Mais uma do INEM ...
Centro de saúde afirma que o 112 foi chamado por três vezes
Criança atropelada em Beja foi para hospital em carro de médico por falta de ambulância
20.06.2008 - 16h39 Lusa
Uma criança atropelada ontem perto do Centro de Saúde de Beja deu entrada naquela unidade com ferimentos graves, tendo sido determinada a sua transferência para o hospital. Após três contactos com o número de emergência 112 e sem que fosse enviada uma ambulância para o centro de saúde, a criança acabou por ser transportada para a unidade hospitalar no carro de um médico.
A criança, de três anos, foi atropelada cerca das 08h40, quando, acompanhada pela mãe, atravessava uma passadeira na Rua José do Patrocínio Dias, perto do centro de saúde, unidade onde foi inicialmente socorrido. Mas devido à gravidade dos ferimentos, foi decidido que a vítima teria que ser transferida para o hospital de Beja, tendo sido solicitada uma ambulância ao 112.
De acordo com a directora em exercício do Centro de Saúde de Beja, Edite Spencer, após "três chamadas" para o número de emergência, a primeira efectuada pela condutora do carro que atropelou a criança e "duas feitas pelo próprio centro de saúde", e de "uma espera de quase meia hora, sem que tenha aparecido qualquer ambulância para deslocar a criança até ao hospital", foi decidido transportar a vítima numa viatura particular.
"O estado da criança estava a agravar-se, não conseguíamos uma ambulância e, sem os meios necessários para actuar no centro, decidimos transportar a criança para o hospital no carro de um médico", contou à Lusa Edite Spencer.
Nas duas chamadas feitas a partir do centro de saúde, uma efectuada por um segurança e outra pela própria directora da unidade, o 112 foi informado que o centro de saúde "tinha uma criança acidentada e que precisava de ser transportada para o hospital".
Por sua vez, o 112, nas duas chamadas, disse que o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) "já tinha conhecimento da ocorrência", referiu a responsável, lamentando que o centro de saúde "não tenha recebido retorno do CODU". "Neste caso, seria normal um médico do CODU contactar o médico do centro de saúde para se informar do estado clínico do doente e, dada a gravidade, activar o transporte, o que não aconteceu", explicou Edite Spencer.
Depois de esperar "quase meia hora" por uma ambulância 112 ou pela Viatura Médica de Emergência e Reanimação de Beja, que "não apareceram", Edite Spencer, "com o consentimento dos pais", ordenou o transporte da criança até ao hospital "no carro particular de um médico do centro de saúde" e no qual seguiu "acompanhada por dois médicos e pela mãe".Segundo o gabinete de comunicação do Centro Hospitalar do Baixo Alentejo, que gere o hospital de Beja, a criança entrou naquela unidade "às 09h13" em "estado considerado grave" e, depois de submetido a vários exames complementares de diagnóstico, foi transferida, às 11h18, para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa.
INEM nega pedido de transporte inter-hospitalar
Contactado hoje pela Lusa, o porta-voz do INEM, Pedro Coelho, confirmou o registo de três chamadas para o CODU, "uma primeira, às 08h43, feita por um particular", "informando do atropelamento e dando conta que a criança já estava no centro de saúde". Seguiram-se, posteriormente, "às 08h51 e 08h53", outros "dois contactos da central 112 e não do centro de saúde, a perguntar se o CODU tinha conhecimento da situação", acrescentou Pedro Coelho. "Nas duas conversas com o 112, o CODU confirmou que já sabia da situação e que tinha sido informado que a criança já estava no centro de saúde e que aguardaria comunicação" daquela unidade "caso fosse necessária mais alguma intervenção", disse a mesma fonte. O responsável garantiu ainda que, nas três chamadas recebidas no CODU, "não foi feito qualquer pedido de transporte inter-hospitalar, entre o centro de saúde e o hospital de Beja". "Se tivesse havido esse pedido, não o teríamos recusado", frisou. Confrontada pela Lusa com a posição do INEM, Edite Spencer disse que o Centro de Saúde de Beja "não falou directamente com o CODU" porque tal "não faz parte do protocolo". "Tal como está protocolado, ligámos para o 112, que é a entidade que estabelece a ligação com o CODU", à qual, "por sua vez, compete accionar os meios de socorro e emergência necessários", sublinhou Edite Spencer, que disse já ter dado conhecimento do caso, "oralmente e através de ofício escrito", à Administração Regional de Saúde do Alentejo.











