domingo, julho 13, 2008

Porque no te callas, oh MST ?

Há figuras da nossa praça a quem as luzes da ribalta ofuscam e tiram o sentido das conveniências...discorrem sobre tudo e sobre nada, quantas vezes dizendo asneira...mas têm guarida como colunistas dos diários....
Miguel Sousa Tavares é uma dessas figuras, quantas vezes "arrotando postas de pescada" sobre assuntos médicos ... Daí que quebre a regra de aqui postar apenas sobre assuntos ligados à Medicina e à Saude... mas, pensando bem, estarei a quebrar mesmo essa regra...?

Bem, mas o insigne e douto MST esta vez terá virado Indiana Jones...a resposta do Manuel Maria Carrilho no Diário de Notícias é a que se segue:

ILITERACIA DAS ELITES?
Manuel Maria Carrilho

Em todo o mundo, são apenas 878 os bens e os sítios que estão classificados pela UNESCO como Património Mundial. Esta classificação é um símbolo de reconhecimento do excepcional valor do património em causa, e um estímulo não só à sua manutenção mas, também, à sua contínua valorização.A competência, a prudência e o grau de exigência com que o Comité do Património Mundial tem sempre actuado, tornaram inquestionáveis as suas decisões.

É por isso tão surpreendente como patusco ver, no Expresso de sábado passado, Miguel Sousa Tavares pretender pôr em causa o valor patrimonial das gravuras do Vale do Côa, insinuando que este comité é constituído por "alguns oportunistas" que "decretaram ser gravuras paleolíticas" uns "tacanhos rabiscos numas pedras". Rabiscos aos quais, note-se, a "maior autoridade mundial na matéria" (convenientemente deixada no anonimato!...) teria atribuído "entre 30 e 300 anos".

Trata-se de afirmações completamente mistificatórias, que impõem alguns esclarecimentos. Em primeiro lugar, para referir que o incontroverso apuramento da idade paleolítica e do valor científico e patrimonial das gravuras do Côa foi feito em 1996 por uma equipa internacional de peritos que incluía alguns dos maiores especialistas mundiais na arte paleolítica (P. Bahn, R. de Balbin, M. Lorblanchet, S. Ripoll, V. Villaverde e D. Sacchi), que consideraram unanimemente o Vale do Côa como a maior concentração de arte rupestre paleolítica no mundo.
Depois, para lembrar que o património do Vale do Côa foi também avaliado em 1997 no quadro da sua classificação como Monumento Nacional pelo Estado português e, mais tarde, em Dezembro de 1998, pelo mais exigente comité do mundo em questões patrimoniais, que é justamente o Comité do Património Mundial da UNESCO.

E foi este comité que então deliberou consagrar o Vale do Côa como Património da Humanidade, com base em critérios que, naturalmente, incluem a sua cronologia paleolítica: "Criterion I: The Upper Palaeolithic rock-art of the Côa valley is an outstanding example of the sudden flowering of creative genius at the dawn of human cultural development. (...) Criterion III: The Côa Valley rock-art throws light on the social, economic, and spiritual life on the life of the early ancestor of humankind in a wholly exceptional manner." (cf. http/whc.unesco.org/en/list/866).Por fim, para dizer que obviamente se respeitam todas as opiniões sobre a política seguida no Vale do Côa desde finais de 1995 até hoje. (Seria de resto desejável que se fizesse uma discussão séria sobre o assunto, para a qual me declaro inteiramente disponível.)

Mas é preciso sublinhar que de modo algum se pode aceitar que, num impulso que revela irresponsabilidade, mas também total ignorância sobre a matéria, se ponha em causa o carácter paleolítico e o valor cultural das gravuras do Côa, repetidamente confirmados por todos os peritos consultados, e desde 1998 consagrado pela UNESCO.

Ao fazê-lo, Miguel Sousa Tavares lembra o caso daquele indivíduo que imagina estar a fazer uma grande figura quando toscamente se ri dos astrónomos que afirmam que é a Terra que gira à volta do Sol! Caso que, infelizmente, é mais frequente do que se julga, e ilustra bem a iliteracia cultural e científica de algumas das nossas elites, que afinal se comportam - seguras da impunidade de que beneficiam - como autênticos parasitas do atraso português.

Que não haja quaisquer dúvidas: Portugal tem no Vale do Côa um património único do qual, em termos mundiais, se deve orgulhar. É isto mesmo que se destaca no recente documentário de Jean-Luc Bouvret, Côa, la Rivière aux Mille Gravures, que tem sido exibido por todo o mundo com assinalável sucesso. A questão é a de se saber protegê-lo, valorizá-lo e integrá-lo num projecto de desenvolvimento da região e do País - é sobre este ponto que, a meu ver, deve incidir o debate

8 comentários:

Anónimo disse...

PSP: Aberto inquérito a denúncia que acusa polícia de causar morte de mulher por atraso na chegada a hospital

Lisboa, 14 Jul (Lusa) - A PSP está a investigar uma denúncia na qual a PSP da Amadora é acusada de causar a morte de uma mulher que seguia para o Hospital Amadora-Sintra, disse hoje à Lusa a comissária Paula Monteiro.
De acordo com a imprensa de hoje, a PSP da Amadora foi acusada de ter causado a morte de uma mulher por ter mandado parar e revistar um carro que seguia para o Hospital Amadora-Sintra, tendo assim impedido que a vítima chegasse ainda com vida àquela unidade hospitalar.
Em declarações à agência Lusa, a comissária Paula Monteiro adiantou que o caso está sob "averiguação interna".
"Estamos a investigar o caso para tentar perceber o que realmente aconteceu", disse.
De acordo com uma denúncia efectuada por uma testemunha junto ao local e que não quis ser identificada, pai, mãe e filha seguiam em alta velocidade em direcção ao hospital quando dois quilómetros à frente do bairro do Zambujal, na Amadora, foram interceptados por uma carrinha da Polícia de Intervenção.
A mulher, de 43 anos, sofria de diabetes e hipertensão e terá morrido de ataque cardíaco.
Lusa/Fim

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
2008-07-14

Anónimo disse...

ENTREVISTA AO PRESIDENTE DO INEM
Antena 1 entrevista o presidente do INEM:

mms://195.245.168.21/rtpfiles/audio/wavrss/info/nacional/21545_15404.wma

Anónimo disse...

ENTREVISTA AO PRESIDENTE DO INEM
Antena 1 entrevista o presidente do INEM:

Link para a entrevista no site da RTP:

http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=94&visual=26

Anónimo disse...

O que é que faz de miguel sousa tavares uma elite, e mais que isso autoridade em qualquer tipo de matéria? É professor? Investigador? Tem algum doutoramento e opina sobre essa área? Ou é apenas tal como todos nós mais um que tem a mania de ter opiniões e a sorte de ser reconhecido... A sociedade (ignorante) tem os (ignorantes) comentadores que merece, reconhece-se neles e dá-lhes visibilidade !

Anónimo disse...

O MST tem três coisas a favor:
1ª ser filho pela parte do pai de um jornalista e democrata nos tempos em que isso era verídico
2ª ser filho pela parte da mãe de uma senhora de uma sensibilidade extrema e que enalteceu a palavra e a língua portuguesa
3º ser um adepto ferrenho do glorioso FCP

Tirando isto...valha-me Deus...quantas vezes sai asneira ou baboseira ao abrir a boca!

Anónimo disse...

Quando esse alarve emite uns urros sobre a carreira docente, se calhar muitas aplaudem essas pérolas de sabedoria !!! Detesto sujeitos como este, que tanto peroram sobre futebol, política, EDUCAÇÃO ou agricultura transgénica !! É o mesmo que ter um médico especialista em Dermatologia a dar palpites sobre a capacidade da Amy Winehouse em emborcar tanto !!

Anónimo disse...

Quando esse senhor abre a boca, revela saber do oficio, mas só diz asneirada.
Era bem melhor ficar caladinho do que fazer certos e determinados comentários.

Não gosto nada dele.

José António disse...

O que é lamentável em Côa é o espírito elitista que caracteriza os seus guardiões. Recentemente depois de centenas de Kms para lá chegar, uns bem falantes e bem pensantes subsidiados do erário público riram-se-me na cara por eu ter tido a imprudência de lá ter ido sem ter marcado com antecedência a visita, pois só capacidade diária para cerca de 100 visitantes. Isto é : um projecto que custou ao país centenas ou milhares de milhões de Euros, que iria transformar a região num pólo de atracção turístico cultural avassalador, tem uma capacidade de resposta inferior a um museu de curiosidades de aldeia. Porém suporta uma estrutura de subsidiados que eu gostaria de conhecer. Quantas dezenas ou centenas de milhares de Euros custará aos meus impostos cada visita. O perigo será das gravuras poderem desaparecer de tanto serem vistas. Isto é que dói não é o MST que sempre vai alertando para muita irracionalidade.