terça-feira, novembro 10, 2009

Sakelariddis mostra o cacete ...e tem razão...



DN


A vacina contra o H1N1 é recomendada pelas autoridades de saúde nacionais e internacionais, mas alguns médicos continuam a desaconselhar a imunização. Especialistas dizem que isso vai contra as boas práticas e aconselham doentes a voltar ao médico e pedir uma segunda opinião.


Maria sofre do coração há cerca de uma década e, por isso, todos os anos leva a vacina contra a gripe sazonal, receitada pelo cardiologista. Mas o mesmo médico recomendou-lhe agora que não se vacine contra o H1N1. Não é caso único. Há clínicos a desaconselhar a vacina a doentes dos grupos prioritários, violando assim as boas práticas médicas definidas pelas autoridades de saúde nacionais e internacionais.
"A vacina é recomendada pela Direcção-Geral de Saúde, pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelos Centros de Controlo de Doenças europeu e norte-americano", lembra Constantino Sakellarides, director da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP). É por isso considerada uma boa prática, concorda o pneumologista Filipe Froes. "Com base na evidência científica que existe, desaconselhar a vacina não é uma decisão válida", diz o especialista.


E apesar de "uma boa prática não ser uma lei", se um médico aconselhar um doente a não ser vacinado contra a gripe A e este adoecer e tiver complicações graves, "será o profissional a ter de explicar porque a tomou essa decisão, sabendo que ela é recomendada pela OMS", diz Constantino Sakellarides. "É por isso que alguns profissionais não são claros no conselho que dão ou respondem que a opção é do doente", acrescenta.


Foi o que aconteceu a Filipa, de 37 anos. Grávida de três meses, resolveu perguntar à ginecologista que a segue se deve tomar a vacina. A resposta "não foi completamente clara": "disse-me que era indicada para grávidas de risco", conta ao DN. Por isso, a futura mãe deduziu que na opinião da sua médica mais vale não tomar. Isto apesar de as grávidas saudáveis estarem incluídas no Grupo A, por terem um risco maior de complicações se forem infectadas. Aliás, a vacinação da segunda parte do grupo A já começou em todo o País (ver caixa).


Também para Maria, de 44 anos, as palavras do médico, que lhe disse que a vacina pode ser muito "agressiva", fizeram com querdesse a vontade de se vacinar.


Opinião diferente têm os especialistas contactados pelo DN que recomendam aos doentes que voltem ao médico para discutir este tema. "Os doentes que estão incluídos nos grupos de risco devem perguntar ao médico assistente qual é a fundamentação científica para rejeitarem a vacina. Não devem ser prejudicados por falta de informação", diz Filipe Froes. E "se no fim da conversa não estiver convencido, diga que vai procurar uma segunda opinião", aconselha Constantino Sakellarides.


O mesmo é recomendado aos pais que ouviram os médicos dizer que as crianças saudáveis não precisam de ser vacinadas.
"Não sei quais são os argumentos contra a vacina, porque não conheço nenhum motivo para não vacinar. Aliás, muitos países estão a proteger toda a população, começando pelas crianças", lembra a pediatra Maria João Brito, especialista em infecciologia.


A vacinação é também a principal arma para combater a doença, que as autoridades estimam vir a afectar 30% da população - três milhões de portugueses. Segundo a médica de família Filipa Mafra, "quantas mais pessoas aderirem à vacinação, mais poderemos baixar esta estimativa".
"O que se espera é que o pico da gripe A seja atingido em Portugal a partir do meio de Novembro", frisou ainda. A subdirectora-geral da Saúde Graça Freitas, por seu lado, confia menos na previsibilidade do vírus H1N1 e acha que ainda não possível fazer esta previsão.

segunda-feira, novembro 02, 2009

O NEGÓCIO DA GRIPE....MALANDROS !




Pais de alunos queixam-se de alarmismo de algumas escolas


Maioria dos casos suspeitos de gripe registada hoje em Valença revelou-se falso


02.11.2009 - 14:04 Por Lusa, PÚBLICO




  • Grande parte dos alunos de Valença que hoje deram entrada nas urgências do centro de saúde do concelho, por terem febre acima dos 37 graus centígrados, foi enviada para casa sem qualquer medicação, depois de confirmado que não estavam doentes com gripe. Alguns dos pais dos alunos acusam agora os estabelecimentos de ensino de alarmismo e de utilizarem métodos pouco eficazes para despistar os sintomas que indiciam a possível contaminação pelo H1N1.



Mário Silva, pai de um aluno de 16 anos da Escola Básica 2,3/S de Valença, distrito de Viana do Castelo, mostrou-se indignado em declarações à agência Lusa, depois de o seu filho ter sido enviado pelo estabelecimento de ensino para as urgências por alegadamente apresentar febre acima dos 37 graus. “Chamaram-me de emergência à escola, para ir buscar o meu filho, dizendo que estava com 39 de febre, e chego aqui [centro de saúde] e dizem-me que tem apenas 35. Mas que palhaçada vem a ser esta?”, questionou o encarregado de educação.

A Escola Básica 2,3/S de Valença é uma das várias do concelho que nos últimos dias registou um número crescente de casos de gripe A entre os alunos. Ontem, o coordenador da Unidade de Saúde Pública do Alto Minho, Carlos Pinheiro, avançou que pelo menos 330 alunos estavam infectados com o vírus, mas sublinhou que não é caso para alarme. Por sua vez, o delegado de saúde de Valença, Amílcar Lousa, adiantou hoje que, entre as crianças doentes, “não há nenhum caso grave”.

Esta manhã, os estabelecimentos de ensino decidiram medir a temperatura aos alunos com termómetros a laser, isolando os que tinham mais de 37 graus e chamando os pais para os irem buscar. Estes estudantes saíram das escolas com máscaras e foram levados pelos pais ao centro de saúde, de onde muitos acabaram por sair já sem a máscara, por ter sido “falso alarme” de contaminação.

SAP de Valença lotado

O Serviço de Atendimento Permanente de Valença, que funciona com um médico e um enfermeiro, acabou por ficar lotado com o número de casos de suspeita de gripe A. Perante este anormal afluxo de pessoas, foi activado o Serviço de Apoio à Gripe do centro de saúde de Valença, disponibilizando mais um médico e um enfermeiro. “As indicações apontam para que, em caso de suspeita de gripe, se contacte a Linha Saúde 24, mas todos decidiram vir ao centro de saúde”, queixava-se um profissional daquela unidade.

Os pais, por seu turno, queixavam-se de serem obrigados a pagar 3,70 euros de taxa moderadora. “Mas isto é um negócio? Vêem a febre aos alunos com termómetros avariados, causam alarme nos pais, mandam-nos para aqui e ainda temos de pagar?”, disse um outro encarregado de educação à Lusa.

O delegado de Saúde de Valença esteve reunido com os responsáveis das escolas do concelho, tendo ficado decidido que, para já, os estabelecimentos vão continuar a funcionar. No final, Amílcar Lousa pediu aos pais para “manterem a calma”, afirmando que “não vai ser nada de muito grave”.

O delegado de Saúde não especificou o número de alunos que foram mandados para casa hoje.

quinta-feira, outubro 29, 2009

Em Memória do Adolescente Falecido, Contra A Imprensa Sanguinolenta!

As famílias não têm culpa.

Serve sempre para mais tarde recordar, em vídeo ou em papel, os sentimentos que são imateriais. Torna-se necessário, para que os outros acreditem que "estamos de facto a sentir" ao sermos mediáticos.

Assim já os vizinhos acreditam e as famílias podem dormir descansadas e os jornalistas, com um pouco mais de sangue vertido nas páginas dos jornais, dormem com o dever cumprido e agraciados pelos seus chefes, com mais uns exemplares vendidos.

Ontem vi um filme: Ligações Perigosas. (State of Play).

Que lição de jornalismo. Com JOTA…….. 

Leiam esta prosa e reflictam nas palavras sublinhadas.

"Criança morreu com Gripe A

Família de Adriano quer processar S. Francisco Xavier

por RITA CARVALHO


Ontem morreu a primeira criança portuguesa com gripe A.  Pais do menino de dez anos dizem que este era saudável e criticam ferozmente a actuação do Hospital São Francisco Xavier, onde foi visto já com sintomas de gripe, pela primeira vez. Família acredita que se tivesse sido tratado logo, Adriano não teria morrido. Esta semana, casos nas escolas dispararam.

Os pais do menino de dez anos que ontem morreu no Hospital Dona Estefânia com gripe A admitem processar o Hospital São Francisco Xavier, onde a criança foi observada na segunda feira já com sintomas gripais. Os familiares consideram que a morte poderia ter sido evitada e que o "hospital foi negligente".

Ao DN, os pais afirmaram que nessa primeira observação médica não foi feito o teste de despistagem da gripe, embora Adriano já apresentasse dores de cabeça e febre. Depois de observar a garganta e auscultar a criança, a médica do São Francisco afastou a hipótese de gripe e encaminhou-o para casa com medição para uma virose.

"Os médicos daqui (Estefânia) disseram-nos que se ele tivesse sido tratado logo com Tamiflu a morte teria sido evitada", afirmou ao DN, Dora Aragão, a madrasta da criança, ao início da noite à porta do hospital pediátrico, onde os familiares directos foram medicados profilacticamente com Tamiflu. "O Hospital São Francisco Xavier foi muito negligente e vamos até às últimas consequências", adiantou.

Adriano Aragão não resistiu ontem à tarde a uma terceira paragem cardiorrespiratória. Aos pais terá sido explicado que esta paragem cardíaca pode ter sido uma consequência da gripe. O que reforça a sua convicção de que, se tivesse sido tratada logo após o início da doença, a criança poderia ter sobrevivido à infecção.

Em comunicado, o hospital Dona Estefânia limitou-se a confirmar o falecimento da criança, remetendo para o resultado da autópsia, a realizar hoje, a determinação da causa de morte. Se for confirmado que o vírus da gripe esteve na origem da morte da criança, esta será a quinta vítima com H1N1 em Portugal - embora, até agora, apenas três pessoas tenham morrido directamente de gripe A- e a primeira entre menores de 18 anos.

Os pais sublinharam ontem que a criança era saudável, mas as autoridades de saúde não descartaram a hipótese de esta ter problemas congénitos de coração.

O menino foi internado na madrugada de ontem na Estefânia, 36 horas após os primeiros sintomas. Na segunda feira, ainda foi às aulas de manhã. Mas as dores de cabeça e a febre levaram o pai e a madrasta da criança a dirigirem-se ao Hospital São Francisco Xavier à tarde. O menino foi observado mas o médico não suspeitou de gripe A e mandou-o para casa. Como a febre subiu bastante nas horas seguintes, e Adriano tinha vómitos e diarreia, voltou ao São Francisco na noite de terça para quarta. Segundo os pais, aí os médicos alegaram não ter forma de atender a criança e enviaram-na para a Estefânia.

Já de madrugada, Adriano foi observado e internado no serviço de infecciologia do hospital pediátrico, onde fez análises laboratoriais através de secreções respiratórias. Às onze da manhã, os pais receberam a notícia de que era gripe A. Ao telefone, Adriano ainda disse ao pai que estava bem e que queria ir para casa. Faleceu ao início da tarde.

Na escola Paula Vicente, no Restelo, onde Adriano estudava, há suspeitas de mais dois casos de H1N1. Um deles é da turma de Adriano, apresenta febre há uma semana e também já foi visto no São Francisco Xavier. Nesse hospital, também não foi feito o despiste da gripe. Os pais de Adriano só souberam ontem da existência e mais casos, já após a morte do seu filho."

domingo, outubro 25, 2009

“Uma freira aldrabona”

Com a devida vénia transcrevo um post do blogue A INQUIETUDE PERMANENTE.

São textos onde o rigor científico está omnipresente.

A Internet tem sido bombardeada com milhares de afirmações das mais variadas origens, umas mais científicas que outras, sobre uma teoria da conspiração em relação com a vacina contra o vírus pandémico Influenza A (H1N1)2009.

Tão bombardeada que, mesmo os mais alertados contra o lixo que circula na Internet, ficam com dúvidas sobre o que se lê!

E duvida-se porquê?

Em meu entender as instituições estão descredibilizadas. Os interesses das grandes companhias multinacionais conseguiram penetrar nas instituições. Os escândalos vão aparecendo…

A crise financeira deitou por terra a pouca credibilidade que ainda restava em instituições sólidas como era a banca e os seguros.

Mas, voltemos à freira:

“A gripe (XXXVIII)

Uma freira aldrabona

Tenho muito que fazer e vou deixando para trás coisas até importantes, como, nesta situação de gripe, desmontar a incrível campanha de desinformação que por aí anda. Uma das peças a que se tem dado mais credibilidade é a entrevista com a freira Teresa Forcades (TF), depois da fácil denúncia de fraude de um tal "Dr" Horowitz, da óbvia paranóia da jornalista Jane Bürgermeister que invoca uma pretensa qualidade de jornalista da Nature, do caso triste de sequelas mentais de um acidente sofrido por uma "ministra da saúde" finlandesa que nunca o foi e que sabe de gripe o que lhe dizem os seus contactos extra-terrestres.

A freira é mais perigosa. Invocando um doutoramento em saúde pública, falando calmamente num cenário religioso, descrevendo casos aparentemente convincentes, elaborando um longo discurso articulado, pode parecer credível. Começo pela duração do vídeo. Duvido de que a grande maioria dos que andam a divulgá-lo tenham visto quase uma hora de filme. Por isto, também eu só agora escrevo sobre isto. No entanto, isto não impede que dezenas de milhar de pessoas o andem a difundir, com um “sound bite” este sim eficaz: "agora não é qualquer aldrabão, é uma freira doutorada em saúde pública. Vejam!" Claro que ninguém vai ver, mas passa-se a mensagem.

Comecemos por esse doutoramento. Pesquisei ao máximo e não o encontro. TF é médica e foi interna de medicina geral em Nova Iorque. A partir daí, a sua intervenção é quase exclusivamente religiosa, embora se encontrem dela declarações médico-religiosas, principalmente sobre o aborto, com o cariz que se imagina.

Uma doutorada tem obrigatoriamente publicações científicas. Fui pesquisar, coisa muito simples (Medline). Tem uma, numa revista obscura, sobre… homeopatia! Numa lista de teses de medicina, vejo que a sua é sobre o impacto das medicinas alternativas nos estudantes de medicina. Doutorada em saúde pública?!

Mas admito que os simples factos curriculares, justificativos de descredibilização pessoal, não são suficientes para levar à certeza de que as posições e afirmações são falsas. Ao fim de penosa visão do vídeo, recolhi tão extensa lista de coisas já ditas e reditas no quadro da teoria da conspiração sobre a gripe que já cansa: a célebre vacina contaminada com a gripe aviária H5N1, coisa de que não há a mínima prova (Goebbels sabia bem que uma mentira dita muitas vezes é uma verdade); os crimes das grandes companhias farmacêuticas com Rumsfeld a pontificar; a insinuação clara de que falhou o plano tenebroso (trilateral?) de criar um vírus que mataria dois terços da humanidade e agora há que fazer o mesmo com uma vacina; o risco do sindroma de Guillain-Barré, sobre o qual já aqui escrevi; e não podia faltar o que até muitos médicos portugueses estão a agitar, o perigo do adjuvante baseado no esqualeno. Os adjuvantes são usados desde há muito tempo em vacinas sem que alguém conheça efeitos secundários demonstrados, para além de pequenas reacções inflamatórias locais, e todos os estudos feitos até agora sobre o esqualeno parecem demonstrar a sua inocuidade.

Do que mais gostei foi do rabo de fora do gato escondido. A certa altura, diz a “doutora” que tudo isto é uma fraude, porque “uma pandemia tem de ter uma grande mortalidade e esta não tem”. Nenhum meu aluno de virologia diz tal asneira sem chumbar, muito menos uma doutorada em saúde pública. Pandemia só tem a ver com disseminação da doença por todo o globo, não tem nada a ver com gravidade clínica ou mortalidade. Vão por mim, leitores de outras profissões. Isto não é betão, porque só vejo cimento à superfície e não vejo ferro. Inventei um motor que não precisa de fornecimento de energia. A Ursa maior é plana, com estrelas todas à mesma distância da Terra. Está provado que a papisa Joana existiu e não há dúvidas de que Colombo era primo de D. João II, filho do infante D. Fernando e de uma filha de Zarco. Foi Marlowe que escreveu toda a obra de um imaginário Shakespeare. Não estão habituados a tudo isto? Peço que acreditem que a tal afirmação da freira tem equivalente rigor científico.

Também fiquei curioso acerca da criação deste vídeo, por qualquer pessoa ou organização chamada Alish. Vendo melhor, é, mais uma vez, já cansa, uma “jornalista independente” espanhola, que publica num “site” chamado “Time for truth”. Vejam, se não tiverem nada mais importante para fazer. Há o que já se espera: textos sobre hipatias (alguém ainda vai nesta?) e, obviamente, a sua certeza em relação aos extra-terrestres. Lá me lembrei outra vez da “ministra” finlandesa e do seu conhecimento revelado por outros galácticos. Não há nada de novo sob o sol!

Acho que já chega de cera gasta com tão ruim defunto.

P. S. - À margem. Porquê o sucesso de tantas teorias da conspiração? Não é só a gripe. Na medicina, e em coisa com que lidei bastante, há alguns anos, também as fantasias mirabolantes sobre a doença das vacas loucas. As campanhas contra a vacinação também não são só quanto à gripe, há todo um movimento, principalmente americano, contra qualquer vacina, como as Testemunhas de Jeová a recusarem as transfusões de sangue. E o assassínio de JFK, a fraude da ida à Lua dos americanos, a destruição das torres de Nova Iorque programada pela CIA ou não sei bem quem, a falsificação da nacionalidade americana de Obama, etc. O que é que se passa nas nossas sociedades, na nossa cultura, na nossa comunicação social (em sentido amplo, incluindo a net e a blogosfera) que permite tão facilmente este tipo de coisas, mitos assumidos tão convictamente como a religião de seitas? Merece reflexão.

7.10.2009”

terça-feira, outubro 20, 2009

Finalmente


Faltas de alunos devido a gripe A podem ser justificadas pelos pais




Os alunos que apresentem sintomas de gripe A (H1N1) devem ficar afastados da escola durante sete dias e as faltas podem ser justificadas na caderneta, de acordo com uma circular enviada aos estabelecimentos de ensino.

Sempre que o aluno apresente febre, acompanhada de alguns dos sintomas de gripe A - tosse, dores de cabeça, de garganta ou musculares, congestão nasal e, por vezes, vómitos ou diarreia -, “o período de afastamento escolar será de sete dias a contar do primeiro dia de aparecimento da febre, independentemente da data do diagnóstico”, lê-se no documento da Direcção-Geral da Inovação e do Desenvolvimento Curricular, organismo do Ministério da Educação que trata estas questões em parceria com a Direcção-Geral da Saúde.

O período de afastamento deve ser respeitado “mesmo que se registe melhoria dos sintomas” e, caso estes persistam, “o período de afastamento deve ser alargado até alta clínica”, refere-se no texto enviado às escolas.

Informa-se ainda que não há necessidade de declaração médica para justificar o regresso à escola, desde que seja cumprido o período de sete dias.

O encarregado de educação deve justificar as faltas do aluno na caderneta escolar, impresso próprio em uso ou caderno diário.

Se o aluno melhorar e quiser regressar à escola antes de decorridos os sete dias de afastamento determinados “deve apresentar declaração médica”, estabelece a circular.


Uma medida ( o Estatuto do Aluno do Ensino Básico e Secundário já prevê que a justificação médica apenas seja exigida para ausencia superior a cinco dias úteis)) que se saúda pela divulgação pública , mas que urge que se torne extensiva a Creches e Infantários, onde mal a canalha espirra se chama os pais para a levar ao médico, não sendo aceite de novo sem uma 1ª declaração a dizer que está doente e uma 2ª declaração a dizer que já não o está...


Há já médicos de familia que, assoberbados por essa burocracia, estão a usar esta Circular por extensão, e numa interpretação livre mas aceitável, para os estabelecimentos da Pré-primária...Conviria que a DGS viesse a público apoiando tal atitude

domingo, outubro 18, 2009

OOOPS....LIGAÇÕES PERIGOSAS



Com a devida vénia ao autor do post...


Recorde-se que este tal Sr. Enfermeiro, já aposentado, sempre fez gala do seu cartão laranja...o último poleiro conhecido foi no Hospital S. João no Porto...


A sua fobia aos médicos, destilando peçonha no portal do sindicato de que é presidente, é bem conhecida...e muito pouco dignificante para uma classe merecedora de todo o respeito


Aqui parece que prova do seu veneno...



O Sanatório de Francelos, por detrás das persianas



Inaugurado em 1917, o Sanatório Marítimo do Norte, em Francelos, Gaia, acolheu mais de três mil doentes até á morte do seu fundador, Joaquim Gomes Ferreira, 61 anos depois. O espaço foi então doado ao Estado, sendo vontade do benemérito que continuasse a ter utilidade social (JN).
Propriedade do Ministério da Saúde, foi cedido, em 1988, pela Ministra Leonor Beleza à Associação S. João de Deus para ali instalar a Casa do Enfermeiro. A cedência foi polémica pois, de facto, tratou-se de colocar uma Associação Sindical ligado ao Partido Popular Democrático a gerir um espaço de elevado interesse cultural, extraordinariamente bem situado na primeira linha marítima. Para além disso, rumores consistentes davam como certa aquela cedência como troca de garantia política de nunca os enfermeiros alinharem com os médicos em acções, de qualquer tipo, contra o Ministério da Saúde.
A verdade é que ali se instalou a Casa do Enfermeiro... Azevedo e que a praia mesmo em frente ganhou designação oficial de praia do Sindicato.
Em 2005, com o regresso dos Socialistas ao Governo, foram feitas pressões e tomadas providências inteligentes para não deixar que a figura de usucapião transformasse a Casa do Enfermeiro... Azevedo, na casa do Azevedo.
Foi assim que a Câmara de Gaia solicitou ao IPPAR a classificação dos dois imóveis como de interesse municipal, garantindo a salvaguarda de propriedade e de manutenção arquitectónica daquele magnífico espaço.
E, para culminar em glória o processo, numa decisão de louvar, a ARS Norte decide escolher o antigo Sanatório de Francelos para acolher o Centro de Reabilitação do Norte (Jornal Porto XXI), destinado a reabilitar doentes portadores de deficiências e incapacidades.
Talvez com estes pequenos episódios se perceba melhor o ódio doentio que o Enfermeiro Azevedo tem a quase tudo e a quase todos, principalmente se forem médicos.
É a vida.

sábado, outubro 10, 2009

Médicos cubanos





Comentario a um post anterior sobre o Batalhão Che - Fidel da Venezuela questionava se era conhecida dos MEMAI a noticia sobre os médicos que estavam a trabalhar em centros de saúde alentejanos em condições menos dignas...

Penso que o comentador se estaria a referir a isto que é referido no Jornal Virtual do Sindicato Independente dos Médicos e que nos remete para uma noticia da pagina 6 do jornal Metro do dia 01 de Outubro ( também legível na versão portuguesa de http://www.readmetro.com/), citada aliás nos dias imediatos pelo jornal Público.

A ser verdade o que aí é referido, aguarda-se que a Inspecção do Trabalho e a IGAS cumpram as funções que lhes são cometidas...

Nota- a proposito da exportação de médicos cubanos veja-se este blog cujo link nos foi amavelmente enviado





sexta-feira, outubro 09, 2009

Mil novos médicos cubanos atenderão venezuelanos de bairros pobres



09 de Outubro de 2009, 02:58, Caracas, (Lusa)

O Presidente da Venezuela recebeu na quinta-feira um novo contingente de mil médicos cubanos para o programa social "Misión Barrio Adentro" (Missão Dentro do Bairro) criado para atender gratuitamente venezuelanos pobres.

Os médicos cubanos foram recebidos por Hugo Chávez durante um acto celebrado na Sala Rio Reyna do Teatro Teresa Carreño de Caracas, destinado a celebrar o Dia do Médico Integral Comunitário e para assinar o 42.º aniversário do assassínio de Ernesto Che Guevara (1928-1967) médico argentino e um dos ideólogos da Revolução Cubana."Chegou o batalhão, uma boa tropa, lhes damos as boas-vindas a vocês" disse o Presidente Hugo Chávez que baptizou o novo contingente de médicos cubanos com o nome de "Batalhão Che e Fidel, batalhão fidelista, guevarista e revolucionário".

quarta-feira, outubro 07, 2009

Um novo blog ...e que promete

Chamaram-me a atenção para um novo blog, intitulado Desabafosdumsindicalista...pela amostra do seu post mais recente, isto promete...ai promete, promete!
E os politicos deste país, e os aprendizes de feiticeiros, e os cataventos...que se cuidem

terça-feira, setembro 29, 2009

Máfias farmacêuticas

 




Le Monde Diplomatique de 27-Set-2009:

"Pouquíssimos meios de comunicação comentaram. A opinião pública não foi alertada. E, entretanto, as preocupantes conclusões do Informe final1 publicado pela Comissão Europeia, no dia 8 de Julho, sobre os abusos em matéria de competição no sector farmacêutico, merecem ser conhecidas pelos cidadãos e amplamente divulgadas.

Por Ignacio Ramonet

O que diz esse Informe? Em síntese? Que, no comércio de medicamentos, a competição não está a funcionar, e que os grandes grupos farmacêuticos recorrem a todo tipo de jogo sujo para impedir a chegada ao mercado de medicamentos mais eficazes e, sobretudo, para desqualificar os genéricos, muito mais baratos. Consequência: o atraso no acesso do consumidor aos genéricos traduz-se em importantes perdas financeiras, não apenas para os próprios pacientes, mas para a Segurança Social a cargo do Estado (ou seja, os contribuintes). Isto também oferece argumentos aos defensores da privatização dos Sistemas Públicos de Saúde, acusados de serem fossos de défices no orçamento dos Estados.

Os genéricos são medicamentos idênticos - quanto aos princípios activos, dosagem, fórmula farmacêutica, segurança e eficácia - aos medicamentos originais produzidos com exclusividade pelos grandes monopólios. O período de exclusividade e protecção da patente do remédio original vence após uma dezena de anos, quando então outros fabricantes têm direito de produzir os genéricos, que custam cerca de 40% mais barato. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a maioria dos governos recomendam o uso de genéricos porque, por seu menor custo, favorecem o acesso equitativo à saúde das populações expostas a doenças evitáveis2.

O objectivo dos grandes laboratórios consiste, por conseguinte, em retardar, por todos os meios possíveis, a data de vencimento do período de protecção da patente. O mercado mundial de medicamentos representa cerca de 700.000 milhões de euros3; e uma dezena de empresas gigantescas, entre elas as chamadas "Big Pharma" - Bayer, GlaxoSmithKline (GSK), Merk, Novartis, Pfizer, Roche, Sanofi-Aventis -, controlam metade desse mercado. Os seus lucros são superiores aos obtidos pelos poderosos grupos do complexo militar-industrial. Para cada euro investido na fabricação de um medicamento de marca, os monopólios ganham mil no mercado4. Além disso, três dessas companhias (GSK, Novartis e Sanofi) pretendem ganhar milhares de milhões a mais de euros nos próximos meses graças à venda maciça da vacina contra o vírus A (H1N1) da nova gripe5.

Essas gigantescas massas de dinheiro dão às Big Pharma uma potência financeira absolutamente colossal, que usam particularmente para arruinar, mediante múltiplos julgamentos milionários perante os tribunais, modestos fabricantes de genéricos. Os seus inumeráveis lóbis também fustigam permanentemente o Escritório Europeu de Patentes (OEP), cuja sede fica em Munique, para retardar a concessão de autorizações de entrada de genéricos no mercado. Além disso, realizam campanhas enganosas sobre esses remédios bioequivalentes e assustam os pacientes.

O resultado é que, segundo o recente Informe divulgado pela Comissão Europeia, os cidadãos têm de esperar, em média, sete meses mais do que o normal para ter acesso aos genéricos, o que se traduziu, nos últimos cinco anos, em um gasto extra desnecessário de aproximadamente 3.000 milhões de euros para os consumidores e em 20% de aumento para os Sistemas Públicos de Saúde.

A ofensiva dos monopólios farmacêutico-industriais não tem fronteiras. Também estariam implicados no recente golpe de Estado contra o presidente Manuel Zelaya em Honduras, país que importa todos os seus medicamentos, produzidos fundamentalmente pelas "Big Parma". Desde que Honduras entrou para a Aliança Bolivariana para os Povos da América (Alba), em Agosto de 2008, Zelaya negociava um acordo comercial com Havana para importar genéricos cubanos, com a intenção de reduzir os gastos de funcionamento dos hospitais públicos de seu país. E, na Cimeira do dia 24 de Junho, os presidentes da Alba se comprometeram a "rever a doutrina sobre a propriedade industrial", ou seja, a qualidade de intocável das patentes em matéria de medicamentos. Estes dois projectos, que ameaçavam directamente os seus interesses, levaram os grupos farmacêuticos transnacionais a apoiar fortemente movimentos golpistas que derrubaram Zelaya em 28 de Junho daquele mês6.

Além disso, Barack Obama, desejoso de reformar o sistema de saúde dos Estados Unidos, que deixa sem cobertura médica 47 milhões de cidadãos, enfrenta a ira do complexo farmacêutico-industrial. Aqui, as quantias em jogo são gigantescas (os gastos com saúde representam o equivalente a 18% do PIB) e controladas por um vigoroso lóbi de interesses privados que reúne, além das Big Pharma, as grandes companhias de seguro e todo o sector de clínicas e hospitais privados. Nenhum desses actores quer perder os seus opulentos privilégios. Por isso, apoiando-se nos grandes meios de comunicação mais conservadores e no Partido Republicano, estão a gastar dezenas de milhões de dólares em campanhas de desinformação e de calúnias contra a necessária reforma do sistema de saúde.

É uma batalha crucial. E seria dramático ver as máfias farmacêuticas ganharem. Porque então redobrariam os esforços para atacar, na Europa e no resto do mundo, o avanço dos medicamentos genéricos e a esperança de alguns sistemas de saúde menos caros e mais solidários.

Ignácio Ramonet é diretor do Le Monde Diplomatique

Artigo traduzido do espanhol e publicado por IPS/Envolverde

1
http://ec.europa.eu/competition/sectors/pharmaceuticals/inquiry/index.html.

2 Recordemos que 90% dos gastos da grande indústria farmacêutica para o desenvolvimento de novos medicamentos estão destinados a "doenças de ricos", que atingem apenas 10% da população mundial.

3 Intercontinental Marketing Services (IMS) Health, 19 de Março de 2000.

4 Carlos Machado, "A máfia farmacêutica. Pior o remédio do que a doença", 5 de Março de 2007 (http://www.ecoportal.net/content/view/full/67184).

5 Leia-se, Ignacio Ramonet, "Os culpados da gripe suína", Le Monde Diplomatique em espanhol, Junho de 2009.

6 Observatório Social Centro-Americano, 29 de Junho de 2009."

Aprender Com A Imprensa Regional e Local!

Foi no Díário de Coímbre, escrito por Ana Margalho.

Lê-se a notícia, descrevem-se os factos de uma forma independente. Gostei!

 

 

Tribunal julga médica acusada
de homicídio por negligência

Cardiologista dos HUC mantém convicção de que doente não apresentava
um quadro clínico que indicasse um enfarte agudo do miocárdio

O Tribunal de Coimbra começou ontem a julgar uma médica, assistente graduada em Cardiologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), acusada pelo Ministério Público (MP) de homicídio por negligência pela morte de um homem de 72 anos vítima de enfarte agudo do miocárdio.
O caso remonta a 22 de Março de 2004. João Santos deu entrada nas Urgências dos HUC, transferido do Hospital de Seia, com um diagnóstico de enfarte de miocárdio e foi recebido pela arguida que não confirmou o prognóstico. Observado por especialistas de Medicina Interna e de Gastroenterologia, o doente acabou por ser novamente transferido, por decisão da arguida, para Seia. O seu estado agravou-se naquele hospital, o que obrigou a nova transferência para o Hospital da Guarda e, posteriormente, novamente para os HUC, onde João Santos acabou por morrer, dois dias depois, de enfarte agudo do miocárdio, revelou a autópsia.
Confrontada com os factos, a arguida explicou que «para existir um diagnóstico de enfarte o doente tem de responder a pelo menos dois de três critérios, o clínico, o electrónico e o analítico». Ora, segundo G.C., os sintomas apresentados por João Santos (critério clínico) não tinham qualquer conexão com um enfarte, assim como os dois electrocardiogramas realizados nos HUC (critério electrónico) que se apresentavam sem alterações. Apenas as análises ao sangue (critério analítico) apresentavam valores fora do normal no que respeita às enzimas cardíacas. Mas, adiantou a arguida, «o mesmo pode acontecer quando, por exemplo, um doente tem uma insuficiência renal».
Apesar de não colocar de lado essa hipótese «em absoluto», G.C. considerou «que, perante estes critérios, não podia fazer diagnóstico de certeza de enfarte», justificando, por isso, o pedido de parecer aos colegas de Medicina Interna e, posteriormente, de Gastroentrologia, para avaliarem os diferentes sintomas, nomeadamente as dores abdominais e os vómitos que, segundo a arguida, «nunca estiveram associados a um enfarte agudo de miocárdio, pelo menos com aquelas características».

Medicina Interna
não quis o doente

Depois de passar por um internista e por um gastroentrologista, o doente voltou para os cuidados da Medicina Interna, nomeadamente do médico J.P.M., que à data dos factos era chefe da equipa de urgência e chefe da equipa de medicina. A arguida confirma ter “discutido” o caso com aquele médico e que não conseguiram concertar as opiniões divergentes que tinham sobre o caso: um apontava para enfarte agudo do miocárdio (J.P.M.) e outro (G.C.) para pneumonia e infecção generalizada.
Como estava «convicta de que o quadro cardíaco não era o prevalecente» e como J.P.M, que não colocou de parte a possibilidade de pneumonia, a informou de que, para aquela doença, João Santos poderia ser acompanhado no Hospital de Seia, não necessitando dos cuidados de um hospital central, concordaram em transferi-lo novamente para o Hospital de Seia.
Confrontada pela juíza, C.G. afirmou repetidamente que, na perspectiva cardiológica, o doente «estava em condições de ser transferido», apesar do seu estado grave, adiantando que terá solicitado que o doente ficasse aos cuidados da Medicina Interna. «Isso foi-me recusado, disseram-me que essa decisão não era da minha responsabilidade», adiantou.
«O colega não quis assumir o doente na Medicina Interna», acusou G.C., adiantando que terá sido J.P.M. quem lhe pediu «expressamente para assinar o documento para Seia, porque seria melhor aceite um cardiologista, uma vez que o doente tinha sido enviado com um diagnóstico de enfarte do miocárdio». A arguida acedeu porque confiou «na opinião do colega», mas solicitou a J.P.M. para que assinassem em conjunto o boletim de transferência, o que aconteceu.

Causa da morte
questionada pela arguida

De qualquer modo, e confrontada ontem pelo procurador do Ministério Público, a arguida afiançou que se não tivesse havido o pedido de transferência daquele médico, naquela altura seu chefe nas Urgências, «não daria ordem de transferência, embora continue a achar que o doente estava estável do ponto de vista cardíaco».
A actuação de G.C. junto de João Santos terminaria aqui se o doente, depois de transferido para Seia não tivesse agravado o quadro clínico, obrigando a uma nova transferência para o Hospital da Guarda e posteriormente novamente para as Urgências dos HUC, onde o doente acabou por morrer, às 11h00 do dia 24 de Março de 2004 - exactamente quatro dias depois de ter dado entrada nas Urgências do Hospital de Seia pela primeira vez – segundo o resultado da autópsia vítima de enfarte agudo do miocárdio.
Questionada pela juíza sobre os resultados da autópsia, a arguida diz-se «firmemente convencida que não foi o enfarte que causou a morte do doente» e, por isso, não concorda com os resultados da perita do Instituto de Medicina Legal. «Continuo a achar que o doente apresentava, na altura em que o observei, um quadro de pneumonia muito grave», afirmou G.C., acrescentando que «a ter havido enfarte, não seria de molde a causar a morte» de João Santos.
Interrogada ontem pelo tribunal, a arguida – especialista em Cardiologia há 18 anos - garantiu que hoje, mais de cinco anos depois dos factos, e depois de já ter falado sobre o assunto com várias pessoas, cardiologistas e médicos de outras especialidades, continua «convicta» de que fez a «opção correcta, com os dados que tinha nesse momento». «No momento em que vi o doente não era possível fazer um diagnóstico de enfarte», afiançou.

segunda-feira, setembro 07, 2009

Gripe A: médicos [espanhóis] acusam interesses económicos de criar "doença fantasma".

Do jornal i, on-line por Sandra Pereira, publicado em 02 de Setembro de 2009.

Ministra da Saúde do país admite alarmismo exagerado

Trinidad Jiménez, ministra da Saúde espanhola, reconhece que gripe A não tem piores consequências do que gripe sazonal

O presidente da Ordem dos Médicos de Espanha, Juan José Rodríguez Sendín, denunciou hoje que existem interesses económicos por detrás da criação de "uma epidemia de medo" causada por uma "doença fantasma", noticiou o diário espanhol "El País".

Já ontem, o conselho-geral da Ordem dos Médicos de Espanha tinha advertido, num comunicado de imprensa, que se está a criar "um alarme e uma angústia exagerada à volta da gripe A". Mas esta manhã Rodríguez Sendín foi mais duro nas críticas que proferiu durante uma conferência de imprensa. "Existem interesses económicos, que são evidentes, e inclusive políticos", acusou o responsável.


"Com os dados à frente" confirma-se que o vírus da gripe A regista taxas de mortalidade e complicações "bastante mais leves e toleráveis" do que as que a gripe sazonal manifesta todos os anos, acrescentou Rodríguez Sendín. Assim, "95% dos pacientes irá passar pela doença sem problemas" e "não há razão para serem mais vacinados" do que já são para resistir a uma gripe normal, tranquilizou o responsável.


Após ouvir as críticas dos médicos, a ministra espanhola da Saúde,Trinidad Jimenez, teve de admitir um alarmismo exagerado e desproporcionado à volta do vírus H1N1. "Talvez estejamos a exagerar um pouco à volta de uma doença que, segundo as informações que dispomos, não tem efeitos muito maiores do que a gripe sazonal", reconheceu a responsável. Jimenez até elogiou os médicos que tomaram a iniciativa de transmitir "uma mensagem de tranquilidade" "muito razoável".



sexta-feira, setembro 04, 2009

Gripe Ah! Ou Gripe Há?

Do Jornal Tempo Medicina:


 

"PONTO DE VISTA

Pôr o medo a render

Como santos da casa não fazem milagres, fui ver o que pensa o presidente do Consejo General de Colégios de Médicos, de Espanha, o equivalente da portuguesa OM, sobre o alvoroço em torno da gripe A.
Numa conferência de Imprensa noticiada pelo El Mundo do passado dia 2, Juan José Rodríguez Sendín afirmou o que muitos pensam, mas não dizem, pelo menos publicamente: que «estamos perante uma epidemia de medo que suscita respostas exageradas», e que «o estatuto» que se está dando a uma entidade «tão comum» como a gripe não deriva de «interesses sanitários». Na abordagem da pandemia, existem, assegurou o médico, «interesses de todos os tipos, desde os económicos, que são os mais evidentes, até outros, que podem ser políticos». Parece um incêndio em que, enquanto uns tentam apagá-lo, «há sempre gente empenhada em deitar-lhe gasolina», disse Rodríguez Sendín.
O presidente dos Colégios de Médicos não hesita mesmo em afirmar que com o que se sabe do comportamento do vírus em Espanha e nos países do hemisfério sul, a gripe A «será bastante mais ligeira do que a gripe sazonal a que estamos habituados; a gripe de outros anos foi muitíssimo mais grave e mortífera».
Entre nós, o período eleitoral convida a idênticos exageros, dos quais não estão ausentes sugestões de «medo» e «asfixia democrática», como se nos não lembrássemos dos sufocos que, em outros anos recentes, se não mataram, moeram.

João Paulo de Oliveira

joao.oliveira@tempomedicina.com

TEMPO MEDICINA 1.º CADERNO de 2009.09.07"

terça-feira, setembro 01, 2009

"Los médicos censuran la "alarma exagerada" creada ante la nueva gripe”

No El País de hoje:


 

Alerta sanitaria

"El 95% de los casos serán leves y se resolverán como cualquier otra gripe", sostiene la Organización Médica Colegial

E. DE B.
- Madrid - 01/09/2009

 
 

"Se está creando una alarma y angustia exagerada en torno a la gripe A". Así de claro y tajante es el enunciado de la nota que hoy ha enviado la Organización Médica Colegial (OMC), que ha querido así contribuir a calmar a la población. La OMC admite que los cálculos de que un tercio de la población mundial resultará infectada por el H1N1 son verosímiles, pero enseguida matiza que "el 95% de los casos serán leves y se resolverán en entre tres días y una semana como cualquier otra gripe".

Los médicos censuran la "alarma exagerada" creada ante la nueva gripe

sábado, agosto 08, 2009

O Jornalismo d' Hoje Opositor da Ciência e Outros Pensamentos Pecaminosos!

Eram 10 pensamentos da silly season, tinha acabado o 10º, mas foi tudo "deletado" inconscientemente.

Falava-se do Padre Gusmão e de como conseguiu contornar os "jornalistas" da época com o seu desenho imaginário da Passarola, encobrindo a sua descoberta científica; de como esse desenho se propagou pela Europa; do magnetismo para explicar na época da Passarola, tudo o que a Ciência (ainda) não explicava, como a subida do ar quente e da Inquisição que perseguiu Bartolomeu de Gusmão e dos novos media, qual inquisição moderna na crucificação da ciência; do João Baião e da sua qualidade, nos programas light onde é rei; da verdadeira música pimba como óptimo antidepressivo; do Nicolau Breyner e das novas "revistas da próstata" em substituição das "revistas do coração"; da publicidade encapotada a propósito do caso Nicolau de um médico urologista; dos preservativos consumidos nas FESTAS das revistas do coração (neste caso a Nova Gente), do Choy (não confundir com Toy) que afirma que há ervas chinesas que curam a gripe como o Tamiflu, esquecendo que o Tamiflu não cura nada. E das poderosas agências de comunicação (lideradas por jornalistas) que nos plasmam diariamente imagens do Tamiflu esquecendo que também existe o Relenza, e etc., etc., mas tudo o computador levou. Ficam os tópicos e que cada um imagine o que quiser...

E ainda do caso do Hospital de Santa Maria e da já confirmada troca de produto, também já identificado...

sexta-feira, agosto 07, 2009

Então Senhora Bastonária?

Hoje on-line, no Correio da Manhã:

“Infarmed arrasa métodos da farmácia no caso dos doentes cegos

Injecção para olhos sem etiquetas no Santa Maria

As injecções que cegaram seis doentes no Hospital de Santa Maria não tinham as etiquetas que deveriam existir para identificar o farmacêutico e a hora a que tinha sido realizado o preparado. Segundo apurou o CM, não está esclarecido se foi mantida a integridade das embalagens no percurso entre a farmácia hospitalar e o bloco operatório.”

quarta-feira, agosto 05, 2009

“notícia é falsa estando-se perante uma gigantesca operação de manipulação da opinião pública contra os trabalhadores da Administração Pública, a que alguns jornalistas, talvez inadvertidamente, acabaram por colaborar.

From: "Eugenio Rosa"
To: Eugénio Rosa edr@sapo.pt
Sent: Sun 02/08/09 22:54
Subject:


Caro (a) amigo (a)

Na semana de 13/17 de Julho, grande número de órgãos de comunicação social
divulgaram, alguns em "caixa" de 1ª página, que o salário mensal dos
funcionários públicos estava "acima dos seus congéneres do sector privado" e
que " o diferencial aumentou ao longo do tempo passando de 50% em 1996 para
quase 75% em 2005". E para tornar a notícia mais convincente e credível para
a opinião pública referiam um estudo divulgado no Boletim Económico - Verão
de 2009 do Banco de Portugal que acabava de ser publicado.

Como provo na peça que envio, que foi elaborada com base numa análise atenta
do referido estudo, aquela notícia é falsa estando-se perante uma gigantesca
operação de manipulação da opinião pública contra os trabalhadores da
Administração Pública, a que alguns jornalistas, talvez inadvertidamente,
acabaram por colaborar, mas que esperamos que corrijam rapidamente o erro
informando com objectividade os seus leitores. Para isso basta ler com mais
atenção todo o estudo publicado pelo Banco de Portugal e não apenas citando
algumas linhas retiradas do seu contexto.

Espero que este meu trabalho possa ser útil, pois é também uma análise
diferente da que foi veiculada pelos media do estudo divulgado no Boletim
Económico pelo Banco de Portugal

Com consideração

Eugénio Rosa
Economista

O Tribunal de Contas Entra Na Campanha Eleitoral E Não Sabe Fazer Contas!

De uma nota do SIMÉDICOS, de 4 de Agosto de 2009, retira-se:

"Se há mistério que perdure e sem solução à vista, é o do número de utentes sem médico de família."

…/…

"Mas eis que o Tribunal de Contas relança a questão ao proclamar que o número de utentes sem médico de família aumentou de 2006 para 2008, sendo neste momento de um milhão e meio, não só porque há mais inscritos (e mais utilizadores) mas porque diminuiu o nº de médicos de família!
E avança com o número espantoso de 11,5 milhões de inscritos, bem mais do que a população pelo último census, o que desde já revela a cada vez maior premência da generalização do Registo Nacional do Utente (se é que ainda está de pé...).
"

domingo, agosto 02, 2009

SE NÃO SÃO COMPARTICIPADOS, PORQUE É QUE EXISTEM EM STOCK NA FARMÁCIA E SÃO IMPINGIDOS AOS DOENTES?


Há genéricos mais caros do que originais
Falta de comparticipação de algumas dosagens e apresentações sem marca levam utente a gastar mais
00h30m
IVETE CARNEIRO


Se for à farmácia com uma receita e, respondendo às campanhas, pedir o genérico do medicamento receitado pode, não raras vezes, sair surpreendido. Por falta de comparticipação, alguns fármacos sem marca ficam bem mais caros do que os originais.


Acontece, por exemplo, com algumas apresentações do anti-inflamatório e analgésico Ibuprofeno. Ou com certas embalagens de Omeprazol ou Lansoprazol (para o sistema gástrico), de Sinvastatina e Pravastatina (contra o colesterol), ou de Fluoxetina (anti-depressivo) e Alprazolam (ansiolítico). Todos eles no Top 10 dos medicamentos mais consumidos pelos portugueses. E isto quando se multiplicam campanhas e apelos para o uso de genéricos.


No mínimo 35% mais baratos do que o medicamento original, os genéricos acabam por ficar mais caros por falta de comparticipação.
Ou porque o laboratório não a solicitou à Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed), ou porque não tem no mercado as "dosagens e apresentações necessárias suficientes".

Um exemplo? O único Ibuprofeno granulado efervescente de 600 mg custa 3,93 euros, mas não beneficia de subsídio do Estado. O mesmo medicamento de marca tem um preço de venda ao público de 4,91 euros, mas fica por 1,42 euros aos utentes com receita.


"É provável que não seja caso único", admitiu ao JN Victor Mendonça, provedor dos genéricos no Infarmed. Não é, como se percebe facilmente com uma simples pesquisa no capítulo dos genéricos do site do organismo. Na maioria dos casos, garante, é porque "o titular da autorização de introdução no mercado (AIM) não pediu a comparticipação". Noutros casos, o laboratório que produz a marca pode ter entendido descer o preço do seu produto original para valores mais baixos.


Mas a verdade é que as regras a que os laboratórios estão sujeitos para submeter os seus medicamentos a avaliações de comparticipação contêm algumas incongruências. Retomando o caso do Ibuprofeno, o único titular de autorização de introdução no mercado de uma fórmula genérica de granulado efervescente têm apenas essa apresentação. Ora, segundo a legislação, para ser comparticipado tem de existir em "dosagens e apresentações necessárias e suficientes, tendo em conta a racionalidade clínica e a redução do potencial desperdício", "em conjugação com a necessidade de se adequarem com as indicações e posologia contidas" no folheto que acompanha o medicamento. Trocado por miúdos, se existisse em dosagens de 200 mg e 400 mg, seria comparticipado.


Victor Mendonça desdramatiza. "Há muitas alternativas para a mesma substância no mercado", diz, lembrando ser "dever do farmacêutico informar qual o medicamento que fica mais barato ao utente".
Confrontado pelo JN com o porquê de a comparticipação não ser automática aquando da concessão de autorização de introdução no mercado a uma substância igual a outra que é subsidiada, o provedor justifica com o percurso da entrada no mercado. O Infarmed atesta a garantia da segurança e eficácia do produto e emite a AIM. O processo segue para o Ministério da Economia para ser fixado um preço. Só depois é que o titular da autorização pode pedir comparticipação. Até porque, lembra Vítor Mendonça, o laboratório "pode não querer logo comercializar o produto".
O processo demora então 90 dias, ao longo dos quais o medicamento já pode ser vendido. "Podia ser expedito? Defendo que sim. Tudo o que seja complicação deve ser eliminado. E estamos actualmente a discutir uma melhoria do procedimento". Mas uma coisa é certa: a fase da avaliação farmacêutica e económica por um perito "tem que ser feita".


Victor Mendonça insiste, contudo, na salvaguarda do utente: além de ter instrumentos de pesquisa de preços à mão na Internet, encontra também guias e conta, "legalmente", com o dever do farmacêutico de informá-lo da melhor opção.

sexta-feira, julho 31, 2009

Tenho vergonha de ter este bastonário !!!!


Ordem dos Médicos
Bastonário multado por receber ajudas de seguradora

por LusaHoje

O bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, foi multado em 135 mil euros por receber ajudas de custo alegadamente indevidas enquanto conselheiro da seguradora espanhola responsável pelo seguro de responsabilidade civil dos clínicos portugueses, subscrito pela Ordem.

Além da multa, decretada pela Direcção Geral de Seguros espanhola após uma investigação concluída no ano passado, os conselheiros arriscam-se a ter de devolver os montantes recebidos como ajudas de custo e que, no caso do bastonário da Ordem dos Médicos (OM), foram de 3000 euros mensais durante dois anos.

Pedro Nunes confirmou à Lusa a investigação da Direcção Geral de Seguros espanhola e adiantou que a seguradora, Agrupación Mutual Aseguradora (AMA), recorreu da sentença aos tribunais, pelo que esta ainda não é definitiva.

Miguel Leão, ex-presidente da secção Norte da OM e opositor de Pedro Nunes na última corrida a bastonário, e o antigo bastonário da Ordem dos Farmacêuticos João Silveira são os outros portugueses que passaram pela administração da AMA e que foram também multados. Miguel Leão confirmou a multa à Lusa, precisando que no seu caso foi de 120 mil euros. Quanto a João Silveira, as tentativas de contacto foram infrutíferas.

O bastonário contou que foi convidado pela AMA a integrar o Conselho de Administração, tendo substituído Miguel Leão que lá exercera funções em 2003-2006 e que assinara com a seguradora um acordo enquanto presidente da secção regional Norte. Pedro Nunes foi conselheiro em 2006 e chegou a vice-presidente da administração em 2007.

O bastonário afirma que aceitou entrar no CA para "defender os interesses dos médicos portugueses !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Em 2006, quando foi convidado, a OM estava a negociar um seguro para os mais de 30 mil médicos associados. Na altura, explicou Pedro Nunes, a seguradora AXA, com a qual a Ordem trabalhava, "não se mostrou particularmente interessada" e, quando a Ordem lançou o concurso, apenas a AMA se candidatou. Pedro Nunes, que já tinha aceite o cargo de conselheiro da AMA, desligou-se das negociações que "ficaram a cargo de uma tesoureira" da Ordem.
O seguro entrou em vigor a 01 de Janeiro de 2007 - ano em que Pedro Nunes assumiu a vice-presidência - mas o bastonário nega que a sua ida para o CA esteja relacionada com o contrato. Contudo, esclarece: "É evidente que não me convidaram por ser um oftalmologista porreiro, mas sim porque presido a um colégio de profissionais".
De acordo com Pedro Nunes, a sua participação na administração da AMA não era remunerada, mas pressupunha ajudas de custo. Por mês, Pedro Nunes recebia 3000 euros, mas afirma que "não tinha lucro, tinha prejuízo", uma vez que, com o dinheiro que recebia da AMA, pagava duas viagens mensais a Espanha e hotel, além de não receber por dois dias de consultório privado.

Outra leitura teve a Direcção Geral de Seguros espanhola, que concluiu que os conselheiros estavam a receber ajudas de custo superiores às determinadas em acta. Pedro Nunes considera que a decisão do organismo espanhol teve motivos políticos que visavam atingir o presidente da AMA, próximo do PP (na oposição em Espanha), e garante que não tem "nenhuma responsabilidade". Segundo o bastonário a AMA determinou, numa reunião que juntou mais de 2.800 accionistas, que a seguradora não ia receber o dinheiro de volta.