Caro senhor,
Lamento profundamente os comentários que fez em http://medicoexplicamedicinaaintelectuais.blogspot.com/2009/03/pais-negligentes-ou-pouco-informados-ou.html
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Esses comentários, relacionados com o atraso no atendimento ao meu filho na urgência pediátrica do Hospital São João, são o exemplo eloquente daqueles que gostam de falar sem conhecerem a realidade.
O problema do meu filho foi parar aos jornais porque se fosse parar ao livro de reclamações cairia em saco roto... No entanto, o senhor é demasiado leviano ao chamar maldoso ao jornalista e ao insinuar que a notícia até poderia ter sido comprada... Deplorável! Veja lá se o jornalista não se lembra de lhe meter com um processo em cima.
O senhor diz que pretende explicar medicina a intelectuais, mas o senhor não é intelectual, caso contrário estava caladinho, pois primeiro tentava conhecer o que se passou.
O senhor diz que identifica as mentiras na notícia. O Senhor até parece um bruxo. Coitados dos seus pacientes!
O senhor apresenta-se como médico, e acha-se o supra-sumo... Já agora, quem é que o procurou para escrever disparates?
O senhor nem conhece o percurso entre Vila Verde e Porto, caso contrário não falava no hospital de Barcelos.
O meu filho veio directo para o S. João, porque um profissional de saúde no local do atropelamento assim nos sugeriu. Os problemas na urgência do hospital São Marcos (Braga) são maiores do que os do São João, por isso resolvemos não parar lá.
O que está escrito na notícia é tudo verdade e o que me é imputado foi fielmente transcrito pelo jornalista.
Eu recorri-me dos meios de comunicação social para expor o problema, mas outros pais recorreram-se do livro de reclamações, que no meu ponto de vista é menos eficaz.
Outras crianças com problemas igualmente graves esperaram horas na urgência, tendo esperado tanto ou mais do que o meu filho para serem vistos pela primeira vez por um médico.
O problema não é dos médicos. O problema é da gestão ou do ministério da saúde que não disponibiliza médicos para a urgência em número suficiente. Depois de se passar a urgência, mais no interior do hospital, as coisas já funcionam relativamente bem.
O meu filho esperou mais de quatro horas para ser visto pela primeira vez por um médico, depois de muito sofrimento, quer dele quer dos pais, porque as triagens deveriam ser realizadas por médicos e não por enfermeiros, de forma que pudessem prescrever logo os exames que qualquer cidadão sabe que são necessários efectuar. No caso do meu filho, raios-X e tac à cabeça.
Para terminar, deixe-me dizer-lhe que todos os vermelhos colocados sobre a notícia são, efectivamente, mentiras, mas suas! Espero que o senhor não tenha de passar quase 5h numa urgência, com a uma perna partida (sem gesso) e cabeça amassada, para o senhor perceber que não se brinca com problemas de saúde (sérios!) dos outros nem se chama incompetente, mentiroso e mal intencionado a um jornalista, sem qualquer razão.
Fique bem.
Manuel Reis.
PS: Segue com CC para o jornalista Pedro Sales Dias