sábado, novembro 05, 2005

Números

MALÁRIA – parasita – Plasmodium – picada de mosquitos do género Anopheles.
Conhecida desde 1880 – 2.400 milhões de pessoas vivem em zonas de risco, 300 milhões de casos novos – 1 milhão de mortes anualmente. – 90% destas mortes ocorrem crianças.

TUBERCULOSE – bactéria – Mycobacterium tuberculosis – 1.900 milhões de pessoas no mundo estão infectadas.

PARASITOSE INTESTINAL – parasitas – 1.400 milhões de pessoas infectadas.

SIDA – vírus – VIH – 40 milhões de casos em todo o mundo

GRIPE AVIÁRIA – vírus – influenza H5N1 – 250 pessoas infectadas – 70 mortes.

Últimos 20 anos – nenhum fármaco novo contra a malária e a tuberculose.
Últimos 20 anos – 20 fármacos activos para o VIH.

sexta-feira, novembro 04, 2005

"Erro médico inevitável na Medicina de hoje"

Afirma João Lobo Antunes num encontro organizado pela Associação Portuguesa de Seguradoras.

Alguns excertos de uma notícia publicada no jornal Tempo Medicina:

"... as exigências hoje impostas à Medicina tornam inevitável a ocorrência de erros. No entanto, os médicos têm muita dificuldade em lidar com as suas falhas."

"Segundo Lobo Antunes, a discussão do erro médico é essencial e inevitável."

"Em qualquer profissão, há dois segredos muito mal guardados, um é o erro e o outro é o conflito de interesses"

"Enquanto trabalhou nos Estados Unidos o neurocirurgião foi alvo de quatro processos, três dos quais sem mérito. No entanto, estas experiências serviram-lhe para perceber que os médicos não podem continuar a achar que conseguem resolver este tipo de problemas sozinhos"

"Vários estudos têm provado que este é «um problema real» e também que, ao contrário do que se pensa, a maior parte dos erros ocorrem em procedimentos simples, pelo que, muitas vezes, são evitáveis."

"..., que usa há vários anos modelos de segurança. Segundo o professor, a área médica que já o fez, a Anestesiologia, verificou melhorias significativas, como exemplificou – em 1980 havia uma morte por dez mil anestesias, hoje há uma morte por 300 mil anestesias. A adopção de guidelines, a estandardização dos procedimentos e a existência de uma liderança são factores de sucesso essenciais, que a Anestesiologia adoptou e que outras áreas devem também seguir, acredita o neurocirurgião".

"O fenómeno do erro é também o resultado da mudança dos tempos — dantes a Medicina era «simples, ineficaz e inócua», hoje é «complexa, eficaz e potencialmente perigosa».

"este é o preço do progresso que não se pode iludir".

"Ao contrário do que se chegou a pensar em determinada altura, a incerteza na prática médica não desapareceu e, aliás, nunca vai deixar de existir. Contudo, e embora saliente que erro é diferente de acidente, Lobo Antunes reconhece que a cultura portuguesa do «desenrasca» convida muitas vezes à ocorrência de erros que poderiam ser evitados."

"Há, de facto, da parte dos médicos, uma dificuldade em lidar com o erro. Nós somos educados para trabalhar sem erro e quando este acontece é muitas vezes considerado uma falta de carácter ou negligência"

"Além disso, o tratamento que os meios de comunicação social fazem do erro médico empola frequentemente o problema e tem, por vezes, consequências para a carreira profissional do médico."

"por isso, que os médicos não sabem tudo e é preciso que os doentes tenham consciência disso. Não é possível esperar uma omni-sabedoria do médico."

"... é preciso evitar as falhas que dão origem ao erro médico, como sejam as faltas de conhecimento, o estudo insuficiente da história clínica do doente e das hipóteses de diagnóstico ou o excesso de cansaço. Já a instituição deve ter atenção à distribuição da tarefas e responsabilidades e à saúde e estado psicológico dos médicos. Outras formas de controlar o risco são a informatização dos processos clínicos, a criação de checklists, o treino e a recertificação dos profissionais. E, para além disso, é preciso encontrar formas de aprender com os erros".

Aniversário De Professores

Acabado de chegar de uma pequena festa de aniversário de um professor, e como se compreende, os professores eram a maioria e ainda como reflexo das provocações que um professor dito universitário tem feito nos comentários deste blog, não posso deixar de partilhar com os leitores esta pequena história, contada por um professor, testemunha ocular do acontecimento.

Numa determinada escola, num determinado concelho, lá para os lados do Alentejo, um determinado professor, mestrando de um determinado mestrado, sindicalista, sumariava consecutivamente as suas aulas como "tema livre".

Intrigado, este meu amigo professor, investigou junto dos seus alunos quais os temas livres que invariavelmente os alunos aprendiam.

E chegou a uma conclusão: berlindes.

Remata-lhe um aluno, com tiro certeiro:

- "O sotôr X joga muito bem berlindes e então decidiu que as aulas seriam passadas num canto do recreio, a jogar e a ensinar-nos a jogar ao berlinde!"

Mas ao contrário do outro professor, não penso que todos os professores sejam ases do berlinde, nem que substituam as suas aulas por aulas de berlinde, nem tão pouco responsabilizo o berlinde pelo estado do nosso ensino.

Este é que será uma caso esporádico.

quinta-feira, novembro 03, 2005

Se Tem Tomates, Denuncie-os

"Tenho conhecidos (médicos) que se gabam de ganhar "milhares de contos", devido aos "regimes de prevenção e horas extra" que não são cumpridos... porque os "doutores" ou estão a trabalhar noutro lado (mesmo com o regime de exclusividade!!) ou estão bem longe a passear com a família!!"

Se tem tomates, denuncie-os, senão apenas tem língua.

E de línguas está Portugal cheio.

Eu já denunciei à Inspecção-Geral de Saúde casos de médicos (como vê sou muito corporativista ao denunciar colegas) que infringiram situações que não era supor infringir! Tenho tomates!

Sr Boldão linguareiro, deite os nomes desses médicos que conhece e se vangloriam junto de si, seja homem, pá.
Ajude a limpar a sociedade e a minha profissão, porque sei que tem ovelhas negras.

Quero nomes, já! Senão os denunciar será conivente com os prevaricadores e deixarei de lhe prestar qualquer atenção!

Vale tanto como esses meus colegas que emporcalham a profissão.

Faça como eu, denuncie. Até o pode fazer anonimamente, mas por favor denuncie quem rouba o erário público, senão será apenas mais um conivente ou então faz como eles: dá explicações aos seus alunos, dá aulas em vários locais públicos e privados, etc, etc.

QUERO NOMES!

Sobre Os Chorudos Salários

A perspectiva de um leitor:

"Caros Senhores,

Creio ser necessário aqui esclarecer os senhores sobre o Fantasma que parecem ser os salários dos quadros superiores.

- Um engenheiro civil empregado ganha em média 3000 euros por mês, mais prémios. E refiro-me aos não pertencentes a empresas de topo.Temos obviamente que negligenciar os que trabalham para as câmaras municipais, que esse sim auferem o ordenado de um funcionário público regular (não considerando so cargos nas empresas públicas criadas pelas câmaras municipais).

- Os bancário podem auferir desde 700 euros por mês a 5000 (estou a falar de funcionários e não de gestores administrativos), por trabalhar das 8h30 até as 16h30, com direito a um dos melhores sistemas de saúde (SAMS e SAMS-quadros) e prémios anuais que podem ser astronómicos. Escusado será dizer que recebem 15 meses e complementos afins...

- Um arquitecto normalmente cobra pela percentagem da obra a efectuar. No caso da casa da Música do porto, por exemplo~(custo 100.000.000 de euros) se auferir de 1 a 5% do valor da obra, imaginem só o plano de reforma a que não terá direito o arquitecto Rem Koolhas.
Cito o exemplo também do projecto de arquitectura da centro Materno Infantil do Norte, projecto votado ao abandono, que custou 3.000.000 de euros para o gabinete do arquitecto responsável!! Dinheiro literalmente, para o lixo...
Ou para os bolsos dos arquitectos...

- Os artistas e profissionais por conta própria (canalizadores, pintores, carpinteiros, etc...) auferem o que muito bem entenderem, e, acreditem que pode ser mais que o primeiro-ministro, pois só são obrigados a declarar o rendimento mínimo.
Cito o caso do nosso caro Manuel Damásio, ex-presidente do Sport Lisboa e Benfica, que declarava 70 contos/mês e viajava para o estadio da Luz de helicóptero, e tinha os filhos em dois dos colégios internos mais caros de Lisboa...

- os advogados, será melhor nem comentar...Mas se estiveram atentos as noticias do caso vale e Azevedo recordar-se-ao que declarava para impostos cerca de 350.000 contos/ano...E estes eram os valores que DECLARAVA!!!

- Os construtores civis, podem ganhar cerca de 20000 a 50000 euros por apartamento vendido nas construções edificadas, e supondo que vendem no mínimo 10 por ano, façam as contas e tentem perceber a quantia implicada...

Para concluir, acredito que as pessoas que se preocupam com estas questões dos salários indevidos na profissão médica devem questionar o seguinte:

Será que os Gestores de grandes Unidades, que gerem milhões de euros por ano e as vidas profissionais de mil ou mais funcionários estão a realizar um bom trabalho e a poupar milhões de euros com a sua boa gestão ao erário público? Ou será que estão a ser pagos para nada?

Antes de questionar os seus salários devem levantar estas questões, porque, BONS há poucos, e se eles fazem falta, temos de lhes pagar...Não interessa credo, cor ou simpatia futebolística...interessa que façam um bom trabalho!!! E os locais onde há muito para trabalhar é na saúde...Há muito para poupar e optimizar, e para isso são necessários BONS gestores....e os BONS pagam-se...

Deixo também uma ideia, em portugal, no ano de 2004 obtiveram-se 50 patentes em Portugal, contra 76000 nos EUA!!! Sr. Raul , ja que é professor, coleccione os seus alunos mais brilhantes, incentive-os a produzir algo de novo e inovador que renda bom dinheiro, e faça-se rico, para fazer algo mais além de criticar sobre o que não sabe!!
"

quarta-feira, novembro 02, 2005

Só Para Contrariar

Alguém que não existe devido à sua tacanhez de espírito afirmou recentemente num comentário neste blogue: "O facto dos médicos ser considerada uma classe "corporativista", corrompida pelo dinheiro, mal-educada, prepotente, não nasceu ontem, vem sendo constatado pela população!! Agora a questão é... não podemos colocar todos dentro do mesmo saco, eu sei, mas..."

A Constituição dá-lhe o pleno direito de se exprimir com essa ou com qualquer outra opinião. Embora, por vezes, penso como pode alguém que se afirma professor universitário fazer algumas afirmações sem uma ponta de rigor. Mas enfim, que dizer: nada!

Mas... (como ele termina), parece que a população assim não pensa, pois segundo o barómetro da TSF, apesar de toda a parafernália de notícias sensacionalistas e descabidas:

"Políticos no fundo, médicos no topo"

"No topo das preferências estão os médicos que recolhem opiniões positivas de 67,8 por cento dos portugueses, seguidos de perto por jornalistas e professores."

Nós cá vamos fazendo a nossa vidinha, trabalhando para o bem público, em deficientes condições, e não somos nem queremos ser diferentes. Falo por mim!

Sei o que encontro no seio da minha profissão, como no seio de qualquer outra: há de tudo!

terça-feira, novembro 01, 2005

Pum! Mais Um Tiro Na Demagogia

Segundo o Correio da Manhã e todos os seus afiliados (TVI, Expresso, 24 Horas, etc, "no Porto, Ensaio de remédio mata mulher" prosseguindo: "Um novo medicamento contra a artrite reumatóide terá sido fatal para uma mulher que se disponibilizou a testá-lo."

Depois cada órgão de comunicação tece os seus comentários e avisa os seus leitores de inúmeros processos levantados do chão, parece que num deles a família ia processar o Mundo.

Mas o que me custou nesta notícia, foi ninguém ter averiguado em que condições se efectuou essa disponibilização.

Terá sido gratuita?

Há profissionais mais indicados para me esclarecer, por exemplo, o nosso boticário poveiro, mas, segundo me parece esta disponibilização de doentes para testar novos medicamentos ou medicamentos já na fase X, não é gratuita.

Obedece a pagamentos mensais e outras regalias e a contratos escritos entre as partes. E tudo isso, pelos grandes riscos que se correm, assim como benefícios, caso o medicamento seja mesmo um êxito.

sexta-feira, outubro 28, 2005

Uma Resposta Irritada

Exactamente caro anónimo, todos esses parasitas que o jornal CM denuncia não são médicos, são gajos como você, licenciados em geral que da saúde e dos médicos só se aproveitam para ganhar essas verbas absurdas enquanto os médicos trabalham no duro.
A saúde está muito parasitada por não-médicos, mas vocês os anti-médicos primários vêm nos médicos tudo o que de mal há na sociedade.

Pois eu continuo agradecido àqueles médicos (que nem os conheço) que numa noite de sexta-feira fizeram durante toda a noite três by-pass e uma angioplastia, a um coração que teimava em parar de vez, assim como agradeço a uma médica que decidiu transportar na sua viatura às 9 da noite com o seu marido também médico ao volante, aquele paciente, apenas porque chamar uma ambulância do hospital privado (com nome afirmado na praça) para um hospital com cardiologia de intervenção demorava o tempo suficiente para que não fossem necessários by-pass mas apenas um funeral.
Esses são os heróis de que fala O Vilacondense e de que não fala o Correio da Manhã nem a comunicação social portuguesa...

Estou numa sessão científia, (este paguei-o!), mas todos os oradores se referiram (sem o assunto estar ligado à comunicação social) aos malefícios dos media em pequenos "apartes" durante as suas intervenções.

Como disse um prelector, para a comunicação social, "uma má notícia, é sempre uma boa notícia, e uma boa notícia, nem notícia é..."

terça-feira, outubro 25, 2005

Conceição Lino E A Ignorância

Tão mal preparadinha que a CL está para debater a gripe das aves!

sábado, outubro 22, 2005

Benditas Horas Extraordinárias...

... que pagaram a quem (médicos, enfermeiros e auxiliares) durante a noite, enquanto outros se preparavam para mais um lúdico fim-de-semana, abdicou para estar de plantão.
A quem teve este coração entre mãos.



Não este que é um coração saudável.






Mas este entupido por anos de tabaco




E que fizeram isto durante a noite.










Mas a situação permanece muito complicada!

Terminou.

Inicia-se

Bloco Preparado

A dor continua desaparecida.

A Medicina parece estar a derrotar o destino.

A Philip Morris USA vai perder esta batalha.

Aguardo.

A Equipe Reune-se E Decide: É Já A Seguir

Consentimento informado.

Agora a cirurgia é a sério.
O coração vai estar nas mãos de alguém.
A equipa prepara-se.
O chefe tem a última palavra.

O Enfarte Está Ali

O cateterismo confirma:
- situação vascular muito mais grave que a clínica.
- enfarte do miocárdio provocado pela oclusão de uma coronária, que é desobstruída.
- mais duas importantes que necessitam de tratamento cirúrgico.

A dor finalmente desapareceu.

É necessário iniciarem-se os procedimentos urgentes para a cirurgia revascularizadora por by-pass.

Entra No Bloco

Os terminais móveis permitem uma troca de palavras à entrada para o bloco.
Maldita dor.
A dor continua a apertar.

Dá Entrada No Hospital

A equipa de cardiologia de intervenção está 24 horas de serviço.

Decidido: cateterismo

Transferência imediata para o Hospital B do Serviço Nacional de Saúde para intervir.

Médicos Têm Que Decidir Rapidamente

A sintomatologia não corresponde aos resultados das análises.
É preciso agir!
É uma vida que está ali!
É preciso decidir!
A família descansa. Não há respostas concretas. Os exames estão bons.
A massa cinzenta dos médicos trabalha.
Os médicos são desconfiados por natureza.
Há só um factor de risco: tabagismo.

A dor continua.

sexta-feira, outubro 21, 2005

Fica Em Observação

Na Unidade de Cuidados Intensivos. A dor mantem-se a apertar.
Sou avisado.

Dá Entrada no Hospital A Privado

Enzimologia negativa. Electrocardiograma duvidoso. A dor forte mantem-se.

A Dor Forte No Peito Continua

Telefona ao médico

Vai à Farmácia

tentar aviar analgésicos....

A Dor Começou

Estava a fazer um esforço inabitual.
Sentiu uma forte dor no peito.

quinta-feira, outubro 20, 2005

A Gripe Louca Das Aves

A pandemia de uma infecção com origem no virus H5N1 é uma situação com um grau de previsibilidade alto. Ponto assente.

Mas...

No Google pesquisando páginas portuguesas com a frase "Gripe das Aves" encontramos 106 000 entradas.

Pesquisando "prevenção cardiovascular" encontramos apenas 206 páginas.

Esclarecedor!

quarta-feira, outubro 19, 2005

A Iliteracia Leva A Coisas Destas

"eBay proíbe venda de Tamiflu em leilão
O site de leilões na Internet eBay retirou de venda o medicamento antiviral Tamiflu, tido como eficaz no caso de pandemia de gripe humana com origem na gripe das aves, depois de os preços terem chegado aos 144 euros - numa altura em que aumenta o medo em torno da expansão da doença.
Um porta-voz do eBay disse que o leilão tinha sido interrompido porque a venda de medicamentos sujeitos a receita médica não é permitida no site, de acordo com as regras da empresa, refere a Reuters.
A venda de Tamiflu na Internet tem aumentado, especialmente depois da confirmação de casos de gripe das aves na Turquia, na Roménia e na Grécia. As licitações para um único ciclo de tratamento (que inclui dez cápsulas) atingiram as 151 euros na terça-feira, antes de o leilão ter sido interrompido."

O Tamiflu ® (oseltamivir) apenas diminui a replicação viral, encurtando a doença e diminuindo, eventualmente, a sua virulência.
Não é como um antibiótico que mata as bactérias.
E a Roche julgo que não tem acções...

Anda Tudo Doido Com A Gripe Das Aves

Sem necessidade.
Todos querem comprar medicamentos.

A Roche, com a ajuda da comunicação social, é uma verdadeira vencedora deste jogo.

E não há medicamentos específicos para o próximo futuro virus influenza.

O melhor será sempre a prevenção.

segunda-feira, outubro 17, 2005

Para Reflectir

"Promotion of disease and corrosion of medicine

Iona Heath, MA, BCHIR, MRCP, FRCGP

Three intertwined and mutually reinforcing trends—the medicalization of life, the industrialization of health care, and the politicization of medicine—are actively promoting disease and fear of disease, while at the same time corroding the theory and practice of medicine. The discipline of general practice is well positioned to resist these trends and secure a better future."


O artigo inteiro aqui.

sábado, outubro 15, 2005

Brejeirice, Para Aumentar As Audiências* I

Do blogue Autárquicas em Cartazes: Eis Carolina Amélia.



Segundo um comentário esta jovem candidata é presidente da Junta de Freguesia há 17 anos.

Segundo o STAPE voltou a ganhar com maioria absoluta! (58,20%).

É obra da natureza!
"Debaixo dos vossos tectos estará sempre o meu afecto"






* Parafraseando o FJV no blogue Origem das Espécies.

É Uma Família Portuguesa


Comentários para quê?

"Maria José e Manuel (na imagem, sentado), pais de Rui Gonçalves, já não estão casados, mas mantêm-se unidos pela dor da perda do filho. A eles junta-se José Sim Sim, actual marido de Maria José, também inconformado com o resultado do processo" (legenda do Correio da Manhã)

Dizem os jornalistas:

“Sei que não me podem devolver o meu filho, mas pelo menos que se faça justiça.” A Procuradoria da Justiça, não é Justiça?

"O olhar volta a cair sobre as 13 páginas do despacho de arquivamento, onde relê, pela enésima vez, os dados referentes à morte do filho."

Não acredito que esta senhora tenha lido as 13 páginas, nem uma vez, quanto mais, pela enésima vez!

sexta-feira, outubro 14, 2005

Ser Médico É Fodido ...

Como te compreendo Besugo.

E a Lolita não consegue compreender-nos, nem ao nosso mundo.

Recebo esse abraço e retribuo com outro.

E aconselho a leitura imediata desta "lucubração" do besugo no blogame mucho.

Nota: se fui brejeiro mais abaixo, neste sou cavernáculo, conscientemente.
Há dias assim...

A Mensagem Escondida E A Brejeirice Assumida

Não é "uma estupidez formidável" [os comentários ao post anterior] como diz o senhor dr Boldão.

Será que o senhor não conseguiu atingir a profundidade da mensagem?
Quer que lhe explique?

À parte a brejeirice, como referiu a T., acertadamente.

(Mas o toque brejeiro, foi só para descontrair.
Nunca numa consulta proporia qualquer coisa semelhante.
Ás vezes são as doentes que nos telefonam. O nome do médico está na vinheta e é fácil a identificação. E vai daí ...)

Vai emigrar para post.)

terça-feira, outubro 11, 2005

Óbcesso

Ainda antes de me falar do óbcesso nos dentes, teve tempo para dizer (sem ninguém perguntar!) que era licenciada (não digo onde, para não iniciar outra guerra) e que ia agora "tirar o mestrado".

E se eu lhe pedisse para escrever, como seria?

Óbsséçu? Talvez...

Os doentes eram muitos e não havia tempo, mas diverti-me... e também era gira.
Sim, era gira.

Se não fosse o óbcesso até a poderia convidar para jantar...

segunda-feira, outubro 10, 2005

Censura?

Três médicos condenados por negligência.
Erraram ou foram negligentes?
Não compreendi a notícia de nenhum jornal.
Mas no meu entender foram bem condenados, porque provocaram danos físicos desnecessários.

Mas compreendi, que um jornal disse mais qualquer coisinha que os outros. Foi um jornal regional. Depois de descrever os factos, transcreveu parte da sentença, afirmando:

"Na leitura da sentença, o juiz sublinhou que nunca esteve em causa o estabelecimento de um nexo de causalidade entre a terapêutica a que a doente foi sujeita e a sua morte - razão pela qual os clínicos não foram acusados de homicídio -e considerou importante que haja uma “mudança de atitudes” nos doentes e nos médicos. Sugeriu mesmo a criação de um seguro que possa cobrir erros clínicos não muito graves para evitar a “política de secretismo” na classe médica, por um lado, e, por outro, que os doentes pensem de “quando qualquer coisa corre mal a culpa é sempre do médico”.

O Diário de Notícias, preferiu omitir a parte que diz respeito aos doentes e apenas escreveu:

"O juiz considerou ser necessária uma mudança de atitude por parte dos médicos em geral, pois "em nenhuma actividade da vida se está ausente de crítica e ausente de erro". "Se houvesse um seguro, os médicos sentir-se-iam mais protegidos por falhas menores e não haveria tanto secretismo em meio hospitalar. Temos aqui médicos de prestígio e não é por errarem que vão deixar de ter prestígio", disse."

O Público (o chamado jornal de referência!) censurou pura e simplesmente todas estas passagens!

O Correio da Manhã mete os pés pelas mãos e publica apenas as afirmações negativas do juíz.

O Jornal de Notícias, de 07/10/05 seguiu os passos do Público: nada, rien, niente, nothing about the judge!


O jornal regional é "As Beiras" e a jornalista Tânia Moita

domingo, outubro 09, 2005

sexta-feira, outubro 07, 2005

A Voz Dos Enfermeiros

"Também poderemos catalogar os médicos em duas classes genéricas, das quais podem derivar n sub-classes não tão extremas.
1º Aqueles que sabem muito sobre a sua especialidade, mas que ignoram todas as outras, incluindo noções básicas de psicologia e trabalho em equipa. São profissionais altamente especializados, que encontram as soluções exclusivamente em resultados analíticos e outros exames, ignorando na maioria das vezes os comentários dos profissionais que passam 24 horas com os doentes e, ainda mais grave, ignorando as tentativas de comunicação por parte do doente, a quem não reconhecem nem o direito a ter opinião.
Para estes, a equipa de saúde é o médico. todos os outros existem para desempenhar tarefas, incluindo o próprio doente.
2º Aqueles que têm um espírito mais aberto, profundos conhecedores da sua área mas que entendem o indivíduo como sendo muito mais abrangente e complexo que a simples soma de órgãos que se podem avariar e arranjar. Estes reconhecem o valor do seu lugar, no seio de uma equipa multidisciplinar onde os outros profissionais têm uma palavra a dar e onde o doente é a primeira fonte de informação.

# posted by alguem que conhece a saúde por dentro
"

"Enquanto enfermeiro, licenciado e não há muitos anos, lamento que de facto hajam tantos profissionais de enfermagem incultos e sem capacidade de saber estar numa equipa multi-disciplinar (da qual não fazem parte só o médico e o enfermeiro). Porém, lamento muito mais que os hajam aqueles que não sabem estar na sua própria profissão e que desconhecem a sua ciência e a sua deontologia por completo. A Enfermagem não contempla fazer diagnósticos médicos ou prescrever fármacos. Contempla, isso sim, fazer diagnósticos de Enfermagem (ex. Risco de Infecção por Catéter) e prescrever Intervenções de Enfermagem (ex. Vigiar sinais de Infecção no local do Catéter). Enquanto colega de enfermeiros de várias gerações, considero que poucos sabem o que podem/devem fazer e que ainda menos reconhecem o seu potencial terapêutico, que é vasto.
Para concluir, um pedido: Não tenham pena dos enfermeiros, não os defendam como se de uns coitados se tratassem. Existem instituições próprias para isso.
Cumprimentos ao MEMAI e desculpem a extensão do texto.

# posted by Rui
"

quarta-feira, outubro 05, 2005

Há Anos Que Lhe Dizia

- Olha que o colesterol mesmo com valores quase normais pode obstruir as artérias!

- Olha que o teu passado de abuso do álcool, requer actualmente mais cuidado !

- Olha que o excesso de tabaco, mais o álcool e o colesterol, podem ser prejudiciais!

- Há dias, entre duas cervejas diz-me: "Ontem senti uma forte dor no peito, como nunca tinha sentido!"

- Não há discussão. Amanhã uma prova de esforço, já!

- Prova feita. Conclusão: positiva para isquémia coronária grave!

- Não há discussão. Amanhã cateterismo, já!

- Cateterismo efectuado. Confirmação óbvia: duas coronárias com obstrução acima dos 90%!

- Não há discussão, amanhã angioplastia, já!

- Oito dias depois, novamente entre duas cervejas, já com dois stents colocados e com a "canalização" desobstruída, conversámos sobre aquilo que hoje se faz em 8 dias e há bem pouco tempo demorava meses, pressupunha internamentos prolongados, intervenções delicadas: a isto chama-se Cardiologia de Intervenção. A isto chama-se evolução da Ciência.

- Acredito na Ciência e na Medicina e principalmente na massa cinzenta dos humanos. Por mais que os media difundam conceitos medievais da medicina.

Sim, cara Mónica, são horas absurdas aquelas que perco a ler e ouvir em horários nobres coisas absurdas sobre médicos, medicina e uma coisa normalíssima nos humanos: errar.

Quem nos faz deuses, são pessoas como você que querem fazer crer ao povo que um médico não pode errar, porque é médico. Só por isso.
Querem fazer crer que os médicos não são pessoas comuns e vulgares, que não erram, que não fazem falcatruas de colarinho branco ou preto, que não têm problemas económicos, que não têm prestações a pagar, que são assexuados e parafraseando o besugo, que não têm, até, tesão. Conheço médicos bem entesoados, outros sem, alcoólicos e abstémios, que bebem as cervejas e fumam os charutos do FJV e outros fundamentalistas em tudo. Conheço anarcas e fascistas. Que se irritam quando o seu clube perde, hooligans e santinhos. Crentes e descrentes.
Vernaculamente, uns são filhos da puta, outros uns gajos porreiros.

Eu ando por aí, perdido.

Há médicos como você: Chatos! Irritantes! Superiores! Mas com qualidade. Outros não.

Nota: e parabéns aos laureados com o prémio Nobel da Medicina, talvez um reconhecimento com uns anos de atraso.

terça-feira, outubro 04, 2005

Como Já Esperava ... (E Não Esquecer a Rupatadina!)

... o sr dr Raúl Boldão, físico teórico, não conseguiu explicar cientificamente (porque como físico deve basear toda a sua actividade na Ciência) qual o motivo pelo qual um enfermeiro, com o seu conteúdo funcional e formação própria, deve ter preferência na partilha do "poder" com um médico, também este com o seu perfil próprio e formação específica.
Limitou-se a plasmar o que habitualmente lê nos jornais e ainda por cima, mal.

Mas paciência.

Este blogue de facto existe para tentar elucidar indivíduos como o senhor, licenciados, intelectuais, que queiram elucidar-se sobre alguns aspectos da ciência médica. Agora, sr dr Boldão, o senhor está a anos-luz da realidade do seu país.

Quanto aos enfermeiros, divido-os em três categorias académico-sociais:

1) enfermeiros com o ensino básico até ao antigo 5º ano: são enfermeiros que foram aprendendo toda a sua prática com médicos aos quais se ligaram por laços profissionais e afectiovs. São boas pessoas, sociáveis, limitados na ciência e com bastantes dificuldades na língua portuguesa. Assumem a sua profissão apenas na vertente técnica.

2) enfermeiros com o 12º anos de escolaridade: são enfermeiros que após uns anos de aprendizagem nas antigas Escolas de Enfermagem atingiram o grau académico de bacharel. Foi uma aquisição de conhecimentos fundamentalmente teórico, com pouca prática. São os enfermeiros que mais questionam os médicos. Frustrados por eles próprios se sentirem secundários no sistema. A sua maior felicidade é, empiricamente, "acertar diagnósticos", prescrever como os médicos. Geralmente são infelizes, não assumem a essência da sua profissão, pouco sociáveis com os restantes membros das equipas das instituições, vivem em grupos fechados, menos limitados na compreensão da ciência médica e ainda com algumas dificuldades na língua portuguesa. Utilizam a sua profissão como promoção e reconhecimento social, que na realidade a profissão de enfermagem tem.

3) enfermeiros com o grau académico de licenciatura: (não confundir com enfermeiros com cursos posteriores de complemento) são enfermeiros licenciados, alguns possuem mais do que um curso superior (psicologia, sociologia, gestão, economia, assistentes sociais, etc). Diferem do grupo anterior por serem mais cultos, sociáveis, assumem a diferença entre médicos e enfermeiros,não vivem com a obcessão de diagnosticar ou medicar. Assumem a sua formação científica com abrangência suficiente e diversificada para não se restringirem ao mero "acto médico". Ser enfermeiro para estes jovens é, para além de actividades técnicas e de cabeceira, utilizar os conhecimentos adquiridos para gerir, promover, divulgar, organizar, trabalhando em equipa multidisciplinar com autonomia reconhecida pelos outro elementos e não imposta administrativamente.

Nota: há obviamente excepções a estas definições.

Fico Tonto Com Tantos Comentários!

"... Era bom, descentralizar o poder médico e dividi-lo com os enfermeiros por exemplo, esses sim, competentes e cumpridores, pelo que vejo nos hospitais. São uma classe muita experiente, com conhecimentos, humanos, inteligente e não consumem (?) dinheiro inútil ao SNS. A ex-ministra da saúde Leonor Beleza, bem sabia o valor dos enfermeiros, mas os médicos rapidamente trataram de a correr do ministério! Mas também não digo que seja todos bonzinhos, mas ao menos valem o dinheiro que levam... deviam levar muito mais!!! "

Gostava que o sr Raúl R Boldão [anonymous-comment@blogger.com] me explicasse cientificamente este comentário.

P.S. Não quero iniciar qualque guerra com os enfermeiros, pelos quais tenho elevada estima, especialmente pelos licenciados, pois trazem uma visão da enfermagem diferente e que foge à antagónica dicotomia médico-enfermeiro.

sexta-feira, setembro 30, 2005

Rupatadina: um escândalo político? Um caso de polícia? Um caso de "laxismo"?

A rupatadina é a substância química de um fármaco à venda em Portugal.
A investigação é para os jornalistas...

segunda-feira, setembro 26, 2005

Rupatadina: um escândalo!

Senhores jornalistas, eis uma boa investigação de âmbito nacional...

sábado, setembro 24, 2005

Uma Resposta II

Questiona o colega o título do blog. Não é o primeiro. Mas é o primeiro médico a fazê-lo.

De certeza que concorda comigo: a iliteracia científica nas outras profissões intelectuais, em muitos casos é escandalosa. Há juízes, jornalistas, escritores, advogados e muitas outras profissões cuja cultura geral sobre a Ciência e em particular sobre a medicina ultrapassa negativamente todas as barreiras.

Por outro lado há médicos que são excelentes escritores, linguistas, artistas, que "aguentam" tertúlias com especialistas das áreas das Letras e das Artes. Infelizmente o inverso não é verdade.

Isto para clarificar duas minhas afirmações. (Que aliás ao longo dos dois anos de actividade do blog, várias vezes referi. É só ir pesquisar no arquivo.)

A primeira: o título.

Eu não quero ter a presunção de ensinar nada a ninguém. Mas julgo ter a obrigação como especialista de uma área das Ciências em explicar dúvidas que alguém possa ter.
E o colega acredite, que alguns jornalistas me escrevem! Assim como outros me odeiam...

A segunda: o facto de me considerar um não-intelectual.

Não tenho dúvidas de que a profissão médica é uma profissão intelectual. Apenas quero transmitir que não sou intelectual das Letras & Artes, não tenho capacidade para discutir literatura, linguística, arte e por aí fora.

Sou médico. Escrevo e falo do que sei. Do que aprendi e do que vou aprendendo.

Tento corrigir o que está errado de acordo com o actual estadio do desenvolvimento da Ciência.

Mas sei que não detemos a verdade absoluto...

Uma Resposta

Caro Colega

No meu tempo não havia "nota de acesso" entendida como hoje.

Fiz o velhinho exame de aptidão a Medicina e entrei com mérito.

Quanto à qualidade dos blogs, concordo consigo e inclusivamente com a sua apreciação sobre este. Já não é o que era! No início dedicava-me a escrever activamente. Agora, após algumas tentativas falhadas para desistir, escrever é quase uma obrigação...
Pois como sabe a vida de médico tem poucos momentos de lazer “absoluto” …

E sempre disse neste blog que não era intelectual…

(Nota: esta resposta será também publicada como post.)

quarta-feira, setembro 21, 2005

Horas Extraordinárias

Na fábrica ao lado do meu local de trabalho, também se fazem horas extraordinárias quando as ordinárias não chegam e depois de o seu dono colmatar as necessidades de produção com o recurso a pessoal indiferenciado que vai encontrando por aí.

No meu local de trabalho, quando as horas ordinárias não chegam, por mais que se vá à rua pedir ajuda para colmatar as falhas, não se encontra pessoal preparado. Há sempre a hipótese de se contratarem os praticantes das ditas medicias alernativas, mas não sei porquê, essas medicinas não servem para serviços de urgência.

Só mesmo médicos é que praticam medicina!

Para melhor esclarecimento de quem me lê, a explicação do porquê das horas extraordinárias neste comunicado de um sindicato.

O SIM explica umas coisas...


"SIM - Sindicato Independente dos Médicos
Jornal Virtual do SIM

MINISTRO REINCIDENTE

O Senhor Ministro da Saúde reincide na crítica às horas extraordinárias dos médicos e à sua eventual ilicitude. Desta vez plasmou a sua populista opinião no Jornal Expresso de dia 17 de Setembro, sempre com a mesma finalidade: criar na opinião pública a certeza de os médicos estarem bem pagos e irregularmente. Com a esperança, certamente pouco humilde, que o Senhor Ministro leia o nosso jornal virtual, mas sem esperança que aborde publicamente esta situação com verdade, o Sindicato Independente dos Médicos explica a situação ao Senhor Ministro:

1)Os Conselhos de Administração dos Hospitais são nomeados por V. Exa.

2)Os Directores Clínicos são nomeados por V. Exa.

3)Os Serviços de Urgência são mantidos por V. Exa., mesmo para além do racional

4)Os Médicos não têm problemas em defender tecnicamente o encerramento de Urgências, mesmo contra a opinião dos autarcas. E V. Exa?

5)Os Médicos fazem as horas extraordinárias que lhes mandam fazer e, por incrível que pareça, são obrigatórias

6)Se os Médicos não fizessem horas extraordinárias os portugueses morriam sem assistência nas Urgências

7)Se os Médicos não fizessem horas extraordinárias, em montantes para além do terço do seu vencimento, as Urgências encerravam e os Internamentos ficavam sem assistência médica

8)Como V. Exa. bem sabe, a Saúde está, legal e obviamente, excluída da regra de não exceder um terço da remuneração base em Urgência, dado o interesse público

9)Os Médicos não controlam o numerus clausus das Faculdades de Medicina e assistem incrédulos à exportação de estudantes de Medicina e à importação de Médicos sem qualificação

10)Os Médicos não partilham responsabilidade com V. Exa. no risco acrescido de horas extraordinárias em Urgência


20 de Setembro de 2005"

sábado, setembro 17, 2005

Não Há Antídoto Que Resista

Uma jornalista aplicava o termo "antídoto" à vacina da gripe. E várias vezes. Num horário nobre, numa televisão primeira.
Não descortino antídoto para esta iliteracia científica instalada nos meios jornalísticos, nem vacina para a prevenir!

Uma jornalista da SIC-Notícias, apresentando um trabalho que realizou sobre depressão na adolescência (trabalho interessante, sem dúvida!) quando entrevistada para falar sobre a sua reportagem, fez uma palestra sobre depressão, generalizando conceitos, confundindo os telespectadores, quando deveria dissertar sobre a reportagem, as suas dificuldades, a ética de falar com doentes, os prós e os contras da publicidade ao suicídio, etc. Para falar sobre a doença, contratavam um médico.
Um jornalista é um jornalista, percebe de jornalismo, um médico é um médico, embora muitos queiram que não o seja.

Poça (para não ser mais agressivo). Não sei que fazer!

domingo, setembro 04, 2005

Hellas

Estou num evento cientifico europeu, na Grecia.

Com apoio da industria farmaceutica, confesso.

Mas com inscricoes a 700 euros, qual o medico portugues que se pode deslocar individualmente pagando do seu ordenado a inscricao, a viagem e a estadia?

quarta-feira, agosto 31, 2005

Ureter vs Uréter

Uréter - Cândido de Figueiredo e Lello (edições antigas), Academia das Ciências.

Ureter - Academia das Ciências.

Google (páginas de Portugal)

Ureter - 124 citações.
Uréter - 35 citações.

Portanto a dúvida fica. Mas não fica a pressão do jornal e do jornalista na influência exercida junto do marido da doente para apresentar queixa, já se sabe, por negligência.

Ao ler a notícia, independentemente de faltas menores e não querendo estar a defender os "barões da medicina" ou quaisquer outros "barões, mesmo do jornalismo, que também os há", o que aconteceu foi uma complicação previsível da cirurgia e entre uma morte escusada por choque hemorrágico ou a laqueação errada do ureter, prefiro a segunda.

Isto não invalida que a paciente não seja indemnizada pela instituição.

Os seguros existem para isso...

terça-feira, agosto 30, 2005

O Caso do Ureter Laqueado

Segundo o Correio da Manhã, n' O Caso do Ureter Laqueado esta "Paciente pondera queixa" (sic) já há algumas edições atrás.

Pressuponho que o jornalista ganhe por notícias enviadas para o Correio da Manhã e nesse caso a ponderação sempre tráz uns cobrezitos a mais.

Mas ainda ninguém explicou ao senhor jornalista que se escreve ureter e não uréter com acento?

segunda-feira, agosto 29, 2005

Eu Quero Descansar, Mas A Iolanda Não Deixa

No Correio da Manhã de hoje esta notável peça jornalística assinada por Iolanda Vilar sobre

"O Nódulo Gigante do Testículo do Senhor"
(título meu)

Em negrito os pontos que entendo como manipuladores das consciências de quem lê a notícia.

"Saúde: doente desespera por operação há seis meses
Ignorado pelos médicos
[título da Iolanda]

O doente de Armamar já não sabe o que mais há-de fazer para ver concretizada a operação cirúrgica

Um doente de Armamar espera há seis meses por uma intervenção cirúrgica a um nódulo num testículo. O Hospital de Viseu diz que faz a operação se receber informação da urgência do caso do médico de família. Este, por seu turno, afirma que há situações mais urgentes e o paciente já não sabe como ultrapassar a situação.


José Jesus Silva, de 58 anos, natural de S. Cosmado, tem visto agravar-se o seu estado de saúde e teme perder as forças para trabalhar, antes que o problema seja resolvido, “através de uma cirurgia simples.”

“Mal consigo trabalhar e desespero de noite para poder dormir ou até sentar-me à mesa para comer”, lamenta o doente, serralheiro de profissão, a quem o médico de família diagnosticou um pequeno nódulo no testículo esquerdo e elaborou uma primeira carta enviada ao Hospital de Viseu, dando conhecimento do caso, e que até agora não obteve qualquer resposta.

“Na última visita ao Centro de Saúde, o médico diagnosticou-me também uma infecção nos rins e outros problemas, que me impedem de exercer o meu trabalho”, conta José Jesus Silva, que despende por mês mais de 100 euros em medicação. “Como não tenho dinheiro para pagar uma cirurgia privada, sou obrigado a esperar meses e meses para acabar com este sofrimento”, diz, lamentando o facto de “descontar muitas dezenas de euros para a Segurança Social e quando é preciso não ser atendido de forma eficaz”.

O director clínico do Hospital de S. Teotónio, em Viseu, Cílio Correia, considera “infundadas” as críticas deste paciente e explica que o médico de família tem duas vias para resolver o problema do doente: “Não se pode descartar do problema e esperar simplesmente que o paciente seja chamado para cirurgia. Caso haja agravamento do estado de saúde, deverá renovar o pedido de consulta ou cirurgia, referindo o seu carácter de urgência, de modo a ser atendido no Serviço de Urgência deste hospital. Ou faz um contacto telefónico ou por carta com o Director de Urologia ou o médico de serviço, solicitando uma observação urgente”.

Mas, o médico de família considera que “estas não são as vias mais correctas para resolver a questão”, referindo que “caso solicitasse por essas vias uma observação ou cirurgia, estaria a ultrapassar pacientes com problemas oncológicos, que obviamente têm prioridade.”

FALTAM UROLOGISTAS

No contexto actual, as situações com carácter oncológico têm prioridade e o seu atendimento depende da avaliação de um conjunto de patologias e características do doente, explica o director clínico do Hospital de Viseu.

Segundo Cílio Correia, actualmente o Hospital de S. Teotónio presta cuidados de Urologia a meio milhão de pessoas e dispõe de quatro urologistas, um número considerado “insuficiente para dar resposta a todas as patologias”.

A partir de Setembro, garantiu, o Sistema Integrado de Gestão Nacional vai permitir alertar os doentes colocados em lista de espera cirúrgica, quando atinjam 75 por cento de um ano do prazo. “Nessa altura será avaliada a condição de saúde do paciente e a necessidade de transferi-lo para outro hospital”.


Nota do Explicador: se algo se pode depreender da leitura desta história é que não há razão para a frase "Ignorado pelos médicos".

Resta-me uma dúvida, a senhora jornalista viu e palpou o nódulo?

terça-feira, julho 26, 2005

Sobre O Humanismo Dos Médicos

Alguma palavra sobre os médicos? Não! Ninguém os está a acusar de nada.

Caso - Ucraniano teve alta em 2001 e só agora voltou a casa
Carlos Barroso

Internamento terá custado um milhão de euros
Um cidadão ucraniano sem recursos económicos que estava há cinco anos internado no hospital de Caldas da Rainha, apesar de ter tido alta clínica em 2001, regressou finalmente ao seu país. O hospital pagou as despesas que o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e a Embaixada da Ucrânia sempre recusaram assumir.


O caso só foi desbloqueado no dia 4 deste mês, quando o Centro Hospitalar de Caldas da Rainha (CHCR) pagou o bilhete de avião do imigrante, que foi acompanhado por um enfermeiro, pois está imobilizado do pescoço para baixo.

A viagem revestiu-se de um transporte especial, ocupando vários lugares e implicando o isolamento dos restantes passageiros. Daí o tarifário elevado: mais de cinco mil euros.

A administradora do CHCR, Maria do Rosário, revelou que o ressarcimento vai ser pedido ao SEF. “As despesas necessárias ao abandono do País que não possam ser suportadas pelo estrangeiro deverão ser suportadas pelo Estado, inscritas no orçamento do SEF”, argumentou.

A administradora estima que os cinco anos de internamento terão custado ao Estado perto de um milhão de euros. E foi menos uma cama no serviço de medicina física e reabilitação, com apenas 12 camas. “Foi um autêntico processo de hotelaria”, criticou.

Vitaliy Kulik, de 31 anos, tinha autorização de permanência em Portugal e foi encontrado caído na EN 360, em Junho de 2001. Terá sido atropelado. Entrou em coma com lesões graves a nível crânio-encefálico.

Seis meses depois, em estado vegetativo, recebeu alta do CHCR, pois o corpo clínico entendeu que não havia recuperação possível, devendo o doente ser entregue à família. Só agora regressa a casa
.

Começo a pensar que estou com a "mania da perseguição"...

domingo, julho 24, 2005

A Manipulação Sobre Médicos Já Chegou Ao Público

Carta de um médico:


"Em Março/Abril do ano corrente fui contactado telefonicamente por uma jornalista desse jornal que pretendia saber algumas informações técnico-científicas sobre uma intervenção cirúrgica obstétrico-ginecológica - a "curetagem uterina".

A referida jornalista colocou-me várias questões, tais como "de que intervenção em concreto se tratava, quais as suas indicações e ainda quais os seus riscos e possíveis complicações".
O que me era pedido enquadrava-se estritamente num âmbito genérico, sem qualquer ligação com nenhum caso concreto. E foi neste entendimento que acedi ao pedido e prestei as informações requeridas.Por isso, torna-se indispensável corrigir duas questões fundamentais decorrentes do tratamento jornalístico que muito tempo depois lhes foi dado.

1 - A primeira tem a ver com a interpretação não correspondente ao que eu disse quanto à possibilidade de ocorrer uma "perfuração do útero apenas se a intervenção for mal feita". De facto, não foi exactamente isto o que eu disse, mas antes que "este tipo de complicações era raro e que a sua ocorrência poderia ser mais frequente em caso de imperícia ou pouca experiência do operador". Como V. Exa. verifica, isto não é a mesma coisa que dizer "apenas ocorre se for mal feita".

2 - A segunda questão é bem mais grave.
De facto, a publicação das minhas declarações foi efectuada sob a forma de "caixa" inserida e fazendo parte integrante do texto de uma notícia publicada na edição do dia 14 de Julho, de tal forma que se transmite a ideia que as informações que prestei eram directamente relacionadas com a situação concreta constante da notícia publicada sob o título "Paciente apresenta queixa contra médica do Hospital de São João".Ora, na verdade, quando prestei as informações que a jornalista me pediu desconhecia totalmente o caso relatado, do qual apenas tomei conhecimento quando li a peça publicada no dia 14. Para além disso, mesmo que eu o conhecesse, não poderia nunca pronunciar-me publicamente sobre um caso concreto ou sobre o correspondente processo clínico.

Prof. Carlos Santos Jorge
Presidente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Ginecologia"


E o Público explicou a manipulação, sem a admitir ou pedir desculpa aos visados.

Resultado: o Correio da Manhã, perdão o Público passou uma mensagem errada apenas com o objectivo de julgar e vender notícias sobre médicos, queixas, negligência, erros e quejandos.
Ai Público, Público, olha que os teus leitores não são os do Correio da Manhã, nem da TVI.
São intelectuais que procuram uma informação isenta e não subliminarmente manipuladora.


"N.D. - O PÚBLICO colocou as questões de forma abstracta para obter uma consideração técnica genérica e não directamente associada a um caso concreto, pois considerámos que assim a reflexão médica resultaria mais genuína. O PÚBLICO reconhece que devia ter assinalado de forma explícita que a declaração do prof. Carlos Santos Jorge, editada como "caixa" autónoma no corpo de uma notícia, fora feita em abstracto e não se referia ao caso relatado a 14 de Julho."

sexta-feira, julho 22, 2005

As Fases Da Leitura De Uma Notícia Sobre Saúde

Fase 1 - Interesse: "Uma jovem de 20 anos, de boas famílias entrou no Hospital às 4 da manhã com aspecto de ter snifado coca"









Fase 2 - Espanto: "A jovem afirma que foi violada pelo maqueiro de serviço enquanto aguardava numa maca no corredor do Hospital"





Fase 3 - Confusão: "Ouvida a secretária do assessor do chefe de gabinete do vogal da comissão, nesse dia o maqueiro de serviço era uma maqueira".





Fase 4 - Não percebo nada disto, um brilhosinho nos olhos para a gaja que está ao lado da notícia que estou a ler.





Fase 5 - Tribunal: Segundo apuramos a família vai levar o caso até às últimas consequências, pois não se admite que um jovem (que não quis ser fotografada) seja tratada assim. Como assim? A família vai fazer queixa na Paróquia de Cascais e aconselhar-se com o Pároco da Quinta da Marinha. só depois irão para o Tribunal.


Fase 6 - Não percebo nada disto, mas a culpa é do médico.






Fase 7 - Off: O Tio da jovem depois de "a culpa é do médico" lhe ter explicado que foram retirados dois vibradores daqui, um dali, outro dacolá e outro avulso.

Para Si, Intelectual Ansioso(a) Com A Febre Do Seu Filhote

Leia este post de um jovem médico, ainda interno, mas que vai desabafando didacticamente aquelas noções básicas e importantíssimas que o comum dos mortais deveria saber, incluindo os meus amigos jornalistas... (que também têm filhos!)

terça-feira, julho 19, 2005

Atenção Médicos A Esta Linda Jovem


Dela poderá sair um tiro certeiro............

Vou Comprar Um Colete À Prova De Bala

Depois de ler a introdução a esta notícia do Diário de Notícias, tremi, chorei, e interroguei-me se amanhã deveria ir ou não trabalhar ou solicitar protecção para todos os médicos que, cada vez mais têm uma profissão de risco.

Não será esta notícia um incentivo ao crime? Ao assassínio? À justiça popular?

Que me diz a isto Ivone Marques, uma jornalista de quem gosto?


"O processo de Aida Edite dos Santos

"No outro dia, liguei para a TVI para dizer que percebo aquele homem que deu o tiro no médico para vingar a mulher. Se tivesse feito isso, já tinha saído da cadeia" O HCV não esclarece se houve inquérito interno para apurar responsabilidades "A actual Administração é absolutamente alheia à questão"


Em 21 de Outubro de 2004, o Tribunal da Relação de Lisboa anulou a sentença de absolvição de dois médicos arguidos no processo de crime de homicídio por negligência de Aida dos Santos, morta em 25 de Novembro de 1995 devido a sepsis. A nulidade, suscitada por recurso dos filhos de Aida, assentou na inexistência de um exame crítico das provas que, nas palavras dos juízes da Relação, permita que "qualquer pessoa siga o juízo e presumivelmente se convença como o julgador". Ou seja, a absolvição não está fundamentada.

De facto, mesmo para um leigo, [deve ser o jornalista com saudades da Inquisição] a sentença evidencia aspectos contraditórios.

Pela leitura retiro uma conclusão: se até para os doutos juízes houve dificuldade em atingir as mesmas conclusões, o que compreendo, porque na realidade a Medicina não é bruxaria e nunca se adivinha o minuto seguinte a um qualquer procedimento, para o jornalista tudo se resolve com tiros e mais tiros.

A jornalista chama-se Fernanda Câncio.

terça-feira, julho 12, 2005

A Gale(rinha)ria da Fama

A Sandra instrumentalizando o jornalista que está escondido. Será este jovem de cabelo liso? Ou será este o diabético? O jornalista escondido, poderia ser outro nome para este post...

O Jornal de Notícias E Este Jornalista Estão A Cometer Um Crime Contra A Ciência

do qual podem resultar várias mortes!

É um artigo demagógico, mentiroso e coloca em risco todos os diabéticos jovens que podem morrer se abandonarem a terapêutica e seguirem o "jornalista" Carlos Rui Abreu.

Mais uma vez lá está a conta bancária.... e o jornalismo de m****.

Vou continuar a hibernar... e viva a Câmara de Fafe, pois com Fafe ninguém fanfa, nem o Carlos Rui Abreu!

"Criança diabética sem dinheiro para tratamento
apelo David Faria tem melhorado graças a medicina natural
Câmara Municipal impossibilitada de comparticipar

Família olha com cepticismo para o futuro de David Faria


Carlos Rui Abreu"

"Os médicos dizem que se o David continuar assim morre". A situação de David Faria com 14 anos, de Fafe e diabético desde os sete é preocupante, mas um tratamento baseado em produtos naturais está a dar os primeiros sinais de esperança a esta família que luta com todos os meios para conseguir pagar os tratamentos. "O David está a reagir muito bem a estes tratamentos, os valores têm baixado, ele está melhor, mas nós não temos dinheiro para continuar com isto", confessou ao JN Sandra Faria, irmã de David.

Este tratamento natural, de que a irmã teve conhecimento através de colegas de trabalho, é visto pela própria como a última solução para um caso que já foi acompanhado por clínicos do Hospital Senhora da Oliveira, em Guimarães, de onde o David saiu "zangado com o médico", e Hospital de S. João, sem que surgissem resultados práticos. A ausência de resultados é, em parte, da responsabilidade do próprio David. "Ele, fruto da idade, nunca aceitou a doença e cometia muitas asneiras com a alimentação fora de casa", explicou Sandra Faria.

Agora, com a mãe reformada por invalidez e o pai a auferir um rendimento de cerca de 500 euros, a família não está a conseguir suportar o encargo deste tratamento que fica em média por 250 euros mensais. "Já abrimos uma conta e estamos abertos a todo o tipo de apoio, porque este tratamento não tem limite para terminar e eu vejo-o como a única forma de manter o meu irmão vivo", apelou Sandra Faria. A conta de solidariedade está já aberta na CGD 003503000008010790096.

David Faria não será ajudado pelos serviços de acção social do Município de Fafe. O vereador Raul Cunha rejeitou dar qualquer apoio a este jovem, "porque é uma medicina alternativa e não temos competências para suportar". Para Raul Cunha o sucesso que este tratamento natural está a ter deve-se simplesmente "à motivação psicológica que a medicina natural pode causar", uma vez que as pessoas que ministram essa medicina natural "foram mais eficazes para ultrapassar a barreira psicológica que essa criança tinha".

Raul Cunha falou ao JN como vereador da autarquia fafense, mas na sua qualidade de médico tem "dúvidas de que esse tratamento natural seja útil para o doente a não ser na questão psicológica".

O vereador lamentou ainda que "os médicos que acompanham o jovem não fossem informados
".

quinta-feira, julho 07, 2005

Terror. Terrorismo.

quarta-feira, julho 06, 2005

Nem a hibernar me deixam descansado!

O melhor jornal português para usar na casa de banho de alguns hospitais que não estão completas, postulava ontem em grosso título:

"A Medicina portuguesa na lista negra da Europa", a propósito de um aspecto particularíssimo da Medicina.

Como prémio ao jornalista, ofereço este bilhete sobre chupões e que me deixem hibernar sossegado...

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terça-feira, junho 28, 2005

Não Vejo Nada ...

Espreitadela


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domingo, maio 29, 2005

Hibernação

O Médico Explica Medicina A Intelectuais iniciou um período de hibernação com a sensação de que as suas explicações em nada contribuiram para a diminuição dos elevados índices de iliteracia científica...

segunda-feira, maio 23, 2005

"Relação de especial intimidade entre os médicos e os jornalistas"

Dr. Francisco George, no jornal Tempo Medicina

A recente ameaça de gripe das aves serviu de mote à discussão sobre a problemática da comunicação do risco. Na Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), médicos, responsáveis oficiais e jornalistas debateram formas de conseguir alcançar com êxito a difícil meta de informar sem alarmar.
No passado dia 18, a ENSP, em Lisboa, promoveu um painel debate sobre as dificuldades de comunicar em Saúde. Intitulado «Percepção do risco e comunicação em Saúde Pública – A gripe das aves», o evento partiu desta ameaça de pandemia para pensar a complexa problemática.
Integrado no curso de Mestrado em Saúde Pública da escola, o debate foi moderado pela Dr.ª Antónia Frasquilho, psiquiatra e Mestre em Pedagogia da Saúde. Neste painel participaram dois jornalistas – Manuel Acácio, da TSF, e Madalena Augusto, da SIC Notícias – e dois representantes de entidades oficiais, o Dr. Francisco George, Subdirector-Geral da Saúde, e a Prof.ª Teresa Paixão, virologista do Instituto Nacional de Saúde do Dr. Ricardo Jorge (INSA). Além destes, também deram os seus contributos o Prof. Paulo Moreira, especialista em Comunicação em Saúde, e a Dr.ª Isabel Marinho Falcão, que apresentou um estudo do INSA acerca do conhecimento da população portuguesa sobre a gripe das aves (ver caixa).
A moderadora abriu o debate enumerando quatro das muitas razões que explicam por que é importante que os especialistas e responsáveis da Saúde se aliem aos media, na comunicação de situações de perigo para a Saúde Pública. «Quando estamos perante uma situação de risco em Saúde, é preciso difundir a mensagem, ampliar o seu impacte, trabalhar com profissionais qualificados e também tonificar o impacte da notícia. Ora, os jornalistas são as pessoas indicadas para o fazer», afirmou a Dr.ª Antónia Frasquilho.
Contudo, nem sempre a comunicação do risco se processa da melhor forma, falhando sobretudo o último tópico mencionado, como demonstrou a moderadora, dando exemplos de notícias sobre a gripe das aves veiculadas pelos media nacionais. Segundo a Dr.ª António Frasquilho, «o medo e a dramatização são inimigos da boa comunicação do risco», enquanto o conhecimento e a sabedoria são os seus melhores aliados: «É importante informar, mas também é essencial criar conhecimento e ir para além do racional, ou seja, fazer a gestão das emoções. A contenção da população, a serenidade, são fundamentais e é aqui que a ética intervém», disse.
Já a Prof.ª Teresa Paixão, que expôs alguns factos e números da história da gripe das aves, sublinhou que esta «é uma realidade e um problema de Saúde Pública mundial, para o qual é preciso uma conjugação de esforços».

O desafio da nova Saúde Pública

O Dr. Francisco George defende que a «nova Saúde Pública» deve estabelecer com os meios de Comunicação Social uma «relação de especial intimidade». Segundo o Subdirector-Geral da Saúde, esta ligação tem que ser reforçada, até porque fenómenos como a gripe das aves, a SARS ou as ameaças bioterroristas «colocaram a Saúde Pública na linha da frente das preocupações nacionais e mundiais».
Por tudo isto, é essencial garantir a correcta informação à população, de modo a evitar o empolamento do problema. O Dr. Francisco George defende, nesse sentido, a disponibilização de informação, através da internet e de linhas telefónicas próprias e sempre disponíveis, mas esta deve funcionar apenas como um complemento do «imprescindível» trabalho efectuado pela Comunicação Social. «Sem os media não há comunicação do risco, nem adopção de medidas de Saúde Pública», sublinhou o responsável.
Já os jornalistas salientaram a importância de haver especialistas disponíveis para explicar os fenómenos e esclarecer a população, em tempo útil, uma das maiores dificuldades do trabalho jornalístico. «Nós temos uma pressão enorme em termos de tempo, e nem sempre os profissionais de saúde estão disponíveis para falar, quando uma notícia rebenta nas redacções. E nós precisámos de avançar a informação», explicou Madalena Augusto, que sublinhou a importância de media e especialistas de saúde fomentarem a referida «relação íntima». Por seu turno, Manuel Acácio frisou que «para os jornalistas, também é um risco dar notícias de saúde», pois estas têm um enorme impacte na opinião pública. Além disso, os dois profissionais da Comunicação Social alertaram para a importância de os especialistas de saúde saberem adaptar o seu discurso ao órgão para o qual estão a falar e terem em conta que quando se fala para as «massas» não se pode usar o «médiquês» e é preciso simplificar. «Tal como nós temos de saber fazer as perguntas certas, o lado da Saúde tem que ter a sabedoria de saber comunicar», afirmou o jornalista da TSF.
Por fim, o Prof. Paulo Moreira contou a sua experiência como relações públicas de um hospital para demonstrar que a comunicação de uma instituição de saúde deve ser não só reactiva, mas também pró-activa e que, em caso de risco ou crise, aquela deve estar preparada para reagir, 24 horas por dia, se necessário.

Maria F. Teixeira

sexta-feira, maio 13, 2005

Com A Falta De Inspiração Primaveril...

iniciam os doentes a sua colaboração literária neste blogue.

Mas ao lerem, tenham em atenção que (eu sei Catarina II que não gostas que eu diga isto, mas tu ainda estás no início da profissão e para ti tudo ainida é poesia!) são estes doentes as grandes fontes de informação dos nossos jornalistas.

Primeira colaboração:

- "Senhor doutor meti um continente no ouvido e derramou logo sangue!"

Assim explicava a sua hemorragia traumática do canal auditivo externo.

sábado, maio 07, 2005

É Tão Fácil ... Não Morrer Aos 56 Anos

... por lesões coronárias graves.

Há quanto tempo não mede a sua pressão arterial, só pedimos 2 x ano, para os saudáveis. Se for portador de doença hipertensiva, não esqueça que a terapêutica é diária e vitalícia (no actual estado do conhecimento científico).

E o colesterol? Sabe quais são os seus valores? Só pedimos o controle anual para os saudáveis. Para os outros depende do seu médico. Mas se tiver colesterol superior a 190 mg/dL, já sabe pode estar em risco de vir a padecer de lesões coronárias graves e das suas consequências.

Falar do tabaco diário? Não falo.

Admirava-o. É pena desaparecer.

Que o seu desaparecimento sirva para que amanhã alguém se dirija ao seu médico de família e peça uma análise ao colesterol. E meça a sua pressão arterial.

Não custa nada.

É pena que o "folclore" das picadas no dedo a que se assiste actualmente não se dirija a quem precisa. Não se dirija aos grupos de risco ainda não diagnosticados com factores de risco.

Não é a primeira vez que faço um post sobre alguém vip que desaparece precocemente por doenças evitáveis.

Não sei se você não será o próximo.... e os jornalistas serão um grupo de risco para a doença coronária.

domingo, maio 01, 2005

Do Interior Do Centro De Saúde De Cabeceiras De Basto

J. S., habitual leitor deste blogue enviou-me esta mensagem:


----- Original Message -----
From: xxxxxxxxxxx@clix.pt
To: xxxxxxx@yahoogrupos.com.br
Sent: Saturday, April 30, 2005 9:35 AM

"Só uma dica.

É mais um caso de guerrilha política (PS - autarca versus PSD - Directora do CS).

O caso já se arrasta há muito tempo com a divergência sobre a construção do Internamento do CS (recuperação do actual que está instalado num edifício da Misericórdia e em parceria com esta, já a pensar num regime de internamento para cuidados continuados, onde funciona o SAP - defendido pela Sub-Região e Directora do CS e um novo internamento em edifício anexo ao novo CS - defendido pelo autarca).

Os processos de "negligência" correm normalmente (inicialmente era 1) agora passam a 4, segundo parece, instigados pelo autarca.

Saúd...ações."


Senhores jornalistas façam jornalismo de investigação, não jornalismo de "pespegação"

O Conselho Regional Do Norte Da Ordem Dos Médicos A Reboque Da Comunicação Social

O jornal "Tempo Medicina" também com a mesma agenda da comunicação social generalista escreve que o presidente do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos "pede intervenção do Colégio de MGF para verificar as condições do exercício da profissão médica no Centro de Saúde de Cabeceiras de Basto"
É estranho que só agora o CRM da Ordem do Médicos se lembre de vir para a comunicação social pronunciar-se sobre assuntos que desconhece, representando com esta atitude mais uma "acha para atear a fogueira da negligência médica".
Melhor esteve o bastonário que não se pronunciou, não alimentando assim a especulação.
Era bom que os senhores jornalistas investigassem quem é o senhor que despoletou isto, que interesses se escondem por trás e que outras situações se passam em Cabeceiras de Bastos para o senhor prusidente ficar de repente tão interessado na negligência médica.
Preocupado ficava eu agora, pois nenhum médico pode actuar livremente e usar o seu raciocíneo clínico hipotético-dedutivo com o peso da suspeição em cima.
Se mais informações houver, serão partilhadas com os leitores.

sexta-feira, abril 29, 2005

O Folclore, O Comércio E A Ciência Lado A Lado Na Comunicação Social

Feiras da Saúde. Coimbra. Tecnologias da saúde, brincar aos médicos, fazer diagnósticos displicentemente. Fomentar a ansiedade e depressão, para depois "parangonar" que se consomem muitos antidepressivos. Investigação sobre a influência do ruído ao nivel das células humanas e pulmões. Células estaminais. Guarda, compra, vende e troca.

Só que floclore ouve-se várias vezes e a ciência passa apenas uma vez e às 15 horas de Domingo.

Mas às 20 horas fiquei a saber que numa aldeia perdida da Eslovénia se fabricam sapatos ....

terça-feira, abril 26, 2005

Visícula!? Oh Senhores Jornalistas…

… de tanto trabalhar para as classes mais desfavorecidas (para ser politicamente correcto) já a vossa linguagem se confunde com a do povo.

“Visícula”!? “Escuzou-se”!?.
Oh Meu Deus! Já não chegam os dislates científicos. Agora são os dislates na nossa querida Língua Mãe.

E a notícia também mudou, como o vento: agora já não são 4 mortes 4, em 4 anos 4, mas 3 mortes 3, em 2 anos 2!

Senhor jornalista (que não assinou o artigo!) fique a saber que vesícula ambulacrária é uma das vesículas existentes na base dos pés ambulacrários dos equinodermes. Percebeu? Não. Está no dicionário. Se não fosse a sua asneira eu também não sabia que existia uma vesícula ambulacrária.

Mas a vesícula que nos interessa é a vesícula biliar.

Mas o senhor jornalista do SAPO/SIC pespegou o que ouviu: VISÍCULA ... e assim enganou milhares de leitores.
Que sorte as notícias não colocarem a nossa vida em perigo, senão veja lá quantos não teriam morrido já…

E para os intelectuais que procuram o esclarecimento científico, sempre digo que todas as doenças têm aquilo a que nós, os médicos, chamamos diagnóstico diferencial: e no caso de muitos doentes com suspeita de enfarte agudo do miocárdio, o diagnóstico diferencial da dor é feito com algumas doenças da vesícula, como colecistites, litíases biliares com cólicas ou outras patologias do foro biliar ou digestivo.

Vem nos nossos livros, não é invenção minha.

Acordar Ao Som Da Música "Negligência Médica"

Está nos tops.

Até a TSF me acorda com a "caxa": 4 mortes 4, 4 mulheres 4, em 4 anos 4.

Isto é: a "negligência médica" agora é por grosso e retroactiva. Para a TSF, com uma reportagem e uma jornalista fazem 4 notícias 4.
"No poupar é que está o ganho", lá diz o nosso povo.

Não me pronuncio sobre se houve ou não negligência ou erro porque não tenho qualquer dado: apenas uma dor numa perna, um enfarte, uma provável peritonite e um feto morto "in-utero".

Pronuncio-me sobre os métodos. Agora entrevista-se o senhor presidente da câmara sobre as 4 mortes 4, 4 mulheres 4, em 4 anos 4.

Acreditem que me custa falar na morte.
Há 4 famílias de luto, a comunicação social explora desbragadamente estes sentimentos. Subiu-se de nível e entrevista-se, agora, o presidente da Câmara sobre se há ou não negligência médica.

Como o caso parece muito grave eu proponho ao senhor presidente que, até esclarecimento total se tomem as seguintes medidas:

1) encerramento imediato do Centro de Saúde de Cabeceiras de Basto até conclusão do inquérito e como medida preventiva.

2) impedimeto de todo o corpo clínico do referido centro de saúde de exercer quaquer acto médico até esclarecimento total, por um período nunca inferior a três anos.

3) aproveitar este período de três anos para facultar cursos, simpósios, congressos, jornadas credíveis aos médicos.

4) pagar de imediato e sem necessidade de receita médica, a cada habitante de Cabeceiras "uma restonância magnestética", "um taco ao corpo todo", "análises a tudo", "um antibiótico forte preventivo contra tudo" e "uma ida ao hospital de Braga, Guimarães ou Penafiel para todos os doentes que mostrem interesse nisso".

5) iniciar rapidamente a substituição de todos os médicos do referido Centro de Saúde por homeopatas, osteopatas, acupunctores, especialistas em musicoterapia e azinoterapia, florais de Bach, médicos tradicionais da China e África. As vagas restantes podem ser preenchidas pelas bruxas, endireitas e meninos-santos da região.

6) Ao fim destes três anos reformar compulsivamente a totalidade dos médicos do Centro de Saúde de Cabeceiras de Basto com o ordenado integral.

7) Propor à Ordem dos Médicos, por indicação da Inspeção-Geral de Saúde e da Associação da Imprensa Diária a proibição do exercício de Medicina a todos os médicos licenciados entre 1910 e 2005.

8) Alargar o "acto médico" a todas as pessoas que provem não serem médicos.

Com estas medidas irradiava-se a praga devastadora de negligência médica em Portugal e ninguém mais morreria no País.

sábado, abril 23, 2005

Bragança vs Póvoa de Varzim: As Duas Faces Da Mesma Moeda

Image hosted by Photobucket.com O "aneurisma dissecante da aorta intrapericárdica com tamponamento" que originou a morte de uma mulher jovem em Bragança (na foto um aneurisma dissecante extra-pericárdico) e a amiba da Póvoa (em baixo) que se introduziu numa criança provocando uma meningite e posteriormente a morte.

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A moeda é a condição raríssima destas duas situações.
Em relação à primeira, se um aneurisma já é pouco frequente, a sua dissecção ainda mais rara é, e se associarmos a situação aguda, intrapericárdica e numa jovem mulher, tornam-na presumo, talvêz tão rara como a da amiba (cerca de 100 casos descritos) . Segundo esta revista canadiana (aqui) a incidência desta patologia "in North America is about 5 to 10 cases per million people annually".
E o mais importante: "Incidence figures are generally based on autopsy studies. Unfortunately, TAD [thoracic aneurysm dissection] continues to be underdiagnosed before death."

Lá como cá.

Mas então que razões encontrou a Inspecção-Geral de Saúde para pronuncionar dois médicos em Bragança por negligência médica? Isto a notícia não esclarece e portanto também não me pronuncio sobre a eventual negligência. Aos jornalistas pespegantes (que pespegam, que não investigam porque não interessa.) também não interessa esclarecer. Só pespegar o que ouvem ou o que se vende. São pagos para isso. Coitados.

Mas interrogo-me: queixar-se-ia a paciente de uma dor lancinante, excruciante, "worst pain ever". Pelo que a jornalista do Público descreve não. Mas refere que a doente esteve internada três dias. É sinal de que os médicos queriam esclarecer a situação.

As doenças não trazem uma etiqueta com o seu nome pespegado. É preciso suspeitar delas. E a suspeita é em função de muitos factores e da prevalência dessas mesmas doenças.

Segundo o artigo científico referenciado, "typical TAD patients are 60 to 65 years old, have a history of hypertension, and are twice as likely to be men as women.", que como se pode ver eram sobreponíveis com as situações apresentadas em Bragança aos médicos.

Tenho mesmo uma curiosidade enorme em saber o que descortinou a IGS de negligente na actuação dos médicos ...
Queria louvar a atitude do delegado do Ministério Público ao ter arquivado o processo. Mas o facto de ter cedido às pressões dos media, dos advogados, da Inspecção-Geral de Saúde entristece-me.
A indepêndencia judicial falhou ...

E a amiba?

A amiba, talvez porque tenha um nome simpático foi mediática, apesar de ser assassina. Os médicos foram entrevistados na TV, deram entrevistas para os jornais, mas o paciente acabou por falecer.
Tenho a certeza que o diagnóstico não foi feito no primeiro dia da ida à urgência.

Se para a doença rara de Bragança há negligência, para a doença rara da Póvoa tem que haver uma medalha por serviços relevantes à causa da Ciência em Portugal. Talvez no próximo 10 de Junho sejam condecorados os médicos da Póvoa que descobriram a amiba e os juristas da IGS que descobriram o vírus da negligência médica num caso de "aneurisma dissecante da aorta intrapericárdica com tamponamento".

Para terminar: afirma o marido da infausta jovem de 23 anos ao Público, (obviamente que já apareceu nas televisões e jornais): "Eu tenho um filho que na altura tinha apenas três anos. Mais tarde, quando começar a fazer mais perguntas, quero ter respostas para lhe dar e quero que saiba que o pai fez tudo para esclarecer as circunstâncias da morte da mãe".

Ainda não sabe?
Então eu volto a dizer: a sua esposa faleceu de um aneurisma dissecante da aorta intrapericárdica com tamponamento cardíaco.

Espero que este filho goste sempre do pai e que mais tarde reveja os minutos de fama que a morte da mãe deu ao seu pai, guardados com muito carinho numa fita VHS ou em DVD.
E um recado à jornalista Ana Fragoso: não sei o que quer dizer "intrapericatória".
Presumo que quereria dizer intrapericárdica.
A palavra pericatória, com ou sem intra não encontrei em lado nenhum.


E é o Público um jornal de referência...

Eu Bem Avisei: "Os Médicos Podem Ser As Próximas Vítimas"

Quem o afirma não sou eu!

É um reconhecido jornalista e analista político, Dr Carlos Magno referido no jornal Tempo Medicina pelo jornalista Manuel Morato.


"Depois dos políticos e juízes, a prática já antiga nos Estados Unidos de processar médicos está a chegar a Portugal, e vai acontecer «de forma profissional, basta que alguém defina que esse é o alvo e decida o politicamente»".

"os médicos vão ser a próxima vítima do sistema mediático".

"Depois dos políticos e dos juristas, agora vêm os médicos, porque há uma desconfiança instalada», além de «um défice de contacto verbal e físico directo». E lança um desafio: «Da mesma maneira que há paradigmas no jornalismo, é preciso reinventar palavras que estimulem, inovem e alertem, porque as palavras estão gastas".

"As questões da saúde devem ser postas ao nível da ciência e da técnica, porque enquanto a linguagem da saúde está a perder força, a linguagem da tecnologia ganha espaço".

"Como sublinhou o Dr. Carlos Magno, hoje é muito difícil convencer a família de quem morreu num hospital de que não houve negligência. É que o «escândalo, quando não existe, inventa-se», explicou o comentador, que falou também das «imagens manipuláveis» da morte nos campos de futebol, argumentando como duas conhecidas citações: «”À velocidade da luz ninguém possui um corpo”». «As imagens não têm cheiro; portanto, temos que recuperar, através da palavra, o cheiro da imagem, porque isso de se dizer que “uma imagem vale mais do que mil palavras” é uma falácia».

"Para o analista político, também no sector das Saúde a imagem da racionalidade está a morrer na sociedade contemporânea. Por exemplo, como frisou, o discurso de alerta para o diagnóstico precoce tornou-se «absolutamente inócuo»: «Para reciclar a relação da Medicina com o cidadão, é preciso reciclar também a linguagem da saúde», reafirmou."

sábado, abril 16, 2005

Usem A Lupa, Não Esqueçam!

No seguimento do post anterior ... outros erros, outras negligências, sem julgamentos.

E não é muito difícil encontrá-los.

Com uma lupa aparecem em qualquer jornal.

Na mesma página do DN de hoje pode ler-se (usem a lupa, não esqueçam!):

"Amostras de vírus desaparecidas

... amostras do vírus potencialmente mortal, H2N2, enviadas, por erro, pelos EUA a mais de 3 700 laboratórios em 18 países."

Sobre o incêndio num hotel de Paris:

"... segundo as autoridades, o hotel foi objecto de um controlo ao sistema de prevenção de incêndios há menos de um mês. Na altura, os peritos concluiram que o edifício de seis andares cumpria as normas de segurança."

Erros, Negligências E Julgamentos; Outros Erros, Outras Negligências, Sem Julgamentos

Os jornais têm tido matéria farta estes dias sobre casos de julgamentos de médicos.

Ainda bem. É sinal de que a culpa não vai morrer solteira.

São médicos especialistas hospitalares. Ortopedistas, otorrinolaringologistas, anatomo-patologistas, radiologistas, cirurgiões e ginecologistas.
Todas elas muito requisitadas na medicina privada.
Talvez por isso a visibilidade mediática.

Num caso, ortopedistas e otorrinolaringologistas, especialidades bem cotadas na área privada, mas pelos vistos talvez não dando para todos, alguns dos meus colegas, para além do pagamento do SNS, incentivaram o pagamento particular em instituições do Serviço Nacional de Saúde.

Não é erro médico, nem negligência. É um mero caso de polícia.

Noutro caso, uma médica anatomo-patologista está ou foi condenada por negligência médica. De facto trata-se de um caso de negligência médica grosseira, pois essa médica mandou usar uma ampola de um medicamento (relaxante muscular) que lhe foi oferecido em Cuba e incluído na mala médica da seguradora.
É negligência médica grosseira, utilizar um medicamento desconhecido com tamanha facilidade. Talvez um paracetamol IM ou um opióide tivesse resolvido o problema.~

Mas a companhia de seguros, na minha óptica não se livra de responsabilidades: quem a mandou contratar uma médica anatomopatologista, isto é uma médica habituada a espreitar por um microscópio células doentes e saudáveis, sem prática clínica, chefiar uns serviços clínicos de uma companhia?
Seria muito mais aconselhado um médico com prática clínica habitual, quer generalista, quer hospitalar.

Mas este caso, para mim pecou pelas afirmações da juíza, que demonstrou não ter tido um juízo (raciocínio) independente, confessando indirectamente a pressão da comunicação social.

Este é um caso de negligência grosseira.

O último caso que envolve meia dúzia de médicos, radiologistas, cirurgiões e ginecologistas é um evidente caso de erro médico, até detectado pelos próprios durante o seu percurso, relacionado com erro de localização de determinada lesão maligna. Mas os peritos, que por certo o Tribunal ouvirá, melhor esclarecerão.

Este é um caso de erro médico, também passível de indemnização e até julgamento, mas será sempre um erro de localização.

Sintomático é que o JN encimou todos os casos durante vários dias, com o mesmo título: MÉDICOS ACUSADOS DE NEGLIGÊNCIA MÉDICA.

Tá a ver, cara amiga jornalista Ivone Marques, tenho ou não tenho razão de que vocês pespegam tudo sem qualquer rigor jornalístico ou científico?

quinta-feira, abril 14, 2005

31 De Maio - Dia Mundial Sem Tabaco

Para comemorar este dia da OMS, FJV desfez-se dos seus charutos particulares e fez-mos chegar aqui, ao meu posto de trabalho, cumprindo uma velha promessa:

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terça-feira, abril 12, 2005

No Rescaldo Das Conversas Com A Sogra

No rescaldo das conversas com a sogra, segundo o Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência (CEMBE) nos países desenvolvidos o grau de adesão às terapêuticas crónicas será de cerca de 50% e ainda inferior nos países subdesenvolvidos ou em vias de desenvolvimento.

Em relação ao aviamento das prescrições, 6 a 20% dos doentes não aviam as receitas e dos que aviam, 30 a 50% não cumprem o esquema proposto, omitindo doses.

As explicações são muitas, desde as económicas até à iliteracia científica de muitos doentes.

Mas (evidentemente) o estudo da Associação Nacional de Farmácias realizado a uma centena de utentes de farmácias da zona centro concluiu que a culpa era do médico quando os doentes não cumpriam as terapêuticas.

Só não disseram que, esse dinheiro não foi para o lixo (para o lixo foram os medicamentos). Foram directamente para os lucros das farmácias. E os farmacêuticos bem podiam ajudar a melhorar a adesão à terapêutica, não se limitando a vender os medicamentos, mas explicando a necessidade fundamental de cumprir a terapêutica do médico.

Mas quantos farão isso, se consideram os médicos seus inimigos? (vide qualquer intervenção do Sr Dr João Cordeiro).

domingo, abril 10, 2005

Quem Diria Que Poderia Acontecer?

"Segundo explicou ao DN fonte oficial do Infarmed, as fiscalizações "fazem parte da actividade normal e quotidiana" desta entidade e os resultados obtidos não traduzem qualquer indicador preocupante. Entre as irregularidades detectadas nas farmácias contam-se a venda de medicamentos fora do prazo legal e a ausência do nome dos requerentes em receitas de estupefacientes e psicotrópicos (como o multifenidato, a buprenorfina e a morfina)."


Isto é, foram aviados medicamentos fora de prazo e receitas sem identificação ...

O PÚBLICO Viajou A Convite Da ... Grunenthal

A Grunenthal é um laboratório médico.
É um laboratório com muitos interesses em vários tipos de analgésicos.
Analgésicos usados em cuidados paliativos.
O PÚBLICO foi convidado pela Grunenthal "ao congresso da Associação Europeia para os Cuidados Paliativos a decorrer na cidade alemã de Aachen".
E para que não haja dúvida escreve no fim:
"O PÚBLICO viajou a convite da Grunenthal."
A minha única dúvida é sobre a iniciativa: de quem foi a iniciativa do convite?

Conversas Com A Sogra ... Paradigmáticas De Conversas Com A Ciência

Título estranho, depois de o reler!

Mas são estes pequeno momentos que por vezes infirmam os postulados científicos.

O Domingo primaveril era convidativo a um almoço intimista, um bom naco de carne assada acompanhado por espumante Murganheira tinto de 1999.

Como sempre nos jantares com médicos e sogras, as doenças destas fazem sempre parte dos assuntos a discutir. Com a televisão a ajudar e a orientar o fluir dos pensamentos, falou-se de doenças e do médico santo que a curou e do médico excomungado que a não curou.

Palavra puxa palavra confessa que apenas faz metade da posologia que, quer o seu pneumologista, quer o seu médico de família a aconselham para a sua doença crónica.

Exclamei reflexa e subitamente:

- "Pois é. Aí está a explicação para as exacerbações nocturnas da sua doença!"
- "Você tem as exacerbações e eu as preocupações!"
- "Isso não se faz!", repliquei.
E acrescentei, sabendo que assistiu de manhã pela televisão à missa dominical:
- "Alguma vez reduziu as penitências do senhor padre?"
- "Ai, isso não!"
O que a Ciência nos diz através de inúmeros estudos é que os doentes portadores de doenças crónicas não cumprem as normas terapêuticas prescritas numa alta percentagem, apenas porque assumem que não é preciso. Que se sentem bem! Que a doença já era! Que não é necessário prevenir as exacerbações! E etc, etc, etc.
Mas o médico é que paga sempre... quando as coisas correm mal!

sexta-feira, abril 08, 2005

As Ondas de Solidariedade E A Imprensa

Esta notícia d' O Comércio do Porto assinada pela "nossa" leitora jornalista Ivone Marques (que muito se chateou comigo uns posts atrás!), bem escrita, descreve uma onda de solidariedade, provavelmente de sua iniciativa, que gerou um movimento de pessoas anónimas para doação e colheita de medula óssea pelo Centro de Histocompatibilidade do Norte.

O Povo é, quase por definição, solidário com o próximo.
Estas ondas apenas precisam de visibilidade para se transformarem em maremotos benignos, e aí a imprensa (e os jornalistas) têm um papel fundamental.

A recolha de medula óssea, mesmo que não se encontre um dador que sirva ao pequeno Tiago, é sempre positiva, não só porque aumenta a base de dados de dadores disponíveis e indentificáveis, mas também porque, com as colheitas efectuadas, outros Tiagos que não tiveram a visibilidade deste, poderão ser ajudados.

Mas esta notícia, exemplarmente correcta, fez-me lembrar outras.

Outras notícias, com outras correntes, onde despudoradamente foram explorados os nobres sentimentos de solidariedade do povo português.

E essas correntes surgem baseadas em falsos pressupostos científicos e ampliadas pelos media, porque, muitas vezes, aos media apenas... lá vou eu dizer mal dos jornais, do lucro, da iliteracia.

Não. Fico por aqui e parabéns Ivone Marques.

quinta-feira, abril 07, 2005

Sob A Sotaina, Perdão, Sob A Bata-Branca Esconde-se O Assédio

O assédio, qualquer assédio, é condenável. Por ser condenável, deixei a Inspecção-Geral da Saúde trabalhar e concluir que o médico foi "assediador" e que houve assediadas que se sentiram invadidas na sua intimidade e legitimamente protestaram.
Nada contra, tudo a favor.
Punir quem prevarica.
Julgar nos locais próprios.

Por essa razão não era minha intenção escrever qualquer linha sobre este assunto. Até que um colega leitor me enviou uma cópia da página do Correio da Manhã com um artigo pespegado por um jornalista pespegador.
Um Alexandre, de Évora, especializado em excitações.

Médicos e padres têm muito em comum, para além de assistirem a confissões, do sigilo, de perdoarem/curarem e até nas penitências: a dos padres sempre é mais barata do que aquelas ordenadas pelos médicos, mas cuja despesa fica na farmácia e na indústria farmacêutica. E para além de serem notícia quando assediam, têm também em comum o vestuário que pudicamente os cobre ou encobre.

Pudicamente, porque agora serão necessárias umas novas protecções para que o assédio não cresça sob essas vestes diabólicas.

O porno-jornalista do Correio da Manhã descobriu na sua investigação playboyniana que algumas doentes (talvez a loira da foto) notavam por baixo da sotaina do médico a prova de que estavam a ser assedidas.

Olhando para a minha bata-branca e para o meu assédio, (mesmo depois de ingerir duas pastilhas de viagra e de folhear mais umas porno-reportagens do porno-jornalista) fico triste, não noto que o meu assédio seja suficiente para bata se elevar!

Perguntei a uma enfermeira do lado de lá da enfermaria: "Senhora enfermeira, nota algum assédio por baixo da minha bata?"
Ao que me respondeu: "Não. Não noto nada! Mesmo nada. A sua bata está na mesma posição desde que a vestiu".

De lágrimas nos olhos, repito: "Mas não nota mesmo nada? Nem um cadechinho"

- "Pronto, fui enganado! Quem me mandou comprar o Viagra pela internet"

Fiquei descolhoado como se diz na minha terra.

Mas depois de interrogar a Loira-Oxigenada-De-Costas descubro que o assédio do dr X de Elvas é ainda maior que o do Frota, podendo assim ocupar os seus tempos livres da reforma a r

segunda-feira, abril 04, 2005

Eu Juro Que Ouvi

Uma jornalista da TSF (correspondente?) a falar na "pouco esclarecida morte do Papa".

Por outro lado, a Igreja que condena a eutanásia, permitiu que o Papa morresse devido à eutanásia passiva, ao não ser transferido para um hospital.

sexta-feira, abril 01, 2005

Últimas Notícias Sobre A Intrigante Agonia Papal

Este blogue tem conhecimento de que um grupo de jornalistas portugueses especializados em explorar os sentimentos das vítimas de "negligência médica", já se encontra a caminho da Cidade do Vaticano para investigar um hipotético caso de negligência médica, pois segundo as suas fontes, as primeiras notícias referiam-se a uma infecção urinária e segundo as senhoras Cristete, Suzete e Elizabete, habituais assessoras científicas deste grupo de jornalistas, NINGUÉM MORRE DE INFECÇÕES URINÁRIAS, pois as próprias são portadoras de colibacilo crónico, automedicadas com as florentinas e nunca morreram.


Um segundo grupo tentará entrevistar os familiares mais próximos do Papa.
Uma hipotética esposa clandestina, uns filhos ocultos, os avós provavelmente ainda vivos, mesmo os pais polacos.

O chefe de redacção já comunicou que sem familiares, a investigação da hipotética provável presumida negligência médica suspeita não avançará.


Eu sei que o Sumo Pontífice lhes perdoará, como me perdoará este post.

Mil Desculpas À S. Alves...

O catálogo apresentado no post anterior é da Senhora Dona Serrano, conhecida por ter vendido a sua gravidez a um banco...