Sakelariddis mostra o cacete ...e tem razão...
por PATRÍCIA JESUS
A vacina contra o H1N1 é recomendada pelas autoridades de saúde nacionais e internacionais, mas alguns médicos continuam a desaconselhar a imunização. Especialistas dizem que isso vai contra as boas práticas e aconselham doentes a voltar ao médico e pedir uma segunda opinião.
Maria sofre do coração há cerca de uma década e, por isso, todos os anos leva a vacina contra a gripe sazonal, receitada pelo cardiologista. Mas o mesmo médico recomendou-lhe agora que não se vacine contra o H1N1. Não é caso único. Há clínicos a desaconselhar a vacina a doentes dos grupos prioritários, violando assim as boas práticas médicas definidas pelas autoridades de saúde nacionais e internacionais.
"A vacina é recomendada pela Direcção-Geral de Saúde, pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelos Centros de Controlo de Doenças europeu e norte-americano", lembra Constantino Sakellarides, director da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP). É por isso considerada uma boa prática, concorda o pneumologista Filipe Froes. "Com base na evidência científica que existe, desaconselhar a vacina não é uma decisão válida", diz o especialista.
E apesar de "uma boa prática não ser uma lei", se um médico aconselhar um doente a não ser vacinado contra a gripe A e este adoecer e tiver complicações graves, "será o profissional a ter de explicar porque a tomou essa decisão, sabendo que ela é recomendada pela OMS", diz Constantino Sakellarides. "É por isso que alguns profissionais não são claros no conselho que dão ou respondem que a opção é do doente", acrescenta.
Foi o que aconteceu a Filipa, de 37 anos. Grávida de três meses, resolveu perguntar à ginecologista que a segue se deve tomar a vacina. A resposta "não foi completamente clara": "disse-me que era indicada para grávidas de risco", conta ao DN. Por isso, a futura mãe deduziu que na opinião da sua médica mais vale não tomar. Isto apesar de as grávidas saudáveis estarem incluídas no Grupo A, por terem um risco maior de complicações se forem infectadas. Aliás, a vacinação da segunda parte do grupo A já começou em todo o País (ver caixa).
Também para Maria, de 44 anos, as palavras do médico, que lhe disse que a vacina pode ser muito "agressiva", fizeram com querdesse a vontade de se vacinar.
Opinião diferente têm os especialistas contactados pelo DN que recomendam aos doentes que voltem ao médico para discutir este tema. "Os doentes que estão incluídos nos grupos de risco devem perguntar ao médico assistente qual é a fundamentação científica para rejeitarem a vacina. Não devem ser prejudicados por falta de informação", diz Filipe Froes. E "se no fim da conversa não estiver convencido, diga que vai procurar uma segunda opinião", aconselha Constantino Sakellarides.
O mesmo é recomendado aos pais que ouviram os médicos dizer que as crianças saudáveis não precisam de ser vacinadas.
"Não sei quais são os argumentos contra a vacina, porque não conheço nenhum motivo para não vacinar. Aliás, muitos países estão a proteger toda a população, começando pelas crianças", lembra a pediatra Maria João Brito, especialista em infecciologia.
A vacinação é também a principal arma para combater a doença, que as autoridades estimam vir a afectar 30% da população - três milhões de portugueses. Segundo a médica de família Filipa Mafra, "quantas mais pessoas aderirem à vacinação, mais poderemos baixar esta estimativa".
"O que se espera é que o pico da gripe A seja atingido em Portugal a partir do meio de Novembro", frisou ainda. A subdirectora-geral da Saúde Graça Freitas, por seu lado, confia menos na previsibilidade do vírus H1N1 e acha que ainda não possível fazer esta previsão.




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