sábado, agosto 19, 2006

Quero Ir Para A Sobreda!

Segundo o Primeiro de Janeiro,

"O ministro da Saúde anunciou que o Governo pretende abrir cem unidades de saúde familiar (USF) “até ao fim deste ano”, para aumentar em 170 mil o número de pessoas com acesso a um médico de família. “A nossa meta é abrir cem unidades de saúde familiar até ao fim deste ano”, declarou Correia de Campos, durante uma visita ao Centro de Saúde da Sobreda, na Costa da Caparica, adiantando que o Ministério da Saúde pretende ter já em Setembro “entre seis e 12 [daquelas unidades] abertas a título experimental”, distribuídas por todo o País.

No caso do centro de Saúde da Sobreda, onde irá funcionar uma das primeiras USF a abrir já em Setembro, cerca de 1.600 pessoas passarão a ser atendidas por seis médicos,

permitindo, de acordo com o ministro da Saúde, um “regresso à pureza do conceito de medicina familiar”. “É uma mudança radical para a qualidade do atendimento”, considerou o ministro da Saúde."


Ora, 1600 a dividir por 6 médicos dá 266,6 pessoas por médico. Ora, como apenas cerca de 60/70% dos utentes são activos, dá 186,6 utentes por médico.

Quero ir trabalhar para a Sobreda e levar a minha família comigo... é melhor que na Ilha do Corvo!

11 comentários:

jocapoga disse...

Ó colega... não é bem assim.
Como eu disse lá na minha tasca:
"ALGUÉM VAI ESCLARECER as matemáticas das notícias como neste pedacinho: "O Centro de Saúde da Sobreda, em Almada, está já a dar os primeiros passos nesta mudança. Com apenas três médicos, esta unidade presta assistência a oito mil habitantes.
A sua transformação em USF deverá proporcionar o dobro dos clínicos e alargar o número de utentes para 11 mil.?????"" Foi assim que li nos mentideros....

Medico Explica disse...

Colega, é óbvio que o jornal se enganou e não soube corrigir. Iliteracia...

João disse...

oh....
E eu que já estava a pensar em mudar de especialidade...

Anónimo disse...

..."Esta medida surge cerca de um mês depois de o Hospital de Nossa Senhora da Oliveira, em Guimarães, ter adquirido três viaturas de alta cilindrada, de marca Audi, para uso pessoal dos administradores, numa altura de forte contenção financeira na instituição.
Ao que o DN apurou, alguns dias antes da aquisição dos automóveis os responsáveis da administração reuniram-se com os vários serviços do hospital para informar sobre as dificuldades financeiras existentes. A todos foi pedido contenção nos gastos. Qual não foi o espanto dos técnicos quando, dias depois, viram que, afinal, havia dinheiro para três novos automóveis de uso pessoal."...

in: http://dn.sapo.pt/2006/08/20/sociedade/compra_carros_luxo_hospital_guimarae.html

MEMI, deixe lá Sobreda e passe mas é para o gabinete certo do Hospital onde trabalha....
Passa a ganhar mais, a trabalhar menos, ou pior, e o melhor de tudo é que ninguém se importa, já que não se trata de médicos.

AV

Mário de Sá Peliteiro disse...

Eu trabalhei no Hospital de Guimarães e nunca me deram um Audi!
Poderei exigir rectroactividade?

Anónimo disse...

pode sempre tentar... eu certamente vou seguir o conselho de AV e mudar de gabinete....
CF

Anónimo disse...

dasse... como é óbvio, só faltava as palavras "os mesmos" 6!
Que impertinência!

Anónimo disse...

Permita-se-me dizer duas coisas, a propósito da "caça" jornalística, que nos proporciona sempre bons momentos de humor, mas merece alguma reflexão:

- a primeira é que se os jornais falam de assistências médicas prestadas e as traduzem não raramente por negligência e não, quando talvez devessem, por erro, isso é iliteracia! Sim, porque os srs. drs. não podem suportar que alguém com obrigação de informar ainda não saiba fazer a distinção. De resto, negligência é coisa quase impensável (mesmo quando a referência é ao conceito jurídico que tem vindo a ser considerado um "tipo aberto")!

- a segunda é que quando os jornais, por erro grosseiro, trocam uma série de n.ºs (trocaram tudo - o n.º de utentes antes e depois da USF, o n.º de médicos antes e depois da dita, o n.º de utentes sem médico de família, o nº de candidaturas ( de USF) consideradas, etc, etc), que, clamorosamente se alcança sem qualquer esforço estarem incorrectos, é, pasme-se, igualamente iliteracia! Não, não é lapso manifesto, ou erro grosseiro ( que sofre o efeito bola de neve), nada disso... que o erro é apenas apanágio da classe médica!

Ora bolas!:(

Já agora ( em n.ºs certos) - bastará a consulta aos dados da autarquia: O CS Sobreda, tinha inicialmente 5 000 utentes e passará para os mais de 11 000...
___________

Ainda sob o ponto de vista reflexivo e a propósito do tão propalado caso (manifestamente mau) das viaturas de Guimarães, eu gostava de pôr à consideração o seguinte:
Um particular, que tem uma viatura de uma determinada marca, sabe, que se o trocar antes de 3 anos, por outra da mesma marca, perde pouco - quando se trata de uma frota, essa perda é ainda menor e noramalmente traduz-se num valor quase irrelevante face aos sinais exteriores aparentes. O particular sabe isso. Ora, os gestores também.
Òbviamente, sublinho, em época de crise, isto é quase imoral! Mas...
Por outro lado, frequentemente, determinados serviços (médicos) insistem em fazer investimentos na ordem dos muitos milhares, em aparelhos sofisticados, que frequentemante não são rentabilizados, ou, até, nem sequer são utilizados durante muito tempo, por vários factores, ora porque não há técnicos, ora porque afinal não havia espaço adequado, ora porque não se criou a "rede" (convenções)...

Pois.

NSQNU

Anónimo disse...

NSQNU

Deu outros bons exemplos de má gestão, ou de gestão imoral, a somar ao dos carros e a tantos outros.

E iliteracia não é negligência. Esta última difere do erro, e na especulação da coisa, talvez nos devêssemos cingir ao direito à inocência, até se provar a culpa.

Talvez nem seja o termo, a iliteracia jornalística. Em termos mais latos, talvez nos contentássemos com a evidência de certos senhores cuja profissão é informar, não o conseguirem. Ou seja, a putativa razão de ser (putativa, porque sabemos todos que no fundo essa razão consiste em satisfazer editoriais para se vender o maior número de quilos de papel possível...) da profissão... não é.

Claro que o despesismo ainda deve ser procurado, de nada servindo a evidência deste partir, conceda-nos isso, pelo menos em parte, de má gestão. Gestão que é partidária, com os boys e girls, salvo honrosas excepções, que se alternam e sucedem ao longo dos anos, agora mascarados de gestores hospitalares (máscara que serviu essencialmente para lhes aumentar substancialmente os salários), eternizados e imaculados aos olhos do "grande público", cuja acuidade visual neste país é vizinho do de uma toupeira ofuscada por um sentimento primário de inveja saloia.

Mas o povo é que sabe.

AV

Anónimo disse...

estou fascinada. nunca li tantos comentários anónimos. doutores anónimos, suponho. mais uma anónima. não doutora.

Mário de Sá Peliteiro disse...

Há sempre alguém que resiste...