Do Lado Da Doente: Houve Erro de Diagnóstico.
Gosto de ler estas notícias do Correio da Manhã sobre os minutos de fama que paga a quem lhe denuncie casos de eventual negligência médica.
São notícias que se sobrepoem linha por linha, dia a dia.
Os médicos, para o Correio da Manhã, nunca erram. São sempre negligentes…
Agora as baterias abatem-se sobre Strech Monteiro, conhecido obstetra.
Lendo a notícia, fácilmente se compreende que não foi diagnosticada uma infecção no pós-operatório, nosocomial e portanto sempre com bactérias muito mais resistentes aos antibióticos.
Mas gostava de conhecer as razões científicas que levaram à cesariana. Foi pressão da mãe? Pressão do médico? Inevitabilidade científica?
Foi um risco que se correu. Fica a dúvida…
Ah, e mais um erro: nãe é “histeroctomia” mas histerectomia…
Também é giro como o jornalista, transforma um drama e tragédia em história de amor sentimental. Ah grande João Carlos Malta.
Eis a notícia:
“Bragança - queixa apresentada à Inspecção-geral das Actividades de Saúde
Negligência pós-parto deixa mãe internada
Rodrigo tem seis meses e nos primeiros tempos de vida pouco pôde estar com a mãe, Filipa Madeira. A jovem, de 26 anos, deu à luz em Maio, e desde então tem estado quase permanentemente internada, segundo ela devido à negligência dos médicos no Hospital de Bragança. Actualmente, está na Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital de Santo António, no Porto, e não há data prevista de alta. Só uma certeza: não poderá ter mais filhos.
Há uma queixa enviada em Junho à Inspecção-Geral das Actividades de Saúde (IGAS), estando a decorrer um processo de averiguação.
O calvário de Filipa começou depois do parto de cesariana, altura em que foi transportada para enfermaria cheia de dores, o que a impedia de pegar no filho ao colo.
Quatro dias depois entra de serviço o médico Strecht Monteiro, que lhe dá alta de imediato. Na queixa ao IGAS, a jovem descreve a situação da seguinte forma: "[...] arrancou-me o penso e, sem me fazer qualquer desinfecção, disse-me que a ferida precisava de andar ao ar e... que aquilo não era nenhum hotel. Já estava a fazer muita despesa ao Estado e que era melhor ir embora porque se me acontecesse alguma coisa deixava de ser responsabilidade do hospital".
Fez 80 quilómetros até casa, em Vila Flor, onde um dia depois teve de ser assistida porque a febre não passava. Foi-lhe diagnosticada uma infecção na ferida da cesariana. O antibiótico que lhe foi receitado de nada serviu.
Dois dias depois volta ao Hospital de Bragança, ainda com febre, e "a Dr.ª Adelaide Abrantes, de urgência, ordenou à enfermeira que fossem retirados os agrafos e começaram a espremer, abrindo-me a ferida, para que o líquido saísse, e colocaram-me um dreno. Sofri muito ao ponto de gritar".
A jovem afirma ter estado quatro dias "com a barriga aberta", sem realização de qualquer exame. Ao fim de quatro dias é operada, mas a dimensão da infecção já era muito grave. Teve remover o útero.
Contactada pelo CM, fonte do Hospital de Bragança afirmou estar a colaborar com o IGAS para o "esclarecimento da verdade".
"QUERIA VER O FILHO A CRESCER"
"Além de todo o sofrimento a que tem sido sujeitada, Filipa desejava, sobretudo, ver o filho a crescer. Até ao momento teve poucas oportunidades para estar com ele", disse ao CM o marido, Vítor Pereira.
A situação clínica da mulher levou também a que Vítor mudasse a sua vida, mas o pior é em muitas situações ver o desânimo da esposa. "Às vezes está mais deprimida, outras encontro-a com mais força", disse.
A revolta do marido de Filipa fica-lhe estampada na face quando relembra o tratamento dispensado à esposa no Hospital de Bragança. "Quatro dias, sem que lhe fizessem nada, nem um exame. Se fizessem um trabalho sério, isto não atingiria as proporções que está a ter agora, com seis meses de sofrimento. Nunca me disseram porque é que não a operaram logo", afirmou Vítor Pereira.
SEM DATA PREVISTA PARA A ALTA
Após a histeroctomia — remoção do útero – esteve até 25 de Maio nos Cuidados Intensivos em Bragança. A situação começou a agravar-se cada vez mais e foi transferida para o Porto. " A minha vida estava em risco, fui numa ambulância do INEM acompanhada por um médico e anestesista, fui entubada, pois estava com problemas respiratórios e com anestesia geral para que pudesse fazer a viagem", descreveu na queixa à IGAS. Desde aí já teve de ser submetida a três intervenções cirúrgicas.
Até Setembro passava quinze dias no Hospital e quinze em casa, mas nessa altura apanhou um outro vírus e a infecção levou outra recaída, que lhe afectou os intestinos, os rins e os pulmões. Voltou ao internamento na Unidade de Cuidados Intensivos e ainda não tem data prevista para a alta.
João Carlos Malta”




















