, se recusava a pôr em prática o protocolo", afirmou o autarca. Segundo o autarca, a anterior responsável "elaborava despachos contra o protocolo". "Não estava a cumprir os horários nem o serviço que devia ser feito, não havia oxigénio, aerossóis ou linhas se alguém necessitasse de ser suturado", referiu José Custódio".
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Nota: Silver e Tonto são personagens da antiga serie televisiva Lone Ranger ( Mascarilha)

segunda-feira, março 31, 2008

Portugal no seu melhor...

Avaliação de profissionais de medicinas alternativas contestada.
31.03.2008, Catarina Gomes, no Público.

"Profissionais criticam que só dois de oito documentos sejam postos à discussão pública. Lei existe há cinco anos, mas tarda a ser regulamentada
A proposta da comissão técnica consultiva das terapêuticas não-convencionais de fazer passar todos os seus profissionais por um processo de avaliação e certificação está a ser contestada. Apesar disso, este é um dos pontos que deverão ficar de fora da discussão pública prevista para Abril.


A lei que enquadra as terapêuticas não-convencionais já existe há quase cinco anos, mas tarda a ser regulamentada (o diploma previa 180 dias). A comissão técnica criada para propor a regulamentação reúne-se hoje e o objectivo é que no próximo mês sejam postas à discussão pública algumas das suas propostas, com os documentos disponíveis no site da Direcção-Geral de Saúde (DGS)."

Enquanto isto, proliferam os charlatães... se com a dita regulamentação se pretendia conferir seriedade e um mínimo de credibilidade ás terapêuticas não convencionais, tal ficou no papel...

INEM ainda não chega a 32 concelhos

INEM ainda não chega a 32 concelhos.
Bombeiros afirmam que rede de ambulâncias discrimina interior do país
31.03.2008 - 14h30 Lusa

"A actual rede de ambulâncias discrimina os cidadãos do interior do país, denuncia a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), que hoje entrega ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) um memorando sobre as necessidades dos serviços de socorro."Todas as situações gravosas nos serviços de emergência médica conhecidas nos últimos tempos têm acontecido em zonas de menor densidade populacional", observou Duarte Caldeira, presidente da LBP.

O responsável realça que existem actualmente 32 concelhos do país onde não existe qualquer ambulância do INEM e que "quem vive nestes concelhos está dependente da disponibilidade de tempo e da disponibilidade financeira da corporação local".

De acordo com Duarte Caldeira, sem um acordo com o INEM, o qual permite ter uma "ambulância completamente equipada, com uma tripulação de bombeiros completamente qualificados", não há apoio financeiro e é a corporação que assume toda a responsabilidade pelo socorro.O presidente da LBP lembra que "o cidadão tem os mesmos direitos, quer viva numa aldeia recôndita em Vila Real, quer viva em Lisboa", pelo que defende uma rede equilibrada de modo a garantir "a mesma qualidade e prontidão de resposta" a todos os cidadãos.

Para tal, diz serem necessárias mais 50 ambulâncias e 200 tripulantes qualificados.Um dos 32 concelhos que não tem ambulâncias do INEM é Alijó, onde um telefonema do INEM para os bombeiros locais após o pedido de assistência de uma família de Castedo divulgado pelos meios de comunicação social revelou algumas deficiências da rede de socorro.

Em Alijó, segundo anunciou o presidente da LBP, já está em curso um processo de qualificação de operadores de central e de tripulantes, em parceria com a câmara municipal. A definição de uma rede nacional de ambulâncias que cubra todo o país, assegurando a existência de pelo menos uma ambulância do INEM em cada concelho, é a principal proposta de um memorando que a LBP vai entregar hoje sobre as necessidade dos bombeiros para melhorar a qualidade do socorro.

O documento a entregar ao INEM, que sugere uma "ampla reestruturação do socorro pré-hospitalar, estruturado em 1981", propõe também aprovar com urgência um plano para a formação de tripulantes de ambulâncias, para colmatar o défice de tripulações qualificadas. A LBP propõe ainda a criação de uma nova formação: a de técnico de emergência médica. Sem afastar a importância da presença do médico no socorro, Duarte Caldeira lembra que "há actos que são interditos aos tripulantes, que recebem uma formação de apenas 210 horas", como a utilização de desfibrilhadores para a reanimação.

O memorando entregue hoje surgiu no âmbito do trabalho iniciado em conjunto pela LBP e pelo INEM sobre as necessidades de pessoal e ambulâncias no socorro, no âmbito do qual foram constituídas equipas de missão para identificar problemas e definir soluções para serem propostas ao Ministério da Saúde."

Este problema da criação de uma rede de ambulâncias de socorro a nível nacional, parece simples de resolver, no entanto torna-se deveras dificil de implementar devido a interesses instalados, com os quais a saúde não devia ter nada a ver com eles.

  • Existe um Instituto Nacional de Emergência Médica, que como o próprio nome diz devia ter implantação nacional.
  • Os efectivos deste Instituto devem ser profissionalizados e não voluntários.
  • Devem ter a formação necessária e contínua, para as aptidões que irão desempenhar.
  • Este Instituto deveria tratar do socorro e transporte de todos os tipos de doentes.

Partindo destas quatro premissas, parece ser simples resolver os problemas mas, eis que o mesmo surge quando, a bem de uma economia de escala, se misturam funções não miscíveis, bombeiro voluntário com técnico de emergência médica.

Mulher deve poder escolher o tipo de parto

Especialistas apontam divergência entre particular e público.
Mulher deve poder escolher tipo de parto, diz Associação Portuguesa de Bioética 28.03.2008 - 20h38 Lusa
O presidente da Associação Portuguesa de Bioética, Rui Nunes, defendeu hoje que as mulheres devem ter o direito no Serviço Nacional de Saúde a escolher a sua via de parto preferencial.O parecer, apresentado por Rui Nunes, também director do Serviço de Bioética e Ética Médica da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), evidencia que o casal, e em especial a mulher grávida, deve ter o direito a escolher entre a cesariana e o parto normal de maneira a "padronizar as práticas no sistema de saúde português". Segundo os especialistas de Bioética "assiste-se a disparidades gritantes entre as práticas verificadas no sector público e no sector privado". No mesmo documento é referido que "é necessário efectuar uma avaliação económica rigorosa" pois a "generalização da possibilidade de escolha da via de parto pode originar um agravamento dos custos com a prestação de cuidados de saúde". O parecer, que será apresentado à ministra da saúde Ana Jorge, refere ainda que deve ser dado um "aconselhamento adequado" em todas as unidades de saúde, preferencialmente logo desde o início da gravidez.

O Professor Drº Rui Nunes, evidencia neste artigo do Público, que a mulher deve ter o direito de escolher entre a cesariana e o parto normal de maneira a padronizar as prácticas no público e da privada.

Esquece-se o Professor que está a partir de um pressuposto errado, na privada existem um número superior de partos por cesariana para facilitar a agenda dos obstetras e dos pais, em contrapartida na pública tenta-se deixar cumprir os acontecimentos, tendo em conta o relógio biológico da futura mãe se assim for possível, avançando para a cesariana como última hipótese.

Colocar esta decisão nos pais, sem um esclarecimento consentido evidente e totalmente esclarecido, penso ser inverter as "regras do jogo biológico" e como tal não respeitar os princípios bioéticos, já para não falar de outros problemas adjacentes a esta situação.

domingo, março 30, 2008

A CUBA DO VALE DO SOUSA !

O Hospital Padre Américo - Penafiel está de parabéns. Aproveitando bem as possiblidades que o estatuto EPE possibilita, estabeleceu uma parceria público-privada com uma clínica oftalmologica da cidade do Porto e em dois anos resolveu o problema das listas de espera para consultas e cirurgias de Oftalmologia na sua área de influência e ainda resta capacidade para ajudar a resolver as carências de outras instituições hospitalares vizinhas. E como é que isso foi conseguido? Onde está o segredo da abelha? Ora pois nada mais simples: aproveitando as instalações e equipamentos, em termos físicos e temporais, e pagando a quem faz as consultas e cirurgias ...

Rede de Urgências é para cumprir

A ministra da Saúde, Ana Jorge, reafirmou ontem, em Oliveira de Azeméis, que o mapa das Urgências Hospitalares, traçado pelo seu antecessor, Correia de Campos, é para cumprir, afastando desse modo a possibilidade de o Governo voltar atrás e, eventualmente, reabrir serviços que entretanto foram fechados.
in Publico 30-03-2008

Hoje nas intalações do CS, foi inaugurado o SUB de Estremoz, na sequência do fecho do SAP do CS.
Este SUB, estava planeado de acordo com o relatório da Comissão Técnica de Apoio ao Processo de Requalificação das Urgências, é um facto, mas como a Srª Ministra bem diz e se refere às urgências hospitalares, resta saber de quem é a responsabilidade dos recursos afectos a este SUB?
CS ou Hospital?

Portugal: A Caminho de um País Selvagem!

Do Público, via SIC: mais um brutal atropelamento de jovens adolescentes em estranhas circunstâncias e posterior fuga.

Depois da "mudança do estado de alma" é necessária "a salvação das almas dos portugueses" especialmente daquelas que se movimentam em dois pés.....

sábado, março 29, 2008

Sem comentários! Mas Dê-me O Seu Voto.

Mudança de postura na visita a Viseu

Sócrates assume "face humana" após “três anos a disfarçar estados de alma”.

 

Vote.

doutor pedro

Ao email do memai chegou este anúncio. Provavelmente através de spam e não para pulicação, mas achei interessante a adaptação aos novos tempos dos "alternativos", que, apesar de funcionarem pela literacia científica das pessoas, usam as TI em todo o seu explendor.

 

Reparem: "sorte nas candidaturas", "desporto", "Exames e protecção contra perigos como acidentes em todas as circonstâncias", "Faz emagrecer ou engordar ajuda para ter filho (engravidar)".

 

"doutor pedro

espiritualista medium naturopata

O mais importante da mediuminidade e espiritualidade è obter resultados, rapidos e garantidos a 100%. Dotado de poderes, ajuda a resolver problemas dificeis ou graves em pouco dias, tais como: Amor, insucessos, depressões, negocios, injustiças, casamento, impotência sexual, maus olhados, doenças Espirituais, sorte nas candidaturas, desporto. Exames e protecção contra perigos como acidentes em todas as circonstâncias. Aproxima e afasta pessoas amadas, com rapidez total. Se quer prender uma vida nova e pôr fim a tudo o que o preocupa, nâo perca tempo, contacte o dr pedro e ele tratará o seu problema com eficácia e honestidade. Faz emagrecer ou engordar ajuda para ter filho (engravidar).

consulta á distancia e pessoalmente de segunda a sabado, das 9 ás 21 horas

CONTACTO 21xxxxxxxx ou 96xxxxxxx 91xxxxxxx ou 93xxxxxxx"

sexta-feira, março 28, 2008

O GRÁVIDO...OU AMERICAN BEAUTY DO SEC XXI

Pela primeira vez, um transexual masculino poderá ter um filho
27.03.2008 - 18h09 Sofia da Palma Rodrigues
Thomas Beatie vive no estado norte-americano de Oregon e será, dentro de quatro meses, o primeiro transexual a dar à luz uma criança. Depois de uma tentativa falhada, e de médicos se terem negado a tratá-lo, Beatie conseguiu engravidar. Na ficção, Arnold Schwarzenegger já o tinha conseguido em ”Júnior”. Na vida real é a primeira vez que acontece.

Beatie nasceu mulher e, desde que resolveu mudar de sexo, submeteu-se a tratamentos de testosterona. Eliminou os peitos femininos e teve a sua última menstruação há mais de oito anos. Resolveu contudo conservar os seus órgãos reprodutores: “Ter um filho biológico não é um desejo masculino ou feminino, é um desejo humano”, afirmou num artigo publicado na revista norte-americana para a comunidade gay “The Advocate”.

A vontade de ter um filho tem mais de 10 anos, altura em que Beatie casou com Nancy, a sua mulher. Como Nancy não podia ter filhos, fruto de uma histerectomia a que foi sujeita há 20 anos, Beatie resolveu recorrer à inseminação artificial e a um banco de esperma. Para conseguir engravidar teve que deixar os tratamentos de testosterona durante quatro meses. “O meu corpo regulou-se por si mesmo. Não tive que tomar estrógenos nem progesterona para favorecer a fertilidade”, afirmou.

Segundo Mário de Sousa, especialista em reprodução medicamente assistida, Thomas Beatie é uma mulher com suave aparência masculina através do recurso a um processo de alteração do corpo: o especialista chama-lhe estectomia e endogeneização. “A testosterona tomada poderá ter provocado uma atrofia nos órgãos reprodutores femininos mas há muitas pessoas que conseguem recuperar o metabolismo normal. Se assim for, não há nenhuma diferença entre o aparelho reprodutivo deste transexual e o de uma mulher”, esclarece o especialista.

Quando questionado acerca de como se sentia um "homem grávido”, Beatie respondeu: “Incrível. Estou estável e seguro de mim mesmo como homem que sou. Eu serei o pai, Nancy a mãe, e seremos uma família”. “Sou um transgénero, legalmente homem e legalmente casado”, afirmou. E, por isso, diz não encontrar qualquer entrave na sua gravidez. “Para os nossos vizinhos, para a minha mulher Nancy e para mim não parece nada fora do normal”, resumiu Beatie.Apesar disso, admite que todo o processo foi um desafio e lamenta que muitos médicos o tenham discriminado. “Alguns rejeitaram-nos por causa de crenças religiosas. Outros recusaram dirigir-se a mim como um homem e reconhecer a Nancy como minha mulher. Nem mesmo alguns amigos e familiares nos apoiaram, a maioria da família da Nancy nem sequer sabia que eu era transexual”, desabafa Beatie.

Mário de Sousa diz este tipo de situações também se verificam em Portugal, rejeitando-se ilegalmente o tratamento deste tipo de casais nos centros de reprodução medicamente assistida.

ALICIANTE

Aliciante e motivador é como poderei definir o convite de um(a) colega e amigo(a) para com ele(a) colaborar na manutenção (e quiçá enriquecimento pela diversidade) deste Médico Explica.

A minha perspectiva será necessariamente diferente da do MEMAI n.º 1...mas aquilo que nos une na análise das situações e no posicionamento interventivo é bem mais do que aquilo que, salutarmente, nos diferencia.
MEMAI n.º 2 ( ou será o n.º 3 ?)
ao 28º dia do terceiro mês do ano da graça de 2008 ( por acaso...data do meu aniversário...ah...a idade nem às paredes confesso)

Novos Membros!

Manter um blogue é difícil. Postar com regularidade, ainda mais difícil.

Por isso o autor deste blogue alargou desde o início do ano a "postagem" a mais dois colegas, em período experimental.

Agora em efectividade de funções, os novos membros, tanto poderão assinar como Médico Explica , quer com os seus nicknames.

E assim continuará a ser, polémico e educado, esclarecedor e lutando contra a iliteracia científica e agora com maior frequência. Esperemos que para melhor!

O blogue, amado por uns e odiado por outros, continuará com a sua MISSÃO: "Explicar Medicina A Intelectuais", explicando e não ensinando.

segunda-feira, março 24, 2008

Apenas Uma Faceta Da Medicina Defensiva.

Óbitos: Causas de quase 13 mil ficaram por esclarecer, in Diário Digital.

"Quase 13 mil pessoas morreram, em 2005, em Portugal, sem que os médicos
conseguissem determinar a causa da sua morte, tendo-se apenas em metade dos
casos procurado esclarecer os motivos que levaram aos óbitos, através de
autópsias, noticia hoje o Público."

Eu, médico, me confesso autor de muitas certidões de óbito onde escrevo: morte de causa desconhecida.

Por vezes temos quase a certeza da causa de morte, mas não vá algum familiar ou advogado tecê-las e dizer: Ah se morreu por isto poderia ter sido salvo se e se e se e se e se, portanto foi negligência.

Assim, com esta causa, caso o tribunal decida faz-se uma autópsia que é um dos exames mais específicos para determinar a verdadeira causa de morte....

sábado, março 22, 2008

Piercingues Húmidos (Segundo O Novo Acordo Ortográfico...)

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Neste novíssimo blogue .Blog e do post O piercing proibido II, retirei uma crónica de Ferreira Fernandes, no Diário de Notícias:

GOVERNO SIMPLIFICA A LÍNGUA
Num país em que "a minha pátria é a língua portuguesa" era inevitável o sobressalto patriota. Aconteceu ontem: fica proibido pôr um piercing na pátria. Comprova-se a vontade em simplificar a língua: depois do acordo ortográfico, tira-se o piercing. A pátria ficou mais coesa: havia portugueses com piercing na língua e portugueses sem piercing na língua - ficou um país de língua única (t irando o mirandês). Quando a lei sair no Boletim, a língua oficial é sem piercing. Tudo porque, parece, um piercing pode matar. Por isso o Governo decidiu perder o latim com o assunto: não quer uma língua morta. Legislou-se, pois, para que haja tento com a língua. Mas se passa a ser proibido, passa a poder ser controlado. Como? Vejo o polícia: "Importa-se de nos mostrar a língua?" É o tipo de caça à multa sem escapatória. Se um cidadão tem piercing, e mostra, multa-se por infringir a nova lei. Se não tem, multa-se por causa da lei antiga: mostrar a língua à autoridade é desrespeito.
Ferreira Fernandes, in Diário de Notícias

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Piercing site.

Potential Complications of Body Piercings.

Ear Allergic reaction, auricular perichondritis, embedded earrings, infection, keloid formation, perichondral abscess, traumatic tear.
Genitals (women) Allergic reaction, compromise of barrier contraceptives, infection, keloid formation.

Genitals
(men)

Frictional irritation, infection, paraphimosis, penile engorgement, priapism, recurrent condyloma, urethral rupture, urethral stricture, urinary flow interruption
Mouth

Airway compromise, altered eating habits, gingival trauma, hematoma formation, increased salivary flow, infection, injury to salivary glands, interference with radiographs, loss of taste, Ludwig's angina, pain, permanent numbness, speech impediments, tooth fracture or chipping, uncontrolled drooling

Navel (umbigo) Bacterial endocarditis,* frictional irritation, infection, jewelry migration and rejection
Nipples (mamilos) Abscess formation, bacterial endocarditis,* breastfeeding impairment, infection
Nose Infection, jewelry swallowing or aspiration, perichondritis and necrosis of nasal wall, septal hematoma formation
Referência aqui.

*-In patients with moderate- to high-risk cardiac conditions.

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quinta-feira, março 20, 2008

'Hooligans' nos jornais!

Que Emídio Rangel é um homem violento, já sabíamos.

Agora que responde de forma despropositada e desproporcionada a uma pacífica manifestação de professores, não sabíamos.

Se os professores que vieram a Lisboa "em autocarros alugados pelo Partido Comunista" - por aqui se pode ver como Rangel parou no tempo, são hooligans que dirá o Emídio à aluna que agrediu uma professora (estava no youtube, estava!) em plena sala de aula? Talvez uma "serial killer".

Aconselho o nosso Rangel a consultar um médico urgentemente: pode começar pelo seu médico de família que após uma primeira observação, tanto o poderá enviar para um colega neurologista se suspeitar de demência tipo Alzheimer, ou para um psiquiatra, se suspeitar de uma esquizofrenia em fase paranóica.

 

Só lendo, pois contado ninguem acredita...

 

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sábado, março 15, 2008

Solidariedade.

Do blogue

Timor Online - Em directo de Timor-Leste:

 

"Médicos cubanos atenderam a mais de 2 milhões de pessoas no Timor-Leste

GRANMA INTERNACIONAL/ EDICAO DIGITAL
Havana. 14 de Março de 2008
POR KATIA SIBERIA GARCÍA
OS médicos cubanos que prestaram serviços no Timor-Leste chegaram a Cuba ontem, à noite, após dois anos de colaboração nessa ilha do Sudeste asiático. No aeroporto internacional "José Martí", foram recebidos pelo membro do Bureau Político e ministro da Saúde Pública, José Ramón Balaguer Cabrera.
Os médicos cubanos salvaram pessoas em meio a constantes conflitos armados, atenderam a mais de 2 milhöes de pacientes, criaram uma Faculdade de Medicina onde se estão formando 148 médicos timorenses e contribuíram para a redução da taxa de mortalidade infantil. Estas são algumas das tantas experincias e conquistas dos 177 membros da brigada médica cubana nesse país.
O chefe da brigada, Roberto Fernández Cordovés, disse ao Granma que durante a recente crise política no Timor-Leste, apenas permaneceram no país os cooperadores cubanos, razão pela qual, disse, "fazemos parte da história desse povo".
O ministro da Saúde Pública manifestou sua admiração e respeito pelos internacionalistas, aos quais congratulou, especialmente, por seu complexo e corajoso desempenho, mesmo pondo em perigo suas vidas."

sexta-feira, março 14, 2008

Subscrevo...

Crónica publicada no Diário de Notícias de 11-03-2008.

 

"AS MATERNIDADES NÃO DEVIAM CHEIRAR A ÉTER


João Miguel Tavares
jornalista
jmtavares@dn.pt

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O Guilherme nasceu há dez dias no Hospital de Santa Maria. É o meu terceiro filho. Graças a ele, fiquei a fazer parte de uma elite cada vez mais elitista: só uma em 20 famílias portuguesas tem três filhos ou mais. Portanto, a partir de agora, podem esperar textos sobre os escalões de IRS para famílias numerosas (uma infâmia), a escassez do Estado no ensino pré-escolar (uma vergonha) e a ausência de apoios à maternidade (um escândalo). Sabem como é: cada um queixa-se onde lhe dói. Mas, no caldo político e social em que estamos mergulhados, a falta de atenção em relação às famílias é realmente extraordinária. E começa no dia um - o dia em que os nossos filhos nascem.


Não me interpretem mal. As maternidades de Lisboa estão cheias de médicos que sabem o que estão a fazer, o parto correu muito bem, o bebé nasceu fresquíssimo e dois dias depois a minha mulher já estava em casa. Só que toda a competência técnica revela, ao mesmo tempo, uma enorme escassez do factor H - aquele pingo de humanidade que faz a diferença entre o parto ser um obstáculo a ultrapassar ou uma experiência a recordar. Em Portugal, é um obstáculo. Uma operação cirúrgica assim como se fosse uma apendicite. Aliás, desconfio que a única coisa que neste país distingue uma maternidade de um hospital é não se enviar para incineração aquilo que se extrai da barriga.


Juro que não sou picuinhas. Quando se chega ao terceiro filho já se exibem orgulhosamente as feridas de guerra. Mas continuo sem perceber porque é que os pais são tratados como um empecilho que é preciso aturar: assinam papéis para aceitarem ser escorraçados da sala de partos mesmo quando não chegam a entrar nela (não podem assistir às cesarianas); têm de ameaçar imolar-se à porta de entrada só para saberem se a mulher que desapareceu há duas horas já levou a epidural; são informados do nascimento via fax (a sério) uma hora depois de o bebé ter efectivamente nascido; só podem ir ter com a mãe e com o filho à enfermaria a partir da uma da tarde e são tratados como qualquer visita; enxotam-nos para fora do quarto sempre que uma enfermeira entra para medir a tensão, mudar o soro ou enfiar mais uma cama; e nem sequer ao refeitório têm autorização de acompanhar a mulher, com medo, sabe-se lá, que acabem a roubar a sopa das outras parturientes. Tudo isto é um absurdo em pleno século XXI.

Quando por toda a Europa se procura transformar o parto num acto íntimo e familiar, por cá as crianças continuam a nascer imersas em éter e num profissionalismo frio como a lâmina de um bisturi. O País não é grande coisa, é certo, mas ao menos podia receber os seus filhos com alguma alegria."

quinta-feira, março 13, 2008

Mesmo Não Residindo em Vitorino de Piães...

... e só pelo que dizem os jornais, julgo que aqui haverá um processo de sinistrose. Quantas pessoas não sofrem de "... cervicalgia e lombalgia degenerativas". Milhares e milhares.

 

A sinistrose não deixa de ser uma doença, mas psíquica...

"Ana Maria Brandão com mais um mês de baixa


PAULO JULIÃO, Viana do Castelo

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De baixa em baixa, esta é a sina da funcionária pública de Ponte de Lima, vítima de uma doença degenerativa que a faz depender de terceiros para "sobreviver". Depois de ver dois pedidos de reforma antecipada recusados pela Caixa Geral de Aposentações (CGA), Ana Maria Brandão está de baixa médica desde Dezembro, por depressão e assim vai continuar pelo menos durante mais 30 dias.
"A minha vida agora é isto. De baixa, sem salário e a depender dos meus pais para comer e comprar medicamentos", afirmou ao DN Ana Brandão, depois de segunda-feira ter visto a médica de família renovar-lhe a baixa. "Só queria que me dessem paz para lutar contra a minha doença", conta, desiludida. Entretanto, já pediu à CGA o respectivo processo clínico de forma a solicitar uma nova (a segunda) junta médica de recurso, mas esta já ao abrigo das novas regras, que recentemente entraram em vigor.
Portadora de cervicalgia e lombalgia degenerativas, Ana Maria Brandão, de 44 anos, funcionária administrativa da Junta de Freguesia de Vitorino de Piães, em Ponte de Lima, esteve três anos de baixa mas a 5 de Novembro de 2007 foi obrigada pela CGA a regressar ao trabalho. Tal como faz no seu dia-a-dia, cumpriu o horário laboral sempre acompanhada pelo pai, sentada numa cadeira, encostada a uma parede. Isto até que o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, anunciou que entraria novamente de baixa médica até que a CGA procedesse à reapreciação do caso, o que acabaria por ditar, nesse mesmo mês, novo "chumbo".
Para agravar a situação, já não recebe o salário desde Dezembro, depois de a junta ter decidido, unilateralmente, que Ana Maria iria de "licença sem vencimento".
"Mas eu pedi alguma coisa dessas? Deixam de me pagar, não me dão satisfações, mais pareço um boneco", afirma Ana Maria Brandão, revoltada.
"|

O Polvo da Indústruia Farmacêutica!

Diz o Prontuário Terapêutico (oficial, científico e não comercial):

"Estão disponíveis no mercado várias preparações contendo lisados

bacterianos, dotados de antigenicidade capaz de induzir resposta imunitária.

São propostos fundamentalmente como profilácticos de infecções várias,

sobretudo do tracto respiratório. Apesar de existirem alguns trabalhos

publicados com resultados favoráveis, são necessárias provas adicionais,

para se poder tirar ilações conclusivas sobre a sua utilidade clínica. Uns

podem ser utilizados por via oral e outros por via injectável (IM e SC). A via injectável pode dar origem a sensibilização."

Diz o Correio da Manhã, de 5 de Março de 2008 (popular, iliterato e obscurantista, comercial, omitindo a posição oficial). Que estará o Correio da Manhã a preparar. Conluiado com quem?


"Saúde: Prevenção de infecções respiratórias. Gotas infantis esgotadas

Pedro Catarino
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Um frasco que custa 3,71 euros, a uma ou duas gotas por narina, duas vezes ao dia, chega para cerca de dois meses

O medicamento de uso infantil Biopental, que actua como profiláctico de constipações, gripes e outras infecções das vias respiratórias, está “esgotado há imenso tempo”, segundo apurou o CM junto de várias farmácias de Lisboa. Todas as farmácias abordadas disseram ao CM estar o medicamento esgotado e não serem capazes de prever a possível retoma da comercialização.

Em compensação, António Jordão, director-geral da OM Portuguesa – Laboratório de Especialidades Farmacêuticas, titular dos direitos de comercialização do Biopental, admitiu ao CM que “o medicamento esteve esgotado” mas por um prazo inferior a 15 dias, afirmação contraditória com o “há imenso tempo” dos farmacêuticos, incluindo o “mais de duas semanas” dito por um deles.


Segundo o responsável da OM Portuguesa, a ruptura do ‘stock’ deveu-se a “um erro de cálculo” na produção, uma vez que “o Inverno este ano chegou mais tarde” e a OM já não contava vender mais lotes de um medicamento “muito sazonal”.


O erro de cálculo levou a que a empresa tivesse de “produzir um lote não previsto”, o qual, segundo o responsável, “foi entregue aos armazenistas na sexta-feira, devendo chegar às farmácias hoje [quarta-feira] ou amanhã”.


Confrontado com a diferença entre esta versão e a resposta das farmácias que garantiram desconhecer quando é que o produto capaz de prevenir infecções respiratórias em crianças voltaria a ser reposto, António Jordão remeteu para os armazenistas, que “agora fazem a distribuição do medicamento e informar as farmácias”. O CM confirmou ontem que “o medicamento está esgotado” e “não se sabe quando chega”.


Questionado sobre a coincidência de um produto não comparticipado, acessível (3,71 euros por frasco de 25 mililitros) e profiláctico (preventivo) ‘desaparecer’ do mercado quando mais falta faz, o responsável da OM Portuguesa garante que “para uma fábrica pequena todas as receitas importam”, negando “qualquer coincidência suspeita” como a interferência dos maiores laboratórios farmacêuticos.


MEDICAMENTO COM RESULTADOS
Alguns dos mais conceituados pediatras nacionais, como o ex-presidente da Sociedade Portuguesa de Pediatria, Gonçalo Cordeiro Ferreira, defendem, ao CM, a utilidade do Biopental “como adjuvante de uma estratégia profiláctica”.


Recusando alarmismos, o pediatra entende que “não é por haver uma ruptura de ‘stocks’ que irá haver um surto de epidemias”, sugerindo “soluções alternativas”.


Já outra pediatra, que solicitou o anonimato, confessou ao CM ser adepta de um medicamento que diz “receitar com regularidade” e “bons resultados”.
A mesma médica acrescenta que “as rupturas nos ‘stocks’ fazem por vezes parte de uma outra intenção, em especial quando os remédios estão entre os mais baratos”.


“O medicamento está esgotado e os médicos deixam de o receitar, e depois é um círculo vicioso: não há procura, não se faz, e o medicamento desaparece”, explica.


Questionada pelo CM acerca do possível desaparecimento das gotas preventivas, a pediatra lamenta--o, por se tratar “de um produto de eficácia comprovada”.
INFARMED NÃO FOI INFORMADO
Segundo decisão do INFARMED (Instituto da Farmácia e do Medicamento), em Março de 2005, “sempre que um titular de AIM [autorização de introdução de medicamentos no mercado] saiba que não é capaz de abastecer o mercado durante 15 dias deverá notificar o facto na ‘Ruptura de Medicamentos’ do site do Infarmed, ao mesmo tempo que indica o prazo da reposição”.
A verdade é que a ruptura do Biopental não consta do referido espaço e também nada se sabe quanto à reposição. António Jordão, responsável da OM, alega que a ruptura não chegou aos 15 dias (no mesmo site há medicamentos, como o Persantin, em Junho de 2006, que notificaram o Infarmed de uma ruptura de dois dias).
Ao CM, fonte do Infarmed “informa não ter sido o instituto notificado de nenhuma ruptura relativa ao referido medicamento”.
SAIBA MAIS
3,71 euros é o preço de venda ao público destas gotas preventivas (vacina oral) das infecções respiratórias. O medicamento não é comparticipado pelo Estado.
2 meses é a média de duração de cada frasco de 25 mililitros, à posologia de uma ou duas gotas por narina, duas vezes ao dia (de manhã, em jejum, e ao deitar).
VACINA BACTERIANA
As gotas são compostas por bactérias enfraquecidas. A sua toma aumenta as defesas imunitárias.
GRIPE E PNEUMONIA
Os agentes vão do Haemophilus influenzae (gripe) ao Klebsiella pneumoniae e ao Diplococcus pneumoniae, potenciais causas para a pneumonia, passando por Neisseria catarrhalis (tosse), Staphylococus aureus e Streptococcus pyogenes.
MILHÕES
Cada mililitro da solução tem entre 200 a 400 milhões de unidades de agentes patogénicos.

Rui A. Chaves"

quarta-feira, março 12, 2008

Informar Contra o Tempo!

Para meditar. No Público de 03.03.2008

"Chamadas não podem ultrapassar 15 minutosclip_image001

O enfermeiro A. trabalhou na Linha Saúde 24 a atender telefonemas. Como muitos colegas, não aguentou "a pressão do trabalho" que foi exigido e saiu. O objectivo é, sobretudo, a rapidez. Quem ultrapassa os 15 minutos por chamadas, é penalizado. Quanto mais rápidos são a terminar o telefonema, mais altos são os ordenados. Há grupos inteiros de pessoas que recebem formação e desistem pouco tempo depois, conta.
O serviço telefónico Saúde 24 funciona em regime de parceria público-

-privada. Inaugurado em Abril do ano passado, resultou de uma parceria entre a empresa LCS-Linha de Cuidados de Saúde SA (Grupo Caixa Geral de Depósitos) e o Estado (através da Direcção-Geral de Saúde), que é quem paga os serviços prestados.
O seu coordenador na área do Estado, Sérgio Gomes, afirma que a empresa se limita a cumprir o contrato com o Estado: se as chamadas demorarem mais de 15 minutos, são penalizados no pagamento. "Não é correr para desligar. A rapidez pode ser uma mais-valia", diz, ainda mais quando se trata de indicações de saúde. Sérgio Gomes afirma que a linha "é geradora de confiança", como revela o crescendo de chamadas e o facto de muitas pessoas já serem repetentes: cerca de dez por cento já ligaram mais de dez vezes, cerca de 12 por cento mais de duas vezes, informa.
Nos quatro anos que dura o contrato, o Estado deverá gastar 46,8 milhões de euros. Quanto à saída de enfermeiros, o coordenador diz não ter informações nesse sentido, mas lembra que, para a maioria dos enfermeiros, é um segundo emprego.
O administrador do serviço na empresa privada LCS, Ramiro Martins, afirma que "o balanço é positivo. Ultrapassámos as 400 mil chamadas [desde Abril]. No final de Março, contamos ter meio milhão de chamadas". As chamadas demoram uma média de 12 minutos. Há 25 enfermeiros em permanência, para responder a perguntas. O responsável afirma que, nos inquéritos de satisfação que têm feito, 90 por cento da classificação são de bom e muito bom. C.G."

segunda-feira, março 10, 2008

Povo Que (Ainda) Lavas no Rio e Não Pensas!

Não é anedota. Juro.

Mas uma respeitada doente diz-me que não comprou o seu anti-hipertensor porque comprou um antibiótico para o cão. Aguardou então pela sua reforma, para um mês depois comprar o medicamento que lhe salvará a vida controlando a sua hipertensão.

Mas é este Povo que quer um banquinho ao pé de si...

domingo, março 09, 2008

Não Posso Mais!

Eu não queria desistir, mas por aquilo que vou lendo a motivação vai-se reduzindo.

Vejam o que nos diz o senhor comandante dos bombeiros e que a senhora jornalista Natália Ferraz, do Correio da Manhã de hoje, transcreve sem qualquer visão crítica: (sublinhado meu)

"... disse ao CM Amaro Lopes, comandante da corporação de Benavente.
“Os bombeiros seguiram o protocolo e, ao depararem-se com uma paragem cardiorrespiratória solicitaram apoio diferenciado, nomeadamente uma VMER do INEM”, revelou ao CM o porta-voz do instituto, Pedro Coelho dos Santos. E esclarece: “A VMER foi pedida às 17h15 e chegou às 17h30.”
Segundo o CM apurou, a vítima alegadamente ainda teria pulso quando os bombeiros que o foram socorrer começaram a tentar contactar o CODU."

Se tinha pulso, não poderia estar em paragem cardio-respiratória... se estava iniciavam a reanimação até à chegada da VMER, demorasse o tempo que demorasse...

 

A notícia completa:

Benavente: Idoso morreu de paragem cardiorrespiratória
Problema de linhas atrasou socorro

Natália Ferraz
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Foi nesta casa de Coutada Velha, em Benavente, que o septuagenário viveu nos últimos 12 anos

O CM apurou que na tarde de quinta-feira os Bombeiros de Benavente tiveram dificuldades em entrar em contacto com o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), com sede em Lisboa, sendo necessárias oito tentativas (e mais de 12 minutos) para alguém atender e enviar socorro para a zona industrial de Vale Tripeiro, onde o septuagenário António Manuel Martins faleceu vítima de paragem cardiorrespiratória.

Em causa estará uma alegada mudança de sistema de linhas do CODU, o que dificulta o atendimento das emergências. Terá sido essa a razão do alegado atraso do INEM no envio de uma viatura médica de emergência e reanimação (VMER).
Eram quase 17h00 de quinta-feira quando o septuagenário se sentiu mal na sua carrinha Renault Express. Foram os populares que deram o alerta. “Os bombeiros receberam o alerta pelas 16h56 e levaram dois a três minutos a chegar”, disse ao CM Amaro Lopes, comandante da corporação de Benavente.
“Os bombeiros seguiram o protocolo e, ao depararem-se com uma paragem cardiorrespiratória solicitaram apoio diferenciado, nomeadamente uma VMER do INEM”, revelou ao CM o porta-voz do instituto, Pedro Coelho dos Santos. E esclarece: “A VMER foi pedida às 17h15 e chegou às 17h30.”
Segundo o CM apurou, a vítima alegadamente ainda teria pulso quando os bombeiros que o foram socorrer começaram a tentar contactar o CODU.
“Estamos à espera das conclusões do relatório. Existem rumores de alegados atrasos ou falhas na comunicação, mas sem o documento não nos podemos pronunciar”, explicou ao CM o comandante Joaquim Chambel, do Comando Distrital das Operações de Socorro (CDOS) de Santarém.
A vítima – que vivia no local da Coutada Velha, nos arredores de Benavente – faleceu três dias depois de ter sido assistida de emergência no Hospital de Vila Franca de Xira.
HOSPITALIZADO TRÊS DIAS ANTES
“Na segunda-feira à tarde, pelas 17h00, uma ambulância dos bombeiros de Benavente transportou-o de casa ao hospital. Estava a sentir--se mal e tinha vomitado. Saiu pelo seu pé pelas 02h00”, disse ao CM uma fonte ligada ao processo.
ERA UM HOMEM DE POUCAS PALAVRAS
António Manuel Martins mudou-se da aldeia da Barrosa para Coutada Velha, ambos em Benavente há 12 anos. “Há uns anos que ele frequentava o café, geralmente sentava-se a ler o jornal e trajava sempre um chapéu e óculos de sol, mas era um homem de poucas palavras”, disse ao CM António Manuel Castanheira, funcionário nas bombas contíguas ao café na zona industrial de Vale do Tripeiro.
Também no snack-bar Miclas, no Local da Coutada Velha, os populares revelam que a vítima não era muito sociável: “Costumava andar com uma máquina fotográfica e sempre de chapéu e óculos. Até lhe demos a alcunha de fotógrafo, mas não conversava muito.”
Era reformado e, segundo os populares, “esteve no Ultramar e depois envolvido noutras guerras”. “Recebia uma reforma como ex-combatente”, acrescentam.
Já Carlos Durães, seu senhorio, remata: “A profissão dele era a fotografia, para mim era um fotógrafo. A filha e o genro visitavam-no com regularidade.”
ERRO ASSUMIDO EM SAMORA CORREIA
Um cirurgião morreu na noite de 27 de Fevereiro em Samora Correia, também no concelho de Benavente, esvaído em sangue, devido a uma hemorragia. Não sobreviveu à demora do socorro, superior a 45 minutos, voltando a pôr em causa a eficácia de resposta do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM). O possível erro partiu do operador do Centro de Orientação de Doentes Urgentes do INEM, que chamou ao local do pedido de socorro uma ambulância de Almeirim, a cerca de 57 quilómetros, ignorando os bombeiros de Samora Correia, cujo quartel dista 400 metros da casa de onde partiu a chamada. Mais perto ficam corporações de Benavente, Vila Franca de Xira ou Salvaterra de Magos. Os vizinhos de Jorge Bento só conseguiram alertar os bombeiros de Samora Correia às 00h10. O cirurgião do Hospital de Vila Franca de Xira estava em recuperação de uma cirurgia em que lhe foram removidos tumores na língua e traqueia. A sua mulher, Verónica Bento, ignora a causa da hemorragia fatal.
APONTAMENTOS
DISTÂNCIA
Em situações de trânsito regular, uma VMER de Vila Franca de Xira levará cerca de dez minutos até ao local onde a vítima se sentiu mal, uma vez que a distância não chega aos 20 quilómetros.
FILHOS
António Manuel Martins tinha uma filha que reside em Alcácer do Sal e um filho que vive em África. Os familiares deverão recolher os pertences da vítima durante o dia de hoje.
SEM MÉDICO
O septuagenário não tinha médico de família atribuído. Após ter estado nas Urgências de Vila Franca de Xira, três dias antes de morrer, iria esta semana pedir médico de família.
EXAMES
Nas Urgências de Vila Franca de Xira a vítima terá feito análises e um electrocardiograma. No dia seguinte queixou-se de dores de estômago.

domingo, fevereiro 03, 2008

A Infâmia do Silêncio dos Media

in a Causa Nossa

Relatório da IGAS

Vão corrigir?
Os média e os partidos políticos que, no auge da "crise do encerramento das urgências hospitalares", que desencadeou a saída do ex-Ministro da Saúde, usaram de forma infame o caso da morte de uma criança à chegada ao hospital de Anadia, vão dar o mesmo relevo às conclusões do inquérito da Inspecção geral de Saúde, que não só afasta qualquer ligação entre as duas coisas como considera irrepreensível a assistência prestada nas ambulâncias?
Ou vão persistir na infâmia, pelo silêncio?
vital moreira, causa nossa
"

domingo, janeiro 20, 2008

Ele Bem Quer Explicar Tanta Porcaria No Jornalismo... Mas Não Consegue!

Provavelmente a criança foi vítima de morte súbita e se isso acontecesse com as Urgências ainda a funcionar não sobreviveria, assim como eventualmente morreria uma criança de Lisboa, Porto ou Coimbra que morasse a dois minutos de um grande hospital central e que sofresse do mesmo problema.


Mas se, por acaso, o ministro se referia ao Correio da Manhã, não leu com atenção a notícia, porque o CM relatou factos verdadeiros: um bebé morreu à porta de uma Urgência fechada, 16 dias depois do ministro ter decidido o encerramento. Pode ninguém ter culpa desta tragédia, mas aconteceu e é dever dos jornais relatá-la, assim como é nossa obrigação ouvir as populações afectadas por decisões políticas. Uma criança que morra perto de uma Urgência fechada é notícia, tal como o são as crianças que nascem numa ambulância a caminho de uma maternidade mais apetrechada mas mais distante da casa da mãe. O ministro está a levar a cabo uma polémica revolução na Saúde e tem naturais dificuldades em fazer com que as pessoas a percebam. Mas não é por ter problemas na comunicação da sua política que tem de atacar os mensageiros das notícias de que não gosta.“

Armando Esteves Pereira, Director-Adjunto do Correio da Manhã

sábado, janeiro 19, 2008

É Por Entradas Destas Nas Notícias, Que Já Não Me Dá Prazer Escrever Aqui!

O jornalismo há-de morrer podre.

Um novo jornalismo e novos jornalistas, ressurgirão depois deste período negro do jornalismo mundial.


 

Para quando? Não sei!


 

No Jornal de Notícias...


 

"Morte à porta do hospital de Anadia

 
 
 



 

Nelson Morais e Jesus Zing *

Ontem de manhã, um bebé de dois meses esteve no interior de uma ambulância, à porta do serviço de urgências hospitalares encerradas há 17 dias, em Anadia, durante quase uma hora. O quadro clínico era muito grave e de nada valeu a assistência prestada por tripulantes de uma ambulância e, depois, pelo pessoal de uma Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) de Coimbra."

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Exacerbar O Consumo Onde Não Se Deve...

Cartão de cliente vai conduzir à "venda agressiva" de fármacos

12.12.2007, Joana Ferreira da Costa

Profissionais criticam programa da ANF que prevê cartão de crédito que permite aos clientes acumular pontos na compra de medicamentos


O cartão de crédito que a Associação Nacional das Farmácias (ANF) quer introduzir junto dos clientes das farmácias, permitindo-lhes acumular pontos pelos medicamentos que compram trocando-os por produtos de catálogo, vai "traduzir-se em vendas mais agressivas" pelos estabelecimentos, denuncia o movimento Fórum Farmacêutico. O sistema que a ANF quer generalizar entre as farmácias não traz receita garantida ao farmacêutico aderente, que terá de garantir que os clientes que acumularam pontos na sua farmácia os gastem ali.


O cartão cliente do Programa Farmácias Portuguesas - que a ANF está a promover entre os seus 2700 associados - permite ao cliente de uma farmácia acumular pontos na compra de medicamentos, que podem depois ser gastos em qualquer farmácia aderente num catálogo de produtos que inclui cosmética, medicamentos não sujeitos a receita médica e serviços como a medição de glicemia ou da tensão arterial. O objectivo da ANF "é fidelizar" o cliente ao Farmácias Portuguesas, afastando-o das parafarmácias, e enfrentar as alterações no mercado que hoje permitem a qualquer não farmacêutico ser proprietário de um estabelecimento. Mas nada no programa garante essa fidelidade, alerta o farmacêutico João Ferro Baptista do movimento Fórum Farmacêutico e ex-candidato à direcção da ANF.
"Ao comprar medicamentos, o cliente tem direito a um conjunto de pontos consoante o valor da venda, que depois podem ser convertidos em certos produtos do catálogo. Mas a farmácia que faz a venda vê imediatamente creditado cinco por cento do valor da venda pela empresa da ANF encarregue de coordenar o programa (Farminvest)", explica. "Esse valor só regressará à farmácia se o cliente gastar os pontos naquele estabelecimento, já que os pode descontar em qualquer farmácia do programa."
O farmacêutico diz que isso levará as farmácias aderentes a optar por uma política de vendas mais agressiva, tentando que o cliente gaste na sua farmácia os pontos que já acumulou ou acaba de receber. "Não é ético promover este consumo agressivo", defende Ferro Baptista. "O que se pretende com este programa não é fidelizar os clientes às farmácias, é fidelizar as farmácias à ANF", critica.
O cartão de crédito que as farmácias da ANF podem disponibilizar aos seus clientes - em parceria com a Caixa Geral de Depósitos - é a face mais visível de um amplo programa com que a associação pretende criar uma nova marca para as suas associadas. A adesão ao Programa Farmácias Portuguesas "impõe um pacote bem mais amplo de obrigações, que passam pelos horários, serviços ou produtos a disponibilizar aos clientes", alerta o movimento numa carta enviada aos farmacêuticos, onde pede aos proprietários das farmácias que estudem alternativas no mercado antes de aderirem ao contrato inicial de dois anos. "A ANF pretende criar uma rede de franchising puro e duro", alerta Ferro Baptista, lembrando que ainda não há dados sobre os custos para as farmácias da aquisição dos produtos, software informático, sistemas de sinalização exterior e produtos do catálogo, todos eles fornecidos por empresas ligadas à associação, que possui empresas de distribuição de medicamentos e de sistemas informáticos para as farmácias.
Na carta enviada aos associados da ANF, o movimento alerta que "muito em breve" vão chegar ao mercado soluções alternativas de parceira "sem que se tenha de comprar um pacote completo". Contactada pelo PÚBLICO, a ANF recusou-se a prestar quaisquer esclarecimentos sobre o programa, "por não os considerar oportunos", ou a reagir às críticas feitas pelo Fórum Farmacêutico.
A Associação Nacional das Farmácias transformou-se num poderoso grupo económico, com interesses em todas as áreas do negócio do medicamento. Além de reunir a esmagadora maioria das farmácias, possui empresas de comercialização de produtos farmacêuticos e meios de diagnóstico, de sistemas informação para as farmácias, de equipamento específico para os estabelecimentos, tem um laboratório de investigação sobre medicamentos, uma sociedade de factoring onde serve de intermediário nos pagamentos do Estado às farmácias associadas e controla uma importante parte do mercado da distribuição grossista de medicamentos, com participação maioritária na Alliance Unichem portuguesa. Está também ligada à prestação de cuidados de saúde privados através da parceria com o Grupo Mello, fazendo igualmente parte da sociedade gestora do hospital público Amadora-Sintra.

sexta-feira, novembro 16, 2007

Pedras Falantes


Do Correio da Manhã, de 2007-11-116 2007-11-16


Decisão da CGA

Professora com cancro foi aposentada

A Caixa Geral de Aposentações (CGA) concedeu a reforma por incapacidade à professora Conceição Marques, vítima de três cancros, que tinha sido obrigada a regressar à escola, por ter sido considerada apta a dar aulas.


Conceição Marques ficou satisfeita com a notícia, que recebeu quinta-feira à tarde.



Em Agosto do ano passado, depois de uma baixa médica de 36 meses, a CGA recusou um pedido de reforma por incapacidade à professora, a quem tinha sido retirada parte da língua devido a um cancro. Com muitas dores e dificuldade em falar, Conceição Marques regressou à escola, mas muitas vezes tinha que interromper as aulas devido a hemorragias na boca.

Conceição Marques já antes tinha padecido de dois cancros que conseguiu vencer."



Já algumas das pedras falantes, médicos ou directores foram inspeccionados? Gostava de uma resposta....

Veio A Neta, Mas Sem Foto, Que Pena!

Segundo o Diário Digital, de hoje: "Morto convocado para ressonância magnética"

"Família está indignada e acusa hospital de "falta de respeito"

1º ponto: deveriam acusar o computador, o software, as TI, e o próprio morto que morreu antes do tempo previsto para ser chamado para fazer o dito cujo exame. Não estou em stand comedy, estou bem sentado e continuo a pensar que só se deve morrer quando tudo estiver bem preparado para a viagem final...

"José António Moutinho morreu há dois anos, mas o Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio (CHBA), em Portimão, chamou-o para fazer hoje uma ressonância magnética à coluna. A família está indignada e acusa a unidade de saúde de "falta de respeito", informa o Correio da Manhã.

"Foi no CHBA que o meu avô morreu. Tinha 70 anos e, durante 41, deu sangue ao Hospital de Portimão. Era, aliás, um dos dadores mais antigos desse estabelecimento de saúde, disse a neta do falecido, Sónia Cristina Cabrita Moutinho.

António Moutinho, reformado, que residia em Poço Santo, concelho de Silves, chegou a receber várias medalhas pelo tempo em que foi dador de sangue, registado no hospital algarvio.

"Nos tempos que correm, com os computadores, nada justifica o desconhecimento de que o meu avô está morto", sustenta a neta.

Segundo Luís Batalau, director do CHBA, o problema está precisamente no programa informático da radiologia, que não identifica os utentes em absoluto. São os funcionários que impedem mais repetições de situações semelhantes, ao introduzir nomes noutro programa quando têm suspeitas.

O idoso faleceu no CHBA às 8:10 de 24 de Dezembro de 2005. A certidão de óbito refere como causa directa da morte "insuficiência hepática", embora José Moutinho também estivesse com uma pneumonia. Tinha ainda sido operado a uma luxação cervical que sofrera um mês antes, em resultado de um acidente.

"O meu avô ia numa motorizada e despistou-se na zona de Lagoa, a 25 de Novembro. Foi operado no Hospital de S. José, em Lisboa, depois de ter estado dias a penar no Hospital de Portimão, o qual só passados dois anos sobre a morte se lembrou de o chamar para lhe fazer um exame à coluna", acusa a neta.

"O hospital pede desculpa à família e vai enviar uma carta nesse sentido", disse Luís Batalau."

Mas como o Diário Digital não deu a importância devida à neta Cabrita, também Sónia Cristina, e como já passaram 2 anos e já não sente a perda, este blogue oferece a possibilidade da Cabrita se expor. É só enviar uma foto.

Palavras de Pedro Nunes

Um acidente estúpido como o são todos, enlutou famílias, gerou tristeza onde antes havia alegria e mobilizou vontades para minorar os seus efeitos nefastos.


 

Em Castelo Branco, médicos, enfermeiros e outro pessoal, ao saberem da notícia acorreram ao Hospital e trabalharam sem qualquer remuneração ou compromisso de horário.


 

O Sr. Ministro da Saúde, numa atitude que se louva, tanto mais quanto rara em Governantes, deslocou-se ao local e não se esqueceu de elogiar o comportamento dos profissionais.


 

Não sabemos se no regresso, S. Ex.ª meditou no facto a que tinha assistido ou se simplesmente, dever cumprido, entrou noutro registo e fez a viagem entretido com algumas contas.


 

É que se tivesse meditado por uns instantes, por certo teria percebido que o mesmo impulso que levou os médicos naquela noite ao Hospital é exactamente o mesmo que os leva a pedir a demissão de responsabilidades em Faro quando se recusam a colaborar em maus-tratos aos doentes.


 

Tal impulso não radica em qualquer emoção nem traduz qualquer interesse mesquinho de agradar ao Ministro, ser melhor remunerado ou subir os degraus do carreirismo. Tal impulso nem sequer é um impulso – é um acto pensado e assumido que resulta de um compromisso implícito ou explícito com uma Ética milenar.


 

O louvor do Ministro levanta assim problemas incontornáveis. Ou bem que acreditamos na Ética dos Médicos, aceitamos quando ela é incómoda e respeitamos os códigos que dela derivam ou bem que queremos impor ao grupo os consensos da Sociedade global e estamos preparados para pagar todos os preços.


 

O que não é possível é esperar que em caso de acidente os médicos acorram aos hospitais sem remuneração, horário de trabalho ou recompensa prospectiva e esperar que os mesmos médicos aceitem ser tratados como mangas de alpaca a quem se impõe o relógio de ponto biométrico e se acredita poder fazer pôr os interesses da empresa à frente dos interesses dos doentes convenientemente transformados em clientes.


 

É que quem louva os médicos de Castelo Branco por acorrerem ao Serviço de Urgência sem escala ou obrigação contratual, tem inexoravelmente de estar preparado para estabelecer com esta estranha gente que não se move só por dinheiro uma relação adulta baseada no respeito.


 

Tal relação não admite qualquer tentativa arrogante e prepotente de fazer alterar códigos de conduta ou qualquer convite a pactos de silêncio baseados no interesse do empregador e solidariedade de empregado.


 

Quem louva gente que põe o homem e as suas fragilidades à frente dos interesses, mesmo quando são os seus próprios interesses, não pode justificar o inaceitável com o argumento cínico de não estar pior que com anterior governo.


 

É que para os médicos, quando a Ética os move, é indiferente qual o Governo, qual o Partido ou qual o Ministro. Para os Médicos a questão coloca-se entre doentes, as suas carências e meios disponíveis e a capacidade de prestar serviços, desenvolvimento técnico e adequação às necessidades. Quem é o dono da loja é quem menos conta.


 

Em suma o que está em causa nas acções estranhamente coevas da última semana é mais que a circunstância, a tradução de um profundo conflito cultural. Conflito que, como todos, para ter fim implica escolhas e tomadas de partido.


 

Escolhas explícitas que nada impede que sejam baseadas no que mais convém à Sociedade. O que não é possível, mais uma vez, é ter


 

...o Sol na eira e a chuva no nabal...

sábado, novembro 03, 2007

Apelo Do Portugal Profundo.

É o segundo e-mail que recebo no espaço de um mês.

Publico a mensagem e cada um decida o que fazer.


From:
João Adélio M. Trocado Moreira [mailto:joao.adelio@mail.telepac.pt]
Sent: sábado, 3 de Novembro de 2007 13:53
To: João Adélio M. Trocado Moreira
Subject: Ajudem os habitantes de Avis - 2 de Novembro de 2007 - segundo crash da Internet que já dura há 3 dias...

(Nota: Peço desculpa pelo segundo envio, mas a situação torna-se intolerável.)

Apelo

Este mail é enviado (se chegar ao destino) de uma pequena comunidade rural do Alto Alentejo - vila e concelho de Avis, a sede com cerca de 2 000 habitantes, para muitos dos quais a Internet é um meio de comunicação por excelência, quer nas suas vertentes de lazer, profissional ou de serviço público.

A grande empresa que é a Telepac, com o SAPO, desde início de Outubro que mantém o serviço de Internet inoperacional ou melhor com uma operacionalidade que poderá rondar os 10%. Não será por negligência, nem por incúria, mas por certo, por desrespeito para com o interior do país, onde apenas existem centenas de assinantes e não milhares ou milhões como nas grandes cidades.

O subscritor, que trocou a cidade pelo campo há mais de 25 anos, e todos os outros habitantes de Avis, têm com a Internet, a vida ao seu lado.

Por favor, ajude-nos a que este apelo chegue aos ouvidos dos administradores da TELEPAC e ultrapasse a barreira do Call Center, verdadeiro empecilho quando o problema é regional e não localizado na nossa mesa de trabalho.


João Adélio Marinho Trocado Moreira (joao.adelio@mail.telepac.pt)

Médico de família e director do Centro de Saúde de Avis

P.S.

Podem ser acrescentados subscritores, se o desejarem.

P.S.

O objectivo é reenviarem para toda a lista de contactos, sempre em Bcc para que os endereços de e-mail não sejam usados para fins obscuros.

domingo, outubro 28, 2007

Alguém Contraria O Lobie da Indústria Farmacêutica na Comunicação Social vs Jornalistas.


 

"La epidemiología de la infección por VPH y del câncer de cervix en nuestro país no requiere una intervención sanitaria inmediata.


 


 

La Junta Directiva de la Sociedad Española de Medicina de Familia y Comunitaria, reunida este sábado 6 de Octubre, quiere manifestar su postura de considerar una decisión precipitada la inclusión de la vacuna del Virus del Papiloma Humano (VPH) en el calendario vacunal, en el caso de que esta decisión sea adoptada por parte de la Comisión de Recursos Humanos del Consejo Interterritorial.

La semFYC, organización que representa a más de 19.000 médicos de familia, de acuerdo con el Programa de Actividades Preventivas y de Promoción de la Salud (PAPPS), teniendo en cuenta la epidemiología de la infección por PH y del cáncer de cérvix en nuestro país así como los datos conocidos hasta ahora sobre la vacuna, considera que la decisión de incluirla en el calendario vacunal es precipitada sobre la base de las siguientes consideraciones:

1. Magnitud: la incidencia y morbi-mortalidad de la enfermedad es baja en nuestro país.

2. La infección por el VPH es una causa necesaria, pero no suficiente. En nuestro país, la mayor parte de las infecciones cursan de forma asintomática y en el 80-90 % de los casos se resuelven espontáneamente.

3. La vacuna no es una vacuna terapéutica.

4. La vacuna sólo es eficaz para prevenir lesiones displásicas por los genotipos incluidos en la vacuna.

5. Se desconoce la efectividad de la vacuna en el grupo de edad en el que se recomienda su aplicación como vacuna sistemática (9-14 años)

6. No se conoce la efectividad real, ni la duración de la inmunidad ni la necesidad de dosis de recuerdo.

7. En mujeres que han iniciado relaciones sexuales, la efectividad es muy baja y en algunos casos puede ser discutible.

8. No se dispone de datos de seguridad a largo plazo

9. Existen dos vacunas distintas y se desconoce si son intercambiables: Tetravalente: 6, 11, 16 y 18 (displasias y verrugas)- Gardasil Bivalente: 16 y 18 (displasias) - Cervarix

10. Puede administrarse conjuntamente con la vacuna de la hepatitis B, pero está pendiente estudiar la compatibilidad con otras vacunas


 


 

11. Existe la necesidad de seguir investigando i. Hacer estudios epidemiológicos y seguimiento de seguridad ii. Efectividad en otros grupos: varones, inmunodeprimidos...

12. La vacunación no sustituye la necesidad de seguir realizando cribado en mujeres vacunadas y no vacunadas

13. La vacunación es una actividad preventiva complementaria a otras actividades (preservativo, cribado...) en una estrategia preventiva global

14. Dadas las dudas expuestas sobre la efectividad de la vacuna, su coste- efectividad es discutible Por último, la semFYC considera que en caso de adoptarse finalmente la decisión de incluirla en el calendario vacunal, se recomienda restringir su uso solamente a las indicaciones aprobadas por el Consejo Interterritorial, evitando recomendarla a otros grupos de edad."