domingo, julho 29, 2007

Assim Continua O Nosso Jornalismo!

A jornalista Cristina Meireles, de Vila Real vai receber o próximo prémio Pulitzer.

Para além de inventar uma nova doença - insuficiência cardíaca digestiva, acrescenta uns detalhes verdadeiramente interessantes para compreender a notícia e afirmações erradas.

Aconteceu no Correio da Manhã de 25-07-2007 e foi assim contado:

“Régua: Homem de 58 anos falece nas urgências
Morreu à espera do médico

Cristina Meireles

Angelina Pinto não se conforma com a forma como o seu marido, Jorge Pinto, foi atendido no Hospital D. Luís, em Peso da Régua

"Se o médico não estivesse a dormir o meu homem poderia estar vivo!” É o desabafo de revolta e dor de Angelina Pinto, 49 anos, mulher de Jorge Monteiro Ferreira Pinto, de 58 anos, que faleceu ontem, às 06h40, nos serviços de urgência do Hospital D. Luís, em Peso da Régua.

A viúva não se conforma com o que ocorreu desde que o marido, “com dores no peito e falta de ar”, saiu, por volta das 04h45, do lugar da Fronteira, em Fontes, concelho de Santa Marta de Penaguião, numa ambulância dos Bombeiros Voluntários de Fontes. Inconsolável, aponta o dedo ao Hospital da Régua. “Fui chamar os bombeiros e eles vieram logo. Cheguei ao hospital, estava lá uma enfermeira que o atendeu e foi para dentro. Mas do médico nem vê-lo. Fiquei aflita porque o meu marido sofre do coração e avisei: ‘Ele acaba aqui.’ Disse várias vezes que lhe faltava ar e que ia morrer.”
Revoltada, Angelina Pinto diz que o funcionário “que estava a preencher as fichas” lhe disse que “na altura o médico estava a dormir”. “Só passados mais de vinte minutos é que apareceu. Apeteceu-me partir a porta, pois acredito que se ele chegasse mais cedo o meu homem ainda hoje estava vivo. Depois disseram-me que já tinha morrido, numa altura em que a viatura de emergência do INEM ainda estava a chegar.” Segundo a viúva, “o médico era um espanhol que costuma lá estar”.

Em Fontes o falecido era bem conhecido. Um seu amigo, António Hortas, disse ao CM que o avisara “para não fazer grandes esforços” devido à sua doença. “Já tinha tido vários problemas com o coração, mas teimava em andar sempre a mexer na vinha.” O corpo chegou à capela de Fontes por volta das 10h00. “Eu só queria que me ajudassem quando ele entrou. Enquanto o médico não veio, piorou. O meu Jorge morreu por falta de médico”, repetiu então Angelina.
BOMBEIROS CONFIRMAM ATRASO

O alegado atraso do médico de serviço na altura em que Jorge Pinto entrou nas urgências do Hospital D. Luís não teve confirmação oficial. No entanto, uma fonte próxima dos Bombeiros Voluntários de Fontes confirmou que o clínico demorou algum tempo a aparecer e que a vítima foi assistida a nível respiratório ao longo de toda a viagem, entrando ainda consciente e a falar nas urgências.
O Gabinete de Utentes do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes, com sede em Vila Real, estrutura que a nível hierárquico gere administrativamente a unidade hospitalar de Peso da Régua, “mostrou disponibilidade para avaliar a situação com a família de Jorge Monteiro Ferreira Pinto e, caso se justifique, avançar com um processo de averiguações sobre o caso”·
O certificado de óbito, emitido ontem, é bem claro: o falecido foi vítima de edema agudo do pulmão e de insuficiência cardíaca digestiva. A hipótese de a família apresentar uma queixa junto do Hospital da Régua, ao que o CM apurou junto de Angelina Pinto, é improvável. “Como é que eu vou andar com isto para a frente? Já morreu... mas é uma vergonha o que aconteceu. O Governo deveria pôr mais médicos nos hospitais”, disse a viúva.
DETALHES

DRAMA FAMILIAR

O funeral foi marcado pela forte emoção dos presentes. Viúva, filha, genro e outros familiares de Jorge Pinto não conseguiram evitar uma enorme consternação no momento da chegada da urna à mortuária de Fontes, trazida por um armador de Santa Marta de Penaguião. O momento da abertura da urna foi dramático, com Angelina Pinto a gritar de dor e revolta pelo que aconteceu ao marido.

A 12 QUILÓMETROS

Fontes, uma freguesia de Santa Marta de Penaguião, está situada no sopé da Serra do Marão. Até ao Hospital D. Luís, na Régua, há que percorrer uma distância de 12 quilómetros.

FILHO DA TERRA

Jorge Pinto era uma pessoa querida junto da população de Fontes. Os amigos já há muito que o alertavam para a necessidade de não esforçar o coração, devido aos problemas que tinha.

SAIBA MAIS

12 foram os quilómetros que a ambulância que transportou Jorge Pinto teve de percorrer, através de estradas sinuosas, até conseguir chegar ao Hospital da Régua.

1836 é o ano em que foi reconhecido o concelho da Régua. No entanto, referências a locais que hoje constituem esse município remontam ao foral manuelino de Penaguião de 1514.

EM RISCO

A Urgência do Hospital D. Luís é uma das que poderá ser encerrada pelo Ministério da Saúde. Nos últimos anos a unidade hospitalar, outrora uma das principais do Norte, tem perdido valências.

SERRANOS

Fontes é uma freguesia do concelho de Santa Marta de Penaguião e está situada quase no sopé da serra do Marão.

Cristina Meireles, Vila Real"

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terça-feira, julho 17, 2007

Utente Ameaça Publicamente Morder No Médico.

Publicado no Diário de Viseu de 17/07/2007


Manuel Santos Murtinheira, de 44 anos, natural e residente de Abravezes, na sequência de um acidente de viação em 2003, teve uma fractura tripla no braço esquerdo. Como resultado do sinistro, foi-lhe colocada uma placa de osteossintese (metal) nesse membro.


Blablablá,
blablablá, blablablá, blablablá, ...


"Ferida cirúrgica
com infecção


"O osso ficou à mostra e não colou pele com pele", indicou Manuel Murtinheira, que depois do episódio, em Vila Real, foi submetido a uma nova cirurgia para remover "os bordos, sendo feita uma nova sutura com linha nylon".
"Estou a correr riscos de possíveis infecções por estar tanto tempo sem cicatrizar", afirmou, realçando que já procede à toma de antibióticos há mais de três semanas. "A minha filha está a estudar veterinária e já me disse que nem aos animais se faz isto, porque se os magoam, eles mordem", concluiu."

"Poeiras prejudiciais


Manuel Murtinheira tem uma empresa de comércio de montagem de estores e não tem funcionários. "Corro o risco de não trabalhar até meados de Agosto e as poeiras que os estores levantam podem ser muito prejudiciais para a cicatrização", vincou.
[baixa fraudulenta]


Referiu ainda que a situação que se assiste em "Vila Real é carne para canhão", indicando mesmo ao Diário de Viseu que vai "partir para a via judicial" contra o médico que o operou naquela unidade."

domingo, julho 15, 2007

Os Números Verdadeiros das Eleições Em Lisboa.

57 907 lisboetas que correspondem a 11% votaram no Partido Socialista Mas refere a maior vitória de sempre e que vai lavar tudo.

32 734 lisboetas que correspondem a 6% votaram no Carmona Rodrigues. Diz que ficou à frente do partido-mãe.

30 855 lisboetas que correspondem a 5,9% votaram no Partido Social Democrata. Diz que perdeu.

20 006 lisboetas que correspondem a 3,8% votaram na Helena Roseta. Diz que ganhou. Se eu tivesse votado, seria a minha escolha.

18 681 lisboetas que correspondem a 3,6% votaram na CDU. E como sempre refere uma esmagadora vitória dos trabalhadores.

13 348 lisboetas que correspondem a 2,5% votaram no Bloco de Esquerda. E portanto o Manel lá continua.

7 258 lisboetas que correspondem a 1,4% votaram no CDS. E novas convulsões no partido-táxi que passará a partido-tandem.

3 122 lisboetas que correspondem a 0,6% votaram no MRPP. Os do costume.

1 501 lisboetas que correspondem a 0,3% votaram no Partido Nacional Renovador. Ainda bem!

1 187 lisboetas que correspondem a 0,2% votaram no Partido da Nova Democracia. Outro Manel que parece que não faz falta.

1 052 lisboetas que correspondem a 0,2% votaram no Partido da Terra. Mas há mais defensores da Terra, como eu.

745 lisboetas que correspondem a 0,1 % votaram no fadista do Partido Popular Monárquico. Três sabemos quem são.


Isto é:



Só 25,7% dos lisboetas maiores de 18 anos votaram nos partidos.


75% dos lisboetas não seguem os partidos.


Para reflectir…

sábado, julho 14, 2007

Cortesia!

Depois de tanta desumanidade ainda há quem se insurja contra a distribuição de normas sobre cortesia e boas práticas aos profissionais de saúde, incluindo médicos. Foi na ARS do Norte.

Pode-se compreender algum exagero. E até se pode afirmar que muito da falta de humanidade se deve às condições de trabalho, das infraestruturas e da própria quantidade de trabalho.

Mas, estes casos são paradigmáticos de um país sem norte e de um ministro que quer revolucionar tudo à pressa criando redes sobre redes sem qualquer sentido de globalização e e integração.

Bem haja a ARS do Norte e as suas normas de cortesia.

Humanismo Negligenciado II

Desta feita é o Correio da Manhã de 14/07/07 que denuncia, pela pena de Cátia Vicente um caso de falta de humanidade de médicos/hospitais, neste caso de directores de serviço, uma casta geralmente intragável e muitas vezes vitalícia.

Castelo Branco : Guerras internas na origem do caso
Criança fez 200 km para pôr gesso

Uma criança de 12 anos portadora de doença rara partiu uma perna durante um exercício de fisioterapia no Hospital Amato Lusitano, em Castelo Branco, mas teve de deslocar-se mais de 200 quilómetros para pôr gesso.

A mãe do menino, Zulmira Antunes, está revoltada e atribui responsabilidades a “guerras entre o Serviço de Ortopedia e o director clínico”.

Ricardo Antunes sofre de síndrome de Lowe – doença genética que se transmite de mães para filhos rapazes – e tem os ossos muito frágeis. Na quarta-feira, às 15h30, partiu uma perna durante uma sessão de fisioterapia.

Hora e meia depois, “o ortopedista que o viu disse ao director clínico que precisava de alguém que o ajudasse a pôr gesso”, conta a mãe. A resposta chegou às 20h00 e foi a menos esperada. “Mandaram-nos para Coimbra para pôr um bocado de gesso”, revelou Zulmira Antunes.

Já passava das 00h30 quando Ricardo e a mãe chegaram de ambulância ao Hospital Pediátrico de Coimbra. Durante o tempo de espera, a criança – que devido à doença tem problemas renais, dificuldades motoras e cataratas – esteve sem comer, o que deixou a mãe ainda mais indignada. “Será que não têm ninguém dentro do hospital que ajude o ortopedista a pôr gesso?”, questiona.

Zulmira Antunes disse ao CM que “o ortopedista que viu o Ricardo queria tratá-lo mas não teve autorização superior nem uma pessoa para o ajudar”, por isso “fez uma tala improvisada”, para que o transporte fosse menos doloroso.

João Frederico, director clínico do Hospital Amato Lusitano, diz que “é público que tem havido uma situação de divergência entre o Serviço de Ortopedia e a administração” mas afirma que “na ficha clínica do doente em causa apenas é referido que este precisava de uma intervenção e que o colega (ortopedista) não a podia fazer sozinho, pelo que foi solicitado ao Hospital Pediátrico de Coimbra se podia receber o doente”.

Os conflitos no Hospital de Castelo Branco já levaram à demissão do director do Serviço de Ortopedia, função agora ocupada por João Frederico. O médico exerce ainda os cargos de director clínico e da Unidade de Cuidados Intensivos.

Há dois anos, Ricardo tinha partido uma perna no hospital mas “fizeram-lhe logo um raio-X e puseram- -lhe gesso”, conta a mãe, afirmando que “isto só acontece agora porque andam zangados uns com os outros, mas os doentes não têm culpa e não podem ser prejudicados”.

A criança ainda está internada no Hospital Pediátrico de Coimbra, onde vai ser sujeita a uma intervenção cirúrgica às pernas, intervenção essa que já estava prevista há algum tempo."


Humanismo Negligenciado!

No Jornal de Notícias de 13/07/07, por Jesus Zing.

Falta de humanismo?

Uma certa forma de racismo?

Não sei que diga, mas que é crime, é.

E praticado por colegas meus...

"De hospital em hospital com fractura exposta

Um homem, de 33 anos, andou seis horas com uma fractura exposta do úmero e cotovelo entre os serviços de Urgência dos Hospitais Infante D. Pedro de Aveiro e da Universidade de Coimbra, sem que alguém o tivesse assistido.

O insólito aconteceu em finais do passado mês de Maio, quando D. Kredo, um cidadão do país do leste europeu, residente em Aveiro, deu entrada no serviço de Urgência do Infante D. Pedro, pouco depois das 23 horas, vítima de um acidente de viação.

O ferido recebeu os primeiros tratamentos por uma equipa médica ortopedista contratada pelo hospital de Aveiro para suprir a falta de ortopedistas daquela unidade hospitalar na Urgência, tendo sido enviada para o Hospital da Universidade de Coimbra (HUC) a fim de ser tratado por uma equipa de Cirurgia Plástica.

O doente chegou a Coimbra pouco depois das duas horas da madrugada e acabou por ser devolvido a Aveiro, onde deu entrada pelas 5.30 horas, sem que tivesse sido observado pelos cirurgiões plásticos. Segundo apurou o JN, os ortopedistas de serviço na Urgência em Coimbra recusaram o internamento do sinistrado, considerando que "não se justificava", na altura, a intervenção dos colegas de cirurgia plástica, serviço que, aliás, a partir da meia noite, não funciona na Urgência dos HUC.

O doente acabou na sala de operações do hospital de Aveiro, dez horas depois de ter dado entrada na Urgência, a fim de ser tratado pela equipa médica do quadro do hospital aveirense. Este facto, sabe o JN, levou a directora clínica, Lurdes Sá, a encarar a possibilidade de prescindir dos dois médicos contratados à Helped, Prestação de Serviços de Saúde, que ordenaram o envio do sinistrado para Coimbra. O JN tentou falar com Lurdes Sá, mas a directora clínica recusou prestar declarações.

Recorde-se que o serviço de Urgência do Hospital de Aveiro, em alguns dias da semana, é assegurado por equipas de médicos estranhos ao serviço do hospital de Aveiro, um facto que tem provocado mau estar na Ortopedia. A diminuição da qualidade do serviço prestado e o aumento da lista de espera levaram a que o director do serviço, António Meireles se tivesse demitido. Mesmo a substituição pelo ortopedista Costa Martins não foi bem aceite, o que levou a que a directora clínica Lurdes Sá assumisse a direcção da Ortopedia."

quinta-feira, julho 12, 2007

A Demagogia De Fernando Madrinha

Como a maior parte dos jornalistas (os tais que tinham, têm?) uma segurança social de luxo, com baixas também, escreve uma crónica no mínimo demagógica.

Por um lado critica "os médicos" presumo que os 40 mil por fraudulentarem as baixas. Isto é: o médico, sentado na sua secretária, convoca o doente e propõe-lhe uma baixa. Será assim, presumo: oh senhor Manel, vai uma baixinha? Vá lá, aceite qué de borla e ainda lhe pagam por cima!

E o senhor Manel vai para casa pensar, conversa com a esposa e regressa, dizendo: Oh senhor doutor, eu só aceito a sua baixa se puder continuar a trabalhar, pode ser?

Claro que pode. Quem vai verificar isso são os fiscais. E como sabe nós não somos fiscais, embora haja um jornalista de referência que pensa que sim...

Por outro lado critica "os médicos" presumo que os 40 mil por actos inversos aos primeiros: não dão baixas a quem delas precisa.

Será assim, por exemplo: o senhor X é pianista na função pública, tem um acidente e ficam sem os 10 dedos, vai a uma junta médica e pimba, dizem-lhe os malandros dos médicos: não tens dedos, toca com o nariz. Só quando ficares sem o narizito é que te consideramos incapaz...

Nota para que não me acusem de corporativista:

Há médicos maus? Há sim senhor. Há médicos corruptos? Há sim senhor. Assim como em todas as profissões. Veja-se na PJ. Alguém leu "toda a judite é corrupta?" Claro que não, pois não é.




sexta-feira, julho 06, 2007

domingo, julho 01, 2007

Pide/dgS

Este seria o meu título para este artigo de Ivete Carneiro no Jornal de Notícias.


Não tenho qualquer simpatia pelas pessoas em questão, mas se hoje são os bloguers, as anedotas, a afixação de cartazes, amanhã será a comunicação social, a stand up comedy e o pensamento em geral...


"A sombra da delação e da perseguição política paira sobre o caso da exoneração da directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, apesar de todas as negações oficiais. Antes de se fechar em "blackout" informativo, o líder da concelhia local do PS admitiu ter sido um membro da Juventude Socialista de Vieira do Minho o "cidadão" que pediu o Livro Amarelo do estabelecimento para se queixar do cartaz da polémica. Um cartaz que reproduzia uma entrevista do ministro da Saúde, publicada no JN a 6 de Agosto de 2006, dizendo que nunca iria a um serviço de antendimento permanente (SAP).

Relatado ao PS local, o caso foi remetido ao PS nacional e o ministro da Saúde tomou as devidas medidas, adiantou o socialista Jorge Dantas à Antena Um. Caiu a directora do centro de saúde, Celeste Cardoso, esposa de um vereador independente da autarquia de Vieira do Minho, apoiado pelo PSD. Que fora nomeada para o lugar pelo Governo PSD/CDS, por "manifesto favor político", deixou ontem escapar o ministro da Saúde, numa conferência de Imprensa convocada à pressa para justificar a demissão, já comparada ao afastamento do professor Charrua da Direcção de Educação do Norte.

Correia de Campos negou, contudo, estar em causa qualquer perseguição política. "Não há nenhuma matéria dessa ordem no despacho de exoneração". Apenas a data da sua nomeação, anterior à chegada do PS ao Governo. E garante que Maria Celeste Cardoso "teve todos os prazos para recorrer da decisão e não o fez".

Contactada pelo JN, a ex-directora - e actual funcionária administrativa do centro de saúde - disse não ter querido contar a sua demissão na altura (a 5 de Janeiro) por ser "recatada" e não gostar de "confusão". Isto, apesar de a própria família "querer que seguisse para tribunal". "Sabia que ia acontecer isto que está a acontecer". E só responde "talvez" quando lhe falam em perseguição política.

Classificando de "mentira" algumas afirmações do ministro, Celeste Cardoso desmente que o cartaz "jocoso" - em que o médico Salgado Almeida, vereador da CDU em Guimarães, escreveu "Atenção! Você está num SAP Fuja! Faça como o ministro da Saúde deste pobre país corra para a urgência de Braga!" - tivesse estado exposto "vários dias". "Foi posto na noite da quinta-feira 10 de Agosto. No sábado de manhã, uma funcionária ligou-me a dizer que estava lá um senhor a tirar fotos. Disse-lhe para tirar o cartaz".

Além do PS, a foto chegou à Sub-região de Saúde de Braga a 17 de Agosto, altura em que a directora foi confrontada. Segundo o ministro, Celeste Cardoso foi instada a retirá-lo. Coisa que, garante ela, já fora feita, tal como o fora o inquérito interno que determinou o autor da brincadeira. Que este logo assumiu como um "acto irreflectido, sem intenção de prejudicar o ministro". "Sentia-se indignado por considerar que as declarações do ministro desvalorizavam os funcionários dos SAP". Foi repreendido e o processo entregue à sub-região. Quando esta lhe sugeriu que colocasse o lugar à disposição, recusou fazê-lo. "Não tinha culpa". E diz que nunca lhe foi dito que instaurasse um processo ao médico. Coisa que, de resto, "não faria". "Não havia motivo para tal. Eram declarações do ministro!".

Para o ministro, Celeste Cardoso "desresponsabilizou-se", manifestando "deslealdade para a tutela", prova de que "não reúne condições" para seguir as orientações superiores na implementação das políticas do Ministério. "Demonstrou incapacidade para o exercício do cargo ao não impedir que um espaço de prestação de cuidados de saúde fosse utilizado para a luta política local", lê-se no despacho assinado de 5 de Janeiro. Dois meses antes de a directora terminar a sua comissão de serviço."