quarta-feira, dezembro 28, 2005

Comissões & Comissões

Respigado de uma notícia do Diário de Notícias de 28/12/2005:

"Há mais médicos por habitante e menos casos de sida diagnosticados no ano passado, comparando com 2003.

Estas são as conclusões mais relevantes das estatísticas do INE para a área da saúde e as melhores notícias para a população.

Outro dado positivo a reter é a diminuição da mortalidade infantil, que baixou para 3,8 por mil, ou seja, menos 0,3% do que em 2003 e menos 1,7 se a comparação for feita com 2000.

No ano passado, havia 334 médicos por cada cem mil residentes, um dado que representa uma subida de 1,5% em relação ao ano anterior. Mas se a comparação recuar até 2000, a subida é de 5,4%.

O número de infectados com o vírus HIV no nosso País não pára de crescer, mas os 642 novos casos diagnosticados no ano passado são inferiores aos registados em 2003, uma descida de 22,7%.

As más notícias na saúde prendem-se com as causas de morte no nosso País. Por cá, e segundo dados de 2003, as doenças do aparelho circulatório, como os acidentes vasculares cerebrais (AVC) e ataques cardíacos, continuam a liderar a tabela, representando 37,6% dos óbitos.

Em segundo lugar surgem os tumores malignos (com 20,8%) que têm crescido a um ritmo anual de 1,9% desde o ano 2000."


Alguém órgão da comunicação social mediatiza as comissões (se é que as há!) contra o tabagismo (cancro do pumão), contra o colesterol e os enfartes e AVCs, as comissões contra a hipertensão e a diabetes, afinal as principais causas de morte em Portugal, para não falar da morbilidade que provocam.

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Curtas V - Anúncio Público

Este blog anuncia publicamente que vota Manuel Alegre, depois de muito pensar.

Deixou de ser indeciso.

Curtas IV - Boas Festas

Sim.
Boas Festas para todos e um bom Natal para os cristãos e com os presépios, para os católicos.

O nascimento de Jesus de Belém foi EM Abril.

""O Nazareno" se refere um grupo de influência oriental Yogi, que professava a pobreza e deixava crescer o cabelo e a barba, "Cristo" foi após ter sido batizado por João.


Foi criado pelo Imperador Constantino nesta data, para substituir e desviar da festa tradicional do Solestício de Inverno a 21 Dezembro, esta sim humanista, ecológica e ligada à natureza.


Na sua forma insidiosa tradicional, a Igreja Católica durante a sua longa ditadura de 300 anos, gerida pelos infernais tribunais da inquisição (1523-1823), impôs a sua celebração e como facto de identidade nacional procurou a sua perpetuação.


Ainda hoje apesar de sómente 20% dos portugueses serem de facto católicos pela prática semanal e aprendizagem da catequese, outros 50% se assumem católicos por aquela imposta tradição (limitando-se o seu ser, na frequência dos três actos de celebração pública comum a todas as civilizações aqui apropriados pela Igreja católica (nascimento/ casamento/ morte e gozo destas férias público-católicas cíclicas (natal (sol. inverno), páscoa (equinócio primavera, realçada a sua importância com quarentena prévia iniciada no carnaval e relacionada mesmo com o ciclo lunar, cai sempre na 1ª lua cheia), santos populares (sol. verão), s. miguel (equinócio outono)), isto depois de 95 anos de Estado pretensamente laico e republicano.

Ademais, tendo nós com o racionalismo, entrado na cultura linear modernista (com história), a celebração de festividades cíclicas (sem passado e futuro) encontra-se esvaziada, facilitando a sua apropriação comercial, numa ideologia liberal e de mercado, em que o lucro sobre os outros manda.


Assim desejo a todos
UM SUAVE INVERNO, com tranquilas noites familiares e um forte reforço da sua identidade local e UM BOM ANO DE 2006.
Eduardo"



Nota:
Transcrição quase completa de um mail enviado a um colega (que teve a amabilidade de mo reenviar) por outro colega.

Curtas III - Fui Às Compras À Baixa

Aproveitando uma folga de trabalho dominical fui às compras à baixa lisboeta a meio da semana

Confesso que não a frequentava há bastante tempo. São os Colombos, as Amoreiras, os shoppings em geral.

Gostei e vou repetir

Fiz compras grandes em lojas pequenas e compras pequenas em lojas grandes.

Apertei o parafuso dos óculos numa óptica de bairro e comprei o jornal a um ardina

Comprei o último CD. Almocei e lanchei

Visitei grandes lojas de informática. Vi as últimas novidades na FNAC.

Vi pessoas bem dispostas e assisti à animação do Chapitô.

Respirei ar puro qb (não posso dizer que fosse 100% puro, mas pelo menos era livre e não condicionado).

Gostei e vou repetir aproveitando outras folgas...

Gostei da simpatia dos comerciantes e respectivos "caixeiros".

Lembrei-me do que se passa nos bancos dos hospitais: como se pode ser simpático se a avalancha é muita?

Curtas II - A Katia Guerreiro

Afirmei num post anterior que a minha colega Katia Guerreiro quase tinha conseguido uma vaga no internato para a especialidade de oftalmologia

Ao que parece conseguiu, ilegalmente, uma coisa que os outros seus colegas não conseguiram porque a lei assim o impede: o chamado internato voluntário.

Este internato voluntário está proibido por directrizes da União Europeia as quais Portugal subscreveu e visa dar maior credibilidade aos internatos de especialidade.

A Katia Guerreiro, pode ter boa voz, pode ter muitas cunhas, pode ser mandatária do futuro Presidente da República, que se apresenta como o Salvador da Nação e o Redentor de males passados, MAS NÃO PODE ULTRAPASSAR AS LEIS E PRINCIPALMENTE ULTRAPASSAR OS SEUS COLEGAS

Na posição que ocupa deveria ser o exemplo de seriedade e de idoneidade. E não o símbolo da "cunhice", do "desenrascanço", "da ultrapassagem das normas", "da corrupção". É uma palavra dura, mas verdadeira.

Que abrace Cavaco Silva com a maior das forças, que explore a sua carreira de fadista, que retire os maiores e melhores proventos e depois que concorra ao internato da especialidade que quiser, submetendo-se ao respectivo exame legal para que seja uma oftalmologista ao serviço do bem público e não ao serviço da fácil exploração

Que seja séria!

Curtas I - A Rupatadina

Depois de terem investigado, quer o amigo boticário, quer a amiga Ivone Marques, acham bem que o Estado subsidie um fármaco justificando tout court que nada de novo traz à saúde dos portugueses e dê à empresa que o comercializa um prazo temporal para ganhar uns bons milhares de contos e avisando que depois lhe vai retirar a comparticipação?

Acham isto normal num Estado que se quer de Direito?

Não haverá aqui compadrios?

sexta-feira, dezembro 16, 2005

E Depois do Trauma?

Um novo blog de uma área muito específica, sexualidade depois de um trauma medular, mas cada vez com mais acuidade devido à cada vez maior sinistralidade rodoviária.

Parabéns à Ana.

quinta-feira, dezembro 08, 2005

E Os Lobies, Senhor?

E refiro-me ao lobie autárquico. Esse é o mais importante.

E continuo a perguntar: e para quando uma rede organizada de Emergência Pré-Hospitalar?

E para quando o encerramento de urgências hospitalares que distem escassos quilómetros?

"Serviços com baixa afluência vão fechar
Saúde reduz urgências

Os serviços de urgência dos centros de saúde que tenham uma afluência média inferior a dez utentes por noite, 25 no caso dos hospitais, vão são ser encerrados. Esta é uma das medidas de reformulação do sistema que o Ministério da Saúde vai implementar a partir de Janeiro. Por outro lado está previsto que qualquer utente, em qualquer ponto do país, passe a ter assegurado uma urgência a menos de 60 minutos de distância.

As medidas são anunciadas hoje pelo Diário de Notícias, onde se pode ler também que a nova rede passará a contar com três níveis de serviços diferenciados: urgências polivalentes (para os casos mais graves e complexos), médico-cirurgicas (de nível médio) e urgências básicas.

A distribuição dos doentes por estes três níveis de urgências deverá ser efectuada através do novo serviço telefónico de aconselhamento e encaminhamento, um novo «call center» que irá substituir a actual Linha de Saúde Pública e a de pediatria Trim Trim Dói Sói.

Para familiarizar os utentes de todas estas alterações será lançada em Janeiro uma campanha de divulgação denominada «Tempo e Competência são vida».
"

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Nem Sei Que Título Dar

JN de 01/12/05

"Cura de paciente inglês sem qualquer prova


A alegada cura de um portador de VIH, noticiada há cerca de um mês, não convence o virulogista Ricardo Camacho, desconfiado da veiculação original do caso através de um jornal que compra histórias sensacionalistas e não tem jornalistas credenciados ao seu serviço.

"Se o caso fosse real", comenta, "já teriam saído artigos em publicações científicas". Além disso, acrescenta, recorrendo aos contactos que tem com o director do Hospital Chelsea and Westminster, onde o paciente era tratado, este tem sido convocado para testes. Contudo, desde 2003 que aí não comparece
."

O importante é que a notícia saiu e alimentou a crendice...

terça-feira, novembro 29, 2005

Como Pensa Um Médico Quando Olha Para Si...

Agora que se tem falado na prescrição de fármacos por outros técnicos da saúde e depois de ter lido o documento original em inglês concordo com a generalidade das situações apresentadas. Isto é, a prescrição por enfermeiros e farmacêuticos deve até ser incentivada desde que obedeça a protocolos médicos bem definidos.

Porque raio é que a prescrição de vacinas deve ser um acto médico? Na prática já não o é.

Um enfermeiro ou farmacêutico pode e deve prescrever as vacinas do Programa Nacional de Vacinação (PNV).
Estão protocoladas as indicações, as contraindicações, as complicações e o seu tratamento.

Apenas têm que estar preparados para a sua administração. Neste exemplo a única coisa que muda é o autor da prescrição, porque a administração jé é da competência de um enfermeiro

Mas para saber como pensa um médico, leia este artigo científico publicado em 1998 na revista da AMB - Associação Médica Brasileira.

domingo, novembro 27, 2005

Vai Ser Lindo...

Particular atenção ao negrito.


"Nurses to prescribe drugs in the UK


UK’s Secretary of State for Health Patricia Hewitt announced .../..., nurses and pharmacists will acquire broad drug prescribing rights. Nurses and pharmacists will be able to attend an extra training course giving them permission to prescribe almost every licensed medicine for any medical condition - with the exception of controlled drugs. Nurses will become eligible to go through training three years after qualifying, and a recommendation from their employer will be required in order to take this course.

Patricia Hewitt said: "By expanding traditional prescribing roles, patients can more easily access the medicines they need from an increased number of highly trained health professionals.” And she continued "This is another step towards a truly patient-led NHS, giving patients the power to choose where and by whom they are treated."


This announcement raised concern within the British Medical Association. Dr James Johnson, Chairman of the BMA, said: “We need to meet urgently with the Secretary of State to clarify the conditions under which other professions can prescribe. It is difficult to see how healthcare professionals who are not trained to diagnose disease can safely prescribe appropriate treatment. The BMA will be seeking assurances from the government that patient safety will not be compromised by these changes.”"

quarta-feira, novembro 23, 2005

É Caricato ... Mas Foi Uma Decisão Clínica

Está aqui a história toda.

A médica foi prudente, e foi uma decisão tomada em benefício do doente, que muitas vezes não merecem estes cuidados, pois mesmo assim o Correio da Manhã angariou uma notícia e a dona Maria Imaginária, amanhã já poderá ser famosa!

"Operação cancelada no bloco" - aqui a caricatura.

José Carlos Campos - aqui o jornalista dos grandes casos.

Maria Imaginário - a protagonista.

As incorrecções -

"... viu ser cancelada a intervenção urgente para extracção do útero e ovários, devido a hemorragias frequentes, que esperava há seis meses." - se esperava há seis meses, embora necessária, não era urgente.

"A médica que iria operá-la decidiu, “no último momento”, não o fazer." - eis a cena: de bisturi em punho, coçou uma borbulha e disse: "Dah, não vou com a tua cara!"

“Olhou para mim e disse que eu não era sua doente e que não conhecia o meu processo, poria isso não me ia operar”, - médica competente e cautelosa.

“A doente, além de não ter assinado o termo de responsabilidade, é de risco: tem 49 anos, pesa 96 quilos e deveria ter deixado de tomar a pílula. Havia, por isso, risco de tromboembolismo”. - pois é, quis sexo até à última...

"A doente nega ter sido informada pelo seu médico para parar de tomar a pílula." - não ouvimos o médico, mas o facto da doente não assinar o consentimento e o termo de responsabilidade, levanta-me dúvidas.

"A intervenção foi adiada para segunda-feira." - onde se demonstra que não era urgente, como refere o jornalista.

terça-feira, novembro 22, 2005

100 000

É apenas um número.

Mas para quem, numa noite de insónias depois de ler o extinto Aviz e o Abrupto, decidiu fazer uma experiência com um blogue para tentar explicar, esclarecer (nunca com veleidades de ensinar nada a ninguém) coisas da Medicina, habitualmente tão mal tratada, não por má fé, mas apenas por iliteracia científica, não esperava estar aqui a assinalar dois anos e meio depois os 100 mil visitantes.

domingo, novembro 20, 2005

Paz Na Estrada

Hoje assinala-se o Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada.

(Fotografia que circula na Internet.)

Nenhum médico é insensível à chegada de cadáveres à urgência vítimas de acidentes na estrada. Do trabalho em serviços de urgência, as imagens que guardo na memória com uma nitidez notável, nestes mais de 20 anos de profissão, são de cadáveres vítimas de acidentes na estrada.

sábado, novembro 19, 2005

Dramas: O Pénis, A Apneia E A Falta De Afecto

"Dramas" de um dia de consultas no consultório particular, pois como nem todos ganham como o Manuel Antunes, têm que abrir o consultório ao sábado para trabalhar.

1) Jovem de 29 anos, solteiro, ar deprimido, queixas vagas, que no final da consulta e de depois de esta ser conduzida para que "expiasse" as sua preocupações, lá me vai dizendo que tem um problema que lhe custa falar. Fala e refere que tem um pénis muito pequeno e que depois de uma relação sexual falhada, interiorizou que o seu pénis era muito pequeno e incapaz de ter relações. Após observação: pénis normalíssimo, apto para qualquer uso. Mais de 15 anos com esta ideia errada a martelar na cabeça!


2) Homem de meia idade, que telefona a solicitar uma consulta. Digo que sim, mas nunca mais aparece. Conclusão: adormeceu ao volante da sua viatura, após a ter estacionado na avenida junto ao consultório. Dirijo-me ao seu automóvel, acordo-o e pergunto: sr x, você sabe que tem apneia do sono, não tem usado o seu aparelho para dormir? Não doutor, devolvi-o porque a xxxx (subsistema de saúde) não comparticipa e não tenho dinheiro para pagar previamente e ser reembolsado posteriormente. Devolvi-o.


3) Mulher de 65 anos, telefona para uma consulta com o marido, de 85 anos, referindo queixas vagas e típicas da terceira idade. Aparecem os três, marido, mulher e filha única. A consulta vai-se desenrolando, e a conclusão começa a ser óbvia: a filha mora do outro lado da rua e visita os pais com uma regularidade irregular: "Sabe a minha filha é muito despegada, só nos visita quando a chamamos para vir ao médico", afirma a senhora enquanto filha vai buscar o automóvel...

quinta-feira, novembro 17, 2005

Como Funciona Um Cirurgião

O Luís explica...

Hmmm...Reparei agora que o senhor mencionou que há listas de espera que os médicos não cumprem.

Ora, esta afirmação é completamente desprovida de sentido.

1- os cirurgiões operam durante o seu período de trabalho.

2- Há um nº de cirurgia predestinado para cada dia (consoante o tempo previsto para a realização de cada uma), mas como as cirurgias podem sofrer complicações, o tempo destinado para as cirurgias pode aumentar...O que impossibilita, por vezes, a realização das restantes cirurgias programadas, porque estas seriam fora do horário de trabalho (e percebam, se o horário de trabalho é 7 horas, às vezes poderia passar para 10-12h)...Aí não teriam de pagar só horas extra aos médicos, mas sim a todo o pessoal implicado:- médicos, enfermeiros, auxiliares e pessoal de apoio do próprio bloco- médicos, enfermeiros, auxiliares e pessoal de apoio das salas de recobro...(ora, o sr. já começa aqui a perceber a complexidade de uma coisa que parece tão singela como uma operação)!!

3- Imaginemos que há uma capacidade para a realização de 15 cirurgias por dia...Obviamente que se as necessidades de cirurgias aumentam à razão de 20 ou 30 por dia...Vai haver alguém que não pode ser operado! Esta pessoa terá obrigatoriamente de ficar à espera... Então, os candidatos na lista de espera são organizados por prioridade relativa às implicações da cirurgia na manutenção do seu estado de saúde... É por isso que as hérnias inguinais, por exemplo, são muitas vezes relegadas para último plano e atrasadas, ficando muito tempo à espera, porque não representam uma urgência como por exemplo um cancro recém-diagnosticado...

4- Nalguns hospitais, não se realizam mais cirurgias, porque não há nº de blocos e logística inerente suficiente para aumentar a produção! E porquê? Porque construir e manter um bloco operatório é extremamente caro...

5- Noutros hospitais não se realizam porque não há nº de camas suficiente para acolher as pessoas no dia anterior, de modo a poderem ser preparadas para a cirurgia! E também não se podem planear e libertar camas automaticamente, porque não há tempo fixo para dar alta a um doente, pois podem surgir complicações... Há que deixar sempre um espaço morto no serviço para eventualidades...Ora, como pode perceber, uma afirmação tão simples não se adequa nada à verdadeira realidade da medicina... Pode ser aplicada à física ou matemática, mas não à medicina...Não é porque os médicos querem que há listas de espera... É porque há muitas cirurgias para realizar, e o orçamento português, com a qualidade da medicina que é praticada em Portugal, não pode pagar um aumento da produtividade para resolver o problema definitivamente!!!! pode atenuar, mas não resolver... Mesmo que os médicos estivessem a preço de saldo!!

Só para lhe dar uma ideia de um horário de bloco, para perceber como os cirurgiões não trabalham:

1) equipe: 2 cirurgiões + enfermeira instrumentista + enfermeira auxiliar + anestesista + auxiliar de anestesia + enfermeira circulante (7 profissionais - 1 sala operatória)

08h: hepatectomia parcial (duração 4h) risco elevado;
12h: colecistectomia laparoscópica (duração 1h);
13h: almoço
14h: gastrectomia parcial (3h) risco elevado

E como pode ver, 8 horas de trabalho, 7 profissionais mais o pessoal do recobro e da limpeza, 1 sala de operações, e 3 míseras cirurgias... Isto, se decorrer sem complicações...

Que preguiça e que falta de produtividade...

Incrível! III (O Ministro Enganou-se)

Segundo o jornal virtual do SIM - Sindicato Independente dos Médicos o Ministro da Saúde enganou-se ao contar os médicos oftalmologistas do Hospital dos Capuchos.

O comunicado:

"OS FANTASMAS DO MINISTRO DA SAÚDE

Ciclicamente, e com frequente mau gosto, o Senhor Ministro da Saúde culpa tudo e todos, principalmente os médicos, pelos males do Serviço Nacional de Saúde. Com estrondo e ofensa, apontou o exemplo dos 59 oftalmologistas do Hospital dos Capuchos, cujo número elevado, nas suas palavras, “é uma vergonha nacional”, para criticar “as carapaças jurídicas”, alimentadas pelos sindicatos, que impedem a actuação ministerial.


Enganou-se quanto aos oftalmologistas do Hospital dos Capuchos, pois são 24, têm péssimas condições de trabalho, não têm listas de espera cirúrgicas e viram o seu bom-nome injustamente atingido.

Enganou-se quanto aos sindicatos, pois não são estes que abrem e fecham hospitais, que os constroem por critério político e onde não fazem falta, que abrem e fecham serviços, que abrem e fecham urgências, que programam os recursos humanos e a sua distribuição por especialidades e carreiras ou que fazem Leis.

Recordemos o Senhor Ministro, agora publicamente após esta ofensa, que reunimos no passado dia 20 de Julho, por nossa insistência, onde, mais uma vez perante um titular da pasta da Saúde, nos propusemos colaborar na gestão dos recursos humanos, no encerramento de urgências excedentárias, na reorganização de serviços, principalmente nas grandes cidades, com a consequente mobilidade dos médicos e no cumprimento da Lei, com a possibilidade de médicos da carreira hospitalar fazerem consultadoria nos Centros de Saúde.

A tudo o Senhor Ministro se escusou invocando a proximidade da refrega eleitoral autárquica e não querer afrontar os autarcas. Recordemos ainda o Senhor Ministro da Saúde que volvidos 3 anos de empresarialização de mais de 30 hospitais, ainda não é possível termos um Acordo Colectivo de Trabalho para os médicos nestes hospitais, por exclusiva culpa dos gabinetes ministeriais.

É em si próprio, como Ministro da Saúde, e nos dirigentes do Ministério da Saúde que de si dependem, que o Senhor Ministro deve encontrar os seus fantasmas.Não são os médicos nem os sindicatos que justificam inércia, incapacidade e erros políticos no planeamento dos recursos humanos."

Incrível! II

Segundo o Ministro da Saúde há 59 oftalmologistas no Hospital dos Capuchos, em Lisboa.

Como diz o Ministro, é uma «vergonha nacional» esta disparidade, desde que o Ministro não tenha contado com os internos da especialidade. Vergonha que eu corroboro, embora assaque as culpas ao sucessivos ministros e governos que permitiram a existência dessas vagas. Condenar os sindicatos e um pretenso corporativismo, é falso.

Qualquer médico do SNS só pode trabalhar onde houver vagas definidas pelo Ministério da Saúde e não pelos sindicatos.

Disse ainda o Ministro que «Há uma carapaça jurídica que impede a administração e o Governo de actuar directamente nesta matéria e que é alimentada pelos movimentos sindicais, pelos profissionais e pelos interesses corporativos», acrescentou e faltou à verdade.

Repito: quem determina as vagas nos hospitais é o próprio Ministério da Saúde e mais ninguém.

Se a lei estipula as vagas, eles podem ser ocupadas legalmente ...

Embora a minha Kolega Katia Guerreiro, incrivelmente, esteve quase a conseguir uma vaga apenas porque é fadista.
Mais uma caso para investigação jornalística, já a que a dita kolega é mandatária do candidato Kavaco, que se assume como incorruptível.

E para quem nos acusa, foi a "corporação" Ordem dos Médicos que impediu essa cunha...

Incrível!

"Comissão denuncia existência de professores universitários com falsos diplomas", Público."
"... alertou para a existência de professores a leccionar no ensino superior com falsos diplomas académicos, comprados a empresas norte-americanas.
"São empresas que se dedicam a vender diplomas e compradores não faltam. E essas empresas utilizam designações muito semelhantes às de instituições dignas de crédito".
"Contactado pelo JN, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior recusou-se a
comentar as revelações feitas por Paulo Zagalo e Melo e afirmou ficar à espera das denúncias para agir em conformidade
."

quinta-feira, novembro 10, 2005

Ansiedade

A ansiedade é a culpada de muitas idas a serviços de urgência "atolhados" de uns e outros, sendo os outros os que realmente necessitam de cuidados médicos.
Um médico com prática mal começa a ouvir as queixas de um doente, racionalmente (utilizando um raciocínio hipotético-dedutivo) vai-se inclinando para o diagnóstico de crise de ansiedade.

Muitas queixas de doentes, começam aqui.

No blog a psicóloga, a Cláudia Morais, num post intitulado ataque cardíaco ou ataque de pânico explica em linguagem muito acessível o que se sente numa crise de ansiedade ou ataque de pânico.

(Cantinho do marialva: clicar no seu profile, aqui.)

terça-feira, novembro 08, 2005

Porque Alguns Nos Criticam Com Tanto "Ódio"?

A culpa não é deles!

É do desenvolvimento social (valores) desfasado do desenvolvimento tecnológico. E neste pormenor, os valores do social à frente das descobertas da técnica

Neste post do blogue Cobre & Canela está tudo explicado numa linguagem acessível. Aconselho a sua leitura a médicos e não médicos.

Um excerto:

"... me parecem prender-se basicamente com o problema do paternalismo/divinização da medicina, efeito secundário da evolução científica e tecnológica que acredito não ter sido desejado nem por médicos nem por pacientes, mas que é uma realidade, a qual, para bem de todos, deve ser combatida.

Se recuarmos no tempo, encontramos uma realidade diferente: os médicos eram respeitados, mas não eram divinizados. Eram vistos como alguém que aliviava, não como alguém que salvava. Os milagres pertenciam ao foro da religião, e em caso de doença, o médico era o amigo que dava a mão, que aliviava a dor física, mas era ao padre e a Deus (não interessa qual) que se pedia o milagre da cura e da salvação.

Com a evolução tecnológica e do conhecimento científico ao nível do funcionamento do organismo humano, os médicos passaram a curar e a salvar para além de aliviar. E deu-se o processo de transferência dos supostos poderes divinos de Deus para o médico.

Existe hoje o mito de que a ciência médica está muito mais avançada do que na realidade está, de que os meios auxiliares de diagnostico são capazes de diagnosticar tudo sem margem de erro e que as intervenções médicas, hoje apoiadas por ferramentas e equipamentos sofisticados são 100% eficazes e eficientes.

Tudo mito, tudo ilusão"!

domingo, novembro 06, 2005

Paixão, Amor e Sexo*

Frases retiradas do Diário de Coimbra, de 6 de Novembro, num artigo assinado por Ana Margalho, sobre as XXIII Jornadas de Estudos de Reprodução:

"Todo o amor tem um principio, uma continuidade e um fim, nem que este final signifique o início de um novo amor."

"O amor à primeira vista só pode ser sexo."

"... as pessoas procuram uma relação especial, mais do que um companheiro especial."

"Vivemos no tempo da «monogamia seriada». Mais do que mantermos um amor para o resto da vida, somos fiéis a «um amor de cada vez»."

"«O casamento dura enquanto há amor», logo, «a falta dele é razão suficiente para o divórcio» e para encontrar outra pessoa para amar."

"«Não nos podemos esquecer que, quando escolhemos uma mulher ou um homem, desprezamos um bilião de outras mulheres ou de homens."

"Allen Gomes não acredita muito no conceito de almas gémeas. «Parecem amores combinados por computador»."

"... homens e mulheres têm tendência natural em atrair-se por homens e mulheres enigmáticas e a paixão ou o amor têm tendência a desvanecer-se sempre que o outro passa a ser uma pessoa conhecida."

"A maioria das pessoas falar de amor e tem medo de falar de sexo."

"O homem, quando casa, perde uma das suas grandes virtudes: a sedução."

"Quando casa, é como se tomasse posse e, a partir daí, a sua sexualidade deixa de estar associada à sedução, mas à sua própria satisfação."

"Cada vez mais as pessoas que recorrem a sites de Internet para conhecer novas pessoas ... As pessoas não estão totalmente satisfeitas com as suas escolhas. Procuram algo que não encontram. Já não é a pessoa especial, é a relação especial. Neste momento a relação é mais importante do que a pessoa."

* Título de um livro de Francisco Allen Gomes, psiquiatra e sexólogo.

sábado, novembro 05, 2005

Números

MALÁRIA – parasita – Plasmodium – picada de mosquitos do género Anopheles.
Conhecida desde 1880 – 2.400 milhões de pessoas vivem em zonas de risco, 300 milhões de casos novos – 1 milhão de mortes anualmente. – 90% destas mortes ocorrem crianças.

TUBERCULOSE – bactéria – Mycobacterium tuberculosis – 1.900 milhões de pessoas no mundo estão infectadas.

PARASITOSE INTESTINAL – parasitas – 1.400 milhões de pessoas infectadas.

SIDA – vírus – VIH – 40 milhões de casos em todo o mundo

GRIPE AVIÁRIA – vírus – influenza H5N1 – 250 pessoas infectadas – 70 mortes.

Últimos 20 anos – nenhum fármaco novo contra a malária e a tuberculose.
Últimos 20 anos – 20 fármacos activos para o VIH.

sexta-feira, novembro 04, 2005

"Erro médico inevitável na Medicina de hoje"

Afirma João Lobo Antunes num encontro organizado pela Associação Portuguesa de Seguradoras.

Alguns excertos de uma notícia publicada no jornal Tempo Medicina:

"... as exigências hoje impostas à Medicina tornam inevitável a ocorrência de erros. No entanto, os médicos têm muita dificuldade em lidar com as suas falhas."

"Segundo Lobo Antunes, a discussão do erro médico é essencial e inevitável."

"Em qualquer profissão, há dois segredos muito mal guardados, um é o erro e o outro é o conflito de interesses"

"Enquanto trabalhou nos Estados Unidos o neurocirurgião foi alvo de quatro processos, três dos quais sem mérito. No entanto, estas experiências serviram-lhe para perceber que os médicos não podem continuar a achar que conseguem resolver este tipo de problemas sozinhos"

"Vários estudos têm provado que este é «um problema real» e também que, ao contrário do que se pensa, a maior parte dos erros ocorrem em procedimentos simples, pelo que, muitas vezes, são evitáveis."

"..., que usa há vários anos modelos de segurança. Segundo o professor, a área médica que já o fez, a Anestesiologia, verificou melhorias significativas, como exemplificou – em 1980 havia uma morte por dez mil anestesias, hoje há uma morte por 300 mil anestesias. A adopção de guidelines, a estandardização dos procedimentos e a existência de uma liderança são factores de sucesso essenciais, que a Anestesiologia adoptou e que outras áreas devem também seguir, acredita o neurocirurgião".

"O fenómeno do erro é também o resultado da mudança dos tempos — dantes a Medicina era «simples, ineficaz e inócua», hoje é «complexa, eficaz e potencialmente perigosa».

"este é o preço do progresso que não se pode iludir".

"Ao contrário do que se chegou a pensar em determinada altura, a incerteza na prática médica não desapareceu e, aliás, nunca vai deixar de existir. Contudo, e embora saliente que erro é diferente de acidente, Lobo Antunes reconhece que a cultura portuguesa do «desenrasca» convida muitas vezes à ocorrência de erros que poderiam ser evitados."

"Há, de facto, da parte dos médicos, uma dificuldade em lidar com o erro. Nós somos educados para trabalhar sem erro e quando este acontece é muitas vezes considerado uma falta de carácter ou negligência"

"Além disso, o tratamento que os meios de comunicação social fazem do erro médico empola frequentemente o problema e tem, por vezes, consequências para a carreira profissional do médico."

"por isso, que os médicos não sabem tudo e é preciso que os doentes tenham consciência disso. Não é possível esperar uma omni-sabedoria do médico."

"... é preciso evitar as falhas que dão origem ao erro médico, como sejam as faltas de conhecimento, o estudo insuficiente da história clínica do doente e das hipóteses de diagnóstico ou o excesso de cansaço. Já a instituição deve ter atenção à distribuição da tarefas e responsabilidades e à saúde e estado psicológico dos médicos. Outras formas de controlar o risco são a informatização dos processos clínicos, a criação de checklists, o treino e a recertificação dos profissionais. E, para além disso, é preciso encontrar formas de aprender com os erros".

Aniversário De Professores

Acabado de chegar de uma pequena festa de aniversário de um professor, e como se compreende, os professores eram a maioria e ainda como reflexo das provocações que um professor dito universitário tem feito nos comentários deste blog, não posso deixar de partilhar com os leitores esta pequena história, contada por um professor, testemunha ocular do acontecimento.

Numa determinada escola, num determinado concelho, lá para os lados do Alentejo, um determinado professor, mestrando de um determinado mestrado, sindicalista, sumariava consecutivamente as suas aulas como "tema livre".

Intrigado, este meu amigo professor, investigou junto dos seus alunos quais os temas livres que invariavelmente os alunos aprendiam.

E chegou a uma conclusão: berlindes.

Remata-lhe um aluno, com tiro certeiro:

- "O sotôr X joga muito bem berlindes e então decidiu que as aulas seriam passadas num canto do recreio, a jogar e a ensinar-nos a jogar ao berlinde!"

Mas ao contrário do outro professor, não penso que todos os professores sejam ases do berlinde, nem que substituam as suas aulas por aulas de berlinde, nem tão pouco responsabilizo o berlinde pelo estado do nosso ensino.

Este é que será uma caso esporádico.

quinta-feira, novembro 03, 2005

Se Tem Tomates, Denuncie-os

"Tenho conhecidos (médicos) que se gabam de ganhar "milhares de contos", devido aos "regimes de prevenção e horas extra" que não são cumpridos... porque os "doutores" ou estão a trabalhar noutro lado (mesmo com o regime de exclusividade!!) ou estão bem longe a passear com a família!!"

Se tem tomates, denuncie-os, senão apenas tem língua.

E de línguas está Portugal cheio.

Eu já denunciei à Inspecção-Geral de Saúde casos de médicos (como vê sou muito corporativista ao denunciar colegas) que infringiram situações que não era supor infringir! Tenho tomates!

Sr Boldão linguareiro, deite os nomes desses médicos que conhece e se vangloriam junto de si, seja homem, pá.
Ajude a limpar a sociedade e a minha profissão, porque sei que tem ovelhas negras.

Quero nomes, já! Senão os denunciar será conivente com os prevaricadores e deixarei de lhe prestar qualquer atenção!

Vale tanto como esses meus colegas que emporcalham a profissão.

Faça como eu, denuncie. Até o pode fazer anonimamente, mas por favor denuncie quem rouba o erário público, senão será apenas mais um conivente ou então faz como eles: dá explicações aos seus alunos, dá aulas em vários locais públicos e privados, etc, etc.

QUERO NOMES!

Sobre Os Chorudos Salários

A perspectiva de um leitor:

"Caros Senhores,

Creio ser necessário aqui esclarecer os senhores sobre o Fantasma que parecem ser os salários dos quadros superiores.

- Um engenheiro civil empregado ganha em média 3000 euros por mês, mais prémios. E refiro-me aos não pertencentes a empresas de topo.Temos obviamente que negligenciar os que trabalham para as câmaras municipais, que esse sim auferem o ordenado de um funcionário público regular (não considerando so cargos nas empresas públicas criadas pelas câmaras municipais).

- Os bancário podem auferir desde 700 euros por mês a 5000 (estou a falar de funcionários e não de gestores administrativos), por trabalhar das 8h30 até as 16h30, com direito a um dos melhores sistemas de saúde (SAMS e SAMS-quadros) e prémios anuais que podem ser astronómicos. Escusado será dizer que recebem 15 meses e complementos afins...

- Um arquitecto normalmente cobra pela percentagem da obra a efectuar. No caso da casa da Música do porto, por exemplo~(custo 100.000.000 de euros) se auferir de 1 a 5% do valor da obra, imaginem só o plano de reforma a que não terá direito o arquitecto Rem Koolhas.
Cito o exemplo também do projecto de arquitectura da centro Materno Infantil do Norte, projecto votado ao abandono, que custou 3.000.000 de euros para o gabinete do arquitecto responsável!! Dinheiro literalmente, para o lixo...
Ou para os bolsos dos arquitectos...

- Os artistas e profissionais por conta própria (canalizadores, pintores, carpinteiros, etc...) auferem o que muito bem entenderem, e, acreditem que pode ser mais que o primeiro-ministro, pois só são obrigados a declarar o rendimento mínimo.
Cito o caso do nosso caro Manuel Damásio, ex-presidente do Sport Lisboa e Benfica, que declarava 70 contos/mês e viajava para o estadio da Luz de helicóptero, e tinha os filhos em dois dos colégios internos mais caros de Lisboa...

- os advogados, será melhor nem comentar...Mas se estiveram atentos as noticias do caso vale e Azevedo recordar-se-ao que declarava para impostos cerca de 350.000 contos/ano...E estes eram os valores que DECLARAVA!!!

- Os construtores civis, podem ganhar cerca de 20000 a 50000 euros por apartamento vendido nas construções edificadas, e supondo que vendem no mínimo 10 por ano, façam as contas e tentem perceber a quantia implicada...

Para concluir, acredito que as pessoas que se preocupam com estas questões dos salários indevidos na profissão médica devem questionar o seguinte:

Será que os Gestores de grandes Unidades, que gerem milhões de euros por ano e as vidas profissionais de mil ou mais funcionários estão a realizar um bom trabalho e a poupar milhões de euros com a sua boa gestão ao erário público? Ou será que estão a ser pagos para nada?

Antes de questionar os seus salários devem levantar estas questões, porque, BONS há poucos, e se eles fazem falta, temos de lhes pagar...Não interessa credo, cor ou simpatia futebolística...interessa que façam um bom trabalho!!! E os locais onde há muito para trabalhar é na saúde...Há muito para poupar e optimizar, e para isso são necessários BONS gestores....e os BONS pagam-se...

Deixo também uma ideia, em portugal, no ano de 2004 obtiveram-se 50 patentes em Portugal, contra 76000 nos EUA!!! Sr. Raul , ja que é professor, coleccione os seus alunos mais brilhantes, incentive-os a produzir algo de novo e inovador que renda bom dinheiro, e faça-se rico, para fazer algo mais além de criticar sobre o que não sabe!!
"

quarta-feira, novembro 02, 2005

Só Para Contrariar

Alguém que não existe devido à sua tacanhez de espírito afirmou recentemente num comentário neste blogue: "O facto dos médicos ser considerada uma classe "corporativista", corrompida pelo dinheiro, mal-educada, prepotente, não nasceu ontem, vem sendo constatado pela população!! Agora a questão é... não podemos colocar todos dentro do mesmo saco, eu sei, mas..."

A Constituição dá-lhe o pleno direito de se exprimir com essa ou com qualquer outra opinião. Embora, por vezes, penso como pode alguém que se afirma professor universitário fazer algumas afirmações sem uma ponta de rigor. Mas enfim, que dizer: nada!

Mas... (como ele termina), parece que a população assim não pensa, pois segundo o barómetro da TSF, apesar de toda a parafernália de notícias sensacionalistas e descabidas:

"Políticos no fundo, médicos no topo"

"No topo das preferências estão os médicos que recolhem opiniões positivas de 67,8 por cento dos portugueses, seguidos de perto por jornalistas e professores."

Nós cá vamos fazendo a nossa vidinha, trabalhando para o bem público, em deficientes condições, e não somos nem queremos ser diferentes. Falo por mim!

Sei o que encontro no seio da minha profissão, como no seio de qualquer outra: há de tudo!

terça-feira, novembro 01, 2005

Pum! Mais Um Tiro Na Demagogia

Segundo o Correio da Manhã e todos os seus afiliados (TVI, Expresso, 24 Horas, etc, "no Porto, Ensaio de remédio mata mulher" prosseguindo: "Um novo medicamento contra a artrite reumatóide terá sido fatal para uma mulher que se disponibilizou a testá-lo."

Depois cada órgão de comunicação tece os seus comentários e avisa os seus leitores de inúmeros processos levantados do chão, parece que num deles a família ia processar o Mundo.

Mas o que me custou nesta notícia, foi ninguém ter averiguado em que condições se efectuou essa disponibilização.

Terá sido gratuita?

Há profissionais mais indicados para me esclarecer, por exemplo, o nosso boticário poveiro, mas, segundo me parece esta disponibilização de doentes para testar novos medicamentos ou medicamentos já na fase X, não é gratuita.

Obedece a pagamentos mensais e outras regalias e a contratos escritos entre as partes. E tudo isso, pelos grandes riscos que se correm, assim como benefícios, caso o medicamento seja mesmo um êxito.

sexta-feira, outubro 28, 2005

Uma Resposta Irritada

Exactamente caro anónimo, todos esses parasitas que o jornal CM denuncia não são médicos, são gajos como você, licenciados em geral que da saúde e dos médicos só se aproveitam para ganhar essas verbas absurdas enquanto os médicos trabalham no duro.
A saúde está muito parasitada por não-médicos, mas vocês os anti-médicos primários vêm nos médicos tudo o que de mal há na sociedade.

Pois eu continuo agradecido àqueles médicos (que nem os conheço) que numa noite de sexta-feira fizeram durante toda a noite três by-pass e uma angioplastia, a um coração que teimava em parar de vez, assim como agradeço a uma médica que decidiu transportar na sua viatura às 9 da noite com o seu marido também médico ao volante, aquele paciente, apenas porque chamar uma ambulância do hospital privado (com nome afirmado na praça) para um hospital com cardiologia de intervenção demorava o tempo suficiente para que não fossem necessários by-pass mas apenas um funeral.
Esses são os heróis de que fala O Vilacondense e de que não fala o Correio da Manhã nem a comunicação social portuguesa...

Estou numa sessão científia, (este paguei-o!), mas todos os oradores se referiram (sem o assunto estar ligado à comunicação social) aos malefícios dos media em pequenos "apartes" durante as suas intervenções.

Como disse um prelector, para a comunicação social, "uma má notícia, é sempre uma boa notícia, e uma boa notícia, nem notícia é..."

terça-feira, outubro 25, 2005

Conceição Lino E A Ignorância

Tão mal preparadinha que a CL está para debater a gripe das aves!

sábado, outubro 22, 2005

Benditas Horas Extraordinárias...

... que pagaram a quem (médicos, enfermeiros e auxiliares) durante a noite, enquanto outros se preparavam para mais um lúdico fim-de-semana, abdicou para estar de plantão.
A quem teve este coração entre mãos.



Não este que é um coração saudável.






Mas este entupido por anos de tabaco




E que fizeram isto durante a noite.










Mas a situação permanece muito complicada!

Terminou.

Inicia-se

Bloco Preparado

A dor continua desaparecida.

A Medicina parece estar a derrotar o destino.

A Philip Morris USA vai perder esta batalha.

Aguardo.

A Equipe Reune-se E Decide: É Já A Seguir

Consentimento informado.

Agora a cirurgia é a sério.
O coração vai estar nas mãos de alguém.
A equipa prepara-se.
O chefe tem a última palavra.

O Enfarte Está Ali

O cateterismo confirma:
- situação vascular muito mais grave que a clínica.
- enfarte do miocárdio provocado pela oclusão de uma coronária, que é desobstruída.
- mais duas importantes que necessitam de tratamento cirúrgico.

A dor finalmente desapareceu.

É necessário iniciarem-se os procedimentos urgentes para a cirurgia revascularizadora por by-pass.

Entra No Bloco

Os terminais móveis permitem uma troca de palavras à entrada para o bloco.
Maldita dor.
A dor continua a apertar.

Dá Entrada No Hospital

A equipa de cardiologia de intervenção está 24 horas de serviço.

Decidido: cateterismo

Transferência imediata para o Hospital B do Serviço Nacional de Saúde para intervir.

Médicos Têm Que Decidir Rapidamente

A sintomatologia não corresponde aos resultados das análises.
É preciso agir!
É uma vida que está ali!
É preciso decidir!
A família descansa. Não há respostas concretas. Os exames estão bons.
A massa cinzenta dos médicos trabalha.
Os médicos são desconfiados por natureza.
Há só um factor de risco: tabagismo.

A dor continua.

sexta-feira, outubro 21, 2005

Fica Em Observação

Na Unidade de Cuidados Intensivos. A dor mantem-se a apertar.
Sou avisado.

Dá Entrada no Hospital A Privado

Enzimologia negativa. Electrocardiograma duvidoso. A dor forte mantem-se.

A Dor Forte No Peito Continua

Telefona ao médico

Vai à Farmácia

tentar aviar analgésicos....

A Dor Começou

Estava a fazer um esforço inabitual.
Sentiu uma forte dor no peito.

quinta-feira, outubro 20, 2005

A Gripe Louca Das Aves

A pandemia de uma infecção com origem no virus H5N1 é uma situação com um grau de previsibilidade alto. Ponto assente.

Mas...

No Google pesquisando páginas portuguesas com a frase "Gripe das Aves" encontramos 106 000 entradas.

Pesquisando "prevenção cardiovascular" encontramos apenas 206 páginas.

Esclarecedor!

quarta-feira, outubro 19, 2005

A Iliteracia Leva A Coisas Destas

"eBay proíbe venda de Tamiflu em leilão
O site de leilões na Internet eBay retirou de venda o medicamento antiviral Tamiflu, tido como eficaz no caso de pandemia de gripe humana com origem na gripe das aves, depois de os preços terem chegado aos 144 euros - numa altura em que aumenta o medo em torno da expansão da doença.
Um porta-voz do eBay disse que o leilão tinha sido interrompido porque a venda de medicamentos sujeitos a receita médica não é permitida no site, de acordo com as regras da empresa, refere a Reuters.
A venda de Tamiflu na Internet tem aumentado, especialmente depois da confirmação de casos de gripe das aves na Turquia, na Roménia e na Grécia. As licitações para um único ciclo de tratamento (que inclui dez cápsulas) atingiram as 151 euros na terça-feira, antes de o leilão ter sido interrompido."

O Tamiflu ® (oseltamivir) apenas diminui a replicação viral, encurtando a doença e diminuindo, eventualmente, a sua virulência.
Não é como um antibiótico que mata as bactérias.
E a Roche julgo que não tem acções...

Anda Tudo Doido Com A Gripe Das Aves

Sem necessidade.
Todos querem comprar medicamentos.

A Roche, com a ajuda da comunicação social, é uma verdadeira vencedora deste jogo.

E não há medicamentos específicos para o próximo futuro virus influenza.

O melhor será sempre a prevenção.

segunda-feira, outubro 17, 2005

Para Reflectir

"Promotion of disease and corrosion of medicine

Iona Heath, MA, BCHIR, MRCP, FRCGP

Three intertwined and mutually reinforcing trends—the medicalization of life, the industrialization of health care, and the politicization of medicine—are actively promoting disease and fear of disease, while at the same time corroding the theory and practice of medicine. The discipline of general practice is well positioned to resist these trends and secure a better future."


O artigo inteiro aqui.

sábado, outubro 15, 2005

Brejeirice, Para Aumentar As Audiências* I

Do blogue Autárquicas em Cartazes: Eis Carolina Amélia.



Segundo um comentário esta jovem candidata é presidente da Junta de Freguesia há 17 anos.

Segundo o STAPE voltou a ganhar com maioria absoluta! (58,20%).

É obra da natureza!
"Debaixo dos vossos tectos estará sempre o meu afecto"






* Parafraseando o FJV no blogue Origem das Espécies.

É Uma Família Portuguesa


Comentários para quê?

"Maria José e Manuel (na imagem, sentado), pais de Rui Gonçalves, já não estão casados, mas mantêm-se unidos pela dor da perda do filho. A eles junta-se José Sim Sim, actual marido de Maria José, também inconformado com o resultado do processo" (legenda do Correio da Manhã)

Dizem os jornalistas:

Sei que não me podem devolver o meu filho, mas pelo menos que se faça justiça.” A Procuradoria da Justiça, não é Justiça?

"O olhar volta a cair sobre as 13 páginas do despacho de arquivamento, onde relê, pela enésima vez, os dados referentes à morte do filho."

Não acredito que esta senhora tenha lido as 13 páginas, nem uma vez, quanto mais, pela enésima vez!

sexta-feira, outubro 14, 2005

Ser Médico É Fodido ...

Como te compreendo Besugo.

E a Lolita não consegue compreender-nos, nem ao nosso mundo.

Recebo esse abraço e retribuo com outro.

E aconselho a leitura imediata desta "lucubração" do besugo no blogame mucho.

Nota: se fui brejeiro mais abaixo, neste sou cavernáculo, conscientemente.
Há dias assim...

A Mensagem Escondida E A Brejeirice Assumida

Não é "uma estupidez formidável" [os comentários ao post anterior] como diz o senhor dr Boldão.

Será que o senhor não conseguiu atingir a profundidade da mensagem?
Quer que lhe explique?

À parte a brejeirice, como referiu a T., acertadamente.

(Mas o toque brejeiro, foi só para descontrair.
Nunca numa consulta proporia qualquer coisa semelhante.
Ás vezes são as doentes que nos telefonam. O nome do médico está na vinheta e é fácil a identificação. E vai daí ...)

Vai emigrar para post.)

terça-feira, outubro 11, 2005

Óbcesso

Ainda antes de me falar do óbcesso nos dentes, teve tempo para dizer (sem ninguém perguntar!) que era licenciada (não digo onde, para não iniciar outra guerra) e que ia agora "tirar o mestrado".

E se eu lhe pedisse para escrever, como seria?

Óbsséçu? Talvez...

Os doentes eram muitos e não havia tempo, mas diverti-me... e também era gira.
Sim, era gira.

Se não fosse o óbcesso até a poderia convidar para jantar...

segunda-feira, outubro 10, 2005

Censura?

Três médicos condenados por negligência.
Erraram ou foram negligentes?
Não compreendi a notícia de nenhum jornal.
Mas no meu entender foram bem condenados, porque provocaram danos físicos desnecessários.

Mas compreendi, que um jornal disse mais qualquer coisinha que os outros. Foi um jornal regional. Depois de descrever os factos, transcreveu parte da sentença, afirmando:

"Na leitura da sentença, o juiz sublinhou que nunca esteve em causa o estabelecimento de um nexo de causalidade entre a terapêutica a que a doente foi sujeita e a sua morte - razão pela qual os clínicos não foram acusados de homicídio -e considerou importante que haja uma “mudança de atitudes” nos doentes e nos médicos. Sugeriu mesmo a criação de um seguro que possa cobrir erros clínicos não muito graves para evitar a “política de secretismo” na classe médica, por um lado, e, por outro, que os doentes pensem de “quando qualquer coisa corre mal a culpa é sempre do médico”.

O Diário de Notícias, preferiu omitir a parte que diz respeito aos doentes e apenas escreveu:

"O juiz considerou ser necessária uma mudança de atitude por parte dos médicos em geral, pois "em nenhuma actividade da vida se está ausente de crítica e ausente de erro". "Se houvesse um seguro, os médicos sentir-se-iam mais protegidos por falhas menores e não haveria tanto secretismo em meio hospitalar. Temos aqui médicos de prestígio e não é por errarem que vão deixar de ter prestígio", disse."

O Público (o chamado jornal de referência!) censurou pura e simplesmente todas estas passagens!

O Correio da Manhã mete os pés pelas mãos e publica apenas as afirmações negativas do juíz.

O Jornal de Notícias, de 07/10/05 seguiu os passos do Público: nada, rien, niente, nothing about the judge!


O jornal regional é "As Beiras" e a jornalista Tânia Moita

sexta-feira, outubro 07, 2005

A Voz Dos Enfermeiros

"Também poderemos catalogar os médicos em duas classes genéricas, das quais podem derivar n sub-classes não tão extremas.
1º Aqueles que sabem muito sobre a sua especialidade, mas que ignoram todas as outras, incluindo noções básicas de psicologia e trabalho em equipa. São profissionais altamente especializados, que encontram as soluções exclusivamente em resultados analíticos e outros exames, ignorando na maioria das vezes os comentários dos profissionais que passam 24 horas com os doentes e, ainda mais grave, ignorando as tentativas de comunicação por parte do doente, a quem não reconhecem nem o direito a ter opinião.
Para estes, a equipa de saúde é o médico. todos os outros existem para desempenhar tarefas, incluindo o próprio doente.
2º Aqueles que têm um espírito mais aberto, profundos conhecedores da sua área mas que entendem o indivíduo como sendo muito mais abrangente e complexo que a simples soma de órgãos que se podem avariar e arranjar. Estes reconhecem o valor do seu lugar, no seio de uma equipa multidisciplinar onde os outros profissionais têm uma palavra a dar e onde o doente é a primeira fonte de informação.

# posted by alguem que conhece a saúde por dentro
"

"Enquanto enfermeiro, licenciado e não há muitos anos, lamento que de facto hajam tantos profissionais de enfermagem incultos e sem capacidade de saber estar numa equipa multi-disciplinar (da qual não fazem parte só o médico e o enfermeiro). Porém, lamento muito mais que os hajam aqueles que não sabem estar na sua própria profissão e que desconhecem a sua ciência e a sua deontologia por completo. A Enfermagem não contempla fazer diagnósticos médicos ou prescrever fármacos. Contempla, isso sim, fazer diagnósticos de Enfermagem (ex. Risco de Infecção por Catéter) e prescrever Intervenções de Enfermagem (ex. Vigiar sinais de Infecção no local do Catéter). Enquanto colega de enfermeiros de várias gerações, considero que poucos sabem o que podem/devem fazer e que ainda menos reconhecem o seu potencial terapêutico, que é vasto.
Para concluir, um pedido: Não tenham pena dos enfermeiros, não os defendam como se de uns coitados se tratassem. Existem instituições próprias para isso.
Cumprimentos ao MEMAI e desculpem a extensão do texto.

# posted by Rui
"

quarta-feira, outubro 05, 2005

Há Anos Que Lhe Dizia

- Olha que o colesterol mesmo com valores quase normais pode obstruir as artérias!

- Olha que o teu passado de abuso do álcool, requer actualmente mais cuidado !

- Olha que o excesso de tabaco, mais o álcool e o colesterol, podem ser prejudiciais!

- Há dias, entre duas cervejas diz-me: "Ontem senti uma forte dor no peito, como nunca tinha sentido!"

- Não há discussão. Amanhã uma prova de esforço, já!

- Prova feita. Conclusão: positiva para isquémia coronária grave!

- Não há discussão. Amanhã cateterismo, já!

- Cateterismo efectuado. Confirmação óbvia: duas coronárias com obstrução acima dos 90%!

- Não há discussão, amanhã angioplastia, já!

- Oito dias depois, novamente entre duas cervejas, já com dois stents colocados e com a "canalização" desobstruída, conversámos sobre aquilo que hoje se faz em 8 dias e há bem pouco tempo demorava meses, pressupunha internamentos prolongados, intervenções delicadas: a isto chama-se Cardiologia de Intervenção. A isto chama-se evolução da Ciência.

- Acredito na Ciência e na Medicina e principalmente na massa cinzenta dos humanos. Por mais que os media difundam conceitos medievais da medicina.

Sim, cara Mónica, são horas absurdas aquelas que perco a ler e ouvir em horários nobres coisas absurdas sobre médicos, medicina e uma coisa normalíssima nos humanos: errar.

Quem nos faz deuses, são pessoas como você que querem fazer crer ao povo que um médico não pode errar, porque é médico. Só por isso.
Querem fazer crer que os médicos não são pessoas comuns e vulgares, que não erram, que não fazem falcatruas de colarinho branco ou preto, que não têm problemas económicos, que não têm prestações a pagar, que são assexuados e parafraseando o besugo, que não têm, até, tesão. Conheço médicos bem entesoados, outros sem, alcoólicos e abstémios, que bebem as cervejas e fumam os charutos do FJV e outros fundamentalistas em tudo. Conheço anarcas e fascistas. Que se irritam quando o seu clube perde, hooligans e santinhos. Crentes e descrentes.
Vernaculamente, uns são filhos da puta, outros uns gajos porreiros.

Eu ando por aí, perdido.

Há médicos como você: Chatos! Irritantes! Superiores! Mas com qualidade. Outros não.

Nota: e parabéns aos laureados com o prémio Nobel da Medicina, talvez um reconhecimento com uns anos de atraso.

terça-feira, outubro 04, 2005

Como Já Esperava ... (E Não Esquecer a Rupatadina!)

... o sr dr Raúl Boldão, físico teórico, não conseguiu explicar cientificamente (porque como físico deve basear toda a sua actividade na Ciência) qual o motivo pelo qual um enfermeiro, com o seu conteúdo funcional e formação própria, deve ter preferência na partilha do "poder" com um médico, também este com o seu perfil próprio e formação específica.
Limitou-se a plasmar o que habitualmente lê nos jornais e ainda por cima, mal.

Mas paciência.

Este blogue de facto existe para tentar elucidar indivíduos como o senhor, licenciados, intelectuais, que queiram elucidar-se sobre alguns aspectos da ciência médica. Agora, sr dr Boldão, o senhor está a anos-luz da realidade do seu país.

Quanto aos enfermeiros, divido-os em três categorias académico-sociais:

1) enfermeiros com o ensino básico até ao antigo 5º ano: são enfermeiros que foram aprendendo toda a sua prática com médicos aos quais se ligaram por laços profissionais e afectiovs. São boas pessoas, sociáveis, limitados na ciência e com bastantes dificuldades na língua portuguesa. Assumem a sua profissão apenas na vertente técnica.

2) enfermeiros com o 12º anos de escolaridade: são enfermeiros que após uns anos de aprendizagem nas antigas Escolas de Enfermagem atingiram o grau académico de bacharel. Foi uma aquisição de conhecimentos fundamentalmente teórico, com pouca prática. São os enfermeiros que mais questionam os médicos. Frustrados por eles próprios se sentirem secundários no sistema. A sua maior felicidade é, empiricamente, "acertar diagnósticos", prescrever como os médicos. Geralmente são infelizes, não assumem a essência da sua profissão, pouco sociáveis com os restantes membros das equipas das instituições, vivem em grupos fechados, menos limitados na compreensão da ciência médica e ainda com algumas dificuldades na língua portuguesa. Utilizam a sua profissão como promoção e reconhecimento social, que na realidade a profissão de enfermagem tem.

3) enfermeiros com o grau académico de licenciatura: (não confundir com enfermeiros com cursos posteriores de complemento) são enfermeiros licenciados, alguns possuem mais do que um curso superior (psicologia, sociologia, gestão, economia, assistentes sociais, etc). Diferem do grupo anterior por serem mais cultos, sociáveis, assumem a diferença entre médicos e enfermeiros,não vivem com a obcessão de diagnosticar ou medicar. Assumem a sua formação científica com abrangência suficiente e diversificada para não se restringirem ao mero "acto médico". Ser enfermeiro para estes jovens é, para além de actividades técnicas e de cabeceira, utilizar os conhecimentos adquiridos para gerir, promover, divulgar, organizar, trabalhando em equipa multidisciplinar com autonomia reconhecida pelos outro elementos e não imposta administrativamente.

Nota: há obviamente excepções a estas definições.

Fico Tonto Com Tantos Comentários!

"... Era bom, descentralizar o poder médico e dividi-lo com os enfermeiros por exemplo, esses sim, competentes e cumpridores, pelo que vejo nos hospitais. São uma classe muita experiente, com conhecimentos, humanos, inteligente e não consumem (?) dinheiro inútil ao SNS. A ex-ministra da saúde Leonor Beleza, bem sabia o valor dos enfermeiros, mas os médicos rapidamente trataram de a correr do ministério! Mas também não digo que seja todos bonzinhos, mas ao menos valem o dinheiro que levam... deviam levar muito mais!!! "

Gostava que o sr Raúl R Boldão [anonymous-comment@blogger.com] me explicasse cientificamente este comentário.

P.S. Não quero iniciar qualque guerra com os enfermeiros, pelos quais tenho elevada estima, especialmente pelos licenciados, pois trazem uma visão da enfermagem diferente e que foge à antagónica dicotomia médico-enfermeiro.

sexta-feira, setembro 30, 2005

Rupatadina: um escândalo político? Um caso de polícia? Um caso de "laxismo"?

A rupatadina é a substância química de um fármaco à venda em Portugal.
A investigação é para os jornalistas...

segunda-feira, setembro 26, 2005

Rupatadina: um escândalo!

Senhores jornalistas, eis uma boa investigação de âmbito nacional...

sábado, setembro 24, 2005

Uma Resposta II

Questiona o colega o título do blog. Não é o primeiro. Mas é o primeiro médico a fazê-lo.

De certeza que concorda comigo: a iliteracia científica nas outras profissões intelectuais, em muitos casos é escandalosa. Há juízes, jornalistas, escritores, advogados e muitas outras profissões cuja cultura geral sobre a Ciência e em particular sobre a medicina ultrapassa negativamente todas as barreiras.

Por outro lado há médicos que são excelentes escritores, linguistas, artistas, que "aguentam" tertúlias com especialistas das áreas das Letras e das Artes. Infelizmente o inverso não é verdade.

Isto para clarificar duas minhas afirmações. (Que aliás ao longo dos dois anos de actividade do blog, várias vezes referi. É só ir pesquisar no arquivo.)

A primeira: o título.

Eu não quero ter a presunção de ensinar nada a ninguém. Mas julgo ter a obrigação como especialista de uma área das Ciências em explicar dúvidas que alguém possa ter.
E o colega acredite, que alguns jornalistas me escrevem! Assim como outros me odeiam...

A segunda: o facto de me considerar um não-intelectual.

Não tenho dúvidas de que a profissão médica é uma profissão intelectual. Apenas quero transmitir que não sou intelectual das Letras & Artes, não tenho capacidade para discutir literatura, linguística, arte e por aí fora.

Sou médico. Escrevo e falo do que sei. Do que aprendi e do que vou aprendendo.

Tento corrigir o que está errado de acordo com o actual estadio do desenvolvimento da Ciência.

Mas sei que não detemos a verdade absoluto...

Uma Resposta

Caro Colega

No meu tempo não havia "nota de acesso" entendida como hoje.

Fiz o velhinho exame de aptidão a Medicina e entrei com mérito.

Quanto à qualidade dos blogs, concordo consigo e inclusivamente com a sua apreciação sobre este. Já não é o que era! No início dedicava-me a escrever activamente. Agora, após algumas tentativas falhadas para desistir, escrever é quase uma obrigação...
Pois como sabe a vida de médico tem poucos momentos de lazer “absoluto” …

E sempre disse neste blog que não era intelectual…

(Nota: esta resposta será também publicada como post.)

quarta-feira, setembro 21, 2005

Horas Extraordinárias

Na fábrica ao lado do meu local de trabalho, também se fazem horas extraordinárias quando as ordinárias não chegam e depois de o seu dono colmatar as necessidades de produção com o recurso a pessoal indiferenciado que vai encontrando por aí.

No meu local de trabalho, quando as horas ordinárias não chegam, por mais que se vá à rua pedir ajuda para colmatar as falhas, não se encontra pessoal preparado. Há sempre a hipótese de se contratarem os praticantes das ditas medicias alernativas, mas não sei porquê, essas medicinas não servem para serviços de urgência.

Só mesmo médicos é que praticam medicina!

Para melhor esclarecimento de quem me lê, a explicação do porquê das horas extraordinárias neste comunicado de um sindicato.

O SIM explica umas coisas...


"SIM - Sindicato Independente dos Médicos
Jornal Virtual do SIM

MINISTRO REINCIDENTE

O Senhor Ministro da Saúde reincide na crítica às horas extraordinárias dos médicos e à sua eventual ilicitude. Desta vez plasmou a sua populista opinião no Jornal Expresso de dia 17 de Setembro, sempre com a mesma finalidade: criar na opinião pública a certeza de os médicos estarem bem pagos e irregularmente. Com a esperança, certamente pouco humilde, que o Senhor Ministro leia o nosso jornal virtual, mas sem esperança que aborde publicamente esta situação com verdade, o Sindicato Independente dos Médicos explica a situação ao Senhor Ministro:

1)Os Conselhos de Administração dos Hospitais são nomeados por V. Exa.

2)Os Directores Clínicos são nomeados por V. Exa.

3)Os Serviços de Urgência são mantidos por V. Exa., mesmo para além do racional

4)Os Médicos não têm problemas em defender tecnicamente o encerramento de Urgências, mesmo contra a opinião dos autarcas. E V. Exa?

5)Os Médicos fazem as horas extraordinárias que lhes mandam fazer e, por incrível que pareça, são obrigatórias

6)Se os Médicos não fizessem horas extraordinárias os portugueses morriam sem assistência nas Urgências

7)Se os Médicos não fizessem horas extraordinárias, em montantes para além do terço do seu vencimento, as Urgências encerravam e os Internamentos ficavam sem assistência médica

8)Como V. Exa. bem sabe, a Saúde está, legal e obviamente, excluída da regra de não exceder um terço da remuneração base em Urgência, dado o interesse público

9)Os Médicos não controlam o numerus clausus das Faculdades de Medicina e assistem incrédulos à exportação de estudantes de Medicina e à importação de Médicos sem qualificação

10)Os Médicos não partilham responsabilidade com V. Exa. no risco acrescido de horas extraordinárias em Urgência


20 de Setembro de 2005"

sábado, setembro 17, 2005

Não Há Antídoto Que Resista

Uma jornalista aplicava o termo "antídoto" à vacina da gripe. E várias vezes. Num horário nobre, numa televisão primeira.
Não descortino antídoto para esta iliteracia científica instalada nos meios jornalísticos, nem vacina para a prevenir!

Uma jornalista da SIC-Notícias, apresentando um trabalho que realizou sobre depressão na adolescência (trabalho interessante, sem dúvida!) quando entrevistada para falar sobre a sua reportagem, fez uma palestra sobre depressão, generalizando conceitos, confundindo os telespectadores, quando deveria dissertar sobre a reportagem, as suas dificuldades, a ética de falar com doentes, os prós e os contras da publicidade ao suicídio, etc. Para falar sobre a doença, contratavam um médico.
Um jornalista é um jornalista, percebe de jornalismo, um médico é um médico, embora muitos queiram que não o seja.

Poça (para não ser mais agressivo). Não sei que fazer!

domingo, setembro 04, 2005

Hellas

Estou num evento cientifico europeu, na Grecia.

Com apoio da industria farmaceutica, confesso.

Mas com inscricoes a 700 euros, qual o medico portugues que se pode deslocar individualmente pagando do seu ordenado a inscricao, a viagem e a estadia?

quarta-feira, agosto 31, 2005

Ureter vs Uréter

Uréter - Cândido de Figueiredo e Lello (edições antigas), Academia das Ciências.

Ureter - Academia das Ciências.

Google (páginas de Portugal)

Ureter - 124 citações.
Uréter - 35 citações.

Portanto a dúvida fica. Mas não fica a pressão do jornal e do jornalista na influência exercida junto do marido da doente para apresentar queixa, já se sabe, por negligência.

Ao ler a notícia, independentemente de faltas menores e não querendo estar a defender os "barões da medicina" ou quaisquer outros "barões, mesmo do jornalismo, que também os há", o que aconteceu foi uma complicação previsível da cirurgia e entre uma morte escusada por choque hemorrágico ou a laqueação errada do ureter, prefiro a segunda.

Isto não invalida que a paciente não seja indemnizada pela instituição.

Os seguros existem para isso...

terça-feira, agosto 30, 2005

O Caso do Ureter Laqueado

Segundo o Correio da Manhã, n' O Caso do Ureter Laqueado esta "Paciente pondera queixa" (sic) já há algumas edições atrás.

Pressuponho que o jornalista ganhe por notícias enviadas para o Correio da Manhã e nesse caso a ponderação sempre tráz uns cobrezitos a mais.

Mas ainda ninguém explicou ao senhor jornalista que se escreve ureter e não uréter com acento?

segunda-feira, agosto 29, 2005

Eu Quero Descansar, Mas A Iolanda Não Deixa

No Correio da Manhã de hoje esta notável peça jornalística assinada por Iolanda Vilar sobre

"O Nódulo Gigante do Testículo do Senhor"
(título meu)

Em negrito os pontos que entendo como manipuladores das consciências de quem lê a notícia.

"Saúde: doente desespera por operação há seis meses
Ignorado pelos médicos
[título da Iolanda]

O doente de Armamar já não sabe o que mais há-de fazer para ver concretizada a operação cirúrgica

Um doente de Armamar espera há seis meses por uma intervenção cirúrgica a um nódulo num testículo. O Hospital de Viseu diz que faz a operação se receber informação da urgência do caso do médico de família. Este, por seu turno, afirma que há situações mais urgentes e o paciente já não sabe como ultrapassar a situação.


José Jesus Silva, de 58 anos, natural de S. Cosmado, tem visto agravar-se o seu estado de saúde e teme perder as forças para trabalhar, antes que o problema seja resolvido, “através de uma cirurgia simples.”

“Mal consigo trabalhar e desespero de noite para poder dormir ou até sentar-me à mesa para comer”, lamenta o doente, serralheiro de profissão, a quem o médico de família diagnosticou um pequeno nódulo no testículo esquerdo e elaborou uma primeira carta enviada ao Hospital de Viseu, dando conhecimento do caso, e que até agora não obteve qualquer resposta.

“Na última visita ao Centro de Saúde, o médico diagnosticou-me também uma infecção nos rins e outros problemas, que me impedem de exercer o meu trabalho”, conta José Jesus Silva, que despende por mês mais de 100 euros em medicação. “Como não tenho dinheiro para pagar uma cirurgia privada, sou obrigado a esperar meses e meses para acabar com este sofrimento”, diz, lamentando o facto de “descontar muitas dezenas de euros para a Segurança Social e quando é preciso não ser atendido de forma eficaz”.

O director clínico do Hospital de S. Teotónio, em Viseu, Cílio Correia, considera “infundadas” as críticas deste paciente e explica que o médico de família tem duas vias para resolver o problema do doente: “Não se pode descartar do problema e esperar simplesmente que o paciente seja chamado para cirurgia. Caso haja agravamento do estado de saúde, deverá renovar o pedido de consulta ou cirurgia, referindo o seu carácter de urgência, de modo a ser atendido no Serviço de Urgência deste hospital. Ou faz um contacto telefónico ou por carta com o Director de Urologia ou o médico de serviço, solicitando uma observação urgente”.

Mas, o médico de família considera que “estas não são as vias mais correctas para resolver a questão”, referindo que “caso solicitasse por essas vias uma observação ou cirurgia, estaria a ultrapassar pacientes com problemas oncológicos, que obviamente têm prioridade.”

FALTAM UROLOGISTAS

No contexto actual, as situações com carácter oncológico têm prioridade e o seu atendimento depende da avaliação de um conjunto de patologias e características do doente, explica o director clínico do Hospital de Viseu.

Segundo Cílio Correia, actualmente o Hospital de S. Teotónio presta cuidados de Urologia a meio milhão de pessoas e dispõe de quatro urologistas, um número considerado “insuficiente para dar resposta a todas as patologias”.

A partir de Setembro, garantiu, o Sistema Integrado de Gestão Nacional vai permitir alertar os doentes colocados em lista de espera cirúrgica, quando atinjam 75 por cento de um ano do prazo. “Nessa altura será avaliada a condição de saúde do paciente e a necessidade de transferi-lo para outro hospital”.


Nota do Explicador: se algo se pode depreender da leitura desta história é que não há razão para a frase "Ignorado pelos médicos".

Resta-me uma dúvida, a senhora jornalista viu e palpou o nódulo?

terça-feira, julho 26, 2005

Sobre O Humanismo Dos Médicos

Alguma palavra sobre os médicos? Não! Ninguém os está a acusar de nada.

Caso - Ucraniano teve alta em 2001 e só agora voltou a casa
Carlos Barroso

Internamento terá custado um milhão de euros
Um cidadão ucraniano sem recursos económicos que estava há cinco anos internado no hospital de Caldas da Rainha, apesar de ter tido alta clínica em 2001, regressou finalmente ao seu país. O hospital pagou as despesas que o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e a Embaixada da Ucrânia sempre recusaram assumir.


O caso só foi desbloqueado no dia 4 deste mês, quando o Centro Hospitalar de Caldas da Rainha (CHCR) pagou o bilhete de avião do imigrante, que foi acompanhado por um enfermeiro, pois está imobilizado do pescoço para baixo.

A viagem revestiu-se de um transporte especial, ocupando vários lugares e implicando o isolamento dos restantes passageiros. Daí o tarifário elevado: mais de cinco mil euros.

A administradora do CHCR, Maria do Rosário, revelou que o ressarcimento vai ser pedido ao SEF. “As despesas necessárias ao abandono do País que não possam ser suportadas pelo estrangeiro deverão ser suportadas pelo Estado, inscritas no orçamento do SEF”, argumentou.

A administradora estima que os cinco anos de internamento terão custado ao Estado perto de um milhão de euros. E foi menos uma cama no serviço de medicina física e reabilitação, com apenas 12 camas. “Foi um autêntico processo de hotelaria”, criticou.

Vitaliy Kulik, de 31 anos, tinha autorização de permanência em Portugal e foi encontrado caído na EN 360, em Junho de 2001. Terá sido atropelado. Entrou em coma com lesões graves a nível crânio-encefálico.

Seis meses depois, em estado vegetativo, recebeu alta do CHCR, pois o corpo clínico entendeu que não havia recuperação possível, devendo o doente ser entregue à família. Só agora regressa a casa
.

Começo a pensar que estou com a "mania da perseguição"...

domingo, julho 24, 2005

A Manipulação Sobre Médicos Já Chegou Ao Público

Carta de um médico:


"Em Março/Abril do ano corrente fui contactado telefonicamente por uma jornalista desse jornal que pretendia saber algumas informações técnico-científicas sobre uma intervenção cirúrgica obstétrico-ginecológica - a "curetagem uterina".

A referida jornalista colocou-me várias questões, tais como "de que intervenção em concreto se tratava, quais as suas indicações e ainda quais os seus riscos e possíveis complicações".
O que me era pedido enquadrava-se estritamente num âmbito genérico, sem qualquer ligação com nenhum caso concreto. E foi neste entendimento que acedi ao pedido e prestei as informações requeridas.Por isso, torna-se indispensável corrigir duas questões fundamentais decorrentes do tratamento jornalístico que muito tempo depois lhes foi dado.

1 - A primeira tem a ver com a interpretação não correspondente ao que eu disse quanto à possibilidade de ocorrer uma "perfuração do útero apenas se a intervenção for mal feita". De facto, não foi exactamente isto o que eu disse, mas antes que "este tipo de complicações era raro e que a sua ocorrência poderia ser mais frequente em caso de imperícia ou pouca experiência do operador". Como V. Exa. verifica, isto não é a mesma coisa que dizer "apenas ocorre se for mal feita".

2 - A segunda questão é bem mais grave.
De facto, a publicação das minhas declarações foi efectuada sob a forma de "caixa" inserida e fazendo parte integrante do texto de uma notícia publicada na edição do dia 14 de Julho, de tal forma que se transmite a ideia que as informações que prestei eram directamente relacionadas com a situação concreta constante da notícia publicada sob o título "Paciente apresenta queixa contra médica do Hospital de São João".Ora, na verdade, quando prestei as informações que a jornalista me pediu desconhecia totalmente o caso relatado, do qual apenas tomei conhecimento quando li a peça publicada no dia 14. Para além disso, mesmo que eu o conhecesse, não poderia nunca pronunciar-me publicamente sobre um caso concreto ou sobre o correspondente processo clínico.

Prof. Carlos Santos Jorge
Presidente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Ginecologia"


E o Público explicou a manipulação, sem a admitir ou pedir desculpa aos visados.

Resultado: o Correio da Manhã, perdão o Público passou uma mensagem errada apenas com o objectivo de julgar e vender notícias sobre médicos, queixas, negligência, erros e quejandos.
Ai Público, Público, olha que os teus leitores não são os do Correio da Manhã, nem da TVI.
São intelectuais que procuram uma informação isenta e não subliminarmente manipuladora.


"N.D. - O PÚBLICO colocou as questões de forma abstracta para obter uma consideração técnica genérica e não directamente associada a um caso concreto, pois considerámos que assim a reflexão médica resultaria mais genuína. O PÚBLICO reconhece que devia ter assinalado de forma explícita que a declaração do prof. Carlos Santos Jorge, editada como "caixa" autónoma no corpo de uma notícia, fora feita em abstracto e não se referia ao caso relatado a 14 de Julho."

sexta-feira, julho 22, 2005

As Fases Da Leitura De Uma Notícia Sobre Saúde

Fase 1 - Interesse: "Uma jovem de 20 anos, de boas famílias entrou no Hospital às 4 da manhã com aspecto de ter snifado coca"









Fase 2 - Espanto: "A jovem afirma que foi violada pelo maqueiro de serviço enquanto aguardava numa maca no corredor do Hospital"





Fase 3 - Confusão: "Ouvida a secretária do assessor do chefe de gabinete do vogal da comissão, nesse dia o maqueiro de serviço era uma maqueira".





Fase 4 - Não percebo nada disto, um brilhosinho nos olhos para a gaja que está ao lado da notícia que estou a ler.





Fase 5 - Tribunal: Segundo apuramos a família vai levar o caso até às últimas consequências, pois não se admite que um jovem (que não quis ser fotografada) seja tratada assim. Como assim? A família vai fazer queixa na Paróquia de Cascais e aconselhar-se com o Pároco da Quinta da Marinha. só depois irão para o Tribunal.


Fase 6 - Não percebo nada disto, mas a culpa é do médico.






Fase 7 - Off: O Tio da jovem depois de "a culpa é do médico" lhe ter explicado que foram retirados dois vibradores daqui, um dali, outro dacolá e outro avulso.

Para Si, Intelectual Ansioso(a) Com A Febre Do Seu Filhote

Leia este post de um jovem médico, ainda interno, mas que vai desabafando didacticamente aquelas noções básicas e importantíssimas que o comum dos mortais deveria saber, incluindo os meus amigos jornalistas... (que também têm filhos!)

terça-feira, julho 19, 2005

Atenção Médicos A Esta Linda Jovem


Dela poderá sair um tiro certeiro............

Vou Comprar Um Colete À Prova De Bala

Depois de ler a introdução a esta notícia do Diário de Notícias, tremi, chorei, e interroguei-me se amanhã deveria ir ou não trabalhar ou solicitar protecção para todos os médicos que, cada vez mais têm uma profissão de risco.

Não será esta notícia um incentivo ao crime? Ao assassínio? À justiça popular?

Que me diz a isto Ivone Marques, uma jornalista de quem gosto?


"O processo de Aida Edite dos Santos

"No outro dia, liguei para a TVI para dizer que percebo aquele homem que deu o tiro no médico para vingar a mulher. Se tivesse feito isso, já tinha saído da cadeia" O HCV não esclarece se houve inquérito interno para apurar responsabilidades "A actual Administração é absolutamente alheia à questão"


Em 21 de Outubro de 2004, o Tribunal da Relação de Lisboa anulou a sentença de absolvição de dois médicos arguidos no processo de crime de homicídio por negligência de Aida dos Santos, morta em 25 de Novembro de 1995 devido a sepsis. A nulidade, suscitada por recurso dos filhos de Aida, assentou na inexistência de um exame crítico das provas que, nas palavras dos juízes da Relação, permita que "qualquer pessoa siga o juízo e presumivelmente se convença como o julgador". Ou seja, a absolvição não está fundamentada.

De facto, mesmo para um leigo, [deve ser o jornalista com saudades da Inquisição] a sentença evidencia aspectos contraditórios.

Pela leitura retiro uma conclusão: se até para os doutos juízes houve dificuldade em atingir as mesmas conclusões, o que compreendo, porque na realidade a Medicina não é bruxaria e nunca se adivinha o minuto seguinte a um qualquer procedimento, para o jornalista tudo se resolve com tiros e mais tiros.

A jornalista chama-se Fernanda Câncio.

terça-feira, julho 12, 2005

A Gale(rinha)ria da Fama

A Sandra instrumentalizando o jornalista que está escondido. Será este jovem de cabelo liso? Ou será este o diabético? O jornalista escondido, poderia ser outro nome para este post...

O Jornal de Notícias E Este Jornalista Estão A Cometer Um Crime Contra A Ciência

do qual podem resultar várias mortes!

É um artigo demagógico, mentiroso e coloca em risco todos os diabéticos jovens que podem morrer se abandonarem a terapêutica e seguirem o "jornalista" Carlos Rui Abreu.

Mais uma vez lá está a conta bancária.... e o jornalismo de m****.

Vou continuar a hibernar... e viva a Câmara de Fafe, pois com Fafe ninguém fanfa, nem o Carlos Rui Abreu!

"Criança diabética sem dinheiro para tratamento
apelo David Faria tem melhorado graças a medicina natural
Câmara Municipal impossibilitada de comparticipar

Família olha com cepticismo para o futuro de David Faria


Carlos Rui Abreu"

"Os médicos dizem que se o David continuar assim morre". A situação de David Faria com 14 anos, de Fafe e diabético desde os sete é preocupante, mas um tratamento baseado em produtos naturais está a dar os primeiros sinais de esperança a esta família que luta com todos os meios para conseguir pagar os tratamentos. "O David está a reagir muito bem a estes tratamentos, os valores têm baixado, ele está melhor, mas nós não temos dinheiro para continuar com isto", confessou ao JN Sandra Faria, irmã de David.

Este tratamento natural, de que a irmã teve conhecimento através de colegas de trabalho, é visto pela própria como a última solução para um caso que já foi acompanhado por clínicos do Hospital Senhora da Oliveira, em Guimarães, de onde o David saiu "zangado com o médico", e Hospital de S. João, sem que surgissem resultados práticos. A ausência de resultados é, em parte, da responsabilidade do próprio David. "Ele, fruto da idade, nunca aceitou a doença e cometia muitas asneiras com a alimentação fora de casa", explicou Sandra Faria.

Agora, com a mãe reformada por invalidez e o pai a auferir um rendimento de cerca de 500 euros, a família não está a conseguir suportar o encargo deste tratamento que fica em média por 250 euros mensais. "Já abrimos uma conta e estamos abertos a todo o tipo de apoio, porque este tratamento não tem limite para terminar e eu vejo-o como a única forma de manter o meu irmão vivo", apelou Sandra Faria. A conta de solidariedade está já aberta na CGD 003503000008010790096.

David Faria não será ajudado pelos serviços de acção social do Município de Fafe. O vereador Raul Cunha rejeitou dar qualquer apoio a este jovem, "porque é uma medicina alternativa e não temos competências para suportar". Para Raul Cunha o sucesso que este tratamento natural está a ter deve-se simplesmente "à motivação psicológica que a medicina natural pode causar", uma vez que as pessoas que ministram essa medicina natural "foram mais eficazes para ultrapassar a barreira psicológica que essa criança tinha".

Raul Cunha falou ao JN como vereador da autarquia fafense, mas na sua qualidade de médico tem "dúvidas de que esse tratamento natural seja útil para o doente a não ser na questão psicológica".

O vereador lamentou ainda que "os médicos que acompanham o jovem não fossem informados
".

quinta-feira, julho 07, 2005

quarta-feira, julho 06, 2005

Nem a hibernar me deixam descansado!

O melhor jornal português para usar na casa de banho de alguns hospitais que não estão completas, postulava ontem em grosso título:

"A Medicina portuguesa na lista negra da Europa", a propósito de um aspecto particularíssimo da Medicina.

Como prémio ao jornalista, ofereço este bilhete sobre chupões e que me deixem hibernar sossegado...

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terça-feira, junho 28, 2005

domingo, maio 29, 2005

Hibernação

O Médico Explica Medicina A Intelectuais iniciou um período de hibernação com a sensação de que as suas explicações em nada contribuiram para a diminuição dos elevados índices de iliteracia científica...

segunda-feira, maio 23, 2005

"Relação de especial intimidade entre os médicos e os jornalistas"

Dr. Francisco George, no jornal Tempo Medicina

A recente ameaça de gripe das aves serviu de mote à discussão sobre a problemática da comunicação do risco. Na Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), médicos, responsáveis oficiais e jornalistas debateram formas de conseguir alcançar com êxito a difícil meta de informar sem alarmar.
No passado dia 18, a ENSP, em Lisboa, promoveu um painel debate sobre as dificuldades de comunicar em Saúde. Intitulado «Percepção do risco e comunicação em Saúde Pública – A gripe das aves», o evento partiu desta ameaça de pandemia para pensar a complexa problemática.
Integrado no curso de Mestrado em Saúde Pública da escola, o debate foi moderado pela Dr.ª Antónia Frasquilho, psiquiatra e Mestre em Pedagogia da Saúde. Neste painel participaram dois jornalistas – Manuel Acácio, da TSF, e Madalena Augusto, da SIC Notícias – e dois representantes de entidades oficiais, o Dr. Francisco George, Subdirector-Geral da Saúde, e a Prof.ª Teresa Paixão, virologista do Instituto Nacional de Saúde do Dr. Ricardo Jorge (INSA). Além destes, também deram os seus contributos o Prof. Paulo Moreira, especialista em Comunicação em Saúde, e a Dr.ª Isabel Marinho Falcão, que apresentou um estudo do INSA acerca do conhecimento da população portuguesa sobre a gripe das aves (ver caixa).
A moderadora abriu o debate enumerando quatro das muitas razões que explicam por que é importante que os especialistas e responsáveis da Saúde se aliem aos media, na comunicação de situações de perigo para a Saúde Pública. «Quando estamos perante uma situação de risco em Saúde, é preciso difundir a mensagem, ampliar o seu impacte, trabalhar com profissionais qualificados e também tonificar o impacte da notícia. Ora, os jornalistas são as pessoas indicadas para o fazer», afirmou a Dr.ª Antónia Frasquilho.
Contudo, nem sempre a comunicação do risco se processa da melhor forma, falhando sobretudo o último tópico mencionado, como demonstrou a moderadora, dando exemplos de notícias sobre a gripe das aves veiculadas pelos media nacionais. Segundo a Dr.ª António Frasquilho, «o medo e a dramatização são inimigos da boa comunicação do risco», enquanto o conhecimento e a sabedoria são os seus melhores aliados: «É importante informar, mas também é essencial criar conhecimento e ir para além do racional, ou seja, fazer a gestão das emoções. A contenção da população, a serenidade, são fundamentais e é aqui que a ética intervém», disse.
Já a Prof.ª Teresa Paixão, que expôs alguns factos e números da história da gripe das aves, sublinhou que esta «é uma realidade e um problema de Saúde Pública mundial, para o qual é preciso uma conjugação de esforços».

O desafio da nova Saúde Pública

O Dr. Francisco George defende que a «nova Saúde Pública» deve estabelecer com os meios de Comunicação Social uma «relação de especial intimidade». Segundo o Subdirector-Geral da Saúde, esta ligação tem que ser reforçada, até porque fenómenos como a gripe das aves, a SARS ou as ameaças bioterroristas «colocaram a Saúde Pública na linha da frente das preocupações nacionais e mundiais».
Por tudo isto, é essencial garantir a correcta informação à população, de modo a evitar o empolamento do problema. O Dr. Francisco George defende, nesse sentido, a disponibilização de informação, através da internet e de linhas telefónicas próprias e sempre disponíveis, mas esta deve funcionar apenas como um complemento do «imprescindível» trabalho efectuado pela Comunicação Social. «Sem os media não há comunicação do risco, nem adopção de medidas de Saúde Pública», sublinhou o responsável.
Já os jornalistas salientaram a importância de haver especialistas disponíveis para explicar os fenómenos e esclarecer a população, em tempo útil, uma das maiores dificuldades do trabalho jornalístico. «Nós temos uma pressão enorme em termos de tempo, e nem sempre os profissionais de saúde estão disponíveis para falar, quando uma notícia rebenta nas redacções. E nós precisámos de avançar a informação», explicou Madalena Augusto, que sublinhou a importância de media e especialistas de saúde fomentarem a referida «relação íntima». Por seu turno, Manuel Acácio frisou que «para os jornalistas, também é um risco dar notícias de saúde», pois estas têm um enorme impacte na opinião pública. Além disso, os dois profissionais da Comunicação Social alertaram para a importância de os especialistas de saúde saberem adaptar o seu discurso ao órgão para o qual estão a falar e terem em conta que quando se fala para as «massas» não se pode usar o «médiquês» e é preciso simplificar. «Tal como nós temos de saber fazer as perguntas certas, o lado da Saúde tem que ter a sabedoria de saber comunicar», afirmou o jornalista da TSF.
Por fim, o Prof. Paulo Moreira contou a sua experiência como relações públicas de um hospital para demonstrar que a comunicação de uma instituição de saúde deve ser não só reactiva, mas também pró-activa e que, em caso de risco ou crise, aquela deve estar preparada para reagir, 24 horas por dia, se necessário.

Maria F. Teixeira