sábado, abril 19, 2008

As Demissões: O Esclarecimento do Dr João Rodrigues (Um deMissionáio) da FNAM.

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João Rodrigues (em baixo) diz esperar que as demissões “tenham alertado o poder político e o coordenador da Missão”, Luís Pisco (em cima).

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"Reestruturação dos centros de saúde na origem das demissões

Maioria da equipa abandona MCSP

Pode bem dizer-se que os mais recentes dias vividos pela Missão para os Cuidados de Saúde Primários (MCSP) têm sido de agitação. Que começou com a apresentação da demissão de Luís Pisco, prosseguiu com Ana Jorge a garantir-lhe a confiança política e terminou com a demissão de 10 membros da equipa.


“Havia desde há uns tempos uma divergência profunda em relação à capacidade da Missão para cumprir os desígnios da resolução do Conselho de Ministros, nomeadamente em relação à reconfiguração dos centros de saúde e à implementação dos agrupamentos.” Esta foi a explicação de João Rodrigues para a demissão de oito dos 12 membros da equipa nacional da Missão para os Cuidados de Saúde Primários, que saíram acompanhados pelos responsáveis de duas equipas regionais de apoio (ERA).


Para além de João Rodrigues, apresentaram a demissão António Rodrigues, Carlos Nunes, Cristina Correia, Horácio Covita, João Nunes Rodrigues, José Luís Nunes, Maria do Carmo Ferreira e Maria Branco da Silva, e também saíram o coordenador da ERA do Norte, Henrique Botelho, e o responsável da ERA do Centro, António Jorge Barroso.


Em declarações ao “Tempo Medicina”, João Rodrigues explicou que as “questões de fundo” para a saída dos dirigentes estão relacionadas com o que o grupo considera “o não cumprimento” da resolução do Conselho de Ministros n.º 60/2007, que renovou o mandato da MCSP por mais dois anos. “Não têm nada a ver com as nomeações dos Aces”, assegurou.


Segundo contou o médico, o documento emanado pela tutela dava à Missão a incumbência de “liderar” o processo de reconfiguração dos centros de saúde e a criação dos novos agrupamentos. Todavia, na opinião do grupo demissionário, até à data “só foi cumprida uma pequena parte” dessas tarefas, com a publicação, no Diário da República de 22 de Fevereiro deste ano, do decreto-lei dos Aces.


Para trás ficaram outras incumbências “muito mais importantes”, tais como a elaboração da carta de missão dos futuros directores executivos, publicitar os critérios para a nomeação dos futuros dirigentes dos Aces e as tarefas do futuro conselho clínico, especificar como se fará a extinção das sub-regiões de Saúde, que tipo de unidade de apoio à gestão terão os agrupamentos e quais serão os indicadores para acompanhar a execução das futuras estruturas.


Na versão do médico demissionário, estes documentos “têm de ser feitos pela Missão”, tal como aconteceu com a documentação relativa às unidades de saúde familiar, mas até agora nada está feito e Luís Pisco “recusava” empreender este trabalho. “Esperemos que estas demissões tenham alertado o poder político e o coordenador da Missão para a obrigatoriedade de fazer estas tarefas”, desabafou João Rodrigues.


O desconforto relativamente a esta situação já era sentido na equipa desde Outubro passado e João Rodrigues revelou ao “TM” que, nessa altura, já tinha apresentado a sua demissão, mas foi-lhe pedido que permanecesse até ser concluído o processo referente ao modelo B.


Novas nomeações prontas


Contactado pelo nosso Jornal, Luís Pisco confirmou o essencial das notícias publicadas na semana passada na Imprensa generalista. Recorde-se que, logo na segunda-feira, veio a público o pedido de demissão do coordenador da MCSP, por considerar que não tinha condições para levar para a frente a tarefa de reconfiguração dos centros de saúde. Luís Pisco assegurou ao “TM” estar garantida a continuidade da reforma dos CSP.
O coordenador garantiu ainda que já tinha a nova equipa definida, embora preferisse não adiantar nomes, e que iria entregar essa lista à ministra da Saúde na passada sexta-feira, dia 18.


O nosso Jornal conseguiu chegar à fala com Armando Brito de Sá, que a par de João Moura Reis e José Miguel Fragoeiro — assim como os responsáveis das ERA de Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve — não assinaram o pedido colectivo de demissão. O médico desconhecia se havia mais demissões e declarou que mantinha “total lealdade para com o projecto” e “solidariedade” para com o coordenador, e lembrou que o lugar que ocupa está sempre “à disposição do responsável da MCSP se este entender que deve ser ocupado por outra pessoa”.
Rita Vassal José M. Antunes "
TEMPO MEDICINA 1.º CADERNO de 2008.04.21

sexta-feira, abril 18, 2008

E se a VMER estivesse disponível? Seria o resultado diferente?

Título da notícia do JN ( Mulher morreu enquanto VMER estava sem médico ) até poderia fazer supor que o infausto desfecho se ficou a dever ao facto de a VMER de Vila Real estar inoperacional por falta de médico quando foi chamada. O certo é que a doente estaria em fase terminal (adiantada) de uma doença neoplásica e pouco poderia ser feito... E há que não deixar de ter em conta o factor psicológico que esse apoio constituiria...

Tal não invalida que esta situação, diria até... mais esta situação..., revele a fragilidade dos meios de socorro pré-hospitalar dada a falta de recursos humanos médicos próprios do INEM e a insuficiencia de recursos humanos médicos do Hospital de Vila Real alocados a uma actuação sensível e prioritária como o é a da VMER...

Farmacêutica Merck contratou médicos para assinar artigos científicos

17.04.2008 - 17h43 PÚBLICO
A empresa farmacêutica Merck procurou investigadores externos para serem autores principais dos artigos científicos sobre o medicamento Vioxx, revela um artigo publicado esta terça-feira no "site" da revista JAMA (The Journal of the American Medical Association).

Segundo o estudo, a empresa, cujas experiências eram elaboradas, executadas, analisadas e escritas por cientistas internos, convidava posteriormente investigadores externos apenas para dar nome aos artigos. A função destes investigadores limitava-se, muitas vezes, à leitura e edição do artigo.


Só agora, passados uns anos de ter sido proibido a comercialização do Vioxx, é que vimos a saber parte do que se passou para se iniciar a sua introdução no mercado mundial.

O que se passou, não pode ser aceite fácilmente por uma comunidade científica como a nossa, já que, o nosso objectivo é o bem estar do doente e não o aspecto mercantilista do negócio, ainda por cima adulterado por "médicos" (será que o são?).

Deixo como sugestão de leitura, para este fim de semana chuvoso, um artigo da Susan Haack, The integrity of science; what it means, why it matters.

Esclarecimento!

Não sei quem é o miserável cobarde que se esconde sob a capa do anonimato nesta mensagem sórdida. Direi apenas duas coisas: (i)que este discurso é delirante e que (ii) além de José Miguel Fragoeiro, jurista, dois médicos permaneceram ao lado do Luís Pisco e não se demitiram: João Moura Reis e eu mesmo, Armando Brito de Sá, médico de família e professor da FML, sem medo de dar a cara por aquilo em que acredito. Ou seja, de doze elementos da Missão saem oito e ficam quatro. Os restantes dois elementos que perfazem dez pessoas que se demitem são os coordenadores regionais do Norte e do Centro.Um abraço ao MEMI.


MEMAI, agradece o esclarecimento do Professor Dr.º Armando Brito de Sá e retribui o abraço.

De um E-mail Anónimo... Com Muitos Pormenores ... Sobre o Terramoto da Missão!

"Cotejando a informação e dados auscultados pelo país durante o dia, segue um conjunto de informações pertinentes para analisar o quadro, reflectir e perspectivar.

Ampliar o conhecimento da versão adequada do que se passou e está em causa, nesta fase e na minha opinião, só ajuda à potencial fase seguinte. Por isso aí vai:

Face à demissão da MCSP é importante que tenhamos a informação necessária para poder ajuizar/saber/avaliar o que está em causa com esta demissão.

Ou seja:

A – Primeiro demite-se o LPisco

B – Ministra não aceita a demissão; convoca reunião com a Executiva da MCSP e ficam de encontrar um linha de acção para prosseguir o trabalho; fazem esse trabalho numa reunião em que LPisco não aparece; Face a tudo isto, 10 dos 12 (LPisco e Jurista/Fragoeiro) apresentam demissão; Ministra assume perante todos os 12 em reunião que não aceita a demissão; Depois LPisco vai à Ministra e é reconduzido e ela demite todos os restantes

C - Alguma informação factual sobre estas últimas semanas:

1-No dia 7 de Abril o coordenador da MCSP, em reunião geral, apresentou a sua demissão, tendo como objectivo acabar com a própria Missão (acta em anexo);

2-Como não conseguiu ter solidariedade da equipa, para acabar com a MCSP, foi no dia seguinte, 3ª. feira, apresentar a sua demissão à Ministra, informando-a que não conseguia lidar com as ARS e por isso se demitia, sendo incapaz de levar para a frente a reforma. A ministra não aceitou e convocou reunião com a Comissão Executiva da MCSP para quinta-feira, dia 10.04.

3-Após a reunião de quinta-feira, a Comissão Executiva ficou de encontrar uma solução de consenso interno até 2ª. feira dia 14.4

4-De quinta a 2ª. feira, o coordenador isolou-se e não aceitou dialogar com ninguém.

5-Perante tal facto, foi marcada reunião com conhecimento da Srª. Ministra para Coimbra para dia 14.04.

6-O coordenador não apareceu. Perante tal facto, foi enviado à Ministra o pedido de demissão de 10 membros (no dia 14.04).

7-Terça, dia 15.04, são todos chamados para reunir com a Ministra e o SES, tendo sido todos confrontados com a não aceitação do pedido de demissão apresentado no dia anterior. Passado 3,5 horas de reunião (18h-21h30), chegaram ao consenso de que o LPisco continuaria coordenador, ficando marcada reunião de trabalho para a proxima 2ª. feira, dia 21.04 com o objectivo de aprovar um plano estratégico para a implementação dos ACES.

8-Quarta, dia 16.04, hoje, Coordenador da MCSP estava às 8/9h no Ministério. A partir das 10h30, a comunicação social divulga as demissões e o LPisco tem autorização da Ana Jorge para convidar novos elementos. A REVIRAVOLTA ACONTECEU ENTRE AS 21H30 DE ONTEM E AS 10H00 DE HOJE. O que terá acontecido?

Em suma:

1-O Coordenador da MCSP anda há pelo menos 6 meses a adiar a reconfiguração dos CS e implementação dos ACES, porque efectivamente não quer continuar a reforma dos CS (segundo dizem).

2-A Ministra recusa às 18h de terça (ontem) as demissões e passados umas horas, manhã seguinte, sem qq tipo de contacto com ninguém, a Ministra já aceita as demissões e dá luz verde ao LPisco de se livrar dos 10 elementos, como sempre ele quiz fazer (segundo dizem).

D - Por último, reter algumas informações que se cruzam com tudo isto:

1 – Independentemente da nossa opinião, enquanto enfermeiros, sobre as USF e ACES, para todos os efeitos, esta reforma está no domínio do SNS, sector público/Estado

2 – Os ACES, enquanto estrutura pública, de fosse bem aplicada e se funcionasse, atirava borda fora as USF Privadas (as tais, e outras) que estão planeadas para todo o país em Centros Comerciais pela Sanusquali/Delarrue/PSD … o MS/actual MCSP/IAPMEI nunca deu saída ao Projecto apresentado) e as Coorperativas geridas por médicos (SIM que vem do tempo do LFP). Tudo isto depois faria convenções com o Estado. Isto para além de outros interesses em presença e em movimento.

3 – Parece que o papel do Coordenador da MCSP seria colocar de pé as USF Modelo B e depois saía …logo se via …teve que gramar os ACES e … não podendo por em prática compromissos assumidos na obscura Santíssima Trindade … fez o plano de saída vitimizado, para, reforçando o seu poder limpar o resto desta MCSP que se tem oposto a algumas coisas

4 – dizer que Ana Jorge, Luís Pisco, Branco/ARS, Sustelo/CHLCentral; Purificação/EnfDirecSMaria/actual Assessora da Ministra; EnfDirect da ULSMatosinhos e GPS; entre mais uns 20 frequentaram o mesmo curso na ASEE/EscUnivNavarra, histórica e publicamente da OPUS DEI (isto tudo é público porque está nos sites). Dizem que só entra quem se inscreve na Santíssima Trindade da Prelatura de Escrivã.

5 – Não esqueçam as enormes pressões (n noticias) dos grandes grupos privados da saúde em torno das PPP face ao governo já não concessionar a gestão clinica

Isto é apenas o início.

Abraço"

A Confusão na Missão, Vista do Sol!

Tem havido muitas versões, até já li que era uma guerra Norte/Sul...

Esperemos que a nova equipa, tecnicamente seja tão capaz como a anterior...

"Coordenador da reforma dos centros de saúde

Pisco mantém-se em funções mas com nova equipa

Por Graça Rosendo

O coordenador da reforma dos cuidados de saúde primários vai manter-se em funções, tendo retirado o pedido de demissão hoje mesmo. Em contrapartida, a ministra da Saúde aceitou hoje de manhã o pedido de demissão de vários membros da estrutura de missão coordenada por Luis Pisco, devendo agora este reconstituir a equipa que dirige, soube o SOL de fonte oficial do Ministério da Saúde

O médico Luís Pisco esteve esta manhã no gabinete da ministra da Saúde, Ana Jorge, e ia preparado para formalizar definitivamente a demissão do cargo que ocupava há três anos.

Pisco já na semana passada tinha posto o lugar à disposição da ministra, na sequência de um conflito entre os elementos da equipa que coordenava, e que o médico não conseguiu ultrapassar.

Quando soube dos motivos de Pisco, Ana Jorge informou-o, de imediato, que não aceitaria o seu pedido de demissão, tendo insistido para que o médico se mantivesse no lugar e reorganizasse a sua equipa, na estrutura de missão para a reforma dos cuidados primários – decisão que aconteceu hoje de manhã.

A situação, no entanto, podia ter tido um desfecho diferente, já esta semana. É que a ministra convocou uma reunião com todos os membros da estrutura de missão de Pisco, numa tentativa de conciliar todos e ultrapassar o conflito. Essa tentativa não foi do agrado de Pisco que, por isso, se preparava para, esta manhã, se demitir definitivamente do cargo. O médico, porém, voltou a recuar, tendo-se mantido mas agora com uma nova equipa.

O conflito interno começou quando, há cerca de duas semanas, um grupo de elementos da estrutura de missão exigiu ao coordenador ter uma ‘quota-parte’ na decisão das nomeações que estão a ser feitas para a direcção dos agrupamentos de centros de saúde.

Segundo as nossas fontes, Pisco terá reagido negativamente, argumentando que a decisão sobre essas nomeações nunca poderia ser feita por ‘quotas’ e que ela cabia exclusivamente à ministra da Saúde.

O médico terá afirmado ainda que, caso essa situação viesse a verificar-se, ele não teria alternativa senão demitir-se. Foi isso mesmo que ficou escrito na acta da reunião da estrutura de missão, a qual foi divulgada no inicio desta semana pelo jornal Público.

Pisco foi nomeado pelo ex-ministro Correia de Campos para estudar e coordenar uma das principais reformas da Saúde, que a própria Ana Jorge elegeu também como principal bandeira.

Esta seria a quarta demissão de peso no Ministério da Saúde herdado por Ana Jorge. Eduardo Barroso, coordenador nacional da transplantes, foi o primeiro, seguindo-se Seabra-Gomes e Joaquim Gouveia, responsáveis pelos programas de prevenção e combate às doenças do coração e oncológicas, respectivamente. Ainda nenhum foi substituído, mantendo-se apenas em funções o médico Joaquim Gouveia, aguardando a nomeação do seu substituto.

graca.rosendo@sol.pt"

quarta-feira, abril 16, 2008

Utentes do SNS prejudicados

Cláusulas abusivas? Então quem paga a tempo e horas não tem o direito a exigir atendimento prioritário? E o Estado, neste caso o SNS, que vai vivendo à custa do título de ser figura de bem mas que é um dos maiores caloteiros , não é censurado pela ERS?

Utentes do SNS prejudicados no privado porque Estado paga pior
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1325985&idCanal=62
Um utente de uma clínica fisiátrica no Norte do país queixou-se à Entidade Reguladora da Saúde (ERS) depois de ter esperado mais tempo para ser atendido, por ser do Sistema Nacional de Saúde (SNS), do que doentes particulares e de outras entidades com quem a unidade privada tem acordo. A ERS deu razão ao reclamante e detectou, em contratos assinados com seguradoras de saúde, "cláusulas abusivas" que exigem "tratamento preferencial e prioritário dos seus utentes".

O Interior é Que Deveria Desistir Deste Embuste.

Este senhor é o mesmo do projecto Netmédico, que deixou cair defraudando milhares de médicos.... Aliás na sua vida só há coisas nefastas!

No Dário de Notícias:

 

"Grupo privado ameaça desistir do interior


DIANA MENDES
RODRIGO CABRITA-ARQIVO DN

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Bragança, Castelo Branco, Évora ou Portalegre e outros distritos do interior correm risco de não vir a beneficiar do projecto Casas da Saúde. Nuno Delerue, presidente do conselho de administração da Sanusquali, disse ao DN que propôs ao Governo "criar unidades em zonas de oferta deficiente ou nula", mediante contrapartidas como o benefício de convenções com o Serviço Nacional de Saúde. Apesar do "interesse do Ministério da Economia", o grupo espera uma resposta há oito meses e diz agora que o prazo está a esgotar-se".
O projecto de 25 unidades e com um valor de investimento de 1239 milhões de euros visava uma unidade em cada distrito, "mesmo em zonas do interior onde é difícil rentabilizar" e onde, por essa razão, os prestadores privados não investem. Cada unidade, com valências habituais como pediatria ou oftalmologia, deve ser complementada com farmácias, venda de produtos e dispositivos médicos e até unidades de saúde familiar. A grande novidade está na criação de unidades com urgências.
O grupo privado liderado por personalidades como o ex-bastonário da Ordem dos Médicos Germano de Sousa, Miguel Gouveia e José Vila Nova, pretendia fazer uma parceria com o Estado, que iria criar cinco mil postos de trabalho: "Admitimos que o Governo escolhesse o local do distrito onde abrir a unidade, mas impusemos contrapartidas: acesso ao regime de convenções, licenciamento, possibilidade de abrir USF e incentivos fiscais", diz Nuno Delerue.
As condições têm de ser analisadas pelo Ministério da Economia e da Inovação, via AICEP, tendo sido feita, até, uma candidatura a Projecto de Interesse Nacional (PIN). A proposta foi recusada porque "ainda não tínhamos os locais das Casas da Saúde, mas vamos fazê-lo". Em 15 dias vai concluir o processo, que envolveu a análise de 68 concelhos. Se não tiver resposta, "posso alterar a localização das unidades. Não somos obrigados a assumir o compromisso".
O responsável garante, no entanto, que as Casas da Saúde vão ser criadas. "Há zonas como o Algarve ou o litoral que têm interesse. Agora, alguém terá de explicar porque é que metade do País saiu da rede".
Convenções livres
A AICEP pediu esclarecimentos à Administração central do Sistema de Saúde sobre a possibilidade de haver convenção com as Casas da Saúde. Em Novembro, a ACSS frisou estar em desenvolvimento um "modelo de gestão" e que, como tal, a adesão de convencionados está "condicionada". A ministra da Saúde, Ana Jorge, já anunciou que iria reabrir o regime de convenções. Nestas circunstâncias, a Sanusquali também pode mudar de ideias, por efeitos de concorrência. "Neste caso, o Estado terá de nos dizer o que está disponível a fazer para que façamos uma rede que interesse ao País". O DN tentou contactar o Ministério da Saúde e da Economia, mas sem sucesso.
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terça-feira, abril 15, 2008

Urgências do S. Francisco Xavier não cumprem mínimos tecnicos

O Sindicato Independente dos Médicos divulgou hoje que os chefes de equipa de urgência do Hospital S. Francisco Xavier - Lisboa apresentaram a sua demissão como protesto e alerta para o facto de a constituição das equipas de urgência daquele hospital estarem a funcionar com muito menos médicos de Medicina Interna que aqueles que a Ordem dos Médicos recomenda.
Será de esperar que este organismo, a que cabe velar pela qualidade do exercício técnico da Medicina e pela melhor prestação de cuidados aos doentes, não se distraia e zele pelo cumprimento das suas próprias orientações
Ver aqui.

segunda-feira, abril 14, 2008

Coordenador dos cuidados de saúde primários afinal mantém-se

14.04.2008 - 10h44 PÚBLICO, com Lusa
O coordenador nacional da Missão para os Cuidados de Saúde Primários , Luís Pisco, vai manter-se em funções, depois de uma reunião com a ministra da Saúde para analisar o seu pedido de demissão, disse hoje fonte oficial.



Prevaleceu o bom senso e a continuidade do trabalho que tem sido desenvolvido pelo Drº Luís Pisco, coordenador da Missão para os Cuidados de Saúde Primários.

Aguardemos agora, as novas iniciativas da MCSP, para continuar a reforma dos CSP.

domingo, abril 13, 2008

Terramoto na Missão para os Cuidados de Saúde Primários !

 

Sabemos que nem tudo o que os jornais dizem é verdade.

Mas não há fumo sem fogo...

 

Aqui no Público, em última hora:

"Luís Pisco recusa revelar razões para afastamento

Coordenador dos cuidados de saúde primários apresenta demissão à ministra Ana Jorge

13.04.2008 - 21h00 Margarida Gomes

O coordenador nacional da Missão para os Cuidados de Saúde Primários (MCSP), Luís Pisco, formalizou a sua demissão à ministra da Saúde na passada terça-feira, por considerar ser “incapaz de levar para a frente a tarefa de reconfiguração dos centros de saúde”, mas Ana Jorge, está a tentar demovê-lo.
Ao que o PÚBLICO apurou, a decisão de se demitir foi previamente comunicada por Luís Pisco numa reunião na segunda-feira da semana passada com toda a equipa da unidade de missão, incluindo cinco coordenadores regionais, na qual o coordenador nacional terá declarado que em relação à implementação dos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES): “Somos mais um problema do que solução”.
Confrontado pelo PÚBLICO, Luís Pisco confirmou hoje que apresentou a sua demissão à ministra da Saúde, mas recusou revelar as razões que o levaram a tomar a decisão. “Esta não é a altura para prestar mais declarações sobre essa questão até porque amanhã vou ter uma reunião com a ministra para tratar desse assunto”, afirmou.
Na reunião de segunda-feira, Luís Pisco comunicou a intenção de se demitir do cargo, dando conta de “problemas internos” ao nível da Missão para os Cuidados de Saúde Primários e “outros do Ministério da Saúde” que entendia poderem ser de “per si” resolvidos, mas “em conjunto previa de difícil ou impossível solução”. O coordenador da missão nacional iniciou a reunião justificando a ausência de ordem de trabalhos com a necessidade de esclarecer a sua posição pessoal face às duas tarefas da MCSP, designadamente a implementação das Unidades de Saúde Familiares(USF) e a reconfiguração dos Centros de Saúde através da criação dos ACES.
De acordo com a acta da reunião a que o PÚBLICO teve acesso, Luís Pisco terá comunicado a intenção de “apresentar nesse mesmo dia ou no dia seguinte” a sua demissão à ministra da Saúde, ficando dependente, do resultado desta reunião, as condições e prazos para a cessação das actividades da MCSP, nomeadamente no que se refere às USF de modelo B. Nessa reunião esclareceu que, enquanto coordenador da MCSP, era “ incapaz de levar para a frente a tarefa da reconfiguração dos Centros de Saúde. “Por culpa própria eu não tenho condições para ir ao encontro da implementação das ACES e com estas pessoas será muito difícil; sem elas também, será difícil”.
Apesar de reconhecer a necessidade da implementação das ACES, enquanto ponto essencial para a concretização e desenvolvimento da reforma dos centros de saúde primários (CSP), o coordenador nacional da MSCP declarou “não ter condições pessoais nem estar disposto a mediar eventuais estratégias divergentes com as administrações regionais de saúde (ARS), admitindo a hipótese de se encontrar dentro da missão para os cuidados de saúde primários um novo coordenador”.
Os contornos desta situação serão discutidos amanhã na reunião entre a ministra da Saúde e o coordenador nacional da MCSP."

Será O Novo Palco Da Guerra Para Os Americanos?

 

Mais catástrofes humanitárias?

Mais epidemias?

Mais guerra biológica?

Mais mortos?

Mais orçamentos para a guerra do que para a invetigação e Saúde?

 

Muitas vezes é necessário pesquisar na imprensa alternativa e independente dos Estados Unidos da América do Norte, vulgo Estados Unidos.

Aqui por exemplo: Rebelion. 

A notícia é de 13 de Abril. 

Mas talvez esteja haja alguma relação com a problemática do Tibete, nas fronteiras da China, a grande economia emergente que já compra empresas nos EUA e agora que o Iraque entrou em guerra civil e os EU já podem vender milhares de armas aos dois lados, sem estar presentes.

 

Para pensar.... e bem!

 

"Los maoístas encabezan el escrutinio de las elecciones de Nepal

Gara

Los datos oficiales del escrutinio, todavía parcial, de los comicios para elegir la Asamblea Constituyente de Nepal, difundidos ayer por la Comisión Electoral, continúan situando en cabeza a la antigua guerrilla maoísta.

Según funcionarios de la Comisión, hasta ahora se ha completado el escrutinio de 40 de las 239 circunscripciones y los maoístas han ganado en 25, seguidos del Partido del Congreso (NC) del primer ministro, Girija Prasad Koirala, que se ha impuesto en siete, y los marxistas-leninistas, en cinco. El partido de los Trabajadores y los Campesinos de Nepal se ha hecho con dos y el Madhesi Janadhikar Forum (MJF, Foro para la defensa de los derechos de los Madesh) ha ganado en una.

Entre los vencedores se encuentra el líder del Partido Comunista de Nepal-Maoísta, Prachanda, quien ganó su escaño en la circunscripción de Katmandú.

«Este es un voto para la República Federal democrática. Colmaremos el mandato del pueblo», indicó el ex maestro y ex guerrillero, y quizá próximo presidente de Nepal.

Asimismo, se comprometió a formar una coalición de Gobierno y a trabajar con otros partidos.

Entre los grandes perdedores se encuentran el secretario general del Partido del Congreso Nepalí Unido Marxista Leninista (UML), Madhav Kumar Nepal, y el actual presidente del NC, Sushil Koirala, quienes han sido derrotados en sus circunscripciones por candidatos maoístas.

Comicios limpios

Los observadores internacionales de los comicios celebrados el pasado jueves aseguraron ayer que las elecciones fueron exitosas e imparciales e instaron a los partidos políticos a respetar el resultado final.

«Elogio al pueblo de Nepal por la forma pacífica en la que se desarrollaron las votaciones, a pesar de las difíciles circunstancias», dijo el jefe de los observadores de la UE, Jan Mulde"

quarta-feira, abril 09, 2008

VMER do INEM parada por falta de médico

"A Viatura Médica de Emergência e Reanimação do INEM, em Beja, parada por falta de médico."
in 24Horas


Mais uma vez, o que não deve acontecer, aconteceu!

Ontem, na sequência de um incêndio, em casa de dois idosos, a VMER não pode ser acionada pelo dispositivo de socorro já que se encontrava inoperacional.

Esta inoperacionabilidade, foi confirmada pela porta voz do Hospital de Beja, relatando, que a VMER não pode ser usada, por não haver médico escalado para esse serviço.

O idoso, ainda pediu ajuda à janela do 1º andar da sua residência, tendo vindo a falecer pouco depois, a idosa foi encontrada inanimada e neste momento está em estado grave no H. de Beja.

O porta voz do INEM, veio recusar responsabilidades neste caso, afirmando que "o carro é nosso mas a tripulação é responsabilidade do hospital".

Ora bem, até parece que não estamos em Portugal!

Desde quando, quando acontece "porcaria" se viu alguém chegar-se à frente e dizer; a responsabilidade é minha!

A desresponsabilização está na ordem do dia! É mais fácil virar a cara e assobiar para o lado!

Pergunto-me se é necessário morrerem mais pessoas?

As posições que estas instituições tomaram, não podem ser estas, se querem ser credíveis!

Nem pode estar à espera que haja médicos do Hospital X,Y ou Z, ou do C. de Saúde disponíveis para fazer serviços, muitas vezes a estarem em dois sítios ao mesmo tempo.

Mais vale não abrirem serviços nem assinarem protocolos de parcerias, se não têm capacidade de os assegurarem, quando não, mais não fazem do que vender gato por lebre.

PS: tomem atenção já que os acidentes não sabem ler escalas de serviço!

Os Médicos de familia que sempre foram consultar os seus doentes em casa não vão gostar

Não vão gostar porque muitos sempre estiveram disponíveis e sem que para isso fossem pagos à peça... não vão gostar porque a visitaçao domiciliária se destina a quem não se pode deslocar ao centro de saúde por estar acamado de modo crónico ou agudo... não vão gostar porque aquilo que é insinuado na notícia é que em 2007 teria havido um aumento da visitação por iniciativa do médico para ganhar dinheirinho...
Dizia-me esta manhã um colega meu Médico de Familia, que sempre esteve disponível para efectuar visitas domiciliarias, que então se não é obrigatório como ele pensava pois vai passar a ser mais selectivo nas que faz!
E o que dizer deste endeusamento das USFs, panaceia de todos os males, mas que interessa no momento apenas a cerca de 12% dos médicos de familia em actividade? Mais... isso do pagamento dos domicilios ainda só está está no papel...

Aqui:

Profissionais vão receber 30 euros por consulta
Médicos de centros de saúde voltam a estar disponíveis para ir fazer consultas a casa

09.04.2008 - 08h31 Catarina Gomes
Estar doente e ter um médico que vai a casa fazer a consulta tornou-se uma raridade nas últimas décadas. As excepções quase só são abertas para pessoas acamadas. A partir de Maio há médicos que vão passar a receber 30 euros por cada um destes actos.Mas os efeitos do novo modelo organizativo de centros de saúde (Unidades de Saúde Familiar - USF) neste tipo de consulta já se nota, revela um estudo do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (Insa).


Dados preliminares do estudo do Insa que analisa as consultas domiciliárias em clínica geral chegaram à "inesperada" conclusão de que em 41 por cento dos casos foi o médico quem tomou a iniciativa de ir ver o doente a casa, nota um dos seus autores, José Marinho Falcão, responsável pelo departamento de epidemiologia do Insa, em Lisboa."Inesperada" porque sempre pensou que este número seria "residual". Tomando como base as 2229 consultas realizadas em 2007 pela amostra de 150 médicos da rede Médicos-Sentinela (clínicos voluntários de todo o país que disponibilizam dados), constatou-se que só 36 por cento destas consultas tinham sido feitas por iniciativa do familiar/cuidador e 18 por cento do utente.

Para o investigador, a grande percentagem de médicos que decidem consultar os doentes em casa já será o reflexo do novo modelo organizativo dos centros de saúde. No final de 2006 arrancou uma reforma que prevê que grupos de médicos, enfermeiros e administrativos se organizem de forma autónoma para alargarem a sua lista de utentes (Unidades de Saúde Familiar), prestando-lhes uma série de cuidados previamente definidos, as consultas domiciliárias são um deles. "Os médicos passaram a ter um plafond a atingir" e isso tem reflexos, refere Marinho Falcão. Ainda assim, na população de utentes estudada pelo Insa só 1,2 por cento tiveram pelo menos uma consulta ao domicílio em 2007.
Dados de 2005 dos centros de saúde de todo o país apontam para uma percentagem inferior: dos 26,4 milhões de consultas realizadas nesse ano só 140 mil foram domicílios (cerca de 0,5 por cento).

Cultura contrária
O coordenador da Missão para os Cuidados de Saúde Primários, Luís Pisco, afirma que somos um dos países europeus com menos domicílios. "Agora não há obrigatoriedade de fazer domicílios. É uma boa prática", mas acredita que o acto receba impulso com a entrada em funcionamento das USF de modelo B que prevêem incentivos remuneratórios para os médicos que o praticam. "Há uma cultura que fez desaparecer os domicílios" porque não são pagos ao médico e ele tem mesmo que custear a deslocação. Quando se realizam, tem que haver "uma justificação", muitas vezes são pessoas acamadas", explica. E as próprias pessoas já nem têm hábito de pedir, refere: "A população habituou-se a chamar a ambulância e ir para o hospital."

Em Maio entrará em vigor o regime onde por cada domicílio o médico recebe 30 euros até um máximo de 20 domicílios mensais, a partir daí já não recebe; o utente paga a taxa moderadora. Prevê-se que arranquem as primeiras 36 USF com o novo modelo e que a partir de Junho vão avançando as outras 72. Mas os centros de saúde que não têm o novo modelo, a grande maioria, ficam de fora desta reforma

terça-feira, abril 08, 2008

Ministro do Trabalho quer revisão do Código a combater "precariedade das relações laborais"

08.04.2008 - 16h28
O Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social afirmou hoje em Setúbal que a revisão do Código do Trabalho deve ir no sentido de "aumentar a contratação colectiva" e do combate à precariedade das relações laborais.Vieira da Silva, que falava aos jornalistas depois de inaugurar uma nova creche da Associação Cristã da Mocidade de Setúbal, começou por reconhecer que houve uma quebra significativa da contratação colectiva desde a entrada em vigor do Código de Trabalho, em Dezembro de 2003, e que a precaridade está a começar a ter uma "dimensão crítica para a juventude". in Público



Depois de ter lido estas declarações, podemos ficar mais "descansados" (?), já que o Srº Ministro reconheceu, que em Portugal temos um mercado excessivamente segmentado, com muitas formas de contratação e algumas já ultrapassando o limiar da legalidade.

Ora no campo do SNS acontece o mesmo, espero que a Srª Ministra da Saúde, tenha acesso ao discurso do seu colega e se inspire, já que a confusão reina na sua casa.

domingo, abril 06, 2008

Caro último anónimo:

Qual o seu "problema da coluna"?

Agudo ou crónico?

Degenerativo ou sistémico?

Mecânico ou inflamatório?

Neoplásico ou muscular?

Etc, etc ...

Portanto entrou no naturopata e saiu com o brilhante diagnóstico de "problema da coluna"...

Não brinque comigo!

Provavelmente tinha uma distensão muscular dos músculos intervertebrais, aguda e as massagens do shiatsu, resolveram.

Qualquer tipo de massagens resolve.

Mas mesmo assim aconselho-o o recurso à fisioterapia tradicional ou à osteopatia, ainda mais tradicional..., mas reconhecida como uma terapia não convencional.

sábado, abril 05, 2008

A CULPA MORRERÁ SOLTEIRA ?

A notícia da morte de uma jovem de 24 anos na sequência de uma lipoaspiração vem de novo relançar o tema da charlatanice e da usurpação de competências médicas ( mesmo entre elementos desta classe profissional), da proliferação sem controle de instituições prestadoras de "cuidados de saúde e beleza" e dos perigos de se pretender ter um corpo perfeito a todo o custo...
Neste caso as ilegalidades apontadas são várias. Convirá contudo esclarecer que a tromboembolia pos-cirurgica é uma complicação cirurgica tardia frequente e que nos casos da lipoaspiração o risco de uma embolia gorda é ainda maior. Nada adiantaria ter estado presente uma anestesista... ( e se fosse um anestesista, oh senhora jornalista ? Convirá tb ter mais cuidado com os títulos: morrer na operação é muito diferente de morrer três dias depois... E há que ter mais cuidado na explicitação de termos médicos: tromboembolia pulmonar é algo diferente de obstrução da artéria...) mas a lei é para se respeitar!
Ressalve-se ainda que agora a IGAS pode intervir em estabelecimentos de saúde privados, algo que a antiga IGS não podia. Ainda bem!!

Clínica onde morreu jovem numa operação está ilegal
arquivo jn


"Ontem, a clínica onde foi efectuada a cirurgia a que é atribuída a morte da jovem continuava a funcionar
Marisa Rodrigues


A clínica Estéticalgarve, em Faro, onde foi feita uma lipoaspiração que causou a morte a uma jovem de 24 anos, está a funcionar de forma ilegal. A conclusão resulta de inquérito da Inspeção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS), que detectou irregularidades a vários níveis. A clínica continuava ontem aberta ao público e o médico responsável remetido ao silêncio. Fátima Santos faleceu com uma trombo-embolia pulmonar (obstrução de artéria) três dias depois de ter sido submetida a uma lipoaspiração com anestesia local, no dia 12 de Janeiro. Ao contrário do que a lei obriga, no bloco operatório não estava uma anestesista, mas uma massagista.

Ao que o JN apurou, a IGSA entendeu que há suspeitas de crime - um eventual homicídio por negligência - e remeteu o inquérito para o Ministério Público, que já começou a ouvir testemunhas. A IGSA aponta o dedo ao médico pelo facto de a clínica não estar registada na Entidade Reguladora da Saúde. Ordem dos Médicos (OM) e Direcção-Geral de Saúde ignoravam a existência da clínica, por não lhes ter sido comunicada, como obriga a lei. À OM, a inspecção-geral sugere que apure as competências do clínico para efectuar este tipo de cirurgias, uma vez que está inscrito como nefrologista (especialista em rins). Sugere, também, uma peritagem médica da especialidade de cirurgia plástica para apurar se a actuação do médico foi a mais correcta, bem como se o diagnóstico e a avaliação pós-operatória e os medicamentes prescritos (analgésicos, antibióticos e anti-inflamatórios) foram os adequados. Ao que o JN apurou, a clínica pode vir a encerrar, mas o vazio legal na matéria não facilita a actuação das entidades de saúde."

sexta-feira, abril 04, 2008

Directores executivos dos Agrupamentos de Centros de Saúde

A Ministra da Saúde, Drª Ana Jorge, declara ao Diário Económico, que o único critério de escolha e nomeação dos Directores executivos dos Agrupamentos, será a competência, isto como resposta aos profissionais das USF, que estão a fazer circular e a subscrever um documento em que afirmam a interferência das estruturas concelhias e distritais do PS nesta nomeação.

Estes Profissionais, com tal acto, mostram a repugnância que sentem por mais uma tentativa de partidarização da Saúde em Portugal.

Por sua vez o Secretário de Estado da Saúde, Drº Manuel Pizarro, diz ao Jornal de Notícias, que os Directores executivos terão de efectuar uma formação, isto como resposta à denúncia efectuada pelo PSD.

Refere ainda que "Nós não faremos em absoluto nomeações de carácter político-partidário, embora admita que haja essa expectativa a nível local".

Reconhece também, "haver sempre algum grau de subjectividade nas escolhas", mas garantiu ao JN que será introduzida "maior exigência na designação dos futuros directores executivos dos ACES através de uma formação específica de nível superior, estando a ser escolhidas as Universidades, a que os mesmos se terão de submeter, mesmo a continuidade no cargo poderá estar associada ao bom aproveitamento nestes cursos específicos de formação na área".

Neste momento aguarda que o manifesto dos profissionais das USF lhe chegue às mãos para iniciar o diálogo.


Memai, aguarda com expectativa o desenrolar desta situação não esquecendo nenhum dos dois discursos, o da Srª Ministra e o do Srº Secretário de Estado e alerta já, para a situação futura dos Directores Clínicos, nomeação pura e simples ou eleição interpares?

Tu Que Me Vais Ler És Doente E Não Sabes!

 

Podes estar no grupo de leitores (5 em cada 10) que sofre de uma doença maligna chamada hipertensão, ou melhor, doença hipertensiva, e se estás nesse grupo provavelmente ainda não sabes que és portador de uma doença que afecta uma das paredes das tuas artérias.

Essa doença, se não tratada conduz invariavelmente à morte por acidente vascular cerebral ou enfarte do miocárdio (de insuficiência renal não vais morrer porque já há hemodiálise).

Quando mediste a tua pressão arterial pela última vez? Passas horas aí sentado a olhar para mim e não fazes exercício, nem cuidas da tua saúde.

Vai medir a tua pressão arterial, porra!

Levanta-te e zarpa!

Se nunca a mediste, vai ao vizinho, à farmácia ou ao teu médico de família.

Mas lembra-te de uma coisa: medir a pressão arterial é como tirar a febre!

Apenas ficamos a saber que naquele momento ela estava alta.

É necessário medi-la mais vezes. E se estiver mais de três vezes seguidas igual ou acima de 140 e 90 milímetros de mercúrio ou entre os 120 e os 140 e/ou entre os 80 e 90 mmhg, BOLAS, marca já uma consulta para o teu médico de família.

Usa e abusa do teu médico de família (se o tiveres!) e se ele não te der uma resposta atempada faz queixa. Usa e abusa do livro amarelo. A tua vida está em perigo.

Para se morrer de hipertensão, não é necessário ela estar muito alta (desculpa se ficaste admirado, mas é mais um mito que tinhas que desaparece) mas que esteja acima dos valores considerados normais durante alguns anitos...

E não te esqueças: a merda desta doença não dá sintomas. Nem tonturas, nem dores de cabeça, nem comichões nos pés (outro mito, não?). Por vezes o primeiro sintoma é a morte...

O Jornal de Notícias falou-nos disso aqui:

"Hipertensão está a ser desvalorizada
A hipertensão é uma doença que em Portugal está subvalorizada, situação que tem levado a hipertensões não controladas, responsáveis por lesões várias que podem provocar a morte do doente, alertou uma especialista portuguesa no Congresso Anual de Cardiologia dos Estados Unidos que ontem terminou em Chicago. No encontro foram apresentadas novas formas de tratar a hipertensão, uma doença que afecta 25% dos europeus e 42% dos portugueses.
"É neste tipo de Congresso que aparecem os resultados dos grandes ensaios de fármacos que nos dão algumas respostas de como tratar, por exemplo, doentes hipertensos e neste congresso apresentaram-se os resultados de três estudos, um deles de uma enorme importância", explicou à Lusa uma médica portuguesa presente.
Paula Alcântara, uma entre muitos especialistas portugueses que participaram no 57º Congresso Anual de Cardiologia,considera que a doença no nosso país não está mal diagnosticada, está antes "subdiagnosticada" porque está "desvalorizada".
Prova disso está o facto da hipertensão afectar cerca de 42% de portugueses, mas só 12% desses ter a doença controlada, segundo os dados do único estudo feito sobre esta doença em Portugal."

PCP denuncia aumento de fosso entre ricos e pobres

O Jornal Público, informa:

03.04.2008 - 16h10 Sofia Rodrigues


O fosso entre ricos e pobres “quase duplicou” entre 1995 e 2006, alerta o PCP. “Em 2006, o rendimento médio anual das famílias 10 por cento mais pobres era 8,9 vezes inferior aos ganhos dos 10 por cento mais ricos e há dez anos a diferença era apenas 4,6 vezes”, disse hoje Agostinho Lopes, deputado do PCP, no Parlamento.



O deputado referia-se à análise dos dados das despesas de famílias divulgados há dois dias pelo Instituto Nacional de Estatística.




Faz-se assim anunciar o fim da classe média, iniciando-se paulatinamente o processo da globalização do futuro proletariado.

quinta-feira, abril 03, 2008

O nosso modelo de desenvolvimento é que causou esta epidemia de obesos


Entrevista da Drª Isabel do Carmo, no suplemento do Público, Peso & Medida.


Boa entrevista da colega como é hábito, extremamente didáctica, a precisar de intervenção do MS/DGS com programa específicos de intervenção alimentar nas escolas, mais concretamente nos refeitórios, buffetes e máquinas de alimentação automática espalhadas de norte a sul por essas escolas, Centros de Saúde e Hospitais, já que como o povo diz, "santos da casa não fazem milagres".



DEPURALINA ...o poder da publicidade e da crendice



Em apenas três meses, foram vendidas 165 mil embalagens de Depuralina, o suplemento alimentar publicitado como coadjuvante de emagrecimento e retirado do mercado depois de reportados três "episódios tóxicos graves".
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Hoje, a distribuidora do suplemento - que garante ter cumprido a legislação sobre a matéria - decide se vai processar o Ministério da Agricultura, por alegadamente ter ordenado a suspensão do produto sem fundamentos.
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Neste negócio milionário - os portugueses compraram 850 mil unidades de produtos de emagrecimento num ano -, importa saber até que ponto estes produtos são eficazes e seguros.Para se introduzir no mercado português um suplemento alimentar - seja para emagrecer ou para qualquer outra aplicação - basta comunicar essa intenção ao Gabinete de Planeamento e Políticas (GPP), do Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas. Não é necessário uma autorização nem estudos clínicos que comprovem a eficácia porque, em rigor, não é um medicamento. À Autoridade de Segurança Alimentar e Económica compete a fiscalização do produto, mas não se trata de uma condição prévia à sua comercialização.
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Como não são medicamentos, os suplementos alimentares não carecem de autorização da Autoridade do Medicamento (Infarmed) nem são sujeitos ao mesmo tipo de controlo de qualidade. Isso não significa que os suplementos alimentares não estejam regulamentados. Há legislação sobre a matéria, em transposição de directivas comunitária, que determina quais as substâncias autorizadas e as regras de rotulagem.O que não existe é qualquer controlo sobre quem os usa ou em que condições são tomados. Ou seja, como são de venda livre, qualquer pessoa pode comprar os suplementos que desejar, abusar das doses e misturar à medida da sua ignorância.
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Outro perigo - porventura o mais comum - é o da ineficácia total. Porque numa coisa os especialistas convergem sem alterar o estilo de vida (alimentação e exercício o), não há emagrecimento saudável e duradouro.

Apetece perguntar: e quem processa o Estado português e o Ministério da Saúde por deixar que isto seja possível?

E quem controla a publicidade paga nos orgãos de comunicação social escrita e falada, que estimulam a venda a e crendice? Não são só anúncios, não são só spots publicitários radiofónicos...são inclusive entrevistas pretensamente científico-médicas!

Mas a família não autorizou a autópsia...

Morreu após longa espera no hospital. Família acusa hospital de manter idoso em cadeira de rodas demasiado tempo até ser socorrido
http://jn.sapo.pt/2008/04/03/primeiro_plano/morreu_apos_longaespera_hospital.html
Ao todo foram quatro horas, desde que J.M. entrou nas urgências do Hospital Curry Cabral, em Lisboa, anteontem à tarde, até finalmente ter sido observado por um médico daquela unidade de saúde, perante os apelos insistentes da família. Mas já era tarde de mais. O octogenário acabou por falecer cerca de meia hora depois, com o clínico que o assistiu aos gritos com os colegas, pela falta de assistência a que o idoso terá sido sujeito, garantem os familiares, que equacionam apresentar uma queixa à Direcção-Geral de Saúde.
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"Pelas 22 horas, com a nossa insistência, um médico, que ia a sair, decidiu ver o que se passava e ficou estupefacto", descreveu a neta. Segundo esta, o clínico, apercebendo-se da gravidade do caso, terá mostrado publicamente o descontentamento pelo cenário em que encontrou o idoso. "Começou aos gritos, dizendo que o meu avó estava pior do que quando entrou. De repente, surgiram médicos e enfermeiros de todo o lado a querer ajudar", acrescentou a familiar.
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Porém, com o sofrimento causado por todo este episódio, a família não permitiu que fosse realizada a autópsia. "A morte foi há poucas horas. Se a família apresentar uma queixa, realizaremos um inquérito", salientou Manuel Delgado, administrador do Curry Cabral. O funeral realiza-se hoje.

Lamentavelmente toda esta cena trágica não é acompanhada por ao menos uma fotografia a preto e branco da tal familiar que com tanto sentido dramatico faz o relato dos acontecimentos, incluindo o comportamento histriónico de um clínico, e assim perde um bocadinho do direito à fama. Ou será que este relato sai da pena dramaturga do jornalista ?

Malvada da Triagem de Manchester que tanta margem de erro tem nos seus algoritmos...e logo isto haveria de acontecer no hospital dirigido pelo Sr. Dr. Manuel Delgado!

terça-feira, abril 01, 2008

Novo: A Ingerência On-line dos Media no Funcionamento das Instituições da Saúde!

Pela primeira vez, um jornal digital coloca uma notícia (ou não-notícia!) no seu site reportando situações que ainda se estão a desenvolver num banco de urgência.

Esta ingerência vai colocar os médicos e restante pessoal da saúde perante a intensa pressão dos media on-line.

No Diário Digital de hoje.

"V. F. Xira: Cardíaca por atender na Urgência há oito horas

Uma idosa com problemas cardíacos entrou há mais de oito horas na Urgência do Hospital de Vila Franca de Xira, onde a falta de médicos impede hoje a assistência atempada de doentes, indicaram um familiar e uma médica.

Em declarações à Agência Lusa, David Pereira contou que a sua sogra, de 77 anos, deu entrada na urgência hospitalar às 16:30 de segunda-feira, com problemas cardíacos, depois de ter passado pelo Serviço de Atendimento Permanente de Benavente.

“Já preenchemos quatro impressos a pedir informações e não sabemos de nada. Não sabemos se fez análises, exames, se está melhor ou pior”, relatou David Pereira, acrescentando logo de seguida, citando informações posteriores de uma administrativa, que a sogra “está a ser medicada e avaliada”.

Segundo David Pereira, algumas pessoas que aguardavam notícias dos seus familiares formavam “fila” para apresentar queixa no livro de reclamações.

A chefe da equipa médica da Urgência, Alice Frazão, justificou à agência Lusa a demora no atendimento aos doentes com a falta de clínicos.

“Temos três médicos desde as 08:30 [de segunda-feira] ao serviço quando deveriam estar sete”, frisou, acrescentando que às segundas-feiras é habitual haver “muitos doentes e poucos médicos”.

A 03 de Março, precisamente numa segunda-feira, a Lusa foi confrontada com a grande afluência de utentes na Urgência, que levou doentes a esperarem durante várias horas assistência em macas por falta de camas nas enfermarias.

Nesse dia, de acordo com David Pereira, a sogra teve alta depois de estar 36 horas deitada numa maca.

“Deram-lhe alta porque não tinham sítio onde a meter”, reclamou.

Diário Digital / Lusa"

Autarquias vigilantes...Hey, Hey Silver !

Na Lourinhã já vigora o espírito dos Agrupamentos de Centros de Saúde, de intervenção e vigilância autárquica... onde estará o Tonto?

Falha na compensação do encerramento do SAP.
Centro de Saúde da Lourinhã com nova equipa após incumprimento de protocolo.

01.04.2008 - 17h18 Lusa

"O centro de saúde da Lourinhã tem, a partir de hoje, uma nova equipa directiva, após o incumprimento pela anterior directora do protocolo estabelecido em Março entre a Administração Regional de Saúde de Lisboa e a câmara municipal.

O incumprimento do acordo estabelecido há um mês entre a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo e a Câmara da Lourinhã, que previa medidas de compensação pelo encerramento do Serviço de Atendimento Permanente (SAP) provocou a demissão da directora do centro de saúde, disse fonte da autarquia.

"O acordo não estava a ser cumprido e segunda-feira foi o último dia da antiga directora do centro de saúde [Natália Reis]", disse hoje o presidente da Câmara da Lourinhã, José Custódio (PS). "Se não fosse a insistência da Câmara não teria havido a demissão da directora que, apesar da boa vontade dos médicos, se recusava a pôr em prática o protocolo", afirmou o autarca. Segundo o autarca, a anterior responsável "elaborava despachos contra o protocolo". "Não estava a cumprir os horários nem o serviço que devia ser feito, não havia oxigénio, aerossóis ou linhas se alguém necessitasse de ser suturado", referiu José Custódio".
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Nota: Silver e Tonto são personagens da antiga serie televisiva Lone Ranger ( Mascarilha)

segunda-feira, março 31, 2008

Portugal no seu melhor...

Avaliação de profissionais de medicinas alternativas contestada.
31.03.2008, Catarina Gomes, no Público.

"Profissionais criticam que só dois de oito documentos sejam postos à discussão pública. Lei existe há cinco anos, mas tarda a ser regulamentada
A proposta da comissão técnica consultiva das terapêuticas não-convencionais de fazer passar todos os seus profissionais por um processo de avaliação e certificação está a ser contestada. Apesar disso, este é um dos pontos que deverão ficar de fora da discussão pública prevista para Abril.


A lei que enquadra as terapêuticas não-convencionais já existe há quase cinco anos, mas tarda a ser regulamentada (o diploma previa 180 dias). A comissão técnica criada para propor a regulamentação reúne-se hoje e o objectivo é que no próximo mês sejam postas à discussão pública algumas das suas propostas, com os documentos disponíveis no site da Direcção-Geral de Saúde (DGS)."

Enquanto isto, proliferam os charlatães... se com a dita regulamentação se pretendia conferir seriedade e um mínimo de credibilidade ás terapêuticas não convencionais, tal ficou no papel...

INEM ainda não chega a 32 concelhos

INEM ainda não chega a 32 concelhos.
Bombeiros afirmam que rede de ambulâncias discrimina interior do país
31.03.2008 - 14h30 Lusa

"A actual rede de ambulâncias discrimina os cidadãos do interior do país, denuncia a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), que hoje entrega ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) um memorando sobre as necessidades dos serviços de socorro."Todas as situações gravosas nos serviços de emergência médica conhecidas nos últimos tempos têm acontecido em zonas de menor densidade populacional", observou Duarte Caldeira, presidente da LBP.

O responsável realça que existem actualmente 32 concelhos do país onde não existe qualquer ambulância do INEM e que "quem vive nestes concelhos está dependente da disponibilidade de tempo e da disponibilidade financeira da corporação local".

De acordo com Duarte Caldeira, sem um acordo com o INEM, o qual permite ter uma "ambulância completamente equipada, com uma tripulação de bombeiros completamente qualificados", não há apoio financeiro e é a corporação que assume toda a responsabilidade pelo socorro.O presidente da LBP lembra que "o cidadão tem os mesmos direitos, quer viva numa aldeia recôndita em Vila Real, quer viva em Lisboa", pelo que defende uma rede equilibrada de modo a garantir "a mesma qualidade e prontidão de resposta" a todos os cidadãos.

Para tal, diz serem necessárias mais 50 ambulâncias e 200 tripulantes qualificados.Um dos 32 concelhos que não tem ambulâncias do INEM é Alijó, onde um telefonema do INEM para os bombeiros locais após o pedido de assistência de uma família de Castedo divulgado pelos meios de comunicação social revelou algumas deficiências da rede de socorro.

Em Alijó, segundo anunciou o presidente da LBP, já está em curso um processo de qualificação de operadores de central e de tripulantes, em parceria com a câmara municipal. A definição de uma rede nacional de ambulâncias que cubra todo o país, assegurando a existência de pelo menos uma ambulância do INEM em cada concelho, é a principal proposta de um memorando que a LBP vai entregar hoje sobre as necessidade dos bombeiros para melhorar a qualidade do socorro.

O documento a entregar ao INEM, que sugere uma "ampla reestruturação do socorro pré-hospitalar, estruturado em 1981", propõe também aprovar com urgência um plano para a formação de tripulantes de ambulâncias, para colmatar o défice de tripulações qualificadas. A LBP propõe ainda a criação de uma nova formação: a de técnico de emergência médica. Sem afastar a importância da presença do médico no socorro, Duarte Caldeira lembra que "há actos que são interditos aos tripulantes, que recebem uma formação de apenas 210 horas", como a utilização de desfibrilhadores para a reanimação.

O memorando entregue hoje surgiu no âmbito do trabalho iniciado em conjunto pela LBP e pelo INEM sobre as necessidades de pessoal e ambulâncias no socorro, no âmbito do qual foram constituídas equipas de missão para identificar problemas e definir soluções para serem propostas ao Ministério da Saúde."

Este problema da criação de uma rede de ambulâncias de socorro a nível nacional, parece simples de resolver, no entanto torna-se deveras dificil de implementar devido a interesses instalados, com os quais a saúde não devia ter nada a ver com eles.

  • Existe um Instituto Nacional de Emergência Médica, que como o próprio nome diz devia ter implantação nacional.
  • Os efectivos deste Instituto devem ser profissionalizados e não voluntários.
  • Devem ter a formação necessária e contínua, para as aptidões que irão desempenhar.
  • Este Instituto deveria tratar do socorro e transporte de todos os tipos de doentes.

Partindo destas quatro premissas, parece ser simples resolver os problemas mas, eis que o mesmo surge quando, a bem de uma economia de escala, se misturam funções não miscíveis, bombeiro voluntário com técnico de emergência médica.

Mulher deve poder escolher o tipo de parto

Especialistas apontam divergência entre particular e público.
Mulher deve poder escolher tipo de parto, diz Associação Portuguesa de Bioética 28.03.2008 - 20h38 Lusa
O presidente da Associação Portuguesa de Bioética, Rui Nunes, defendeu hoje que as mulheres devem ter o direito no Serviço Nacional de Saúde a escolher a sua via de parto preferencial.O parecer, apresentado por Rui Nunes, também director do Serviço de Bioética e Ética Médica da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), evidencia que o casal, e em especial a mulher grávida, deve ter o direito a escolher entre a cesariana e o parto normal de maneira a "padronizar as práticas no sistema de saúde português". Segundo os especialistas de Bioética "assiste-se a disparidades gritantes entre as práticas verificadas no sector público e no sector privado". No mesmo documento é referido que "é necessário efectuar uma avaliação económica rigorosa" pois a "generalização da possibilidade de escolha da via de parto pode originar um agravamento dos custos com a prestação de cuidados de saúde". O parecer, que será apresentado à ministra da saúde Ana Jorge, refere ainda que deve ser dado um "aconselhamento adequado" em todas as unidades de saúde, preferencialmente logo desde o início da gravidez.

O Professor Drº Rui Nunes, evidencia neste artigo do Público, que a mulher deve ter o direito de escolher entre a cesariana e o parto normal de maneira a padronizar as prácticas no público e da privada.

Esquece-se o Professor que está a partir de um pressuposto errado, na privada existem um número superior de partos por cesariana para facilitar a agenda dos obstetras e dos pais, em contrapartida na pública tenta-se deixar cumprir os acontecimentos, tendo em conta o relógio biológico da futura mãe se assim for possível, avançando para a cesariana como última hipótese.

Colocar esta decisão nos pais, sem um esclarecimento consentido evidente e totalmente esclarecido, penso ser inverter as "regras do jogo biológico" e como tal não respeitar os princípios bioéticos, já para não falar de outros problemas adjacentes a esta situação.

domingo, março 30, 2008

A CUBA DO VALE DO SOUSA !

O Hospital Padre Américo - Penafiel está de parabéns. Aproveitando bem as possiblidades que o estatuto EPE possibilita, estabeleceu uma parceria público-privada com uma clínica oftalmologica da cidade do Porto e em dois anos resolveu o problema das listas de espera para consultas e cirurgias de Oftalmologia na sua área de influência e ainda resta capacidade para ajudar a resolver as carências de outras instituições hospitalares vizinhas. E como é que isso foi conseguido? Onde está o segredo da abelha? Ora pois nada mais simples: aproveitando as instalações e equipamentos, em termos físicos e temporais, e pagando a quem faz as consultas e cirurgias ...

Rede de Urgências é para cumprir

A ministra da Saúde, Ana Jorge, reafirmou ontem, em Oliveira de Azeméis, que o mapa das Urgências Hospitalares, traçado pelo seu antecessor, Correia de Campos, é para cumprir, afastando desse modo a possibilidade de o Governo voltar atrás e, eventualmente, reabrir serviços que entretanto foram fechados.
in Publico 30-03-2008

Hoje nas intalações do CS, foi inaugurado o SUB de Estremoz, na sequência do fecho do SAP do CS.
Este SUB, estava planeado de acordo com o relatório da Comissão Técnica de Apoio ao Processo de Requalificação das Urgências, é um facto, mas como a Srª Ministra bem diz e se refere às urgências hospitalares, resta saber de quem é a responsabilidade dos recursos afectos a este SUB?
CS ou Hospital?

Portugal: A Caminho de um País Selvagem!

Do Público, via SIC: mais um brutal atropelamento de jovens adolescentes em estranhas circunstâncias e posterior fuga.

Depois da "mudança do estado de alma" é necessária "a salvação das almas dos portugueses" especialmente daquelas que se movimentam em dois pés.....

sábado, março 29, 2008

Sem comentários! Mas Dê-me O Seu Voto.

Mudança de postura na visita a Viseu

Sócrates assume "face humana" após “três anos a disfarçar estados de alma”.

 

Vote.

doutor pedro

Ao email do memai chegou este anúncio. Provavelmente através de spam e não para pulicação, mas achei interessante a adaptação aos novos tempos dos "alternativos", que, apesar de funcionarem pela literacia científica das pessoas, usam as TI em todo o seu explendor.

 

Reparem: "sorte nas candidaturas", "desporto", "Exames e protecção contra perigos como acidentes em todas as circonstâncias", "Faz emagrecer ou engordar ajuda para ter filho (engravidar)".

 

"doutor pedro

espiritualista medium naturopata

O mais importante da mediuminidade e espiritualidade è obter resultados, rapidos e garantidos a 100%. Dotado de poderes, ajuda a resolver problemas dificeis ou graves em pouco dias, tais como: Amor, insucessos, depressões, negocios, injustiças, casamento, impotência sexual, maus olhados, doenças Espirituais, sorte nas candidaturas, desporto. Exames e protecção contra perigos como acidentes em todas as circonstâncias. Aproxima e afasta pessoas amadas, com rapidez total. Se quer prender uma vida nova e pôr fim a tudo o que o preocupa, nâo perca tempo, contacte o dr pedro e ele tratará o seu problema com eficácia e honestidade. Faz emagrecer ou engordar ajuda para ter filho (engravidar).

consulta á distancia e pessoalmente de segunda a sabado, das 9 ás 21 horas

CONTACTO 21xxxxxxxx ou 96xxxxxxx 91xxxxxxx ou 93xxxxxxx"

sexta-feira, março 28, 2008

O GRÁVIDO...OU AMERICAN BEAUTY DO SEC XXI

Pela primeira vez, um transexual masculino poderá ter um filho
27.03.2008 - 18h09 Sofia da Palma Rodrigues
Thomas Beatie vive no estado norte-americano de Oregon e será, dentro de quatro meses, o primeiro transexual a dar à luz uma criança. Depois de uma tentativa falhada, e de médicos se terem negado a tratá-lo, Beatie conseguiu engravidar. Na ficção, Arnold Schwarzenegger já o tinha conseguido em ”Júnior”. Na vida real é a primeira vez que acontece.

Beatie nasceu mulher e, desde que resolveu mudar de sexo, submeteu-se a tratamentos de testosterona. Eliminou os peitos femininos e teve a sua última menstruação há mais de oito anos. Resolveu contudo conservar os seus órgãos reprodutores: “Ter um filho biológico não é um desejo masculino ou feminino, é um desejo humano”, afirmou num artigo publicado na revista norte-americana para a comunidade gay “The Advocate”.

A vontade de ter um filho tem mais de 10 anos, altura em que Beatie casou com Nancy, a sua mulher. Como Nancy não podia ter filhos, fruto de uma histerectomia a que foi sujeita há 20 anos, Beatie resolveu recorrer à inseminação artificial e a um banco de esperma. Para conseguir engravidar teve que deixar os tratamentos de testosterona durante quatro meses. “O meu corpo regulou-se por si mesmo. Não tive que tomar estrógenos nem progesterona para favorecer a fertilidade”, afirmou.

Segundo Mário de Sousa, especialista em reprodução medicamente assistida, Thomas Beatie é uma mulher com suave aparência masculina através do recurso a um processo de alteração do corpo: o especialista chama-lhe estectomia e endogeneização. “A testosterona tomada poderá ter provocado uma atrofia nos órgãos reprodutores femininos mas há muitas pessoas que conseguem recuperar o metabolismo normal. Se assim for, não há nenhuma diferença entre o aparelho reprodutivo deste transexual e o de uma mulher”, esclarece o especialista.

Quando questionado acerca de como se sentia um "homem grávido”, Beatie respondeu: “Incrível. Estou estável e seguro de mim mesmo como homem que sou. Eu serei o pai, Nancy a mãe, e seremos uma família”. “Sou um transgénero, legalmente homem e legalmente casado”, afirmou. E, por isso, diz não encontrar qualquer entrave na sua gravidez. “Para os nossos vizinhos, para a minha mulher Nancy e para mim não parece nada fora do normal”, resumiu Beatie.Apesar disso, admite que todo o processo foi um desafio e lamenta que muitos médicos o tenham discriminado. “Alguns rejeitaram-nos por causa de crenças religiosas. Outros recusaram dirigir-se a mim como um homem e reconhecer a Nancy como minha mulher. Nem mesmo alguns amigos e familiares nos apoiaram, a maioria da família da Nancy nem sequer sabia que eu era transexual”, desabafa Beatie.

Mário de Sousa diz este tipo de situações também se verificam em Portugal, rejeitando-se ilegalmente o tratamento deste tipo de casais nos centros de reprodução medicamente assistida.

ALICIANTE

Aliciante e motivador é como poderei definir o convite de um(a) colega e amigo(a) para com ele(a) colaborar na manutenção (e quiçá enriquecimento pela diversidade) deste Médico Explica.

A minha perspectiva será necessariamente diferente da do MEMAI n.º 1...mas aquilo que nos une na análise das situações e no posicionamento interventivo é bem mais do que aquilo que, salutarmente, nos diferencia.
MEMAI n.º 2 ( ou será o n.º 3 ?)
ao 28º dia do terceiro mês do ano da graça de 2008 ( por acaso...data do meu aniversário...ah...a idade nem às paredes confesso)

Novos Membros!

Manter um blogue é difícil. Postar com regularidade, ainda mais difícil.

Por isso o autor deste blogue alargou desde o início do ano a "postagem" a mais dois colegas, em período experimental.

Agora em efectividade de funções, os novos membros, tanto poderão assinar como Médico Explica , quer com os seus nicknames.

E assim continuará a ser, polémico e educado, esclarecedor e lutando contra a iliteracia científica e agora com maior frequência. Esperemos que para melhor!

O blogue, amado por uns e odiado por outros, continuará com a sua MISSÃO: "Explicar Medicina A Intelectuais", explicando e não ensinando.

segunda-feira, março 24, 2008

Apenas Uma Faceta Da Medicina Defensiva.

Óbitos: Causas de quase 13 mil ficaram por esclarecer, in Diário Digital.

"Quase 13 mil pessoas morreram, em 2005, em Portugal, sem que os médicos
conseguissem determinar a causa da sua morte, tendo-se apenas em metade dos
casos procurado esclarecer os motivos que levaram aos óbitos, através de
autópsias, noticia hoje o Público."

Eu, médico, me confesso autor de muitas certidões de óbito onde escrevo: morte de causa desconhecida.

Por vezes temos quase a certeza da causa de morte, mas não vá algum familiar ou advogado tecê-las e dizer: Ah se morreu por isto poderia ter sido salvo se e se e se e se e se, portanto foi negligência.

Assim, com esta causa, caso o tribunal decida faz-se uma autópsia que é um dos exames mais específicos para determinar a verdadeira causa de morte....

sábado, março 22, 2008

Piercingues Húmidos (Segundo O Novo Acordo Ortográfico...)

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Neste novíssimo blogue .Blog e do post O piercing proibido II, retirei uma crónica de Ferreira Fernandes, no Diário de Notícias:

GOVERNO SIMPLIFICA A LÍNGUA
Num país em que "a minha pátria é a língua portuguesa" era inevitável o sobressalto patriota. Aconteceu ontem: fica proibido pôr um piercing na pátria. Comprova-se a vontade em simplificar a língua: depois do acordo ortográfico, tira-se o piercing. A pátria ficou mais coesa: havia portugueses com piercing na língua e portugueses sem piercing na língua - ficou um país de língua única (t irando o mirandês). Quando a lei sair no Boletim, a língua oficial é sem piercing. Tudo porque, parece, um piercing pode matar. Por isso o Governo decidiu perder o latim com o assunto: não quer uma língua morta. Legislou-se, pois, para que haja tento com a língua. Mas se passa a ser proibido, passa a poder ser controlado. Como? Vejo o polícia: "Importa-se de nos mostrar a língua?" É o tipo de caça à multa sem escapatória. Se um cidadão tem piercing, e mostra, multa-se por infringir a nova lei. Se não tem, multa-se por causa da lei antiga: mostrar a língua à autoridade é desrespeito.
Ferreira Fernandes, in Diário de Notícias

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Piercing site.

Potential Complications of Body Piercings.

Ear Allergic reaction, auricular perichondritis, embedded earrings, infection, keloid formation, perichondral abscess, traumatic tear.
Genitals (women) Allergic reaction, compromise of barrier contraceptives, infection, keloid formation.

Genitals
(men)

Frictional irritation, infection, paraphimosis, penile engorgement, priapism, recurrent condyloma, urethral rupture, urethral stricture, urinary flow interruption
Mouth

Airway compromise, altered eating habits, gingival trauma, hematoma formation, increased salivary flow, infection, injury to salivary glands, interference with radiographs, loss of taste, Ludwig's angina, pain, permanent numbness, speech impediments, tooth fracture or chipping, uncontrolled drooling

Navel (umbigo) Bacterial endocarditis,* frictional irritation, infection, jewelry migration and rejection
Nipples (mamilos) Abscess formation, bacterial endocarditis,* breastfeeding impairment, infection
Nose Infection, jewelry swallowing or aspiration, perichondritis and necrosis of nasal wall, septal hematoma formation
Referência aqui.

*-In patients with moderate- to high-risk cardiac conditions.

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quinta-feira, março 20, 2008

'Hooligans' nos jornais!

Que Emídio Rangel é um homem violento, já sabíamos.

Agora que responde de forma despropositada e desproporcionada a uma pacífica manifestação de professores, não sabíamos.

Se os professores que vieram a Lisboa "em autocarros alugados pelo Partido Comunista" - por aqui se pode ver como Rangel parou no tempo, são hooligans que dirá o Emídio à aluna que agrediu uma professora (estava no youtube, estava!) em plena sala de aula? Talvez uma "serial killer".

Aconselho o nosso Rangel a consultar um médico urgentemente: pode começar pelo seu médico de família que após uma primeira observação, tanto o poderá enviar para um colega neurologista se suspeitar de demência tipo Alzheimer, ou para um psiquiatra, se suspeitar de uma esquizofrenia em fase paranóica.

 

Só lendo, pois contado ninguem acredita...

 

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sábado, março 15, 2008

Solidariedade.

Do blogue

Timor Online - Em directo de Timor-Leste:

 

"Médicos cubanos atenderam a mais de 2 milhões de pessoas no Timor-Leste

GRANMA INTERNACIONAL/ EDICAO DIGITAL
Havana. 14 de Março de 2008
POR KATIA SIBERIA GARCÍA
OS médicos cubanos que prestaram serviços no Timor-Leste chegaram a Cuba ontem, à noite, após dois anos de colaboração nessa ilha do Sudeste asiático. No aeroporto internacional "José Martí", foram recebidos pelo membro do Bureau Político e ministro da Saúde Pública, José Ramón Balaguer Cabrera.
Os médicos cubanos salvaram pessoas em meio a constantes conflitos armados, atenderam a mais de 2 milhöes de pacientes, criaram uma Faculdade de Medicina onde se estão formando 148 médicos timorenses e contribuíram para a redução da taxa de mortalidade infantil. Estas são algumas das tantas experincias e conquistas dos 177 membros da brigada médica cubana nesse país.
O chefe da brigada, Roberto Fernández Cordovés, disse ao Granma que durante a recente crise política no Timor-Leste, apenas permaneceram no país os cooperadores cubanos, razão pela qual, disse, "fazemos parte da história desse povo".
O ministro da Saúde Pública manifestou sua admiração e respeito pelos internacionalistas, aos quais congratulou, especialmente, por seu complexo e corajoso desempenho, mesmo pondo em perigo suas vidas."

sexta-feira, março 14, 2008

Subscrevo...

Crónica publicada no Diário de Notícias de 11-03-2008.

 

"AS MATERNIDADES NÃO DEVIAM CHEIRAR A ÉTER


João Miguel Tavares
jornalista
jmtavares@dn.pt

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O Guilherme nasceu há dez dias no Hospital de Santa Maria. É o meu terceiro filho. Graças a ele, fiquei a fazer parte de uma elite cada vez mais elitista: só uma em 20 famílias portuguesas tem três filhos ou mais. Portanto, a partir de agora, podem esperar textos sobre os escalões de IRS para famílias numerosas (uma infâmia), a escassez do Estado no ensino pré-escolar (uma vergonha) e a ausência de apoios à maternidade (um escândalo). Sabem como é: cada um queixa-se onde lhe dói. Mas, no caldo político e social em que estamos mergulhados, a falta de atenção em relação às famílias é realmente extraordinária. E começa no dia um - o dia em que os nossos filhos nascem.


Não me interpretem mal. As maternidades de Lisboa estão cheias de médicos que sabem o que estão a fazer, o parto correu muito bem, o bebé nasceu fresquíssimo e dois dias depois a minha mulher já estava em casa. Só que toda a competência técnica revela, ao mesmo tempo, uma enorme escassez do factor H - aquele pingo de humanidade que faz a diferença entre o parto ser um obstáculo a ultrapassar ou uma experiência a recordar. Em Portugal, é um obstáculo. Uma operação cirúrgica assim como se fosse uma apendicite. Aliás, desconfio que a única coisa que neste país distingue uma maternidade de um hospital é não se enviar para incineração aquilo que se extrai da barriga.


Juro que não sou picuinhas. Quando se chega ao terceiro filho já se exibem orgulhosamente as feridas de guerra. Mas continuo sem perceber porque é que os pais são tratados como um empecilho que é preciso aturar: assinam papéis para aceitarem ser escorraçados da sala de partos mesmo quando não chegam a entrar nela (não podem assistir às cesarianas); têm de ameaçar imolar-se à porta de entrada só para saberem se a mulher que desapareceu há duas horas já levou a epidural; são informados do nascimento via fax (a sério) uma hora depois de o bebé ter efectivamente nascido; só podem ir ter com a mãe e com o filho à enfermaria a partir da uma da tarde e são tratados como qualquer visita; enxotam-nos para fora do quarto sempre que uma enfermeira entra para medir a tensão, mudar o soro ou enfiar mais uma cama; e nem sequer ao refeitório têm autorização de acompanhar a mulher, com medo, sabe-se lá, que acabem a roubar a sopa das outras parturientes. Tudo isto é um absurdo em pleno século XXI.

Quando por toda a Europa se procura transformar o parto num acto íntimo e familiar, por cá as crianças continuam a nascer imersas em éter e num profissionalismo frio como a lâmina de um bisturi. O País não é grande coisa, é certo, mas ao menos podia receber os seus filhos com alguma alegria."

quinta-feira, março 13, 2008

Mesmo Não Residindo em Vitorino de Piães...

... e só pelo que dizem os jornais, julgo que aqui haverá um processo de sinistrose. Quantas pessoas não sofrem de "... cervicalgia e lombalgia degenerativas". Milhares e milhares.

 

A sinistrose não deixa de ser uma doença, mas psíquica...

"Ana Maria Brandão com mais um mês de baixa


PAULO JULIÃO, Viana do Castelo

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De baixa em baixa, esta é a sina da funcionária pública de Ponte de Lima, vítima de uma doença degenerativa que a faz depender de terceiros para "sobreviver". Depois de ver dois pedidos de reforma antecipada recusados pela Caixa Geral de Aposentações (CGA), Ana Maria Brandão está de baixa médica desde Dezembro, por depressão e assim vai continuar pelo menos durante mais 30 dias.
"A minha vida agora é isto. De baixa, sem salário e a depender dos meus pais para comer e comprar medicamentos", afirmou ao DN Ana Brandão, depois de segunda-feira ter visto a médica de família renovar-lhe a baixa. "Só queria que me dessem paz para lutar contra a minha doença", conta, desiludida. Entretanto, já pediu à CGA o respectivo processo clínico de forma a solicitar uma nova (a segunda) junta médica de recurso, mas esta já ao abrigo das novas regras, que recentemente entraram em vigor.
Portadora de cervicalgia e lombalgia degenerativas, Ana Maria Brandão, de 44 anos, funcionária administrativa da Junta de Freguesia de Vitorino de Piães, em Ponte de Lima, esteve três anos de baixa mas a 5 de Novembro de 2007 foi obrigada pela CGA a regressar ao trabalho. Tal como faz no seu dia-a-dia, cumpriu o horário laboral sempre acompanhada pelo pai, sentada numa cadeira, encostada a uma parede. Isto até que o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, anunciou que entraria novamente de baixa médica até que a CGA procedesse à reapreciação do caso, o que acabaria por ditar, nesse mesmo mês, novo "chumbo".
Para agravar a situação, já não recebe o salário desde Dezembro, depois de a junta ter decidido, unilateralmente, que Ana Maria iria de "licença sem vencimento".
"Mas eu pedi alguma coisa dessas? Deixam de me pagar, não me dão satisfações, mais pareço um boneco", afirma Ana Maria Brandão, revoltada.
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