sexta-feira, setembro 12, 2008

Pedro Nunes dá música à Ministra


Pedro Nunes elogia actuação da ministra e critica reforma dos CSP

Ana Jorge «preocupa-se mais com a Saúde»


"A maior atenção que Ana Jorge tem votado ao Serviço Nacional de Saúde é um dos aspectos que a diferenciam do seu antecessor, mais preocupado com «números», na opinião de Pedro Nunes. Balanço feito numa entrevista em que o bastonário da Ordem dos Médicos não poupa críticas aos sindicatos e aponta a «grande falha» da reforma dos cuidados de saúde primários: a impossibilidade de o doente escolher o médico de família.

«Tempo Medicina» — A necessidade de redefinição das carreiras médicas é um ponto consensual entre todos os parceiros, mas a Ordem e os sindicatos parecem estar de costas voltadas. Este diferendo terá solução?

Pedro Nunes — Escrevi uma carta aos sindicatos porque o CNE o decidiu, embora entendesse que não devia haver resposta da Ordem àquela tomada de posição pública dos sindicatos. Tanto quanto possível, não irei responder a essas tomadas de posição, nomeadamente à carta que o dr. Mário Jorge publicou no «TM» [edições de 1 e 8/9] e em que faz um conjunto de afirmações que nem quero classificar, porque senão entrávamos numa situação de conflitualidade. Escreva o que escrever o dr. Mário Jorge, há um número suficiente de pessoas que estiveram três ou quatro vezes reunidas e que sabem o que os sindicatos achavam que a Ordem devia fazer e o que acordaram connosco. Não tenho qualquer interesse em debater publicamente quem está a mentir e quem está a dizer a verdade. Além disso, fui fundador de um sindicato. A Ordem tem pessoas com tradição sindical suficiente para saber exactamente onde se situar. Há matérias que são da estrita competência sindical, com as quais a Ordem não irá interferir, por exemplo, nunca irá discutir com o Governo salários ou progressão na carreira. Mas também sei que há matérias que competem à Ordem, como a formação, progressão ao longo da vida e diferenciação profissional. Nestas matérias, a Ordem tem o dever de discutir com o Governo. Considero lamentável que, durante o tempo do dr. Correia de Campos, os sindicatos tenham estado absolutamente ausentes. Nessa época, foi impossível reunir na mesma mesa o SIM e a Fnam, porque havia uma guerra entre os dois sindicatos. Subitamente, unem-se e resolvem atacar a OM sem que esta tenha feito a mais pequena inflexão no discurso.

«TM» — Disse que estava a contar que um documento sobre os patamares de carreira estivesse pronto no fim do ano. Mantém o prazo?

PN — Há um documento elaborado internamente na Ordem, mas que ainda não é público. Foi feito pelos drs. João de Deus e Paulo Fidalgo, duas pessoas com grande tradição sindical, a quem a Ordem pediu para reflectirem sobre carreiras e fazerem um documento-base sobre o qual pudéssemos discutir.

«TM» — Quando é que esse documento estará concluído?

PN — Estará pronto na altura adequada. É a única coisa que posso dizer porque quando começam a entrar negociações com o Governo não me posso comprometer com uma data. O que posso dizer é que a Ordem tem ideias claríssimas sobre como deve ser feita a evolução ao longo da vida, quais os condicionantes que devem existir no sucessivo assumir de responsabilidades por parte dos médicos. Isto nada tem a ver com questões salariais, progressão na carreira ou conteúdos funcionais, que são matérias que os sindicatos vão discutir.

«TM» — O parecer que a Ordem vai agora dar ao Governo para a redefinição de carreias inclui a evolução por patamares?

PN — Os pareceres que a OM irá dar ao Governo são para ser ouvidos em primeira instância pelo Governo.

«TM» — Não considera que seja necessário existir um documento já consolidado na Ordem para, com base nisso, falar com o Governo?

PN — Não. Tem de haver um consenso permanente dentro da Ordem. O CNE está perfeitamente consciente do que quer, do que foi pedido e do que está feito. Iremos entrar numa fase de contactos permanentes com o Governo. Da mesma forma que eu nunca irei tratar com o Governo de matérias de âmbito sindical — e conheço essas matérias tão bem como os actuais dirigentes dos sindicatos —, também posso garantir que a Ordem não hesitará em tomar as decisões e dar os pareceres que entender, qualquer que seja o incómodo que os sindicatos tenham por causa disso. Tenho pena de que os sindicatos gastem as suas energias a atacar a Ordem, quando tinham muito mais que fazer, que era defender os interesses dos médicos junto do Governo.


Ana Jorge vs Correia de Campos


«TM» — O nosso Jornal pediu aos deputados para avaliarem o desempenho da ministra e a Oposição foi unânime em afirmar que as políticas não se alteraram com a mudança de governante. Concorda?

PN — A OM não está do lado da Oposição nem do lado do partido do Governo. É uma estrutura que só aprecia as coisas do ponto de vista técnico e material. Acho óbvio que o mesmo Governo com o mesmo primeiro-ministro tenha de ter um fio condutor, na medida em que foi eleito com determinado programa. Mas são muito diferentes os resultados de uma governação e de outra. Foi evidente, da parte da Dr.ª Ana Jorge, uma preocupação com o SNS que não perpassava nos discursos do Dr. Correia de Campos, que se preocupava muito mais com a privatização. Há maior preocupação da Dr.ª Ana Jorge com o Interior do País e com o funcionamento global e articulado do SNS, do que do Dr. Correia de Campos, que privilegiava a competição e o pragmatismo económico. A Dr.ª Ana Jorge preocupa-se mais com a Saúde, como é normal, até porque pela sua formação médica sabe o que são doentes. E havia maior preocupação com a economia por parte do Dr. Correia de Campos, porque como homem da área económica que não é médico, não sabe o que são doentes. Estas diferenças são notórias. Por parte da OM, a disponibilidade para analisar sem estados de alma as políticas da Dr.ª Ana Jorge é a mesma que em relação ao Dr. Correia de Campos. E não é pelo facto de a Ddr.ª Ana Jorge ser médica que seremos mais tolerantes ou que deixaremos de ser críticos.

«TM» — Mas a ministra não recuou em nenhum ponto das reformas, algumas das quais têm sido criticadas pela Ordem...

PN — E a Ordem continua a criticar quando tem de criticar. Sem qualquer problema. A senhora ministra sabe perfeitamente aquilo com que discordamos. Por exemplo, ainda não acabou com aquele disparate da Entidade Reguladora da Saúde (ERS). É uma borbulha, uma excrescência no País. Não serve para nada, perturba o funcionamento e anda a tirar dinheiro aos médicos através de um imposto absolutamente inútil. Enquanto o senhor primeiro-ministro não acabar com a ERS, a Ordem continuará a criticar. Mas se fizer um centro de Oncologia mais perto das pessoas, em Vila Real de Trás-os-Montes, nós temos a obrigação de o apoiar.

«TM» — Não apoia a ideia de impor a exclusividade aos médicos no SNS, nem mesmo com o argumento de atenuar a falta de profissionais?

PN — A exclusividade começa no dia em que os médicos tiverem uma remuneração condigna. Por outro lado, também há aqui uma falsa premissa. Faço sempre questão de dizer que ninguém tem nada a ver com o que eu faço quando acabo o serviço.


«Falha» da reforma dos CSP


«TM» — Também discorda da medida que a ministra chegou a avançar de obrigar os jovens médicos a permanecer um período de tempo no SNS?

PN — Essa é uma conversa totalmente diferente. Quando um médico faz internato, é um facto que está a usufruir da formação que o Estado lhe dá. Mas está a trabalhar, não é um aluno do liceu. Então, nesse caso, também deveriam dizer que todos os que acabam o 12.º ano estão impedidos de sair do País durante cinco anos! Mas o País não diz nada. Nem diz nada ao engenheiro, nem ao arquitecto, nem ao jurista.

«TM» — A verdade é que o País não tem carência de arquitectos nem de engenheiros...

PN — Isso é um problema que se resolve abrindo vagas nas faculdades de Medicina e pagando mais aos médicos para eles não saírem. Era isso que os sindicatos deviam estar a dizer! Porque é que tem de ser a Ordem a dizer isto? A Ordem não devia falar de dinheiro. No mundo em que vivemos, não são as proibições que resolvem as coisas. É procurar perceber quais são os interesses das pessoas e criar um ambiente em que elas tenham interesse em trabalhar. Nós temos falta de médicos de família porque estes estão assoberbados com trabalho burocrático. A Ordem já propôs ao Governo que acabasse com uma série de atestados médicos. Todos os dias inventam mais papéis! Qualquer “idiota” em qualquer repartição inventa um papel que termina em cima da secretária de um médico de família. E este tem de levar aquilo a sério, caso contrário, a responsabilidade é sua. Isso é como a história da semana passada [a entrevista realizou-se no dia 2/9] que também me perturbou... que os médicos, quando os doentes reclamam, os tiram da lista. É normal! Se um indivíduo não gosta de mim, se me chama nomes, se acha que eu sou mau médico, que não o tratei bem e que até vai fazer um queixa contra mim, então, eu vou obrigá-lo a ser tratado por mim?

«TM» — Essa sua postura é vista como paternalismo pelo dr. Luís Pisco...

PN — Não, não! É exactamente o contrário! Paternalismo é obrigar um doente a ficar numa lista de um médico que não quer. A grande falha da reforma, de que o dr. Luís Pisco é responsável, é não permitir aos doentes mudarem de médico quando querem. Não há Medicina Geral e Familiar bem organizada enquanto os doentes não tiverem a liberdade de mudar de médico sempre que queiram.

«TM» — Acha que esta teria sido a oportunidade para implementar um sistema deste tipo em Portugal?

PN — Claro. Concordo integralmente com as unidades de saúde familiar, é um bom modelo. Só que foi um bom modelo mal implementado e, ainda por cima, criou médicos e doentes de primeira e de segunda. Foram traídas muitas das aspirações dos médicos de família, porque não se viram vantagens em termos remuneratórios. Também gostava de ver os sindicatos a falar sobre essa matéria. E é óbvio que tem de ser dado ao médico um estímulo para aceitar mais doentes. O que é lamentável não é que o manga-de-alpaca que está na ARS decida assim; o que é lamentável é que um médico, o dr. Luís Pisco, ache bem.


«Acarinhar» é preciso


«TM» — Qual é a solução a aplicar neste período imediato para tentar evitar a falta de médicos de que tanto se fala?

PN — Acarinhar os médicos que estão no SNS, para que não fujam. Pedir — e não obrigar — aos médicos que estão, e que têm o mesmo direito à reforma que os outros portugueses, para não irem embora. Qualquer que seja a penalidade pela reforma antes dos 36 anos de serviço, e antes dos 62 anos de idade, compensa. Neste momento, na base da estrita lei económica, nenhum médico da minha geração devia estar a trabalhar no SNS, e isto é dramático.

«TM» — Acarinhar passará apenas por contrapartidas monetárias?

PN — As pessoas não são tratadas só com contrapartidas económicas. Passa por não serem insultadas, não lhes imporem relógios para meter o dedo. Não é porque elas trabalhem mais ou menos... é pelo insulto. Se o SNS quer atrair os médicos que não têm razão económica nenhuma para continuarem no Estado, tem de os acarinhar. Se não tem dinheiro, tem de os atrair de outras formas, tem de os tratar bem. Esta é que é a chave do problema dos próximos 10 anos....


CAIXA...

«Na “paz dos anjos”»


«Tempo Medicina» — Depois de umas eleições tão conturbadas, como têm sido estes meses à frente da OM?

Pedro Nunes — Na “paz dos anjos”. As eleições só existem até ao momento em que se acaba de contar os votos. Nessa altura há um que ganha e outro que perde, nem que seja só por um voto. O que não pode acontecer é uma situação de conflito permanente a pensar nas eleições seguintes. Penso que esse assunto também ficou claro e que os médicos, através dos seus votos, demonstraram que não queriam uma Ordem permanentemente em conflito.

«TM» — O que mudou para que se conseguisse apaziguar as relações?

PN — Creio que houve uma compreensão por parte dos colegas do Norte de que estas eleições demostraram a legitimidade democrática de todos. Isto cria uma situação em que as pessoas não têm dúvidas. A grande alteração que se tornou evidente é que um conselho regional importante, como o do Norte, se continuasse com a mesma postura tornava-se algo inútil, deixava de ter influência nas decisões. Porque alguém que tem sempre uma postura crítica e negativa, naturalmente que deixa de ser ouvido. Com a legitimidade claramente assumida por todos, o CRN e o dr. José Pedro Moreira da Silva, que tem ideias próprias, ficariam sempre identificados com alguém que estava ao serviço de uma estratégia que não era a sua. Obviamente, há responsabilidades solidárias que, às vezes, justificam por que as pessoas actuam de uma determinada maneira."



No Tempo Medicina Online, encontra-se esta entrevista que aqui postei.


Acho-a de especial importância, por isso lhe dei o título de "Pedro Nunes dá música à Ministra".


1. Quem a ler atentamente, irá verificar as contradições que ela apresenta e que o Bastonário refere.

2. Todos sabemos que o Bastonário tem de falar em nome do CNE, por vezes fala na primeira pessoa, foge-lhe a boca para a verdade ou para a sua vontade?

3. Para quem foi um fundador de um sindicato e agora Bastonário, não devia ser preciso explicar quais as suas funções em relação às carreiras, porque será que os dois Sindicatos foram da mesma opinião?


As outras, que ainda são muitas, deixo ao leitor para as decifrar.


Parece que o Dr. Pedro Nunes perdeu o norte ou anda com os objectivos baralhados!

quinta-feira, setembro 11, 2008

Inspector Geral desmente arremedo de jornalista

Não há margem para dúvidas.

Esta a resposta da IGAS a pedido de esclarecimento de um Sindicato Médico sobre a questão, e que nos foi enviado por um dos seus dirigentes.

Foi o MEMAI informado que o mesmo Sindicato Médico, ainda que fazendo uso de competências que não exclusivamente suas, actuou em conformidade junto das entidades proprias.

Jornalistas da Agência Lusa estão a ouvir mal ?

Alertado que fui por email de um Colega para as incongruências patentes nas declarações do bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, segundo o qual em Portugal só haveria dois tipos de médicos, os não especialistas e os especialistas, como tal sendo necessario criar mais Graus correspondentes a progressão e qualificação tecnica, não quis acreditar....


E não quis acreditar porque via um bastonário ignorar que em qualquer uma das actuais Carreiras Médicas há já dois graus de Especialista, o Generalista e o Consultor. E, mais grave do que isso, parecendo admitir como natural a existência de médicos não Especialistas ( os assalariados ideais para o lucro fácil na prestação de cuidados de saúde)...
Consultei outros orgãos de comunicação social e lá estavam as mesmas declarações e os mesmos termos...
Pudera, era uma notícia da agência Lusa...
Então das duas uma: ou o bastonário é indevidamente citado e os jornalistas misturaram tudo, ou o bastonário disse mesmo o que disse, inebriado que está com o desejo de protagonismo e a ânsia de reconquista dos poderes feudais da entidade que lidera....
Já agora: será que das largas dezenas de milhares de euros que a OM recebe das quotas obrigatórias dos médicos portugueses não sobrará nada para pôr uma acção por difamação ao nojo da Revista Sábado e ao seu escrevinhador anti-médico? Ou o bastonário anda distraído?

MAIS NOJEIRA DO MESMO NOJO NO ESGOTO COSTUMEIRO

Asco e incredulidade é o que se sente ao ler as parangonas da revista Sábado do passado dia 11 : Há médicos que agridem doentes nos hospitais

Invocando o Relatório de Actividades de 2007 da Inspecção Geral Actividades Saúde e as penas disciplinares aplicadas, o já conhecido nojo que é um tal Fernando Esteves dá corpo na notícia ao título referindo de ilicitos gravíssimos dos quais 3% dizem respeito a agressões a doentes (mas não se atrevendo já a dizer que esses 3% são praticadas por médicos como o título faz pensar)

Uma consulta ao Relatório do IGAS ( publicado como Instrumento de Gestão ) diz-nos que foram aplicadas 62 penas disciplinares a todos os grupos profissionais, das quais apenas 3 ( 4,84%) por algo classificado quanto ao tipo de ilicito como agressão/incorrecção

Será que o nojo em figura de gente, a que Lutero chamaria por certo burro-papa, teve acesso privilegiado aos processos da IGAS e assim soube que desses tais 3 ilícitos todos foram praticados por médicos e todos foram considerados agressões? (Já nada espanta num país em que um agressor a tiro dentro de uma esquadra da PSP é mandado em liberdade por um juiz...)

Recorde-se ainda que notícias veiculadas pela comunicação social aquando da publicitação do referido Relatório do IGAS, inclusive por jornais de tendencia sensacionalista e sede de mau jornalismo já aqui referido como é o caso do Correio da Manhã, dizia que "Mil processos dão 37 médicos punidos" ( e acrescente-se que os médicos em actividade andarão pelos 33.000, ou seja a enormidade de 0,1% !!!!!!!!)

quarta-feira, setembro 10, 2008

(O jornalista viajou a convite da Apple), Mas Se Fosse Um Médico Era...

Do jornal Público on-line:

" ... Num evento que não entusiasmou, a Apple mostrou ainda ligeiras alterações nos restantes modelos de iPod, correcções no software do iPhone e anunciou que passaria a vender conteúdos de vídeo em alta-definição no iTunes.

Foi um Jobs magro e cuja saúde tem sido nos últimos meses alvo de muita especulação que abriu a conferência - e precisamente com uma citação de Mark Twain escrita no painel preto atrás do palco: “As notícias sobre a minha morte têm sido um grande exagero”.

O presidente da Apple respondia assim ao facto de a agência Bloomberg ter, por engano, publicado um obituário de Steve Jobs incompleto, onde os pormenores da morte estavam ainda por preencher (é frequente os órgãos de comunicação terem prontos obituários de figuras públicas)

Desde que Steve Jobs regressou na década de 90 à empresa que fundou, resgatando-a de uma situação de quase falência, que é visto como um importante ícone da indústria: quando há rumores negativos sobre a saúde de Jobs (sobretudo desde que em 2003 lhe foi diagnosticado um cancro, do qual está curado), as acções da empresa costumam descer em consequência.

(O jornalista viajou a convite da Apple)"

segunda-feira, setembro 08, 2008

Médicos de empresas cobram cem euros por hora

Segundo reza o Diário de Notícias, "a carência de médicos obriga muitos hospitais a contratarem tarefeiros a empresas de prestação de serviços para manter as urgências a funcionar. A medida tem um preço elevado: há médicos que cobram 2500 euros por banco de 24 horas. Mas os custos não são apenas financeiros"


Mas nestas questões laborais e de cariz remuneratorio, qual a explicação dada pelos sindicatos médicos?


Eis a que foi tornada pública pelo Sindicato Independente dos Médicos no seu site na internet, e que é curiosa e faz (ou deveria fazer) pensar quem de direito:


É A ECONOMIA, ESTÚPIDO!


Era uma vez um Ministro da Saúde, social-democrata, que, preocupado com as canetas dos doutores, principalmente dos Médicos de Família, trancou o acesso às Faculdades de Medicina. "Não é o que eles ganham, é o que eles gastam!", exprimia, ufano, no início da década de 90.

Com esta inteligente medida, só parcialmente corrigida no início deste século, passámos a exportar estudantes de Medicina e a importar mão-de-obra médica, temporária e, por vezes, impreparada. Depois o centrão, primeiro social-democrata, depois com confirmação socialista, ambos bem acolitados pelo influente lobby dos administradores hospitalares, achou que empresarializar hospitais e serviços de saúde era a suprema nota de modernidade.

Com a água do banho da mudança e com a chegada oportunista dos privados foram-se as carreiras médicas, a estrutura hierárquica, o amor à camisola, a qualidade da prestação de cuidados e o serviço público. Agora todos choram lágrimas de crocodilo sobre a trampa que fizeram.

Mexeram num sector altamente regulado e estável, o trabalho médico e a sua evolução sócio-profissional, e introduziram as regras de mercado sem terem assegurado se tinham meios humanos para tal. Não tinham.

Agora todos se escandalizam com os inflacionados e descontrolados preços da oferta e procura, propondo ou anunciando medidas de correcção.Apetece gritar bem alto, principalmente aos ouvidos do lobby dos administradores hospitalares, co-responsáveis pela tormenta: é a economia, estúpidos!


Palavras para quê?


segunda-feira, setembro 01, 2008

Já dizia Lutero...

Burro-Papa, encontrado nas águas do Tibre no ano de 1496, deu origem a uma série de gravuras que passaram a circular acompanhadas de uma legenda atribuída ao próprio Lutero:


"Corpo de mulher, de seios bem evidentes como símbolo de toda a raça de porcos epicuristas que só pensam em beber e comer e venderem-se a todo o tipo de lubricidades; cabeça de burro cheia de dogmas; mão direita semelhante a uma tromba de elefante, significando o poder espiritual do Papa com o qual atemoriza e exorciza as consciências por meio de falsas penitência; mão esquerda de homem, o seu poder civil que com a ajuda do diabo lhe confere o governo dos príncipes; pé direito de boi, significando a bajulação dos seus ministros; o esquerdo de grifo, os ministros do poder temporal e seus satélites; escamas de peixe nos braços e pernas e ventre e traseiro nu simbolizando a união dos poderosos que se unem ao papado mas que são desmascarados pela libertinagem no ventre nu que os desmascara, faz sair pela cauda o dragão da blasfémia

Há 1 000 Mensagens Que Pretendo Diminuir A Iliteracia Científica Dos Nossos Queridos Intelectuais!

A mensagem 1 000, como mandam as regras protocolares deveria ser especial.

1000 posts desde 19 de Julho de 2003, cinco anos passados, mais de 400 mil page views e 300 mil visitantes, recusando entrevistas, agraciado com algumas distinções, mantendo um saudável anonimato, desde há uns largos meses alargado a mais dois médicos bloguistas, hoje dia da milésima mensagem, eis que chega a notícia do Correio da Manhã que vai direitinha para o post 999 e ensombra o post 1000.

E como é que um chefe de redação permite que uma jornalista invente um facto (soprado ao seu ouvidinho por alguém num qualquer bar da linha, ou talvez após uma agitada noite a dois ou a mais, nunca se sabe, pois "a tradição já não é o que era" e nós sabemos pelas colunas sociais que as jornalistas já namoram hoje e desnamoram amanhã, casam hoje com o chefe de redacção e amanhã com o administrador.).

Aliás todos sabemos quanto difícil é manter a verticalidade e também todos sabemos que nas profissões dos media, a melhor forma de se subir na vida é na horizontal...

Mas o post 1 000 era para saudar o Nelson Évora pelas brilhantes lições que nos tem dado de desportivismo e inteligência, assim como a medalhada de prata e especialmente o António Pereira, da Juventude Operária do Monte Abraão, que cortou a meta num honroso 11.º lugar.

Também o "Augusto Cardoso, o outro português que alinhou na prova dos 50 km marcha, chegou num modesto 40.º lugar entre 47 homens que cumpriram o percurso.

Não se sentindo nas melhores condições físicas, este atleta do FC Porto fez questão de alinhar e completar a prova, até porque o percurso até Pequim não foi fácil.

«Eu trabalho oito horas por dia e depois treino. Pinto gruas e a minha empresa deixou-me treinar para estes jogos. Pagou-me dois meses de ordenado para eu ir fazer estágio e eu queria-lhes agradecer. Se eu estou aqui é graças a eles», afirmou Augusto Cardoso, no final do trajecto que, confessou, «foi muito duro»."


E dou um rabuçado dos Arcos e um caramelo de Badajoz a quem adivinhar qual foi o órgão de informação que nos informou que havia atletas de alta competição que treinavam depois de 8 horas a pintar gruas. E foi a Pequim e terminou a sua prova...

JORNALISTA DO CORREIO DA MANHÃ A PRECISAR URGENTEMENTE DE FORMAÇÃO

A senhora jornalista do Correio da Manhã, Cristina Serra, já é conhecida pelo seu pouco rigor profissional mas há limites para a falta de saber.


E assinar uma notícia em que se afirma em grandes parangonas que "Profissionais sem conhecimentos de suporte básico de vida - Médicos do CODU sem formação de base - Clínicos que respondem às chamadas de emergência não sabem como actuar em situação de paragem respiratória - Se um colega sofrer um colapso, têm de chamar uma VMER ...pois não sabem fazer a compressão cardíaca, não conseguem realizar a respiração boca a boca, diagnosticar a paragem cardíaca... - Médicos dos CODU têm formação só para atender os telefones"

Enfim, um chorrilho de alarvidades! Nem sequer é especulação !

Se o INEM está debaixo de fogo deste orgão de comunicação social, tudo bem.

Mas haja respeito pelas Faculdades de Medicina portuguesas que licenciam doutores em Medicina e pelas instituições hospitalares que ministram as bases de um Internato Médico indispensável para o exercício autónomo da Medicina

domingo, agosto 31, 2008

UM ENGANO QUALQUER UM PODE TER...


Na última semana, o Ministério da Saúde emitiu 'vales cirurgia' com possibilidade de serem utilizados em hospitais que não realizam a operação determinada no próprio vale, a colocação de banda gástrica.

O DN falou com uma doente que passou por esta situação e está indignada com o erro. Utentes afectados vão voltar às listas de espera.

Catarina Alves está em lista de espera para colocar uma banda gástrica desde Fevereiro de 2007. Depois de três anos de consultas no Serviço de Endocrinologia no Hospital de São Marcos, em Braga, os médicos consideraram que a empregada de escritório de 28 anos cumpria os requisitos para realizar a cirurgia. Com 120 quilos quando começou a ser seguida - agora já está nos 107 -, Catarina explica que o peso excessivo agrava os seus problemas respiratórios e piora as dores na coluna, além de todas as limitações que impõe à sua vida diária. Assim, foi com desânimo que recebeu a notícia, há cerca de dois meses, que a última pessoa a ser operada no hospital se encontrava na lista desde Janeiro de 2006, conta.

Esta semana recebeu finalmente boas notícias: uma carta do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC), com um "vale cirurgia" para efectuar a colocação da banda gástrica num de quatro hospitais privados à sua escolha. Seguindo as instruções da carta, Catarina entrou em contacto com o hospital seleccionado, onde lhe disseram que seria necessário deslocar-se à instituição, no Porto, para dar andamento ao processo. Entusiasmada com a possibilidade de resolver o problema, não perdeu tempo.

Mas no hospital esperava-a uma enorme desilusão. Dizem-lhe que não realizam este tipo de cirurgia, "porque ainda não foi assinada a convenção entre o Ministério da Saúde e os particulares", conta. Uma situação que se repete nos outros três hospitais referidos na carta do SIGIC. Indignada, recorreu à Unidade Regional de Gestão de Inscritos para Cirurgias, onde foi informada de que os vales não são válidos devido a um erro informático.

O Ministério da Saúde reconhece o erro e admite que desde 22 deste mês "foram emitidos vales com a possibilidade de serem utilizados em hospitais que não tinham capacidade para realizar o procedimento cirúrgico determinado no próprio vale". Segundo o ministério, as emissões destes vales têm sempre em conta os procedimentos oferecidos pelos hospitais convencionados (privados e sociais). Assim, em Julho, os hospitais foram notificados de que deveriam rever o seu conjunto de procedimentos, "de forma a garantir que não disponibilizavam intervenções que não tinham possibilidade de efectuar". No entanto, "algumas instituições não o efectuaram atempadamente". Assim, alguns utentes receberam vales para procedimentos para os quais não existe actualmente resposta no sector convencionado.

O ministério explica que os utentes afectados vão voltar ao hospital de origem sem perder a antiguidade na lista de espera e que já foram tomadas medidas para impedir novos erros deste género.



No entanto, para Catarina, esta foi uma situação "vergonhosa" porque criou "falsas esperanças". Por isso, vai escrever à ministra da Saúde a relatar o seu caso.

sábado, agosto 30, 2008

INEM DEBAIXO DE FOGO

Já não bastavam as notícias sobre o dinheiro gasto na formação de tecnicos paramédicos que depois não são contratados e sobre a contratação para cargo dirigente muito bem pago de uma srª engenheira florestal, eis que agora mais uma situação escandalosa vem à luz do dia...


Segundo o Correio da Manhã, há tripulantes das ambulâncias SIV – Suporte Imediato de Vida, do INEM – Instituto Nacional de Emergência Médica – que fazem turnos de 24 horas por falta de recursos. Outros são obrigados a trabalhar oito horas seguidas sem pausa para comer. Muitas vezes, trabalham sem estarem alimentados, porque os pedidos de pausa para comer são recusados pelo CODU –Centro de Orientação dos Doentes Urgentes (INEM). Quem não aceita a recusa é alvo de processo disciplinar.

O INEM garante que "não existe qualquer risco para as tripulações e populações" e que os turnos de 24 horas, de carácter excepcional, "também decorrem nos hospitais e não representam riscos".

O presidente do Sindicato dos Técnicos de Ambulância de Emergência, Ricardo Rocha, está a par de tudo. Ao CM alerta para o risco que podem constituir os turnos de 24 horas, pela falta de descanso e de uma pausa para comer. Segundo diz, os elementos fazem os turnos, mas têm de assinar um documento a declarar que aceitam.
A razão para o esforço laboral "é a compensação de três dias de descanso e pagamento de horas extras".

A instituição agradece o voluntarismo, especialmente nos períodos de férias, quando há menos elementos a trabalhar, e nos períodos festivos, quando ocorrem mais acidentes de viação.

O CM sabe que duas técnicas de ambulância de emergência têm neste momento a decorrer contra elas um processo disciplinar, porque recusaram sair com a viatura de emergência quando receberam a chamada do CODU. Já iam com sete saídas. Sentiam-se extenuadas e famintas. Justificaram a recusa da saída alegando que não estavam em condições físicas para trabalhar e sentiam falta de açúcar no sangue (hipoglicemia). O INEM avançou com um processo.
Além deste caso ocorrido em Junho, em Lisboa, outro episódio envolveu um técnico no Porto. Ia na oitava saída e não tinha forças para responder a outra chamada do CODU. A recusa valeu-lhe um processo. Foi arquivado.

Tendo o INEM vastos fundos próprios provenientes da taxa que é aplicada a cada Seguro Automóvel e que para ele reverte, havendo tecnicos com formação específica dada pelo proprio INEM, não havendo falta de profissionais de enfermagem, esta situação agora revelada é inadmissível.

Mas também pouco abonatória dos profissionais, enfermeiros incluidos, que aceitam calados estas condições de trabalho...E se a coisa der para o torto, como se defendem?

Falta de rigor nos concursos põe em risco vacinação

Suspensa vacinação contra o cancro do colo do útero
O Estado é suspeito de falta de rigor na escolha da vacina e criou uma batalha judicial entre os laboratórios concorrentes. A selecção está agora dependente de uma providência cautelar no Tribunal Administrativo de Lisboa.
Vera Lúcia Arreigoso
18:00 Sexta-feira, 29 de Ago de 2008

A vacinação de 55 mil raparigas de 13 anos contra o papilomavírus humano - agente do cancro do colo do útero e de várias outras doenças genitais - está suspensa. A vacina deveria ser disponibilizada gratuitamente a partir de meados de Setembro mas a alegada falta de rigor do Estado no concurso de fornecimento criou uma batalha judicial entre os concorrentes.


Um dos laboratórios contesta a readmissão do concorrente após uma exclusão inicial ordenada pelo júri. Reagiu com uma providência cautelar no Tribunal Administrativo de Lisboa, que agora tem a responsabilidade de libertar o concurso, de milhões de euros para a farmacêutica vencedora.


Apesar do contratempo jurídico, o Ministério da Saúde continua a garantir que o calendário inicialmente previsto não sofrerá alterações. Contudo, as demais entidades públicas envolvidas no concurso têm opiniões diferentes.

sexta-feira, agosto 29, 2008

Vão-se os aneis, fiquem os dedos...


A crer no que é avançado pelo Diario de Notícias, a pretensão da sr.ª Bastonária da Ordem dos Enfermeiros de que nas Farmácias sejam colocados Enfermeiros para levarem a cabo a administração de vacinas, administração essa que começará a processar-se a partir de Outubro, é eminentemente pragmática...
Pois se grassa o desemprego na classe de Enfermagem ( fruto de uma desenfreada abertura de cursos de enfermagem propiciadora de lugares de docentes para alguns) há que aproveitar todas as oportunidades !

E uma vez que os Farmacêuticos ( licenciados em Farmácia ou também os ajudantes de farmácia ?) se preparam para reanimar doentes porque é que os Enfermeiros não hão-de também poder reanimar e medicar, como diz Maria Augusta Sousa?

quarta-feira, agosto 27, 2008

18 hospitais isentaram ilegalmente funcionários e familiares de taxas moderadoras


Dezoito de 74 hospitais do Serviço Nacional de Saúde isentaram ilegalmente os seus funcionários ou respectivos familiares de taxas moderadoras, indica o relatório de actividades de 2007 da Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS)


"No documento, hoje divulgado, é referido que foram identificadas as situações e os responsáveis, tendo terminado a totalidade dos casos ilegais.
A IGAS também indica que cerca de metade dos 21 centros de saúde visitados não tem registos ou monitoriza dados dos programas nacionais da Diabetes e de Prevenção e Controlo das Doenças Cardiovasculares, o que inviabiliza conclusões acerca das metas definidas.
Alguns centros de saúde não têm equipamento informático adequado e nem todos os gabinetes médicos têm acesso a sistemas de informação.
Foi, assim, registado um «problema de organização e de falta de uma cultura de responsabilização ou de avaliação de desempenho» e uma «má articulação dos centros de saúde com os hospitais de referência», que também inviabiliza a «existência de informação clínica atempada e actualizada sobre os utentes».
O relatório indica que em 71 por cento dos centros de saúde observados não existia uma consulta organizada do pé diabético e não dispunham de registos actualizados e fidedignos de utentes referenciados ou chamados para consulta de retinopatia diabética.
Metade das unidades não conseguiu contabilizar o número de hipertensos identificados entre 2004 e 2006 em função do sexo e idade, e 71 por cento também não souberam indicar o número de pré-obesos e obesos assistidos nos primeiros seis meses de 2006.


Quanto ao tratamento da dependência do tabaco, a maioria não tinha registos do número de consumidores e não monitorizou os fumadores referenciados para uma consulta especializada.
Acerca de planos para fazer face a incêndios ou catástrofes, o relatório refere que, em 96 hospitais do SNS, apenas 53 têm Plano de Prevenção e Combate a Incêndio.
Aprovados pelo Serviço Nacional de Bombeiros (actual Autoridade Nacional de Protecção Civil) estavam apenas 14 destes planos, enquanto 39 hospitais não os tinham aprovado ou nem dispunham deles. As restantes 43 instituições não indicaram se houve a aprovação legalmente requerida.
Três hospitais referem ter sido vistoriados pelos bombeiros e nove efectuaram simulacros de emergência interna contra incêndios.
Para fazer face a situações de catástrofe externa, o número decresce para 41 quanto a hospitais que elaboraram um Plano de Prevenção e Emergência.
Dezoito referem ter representação nas respectivas comissões municipais de emergência e 15 garantem ter os planos aprovados, mas na sua maioria apenas pelos seus órgãos de gestão. Cinco instituições dizem efectuar ou já ter efectuado simulacros."
Lusa/SOL


Dou os parabéns à actuação da IGAS. Actuação pedagógica e de alerta para o cumprimento das boas prácticas.


Aguardo daqui a uns tempos, que volte a fazer uma nova averiguação, a fim de verificar se foram corrigidas as infracções e se acaba o laxismo no SNS, não o sendo, que punam os responsáveis já que os identificaram.

Nem a dita excelência escapa ao besouro!


Insecto fechou bloco operatório do Hospital dos Lusíadas
12h49m
As salas do bloco operatório do Hospital dos Lusíadas, em Lisboa, foram encerradas devido à presença de um insecto e não por contaminação bacteriológica, garante o administrador desta unidade de saúde.


Em declarações à Agência Lusa, o presidente da administração da unidade, José Miguel Boquinhas, explicou que a paralisação do serviço cirúrgico não se deveu a qualquer contaminação bacteriológica.
"Não sabemos de onde surgiu a ideia. Este insecto, da família dos coleópteros e ainda a ser identificado
, foi detectado segunda-feira durante uma análise de rotina numa sala adjacente ao bloco e decidimos pelo encerramento por razões de estrita segurança", garantiu.
Segundo José Miguel Boquinhas, a segurança dos doentes "nunca esteve em risco" e todo o restante espaço do estabelecimento manteve o normal funcionamento.


Por concretizar ficaram 30 operações de rotina e "sem carácter de urgência", na sua maioria da área ortopédica, que voltarão a ser programadas.
A edição electrónica do semanário “Expresso” adiantou que as salas de operações foram fechadas, terça-feira, e que as cirurgias só deverão ser retomadas no final da semana. Um porta-voz dos Hospitais Privados de Portugal Saúde justificou esta decisão com a "detecção de valores anormais de índice bacteriológico".
O Hospital dos Lusíadas abriu ao público a 19 de Maio, dispõe de 160 camas e tem capacidade para 20 mil cirurgias e 400 mil consultas por ano.

terça-feira, agosto 26, 2008

Em 2015 haverá mais mortes que nascimentos na UE


26.08.2008 - 14h51
Por Lusa
Daniel Rocha
Em Portugal, a população com mais de 65 anos será de 24,9 por cento em 2035. Um em cada quatro portugueses terá mais de 65 anos em 2035, segundo um estudo do Eurostat divulgado hoje, que refere que 25,4 por cento dos europeus serão idosos dentro de 27 anos. O instituto de estatística europeu aponta também o ano de 2015 como o momento em que a taxa de mortalidade deverá ultrapassar a da natalidade, estando na imigração a "única solução para este problema" de decréscimo da população. De acordo com as projecções publicadas hoje sobre os 27 países da União Europeia, em 2035 a população europeia atingirá 521 milhões de pessoas, ou seja, mais 26 milhões que as registadas no início deste ano. Dentro de 27 anos, 25,4 por cento da população europeia terá mais de 65 anos, contra os 17 por cento actuais. No caso de Portugal, as estatísticas apontam também para o envelhecimento: os 17,4 por cento da população actual com mais de 65 anos passará a 24,9 por cento em 2035 e 30,9 por cento em 2060. O Eurostat afirma, no entanto, que o envelhecimento deverá ser uma preocupação de todos os países, mas a níveis diferentes. Os casos mais dramáticos vão registar-se na Alemanha, que terá 30,2 por cento da população com mais de 65 anos, na Itália (28,6 por cento) e na Eslovénia (27,4 por cento). A Irlanda e o Chipre serão os países com as populações mais jovens, com uma percentagem de população idosa de 17,6 e 19 por cento, respectivamente. Outras das novidades divulgadas no relatório diz respeito à previsão de a taxa de mortalidade ultrapassar a taxa de natalidade em 2015, sendo a imigração o "único factor" de crescimento da população europeia. No entanto, a partir de 2035 a população europeia deverá começar a decair, "por falta de imigrantes suficientes", atingindo os 505 milhões de habitantes em 2060. No caso de Portugal, também haverá uma curva ascendente seguida por uma descendente: os 10.617 portugueses actuais vão passar a 11.395 em 2035, mas em 2060 serão apenas 11.265. Um outro estudo apresentado na semana passada em Berlim já alertava para este fenómeno de a imigração ser a única forma da população europeia se manter estável e não diminuir. Segundo as contas feitas no estudo do Instituto Berlinense para a População e o Desenvolvimento, sem a presença de imigrantes, a população total da UE diminuiria em 52 milhões de pessoas e ficaria reduzida a 447 milhões em 2050. Depois dos anos 50, a população da UE apenas conseguiu manter o seu importante lugar entre a população mundial através da entrada de novos estados-membros. Um outro relatório demográfico do Departamento de Referência da População (EUA) divulgado no mesmo dia confirmou a conclusão do documento alemão, revelando que actualmente os países pobres concentram praticamente todo o crescimento da população mundial e que a imigração leva ao ligeiro aumento de habitantes nas regiões mais ricas. Os dados do Departamento de Referência da População (EUA) indicam que, em 2008, a população mundial ascendeu a 6.700 milhões de habitantes, 1.200 milhões dos quais vivem nas regiões mais desenvolvidas e os restantes nas zonas mais pobres. Em 2050, prevê-se que esta disparidade aumente, quando 86 por cento dos 9.300 milhões de habitantes mundiais residirem nos países menos desenvolvidos, frente aos 82 por cento actuais. De acordo com o relatório, os 191 milhões de imigrantes mundiais contribuíram para o crescimento da população nos países desenvolvidos, concentrados na sua maioria na Europa, América do Norte e nas regiões da antiga União Soviética.



Será que este relatório do Eurostat irá ser distribuído pelos Ministérios portugueses?


Aguardo com interesse a política de saúde, assim como os programas de saúde necessários para fazer face a esta situação, já que nesta data ainda estarei vivo, pressuponho!

segunda-feira, agosto 25, 2008

OTS de Odemira...


Parece que as prometidas SUB ( Serviço de Urgência Básica) já eram !

E que agora o que há, por exº em Odemira ( lembram-se de ter sido tão falada no passado recente pelas mortes sem socorro adequado e atempado?), é uma OTS ( Outro Tipo de Serviço)


Esta é a denuncia feita hoje no Diário de Notícias por um seu leitor identificado, Sr. Jesus Navarro Paniagua, cujo desabafo se reproduz aqui parcialmente:


O Serviço de Urgência Básico de Odemira foi provávelmente "desclassificado" e passou a ser "Outro Tipo de Serviço", já que deixou de ter dois médicos a atender os utentes. Essa tarefa passou a ser executada sómente por um elemento clínico.

O dito desabafo vai mais longe, referindo que, de acordo com a explicação da médica de serviço, esta situação é do conhecimento dos responsáveis locais e sub-regionais não estando a desenvolver os esforços necessários para a solucionar.

terça-feira, agosto 19, 2008

Igualdade... pois então!

Método não foi popular, mas pode ser mais usado se acesso for facilitado
As mulheres portuguesas vão ter acesso a preservativos femininos gratuitos nos hospitais e centros de saúde.

De acordo com Beatriz Casais, membro da Coordenação Nacional para a Infecção VIH/Sida , "está a decorrer um concurso até Outubro para que o preservativo feminino possa integrar as compras do Estado". O número de preservativos a fornecer às diversas unidades depende "dos pedidos feitos por cada Administração Regional de Saúde", refere Jorge Branco, presidente da Comissão Nacional da Saúde Materna e Neonatal. O prazo de apresentação das propostas por parte dos fornecedores termina em meados de Outubro, esperando-se "que os preservativos já estejam a ser distribuídos em 2009", acrescenta.

O preservativo feminino não teve sucesso quando foi comercializado em Portugal, não só por ser mais difícil de colocar, e implicar prática, mas também devido ao seu custo elevado. Com este concurso, "pretende--se que os preservativos possam ser distribuídos em grandes quantidades nos hospitais e centros de saúde, tal como acontece com os preservativos masculinos", diz Beatriz Casais.

Até 2003/2004 eram comercializadas "duas marcas nas farmácias, mas este negócio não se revelou rentável". Também Jorge Branco refere que esta sempre foi uma técnica pouco utilizada e impopular, aplicada em algumas situações especiais e restritas".

A coordenação nacional, segundo Beatriz Casais, distribuiu este ano 50 mil preservativos femininos "nas ruas, sobretudo para proteger as mulheres que se prostituem. Mas agora queremos alargar a distribuição a todas".
Para que seja reintroduzido no País este método anticoncepcional e de protecção contra as doenças sexualmente transmissíveis (DST), a coordenação vai desenvolver uma campanha para as mulheres. "Em Dezembro vamos promover o uso do preservativo feminino e voltar a recolocá-lo no mercado. A existência em exclusivo de preservativos masculinos torna a mulher mais vulnerável, porque é ao homem que cabe geralmente adquiri-los. Assim, a mulher torna-se independente e determina o seu uso", frisa Beatriz Casais.

Um dos objectivos da coordenação é promover junto do sector privado a atractividade do produto. "Nós garantimos a sua divulgação e as empresas tratam da sua introdução no mercado". Tal como aconteceu com os preservativos masculinos, em que o retalho baixou os preços de acordo com uma política de responsabilidade social, é possível que sejam negociadas medidas semelhantes. "As empresas deviam baixar os preços e fazer campanhas a promover o uso destes produtos". Os métodos de protecção contra as DST são de fácil acesso e gratuitos no Serviço Nacional de Saúde, uma das razões que pode estar a reduzir as vendas.

segunda-feira, agosto 11, 2008

Que a culpa não morra solteira se isso for o caso

Morreu ao embater com ambulância do INEM
Dúvidas levantam-se quanto ao cumprimento da sinalização luminosa em Cedofeita
JN
MANUEL VITORINO
Um motociclista morreu, sábado, após o embate contra uma ambulância do INEM em serviço que, segundo testemunhas, terá passado um sinal vermelho. A PSP apenas admite que viatura "iria em marcha de urgência".


A potente Honda 600 era um monte de ferros retorcidos e ficou pintada de vermelho, junto aos semáforos do cruzamento das ruas de Aníbal Cunha, com Sacadura Cabral, a poucos metros da igreja de Cedofeita, no Porto. No chão, estava um cadáver, restos de órgãos, uma enorme poça de sangue do jovem Rui Miguel Ferreira, 23 anos, morador na Rua de Miguel Bombarda, em Cedofeita. Junto à vistosa máquina, capaz de atingir 280 quilómetros, uma ambulância do INEM com a porta direita destruída, pára-brisas estilhaçado e muita gente emocionada perante o triste e macabro cenário.

Foi ontem, cerca das 18, 30 horas. "Temos dados que testemunham a ausência de excesso de velocidade. O tacógrafo não mente", adiantou, ao JN, um dos enfermeiros do INEM.

Quanto ao eventual desrespeito do condutor da ambulância do INEM diante do sinal vermelho e sinalização da marcha - questão fundamental para avaliar a responsabilidade do embate -, a mesma fonte optou por não responder.

"Tudo indica que a ambulância estaria em marcha de urgência", afirmou, mais tarde, ao JN, o oficial de serviço ao comando da PSP do Porto, que evitou fazer mais comentários, uma vez que não são conhecidos os resultados das perícias feitas. "O caso será entregue ao Ministério Público. Houve uma morte. Vamos averiguar", disse.


"Só o excesso de velocidade do condutor da moto poderá justificar tal grau de violência. Ele arrancou e espetou-se contra a ambulância. Foi tremendo o estrondo", garantiu um homem de meia-idade, que evitou alongar-se.

No entanto, e segundo o JN apurou, duas outras testemunhas apressaram-se a fornecer as suas identidades à PSP no sentido de apontar responsabilidades ao condutor da ambulância do INEM, cujo porta-voz (e apesar das diligências feitas ao longo da tarde pelo JN) esteve sempre indisponível para comentar a ocorrência.


"Foi um estrondo enorme. A ambulância ainda tentou desviar-se, mas não conseguiu evitar o choque. Quando cheguei, vi os médicos do INEM e um cadáver no chão", contou Fernando Cardinal. "Era uma jóia de rapaz. Não merecia este fim", dizia José Vidal. Chega, entretanto, a companheira, mais amigos da vítima. "Ainda hoje [ontem] vi-o a andar de mota. Devia ir para o café". Por perto, os bombeiros limpavam os destroços, chapa, restos do volante. E os ténis que trazia calçados.


O que diz o decreto-lei (Artigo 65º)
No que concerne à cedência de passagem, os condutores devem "ceder a passagem aos condutores dos veículos referidos no artigo anterior ". No outro ponto do articulado, afirma-se: "sempre que as vias em que tais veículos circulem, de que vão sair ou em que vão entrar se encontrem congestionadoas, devem os demais condutores encostar-se o mais possível à direita, ocupando se, necessário, a berma". Exceptuam-se os casos em que "as vias públicas onde existam corredores de circulação" ou "auto-estradas e vias reservadas a automóveis e motociclos, nos quais os condutores devem deixar livre a berma"


Secção IX, artigo 64º
Quanto ao trânsito de veículos em serviço de urgência, a lei diz que "os condutores de veículos que transitem em missão de polícia, de prestação de socorro ou de serviço urgente de interesse público assinalando adequadamente a sua marcha podem, quando a sua missão o exigir, deixar de observar as regras e os sinais de trânsito, mas devem respeitar as ordens dos agentes reguladores do trânsito". Além disso, "os referidos condutores não podem, porém, em circunstãncia alguma, pôr em perigo os demais utentes da via, sendo designadamente, obrigados a suspender a sua marcha".