sábado, agosto 30, 2008

INEM DEBAIXO DE FOGO

Já não bastavam as notícias sobre o dinheiro gasto na formação de tecnicos paramédicos que depois não são contratados e sobre a contratação para cargo dirigente muito bem pago de uma srª engenheira florestal, eis que agora mais uma situação escandalosa vem à luz do dia...


Segundo o Correio da Manhã, há tripulantes das ambulâncias SIV – Suporte Imediato de Vida, do INEM – Instituto Nacional de Emergência Médica – que fazem turnos de 24 horas por falta de recursos. Outros são obrigados a trabalhar oito horas seguidas sem pausa para comer. Muitas vezes, trabalham sem estarem alimentados, porque os pedidos de pausa para comer são recusados pelo CODU –Centro de Orientação dos Doentes Urgentes (INEM). Quem não aceita a recusa é alvo de processo disciplinar.

O INEM garante que "não existe qualquer risco para as tripulações e populações" e que os turnos de 24 horas, de carácter excepcional, "também decorrem nos hospitais e não representam riscos".

O presidente do Sindicato dos Técnicos de Ambulância de Emergência, Ricardo Rocha, está a par de tudo. Ao CM alerta para o risco que podem constituir os turnos de 24 horas, pela falta de descanso e de uma pausa para comer. Segundo diz, os elementos fazem os turnos, mas têm de assinar um documento a declarar que aceitam.
A razão para o esforço laboral "é a compensação de três dias de descanso e pagamento de horas extras".

A instituição agradece o voluntarismo, especialmente nos períodos de férias, quando há menos elementos a trabalhar, e nos períodos festivos, quando ocorrem mais acidentes de viação.

O CM sabe que duas técnicas de ambulância de emergência têm neste momento a decorrer contra elas um processo disciplinar, porque recusaram sair com a viatura de emergência quando receberam a chamada do CODU. Já iam com sete saídas. Sentiam-se extenuadas e famintas. Justificaram a recusa da saída alegando que não estavam em condições físicas para trabalhar e sentiam falta de açúcar no sangue (hipoglicemia). O INEM avançou com um processo.
Além deste caso ocorrido em Junho, em Lisboa, outro episódio envolveu um técnico no Porto. Ia na oitava saída e não tinha forças para responder a outra chamada do CODU. A recusa valeu-lhe um processo. Foi arquivado.

Tendo o INEM vastos fundos próprios provenientes da taxa que é aplicada a cada Seguro Automóvel e que para ele reverte, havendo tecnicos com formação específica dada pelo proprio INEM, não havendo falta de profissionais de enfermagem, esta situação agora revelada é inadmissível.

Mas também pouco abonatória dos profissionais, enfermeiros incluidos, que aceitam calados estas condições de trabalho...E se a coisa der para o torto, como se defendem?

Falta de rigor nos concursos põe em risco vacinação

Suspensa vacinação contra o cancro do colo do útero
O Estado é suspeito de falta de rigor na escolha da vacina e criou uma batalha judicial entre os laboratórios concorrentes. A selecção está agora dependente de uma providência cautelar no Tribunal Administrativo de Lisboa.
Vera Lúcia Arreigoso
18:00 Sexta-feira, 29 de Ago de 2008

A vacinação de 55 mil raparigas de 13 anos contra o papilomavírus humano - agente do cancro do colo do útero e de várias outras doenças genitais - está suspensa. A vacina deveria ser disponibilizada gratuitamente a partir de meados de Setembro mas a alegada falta de rigor do Estado no concurso de fornecimento criou uma batalha judicial entre os concorrentes.


Um dos laboratórios contesta a readmissão do concorrente após uma exclusão inicial ordenada pelo júri. Reagiu com uma providência cautelar no Tribunal Administrativo de Lisboa, que agora tem a responsabilidade de libertar o concurso, de milhões de euros para a farmacêutica vencedora.


Apesar do contratempo jurídico, o Ministério da Saúde continua a garantir que o calendário inicialmente previsto não sofrerá alterações. Contudo, as demais entidades públicas envolvidas no concurso têm opiniões diferentes.

sexta-feira, agosto 29, 2008

Vão-se os aneis, fiquem os dedos...


A crer no que é avançado pelo Diario de Notícias, a pretensão da sr.ª Bastonária da Ordem dos Enfermeiros de que nas Farmácias sejam colocados Enfermeiros para levarem a cabo a administração de vacinas, administração essa que começará a processar-se a partir de Outubro, é eminentemente pragmática...
Pois se grassa o desemprego na classe de Enfermagem ( fruto de uma desenfreada abertura de cursos de enfermagem propiciadora de lugares de docentes para alguns) há que aproveitar todas as oportunidades !

E uma vez que os Farmacêuticos ( licenciados em Farmácia ou também os ajudantes de farmácia ?) se preparam para reanimar doentes porque é que os Enfermeiros não hão-de também poder reanimar e medicar, como diz Maria Augusta Sousa?

quarta-feira, agosto 27, 2008

18 hospitais isentaram ilegalmente funcionários e familiares de taxas moderadoras


Dezoito de 74 hospitais do Serviço Nacional de Saúde isentaram ilegalmente os seus funcionários ou respectivos familiares de taxas moderadoras, indica o relatório de actividades de 2007 da Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS)


"No documento, hoje divulgado, é referido que foram identificadas as situações e os responsáveis, tendo terminado a totalidade dos casos ilegais.
A IGAS também indica que cerca de metade dos 21 centros de saúde visitados não tem registos ou monitoriza dados dos programas nacionais da Diabetes e de Prevenção e Controlo das Doenças Cardiovasculares, o que inviabiliza conclusões acerca das metas definidas.
Alguns centros de saúde não têm equipamento informático adequado e nem todos os gabinetes médicos têm acesso a sistemas de informação.
Foi, assim, registado um «problema de organização e de falta de uma cultura de responsabilização ou de avaliação de desempenho» e uma «má articulação dos centros de saúde com os hospitais de referência», que também inviabiliza a «existência de informação clínica atempada e actualizada sobre os utentes».
O relatório indica que em 71 por cento dos centros de saúde observados não existia uma consulta organizada do pé diabético e não dispunham de registos actualizados e fidedignos de utentes referenciados ou chamados para consulta de retinopatia diabética.
Metade das unidades não conseguiu contabilizar o número de hipertensos identificados entre 2004 e 2006 em função do sexo e idade, e 71 por cento também não souberam indicar o número de pré-obesos e obesos assistidos nos primeiros seis meses de 2006.


Quanto ao tratamento da dependência do tabaco, a maioria não tinha registos do número de consumidores e não monitorizou os fumadores referenciados para uma consulta especializada.
Acerca de planos para fazer face a incêndios ou catástrofes, o relatório refere que, em 96 hospitais do SNS, apenas 53 têm Plano de Prevenção e Combate a Incêndio.
Aprovados pelo Serviço Nacional de Bombeiros (actual Autoridade Nacional de Protecção Civil) estavam apenas 14 destes planos, enquanto 39 hospitais não os tinham aprovado ou nem dispunham deles. As restantes 43 instituições não indicaram se houve a aprovação legalmente requerida.
Três hospitais referem ter sido vistoriados pelos bombeiros e nove efectuaram simulacros de emergência interna contra incêndios.
Para fazer face a situações de catástrofe externa, o número decresce para 41 quanto a hospitais que elaboraram um Plano de Prevenção e Emergência.
Dezoito referem ter representação nas respectivas comissões municipais de emergência e 15 garantem ter os planos aprovados, mas na sua maioria apenas pelos seus órgãos de gestão. Cinco instituições dizem efectuar ou já ter efectuado simulacros."
Lusa/SOL


Dou os parabéns à actuação da IGAS. Actuação pedagógica e de alerta para o cumprimento das boas prácticas.


Aguardo daqui a uns tempos, que volte a fazer uma nova averiguação, a fim de verificar se foram corrigidas as infracções e se acaba o laxismo no SNS, não o sendo, que punam os responsáveis já que os identificaram.

Nem a dita excelência escapa ao besouro!


Insecto fechou bloco operatório do Hospital dos Lusíadas
12h49m
As salas do bloco operatório do Hospital dos Lusíadas, em Lisboa, foram encerradas devido à presença de um insecto e não por contaminação bacteriológica, garante o administrador desta unidade de saúde.


Em declarações à Agência Lusa, o presidente da administração da unidade, José Miguel Boquinhas, explicou que a paralisação do serviço cirúrgico não se deveu a qualquer contaminação bacteriológica.
"Não sabemos de onde surgiu a ideia. Este insecto, da família dos coleópteros e ainda a ser identificado
, foi detectado segunda-feira durante uma análise de rotina numa sala adjacente ao bloco e decidimos pelo encerramento por razões de estrita segurança", garantiu.
Segundo José Miguel Boquinhas, a segurança dos doentes "nunca esteve em risco" e todo o restante espaço do estabelecimento manteve o normal funcionamento.


Por concretizar ficaram 30 operações de rotina e "sem carácter de urgência", na sua maioria da área ortopédica, que voltarão a ser programadas.
A edição electrónica do semanário “Expresso” adiantou que as salas de operações foram fechadas, terça-feira, e que as cirurgias só deverão ser retomadas no final da semana. Um porta-voz dos Hospitais Privados de Portugal Saúde justificou esta decisão com a "detecção de valores anormais de índice bacteriológico".
O Hospital dos Lusíadas abriu ao público a 19 de Maio, dispõe de 160 camas e tem capacidade para 20 mil cirurgias e 400 mil consultas por ano.

terça-feira, agosto 26, 2008

Em 2015 haverá mais mortes que nascimentos na UE


26.08.2008 - 14h51
Por Lusa
Daniel Rocha
Em Portugal, a população com mais de 65 anos será de 24,9 por cento em 2035. Um em cada quatro portugueses terá mais de 65 anos em 2035, segundo um estudo do Eurostat divulgado hoje, que refere que 25,4 por cento dos europeus serão idosos dentro de 27 anos. O instituto de estatística europeu aponta também o ano de 2015 como o momento em que a taxa de mortalidade deverá ultrapassar a da natalidade, estando na imigração a "única solução para este problema" de decréscimo da população. De acordo com as projecções publicadas hoje sobre os 27 países da União Europeia, em 2035 a população europeia atingirá 521 milhões de pessoas, ou seja, mais 26 milhões que as registadas no início deste ano. Dentro de 27 anos, 25,4 por cento da população europeia terá mais de 65 anos, contra os 17 por cento actuais. No caso de Portugal, as estatísticas apontam também para o envelhecimento: os 17,4 por cento da população actual com mais de 65 anos passará a 24,9 por cento em 2035 e 30,9 por cento em 2060. O Eurostat afirma, no entanto, que o envelhecimento deverá ser uma preocupação de todos os países, mas a níveis diferentes. Os casos mais dramáticos vão registar-se na Alemanha, que terá 30,2 por cento da população com mais de 65 anos, na Itália (28,6 por cento) e na Eslovénia (27,4 por cento). A Irlanda e o Chipre serão os países com as populações mais jovens, com uma percentagem de população idosa de 17,6 e 19 por cento, respectivamente. Outras das novidades divulgadas no relatório diz respeito à previsão de a taxa de mortalidade ultrapassar a taxa de natalidade em 2015, sendo a imigração o "único factor" de crescimento da população europeia. No entanto, a partir de 2035 a população europeia deverá começar a decair, "por falta de imigrantes suficientes", atingindo os 505 milhões de habitantes em 2060. No caso de Portugal, também haverá uma curva ascendente seguida por uma descendente: os 10.617 portugueses actuais vão passar a 11.395 em 2035, mas em 2060 serão apenas 11.265. Um outro estudo apresentado na semana passada em Berlim já alertava para este fenómeno de a imigração ser a única forma da população europeia se manter estável e não diminuir. Segundo as contas feitas no estudo do Instituto Berlinense para a População e o Desenvolvimento, sem a presença de imigrantes, a população total da UE diminuiria em 52 milhões de pessoas e ficaria reduzida a 447 milhões em 2050. Depois dos anos 50, a população da UE apenas conseguiu manter o seu importante lugar entre a população mundial através da entrada de novos estados-membros. Um outro relatório demográfico do Departamento de Referência da População (EUA) divulgado no mesmo dia confirmou a conclusão do documento alemão, revelando que actualmente os países pobres concentram praticamente todo o crescimento da população mundial e que a imigração leva ao ligeiro aumento de habitantes nas regiões mais ricas. Os dados do Departamento de Referência da População (EUA) indicam que, em 2008, a população mundial ascendeu a 6.700 milhões de habitantes, 1.200 milhões dos quais vivem nas regiões mais desenvolvidas e os restantes nas zonas mais pobres. Em 2050, prevê-se que esta disparidade aumente, quando 86 por cento dos 9.300 milhões de habitantes mundiais residirem nos países menos desenvolvidos, frente aos 82 por cento actuais. De acordo com o relatório, os 191 milhões de imigrantes mundiais contribuíram para o crescimento da população nos países desenvolvidos, concentrados na sua maioria na Europa, América do Norte e nas regiões da antiga União Soviética.



Será que este relatório do Eurostat irá ser distribuído pelos Ministérios portugueses?


Aguardo com interesse a política de saúde, assim como os programas de saúde necessários para fazer face a esta situação, já que nesta data ainda estarei vivo, pressuponho!

segunda-feira, agosto 25, 2008

OTS de Odemira...


Parece que as prometidas SUB ( Serviço de Urgência Básica) já eram !

E que agora o que há, por exº em Odemira ( lembram-se de ter sido tão falada no passado recente pelas mortes sem socorro adequado e atempado?), é uma OTS ( Outro Tipo de Serviço)


Esta é a denuncia feita hoje no Diário de Notícias por um seu leitor identificado, Sr. Jesus Navarro Paniagua, cujo desabafo se reproduz aqui parcialmente:


O Serviço de Urgência Básico de Odemira foi provávelmente "desclassificado" e passou a ser "Outro Tipo de Serviço", já que deixou de ter dois médicos a atender os utentes. Essa tarefa passou a ser executada sómente por um elemento clínico.

O dito desabafo vai mais longe, referindo que, de acordo com a explicação da médica de serviço, esta situação é do conhecimento dos responsáveis locais e sub-regionais não estando a desenvolver os esforços necessários para a solucionar.

terça-feira, agosto 19, 2008

Igualdade... pois então!

Método não foi popular, mas pode ser mais usado se acesso for facilitado
As mulheres portuguesas vão ter acesso a preservativos femininos gratuitos nos hospitais e centros de saúde.

De acordo com Beatriz Casais, membro da Coordenação Nacional para a Infecção VIH/Sida , "está a decorrer um concurso até Outubro para que o preservativo feminino possa integrar as compras do Estado". O número de preservativos a fornecer às diversas unidades depende "dos pedidos feitos por cada Administração Regional de Saúde", refere Jorge Branco, presidente da Comissão Nacional da Saúde Materna e Neonatal. O prazo de apresentação das propostas por parte dos fornecedores termina em meados de Outubro, esperando-se "que os preservativos já estejam a ser distribuídos em 2009", acrescenta.

O preservativo feminino não teve sucesso quando foi comercializado em Portugal, não só por ser mais difícil de colocar, e implicar prática, mas também devido ao seu custo elevado. Com este concurso, "pretende--se que os preservativos possam ser distribuídos em grandes quantidades nos hospitais e centros de saúde, tal como acontece com os preservativos masculinos", diz Beatriz Casais.

Até 2003/2004 eram comercializadas "duas marcas nas farmácias, mas este negócio não se revelou rentável". Também Jorge Branco refere que esta sempre foi uma técnica pouco utilizada e impopular, aplicada em algumas situações especiais e restritas".

A coordenação nacional, segundo Beatriz Casais, distribuiu este ano 50 mil preservativos femininos "nas ruas, sobretudo para proteger as mulheres que se prostituem. Mas agora queremos alargar a distribuição a todas".
Para que seja reintroduzido no País este método anticoncepcional e de protecção contra as doenças sexualmente transmissíveis (DST), a coordenação vai desenvolver uma campanha para as mulheres. "Em Dezembro vamos promover o uso do preservativo feminino e voltar a recolocá-lo no mercado. A existência em exclusivo de preservativos masculinos torna a mulher mais vulnerável, porque é ao homem que cabe geralmente adquiri-los. Assim, a mulher torna-se independente e determina o seu uso", frisa Beatriz Casais.

Um dos objectivos da coordenação é promover junto do sector privado a atractividade do produto. "Nós garantimos a sua divulgação e as empresas tratam da sua introdução no mercado". Tal como aconteceu com os preservativos masculinos, em que o retalho baixou os preços de acordo com uma política de responsabilidade social, é possível que sejam negociadas medidas semelhantes. "As empresas deviam baixar os preços e fazer campanhas a promover o uso destes produtos". Os métodos de protecção contra as DST são de fácil acesso e gratuitos no Serviço Nacional de Saúde, uma das razões que pode estar a reduzir as vendas.

segunda-feira, agosto 11, 2008

Que a culpa não morra solteira se isso for o caso

Morreu ao embater com ambulância do INEM
Dúvidas levantam-se quanto ao cumprimento da sinalização luminosa em Cedofeita
JN
MANUEL VITORINO
Um motociclista morreu, sábado, após o embate contra uma ambulância do INEM em serviço que, segundo testemunhas, terá passado um sinal vermelho. A PSP apenas admite que viatura "iria em marcha de urgência".


A potente Honda 600 era um monte de ferros retorcidos e ficou pintada de vermelho, junto aos semáforos do cruzamento das ruas de Aníbal Cunha, com Sacadura Cabral, a poucos metros da igreja de Cedofeita, no Porto. No chão, estava um cadáver, restos de órgãos, uma enorme poça de sangue do jovem Rui Miguel Ferreira, 23 anos, morador na Rua de Miguel Bombarda, em Cedofeita. Junto à vistosa máquina, capaz de atingir 280 quilómetros, uma ambulância do INEM com a porta direita destruída, pára-brisas estilhaçado e muita gente emocionada perante o triste e macabro cenário.

Foi ontem, cerca das 18, 30 horas. "Temos dados que testemunham a ausência de excesso de velocidade. O tacógrafo não mente", adiantou, ao JN, um dos enfermeiros do INEM.

Quanto ao eventual desrespeito do condutor da ambulância do INEM diante do sinal vermelho e sinalização da marcha - questão fundamental para avaliar a responsabilidade do embate -, a mesma fonte optou por não responder.

"Tudo indica que a ambulância estaria em marcha de urgência", afirmou, mais tarde, ao JN, o oficial de serviço ao comando da PSP do Porto, que evitou fazer mais comentários, uma vez que não são conhecidos os resultados das perícias feitas. "O caso será entregue ao Ministério Público. Houve uma morte. Vamos averiguar", disse.


"Só o excesso de velocidade do condutor da moto poderá justificar tal grau de violência. Ele arrancou e espetou-se contra a ambulância. Foi tremendo o estrondo", garantiu um homem de meia-idade, que evitou alongar-se.

No entanto, e segundo o JN apurou, duas outras testemunhas apressaram-se a fornecer as suas identidades à PSP no sentido de apontar responsabilidades ao condutor da ambulância do INEM, cujo porta-voz (e apesar das diligências feitas ao longo da tarde pelo JN) esteve sempre indisponível para comentar a ocorrência.


"Foi um estrondo enorme. A ambulância ainda tentou desviar-se, mas não conseguiu evitar o choque. Quando cheguei, vi os médicos do INEM e um cadáver no chão", contou Fernando Cardinal. "Era uma jóia de rapaz. Não merecia este fim", dizia José Vidal. Chega, entretanto, a companheira, mais amigos da vítima. "Ainda hoje [ontem] vi-o a andar de mota. Devia ir para o café". Por perto, os bombeiros limpavam os destroços, chapa, restos do volante. E os ténis que trazia calçados.


O que diz o decreto-lei (Artigo 65º)
No que concerne à cedência de passagem, os condutores devem "ceder a passagem aos condutores dos veículos referidos no artigo anterior ". No outro ponto do articulado, afirma-se: "sempre que as vias em que tais veículos circulem, de que vão sair ou em que vão entrar se encontrem congestionadoas, devem os demais condutores encostar-se o mais possível à direita, ocupando se, necessário, a berma". Exceptuam-se os casos em que "as vias públicas onde existam corredores de circulação" ou "auto-estradas e vias reservadas a automóveis e motociclos, nos quais os condutores devem deixar livre a berma"


Secção IX, artigo 64º
Quanto ao trânsito de veículos em serviço de urgência, a lei diz que "os condutores de veículos que transitem em missão de polícia, de prestação de socorro ou de serviço urgente de interesse público assinalando adequadamente a sua marcha podem, quando a sua missão o exigir, deixar de observar as regras e os sinais de trânsito, mas devem respeitar as ordens dos agentes reguladores do trânsito". Além disso, "os referidos condutores não podem, porém, em circunstãncia alguma, pôr em perigo os demais utentes da via, sendo designadamente, obrigados a suspender a sua marcha".

sexta-feira, agosto 08, 2008

É Isto Que Se Passa Nas Urgências!

Hoje consultei uma doente que teve necessidade de recorrer a uma urgência nocturna de um nosso  hospital.


Se tivesse ligado para o 112 ou Saúde 24 talvez tivesse sido melhor atendida.

O interesse deste post não é criticar os meus colegas de outras nacionalidades, mas para alertar para outros casos possíveis.

Durante o dia transportou vários garrafões de água. O minimercado fica longe e a idade já não perdoa.

Durante a noite, as suas dores lombares obviamente exacerbaram-se a tal ponto que teve que recorrer a uma urgência hospitalar.

Foi atendida por um  médico de língua estrangeira (para além do país!) de dicção difícil.

Verdade seja dita que o colega bastante se preocupou em saber se a comunicação estava a ser profícua, pois, quase entre cada frase perguntava se "A senhora compreende-me?"

Mas o principal motivo que me leva a escrever relaciona-se com os erros graves a que estas condições podem levar:

1 - Foi prescrito etoricoxib 120 mg 2 x dia, alterando a medicação que a doente já fazia - etoricoxib 60 mg SOS.

2 - Foram-lhe entregues duas receitas emitidas para outros doentes ... (Uma até acontece com mais frquência do que deveria ser desejável, mas agora entregar-lhe duas prescrições de outros tantos doentes...)

(Disse-lhe outra companheira das urgências, após ter perguntado baixinho: É brasileiro? Não, respondeu a outra. É desses países de mais longe!)

quinta-feira, agosto 07, 2008

"Pílula À Borla."

Foi assim que a SICNoticias resumiu a sua reportagem sobre as consultas de PLANEAMENTO FAMILIAR nos centros de saúde.


Mesmo que quisesse focar apenas o facto dos centros de saúde disponibilizarem anticoncepcionais orais às mulheres que o desejem, o título escolhido é do mais popularucho possível e não adequado ao estatuto que a SICNotícias ainda mantêm.

Será que o tal jornalista que apelidou este blog de "cano de esgoto" se transferiu para a redacção da SICN. É que, infelizmente, muito có-có continuam os autores do blogue a canalizar para aqui, e acredito que por vezes o blogue cheire um pouco mal...

quarta-feira, agosto 06, 2008

Vítimas de violência doméstica isentas de taxas moderadoras a partir de hoje

05.08.2008 - 17h25 Lusa

As vítimas de violência doméstica ficam a partir de hoje isentas do pagamento de taxas moderadoras nas unidades de saúde, segundo um despacho do Ministério da Saúde publicado em Diário da República.

Segundo o texto, a isenção é aplicada "sempre que alguém declare nos serviços de admissão de uma urgência em estabelecimento de saúde ou declare perante pessoal técnico dessa urgência ser vítima de maus tratos e desde que apresente sintomas ou lesões que sustentem com alguma probabilidade tal alegação".

Em Fevereiro, o PCP e deputados do PS questionaram o Ministério da Saúde sobre as orientações dadas quanto ao pagamento de taxas moderadoras por vítimas de violência doméstica.

A pergunta do deputado do PCP João Oliveira aconteceu depois de notícias, no início do mês, segundo as quais foi cobrada uma taxa moderadora de 8,70 euros, pelo Hospital de São Marcos, em Braga, a uma vítima de violência doméstica.

O deputado comunista alertou que essa taxa moderadora não era legalmente aplicável, face ao decreto de 2007 que isenta as vítimas de violência doméstica, mas que o hospital alegou a falta de regulamentação.

Deputados do PS, como Maria do Rosário Carneiro e Afonso Candal, questionaram as medidas tomadas para garantir que as vítimas de violência doméstica não pagam taxas moderadoras nos hospitais.

Os deputados referiam que, de acordo com a Lei de Bases da Saúde, "as vítimas de violência doméstica enquadram-se no grupo populacional beneficiário da isenção da taxa moderadora". Por isso, e tendo em conta "a existência de interpretações díspares quanto ao acesso ao direito da isenção do pagamento de taxa moderadora nas unidades de saúde por parte das vítimas de violência doméstica", os socialistas pedem esclarecimentos ao Governo acerca do que está a ser feito.

domingo, agosto 03, 2008

Assunto: é fantástico!

De: Rosalvo Almeida [mailto:rosalvo.almeida@gmail.com]
Enviada: sábado, 2 de Agosto de 2008 22:13
Para: Memai
Assunto: é fantástico

"Caro Médico

Não sei se o assunto interessa ao MEMAI mas hoje irritei-me com o que li no JN e ouvi na RTP.

Talvez o MEMAI possa explicar!

Dizem que uma senhora idosa (com 88 anos) se candidatou ao Complemento Solidário para Idosos. Que o governo dará a diferença para quem receba menos de 400 euros. Essa senhora de Famalicão tem uma pensão de 299 e candidatou-se. Recebeu uma carta da SS a dizer que ia receber 1 euro por mês... Parece impossível! Malandros! Para onde vai a diferença?

O JN não diz mais nada. A RTP, depois das perguntas, diz, em voz baixa e como que não tivesse importância nenhuma, que o Ministério da Segurança Social, interrogado, informou que a diferença se deve a outros rendimentos da senhora.

Ah! Fantástico!

Também dizem que vão ser colocados voluntários nos Centros de Saúde a explicar a coisa aos idosos. Malandros!"

Caro Rosalvo de Almeida, muita injustiça gostaria que me explicassem...

quarta-feira, julho 30, 2008

ABC do jornalismo cor-de-rosa

Os sindicalistas médicos são mesmo feios, porcos e maus!

Oram vejam lá do que eles se lembram de dizer acerca dos diligentes jornalistas, muitos dos quais são de fácil verve sensacionalista e percebem de tudo menos de saúde...

E já agora, com tanta reforma e tanta produção legislativa porque não um DL que proiba os médicos de morrer?

SIM - Sindicato Independente dos Médicos
MÉDICOS PROIBIDOS DE MORRER


Foi um incómodo. A anestesista do Hospital de Pombal resolveu morrer, de forma súbita e logo a um domingo. E não devia pois era a única anestesista daquele Hospital o que obrigou ao cancelamento das nove cirurgias programadas para esta semana. Os utentes foram informados pela enfermeira-chefe e os casos urgentes que cheguem ao Hospital de Pombal serão encaminhados para Leiria e Coimbra.
Surrealismo? Não, apenas Portugal.
De forma espantosa toda a imprensa noticia o incómodo dos doentes e do adiamento das cirurgias. A tragédia de uma morte súbita em idade produtiva, as suas possíveis causas, os porquês de uma única anestesista num Hospital, nada disto interessa e é totalmente omitida pelos diligentes jornalistas.
Continuando no surrealismo português, espera-se do Conselho de Ministros desta semana, e de um pragmático Primeiro-Ministro, um decreto que proíba a morte de médicos, principalmente se for súbita. O País, e os utentes, não o podem permitir.

30 de Julho de 2008 o1/n2021/t1/G.L

ABC da Simplicidade: Sahaisis no hospital.

Depois do esterco do último post, nada mais do que publicitar um blogue de uma jovem enfermeira: Sahaisis no hospital.

Simples, nada pretencioso, esta jovem enfermeira mostra que há jovens cultos, inteligentes e que amam a sua profissão.

Foram alguns comentários mais intensos que me levaram a pesquisar este blogue. E gostei.

Arejado, com postes pequenos, que reflectem como diz a sua autora, "AS COISAS DE TODOS OS DIAS NA VIDA DE UMA FUTURA ENFERMEIRA A ESTUDAR EM LISBOA, NA ESEFG".

Sem dúvida que a enfermagem tem futuro com enfermeiras/os com esta qualidade.

sexta-feira, julho 25, 2008

ABC do esterco

Memai saúda a equipa redactorial do Jornal Virtual do Sindicato Independente dos Médicos, pelo comentário aqui integralmente reproduzido:


ABC DO ESTERCO
Numa chamativa "investigação especial" a revista Sábado publica, na sua edição de ontem, um artigo intitulado "Médicos Viciados". O artigo fala por si e não nos merece especial reparo, inserindo-se num tradicional e sincopado ataque à classe médica que tanta revista vende.


O mesmo artigo, com direito a primeira página, é reforçado por um Editorial, assinado pela Direcção da revista Sábado, onde se afirma: "são frequentes os casos de médicos dependentes de álcool, drogas ou comprimidos", avançando mesmo com percentagem de dados analisados ao nível mundial, "12 a 14 % dos profissionais que exercem medicina abusam do álcool ou dependem de tóxicos (estimulantes, calmantes ou drogas ilícitas). Estamos a falar de quase um em cada sete especialistas com a sua capacidade clínica seriamente posta em causa".


Ora neste Editorial, que se insurge com o silêncio do Governo e a quase absoluta ausência de processos investigados ou de médicos condenados, lá estão as palavras chave: "passividade confortável das autoridades", "corporativismo" e "clima de cumplicidade".

Se juntarmos estes 12 a 14% de médicos bêbados e drogados, aos milhares de médicos corruptos e burlões, aos milhares de médicos incompetentes, teremos, segundo a Sábado, e os jornalistas Isabel Lacerda e Fernando Esteves (este reincidente no ódio aos médicos), Portugal como um País onde parece difícil encontrar um médico sóbrio, íntegro e trabalhador, principalmente no serviço público.


O que nos espanta é como é tantos médicos bêbados e drogados mantém o País em níveis tão aceitáveis de desempenho internacional nos seus índices sanitários, onde, curiosamente, não vemos jornais nem jornalistas portugueses.


Antipáticos, Bêbados, Corruptos, Drogados, Estúpidos, Falsos, Golpistas, Mercantilistas, Oportunistas, são alguns dos mimos com que alguns jornalistas portugueses presenteiam uma classe que odeiam: os médicos.Esta gentinha, e os seus, quando estão doentes vão aonde? A Espanha? À Medicina Alternativa? A Vilar de Perdizes?

Haverá médico suficientemente capaz de os consultar e orientar em Portugal?

quinta-feira, julho 24, 2008

Lenitivo


Ensino
Novo curso de Medicina na Universidade do Algarve em 2009/2010

24.07.2008 - 08h06 Lusa



O Governo aprovou a criação de um novo curso de Medicina na Universidade do Algarve que deverá arrancar já no ano lectivo de 2009/2010, disse fonte governamental.

O novo curso de Medicina da Universidade do Algarve será o primeiro a destinar-se exclusivamente a alunos "já licenciados numa das ciências relacionadas com a saúde", explicou a mesma fonte.


Assim, o curso durará quatro anos, "na sequência de um 1º ciclo de três anos de licenciaturas em ciências relacionadas com a saúde".

O Governo aprovou em 2007 um regime especial de acesso aos cursos de Medicina para pessoas já licenciadas em áreas da saúde de forma a permitir a realização do curso em menos tempo. No entanto, actualmente, os candidatos a médicos já licenciados naquelas áreas só têm vagas disponíveis em faculdades de Medicina já existentes, nomeadamente nas Universidades da Beira Interior, de Coimbra, do Minho, Nova de Lisboa, de Lisboa e do Porto. Para o ano lectivo de 2008/2009, o Ministério do Ensino Superior abriu 125 lugares para estes alunos.


O Governo considera assim que o novo curso de medicina da Universidade do Algarve, que será hoje oficialmente apresentado e resulta de uma parceria com a Universidade Nova de Lisboa, "é totalmente inovador": além de ser o primeiro destinado a já licenciados, tem um modelo pedagógico "em regime tutorial totalmente experimental baseado em estudos de casos clínicos" e o "ensino da medicina clínica e familiar será praticado nos Centros de Saúde", destacou a mesma fonte. "O objectivo é formar médicos preparados para a prática da medicina desde o início do internato", afirmou.


Para o próximo ano lectivo, há um total de 1614 vagas nos cursos de Medicina das universidades portuguesas, mais 151 do que em 2007/2008. Existem actualmente cursos de medicina na Universidade dos Açores (ciclo básico), na Universidade da Beira Interior, na Universidade de Coimbra, na Universidade de Lisboa, na Universidade da Madeira (ciclo básico), na Universidade do Minho, na Universidade Nova de Lisboa, na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Porto e no Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar, também da Universidade do Porto.


Porque não?

Se temos falta de médicos e se temos tantos desempregados com licenciaturas nas áreas da Saúde, ainda por cima uma muito provavel esmagadora maioria como segunda escolha dado não terem conseguido ter acesso a curso de Medicina, eventualmente até frustrados nas suas aspirações ?

È pois uma consolação e uma nova oportunidade...


Mas atenção: o Estado e todos nós estamos a possibilitar, a alguns, mais um curso superior de custos elevados para o erário público... Não será de exigir que logo à entrada seja assumido o compromisso de serem encaninhados para as especialidades médicas carenciadas?

Assim se constrói um curriculo alternativo...

http://dragandabic.com/
Dr. Dragan "David" Dabic was born some six decades ago in a small Serbian village of Kovaci, near Kraljevo.
As a young boy he liked to explore nearby forests and mountains, spending a lot of time on Kopaonik mountain where he tended to pick the omnipresent, natural and potent medicinal herbs that grew at those green pastures.
As a young man he moved to Belgrade, and then on to Moscow where he graduated with a Doctor of Medicine degree (spec. in Psychiatry) at the Moscow State University (Lomonosov).
After Russia, Dr. Dabic travelled around India and Japan, after which he settled in China where he specialized in alternative medicine, with a special emphasis on the mind-body control, meditation, Yoga, spiritual cleansing, as well as Chinese herbs.
In mid-1990s Dr. Dabic returned back to mother Serbia for good, and ever since then emerged as one of the most prominent experts in the field of alternative medicine, bioenergy, and macrobiotic diet in the whole of the Balkans, and is frequent contributor to the regional alternative health magazines, and guest expert with numerous TV appearances and on many public forums, seminars and symposiums (Belgrade, Novi Sad, Pancevo, Sombor, Smederevo, Kikinda...) dedicated to these issues and topics.
Dr. Dragan Dabic currently resides on Yury Gagarin street in New Belgrade, but for public forum invitations, television appearances or private consultations he can be reached directly at the following contact:
healingwounds @ dragandabic . com

Psiquiatra e Assassino convertido às ditas alternativas


Detido ontem à noite na Sérvia
Karadzic usava falsa identidade, vivia em Belgrado e trabalhava numa clínica
22.07.2008 - 11h26 AFP




Radovan Karadzic, detido ontem à noite em Belgrado, utilizava uma falsa identidade e vivia, nos últimos tempos, na capital sérvia, declarou hoje o procurador sérvio para os crimes de guerra, Vladimir Vukcevic.


O antigo chefe político dos sérvios da Bósnia, que usava uma falsa identidade, praticava medicinas alternativas numa clínica e chegou a participar em conferências sobre o tema.“Karadzic possuia documentos falsos em nome de Dragan Dabic e era muito convincente na dissimulação da sua verdadeira identidade”, declarou Vukcevic durante uma conferência de imprensa.“Ele ganhava a vida ocupando-se de medicinas alternativas e trabalhando numa clínica privada. A sua última morada era de Nova Belgrado”, indicou Vukcevic.


No âmbito da sua profissão, segundo a estação de rádio e televisão B92, Karadzic chegou mesmo a fazer conferências sobre os temas da bioenergia e meditação, tendo igualmente publicado artigos no jornal "Zdrav zivot" (Vida Sã).

domingo, julho 20, 2008

Tanto Defenderam Gestores Não-Médicos Que O Resultado Está À Vista: Estes Gestores Pensaram Que Estavam No BCP! (Últimas linhas sobre cancro. LEIAM!)

Ministério diz que situação actual é "muito diferente"

"Inspecção-Geral da Saúde detectou irregularidades no valor de 1,2 milhões de euros entre 2003 e 2004", na Última Hora do Público, mas que de última hora nada tem pois esta notícia tem meses...

"A Inspecção-Geral da Saúde detectou, entre 2003 e 2004, irregularidades no valor de 1,2 milhões de euros. Esse valor foi pago em remunerações indevidas e regalias excessivas às direcções dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde, mas o Ministério da Saúde garantiu hoje à Lusa que a situação actual é "muito diferente".

De acordo com o "Jornal de Notícias" (JN) de hoje, "os dois relatórios da IGS à gestão dos hospitais públicos são categóricos na acusação: a mudança do regime de gestão hospitalar iniciada em 2002 foi marcada por inúmeras irregularidades e centenas de privilégios indevidos".
O primeiro relatório foi encomendado pelo então ministro da Saúde, Luís Filipe Pereira, que quis saber tudo sobre as remunerações e regalias sociais dos dirigentes dos estabelecimentos e serviços do SNS, mas quando as conclusões chegaram já ele tinha sido substituído por Correia de Campos.
A investigação indica que "o SNS tinha gasto indevidamente com os órgãos gestores dos hospitais públicos quase um milhão e 200 mil euros", sendo que, destes, "486 mil diziam respeito aos hospitais SA e 709 mil aos do Sistema Público Administrativo (SPA)", refere o jornal.
Mais de 90 por centro do valor total já foi devolvido ao Estado
Fonte do gabinete da ministra da Saúde, Ana Jorge, garantiu hoje à Lusa que "mais de 90 por cento deste valor já foi devolvido ao Estado".
Entre as irregularidades, foram detectados casos de "um director clínico, para além do seu normal vencimento, recebia também uma remuneração por ser assessor da sua própria direcção; subsídios de representação eram atribuídos, indevidamente, nos meses de férias e Natal e com efeitos retroactivos; Conselhos de Administração autopromoviam-se para o escalão máximo de remuneração", segundo o JN.
Além disso, adianta o jornal, "foram dadas ordens de aquisição de viaturas até 40 mil euros (valor superior ao permitido) e alugadas viaturas por períodos de 60 dias sem a respectiva autorização", sendo que "uma das respostas aos inquéritos dizia até que uma viatura era usada para uso pessoal 'mas com moderação'".
Também nas despesas do telemóvel se atribuía, muitas vezes, "um valor superior ao legal", sendo a lista "infindável".
Na sequência das irregularidades detectadas, "alguns processos disciplinares foram instaurados", explicou à Lusa a fonte do Ministério da Saúde, adiantando que "algumas acções estão concluídas e outras encontram-se em fase de conclusão".
Segundo também a fonte do Ministério da Saúde, "a realidade actual nos hospitais do SNS é muito diferente da que é relatada no relatório da IGS, na sequência de posterior legislação e acatamento das recomendações" então formuladas."

É giro como para vender mais papel, o único caso personalizado é de um director-clínico, portanto médico.

Rio-me sozinho quando vejo estas notícias. O filão da Saúde estará a acabar porque tudo nos media é efémero.

Agora até o cancro vende.

Cancro num órgão nobre.

Pois continuarão a existir cancros que nunca verão a luz do dia ou melhor nunca terão os seus quinze minutos de fama (a menos que se descubra uma vacina, por mais questionável que seja!): coitados dos cancros do testículo, da vulva, da vagina, do escroto, do pénis, do epidídimo, do ânus, da língua, e por aí fora...

quarta-feira, julho 16, 2008

Comunicado conjunto


O Secretário-Geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) e o Presidente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), reflectindo sobre o actual momento político sindical e as envolventes sobre legislação laboral, contratação colectiva, formação médica e carreiras médicas, acordam propor às estruturas que lideram, a realização próxima de encontros bilaterais sobre aqueles temas de que resulte inequívoco acordo estratégico.O SIM e a FNAM não prescindem da negociação de matérias que lhes estão legal e exclusivamente adstritas e reafirmam o seu propósito de demonstrar inequívoca unidade na defesa daqueles princípios negociais, não tolerando interferências despropositadas e ilegítimas de estruturas, quaisquer que sejam e por mais bem intencionadas que se declarem.De igual modo, reafirmam que a contratação colectiva, a estabilidade laboral e as carreiras médicas são pilares do Serviço Nacional de Saúde e, em consequência, da qualidade do exercício da Medicina e da saúde dos Portugueses.

Lisboa, 16 de Julho de 2008





Até ao momento, ainda não tinha havido qualquer comentário de nenhum dos Sindicatos Médicos, na sequência do jantar tertúlia efectuado pela O.M., há algum tempo atrás.



Mas pelo teor do comunicado conjunto, pelos vistos, a "refeição" que a O.M. serviu ou o que por lá se passou ou passa, ultrapassa e muito as competências da dita Ordem.



É caso para o Pedro Nunes, não se meter onde não é chamado e provar da sua receita, provavelmente fazendo uma certificação do "grau" de bastonário.

domingo, julho 13, 2008

Porque no te callas, oh MST ?

Há figuras da nossa praça a quem as luzes da ribalta ofuscam e tiram o sentido das conveniências...discorrem sobre tudo e sobre nada, quantas vezes dizendo asneira...mas têm guarida como colunistas dos diários....
Miguel Sousa Tavares é uma dessas figuras, quantas vezes "arrotando postas de pescada" sobre assuntos médicos ... Daí que quebre a regra de aqui postar apenas sobre assuntos ligados à Medicina e à Saude... mas, pensando bem, estarei a quebrar mesmo essa regra...?

Bem, mas o insigne e douto MST esta vez terá virado Indiana Jones...a resposta do Manuel Maria Carrilho no Diário de Notícias é a que se segue:

ILITERACIA DAS ELITES?
Manuel Maria Carrilho

Em todo o mundo, são apenas 878 os bens e os sítios que estão classificados pela UNESCO como Património Mundial. Esta classificação é um símbolo de reconhecimento do excepcional valor do património em causa, e um estímulo não só à sua manutenção mas, também, à sua contínua valorização.A competência, a prudência e o grau de exigência com que o Comité do Património Mundial tem sempre actuado, tornaram inquestionáveis as suas decisões.

É por isso tão surpreendente como patusco ver, no Expresso de sábado passado, Miguel Sousa Tavares pretender pôr em causa o valor patrimonial das gravuras do Vale do Côa, insinuando que este comité é constituído por "alguns oportunistas" que "decretaram ser gravuras paleolíticas" uns "tacanhos rabiscos numas pedras". Rabiscos aos quais, note-se, a "maior autoridade mundial na matéria" (convenientemente deixada no anonimato!...) teria atribuído "entre 30 e 300 anos".

Trata-se de afirmações completamente mistificatórias, que impõem alguns esclarecimentos. Em primeiro lugar, para referir que o incontroverso apuramento da idade paleolítica e do valor científico e patrimonial das gravuras do Côa foi feito em 1996 por uma equipa internacional de peritos que incluía alguns dos maiores especialistas mundiais na arte paleolítica (P. Bahn, R. de Balbin, M. Lorblanchet, S. Ripoll, V. Villaverde e D. Sacchi), que consideraram unanimemente o Vale do Côa como a maior concentração de arte rupestre paleolítica no mundo.
Depois, para lembrar que o património do Vale do Côa foi também avaliado em 1997 no quadro da sua classificação como Monumento Nacional pelo Estado português e, mais tarde, em Dezembro de 1998, pelo mais exigente comité do mundo em questões patrimoniais, que é justamente o Comité do Património Mundial da UNESCO.

E foi este comité que então deliberou consagrar o Vale do Côa como Património da Humanidade, com base em critérios que, naturalmente, incluem a sua cronologia paleolítica: "Criterion I: The Upper Palaeolithic rock-art of the Côa valley is an outstanding example of the sudden flowering of creative genius at the dawn of human cultural development. (...) Criterion III: The Côa Valley rock-art throws light on the social, economic, and spiritual life on the life of the early ancestor of humankind in a wholly exceptional manner." (cf. http/whc.unesco.org/en/list/866).Por fim, para dizer que obviamente se respeitam todas as opiniões sobre a política seguida no Vale do Côa desde finais de 1995 até hoje. (Seria de resto desejável que se fizesse uma discussão séria sobre o assunto, para a qual me declaro inteiramente disponível.)

Mas é preciso sublinhar que de modo algum se pode aceitar que, num impulso que revela irresponsabilidade, mas também total ignorância sobre a matéria, se ponha em causa o carácter paleolítico e o valor cultural das gravuras do Côa, repetidamente confirmados por todos os peritos consultados, e desde 1998 consagrado pela UNESCO.

Ao fazê-lo, Miguel Sousa Tavares lembra o caso daquele indivíduo que imagina estar a fazer uma grande figura quando toscamente se ri dos astrónomos que afirmam que é a Terra que gira à volta do Sol! Caso que, infelizmente, é mais frequente do que se julga, e ilustra bem a iliteracia cultural e científica de algumas das nossas elites, que afinal se comportam - seguras da impunidade de que beneficiam - como autênticos parasitas do atraso português.

Que não haja quaisquer dúvidas: Portugal tem no Vale do Côa um património único do qual, em termos mundiais, se deve orgulhar. É isto mesmo que se destaca no recente documentário de Jean-Luc Bouvret, Côa, la Rivière aux Mille Gravures, que tem sido exibido por todo o mundo com assinalável sucesso. A questão é a de se saber protegê-lo, valorizá-lo e integrá-lo num projecto de desenvolvimento da região e do País - é sobre este ponto que, a meu ver, deve incidir o debate

sexta-feira, julho 11, 2008

Qual mamífero aquático...porque não?

Primeiro bebé português a nascer dentro de água num hospital
02h26m
Manuel Molinos

Simão Pedro foi o primeiro bebé português a nascer dentro de água em contexto hospitalar. O parto aquático realizou-se terça-feira, numa banheira portátil, na Ordem da Lapa, no Porto, e teve o acompanhamento de duas enfermeiras, um obstetra e um pediatra.

Simão é assim o 17.º bebé a nascer dentro de água no nosso país, mas o primeiro numa unidade hospitalar. As outras 16 crianças nasceram em ambiente domiciliário. Em todo o mundo, estão registados cerca de 45.000 nascimentos na água.
"Com 2,8 kg, Simão Pedro nasceu em boas condições de saúde", contou, ao JN, Isabel Ferreira, uma das enfermeiras especialistas em saúde materna e obstetrícia que acompanharam os pais do bebé antes e durante o nascimento.
"O parto durou três horas e meia e foi antecedido de duas sessões preparatórias em duas piscinas da cidade", sublinhou Isabel Ferreira, que esteve propositadamente na Bélgica, durante uma semana, a participar num curso sobre esta modalidade de nascimento.
"A água alivia a dor, permite um parto mais rápido e sem auxílio de medicamentos", especifica a enfermeira.

Por definição, o parto na água acontece quando a mãe dá a luz com os genitais totalmente cobertos de água, embora o bebé possa nascer dentro ou fora da mesma.
Para um parto em boas condições, a água deve estar aquecida, entre 35 e 37 graus celsius, aumentanto a irrigação sanguínea da mãe e a diminuição da pressão arterial, além do relaxamento muscular.
Alguns médicos defendem que o parto na água pode não ser seguro, porque o bebé pode aspirar água. No entanto, os registos de incidentes nos partos aquáticos são muito raros.

quinta-feira, julho 10, 2008

Pen drive em vez de mochila

Projecto “Caderno Digital”
Maia: câmara quer substituir peso das mochilas dos alunos por pen drives
10.07.2008 - 19h09 Sandra Silva Pinto


As mochilas podem ter os dias contados. O mote do projecto “Caderno Digital” não é “Aprender sem livros”, mas a sugestão assenta-lhe como uma luva. No início do próximo ano lectivo, os alunos do ensino básico da Maia vão poder aceder a todos os conteúdos leccionados e trabalhos realizados nas aulas através de uma simples pen drive.

Todo o peso dos livros e cadernos pode agora ser substituído por uma pequena caneta USB facilmente transportável no estojo, pendurada ao pescoço ou até no bolso.


A iniciativa, pioneira no país, pretende simplificar o processo de estudo aos alunos – através de uma maior interacção multimédia com as novas tecnologias – e, também, expandir a ligação entre pais, educandos, professores e município. O “Caderno Digital” é um suporte de apoio pedagógico multimédia criado apenas para o primeiro ciclo que “disponibiliza aos alunos o acesso aos planos e conteúdos das aulas nas áreas de Português, Matemática, Inglês e Estudo do Meio através de quadros interactivos, múltiplas actividades e jogos pedagógicos, sempre articulados com as matérias leccionadas na sala de aula”, explica Sílvia Sousa, coordenadora do projecto.


Com um “layout” e “interface” semelhantes aos de um site, o sistema possibilita, ainda, o acesso a notícias e actividades da autarquia (responsável pela actualização periódica) e aos sites mais úteis do concelho, cuja lista pode ser alterada e adaptada a realidades específicas, tanto pela autarquia como pelos professores. Isto porque, em matéria de educação, os docentes têm um papel fundamental e o “Caderno Digital” é uma ferramenta de ensino. Por essa razão, tanto os professores como também os docentes de actividades de enriquecimento curricular vão receber uma “pen” mas com uma versão mais completa e com mais funções didácticas como, por exemplo, “inserir trabalhos realizados nas aulas ou fotografias de visitas de estudo”, depois de frequentarem uma formação já em curso, acrescenta a coordenadora.


Se pedagogicamente é correcto, isso é outra história... Mas a coluna vertebral e a musculatura paravertebral das crianças que hoje vemos vergadas ao peso das bojudas mochilas escolares por certo que ficarão gratas !

terça-feira, julho 08, 2008

Decisão sobre aquisição de helicópteros de emergência terá em conta compromissos já assumidos


08.07.2008 - 16h36 Lusa
O Ministério da Saúde terá "em conta os compromissos já assumidos" na decisão final a tomar sobre a necessidade de novos helicópteros de emergência, segundo fonte oficial do gabinete de Ana Jorge.


Em entrevista à Antena 1, o presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) admitiu que podem ser desnecessários helicópteros de emergência que estavam previstos para o Alentejo, Trás-os-Montes a Beira Alta devido à decisão de manter abertas algumas urgências médico-cirúrgicas.


Numa reacção à Lusa sobre estas declarações, uma porta-voz do ministério informou que o INEM entregou na semana passada à tutela um estudo de "natureza técnica sobre a necessidade/utilidade de entrada em funcionamento dos novos helicópteros de socorro".


"Esse estudo está a ser analisado no Ministério da Saúde, sendo certo que a decisão final terá em conta os compromissos já assumidos", afirmou a mesma fonte.


Quanto ao financiamento do INEM, o ministério lembrou que até agora o funcionamento da instituição tem sido sempre garantida com "receitas próprias, a maior parte das quais provenientes de seguros automóveis".


Abílio Gomes havia afirmado à rádio que o "crescimento do INEM muito grande num curto espaço de tempo" levou a direcção a encomendar um estudo para apresentar um plano de sustentabilidade financeira para o organismo.


O responsável avisou que dentro de três anos a revisão do orçamento do INEM terá de acompanhar a nova dimensão de respostas.


À Lusa, fonte da tutela referiu que o crescimento de meios de emergência pré-hospitalar "implica obviamente o aumento da despesa num cenário de médio prazo e isso obrigará a redefinir o molde de financiamento do INEM, cujas condições de operacionalidade são uma prioridade para o Ministério da Saúde".



É um facto!


Quando se tem dinheiro não existem barreiras, compra-se tudo.


Depois, contam-se os tostões e verifica-se que não há sustentabilidade do que se iniciou.


Será a morte anunciada do INEM?


Não será esta atitude já tomada como uma maneira de estar, no planeamento quotidiano político português?

sábado, julho 05, 2008

A insustentavel indiferença perante a morte

Mulher morre sem assistência na sala de espera de hospital em Nova Iorque . Médicos e funcionários vão ser responsabilizados
Expresso on line

Um inquérito em curso e a suspensão ou demissão de médicos e empregados são as primeiras consequências do caso da mulher que morreu na sala de espera de um hospital psiquiátrico em Nova Iorque, nos Estados Unidos, por falta de assistência médica.

A história está a abalar os EUA. Uma mulher morreu na sala de espera do hospital psiquiátrico King County Hospital, em Brooklyn, e o seu corpo ficou estendido no chão durante 45 minutos, sendo ignorado por outros pacientes, médicos e enfermeiros que se encontravam no local, como mostra um vídeo do sistema interno de segurança do estabelecimento.


James Sauders, porta-voz da organização, disse que sete empregados do hospital vão ser demitidos ou suspensos: o director de psiquiatria, o chefe da segurança, um médico, duas enfermeiras e dois seguranças.

Segundo a União das Liberdades Civis de Nova Iorque, o 'staff' do hospital adulterou as gravações para tentar provar que a vítima estava sentada "calmamente" na sala de espera e que terá sido socorrida pouco tempo depois de tombar ao chão. Desde o dia 20 que está a decorrer um inquérito preliminar.

O caso remonta ao dia 19 de Junho. Hospitalizada por distúrbios nervosos, Esmin esperou 24horas para ser atendida e acabou por cair ao chão da sala de espera com convulsões. Esteve 45 minutos morta no chão sem ser socorrida. O vídeo do sistema interno do estabelecimento mostra que o seu corpo foi ignorado e que um funcionário chegou a empurrá-lo com o pé.

Homem engravidado à seringa


Parece ter chegado ao fim a gravidez do homem que é mulher, tendo sido o parto normal para felicidade das duas mães babosas...



Confusos? Não...é que o grávido é uma mulher que mudou incompletamente de sexo, fazendo ablacção dos seios e impregnando-se de testosterona mas não fazendo a clássica operação de mudança de sexo, com remoção e modificação dos genitais externos nem retirando o útero.


Daí que estivéssemos em presença de uma mulher de barba rija.




A revelação de hoje é que a inseminação foi feita de modo ardiloso e artesanal: recurso a um banco de esperma e a uma seringa para alimentação nasogástrica e ... toma lá disto!

quarta-feira, julho 02, 2008

Os calores descendentes do Bom Jesus

in Correio da Manhã
O espanto é geral entre a população de Vitorino de Piães, Ponte de Lima. Depois de toda a polémica em torno da reforma recusada e de oito meses de baixa médica por causa de doença supostamente degenerativa e incapacitante, a funcionária pública Ana Maria Brandão apresenta-se sem qualquer limitação física e aparentemente de boa saúde. Fala-se num milagre que terá ocorrido no Bom Jesus, em Braga.

"Foi uma graça do Cristo crucificado. Ela bem merecia, depois de quatro anos a sofrer, acamada e sem poder fazer nada", atestou Maria das Dores Lima, uma conterrânea de Ana Maria, contando que o suposto milagre terá ocorrido no feriado do Corpo de Deus.

Com uma cervicalgia e uma lombalgia degenerativas – após problemas em operações à coluna –, Ana Maria deslocou-se ao santuário do Bom Jesus, com a irmã e o afilhado. "O miúdo começou a chorar e a pedir ao Senhor para ajudar a madrinha, que estava em sofrimento e que sentiu um grande calor por ela abaixo. Mas só ao chegar a casa se apercebeu de que conseguia andar", descreveu Dores Lima.

A Má Leitura dos Media Sobre o Relatório da Primavera.

 

De um e-mail enviado à "redacção" do blog, embora sem pedido de publicação, mas não impedindo:

"Hoje, a realidade que se vive em Portugal é, no entanto, completamente diferente. Tendo o país atingido níveis bons de saúde, níveis já aceitáveis de resposta, a geometria dos sectores público e privado está a alterar-se de uma forma significativa. A oferta privada é agora mais abundante, geralmente de maior qualidade e, em alguns casos, tecnologicamente apetrechada, ao mesmo tempo que o sector público se tende a organizar em termos jurídicos, com vista a uma melhor gestão conducente a melhores cuidados e resultados em saúde. Segundo dados recentes do INE, a produção privada em saúde já atingiu o valor de 30%.

(in Relatório da Primavera 2008 – OPSS, p.3)

Aqui está um exemplo acabado de manipulação das palavras a alertar para a necessidade de se ser absolutamente explícito naquilo que se diz e escreve, principalmente num documento com esta relevância.

Atribuir ao Relatório uma afirmação segundo a qual o sector privado responde melhor, é uma completa mistificação relativamente ao que está escrito.

Aquilo que se está a comparar é o sector privado dos primeiros anos de vigência do SNS com o mesmo sector privado no momento presente. E o que se diz é que ele tem agora “geralmente maior qualidade” relativamente ao que apresentava há uns anos atrás.

É sabido que a grande imprensa não lê um documento desta extensão e nível técnico. Quando muito pega na introdução e conclusões finais. E basta que alguém encontre ou pense ter encontrado um soudnbite para que ele apareça replicado numa reacção em cadeia.

E este soundbite lança facilmente a confusão no grande público e na classe política, muito frágeis para este nível de discussão.

1º - Porque gera de imediato um uma predisposição para focalizar o problema numa particularidade e num determinado contexto

2º - Porque não é de todo verdade.

Esta afirmação, truncada na sua verdade, passa a vincular uma outra mensagem que, tomada dum modo absoluto e definitivo (como é regra dos media), esquece a parte fundamental das determinantes.

O que é responder melhor ? Quem avalia ? e sobre que aspecto ?

Para um utente “atender melhor” tem sobretudo a ver com a acessibilidade, conforto, atenção, simpatia, acolhimento.

Para os técnicos (apenas preocupados com a técnica) “atender melhor” relaciona-se fundamentalmente com o cumprimento do “estado da arte”.

Para os gestores de saúde “atender melhor” significa perseguir a melhor relação do binómio custo-benefício.

Para os políticos “atender melhor” depende fundamentalmente do impacto mediático das opções e do discurso inerente.

Por outro lado este “atender melhor” está intimamente relacionado com as escolhas do sector privado. E elas advêm do que é rentável e não do que é necessário. Ou seja, ao privado está reservada a prorrogativa da “selecção”, e esta é adversa por regra à doença crónica, ao grande trauma, às doenças catastróficas e ao grande risco cirúrgico   Quanto mais simples e reproductível for o procedimento, mais prevalentemente for a patologia e menor risco comportar a intervenção, melhor. É o princípio da “linha de produção” e da “grande superfície”. Por isso as patologias menos habituais são tão pouco atractivas.

Parece-me que os responsáveis do OPSS deveriam esclarecer este viés de leitura, se é que o interpretei correctamente.

HB"

segunda-feira, junho 30, 2008

Lembram-se? Acusei-a a Medo de Simulação.

 E disse "sinistrose" para não aplicar a palavra correcta "SIMULAÇÃO". Auto-censurei-me, aqui.

Era aquela jovem que dizia insistentemente que sofria de "cervicalgia" e "lombalgia" incapacitantes. As juntas médicas sucessivamente consideravam-na apta para o trabalho.

Vendeu capas revistas, páginas de jornais, abriu telejornais, o Ministro interveio.

Queria a reforma, fazia teatro com os colares cervicais, bengalas, cadeiras e a companhia do seu pai.

Agora, aqui, no Correio da Manhã, vem a verdadeira história: Pode vir a ser despedida! Fala em milagre e já corre, salta e sabe-se que outras coisas fará!

Ainda não confessou qual foi o santo milagreiro, mas que o seu lugar é fora da administração pública e quiça na barra dos tribunais, não tenho dúvidas (essa e outras salgadas que por aí polulam e que levam à certa os nossos distintos jornalistas.)

Mas engraçado, engraçado é o título que o correiozito da manhã escolheu para a notícia: "Funcionária pública pode vir a ser despedida", em gordas. 

Simplesmente essa frase! O leitor ao passar os seus olhos, quer lá saber qual vai ser o funcionário público a ser despedido. Eles são mais de meio milhão...

quinta-feira, junho 26, 2008

Se a moda pega...

Internamento de Pediatria de hospital em Amarante fecha de Julho a Setembro por falta de médicos
26.06.2008 - 10h03 Lusa

O internamento de Pediatria do Hospital de S. Gonçalo, em Amarante, vai encerrar nos meses de Julho a Setembro, devido à falta de médicos, disse hoje a administração do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS).
A administração do centro hospitalar - que agrega os Hospitais Padre Américo, em Penafiel, e de S. Gonçalo, em Amarante - alega "escassez de recursos humanos na especialidade de Pediatria", situação que provoca "dificuldades na gestão de escalas nos meses de Verão". "Foi decidido transferir para Penafiel o reduzido internamento de Pediatria, nos meses de Julho, Agosto e Setembro, para assegurar a qualidade assistencial aos doentes, sem recurso aos Hospitais do Grande Porto, mantendo-se todo o esquema de funcionamento previsto ao nível da consulta externa e urgência", informa a administração do Centro. José Alberto Marques, presidente do Centro Hospitalar, garantiu que a medida é transitória e que o serviço de internamento será reaberto no Hospital de S. Gonçalo a 1 de Outubro.

Se a moda pega...vai haver outros serviços a adoptar esta medida, nomeadamente alguns centros de saúde de norte a sul !

terça-feira, junho 24, 2008

Um Esclarecimento do Gabinete de Comunicação e Imagem do INEM ao Post ""Mais uma do INEM ..."

A voz do INEM com o mesmo destaque do post:

inem deixou um novo comentário na sua mensagem "Mais uma do INEM ...":
Exmo. Autor,
sobre este post importa informar que o 112 funciona nas centrais de Emergência da PSP, sendo quem atende efectivamente as chamadas e encaminha para o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do INEM as chamadas relacionadas com a área da saúde.
Ora, nesta ocorrência, quando a vítima já se encontrava no Centro de Sáude, recebeu o CODU uma chamada do 112 alertando para a situação. Uma vez que a vítima se encontrava aos cuidados de profissionais de saúde, o INEM registou a situação explicando que, caso necessário, alertassem para a necessidade do envio de um socorro mais adequado.
Ou seja, o 112 e o INEM são dois serviços distintos e o INEM não recebeu qualquer pedido do Centro de Saúde. Assim sendo, como poderia actuar? Se o Centro de Saúde pediu socorro ao 112 (Central de Emergência da PSP), não tendo sido encaminhada a chamada para o INEM, como poderia esta Instituição enviar socorro?
Não se tratou assim de negligência por parte do INEM que todos os dias salva vidas e que apenas envia meios para situações concretas. A gestão dos meios de socorro é feita de forma criteriosa, para que estes meios não faltem em situações necessárias, situações essas que infelizmente, ocorrem com alguma frequência. Aquando da chamada recebida no CODU pelo 112, nunca se deu a conhecer a necessidade do socorro do INEM a uma vítima que se encontrava com profissionais de saúde.
Esperamos desta forma ter contribuído para um esclarecimento e apresentamos os melhores cumprimentos,
Ana F. S. Ros
Gabinete de Comunicação e Imagem
Instituto Nacional de Emergência Médica
Rua Almirante Barroso, 36 / 1000-013 Lisboa – Portugal
Tel. + 351 213 508 108 / Fax. + 351 213 508 183
e-mail: ana.ros@inem.pt
Internet: www.inem.pt

Assim se valoriza o trabalho dos Médicos de Família...

O Sindicato Independente dos Médicos alerta no seu site para uma lamentável confusão da Senhora Ministra que foge ao cerne da questão e se deixa "levar" pela sua qualidade de médica hospitalar... e pode ter dado uma machadada no capital de confiança que poderia ter junto dos Médicos de Familia...

A Senhora Ministra da Saúde perdeu uma boa oportunidade para moralizar e rentabilizar o trabalho médico nos Centros de Saúde.
É o que se depreende das suas afirmações à comunicação social de hoje, em suposta resposta a oportuna intervenção da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), vertida no Jornal de Notícias, onde esta associação sindical se insurgia contra o acréscimo inútil de trabalho pedido aos Centros de Saúde nas transcrições de Exames Auxiliares de Diagnóstico provenientes dos Hospitais.

Ora a Senhora Ministra reafirma a necessidade, por comodidade, de os doentes fazerem exames fora do Hospital, o que ninguém contesta, esquecendo, de forma imperdoável, que os Conselhos de Administração da maioria dos Hospitais do SNS impedem os médicos daquelas Unidades de Saúde de solicitar os exames necessários em credenciais passíveis de utilização convencionada. Assim, aos doentes, só resta solicitar/exigir a transcrição dos pedidos de exames nos Centros de Saúde, se não puderem deslocar-se aos Hospitais para os realizarem. E é esta situação que é absurda, abusiva e eticamente insustentável.

Senhora Ministra: acabe com a confusão e determine a obrigatoriedade dos médicos das Unidades Hospitalares solicitarem, em credencial própria do SNS, os exames que entendam e decorram da sua observação clínica, a todos os doentes que, por razões geográficas ou de comodidade, não possam, ou não queiram, deslocar-se aos Hospitais para os realizarem.

O que é totalmente intolerável é continuar a proteger a ilegalidade do envio dos doentes aos Centros de Saúde para médicos especialistas transcreverem o trabalho de médicos especialistas, já que é impensável que a Senhora Ministra desconheça que este problema existe, como parece deduzir-se das suas palavras televisivas.destacar...16 de Junho de 2008 o2/n1992/t1/G.L/6

Pilulas milagreiras

Vendiam anfetaminas a clientes que queriam emagrecer
24.06.2008, José Bento Amaro
Publico

PJ atenta ao negócio dos comprimidos para perder peso e ao dos que fazem aumentar massa muscular
Algumas dezenas de lisboetas que desejavam emagrecer andaram durante meses a consumir anfetaminas sem o saber. Pensavam que estavam a tomar comprimidos que lhes permitiam não ganhar peso, substâncias quase milagrosas, susceptíveis de dispensar dietas rigorosas e dolorosas. A partir de agora, e depois da intervenção da Polícia Judiciária, emagrecer será bem mais difícil para estas lisboetas, uma vez que as duas vendedoras dos comprimidos foram detidas.

Sugestivamente intitulada Cintura Fina, a operação desencadeada pela Direcção Central de Investigação ao Tráfico de Estupefacientes (DCITE) identificou as duas vendedoras dos comprimidos que abasteciam a vizinhança, bem no centro de Lisboa. Tratava-se de duas mulheres de nacionalidade brasileira, ainda jovens, que aproveitavam as viagens ao seu país para virem carregadas com o produto, com o nome de "Senprofonex", que tem anfetaminas na sua composição e que, por isso, é um estimulante e, em consequência, um redutor do apetite.

Dizem os peritos policiais que o consumo excessivo de anfetaminas, para além de potenciar o emagrecimento dos consumidores, pode, em casos extremos, ter consequências fatais. As duas jovens vendiam a retalho, quase de porta em porta, espalhando cápsulas consoante as freguesas se sentiam mais ou menos esbeltas. Acabaram por ser descobertas, na passada sexta-feira, depois de uma operação inopinada dos investigadores da DCITE, que, nos últimos meses, tem dado especial atenção a este tipo de drogas, bem como às substâncias proibidas utilizadas nos ginásios e destinadas a aumentar a massa muscular.

O tráfico de anfetaminas em Portugal estará em expansão, a julgar pelo número de apreensões que as polícias têm feito.Em 2006, a Polícia Judiciária apreendeu mais de 33.700 gramas deste produto, bem como 96 comprimidos. No ano passado, as apreensões do produto em pó ficaram-se pelos 700 gramas, mas o número de comprimidos confiscados quase atingiu as 3 mil unidades.

As duas empreendedoras basileiras deveriam perguntar "Ei, cadê os outros ?"... porque são bem conhecidas as prescrições de nomes sonantes da nossa praça de pilulas milagreiras eventualmente tão perigosas como se tivessem anfetas...

E a charlatanice das dietas e produtos dietéticos milagrosos, que ora se suspendem ora se autorizam ? E os cremes, pomadas e mezinhas a metro ?

sábado, junho 21, 2008

Indo eu indo eu...a caminho de Viseu !

Fazem dezenas de quilómetros por um raio X
00h00m
teresa cardoso
JN
Ministério da Saúde tem três protocolos para Raio X convencional em Viseu, Lamego e Santa Comba Dão. Mas só dois são respeitados. Utentes recorrem à Cemedical. Gostam do serviço, mas gastam em combustível o que poupam em exames.

Os mais de 90 mil habitantes do concelho de Viseu não têm onde fazer um raio X comparticipado pelo Estado. Quem não quer ou não pode pagar aqueles exames, a custos de mercado, tem duas soluções: ir a Lamego ou a Santa Comba Dão. Isto porque a clínica protocolada na capital de distrito não faz radiologia convencional.

Entre as duas alternativas, os utentes optam invariavelmente pela Cemedical, em Santa Comba Dão. Compensará percorrer dezenas de quilómetros para fazer uma radiografia a um joelho, a um pé ou ao tórax? A maioria acha que sim. "Venho de Silgueiros, a 30 quilómetros de distância, quase sempre com idosos que não têm carro ou familiares disponíveis para os transportarem. Cobro 25 euros pela viagem já com o tempo de espera incluído. Muitos aproveitam para fazer mais do que um exame. Se fossem à privada, saía-lhes muito mais caro", testemunha João Pereira, taxista naquela freguesia de Viseu.
"Moro em Bodiosa. Venho fazer um exame aos rins. Se quisesse, neste caso, podia optar por Viseu. Mas já me habituei a vir à Cemedical. É também uma questão de justiça. Se esta clínica come os ossos, ao fazer aquilo que os outros não querem, também tem direito a realizar exames que rendam mais alguma coisita. Faço 80 quilómetros mas não me importo", corrobora Liberta Alexandre.

Os utentes chegam à Cemedical pelos mais diferentes meios. Mas é sobretudo de táxi e de carro particular que vencem distâncias de dezenas e centenas de quilómetros. Alguns aproveitam para fazer outros exames.
Mas nem só os utentes de Viseu recorrem àquela clínica privada.
Sérgio Américo, de Riodades, S. João da Pesqueira, fez 230 quilómetros para levar a mulher à Cemedical. Há 20 anos emigrado na Líbia, onde trabalha numa exploração de petróleo, explicou que o exame prescrito só podia ser feito em Viseu, a pagar, ou em Santa Comba Dão, neste caso por 15,70 euros de taxa moderadora. "Se fosse à privada pagava um balúrdio. Aqui é mais longe mas aproveito para almoçar e dar umas voltas".

Adalberto Tomás, administrador da Cemedical, reconhece que os exames de Raio X "são mal pagos". Mas diz que uma empresa como a sua, que tem investido milhões em instalações, equipamentos e recursos humanos, não se pode dar ao luxo de recusar trabalhos. "Até porque, atrás de um tórax, podem vir outros exames mais vantajosos na área da imagiologia", justifica.

Diferente entendimento tem a clínica Vale & e Ruas, Limitada, em Viseu. Apesar de ter um protocolo assinado com o Ministério da Saúde para fazer radiologia convencional, não aceita prestar estes serviços. "É verdade. Não sei exactamente quais são os motivos, mas creio que terão a ver com a sua baixa rentabilidade", disse ao JN uma responsável.

O coordenador da sub-região de Saúde de Viseu, José Carlos Almeida, lamenta que a sede de distrito não tenha resposta para os utentes que precisam de radiografias. Sobretudo quando há um protocolo em vigor. "Tínhamos dois. Um caducou, o outro mantém-se. As pessoas a quem o exame for recusado, devem fazer queixa nos serviços ou usar o livro de reclamações para que possamos agir". O dirigente explica que Viseu faz 92 mil exames radiológicos por ano que custam um milhão e 900 mil euros. "Contamos, ainda este ano, com a instalação de mais três laboratórios. As Unidades de Saúde Familiares vão dispor também de radiologia, e os hospitais vão abrir-se ao sector. Isto vai mudar".

Coisas De Que Os Media Não Falam...

No jornal Tempo Medicina, 1.º Caderno de 2008.06.23 (só acessível a médicos):

Presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) contra pedidos de transcrição de meios complementares de diagnóstico (MCD) aos centros de saúde

«É responsabilidade dos hospitais»

Para Pedro Lopes, ao pedir aos centros de saúde para requisitarem MCD, os hospitais estão a utilizar «armas que não são correctas» para conter custos. A ideia corrobora a posição da Fnam, que adjectiva esta situação de «malabarismo contabilístico».
Segundo Pedro Lopes, quando os cuidados de saúde primários enviam um doente para o hospital «é porque esse utente precisa de cuidados médicos da rede hospitalar» e, a partir do momento em que entra na rede, «é responsabilidade dos hospitais» esclarecer a sua situação clínica.


Assim se resume a posição do presidente da APAH, perante a carta enviada pela Federação Nacional dos Médicos (Fnam) à ministra da Saúde, dando conta da «transferência da requisição de exames complementares de diagnóstico necessários para as consultas externas, para os médicos dos centros de saúde».
Na missiva lê-se que esta é uma prática da qual resultam «pesados prejuízos para a eficiência global do sistema» e «subversões na responsabilidade da prescrição» que procuram «unicamente "sacudir" as despesas» dos meios complementares de diagnóstico dos hospitais para os cuidados de saúde primários, que os requisitam ao sector convencionado.


Em declarações ao «Tempo Medicina», Pedro Lopes reconheceu que há «muitos hospitais» a reenviar os doentes para os centros de saúde com o pedido de realização de MCD. Por trás desta atitude «está a pressão [de contenção] dos custos» nos hospitais, admitiu o presidente da APAH, embora advirta: «Não podemos fazer cortes nos custos utilizando armas que não são correctas.» Em causa está o princípio do «prestador/pagador», que dita que «se o hospital prescreve tem de assumir a responsabilidade financeira» do acto, frisou.


Contudo, para o administrador o reenvio de doentes com pedidos de exames também se prende com a má referenciação. «Quando os clínicos gerais enviam doentes para a rede diferenciada, estes têm de ir devidamente estudados, o que por vezes não acontece», afirmou.

[Uma no cravo, outra na ferradura! Pois a investigação de um doente, a partir de certo ponto, geralmente a partir do diagnóstico provisório, compete aos hospitais ou médicos da especialidade respectiva. Acontece, geralmente, que os hospitais repetem exames já feitos, até posso concordar, porque se trata de uma questão de confiança do médico, por outro lado há muitos exames que os centros de saúde não podem pedir e outros exames que os médicos dos cuidados de saúde primários não dominam, nem lhes compete dominar: cateterismos, ressonâncias magnéticas, PET SC, muitas análises imunológicas, e muitos outras técnicas que têm evoluído. O que não se compreende é que os hospitais peçam ao doente hemogramas, rx de tórax, bioqímicas, ecg, ecocardiogramas, etc, muitas vezes para avaliar a evolução dos doentes aos centros de saúde. E o doente é que sofre, pois tem que andar de um lado para o outro apenas por motivos burocráticos....]

Um argumento categoricamente negado por Mário Jorge Neves, dirigente da Fnam. «Não é isso que se passa», disse ao «TM». O sindicalista contou «que a maioria desses pedidos não deriva do défice de informação clínica», pois as denúncias recebidas pela Fnam relatam que «aos doentes acompanhados nas consultas externas hospitalares é feita uma prescrição oficiosa para serem os médicos de família a fazer as prescrições oficiais».
Estas solicitações, que registaram «um aumento» nas últimas semanas», não passam, para o médico, de «malabarismo contabilístico dos hospitais EPE» para «sacudir» custos e apresentar melhores resultados, o que comprova «a falência rotunda deste modelo de gestão».
Além de que dificulta a vida aos médicos de família, «afogados em actividades burocráticas e administrativas» que limitam «a capacidade de resposta» à lista de utentes.
SIM reage a ministra
A ministra da Saúde, na visita ao Hospital de Santa Marta (ver pág. 10), reagiu à carta da Fnam, garantindo aos jornalistas que «a responsabilidade do serviço prescritor/pagador ainda existe» e que a observação do doente, o pedido de exames complementares e a prescrição terapêutica «é da responsabilidade da instituição que o faz».

[Como anda nas nuvéns. Gostava de saber, como médica pediatra quantas requisições enjeitou para os CS.]

Todavia, admitiu: «Em algumas situações, como os doentes que moram muito longe da instituição, pode ser pedido o favor ao centro de saúde para fazer o pedido de exames.»

[Porque não recorrem aos derviços convencionados da sua área de residência!]

Quanto ao facto de se tratar de uma medida para os hospitais conterem os custos e passarem a factura dos MCD para os centros de saúde, Ana Jorge foi peremptória: «Estamos a falar de dinheiro do SNS, não faz sentido.»
As palavras da governante motivaram uma nota do Sindicado Independente dos Médicos (SIM) na sua página da internet. Nela lê-se que «ninguém contesta a necessidade de, por comodidade, os doentes fazerem exames fora do hospital», mas também diz que Ana Jorge esquece «de forma imperdoável» que os conselhos de administração «da maioria dos hospitais do SNS impedem os médicos» de «solicitar exames necessários em credenciais passíveis de utilização convencionada».

[Uma grande verdade, de que ninguém fala!]

O SIM considera esta situação «absurda, abusiva e eticamente insustentável», e pede que a ministra «determine a obrigatoriedade» dos médicos das unidades hospitalares solicitarem, em credencial própria do SNS, os exames que considerem necessários.

Rita Vassal

sexta-feira, junho 20, 2008

Mais uma do INEM ...

Centro de saúde afirma que o 112 foi chamado por três vezes
Criança atropelada em Beja foi para hospital em carro de médico por falta de ambulância

20.06.2008 - 16h39 Lusa

Uma criança atropelada ontem perto do Centro de Saúde de Beja deu entrada naquela unidade com ferimentos graves, tendo sido determinada a sua transferência para o hospital. Após três contactos com o número de emergência 112 e sem que fosse enviada uma ambulância para o centro de saúde, a criança acabou por ser transportada para a unidade hospitalar no carro de um médico.

A criança, de três anos, foi atropelada cerca das 08h40, quando, acompanhada pela mãe, atravessava uma passadeira na Rua José do Patrocínio Dias, perto do centro de saúde, unidade onde foi inicialmente socorrido. Mas devido à gravidade dos ferimentos, foi decidido que a vítima teria que ser transferida para o hospital de Beja, tendo sido solicitada uma ambulância ao 112.

De acordo com a directora em exercício do Centro de Saúde de Beja, Edite Spencer, após "três chamadas" para o número de emergência, a primeira efectuada pela condutora do carro que atropelou a criança e "duas feitas pelo próprio centro de saúde", e de "uma espera de quase meia hora, sem que tenha aparecido qualquer ambulância para deslocar a criança até ao hospital", foi decidido transportar a vítima numa viatura particular.

"O estado da criança estava a agravar-se, não conseguíamos uma ambulância e, sem os meios necessários para actuar no centro, decidimos transportar a criança para o hospital no carro de um médico", contou à Lusa Edite Spencer.

Nas duas chamadas feitas a partir do centro de saúde, uma efectuada por um segurança e outra pela própria directora da unidade, o 112 foi informado que o centro de saúde "tinha uma criança acidentada e que precisava de ser transportada para o hospital".

Por sua vez, o 112, nas duas chamadas, disse que o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) "já tinha conhecimento da ocorrência", referiu a responsável, lamentando que o centro de saúde "não tenha recebido retorno do CODU". "Neste caso, seria normal um médico do CODU contactar o médico do centro de saúde para se informar do estado clínico do doente e, dada a gravidade, activar o transporte, o que não aconteceu", explicou Edite Spencer.

Depois de esperar "quase meia hora" por uma ambulância 112 ou pela Viatura Médica de Emergência e Reanimação de Beja, que "não apareceram", Edite Spencer, "com o consentimento dos pais", ordenou o transporte da criança até ao hospital "no carro particular de um médico do centro de saúde" e no qual seguiu "acompanhada por dois médicos e pela mãe".Segundo o gabinete de comunicação do Centro Hospitalar do Baixo Alentejo, que gere o hospital de Beja, a criança entrou naquela unidade "às 09h13" em "estado considerado grave" e, depois de submetido a vários exames complementares de diagnóstico, foi transferida, às 11h18, para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

INEM nega pedido de transporte inter-hospitalar
Contactado hoje pela Lusa, o porta-voz do INEM, Pedro Coelho, confirmou o registo de três chamadas para o CODU, "uma primeira, às 08h43, feita por um particular", "informando do atropelamento e dando conta que a criança já estava no centro de saúde". Seguiram-se, posteriormente, "às 08h51 e 08h53", outros "dois contactos da central 112 e não do centro de saúde, a perguntar se o CODU tinha conhecimento da situação", acrescentou Pedro Coelho. "Nas duas conversas com o 112, o CODU confirmou que já sabia da situação e que tinha sido informado que a criança já estava no centro de saúde e que aguardaria comunicação" daquela unidade "caso fosse necessária mais alguma intervenção", disse a mesma fonte. O responsável garantiu ainda que, nas três chamadas recebidas no CODU, "não foi feito qualquer pedido de transporte inter-hospitalar, entre o centro de saúde e o hospital de Beja". "Se tivesse havido esse pedido, não o teríamos recusado", frisou. Confrontada pela Lusa com a posição do INEM, Edite Spencer disse que o Centro de Saúde de Beja "não falou directamente com o CODU" porque tal "não faz parte do protocolo". "Tal como está protocolado, ligámos para o 112, que é a entidade que estabelece a ligação com o CODU", à qual, "por sua vez, compete accionar os meios de socorro e emergência necessários", sublinhou Edite Spencer, que disse já ter dado conhecimento do caso, "oralmente e através de ofício escrito", à Administração Regional de Saúde do Alentejo.

terça-feira, junho 17, 2008

Douro agrupado?



No Correio da Manhã de hoje, vinha esta notícia que trancrevo:

"A Comarca de Cinfães, concordou que o Concelho passe a fazer parte de um agrupamento de Centros de Saúde, juntamente com Amarante, Marco de Canavezes, Baião e Resende."

Notícia curta e enfiada num canto sem grandes alaridos, mas que me deixaram com algumas dúvidas.

1- A Camâra concordou, mas quem da Camâra, o Presidente? Foi aprovado em reúnião de Camâra? Foi a Assembleia Municipal?

Não se sabendo, a responsabilidade não pode ser atribuída.

2- Pensava que os agrupamentos eram propostos pelas ARS ao Ministro da Saúde, que por sua vez os promulgava em portaria, de acordo com os aspectos técnicos propostos pela Missão dos Cuidados de Saúde Primários e saído em legislação própria e não por aspectos políticos discutidos e aprovados onde menos se sabe e menos se publicita.

3- Pensava eu saber alguma coisa disto e estar actualizado!