terça-feira, agosto 30, 2005

O Caso do Ureter Laqueado

Segundo o Correio da Manhã, n' O Caso do Ureter Laqueado esta "Paciente pondera queixa" (sic) já há algumas edições atrás.

Pressuponho que o jornalista ganhe por notícias enviadas para o Correio da Manhã e nesse caso a ponderação sempre tráz uns cobrezitos a mais.

Mas ainda ninguém explicou ao senhor jornalista que se escreve ureter e não uréter com acento?

segunda-feira, agosto 29, 2005

Eu Quero Descansar, Mas A Iolanda Não Deixa

No Correio da Manhã de hoje esta notável peça jornalística assinada por Iolanda Vilar sobre

"O Nódulo Gigante do Testículo do Senhor"
(título meu)

Em negrito os pontos que entendo como manipuladores das consciências de quem lê a notícia.

"Saúde: doente desespera por operação há seis meses
Ignorado pelos médicos
[título da Iolanda]

O doente de Armamar já não sabe o que mais há-de fazer para ver concretizada a operação cirúrgica

Um doente de Armamar espera há seis meses por uma intervenção cirúrgica a um nódulo num testículo. O Hospital de Viseu diz que faz a operação se receber informação da urgência do caso do médico de família. Este, por seu turno, afirma que há situações mais urgentes e o paciente já não sabe como ultrapassar a situação.


José Jesus Silva, de 58 anos, natural de S. Cosmado, tem visto agravar-se o seu estado de saúde e teme perder as forças para trabalhar, antes que o problema seja resolvido, “através de uma cirurgia simples.”

“Mal consigo trabalhar e desespero de noite para poder dormir ou até sentar-me à mesa para comer”, lamenta o doente, serralheiro de profissão, a quem o médico de família diagnosticou um pequeno nódulo no testículo esquerdo e elaborou uma primeira carta enviada ao Hospital de Viseu, dando conhecimento do caso, e que até agora não obteve qualquer resposta.

“Na última visita ao Centro de Saúde, o médico diagnosticou-me também uma infecção nos rins e outros problemas, que me impedem de exercer o meu trabalho”, conta José Jesus Silva, que despende por mês mais de 100 euros em medicação. “Como não tenho dinheiro para pagar uma cirurgia privada, sou obrigado a esperar meses e meses para acabar com este sofrimento”, diz, lamentando o facto de “descontar muitas dezenas de euros para a Segurança Social e quando é preciso não ser atendido de forma eficaz”.

O director clínico do Hospital de S. Teotónio, em Viseu, Cílio Correia, considera “infundadas” as críticas deste paciente e explica que o médico de família tem duas vias para resolver o problema do doente: “Não se pode descartar do problema e esperar simplesmente que o paciente seja chamado para cirurgia. Caso haja agravamento do estado de saúde, deverá renovar o pedido de consulta ou cirurgia, referindo o seu carácter de urgência, de modo a ser atendido no Serviço de Urgência deste hospital. Ou faz um contacto telefónico ou por carta com o Director de Urologia ou o médico de serviço, solicitando uma observação urgente”.

Mas, o médico de família considera que “estas não são as vias mais correctas para resolver a questão”, referindo que “caso solicitasse por essas vias uma observação ou cirurgia, estaria a ultrapassar pacientes com problemas oncológicos, que obviamente têm prioridade.”

FALTAM UROLOGISTAS

No contexto actual, as situações com carácter oncológico têm prioridade e o seu atendimento depende da avaliação de um conjunto de patologias e características do doente, explica o director clínico do Hospital de Viseu.

Segundo Cílio Correia, actualmente o Hospital de S. Teotónio presta cuidados de Urologia a meio milhão de pessoas e dispõe de quatro urologistas, um número considerado “insuficiente para dar resposta a todas as patologias”.

A partir de Setembro, garantiu, o Sistema Integrado de Gestão Nacional vai permitir alertar os doentes colocados em lista de espera cirúrgica, quando atinjam 75 por cento de um ano do prazo. “Nessa altura será avaliada a condição de saúde do paciente e a necessidade de transferi-lo para outro hospital”.


Nota do Explicador: se algo se pode depreender da leitura desta história é que não há razão para a frase "Ignorado pelos médicos".

Resta-me uma dúvida, a senhora jornalista viu e palpou o nódulo?

terça-feira, julho 26, 2005

Sobre O Humanismo Dos Médicos

Alguma palavra sobre os médicos? Não! Ninguém os está a acusar de nada.

Caso - Ucraniano teve alta em 2001 e só agora voltou a casa
Carlos Barroso

Internamento terá custado um milhão de euros
Um cidadão ucraniano sem recursos económicos que estava há cinco anos internado no hospital de Caldas da Rainha, apesar de ter tido alta clínica em 2001, regressou finalmente ao seu país. O hospital pagou as despesas que o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e a Embaixada da Ucrânia sempre recusaram assumir.


O caso só foi desbloqueado no dia 4 deste mês, quando o Centro Hospitalar de Caldas da Rainha (CHCR) pagou o bilhete de avião do imigrante, que foi acompanhado por um enfermeiro, pois está imobilizado do pescoço para baixo.

A viagem revestiu-se de um transporte especial, ocupando vários lugares e implicando o isolamento dos restantes passageiros. Daí o tarifário elevado: mais de cinco mil euros.

A administradora do CHCR, Maria do Rosário, revelou que o ressarcimento vai ser pedido ao SEF. “As despesas necessárias ao abandono do País que não possam ser suportadas pelo estrangeiro deverão ser suportadas pelo Estado, inscritas no orçamento do SEF”, argumentou.

A administradora estima que os cinco anos de internamento terão custado ao Estado perto de um milhão de euros. E foi menos uma cama no serviço de medicina física e reabilitação, com apenas 12 camas. “Foi um autêntico processo de hotelaria”, criticou.

Vitaliy Kulik, de 31 anos, tinha autorização de permanência em Portugal e foi encontrado caído na EN 360, em Junho de 2001. Terá sido atropelado. Entrou em coma com lesões graves a nível crânio-encefálico.

Seis meses depois, em estado vegetativo, recebeu alta do CHCR, pois o corpo clínico entendeu que não havia recuperação possível, devendo o doente ser entregue à família. Só agora regressa a casa
.

Começo a pensar que estou com a "mania da perseguição"...

domingo, julho 24, 2005

A Manipulação Sobre Médicos Já Chegou Ao Público

Carta de um médico:


"Em Março/Abril do ano corrente fui contactado telefonicamente por uma jornalista desse jornal que pretendia saber algumas informações técnico-científicas sobre uma intervenção cirúrgica obstétrico-ginecológica - a "curetagem uterina".

A referida jornalista colocou-me várias questões, tais como "de que intervenção em concreto se tratava, quais as suas indicações e ainda quais os seus riscos e possíveis complicações".
O que me era pedido enquadrava-se estritamente num âmbito genérico, sem qualquer ligação com nenhum caso concreto. E foi neste entendimento que acedi ao pedido e prestei as informações requeridas.Por isso, torna-se indispensável corrigir duas questões fundamentais decorrentes do tratamento jornalístico que muito tempo depois lhes foi dado.

1 - A primeira tem a ver com a interpretação não correspondente ao que eu disse quanto à possibilidade de ocorrer uma "perfuração do útero apenas se a intervenção for mal feita". De facto, não foi exactamente isto o que eu disse, mas antes que "este tipo de complicações era raro e que a sua ocorrência poderia ser mais frequente em caso de imperícia ou pouca experiência do operador". Como V. Exa. verifica, isto não é a mesma coisa que dizer "apenas ocorre se for mal feita".

2 - A segunda questão é bem mais grave.
De facto, a publicação das minhas declarações foi efectuada sob a forma de "caixa" inserida e fazendo parte integrante do texto de uma notícia publicada na edição do dia 14 de Julho, de tal forma que se transmite a ideia que as informações que prestei eram directamente relacionadas com a situação concreta constante da notícia publicada sob o título "Paciente apresenta queixa contra médica do Hospital de São João".Ora, na verdade, quando prestei as informações que a jornalista me pediu desconhecia totalmente o caso relatado, do qual apenas tomei conhecimento quando li a peça publicada no dia 14. Para além disso, mesmo que eu o conhecesse, não poderia nunca pronunciar-me publicamente sobre um caso concreto ou sobre o correspondente processo clínico.

Prof. Carlos Santos Jorge
Presidente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Ginecologia"


E o Público explicou a manipulação, sem a admitir ou pedir desculpa aos visados.

Resultado: o Correio da Manhã, perdão o Público passou uma mensagem errada apenas com o objectivo de julgar e vender notícias sobre médicos, queixas, negligência, erros e quejandos.
Ai Público, Público, olha que os teus leitores não são os do Correio da Manhã, nem da TVI.
São intelectuais que procuram uma informação isenta e não subliminarmente manipuladora.


"N.D. - O PÚBLICO colocou as questões de forma abstracta para obter uma consideração técnica genérica e não directamente associada a um caso concreto, pois considerámos que assim a reflexão médica resultaria mais genuína. O PÚBLICO reconhece que devia ter assinalado de forma explícita que a declaração do prof. Carlos Santos Jorge, editada como "caixa" autónoma no corpo de uma notícia, fora feita em abstracto e não se referia ao caso relatado a 14 de Julho."

sexta-feira, julho 22, 2005

As Fases Da Leitura De Uma Notícia Sobre Saúde

Fase 1 - Interesse: "Uma jovem de 20 anos, de boas famílias entrou no Hospital às 4 da manhã com aspecto de ter snifado coca"









Fase 2 - Espanto: "A jovem afirma que foi violada pelo maqueiro de serviço enquanto aguardava numa maca no corredor do Hospital"





Fase 3 - Confusão: "Ouvida a secretária do assessor do chefe de gabinete do vogal da comissão, nesse dia o maqueiro de serviço era uma maqueira".





Fase 4 - Não percebo nada disto, um brilhosinho nos olhos para a gaja que está ao lado da notícia que estou a ler.





Fase 5 - Tribunal: Segundo apuramos a família vai levar o caso até às últimas consequências, pois não se admite que um jovem (que não quis ser fotografada) seja tratada assim. Como assim? A família vai fazer queixa na Paróquia de Cascais e aconselhar-se com o Pároco da Quinta da Marinha. só depois irão para o Tribunal.


Fase 6 - Não percebo nada disto, mas a culpa é do médico.






Fase 7 - Off: O Tio da jovem depois de "a culpa é do médico" lhe ter explicado que foram retirados dois vibradores daqui, um dali, outro dacolá e outro avulso.

Para Si, Intelectual Ansioso(a) Com A Febre Do Seu Filhote

Leia este post de um jovem médico, ainda interno, mas que vai desabafando didacticamente aquelas noções básicas e importantíssimas que o comum dos mortais deveria saber, incluindo os meus amigos jornalistas... (que também têm filhos!)

terça-feira, julho 19, 2005

Atenção Médicos A Esta Linda Jovem


Dela poderá sair um tiro certeiro............

Vou Comprar Um Colete À Prova De Bala

Depois de ler a introdução a esta notícia do Diário de Notícias, tremi, chorei, e interroguei-me se amanhã deveria ir ou não trabalhar ou solicitar protecção para todos os médicos que, cada vez mais têm uma profissão de risco.

Não será esta notícia um incentivo ao crime? Ao assassínio? À justiça popular?

Que me diz a isto Ivone Marques, uma jornalista de quem gosto?


"O processo de Aida Edite dos Santos

"No outro dia, liguei para a TVI para dizer que percebo aquele homem que deu o tiro no médico para vingar a mulher. Se tivesse feito isso, já tinha saído da cadeia" O HCV não esclarece se houve inquérito interno para apurar responsabilidades "A actual Administração é absolutamente alheia à questão"


Em 21 de Outubro de 2004, o Tribunal da Relação de Lisboa anulou a sentença de absolvição de dois médicos arguidos no processo de crime de homicídio por negligência de Aida dos Santos, morta em 25 de Novembro de 1995 devido a sepsis. A nulidade, suscitada por recurso dos filhos de Aida, assentou na inexistência de um exame crítico das provas que, nas palavras dos juízes da Relação, permita que "qualquer pessoa siga o juízo e presumivelmente se convença como o julgador". Ou seja, a absolvição não está fundamentada.

De facto, mesmo para um leigo, [deve ser o jornalista com saudades da Inquisição] a sentença evidencia aspectos contraditórios.

Pela leitura retiro uma conclusão: se até para os doutos juízes houve dificuldade em atingir as mesmas conclusões, o que compreendo, porque na realidade a Medicina não é bruxaria e nunca se adivinha o minuto seguinte a um qualquer procedimento, para o jornalista tudo se resolve com tiros e mais tiros.

A jornalista chama-se Fernanda Câncio.

terça-feira, julho 12, 2005

A Gale(rinha)ria da Fama

A Sandra instrumentalizando o jornalista que está escondido. Será este jovem de cabelo liso? Ou será este o diabético? O jornalista escondido, poderia ser outro nome para este post...

O Jornal de Notícias E Este Jornalista Estão A Cometer Um Crime Contra A Ciência

do qual podem resultar várias mortes!

É um artigo demagógico, mentiroso e coloca em risco todos os diabéticos jovens que podem morrer se abandonarem a terapêutica e seguirem o "jornalista" Carlos Rui Abreu.

Mais uma vez lá está a conta bancária.... e o jornalismo de m****.

Vou continuar a hibernar... e viva a Câmara de Fafe, pois com Fafe ninguém fanfa, nem o Carlos Rui Abreu!

"Criança diabética sem dinheiro para tratamento
apelo David Faria tem melhorado graças a medicina natural
Câmara Municipal impossibilitada de comparticipar

Família olha com cepticismo para o futuro de David Faria


Carlos Rui Abreu"

"Os médicos dizem que se o David continuar assim morre". A situação de David Faria com 14 anos, de Fafe e diabético desde os sete é preocupante, mas um tratamento baseado em produtos naturais está a dar os primeiros sinais de esperança a esta família que luta com todos os meios para conseguir pagar os tratamentos. "O David está a reagir muito bem a estes tratamentos, os valores têm baixado, ele está melhor, mas nós não temos dinheiro para continuar com isto", confessou ao JN Sandra Faria, irmã de David.

Este tratamento natural, de que a irmã teve conhecimento através de colegas de trabalho, é visto pela própria como a última solução para um caso que já foi acompanhado por clínicos do Hospital Senhora da Oliveira, em Guimarães, de onde o David saiu "zangado com o médico", e Hospital de S. João, sem que surgissem resultados práticos. A ausência de resultados é, em parte, da responsabilidade do próprio David. "Ele, fruto da idade, nunca aceitou a doença e cometia muitas asneiras com a alimentação fora de casa", explicou Sandra Faria.

Agora, com a mãe reformada por invalidez e o pai a auferir um rendimento de cerca de 500 euros, a família não está a conseguir suportar o encargo deste tratamento que fica em média por 250 euros mensais. "Já abrimos uma conta e estamos abertos a todo o tipo de apoio, porque este tratamento não tem limite para terminar e eu vejo-o como a única forma de manter o meu irmão vivo", apelou Sandra Faria. A conta de solidariedade está já aberta na CGD 003503000008010790096.

David Faria não será ajudado pelos serviços de acção social do Município de Fafe. O vereador Raul Cunha rejeitou dar qualquer apoio a este jovem, "porque é uma medicina alternativa e não temos competências para suportar". Para Raul Cunha o sucesso que este tratamento natural está a ter deve-se simplesmente "à motivação psicológica que a medicina natural pode causar", uma vez que as pessoas que ministram essa medicina natural "foram mais eficazes para ultrapassar a barreira psicológica que essa criança tinha".

Raul Cunha falou ao JN como vereador da autarquia fafense, mas na sua qualidade de médico tem "dúvidas de que esse tratamento natural seja útil para o doente a não ser na questão psicológica".

O vereador lamentou ainda que "os médicos que acompanham o jovem não fossem informados
".

quinta-feira, julho 07, 2005

Terror. Terrorismo.

quarta-feira, julho 06, 2005

Nem a hibernar me deixam descansado!

O melhor jornal português para usar na casa de banho de alguns hospitais que não estão completas, postulava ontem em grosso título:

"A Medicina portuguesa na lista negra da Europa", a propósito de um aspecto particularíssimo da Medicina.

Como prémio ao jornalista, ofereço este bilhete sobre chupões e que me deixem hibernar sossegado...

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terça-feira, junho 28, 2005

Não Vejo Nada ...

Espreitadela


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domingo, maio 29, 2005

Hibernação

O Médico Explica Medicina A Intelectuais iniciou um período de hibernação com a sensação de que as suas explicações em nada contribuiram para a diminuição dos elevados índices de iliteracia científica...

segunda-feira, maio 23, 2005

"Relação de especial intimidade entre os médicos e os jornalistas"

Dr. Francisco George, no jornal Tempo Medicina

A recente ameaça de gripe das aves serviu de mote à discussão sobre a problemática da comunicação do risco. Na Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), médicos, responsáveis oficiais e jornalistas debateram formas de conseguir alcançar com êxito a difícil meta de informar sem alarmar.
No passado dia 18, a ENSP, em Lisboa, promoveu um painel debate sobre as dificuldades de comunicar em Saúde. Intitulado «Percepção do risco e comunicação em Saúde Pública – A gripe das aves», o evento partiu desta ameaça de pandemia para pensar a complexa problemática.
Integrado no curso de Mestrado em Saúde Pública da escola, o debate foi moderado pela Dr.ª Antónia Frasquilho, psiquiatra e Mestre em Pedagogia da Saúde. Neste painel participaram dois jornalistas – Manuel Acácio, da TSF, e Madalena Augusto, da SIC Notícias – e dois representantes de entidades oficiais, o Dr. Francisco George, Subdirector-Geral da Saúde, e a Prof.ª Teresa Paixão, virologista do Instituto Nacional de Saúde do Dr. Ricardo Jorge (INSA). Além destes, também deram os seus contributos o Prof. Paulo Moreira, especialista em Comunicação em Saúde, e a Dr.ª Isabel Marinho Falcão, que apresentou um estudo do INSA acerca do conhecimento da população portuguesa sobre a gripe das aves (ver caixa).
A moderadora abriu o debate enumerando quatro das muitas razões que explicam por que é importante que os especialistas e responsáveis da Saúde se aliem aos media, na comunicação de situações de perigo para a Saúde Pública. «Quando estamos perante uma situação de risco em Saúde, é preciso difundir a mensagem, ampliar o seu impacte, trabalhar com profissionais qualificados e também tonificar o impacte da notícia. Ora, os jornalistas são as pessoas indicadas para o fazer», afirmou a Dr.ª Antónia Frasquilho.
Contudo, nem sempre a comunicação do risco se processa da melhor forma, falhando sobretudo o último tópico mencionado, como demonstrou a moderadora, dando exemplos de notícias sobre a gripe das aves veiculadas pelos media nacionais. Segundo a Dr.ª António Frasquilho, «o medo e a dramatização são inimigos da boa comunicação do risco», enquanto o conhecimento e a sabedoria são os seus melhores aliados: «É importante informar, mas também é essencial criar conhecimento e ir para além do racional, ou seja, fazer a gestão das emoções. A contenção da população, a serenidade, são fundamentais e é aqui que a ética intervém», disse.
Já a Prof.ª Teresa Paixão, que expôs alguns factos e números da história da gripe das aves, sublinhou que esta «é uma realidade e um problema de Saúde Pública mundial, para o qual é preciso uma conjugação de esforços».

O desafio da nova Saúde Pública

O Dr. Francisco George defende que a «nova Saúde Pública» deve estabelecer com os meios de Comunicação Social uma «relação de especial intimidade». Segundo o Subdirector-Geral da Saúde, esta ligação tem que ser reforçada, até porque fenómenos como a gripe das aves, a SARS ou as ameaças bioterroristas «colocaram a Saúde Pública na linha da frente das preocupações nacionais e mundiais».
Por tudo isto, é essencial garantir a correcta informação à população, de modo a evitar o empolamento do problema. O Dr. Francisco George defende, nesse sentido, a disponibilização de informação, através da internet e de linhas telefónicas próprias e sempre disponíveis, mas esta deve funcionar apenas como um complemento do «imprescindível» trabalho efectuado pela Comunicação Social. «Sem os media não há comunicação do risco, nem adopção de medidas de Saúde Pública», sublinhou o responsável.
Já os jornalistas salientaram a importância de haver especialistas disponíveis para explicar os fenómenos e esclarecer a população, em tempo útil, uma das maiores dificuldades do trabalho jornalístico. «Nós temos uma pressão enorme em termos de tempo, e nem sempre os profissionais de saúde estão disponíveis para falar, quando uma notícia rebenta nas redacções. E nós precisámos de avançar a informação», explicou Madalena Augusto, que sublinhou a importância de media e especialistas de saúde fomentarem a referida «relação íntima». Por seu turno, Manuel Acácio frisou que «para os jornalistas, também é um risco dar notícias de saúde», pois estas têm um enorme impacte na opinião pública. Além disso, os dois profissionais da Comunicação Social alertaram para a importância de os especialistas de saúde saberem adaptar o seu discurso ao órgão para o qual estão a falar e terem em conta que quando se fala para as «massas» não se pode usar o «médiquês» e é preciso simplificar. «Tal como nós temos de saber fazer as perguntas certas, o lado da Saúde tem que ter a sabedoria de saber comunicar», afirmou o jornalista da TSF.
Por fim, o Prof. Paulo Moreira contou a sua experiência como relações públicas de um hospital para demonstrar que a comunicação de uma instituição de saúde deve ser não só reactiva, mas também pró-activa e que, em caso de risco ou crise, aquela deve estar preparada para reagir, 24 horas por dia, se necessário.

Maria F. Teixeira

sexta-feira, maio 13, 2005

Com A Falta De Inspiração Primaveril...

iniciam os doentes a sua colaboração literária neste blogue.

Mas ao lerem, tenham em atenção que (eu sei Catarina II que não gostas que eu diga isto, mas tu ainda estás no início da profissão e para ti tudo ainida é poesia!) são estes doentes as grandes fontes de informação dos nossos jornalistas.

Primeira colaboração:

- "Senhor doutor meti um continente no ouvido e derramou logo sangue!"

Assim explicava a sua hemorragia traumática do canal auditivo externo.

sábado, maio 07, 2005

É Tão Fácil ... Não Morrer Aos 56 Anos

... por lesões coronárias graves.

Há quanto tempo não mede a sua pressão arterial, só pedimos 2 x ano, para os saudáveis. Se for portador de doença hipertensiva, não esqueça que a terapêutica é diária e vitalícia (no actual estado do conhecimento científico).

E o colesterol? Sabe quais são os seus valores? Só pedimos o controle anual para os saudáveis. Para os outros depende do seu médico. Mas se tiver colesterol superior a 190 mg/dL, já sabe pode estar em risco de vir a padecer de lesões coronárias graves e das suas consequências.

Falar do tabaco diário? Não falo.

Admirava-o. É pena desaparecer.

Que o seu desaparecimento sirva para que amanhã alguém se dirija ao seu médico de família e peça uma análise ao colesterol. E meça a sua pressão arterial.

Não custa nada.

É pena que o "folclore" das picadas no dedo a que se assiste actualmente não se dirija a quem precisa. Não se dirija aos grupos de risco ainda não diagnosticados com factores de risco.

Não é a primeira vez que faço um post sobre alguém vip que desaparece precocemente por doenças evitáveis.

Não sei se você não será o próximo.... e os jornalistas serão um grupo de risco para a doença coronária.

domingo, maio 01, 2005

Do Interior Do Centro De Saúde De Cabeceiras De Basto

J. S., habitual leitor deste blogue enviou-me esta mensagem:


----- Original Message -----
From: xxxxxxxxxxx@clix.pt
To: xxxxxxx@yahoogrupos.com.br
Sent: Saturday, April 30, 2005 9:35 AM

"Só uma dica.

É mais um caso de guerrilha política (PS - autarca versus PSD - Directora do CS).

O caso já se arrasta há muito tempo com a divergência sobre a construção do Internamento do CS (recuperação do actual que está instalado num edifício da Misericórdia e em parceria com esta, já a pensar num regime de internamento para cuidados continuados, onde funciona o SAP - defendido pela Sub-Região e Directora do CS e um novo internamento em edifício anexo ao novo CS - defendido pelo autarca).

Os processos de "negligência" correm normalmente (inicialmente era 1) agora passam a 4, segundo parece, instigados pelo autarca.

Saúd...ações."


Senhores jornalistas façam jornalismo de investigação, não jornalismo de "pespegação"

O Conselho Regional Do Norte Da Ordem Dos Médicos A Reboque Da Comunicação Social

O jornal "Tempo Medicina" também com a mesma agenda da comunicação social generalista escreve que o presidente do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos "pede intervenção do Colégio de MGF para verificar as condições do exercício da profissão médica no Centro de Saúde de Cabeceiras de Basto"
É estranho que só agora o CRM da Ordem do Médicos se lembre de vir para a comunicação social pronunciar-se sobre assuntos que desconhece, representando com esta atitude mais uma "acha para atear a fogueira da negligência médica".
Melhor esteve o bastonário que não se pronunciou, não alimentando assim a especulação.
Era bom que os senhores jornalistas investigassem quem é o senhor que despoletou isto, que interesses se escondem por trás e que outras situações se passam em Cabeceiras de Bastos para o senhor prusidente ficar de repente tão interessado na negligência médica.
Preocupado ficava eu agora, pois nenhum médico pode actuar livremente e usar o seu raciocíneo clínico hipotético-dedutivo com o peso da suspeição em cima.
Se mais informações houver, serão partilhadas com os leitores.