domingo, julho 20, 2008

Tanto Defenderam Gestores Não-Médicos Que O Resultado Está À Vista: Estes Gestores Pensaram Que Estavam No BCP! (Últimas linhas sobre cancro. LEIAM!)

Ministério diz que situação actual é "muito diferente"

"Inspecção-Geral da Saúde detectou irregularidades no valor de 1,2 milhões de euros entre 2003 e 2004", na Última Hora do Público, mas que de última hora nada tem pois esta notícia tem meses...

"A Inspecção-Geral da Saúde detectou, entre 2003 e 2004, irregularidades no valor de 1,2 milhões de euros. Esse valor foi pago em remunerações indevidas e regalias excessivas às direcções dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde, mas o Ministério da Saúde garantiu hoje à Lusa que a situação actual é "muito diferente".

De acordo com o "Jornal de Notícias" (JN) de hoje, "os dois relatórios da IGS à gestão dos hospitais públicos são categóricos na acusação: a mudança do regime de gestão hospitalar iniciada em 2002 foi marcada por inúmeras irregularidades e centenas de privilégios indevidos".
O primeiro relatório foi encomendado pelo então ministro da Saúde, Luís Filipe Pereira, que quis saber tudo sobre as remunerações e regalias sociais dos dirigentes dos estabelecimentos e serviços do SNS, mas quando as conclusões chegaram já ele tinha sido substituído por Correia de Campos.
A investigação indica que "o SNS tinha gasto indevidamente com os órgãos gestores dos hospitais públicos quase um milhão e 200 mil euros", sendo que, destes, "486 mil diziam respeito aos hospitais SA e 709 mil aos do Sistema Público Administrativo (SPA)", refere o jornal.
Mais de 90 por centro do valor total já foi devolvido ao Estado
Fonte do gabinete da ministra da Saúde, Ana Jorge, garantiu hoje à Lusa que "mais de 90 por cento deste valor já foi devolvido ao Estado".
Entre as irregularidades, foram detectados casos de "um director clínico, para além do seu normal vencimento, recebia também uma remuneração por ser assessor da sua própria direcção; subsídios de representação eram atribuídos, indevidamente, nos meses de férias e Natal e com efeitos retroactivos; Conselhos de Administração autopromoviam-se para o escalão máximo de remuneração", segundo o JN.
Além disso, adianta o jornal, "foram dadas ordens de aquisição de viaturas até 40 mil euros (valor superior ao permitido) e alugadas viaturas por períodos de 60 dias sem a respectiva autorização", sendo que "uma das respostas aos inquéritos dizia até que uma viatura era usada para uso pessoal 'mas com moderação'".
Também nas despesas do telemóvel se atribuía, muitas vezes, "um valor superior ao legal", sendo a lista "infindável".
Na sequência das irregularidades detectadas, "alguns processos disciplinares foram instaurados", explicou à Lusa a fonte do Ministério da Saúde, adiantando que "algumas acções estão concluídas e outras encontram-se em fase de conclusão".
Segundo também a fonte do Ministério da Saúde, "a realidade actual nos hospitais do SNS é muito diferente da que é relatada no relatório da IGS, na sequência de posterior legislação e acatamento das recomendações" então formuladas."

É giro como para vender mais papel, o único caso personalizado é de um director-clínico, portanto médico.

Rio-me sozinho quando vejo estas notícias. O filão da Saúde estará a acabar porque tudo nos media é efémero.

Agora até o cancro vende.

Cancro num órgão nobre.

Pois continuarão a existir cancros que nunca verão a luz do dia ou melhor nunca terão os seus quinze minutos de fama (a menos que se descubra uma vacina, por mais questionável que seja!): coitados dos cancros do testículo, da vulva, da vagina, do escroto, do pénis, do epidídimo, do ânus, da língua, e por aí fora...

quarta-feira, julho 16, 2008

Comunicado conjunto


O Secretário-Geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) e o Presidente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), reflectindo sobre o actual momento político sindical e as envolventes sobre legislação laboral, contratação colectiva, formação médica e carreiras médicas, acordam propor às estruturas que lideram, a realização próxima de encontros bilaterais sobre aqueles temas de que resulte inequívoco acordo estratégico.O SIM e a FNAM não prescindem da negociação de matérias que lhes estão legal e exclusivamente adstritas e reafirmam o seu propósito de demonstrar inequívoca unidade na defesa daqueles princípios negociais, não tolerando interferências despropositadas e ilegítimas de estruturas, quaisquer que sejam e por mais bem intencionadas que se declarem.De igual modo, reafirmam que a contratação colectiva, a estabilidade laboral e as carreiras médicas são pilares do Serviço Nacional de Saúde e, em consequência, da qualidade do exercício da Medicina e da saúde dos Portugueses.

Lisboa, 16 de Julho de 2008





Até ao momento, ainda não tinha havido qualquer comentário de nenhum dos Sindicatos Médicos, na sequência do jantar tertúlia efectuado pela O.M., há algum tempo atrás.



Mas pelo teor do comunicado conjunto, pelos vistos, a "refeição" que a O.M. serviu ou o que por lá se passou ou passa, ultrapassa e muito as competências da dita Ordem.



É caso para o Pedro Nunes, não se meter onde não é chamado e provar da sua receita, provavelmente fazendo uma certificação do "grau" de bastonário.

domingo, julho 13, 2008

Porque no te callas, oh MST ?

Há figuras da nossa praça a quem as luzes da ribalta ofuscam e tiram o sentido das conveniências...discorrem sobre tudo e sobre nada, quantas vezes dizendo asneira...mas têm guarida como colunistas dos diários....
Miguel Sousa Tavares é uma dessas figuras, quantas vezes "arrotando postas de pescada" sobre assuntos médicos ... Daí que quebre a regra de aqui postar apenas sobre assuntos ligados à Medicina e à Saude... mas, pensando bem, estarei a quebrar mesmo essa regra...?

Bem, mas o insigne e douto MST esta vez terá virado Indiana Jones...a resposta do Manuel Maria Carrilho no Diário de Notícias é a que se segue:

ILITERACIA DAS ELITES?
Manuel Maria Carrilho

Em todo o mundo, são apenas 878 os bens e os sítios que estão classificados pela UNESCO como Património Mundial. Esta classificação é um símbolo de reconhecimento do excepcional valor do património em causa, e um estímulo não só à sua manutenção mas, também, à sua contínua valorização.A competência, a prudência e o grau de exigência com que o Comité do Património Mundial tem sempre actuado, tornaram inquestionáveis as suas decisões.

É por isso tão surpreendente como patusco ver, no Expresso de sábado passado, Miguel Sousa Tavares pretender pôr em causa o valor patrimonial das gravuras do Vale do Côa, insinuando que este comité é constituído por "alguns oportunistas" que "decretaram ser gravuras paleolíticas" uns "tacanhos rabiscos numas pedras". Rabiscos aos quais, note-se, a "maior autoridade mundial na matéria" (convenientemente deixada no anonimato!...) teria atribuído "entre 30 e 300 anos".

Trata-se de afirmações completamente mistificatórias, que impõem alguns esclarecimentos. Em primeiro lugar, para referir que o incontroverso apuramento da idade paleolítica e do valor científico e patrimonial das gravuras do Côa foi feito em 1996 por uma equipa internacional de peritos que incluía alguns dos maiores especialistas mundiais na arte paleolítica (P. Bahn, R. de Balbin, M. Lorblanchet, S. Ripoll, V. Villaverde e D. Sacchi), que consideraram unanimemente o Vale do Côa como a maior concentração de arte rupestre paleolítica no mundo.
Depois, para lembrar que o património do Vale do Côa foi também avaliado em 1997 no quadro da sua classificação como Monumento Nacional pelo Estado português e, mais tarde, em Dezembro de 1998, pelo mais exigente comité do mundo em questões patrimoniais, que é justamente o Comité do Património Mundial da UNESCO.

E foi este comité que então deliberou consagrar o Vale do Côa como Património da Humanidade, com base em critérios que, naturalmente, incluem a sua cronologia paleolítica: "Criterion I: The Upper Palaeolithic rock-art of the Côa valley is an outstanding example of the sudden flowering of creative genius at the dawn of human cultural development. (...) Criterion III: The Côa Valley rock-art throws light on the social, economic, and spiritual life on the life of the early ancestor of humankind in a wholly exceptional manner." (cf. http/whc.unesco.org/en/list/866).Por fim, para dizer que obviamente se respeitam todas as opiniões sobre a política seguida no Vale do Côa desde finais de 1995 até hoje. (Seria de resto desejável que se fizesse uma discussão séria sobre o assunto, para a qual me declaro inteiramente disponível.)

Mas é preciso sublinhar que de modo algum se pode aceitar que, num impulso que revela irresponsabilidade, mas também total ignorância sobre a matéria, se ponha em causa o carácter paleolítico e o valor cultural das gravuras do Côa, repetidamente confirmados por todos os peritos consultados, e desde 1998 consagrado pela UNESCO.

Ao fazê-lo, Miguel Sousa Tavares lembra o caso daquele indivíduo que imagina estar a fazer uma grande figura quando toscamente se ri dos astrónomos que afirmam que é a Terra que gira à volta do Sol! Caso que, infelizmente, é mais frequente do que se julga, e ilustra bem a iliteracia cultural e científica de algumas das nossas elites, que afinal se comportam - seguras da impunidade de que beneficiam - como autênticos parasitas do atraso português.

Que não haja quaisquer dúvidas: Portugal tem no Vale do Côa um património único do qual, em termos mundiais, se deve orgulhar. É isto mesmo que se destaca no recente documentário de Jean-Luc Bouvret, Côa, la Rivière aux Mille Gravures, que tem sido exibido por todo o mundo com assinalável sucesso. A questão é a de se saber protegê-lo, valorizá-lo e integrá-lo num projecto de desenvolvimento da região e do País - é sobre este ponto que, a meu ver, deve incidir o debate

sexta-feira, julho 11, 2008

Qual mamífero aquático...porque não?

Primeiro bebé português a nascer dentro de água num hospital
02h26m
Manuel Molinos

Simão Pedro foi o primeiro bebé português a nascer dentro de água em contexto hospitalar. O parto aquático realizou-se terça-feira, numa banheira portátil, na Ordem da Lapa, no Porto, e teve o acompanhamento de duas enfermeiras, um obstetra e um pediatra.

Simão é assim o 17.º bebé a nascer dentro de água no nosso país, mas o primeiro numa unidade hospitalar. As outras 16 crianças nasceram em ambiente domiciliário. Em todo o mundo, estão registados cerca de 45.000 nascimentos na água.
"Com 2,8 kg, Simão Pedro nasceu em boas condições de saúde", contou, ao JN, Isabel Ferreira, uma das enfermeiras especialistas em saúde materna e obstetrícia que acompanharam os pais do bebé antes e durante o nascimento.
"O parto durou três horas e meia e foi antecedido de duas sessões preparatórias em duas piscinas da cidade", sublinhou Isabel Ferreira, que esteve propositadamente na Bélgica, durante uma semana, a participar num curso sobre esta modalidade de nascimento.
"A água alivia a dor, permite um parto mais rápido e sem auxílio de medicamentos", especifica a enfermeira.

Por definição, o parto na água acontece quando a mãe dá a luz com os genitais totalmente cobertos de água, embora o bebé possa nascer dentro ou fora da mesma.
Para um parto em boas condições, a água deve estar aquecida, entre 35 e 37 graus celsius, aumentanto a irrigação sanguínea da mãe e a diminuição da pressão arterial, além do relaxamento muscular.
Alguns médicos defendem que o parto na água pode não ser seguro, porque o bebé pode aspirar água. No entanto, os registos de incidentes nos partos aquáticos são muito raros.

quinta-feira, julho 10, 2008

Pen drive em vez de mochila

Projecto “Caderno Digital”
Maia: câmara quer substituir peso das mochilas dos alunos por pen drives
10.07.2008 - 19h09 Sandra Silva Pinto


As mochilas podem ter os dias contados. O mote do projecto “Caderno Digital” não é “Aprender sem livros”, mas a sugestão assenta-lhe como uma luva. No início do próximo ano lectivo, os alunos do ensino básico da Maia vão poder aceder a todos os conteúdos leccionados e trabalhos realizados nas aulas através de uma simples pen drive.

Todo o peso dos livros e cadernos pode agora ser substituído por uma pequena caneta USB facilmente transportável no estojo, pendurada ao pescoço ou até no bolso.


A iniciativa, pioneira no país, pretende simplificar o processo de estudo aos alunos – através de uma maior interacção multimédia com as novas tecnologias – e, também, expandir a ligação entre pais, educandos, professores e município. O “Caderno Digital” é um suporte de apoio pedagógico multimédia criado apenas para o primeiro ciclo que “disponibiliza aos alunos o acesso aos planos e conteúdos das aulas nas áreas de Português, Matemática, Inglês e Estudo do Meio através de quadros interactivos, múltiplas actividades e jogos pedagógicos, sempre articulados com as matérias leccionadas na sala de aula”, explica Sílvia Sousa, coordenadora do projecto.


Com um “layout” e “interface” semelhantes aos de um site, o sistema possibilita, ainda, o acesso a notícias e actividades da autarquia (responsável pela actualização periódica) e aos sites mais úteis do concelho, cuja lista pode ser alterada e adaptada a realidades específicas, tanto pela autarquia como pelos professores. Isto porque, em matéria de educação, os docentes têm um papel fundamental e o “Caderno Digital” é uma ferramenta de ensino. Por essa razão, tanto os professores como também os docentes de actividades de enriquecimento curricular vão receber uma “pen” mas com uma versão mais completa e com mais funções didácticas como, por exemplo, “inserir trabalhos realizados nas aulas ou fotografias de visitas de estudo”, depois de frequentarem uma formação já em curso, acrescenta a coordenadora.


Se pedagogicamente é correcto, isso é outra história... Mas a coluna vertebral e a musculatura paravertebral das crianças que hoje vemos vergadas ao peso das bojudas mochilas escolares por certo que ficarão gratas !

terça-feira, julho 08, 2008

Decisão sobre aquisição de helicópteros de emergência terá em conta compromissos já assumidos


08.07.2008 - 16h36 Lusa
O Ministério da Saúde terá "em conta os compromissos já assumidos" na decisão final a tomar sobre a necessidade de novos helicópteros de emergência, segundo fonte oficial do gabinete de Ana Jorge.


Em entrevista à Antena 1, o presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) admitiu que podem ser desnecessários helicópteros de emergência que estavam previstos para o Alentejo, Trás-os-Montes a Beira Alta devido à decisão de manter abertas algumas urgências médico-cirúrgicas.


Numa reacção à Lusa sobre estas declarações, uma porta-voz do ministério informou que o INEM entregou na semana passada à tutela um estudo de "natureza técnica sobre a necessidade/utilidade de entrada em funcionamento dos novos helicópteros de socorro".


"Esse estudo está a ser analisado no Ministério da Saúde, sendo certo que a decisão final terá em conta os compromissos já assumidos", afirmou a mesma fonte.


Quanto ao financiamento do INEM, o ministério lembrou que até agora o funcionamento da instituição tem sido sempre garantida com "receitas próprias, a maior parte das quais provenientes de seguros automóveis".


Abílio Gomes havia afirmado à rádio que o "crescimento do INEM muito grande num curto espaço de tempo" levou a direcção a encomendar um estudo para apresentar um plano de sustentabilidade financeira para o organismo.


O responsável avisou que dentro de três anos a revisão do orçamento do INEM terá de acompanhar a nova dimensão de respostas.


À Lusa, fonte da tutela referiu que o crescimento de meios de emergência pré-hospitalar "implica obviamente o aumento da despesa num cenário de médio prazo e isso obrigará a redefinir o molde de financiamento do INEM, cujas condições de operacionalidade são uma prioridade para o Ministério da Saúde".



É um facto!


Quando se tem dinheiro não existem barreiras, compra-se tudo.


Depois, contam-se os tostões e verifica-se que não há sustentabilidade do que se iniciou.


Será a morte anunciada do INEM?


Não será esta atitude já tomada como uma maneira de estar, no planeamento quotidiano político português?

sábado, julho 05, 2008

A insustentavel indiferença perante a morte

Mulher morre sem assistência na sala de espera de hospital em Nova Iorque . Médicos e funcionários vão ser responsabilizados
Expresso on line

Um inquérito em curso e a suspensão ou demissão de médicos e empregados são as primeiras consequências do caso da mulher que morreu na sala de espera de um hospital psiquiátrico em Nova Iorque, nos Estados Unidos, por falta de assistência médica.

A história está a abalar os EUA. Uma mulher morreu na sala de espera do hospital psiquiátrico King County Hospital, em Brooklyn, e o seu corpo ficou estendido no chão durante 45 minutos, sendo ignorado por outros pacientes, médicos e enfermeiros que se encontravam no local, como mostra um vídeo do sistema interno de segurança do estabelecimento.


James Sauders, porta-voz da organização, disse que sete empregados do hospital vão ser demitidos ou suspensos: o director de psiquiatria, o chefe da segurança, um médico, duas enfermeiras e dois seguranças.

Segundo a União das Liberdades Civis de Nova Iorque, o 'staff' do hospital adulterou as gravações para tentar provar que a vítima estava sentada "calmamente" na sala de espera e que terá sido socorrida pouco tempo depois de tombar ao chão. Desde o dia 20 que está a decorrer um inquérito preliminar.

O caso remonta ao dia 19 de Junho. Hospitalizada por distúrbios nervosos, Esmin esperou 24horas para ser atendida e acabou por cair ao chão da sala de espera com convulsões. Esteve 45 minutos morta no chão sem ser socorrida. O vídeo do sistema interno do estabelecimento mostra que o seu corpo foi ignorado e que um funcionário chegou a empurrá-lo com o pé.

Homem engravidado à seringa


Parece ter chegado ao fim a gravidez do homem que é mulher, tendo sido o parto normal para felicidade das duas mães babosas...



Confusos? Não...é que o grávido é uma mulher que mudou incompletamente de sexo, fazendo ablacção dos seios e impregnando-se de testosterona mas não fazendo a clássica operação de mudança de sexo, com remoção e modificação dos genitais externos nem retirando o útero.


Daí que estivéssemos em presença de uma mulher de barba rija.




A revelação de hoje é que a inseminação foi feita de modo ardiloso e artesanal: recurso a um banco de esperma e a uma seringa para alimentação nasogástrica e ... toma lá disto!

quarta-feira, julho 02, 2008

Os calores descendentes do Bom Jesus

in Correio da Manhã
O espanto é geral entre a população de Vitorino de Piães, Ponte de Lima. Depois de toda a polémica em torno da reforma recusada e de oito meses de baixa médica por causa de doença supostamente degenerativa e incapacitante, a funcionária pública Ana Maria Brandão apresenta-se sem qualquer limitação física e aparentemente de boa saúde. Fala-se num milagre que terá ocorrido no Bom Jesus, em Braga.

"Foi uma graça do Cristo crucificado. Ela bem merecia, depois de quatro anos a sofrer, acamada e sem poder fazer nada", atestou Maria das Dores Lima, uma conterrânea de Ana Maria, contando que o suposto milagre terá ocorrido no feriado do Corpo de Deus.

Com uma cervicalgia e uma lombalgia degenerativas – após problemas em operações à coluna –, Ana Maria deslocou-se ao santuário do Bom Jesus, com a irmã e o afilhado. "O miúdo começou a chorar e a pedir ao Senhor para ajudar a madrinha, que estava em sofrimento e que sentiu um grande calor por ela abaixo. Mas só ao chegar a casa se apercebeu de que conseguia andar", descreveu Dores Lima.

A Má Leitura dos Media Sobre o Relatório da Primavera.

 

De um e-mail enviado à "redacção" do blog, embora sem pedido de publicação, mas não impedindo:

"Hoje, a realidade que se vive em Portugal é, no entanto, completamente diferente. Tendo o país atingido níveis bons de saúde, níveis já aceitáveis de resposta, a geometria dos sectores público e privado está a alterar-se de uma forma significativa. A oferta privada é agora mais abundante, geralmente de maior qualidade e, em alguns casos, tecnologicamente apetrechada, ao mesmo tempo que o sector público se tende a organizar em termos jurídicos, com vista a uma melhor gestão conducente a melhores cuidados e resultados em saúde. Segundo dados recentes do INE, a produção privada em saúde já atingiu o valor de 30%.

(in Relatório da Primavera 2008 – OPSS, p.3)

Aqui está um exemplo acabado de manipulação das palavras a alertar para a necessidade de se ser absolutamente explícito naquilo que se diz e escreve, principalmente num documento com esta relevância.

Atribuir ao Relatório uma afirmação segundo a qual o sector privado responde melhor, é uma completa mistificação relativamente ao que está escrito.

Aquilo que se está a comparar é o sector privado dos primeiros anos de vigência do SNS com o mesmo sector privado no momento presente. E o que se diz é que ele tem agora “geralmente maior qualidade” relativamente ao que apresentava há uns anos atrás.

É sabido que a grande imprensa não lê um documento desta extensão e nível técnico. Quando muito pega na introdução e conclusões finais. E basta que alguém encontre ou pense ter encontrado um soudnbite para que ele apareça replicado numa reacção em cadeia.

E este soundbite lança facilmente a confusão no grande público e na classe política, muito frágeis para este nível de discussão.

1º - Porque gera de imediato um uma predisposição para focalizar o problema numa particularidade e num determinado contexto

2º - Porque não é de todo verdade.

Esta afirmação, truncada na sua verdade, passa a vincular uma outra mensagem que, tomada dum modo absoluto e definitivo (como é regra dos media), esquece a parte fundamental das determinantes.

O que é responder melhor ? Quem avalia ? e sobre que aspecto ?

Para um utente “atender melhor” tem sobretudo a ver com a acessibilidade, conforto, atenção, simpatia, acolhimento.

Para os técnicos (apenas preocupados com a técnica) “atender melhor” relaciona-se fundamentalmente com o cumprimento do “estado da arte”.

Para os gestores de saúde “atender melhor” significa perseguir a melhor relação do binómio custo-benefício.

Para os políticos “atender melhor” depende fundamentalmente do impacto mediático das opções e do discurso inerente.

Por outro lado este “atender melhor” está intimamente relacionado com as escolhas do sector privado. E elas advêm do que é rentável e não do que é necessário. Ou seja, ao privado está reservada a prorrogativa da “selecção”, e esta é adversa por regra à doença crónica, ao grande trauma, às doenças catastróficas e ao grande risco cirúrgico   Quanto mais simples e reproductível for o procedimento, mais prevalentemente for a patologia e menor risco comportar a intervenção, melhor. É o princípio da “linha de produção” e da “grande superfície”. Por isso as patologias menos habituais são tão pouco atractivas.

Parece-me que os responsáveis do OPSS deveriam esclarecer este viés de leitura, se é que o interpretei correctamente.

HB"

segunda-feira, junho 30, 2008

Lembram-se? Acusei-a a Medo de Simulação.

 E disse "sinistrose" para não aplicar a palavra correcta "SIMULAÇÃO". Auto-censurei-me, aqui.

Era aquela jovem que dizia insistentemente que sofria de "cervicalgia" e "lombalgia" incapacitantes. As juntas médicas sucessivamente consideravam-na apta para o trabalho.

Vendeu capas revistas, páginas de jornais, abriu telejornais, o Ministro interveio.

Queria a reforma, fazia teatro com os colares cervicais, bengalas, cadeiras e a companhia do seu pai.

Agora, aqui, no Correio da Manhã, vem a verdadeira história: Pode vir a ser despedida! Fala em milagre e já corre, salta e sabe-se que outras coisas fará!

Ainda não confessou qual foi o santo milagreiro, mas que o seu lugar é fora da administração pública e quiça na barra dos tribunais, não tenho dúvidas (essa e outras salgadas que por aí polulam e que levam à certa os nossos distintos jornalistas.)

Mas engraçado, engraçado é o título que o correiozito da manhã escolheu para a notícia: "Funcionária pública pode vir a ser despedida", em gordas. 

Simplesmente essa frase! O leitor ao passar os seus olhos, quer lá saber qual vai ser o funcionário público a ser despedido. Eles são mais de meio milhão...

quinta-feira, junho 26, 2008

Se a moda pega...

Internamento de Pediatria de hospital em Amarante fecha de Julho a Setembro por falta de médicos
26.06.2008 - 10h03 Lusa

O internamento de Pediatria do Hospital de S. Gonçalo, em Amarante, vai encerrar nos meses de Julho a Setembro, devido à falta de médicos, disse hoje a administração do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS).
A administração do centro hospitalar - que agrega os Hospitais Padre Américo, em Penafiel, e de S. Gonçalo, em Amarante - alega "escassez de recursos humanos na especialidade de Pediatria", situação que provoca "dificuldades na gestão de escalas nos meses de Verão". "Foi decidido transferir para Penafiel o reduzido internamento de Pediatria, nos meses de Julho, Agosto e Setembro, para assegurar a qualidade assistencial aos doentes, sem recurso aos Hospitais do Grande Porto, mantendo-se todo o esquema de funcionamento previsto ao nível da consulta externa e urgência", informa a administração do Centro. José Alberto Marques, presidente do Centro Hospitalar, garantiu que a medida é transitória e que o serviço de internamento será reaberto no Hospital de S. Gonçalo a 1 de Outubro.

Se a moda pega...vai haver outros serviços a adoptar esta medida, nomeadamente alguns centros de saúde de norte a sul !

terça-feira, junho 24, 2008

Um Esclarecimento do Gabinete de Comunicação e Imagem do INEM ao Post ""Mais uma do INEM ..."

A voz do INEM com o mesmo destaque do post:

inem deixou um novo comentário na sua mensagem "Mais uma do INEM ...":
Exmo. Autor,
sobre este post importa informar que o 112 funciona nas centrais de Emergência da PSP, sendo quem atende efectivamente as chamadas e encaminha para o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do INEM as chamadas relacionadas com a área da saúde.
Ora, nesta ocorrência, quando a vítima já se encontrava no Centro de Sáude, recebeu o CODU uma chamada do 112 alertando para a situação. Uma vez que a vítima se encontrava aos cuidados de profissionais de saúde, o INEM registou a situação explicando que, caso necessário, alertassem para a necessidade do envio de um socorro mais adequado.
Ou seja, o 112 e o INEM são dois serviços distintos e o INEM não recebeu qualquer pedido do Centro de Saúde. Assim sendo, como poderia actuar? Se o Centro de Saúde pediu socorro ao 112 (Central de Emergência da PSP), não tendo sido encaminhada a chamada para o INEM, como poderia esta Instituição enviar socorro?
Não se tratou assim de negligência por parte do INEM que todos os dias salva vidas e que apenas envia meios para situações concretas. A gestão dos meios de socorro é feita de forma criteriosa, para que estes meios não faltem em situações necessárias, situações essas que infelizmente, ocorrem com alguma frequência. Aquando da chamada recebida no CODU pelo 112, nunca se deu a conhecer a necessidade do socorro do INEM a uma vítima que se encontrava com profissionais de saúde.
Esperamos desta forma ter contribuído para um esclarecimento e apresentamos os melhores cumprimentos,
Ana F. S. Ros
Gabinete de Comunicação e Imagem
Instituto Nacional de Emergência Médica
Rua Almirante Barroso, 36 / 1000-013 Lisboa – Portugal
Tel. + 351 213 508 108 / Fax. + 351 213 508 183
e-mail: ana.ros@inem.pt
Internet: www.inem.pt

Assim se valoriza o trabalho dos Médicos de Família...

O Sindicato Independente dos Médicos alerta no seu site para uma lamentável confusão da Senhora Ministra que foge ao cerne da questão e se deixa "levar" pela sua qualidade de médica hospitalar... e pode ter dado uma machadada no capital de confiança que poderia ter junto dos Médicos de Familia...

A Senhora Ministra da Saúde perdeu uma boa oportunidade para moralizar e rentabilizar o trabalho médico nos Centros de Saúde.
É o que se depreende das suas afirmações à comunicação social de hoje, em suposta resposta a oportuna intervenção da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), vertida no Jornal de Notícias, onde esta associação sindical se insurgia contra o acréscimo inútil de trabalho pedido aos Centros de Saúde nas transcrições de Exames Auxiliares de Diagnóstico provenientes dos Hospitais.

Ora a Senhora Ministra reafirma a necessidade, por comodidade, de os doentes fazerem exames fora do Hospital, o que ninguém contesta, esquecendo, de forma imperdoável, que os Conselhos de Administração da maioria dos Hospitais do SNS impedem os médicos daquelas Unidades de Saúde de solicitar os exames necessários em credenciais passíveis de utilização convencionada. Assim, aos doentes, só resta solicitar/exigir a transcrição dos pedidos de exames nos Centros de Saúde, se não puderem deslocar-se aos Hospitais para os realizarem. E é esta situação que é absurda, abusiva e eticamente insustentável.

Senhora Ministra: acabe com a confusão e determine a obrigatoriedade dos médicos das Unidades Hospitalares solicitarem, em credencial própria do SNS, os exames que entendam e decorram da sua observação clínica, a todos os doentes que, por razões geográficas ou de comodidade, não possam, ou não queiram, deslocar-se aos Hospitais para os realizarem.

O que é totalmente intolerável é continuar a proteger a ilegalidade do envio dos doentes aos Centros de Saúde para médicos especialistas transcreverem o trabalho de médicos especialistas, já que é impensável que a Senhora Ministra desconheça que este problema existe, como parece deduzir-se das suas palavras televisivas.destacar...16 de Junho de 2008 o2/n1992/t1/G.L/6

Pilulas milagreiras

Vendiam anfetaminas a clientes que queriam emagrecer
24.06.2008, José Bento Amaro
Publico

PJ atenta ao negócio dos comprimidos para perder peso e ao dos que fazem aumentar massa muscular
Algumas dezenas de lisboetas que desejavam emagrecer andaram durante meses a consumir anfetaminas sem o saber. Pensavam que estavam a tomar comprimidos que lhes permitiam não ganhar peso, substâncias quase milagrosas, susceptíveis de dispensar dietas rigorosas e dolorosas. A partir de agora, e depois da intervenção da Polícia Judiciária, emagrecer será bem mais difícil para estas lisboetas, uma vez que as duas vendedoras dos comprimidos foram detidas.

Sugestivamente intitulada Cintura Fina, a operação desencadeada pela Direcção Central de Investigação ao Tráfico de Estupefacientes (DCITE) identificou as duas vendedoras dos comprimidos que abasteciam a vizinhança, bem no centro de Lisboa. Tratava-se de duas mulheres de nacionalidade brasileira, ainda jovens, que aproveitavam as viagens ao seu país para virem carregadas com o produto, com o nome de "Senprofonex", que tem anfetaminas na sua composição e que, por isso, é um estimulante e, em consequência, um redutor do apetite.

Dizem os peritos policiais que o consumo excessivo de anfetaminas, para além de potenciar o emagrecimento dos consumidores, pode, em casos extremos, ter consequências fatais. As duas jovens vendiam a retalho, quase de porta em porta, espalhando cápsulas consoante as freguesas se sentiam mais ou menos esbeltas. Acabaram por ser descobertas, na passada sexta-feira, depois de uma operação inopinada dos investigadores da DCITE, que, nos últimos meses, tem dado especial atenção a este tipo de drogas, bem como às substâncias proibidas utilizadas nos ginásios e destinadas a aumentar a massa muscular.

O tráfico de anfetaminas em Portugal estará em expansão, a julgar pelo número de apreensões que as polícias têm feito.Em 2006, a Polícia Judiciária apreendeu mais de 33.700 gramas deste produto, bem como 96 comprimidos. No ano passado, as apreensões do produto em pó ficaram-se pelos 700 gramas, mas o número de comprimidos confiscados quase atingiu as 3 mil unidades.

As duas empreendedoras basileiras deveriam perguntar "Ei, cadê os outros ?"... porque são bem conhecidas as prescrições de nomes sonantes da nossa praça de pilulas milagreiras eventualmente tão perigosas como se tivessem anfetas...

E a charlatanice das dietas e produtos dietéticos milagrosos, que ora se suspendem ora se autorizam ? E os cremes, pomadas e mezinhas a metro ?

sábado, junho 21, 2008

Indo eu indo eu...a caminho de Viseu !

Fazem dezenas de quilómetros por um raio X
00h00m
teresa cardoso
JN
Ministério da Saúde tem três protocolos para Raio X convencional em Viseu, Lamego e Santa Comba Dão. Mas só dois são respeitados. Utentes recorrem à Cemedical. Gostam do serviço, mas gastam em combustível o que poupam em exames.

Os mais de 90 mil habitantes do concelho de Viseu não têm onde fazer um raio X comparticipado pelo Estado. Quem não quer ou não pode pagar aqueles exames, a custos de mercado, tem duas soluções: ir a Lamego ou a Santa Comba Dão. Isto porque a clínica protocolada na capital de distrito não faz radiologia convencional.

Entre as duas alternativas, os utentes optam invariavelmente pela Cemedical, em Santa Comba Dão. Compensará percorrer dezenas de quilómetros para fazer uma radiografia a um joelho, a um pé ou ao tórax? A maioria acha que sim. "Venho de Silgueiros, a 30 quilómetros de distância, quase sempre com idosos que não têm carro ou familiares disponíveis para os transportarem. Cobro 25 euros pela viagem já com o tempo de espera incluído. Muitos aproveitam para fazer mais do que um exame. Se fossem à privada, saía-lhes muito mais caro", testemunha João Pereira, taxista naquela freguesia de Viseu.
"Moro em Bodiosa. Venho fazer um exame aos rins. Se quisesse, neste caso, podia optar por Viseu. Mas já me habituei a vir à Cemedical. É também uma questão de justiça. Se esta clínica come os ossos, ao fazer aquilo que os outros não querem, também tem direito a realizar exames que rendam mais alguma coisita. Faço 80 quilómetros mas não me importo", corrobora Liberta Alexandre.

Os utentes chegam à Cemedical pelos mais diferentes meios. Mas é sobretudo de táxi e de carro particular que vencem distâncias de dezenas e centenas de quilómetros. Alguns aproveitam para fazer outros exames.
Mas nem só os utentes de Viseu recorrem àquela clínica privada.
Sérgio Américo, de Riodades, S. João da Pesqueira, fez 230 quilómetros para levar a mulher à Cemedical. Há 20 anos emigrado na Líbia, onde trabalha numa exploração de petróleo, explicou que o exame prescrito só podia ser feito em Viseu, a pagar, ou em Santa Comba Dão, neste caso por 15,70 euros de taxa moderadora. "Se fosse à privada pagava um balúrdio. Aqui é mais longe mas aproveito para almoçar e dar umas voltas".

Adalberto Tomás, administrador da Cemedical, reconhece que os exames de Raio X "são mal pagos". Mas diz que uma empresa como a sua, que tem investido milhões em instalações, equipamentos e recursos humanos, não se pode dar ao luxo de recusar trabalhos. "Até porque, atrás de um tórax, podem vir outros exames mais vantajosos na área da imagiologia", justifica.

Diferente entendimento tem a clínica Vale & e Ruas, Limitada, em Viseu. Apesar de ter um protocolo assinado com o Ministério da Saúde para fazer radiologia convencional, não aceita prestar estes serviços. "É verdade. Não sei exactamente quais são os motivos, mas creio que terão a ver com a sua baixa rentabilidade", disse ao JN uma responsável.

O coordenador da sub-região de Saúde de Viseu, José Carlos Almeida, lamenta que a sede de distrito não tenha resposta para os utentes que precisam de radiografias. Sobretudo quando há um protocolo em vigor. "Tínhamos dois. Um caducou, o outro mantém-se. As pessoas a quem o exame for recusado, devem fazer queixa nos serviços ou usar o livro de reclamações para que possamos agir". O dirigente explica que Viseu faz 92 mil exames radiológicos por ano que custam um milhão e 900 mil euros. "Contamos, ainda este ano, com a instalação de mais três laboratórios. As Unidades de Saúde Familiares vão dispor também de radiologia, e os hospitais vão abrir-se ao sector. Isto vai mudar".

Coisas De Que Os Media Não Falam...

No jornal Tempo Medicina, 1.º Caderno de 2008.06.23 (só acessível a médicos):

Presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) contra pedidos de transcrição de meios complementares de diagnóstico (MCD) aos centros de saúde

«É responsabilidade dos hospitais»

Para Pedro Lopes, ao pedir aos centros de saúde para requisitarem MCD, os hospitais estão a utilizar «armas que não são correctas» para conter custos. A ideia corrobora a posição da Fnam, que adjectiva esta situação de «malabarismo contabilístico».
Segundo Pedro Lopes, quando os cuidados de saúde primários enviam um doente para o hospital «é porque esse utente precisa de cuidados médicos da rede hospitalar» e, a partir do momento em que entra na rede, «é responsabilidade dos hospitais» esclarecer a sua situação clínica.


Assim se resume a posição do presidente da APAH, perante a carta enviada pela Federação Nacional dos Médicos (Fnam) à ministra da Saúde, dando conta da «transferência da requisição de exames complementares de diagnóstico necessários para as consultas externas, para os médicos dos centros de saúde».
Na missiva lê-se que esta é uma prática da qual resultam «pesados prejuízos para a eficiência global do sistema» e «subversões na responsabilidade da prescrição» que procuram «unicamente "sacudir" as despesas» dos meios complementares de diagnóstico dos hospitais para os cuidados de saúde primários, que os requisitam ao sector convencionado.


Em declarações ao «Tempo Medicina», Pedro Lopes reconheceu que há «muitos hospitais» a reenviar os doentes para os centros de saúde com o pedido de realização de MCD. Por trás desta atitude «está a pressão [de contenção] dos custos» nos hospitais, admitiu o presidente da APAH, embora advirta: «Não podemos fazer cortes nos custos utilizando armas que não são correctas.» Em causa está o princípio do «prestador/pagador», que dita que «se o hospital prescreve tem de assumir a responsabilidade financeira» do acto, frisou.


Contudo, para o administrador o reenvio de doentes com pedidos de exames também se prende com a má referenciação. «Quando os clínicos gerais enviam doentes para a rede diferenciada, estes têm de ir devidamente estudados, o que por vezes não acontece», afirmou.

[Uma no cravo, outra na ferradura! Pois a investigação de um doente, a partir de certo ponto, geralmente a partir do diagnóstico provisório, compete aos hospitais ou médicos da especialidade respectiva. Acontece, geralmente, que os hospitais repetem exames já feitos, até posso concordar, porque se trata de uma questão de confiança do médico, por outro lado há muitos exames que os centros de saúde não podem pedir e outros exames que os médicos dos cuidados de saúde primários não dominam, nem lhes compete dominar: cateterismos, ressonâncias magnéticas, PET SC, muitas análises imunológicas, e muitos outras técnicas que têm evoluído. O que não se compreende é que os hospitais peçam ao doente hemogramas, rx de tórax, bioqímicas, ecg, ecocardiogramas, etc, muitas vezes para avaliar a evolução dos doentes aos centros de saúde. E o doente é que sofre, pois tem que andar de um lado para o outro apenas por motivos burocráticos....]

Um argumento categoricamente negado por Mário Jorge Neves, dirigente da Fnam. «Não é isso que se passa», disse ao «TM». O sindicalista contou «que a maioria desses pedidos não deriva do défice de informação clínica», pois as denúncias recebidas pela Fnam relatam que «aos doentes acompanhados nas consultas externas hospitalares é feita uma prescrição oficiosa para serem os médicos de família a fazer as prescrições oficiais».
Estas solicitações, que registaram «um aumento» nas últimas semanas», não passam, para o médico, de «malabarismo contabilístico dos hospitais EPE» para «sacudir» custos e apresentar melhores resultados, o que comprova «a falência rotunda deste modelo de gestão».
Além de que dificulta a vida aos médicos de família, «afogados em actividades burocráticas e administrativas» que limitam «a capacidade de resposta» à lista de utentes.
SIM reage a ministra
A ministra da Saúde, na visita ao Hospital de Santa Marta (ver pág. 10), reagiu à carta da Fnam, garantindo aos jornalistas que «a responsabilidade do serviço prescritor/pagador ainda existe» e que a observação do doente, o pedido de exames complementares e a prescrição terapêutica «é da responsabilidade da instituição que o faz».

[Como anda nas nuvéns. Gostava de saber, como médica pediatra quantas requisições enjeitou para os CS.]

Todavia, admitiu: «Em algumas situações, como os doentes que moram muito longe da instituição, pode ser pedido o favor ao centro de saúde para fazer o pedido de exames.»

[Porque não recorrem aos derviços convencionados da sua área de residência!]

Quanto ao facto de se tratar de uma medida para os hospitais conterem os custos e passarem a factura dos MCD para os centros de saúde, Ana Jorge foi peremptória: «Estamos a falar de dinheiro do SNS, não faz sentido.»
As palavras da governante motivaram uma nota do Sindicado Independente dos Médicos (SIM) na sua página da internet. Nela lê-se que «ninguém contesta a necessidade de, por comodidade, os doentes fazerem exames fora do hospital», mas também diz que Ana Jorge esquece «de forma imperdoável» que os conselhos de administração «da maioria dos hospitais do SNS impedem os médicos» de «solicitar exames necessários em credenciais passíveis de utilização convencionada».

[Uma grande verdade, de que ninguém fala!]

O SIM considera esta situação «absurda, abusiva e eticamente insustentável», e pede que a ministra «determine a obrigatoriedade» dos médicos das unidades hospitalares solicitarem, em credencial própria do SNS, os exames que considerem necessários.

Rita Vassal

sexta-feira, junho 20, 2008

Mais uma do INEM ...

Centro de saúde afirma que o 112 foi chamado por três vezes
Criança atropelada em Beja foi para hospital em carro de médico por falta de ambulância

20.06.2008 - 16h39 Lusa

Uma criança atropelada ontem perto do Centro de Saúde de Beja deu entrada naquela unidade com ferimentos graves, tendo sido determinada a sua transferência para o hospital. Após três contactos com o número de emergência 112 e sem que fosse enviada uma ambulância para o centro de saúde, a criança acabou por ser transportada para a unidade hospitalar no carro de um médico.

A criança, de três anos, foi atropelada cerca das 08h40, quando, acompanhada pela mãe, atravessava uma passadeira na Rua José do Patrocínio Dias, perto do centro de saúde, unidade onde foi inicialmente socorrido. Mas devido à gravidade dos ferimentos, foi decidido que a vítima teria que ser transferida para o hospital de Beja, tendo sido solicitada uma ambulância ao 112.

De acordo com a directora em exercício do Centro de Saúde de Beja, Edite Spencer, após "três chamadas" para o número de emergência, a primeira efectuada pela condutora do carro que atropelou a criança e "duas feitas pelo próprio centro de saúde", e de "uma espera de quase meia hora, sem que tenha aparecido qualquer ambulância para deslocar a criança até ao hospital", foi decidido transportar a vítima numa viatura particular.

"O estado da criança estava a agravar-se, não conseguíamos uma ambulância e, sem os meios necessários para actuar no centro, decidimos transportar a criança para o hospital no carro de um médico", contou à Lusa Edite Spencer.

Nas duas chamadas feitas a partir do centro de saúde, uma efectuada por um segurança e outra pela própria directora da unidade, o 112 foi informado que o centro de saúde "tinha uma criança acidentada e que precisava de ser transportada para o hospital".

Por sua vez, o 112, nas duas chamadas, disse que o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) "já tinha conhecimento da ocorrência", referiu a responsável, lamentando que o centro de saúde "não tenha recebido retorno do CODU". "Neste caso, seria normal um médico do CODU contactar o médico do centro de saúde para se informar do estado clínico do doente e, dada a gravidade, activar o transporte, o que não aconteceu", explicou Edite Spencer.

Depois de esperar "quase meia hora" por uma ambulância 112 ou pela Viatura Médica de Emergência e Reanimação de Beja, que "não apareceram", Edite Spencer, "com o consentimento dos pais", ordenou o transporte da criança até ao hospital "no carro particular de um médico do centro de saúde" e no qual seguiu "acompanhada por dois médicos e pela mãe".Segundo o gabinete de comunicação do Centro Hospitalar do Baixo Alentejo, que gere o hospital de Beja, a criança entrou naquela unidade "às 09h13" em "estado considerado grave" e, depois de submetido a vários exames complementares de diagnóstico, foi transferida, às 11h18, para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

INEM nega pedido de transporte inter-hospitalar
Contactado hoje pela Lusa, o porta-voz do INEM, Pedro Coelho, confirmou o registo de três chamadas para o CODU, "uma primeira, às 08h43, feita por um particular", "informando do atropelamento e dando conta que a criança já estava no centro de saúde". Seguiram-se, posteriormente, "às 08h51 e 08h53", outros "dois contactos da central 112 e não do centro de saúde, a perguntar se o CODU tinha conhecimento da situação", acrescentou Pedro Coelho. "Nas duas conversas com o 112, o CODU confirmou que já sabia da situação e que tinha sido informado que a criança já estava no centro de saúde e que aguardaria comunicação" daquela unidade "caso fosse necessária mais alguma intervenção", disse a mesma fonte. O responsável garantiu ainda que, nas três chamadas recebidas no CODU, "não foi feito qualquer pedido de transporte inter-hospitalar, entre o centro de saúde e o hospital de Beja". "Se tivesse havido esse pedido, não o teríamos recusado", frisou. Confrontada pela Lusa com a posição do INEM, Edite Spencer disse que o Centro de Saúde de Beja "não falou directamente com o CODU" porque tal "não faz parte do protocolo". "Tal como está protocolado, ligámos para o 112, que é a entidade que estabelece a ligação com o CODU", à qual, "por sua vez, compete accionar os meios de socorro e emergência necessários", sublinhou Edite Spencer, que disse já ter dado conhecimento do caso, "oralmente e através de ofício escrito", à Administração Regional de Saúde do Alentejo.

terça-feira, junho 17, 2008

Douro agrupado?



No Correio da Manhã de hoje, vinha esta notícia que trancrevo:

"A Comarca de Cinfães, concordou que o Concelho passe a fazer parte de um agrupamento de Centros de Saúde, juntamente com Amarante, Marco de Canavezes, Baião e Resende."

Notícia curta e enfiada num canto sem grandes alaridos, mas que me deixaram com algumas dúvidas.

1- A Camâra concordou, mas quem da Camâra, o Presidente? Foi aprovado em reúnião de Camâra? Foi a Assembleia Municipal?

Não se sabendo, a responsabilidade não pode ser atribuída.

2- Pensava que os agrupamentos eram propostos pelas ARS ao Ministro da Saúde, que por sua vez os promulgava em portaria, de acordo com os aspectos técnicos propostos pela Missão dos Cuidados de Saúde Primários e saído em legislação própria e não por aspectos políticos discutidos e aprovados onde menos se sabe e menos se publicita.

3- Pensava eu saber alguma coisa disto e estar actualizado!

Há 2.800 médicos e enfermeiros espanhóis em Portugal

As unidades de saúde de Portugal integram actualmente cerca de 1.800 médicos e de 1.000 enfermeiros espanhóis, números que estão «praticamente estabilizados» desde 2005, depois do «grande boom» registado nos anos anteriores, garantiu hoje um responsável associativo, Xóan Gómez, presidente da Associação de Profissionais de Saúde Espanhóis em Portugal, disse à Lusa que entre 2003 e 2004 se registou o «pico» de profissionais de saúde de Espanha a trabalhar em território luso, com 2.400 médicos e mais de 1.500 enfermeiros.«A partir de 2005, esse número estabilizou nos cerca de 2.800 profissionais de saúde [1.800 médicos e 1.000 enfermeiros], mantendo-se até hoje, embora nos últimos tempos sejam ligeiramente mais os espanhóis que regressam ao seu País do que os que procuram Portugal para trabalhar», acrescentou.«Entram menos do que os que saem, mas nada de extraordinário. Não há uma debandada geral nem pouco mais ou menos. É claro que num pequeno centro de saúde com 10 ou 12 médicos na sua maioria espanhóis, quando saem dois ou três já se nota uma grande diferença. Mas a verdade é que continua a haver médicos de Espanha a procurar emprego em Portugal», disse.
A título de exemplo, apontou o caso do distrito de Viana do Castelo, que desde Outubro de 2007 viu partir 16 médicos de Espanha, uma realidade «compensada» com a chegada de igual número de clínicos do mesmo país.«Nas unidades de saúde mais do interior, pode-se notar bastante diferença, mas, no cômputo geral do País, a situação está praticamente estabilizada», reiterou.
No entanto, admitiu que a «fuga» dos profissionais de saúde espanhóis para o seu País pode acentuar-se nos próximos tempos, «se Portugal não lhes voltar a oferecer estabilidade laboral e contratual». «Actualmente, Portugal apenas oferece contratos precários aos médicos espanhóis que vêm para cá trabalhar, e depois acontecem situações caricatas, como a que se regista onde eu trabalho. Eu, que sou quadro, ganho o dobro de um colega que está a contrato e que faz o mesmo trabalho que eu e que tem o mesmo número de doentes que eu. Ora isto é injusto e desmoralizador», referiu Xóan Gómez, médico galego que trabalha em Ponte de Lima. Sublinhou que, em Espanha, o Governo, ao deparar-se com a «crescente» falta de médicos, começou a oferecer «melhores condições» de trabalho aos profissionais de saúde, o que pode levar os espanhóis que laboram em Portugal a regressar ao país de origem. Um dos maiores «fornecedores» de profissionais de saúde para Portugal tem sido a Galiza, região autónoma de Espanha que, por causa dessa emigração, regista actualmente um dos menores rácios de clínicos por habitante - 430 por cada 100 mil, quando em Espanha a média é de 459 por 100 mil.
Também em número de enfermeiros a Galiza fica abaixo da média, com 487 por 100 mil habitantes, menos 49 do que a média nacional.
Lusa/SOL

Cada lado tem a sua opinião.

É um facto que médicos portugueses e espanhois que estão integrados nas carreiras médicas, têm de fazer os concursos públicos que lhes dão a categoria e grau para progredir na carreira.

Através destes concursos o seu conhecimento é também avaliado e são remunerados de acordo com as tabelas salariais correspondentes à sua categoria (em anexo ver em tabelas salariais), enquanto médicos indiferenciados espanhois ou de outra nacionalidade, estão a receber valores/hora/mês compatíveis com Chefe de Serviço em fim de carreira, com horário completo.

A lei do mercado começa a funcionar e no SNS as mãos dos responsáveis estão atadas para compensar/remunerar os seus melhores quadros médicos e para cúmulo benificiam que "assenta praça logo em general"!

De acordo com Rui Sousa Santos, ( presidente do conselho de administração do CHB) reage, dizendo "não ter condições financeiras para corresponder às exigências que estão a ser colocadas pelos médicos espanhóis, que tentam fazer valer as enormes dificuldades resultantes da falta de médicos na região alentejana. "Pagamos 3000 euros para os aguentar", enquanto os da carreira "têm se suar a estopinhas" para ganhar o equivalente."

Xoan Gomes tem outra opinião, como podemos comprovar pela notícia acima transcrita.

Mas o MEMAI sabe, por trabalhar com médicos espanhois do quadro e indiferenciados, que é verdade o que se passa no Baixo Alentejo, assim como em outras regiões!