segunda-feira, janeiro 30, 2006

Eu Não Dou E Apelo A Que Ninguém Dê!

SE EM PORTUGAL NÃO HÁ TRATAMENTO, O SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE ATRAVÉS DO E-114 PERMITE O TRATAMENTO NO ESTRANGEIRO, GARTUITAMENTE!


"Ajudar menino com epilepsia

Todo o homem é meu irmão é uma rubrica do JN, com mais de três décadas de existência, que foi criada para ajudar a resolver problemas sociais, por falta de resposta das entidades competentes. Qualquer pedido de apoio deve ser dirigido por escrito para Todo o homem é meu irmão, Rua de Gonçalo Cristóvão, 195, 1º andar, 4049-011 Porto. Esclarecimentos adicionais através do telefone número 222096125. As ajudas financeiras devem ser depositadas na conta com o NIB: 003300000000039712196

O JN associa-se a uma campanha de angariação de fundos para ajudar o Sérgio, uma criança de três anos de Viana do Castelo com epilepsia profunda.

Os pais do menino desesperam por não terem meios financeiros que permitam o tratamento do filho em Espanha, numa intervenção médica que o poderia salvar.

Segundo a mãe, Sandra Araújo, são precisos 10 mil euros para viagens e tratamentos.

O Sérgio sofre de epilepsia profunda que lhe estará a matar as células do hemisfério direito do cérebro.

Fundo comum

A. Santos 10 euros

Anónimo 50

M.N. 20

Anónimo 10
"

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Ganda Caxa do JN

"8 Médicos 8 de Viseu acusados de homicídio por negligência"

Nada mais: 8 médicos 8 actuaram com dolo perante uma doente. Se o Hospital de Viseu tiver 80 médicos eu sugeriria uma outra caxa.

"10% dos médicos do Hospital de Viseu são negligentes!" Ora, nesse caso o referido hospital deverá ser encerrado já! É um perigo para a Saúde Pública dos portugueses.

Erro de diagnóstico houve de certeza e a familia da doente deverá ser ressarcida pelos serviços públicos da correspondente indmenização.

Diz o filho que a vai pedir e bem choruda, mas não é para já! Diz ele que não tem pressa. Pudera. Como pode pedir a indmnização se ainda nem sequer houve julgamento!

Mas não estou contra isso. As companhias de seguros existem para pagá-las.

Passemos ao caso: segundo se lê, a paciente morreu de complicações devidas a uma hérnia estrangulada.

Uma hérnia estrangulada é uma situação urgente e em mais de 95% dos casos de fácil diagnóstico. Geralmente é o próprio doente que faz o diagnóstico, de tão fácil que ele é.

Portanto, restam os 5% para situações em que por diversos motivos a hérnia encarcerada não é diagnosticada. Até é possível que a dor seja referida em local diferente da localização da hérnia.

Lendo partes do despacho do Senhor Delegado que o JN transcreve, fico com a impressão de que se tratará de uma verdadeira peça lapalissiana:

Diz-se:

- "não efectuaram o diagnóstico correcto e instituindo a terapêutica adequada", obviamente se a senhora morreu...

- "não procederam da forma mais correcta ao reequilíbrio da paciente", obviamente se a senhora morreu...

- "se os oito médicos tivessem adoptado como deviam e podiam os procedimentos adequados à praxis médica", obviamente se a senhora morreu... não foram os procedimentos adequados.

Em conclusão: não necessito de ler muito mais para concluir que se trata de um erro médico e não negligência médica.

Até considero que, se a doente em duas idas ao hospital foi observada por 7 médicos, foi muito bem observada, só que os médicos erraram no diagnóstico, mas se todos erraram é porque o quadro clínico não era sugestivo de tal patologia

(Ouço agora que até a SIC Notícias (cada vez mais uma TVI para intelectuais...) transformou os filhos da inditosa senhora em estrelas...)

P.S.: lembro-me de um caso passado comigo, já há mais de uma década, em que o único sintoma de uma hérnia encarcerada era um quadro de tosse que o doente iniciou sem causa aparente. Só depois de internamento hospitalar e de bastantes exames complementares se diagnosticou a existência de uma hérnia inguinal encarcerada. Só a cirurgia fez para a tosse.

Ai se esses filhos fossem filhos do meu doente. Ai se o senhor delegado fosse o mesmo.

Houve erro e a família deveria ser indmnizada directamente pelo hospital e rapidamente, sem recurso a tribunais.

Para o tribunal só os casos de negligência verdadeira.

Nota: os Juízes e os delegados quando erram o que lhes acontece? São acusados de negligência?

quarta-feira, janeiro 25, 2006

O Lobie Bem Insiste, Mas...

From American Journal of Health-System Pharmacy

Complementary and Alternative Medicine for Upper-Respiratory-Tract Infection in Children
Posted 01/17/2006

Roxane R. Carr; Milap C. Nahata

Abstract
Purpose: Evidence on the efficacy and safety of complementary and alternative medicine (CAM) for the prevention and treatment of upper-respiratory-tract infection (URTI) in children is reviewed.

Summary: A search of the literature to June 2005 identified six clinical trials examining the use of herbal medicines and nine trials of other CAM therapies. All articles were critically evaluated for adherence to standards of efficacy and safety research. Echinacea did not reduce the duration and severity of URTI. Andrographis paniculata or echinacea decreased nasal secretions (p < 0.01) but not URTI symptoms. A combination of echinacea, propolis, and ascorbic acid decreased the number of URTI episodes, the duration of symptoms, and the number of days of illness (p < 0.001). Echinacea was associated with a higher frequency of rash compared with placebo (p = 0.008). Neither ascorbic acid nor homeopathy was effective. The efficacy of zinc was not clear, and zinc may be associated with adverse effects in children. Osteopathic manipulation decreased episodes of acute otitis media (p = 0.04) and the need for tympanostomy tube insertion (p = 0.03) in children with recurrent acute otitis media. Stress-management therapy reduced the duration of URTI compared with relaxation therapy with guided imagery or standard care (p < 0.05).

Conclusion: Current data are generally inadequate to support CAM for the prevention or treatment of URTI in children.

domingo, janeiro 22, 2006

Nem A "Ofalmologista" Katia Guerreiro Abriu Os Olhos Ao Povo

O Povo votou, está votado, algumas dezenas de milhar de portugueses fizeram o fiel da balança deslocar-se para a direita. Noutras alturas, esses mesmos deslocaram para a esquerda.

Uma candidatura que tem nos seus mandatários, um cidadão como João Lobo Antunes, de reconhecidos méritos e uma cidadã, também médica, Katia Guerreiro, representante portuguesa do oportunismo e do "desenrasca" dá muito que pensar!

Mas convém não esquecer: o maior aliado de Cavaco foi o PS e o seu Secretário-Geral - José Sócrates.

sábado, janeiro 14, 2006

Ainda a Katia: sem comentários...

No Diário Digital de ontem:

"A fadista é médica oftalmologista, que conhece Cavaco Silva há cerca de dois anos, não teme que a colagem a um político possa prejudicar a sua carreira." - Até os jornalistas se enganam.

Alguém me enviou a cópia de uma carta da direcção do Colégio de Oftalmologia a autorizar o internato voluntário em oftalmologia num serviço idóneo não podendo ultrapassar as capacidades formativas desse mesmo serviço, definidas pelo Colégio. Ora, se a Katia diz que está a trabalhar num serviço de oftalmologia, presumo que não estará a fazê-lo como interna geral, se está em oftalmologia, estará ou ilegalmente ou a retirar o lugar a alguém que fez exame e lá não conseguiu ficar.

O documento está em formato TIF e não sei como pô-lo on-line. Será enviado a quem o solicitar por e-mail.

sábado, janeiro 07, 2006

Para A Filipa Carvalho, Futura Médica

... mas com interesse para todos.

Pediu-me a Filipa se poderia postar sobre a "relação médico-paciente".

Esta relação é a base de todo o acto médico.

Para a sua investigação deixo-lhe aqui dois livros e um link português (haverá milhares na Internet!)

- Médicos com Emoções. Autores: John Salinsky, Paul Sackin.

- "O Médico, o seu Doente e a Doença" (trad. Port./ed. Climepsi/98).

- Grupos Balint

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Patient safety / Risk management

Publicado no jornal Tempo Medicina

Artigo do Dr. Ciro Costa*

"Errar é humano
Patient safety / Risk management é assunto muito discutido nos Estados Unidos, Austrália e Europa. Nos Estados Unidos com particular ênfase por vários motivos. Um deles foi o aparecimento de um livro — To err is human — que fala de cerca de 45 a 98 mil perdas de vidas por erros no sistema de saúde e de um número pelo menos 10 vezes superior em morbilidade séria com a mesma causa. O outro dos motivos é que a lógica da culpa, que existe no sistema, torna a Medicina mais defensiva, cada vez mais cara, por um lado, enquanto, por outro lado, os prémios de seguro de responsabilidade médica têm custos exorbitantes e aumentos exponenciais sempre que há uma decisão judicial com elevadas indemnizações.

No Estado de Nova Iorque, em 2004, o seguro de responsabilidade chegou aos 100 mil dólares/ano!!! Há muitos médicos que limitam ou mesmo abandonam a actividade por não poderem suportar o prémio de seguro. Há especialidades - por exemplo Obstetrícia — que «desapareceram» de alguns condados.

A tendência até agora tem sido culpar os médicos. Ao fim e ao cabo são eles que dão a cara e decidem. Na maior parte dos locais, projecta-se a responsabilidade dos actos nos médicos e a definição da qualidade assistencial exclusivamente na avaliação/punição da performance individual dos profissionais nas suas diversas vertentes.

Logicamente, sendo eles considerados os «culpados» devem ser castigados quando há algo que não corre bem e, por outro lado, para que tudo corra bem têm de ser «perfeitos» do ponto de vista técnico e científico. Para isso nada melhor do que «obrigá-los» a terem muitos conhecimentos, impondo a frequência de acções de formação - os créditos - e levando isso até ao extremo com a recertificação periódica para o exercício profissional.

Mas nos países do mundo em que isso é levado muito a sério, com formação médica contínua individual obrigatória organizada e recertificação profissional individual periódica, continua a haver um elevado índice de «erros médicos» como o provam diversos estudos (The Harvard study — 1991, The Utah/Colorado study — 1999, The UK pilot study — 2000, Tue quality of australian health care study — 1995, The danish pilot study — 2001, etc.).

A conjugação destes dois factores, Medicina defensiva e custos de seguro ligados à responsabilidade profissional, tornam, a curto prazo, o exercício médico quase impossível pela parte dos profissionais e com custos assustadores e proibitivos para a sociedade, colocando cada vez mais cidadãos sem acesso a cuidados de saúde. Ora isto não é aceitável em países civilizados.

Nos Estados Unidos há um forte movimento na sociedade envolvendo médicos, políticos, opinião pública e organizações para impor, por lei, um tecto (até 500 mil dólares) às indemnizações por danos não patrimoniais e, assim, limitar os custos de seguro nos orçamentos de saúde. Têm tido um sucesso limitado - até agora poucos estados adoptaram leis deste género.

Nova organização da prática médica

A prática médica terá também de ser organizada de outra maneira. É preciso mudar os processos de controlo, avaliação e actuação se quisermos ter êxito na guerra por uma Medicina de qualidade, centrada na segurança do paciente e diminuindo o risco da nossa actividade.

A nossa actividade é de alto risco, tal como, por exemplo, a indústria nuclear, a indústria química ou o transporte aéreo. Nestas indústrias há políticas de qualidade muito rigorosas que diminuíram drasticamente os erros e acidentes, pelo que teremos algo a aprender com eles. O risco de acidente ou erro na prestação de cuidados de saúde é comparado ao do montanhismo e ligeiramente menor que o bungee jumping!!! É um sistema muito pouco seguro mas poderia ser muito pior se não fossem os cuidados que os profissionais têm e a vigilância que há sobre o sistema.

Os voos charter e a indústria química revelam melhores níveis de segurança e, no topo desta lista de actividades de risco, temos o transporte aéreo regular, os caminhos-de-ferro e a indústria nuclear. Estas últimas actividades atingiram o topo da segurança porque alteraram os seus procedimentos e implementaram políticas adequadas.

A grande diferença está na forma como se olha para os erros. De uma maneira geral, num sistema organizado, os erros serão do sistema, resultam de várias falhas concorrentes e não dos indivíduos em si. Um erro deve servir para aperfeiçoar e melhorar o sistema de modo a evitar repeti-lo. E não se melhora o sistema castigando o vector do erro, mas sim analisando o que correu mal e o que se deve fazer para não voltar a acontecer. Uma política de castigo, vergonha e punição a quem é considerado o responsável da falha leva a que se tente desculpar, a esconder o problema ou a transferi-lo para outrem em vez de encarar a falha de frente, expondo-a para que seja possível evitá-la no futuro.

Portanto, temos de mudar a cultura das nossas organizações e utilizar os conhecimentos das ciências da segurança para tornar a nossa actividade mais segura.

Erros são causados por maus sistemas

O erro é próprio da actividade humana, não pode ser alterado por punição, mas pode ser evitado e podemos proteger os doentes das suas consequências. Na epidemiologia do erro, até agora, os erros eram falta de cuidado, davam origem a queixas, vergonha e punição e, por isso, considerava-se que se deveria insistir no treino individual para a perfeição.

Mas não, os erros são causados por maus sistemas e não por más pessoas. As queixas e a punição tornam as coisas piores. É muito melhor aprender com o erro e redesenhar os processos de actuação. Por isso começam a ser adoptadas políticas de prevenção e estudo dos erros nos serviços de saúde.

Devemos melhorar o desenvolvimento científico e técnico nesta área do conhecimento aproveitando e adaptando o que de melhor se faz em outras actividades mais avançadas em termos de segurança.

Há muito a fazer para melhorar as nossas hipóteses de evitar os erros:
- Adoptar medidas simples, como a obrigatoriedade de serem comunicados todos os acontecimentos adversos;
- Desenvolver sistemas padronizados e rigorosos de identificação dos doentes e dos locais da cirurgia;
- Criar bases de dados de efeitos adversos por comunicação voluntária;
- Fazer auditorias clínicas periódicas, como instrumento de aprendizagem de gestão de risco clínico.
- Promover cultura de informação e aprendizagem.
- Melhorar o relacionamento entre os diversos níveis de decisão, alterando os argumentos de autoridade e hierarquia nas instituições para decisões partilhadas e discutidas transversalmente.
- Fazer campanhas de formação em questões específicas, como por exemplo, lado errado da intervenção, prevenção de infecções, identificação de doentes, prevenir erros de medicação.
A Ortopedia está em foco nestes problemas. Num estudo italiano, a especialidade registava 16,5% das queixas, contra 13% da Oncologia, 10,6% da Cirurgia e 10,8 % da Ginecologia. Por isso quando se fala e discute «erro médico», a Ortopedia e os ortopedistas devem estar na linha da frente.

*Ortopedista no Centro Hospitalar
de Coimbra (Hospital dos Covões)
"

A Notícia Mais Patética do Ano!

Mas será que o JN não tinha mais nada para dar aos leitores?

"Lojistas em vez do INEM no socorro a diabéticaindignação Instituto é acusado de não ter prestado assistência devido à proximidade do hospital, mas garante que doente não quis ser transportada"

Fernando Oliveira - o jornalista inventor.

"Adelaide Vicente, uma das lojistas que assistiram vítima, estava revoltada com actuação do INEMUma mulher de 50 anos que sofreu, ontem de manhã, uma crise de hipoglicemia (níveis baixos de açúcar no sangue) à entrada do centro comercial Cristal Park, na Rua de D. Manuel II, no Porto, teve de ser socorrida pelos lojistas daquele espaço, porque, segundo estes, o INEM entendeu não enviar meios de assistência para o local, sob o argumento de o Hospital de Santo António situar-se a poucos metros.

O Instituto de Emergência Médica contrapõe, assegurando que nos dois contactos telefónicos efectuados para o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) foi dito que "a vítima não queria ser transportada ao hospital". Por outro lado, sublinha que se tratou de uma situação sem gravidade e que a doente poderia encaminhar-se para o hospital "de modo próprio".

Certo é que o caso gerou indingação entre os lojistas. "Chamámos o INEM e responderam-nos que não vinham buscar a senhora porque estávamos a dois passos do hospital e podíamos ser nós a levá-la", protestou Adelaide Vicente, uma das comerciantes que auxiliou a vítima.

A mesma lojista garante, contudo, que a doente não estava em condições de ser levada por populares para a unidade hospitalar, situada a cerca de 200 metros.

A vítima, Maria Lima, que sofre de diabetes, explicou, ao JN, que sentiu-se mal pouco depois de ter ido a uma consulta nas instalações do antigo CICAP, onde teria de voltar para deixar uma amostra de urina. "Quem me valeu foram as pessoas do shopping, que me deram água com açúcar e pão", salientou.

ERA ISTO QUE O INEM IA FAZER???? ATÉ O SENHOR JORNALISTA PODERIA TER DADO UM COPITO DE ÁGUA À DOENTINHA.

Alguns comerciantes lamentam que não tenha havido sequer "instruções por parte do INEM" para o tipo de assistência a prestar.

O Instituto reitera, contudo, que os contactos telefónicos com os seus profissionais decorreram de forma "assertiva", "tendo a médica de serviço no CODU inclusive garantido a colaboração do segundo contactante para acompanhar a senhora nessa hipotética deslocação (ao hospital), o que não veio a acontecer pela senhora em questão ter entendido não ser necessário".

"Vítima sem sinais ou sintomas de gravidade""

A situação em questão dizia respeito a uma senhora consciente, sem sinais ou sintomas de gravidade, apresentando apenas ligeiras tonturas", sublinha o Gabinete de Comunicação e Imagem do INEM, justificando, dessa forma, o facto de o caso não ter sido rotulado com carácter de urgência.

No mesmo esclarecimento, enviada ao JN, o Instituto insiste que a vítima tinha "fácil acesso" ao serviço de Urgência do Hospital de Santo António. "Não pode nem deve o INEM a desviar meios de assistência pré-hospitalares imprescindíveis a outro tipo de ocorrências de maior gravidade para situações que não revistam um carácter de emergência", acrescenta o mesmo esclarecimento, realçando que se trata de um "procedimento habitual", pelo que não configura qualquer tipo de actuação menos correcta".

da-se...

quarta-feira, dezembro 28, 2005

Comissões & Comissões

Respigado de uma notícia do Diário de Notícias de 28/12/2005:

"Há mais médicos por habitante e menos casos de sida diagnosticados no ano passado, comparando com 2003.

Estas são as conclusões mais relevantes das estatísticas do INE para a área da saúde e as melhores notícias para a população.

Outro dado positivo a reter é a diminuição da mortalidade infantil, que baixou para 3,8 por mil, ou seja, menos 0,3% do que em 2003 e menos 1,7 se a comparação for feita com 2000.

No ano passado, havia 334 médicos por cada cem mil residentes, um dado que representa uma subida de 1,5% em relação ao ano anterior. Mas se a comparação recuar até 2000, a subida é de 5,4%.

O número de infectados com o vírus HIV no nosso País não pára de crescer, mas os 642 novos casos diagnosticados no ano passado são inferiores aos registados em 2003, uma descida de 22,7%.

As más notícias na saúde prendem-se com as causas de morte no nosso País. Por cá, e segundo dados de 2003, as doenças do aparelho circulatório, como os acidentes vasculares cerebrais (AVC) e ataques cardíacos, continuam a liderar a tabela, representando 37,6% dos óbitos.

Em segundo lugar surgem os tumores malignos (com 20,8%) que têm crescido a um ritmo anual de 1,9% desde o ano 2000."


Alguém órgão da comunicação social mediatiza as comissões (se é que as há!) contra o tabagismo (cancro do pumão), contra o colesterol e os enfartes e AVCs, as comissões contra a hipertensão e a diabetes, afinal as principais causas de morte em Portugal, para não falar da morbilidade que provocam.

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Curtas V - Anúncio Público

Este blog anuncia publicamente que vota Manuel Alegre, depois de muito pensar.

Deixou de ser indeciso.

Curtas IV - Boas Festas

Sim.
Boas Festas para todos e um bom Natal para os cristãos e com os presépios, para os católicos.

O nascimento de Jesus de Belém foi EM Abril.

""O Nazareno" se refere um grupo de influência oriental Yogi, que professava a pobreza e deixava crescer o cabelo e a barba, "Cristo" foi após ter sido batizado por João.


Foi criado pelo Imperador Constantino nesta data, para substituir e desviar da festa tradicional do Solestício de Inverno a 21 Dezembro, esta sim humanista, ecológica e ligada à natureza.


Na sua forma insidiosa tradicional, a Igreja Católica durante a sua longa ditadura de 300 anos, gerida pelos infernais tribunais da inquisição (1523-1823), impôs a sua celebração e como facto de identidade nacional procurou a sua perpetuação.


Ainda hoje apesar de sómente 20% dos portugueses serem de facto católicos pela prática semanal e aprendizagem da catequese, outros 50% se assumem católicos por aquela imposta tradição (limitando-se o seu ser, na frequência dos três actos de celebração pública comum a todas as civilizações aqui apropriados pela Igreja católica (nascimento/ casamento/ morte e gozo destas férias público-católicas cíclicas (natal (sol. inverno), páscoa (equinócio primavera, realçada a sua importância com quarentena prévia iniciada no carnaval e relacionada mesmo com o ciclo lunar, cai sempre na 1ª lua cheia), santos populares (sol. verão), s. miguel (equinócio outono)), isto depois de 95 anos de Estado pretensamente laico e republicano.

Ademais, tendo nós com o racionalismo, entrado na cultura linear modernista (com história), a celebração de festividades cíclicas (sem passado e futuro) encontra-se esvaziada, facilitando a sua apropriação comercial, numa ideologia liberal e de mercado, em que o lucro sobre os outros manda.


Assim desejo a todos
UM SUAVE INVERNO, com tranquilas noites familiares e um forte reforço da sua identidade local e UM BOM ANO DE 2006.
Eduardo"



Nota:
Transcrição quase completa de um mail enviado a um colega (que teve a amabilidade de mo reenviar) por outro colega.

Curtas III - Fui Às Compras À Baixa

Aproveitando uma folga de trabalho dominical fui às compras à baixa lisboeta a meio da semana

Confesso que não a frequentava há bastante tempo. São os Colombos, as Amoreiras, os shoppings em geral.

Gostei e vou repetir

Fiz compras grandes em lojas pequenas e compras pequenas em lojas grandes.

Apertei o parafuso dos óculos numa óptica de bairro e comprei o jornal a um ardina

Comprei o último CD. Almocei e lanchei

Visitei grandes lojas de informática. Vi as últimas novidades na FNAC.

Vi pessoas bem dispostas e assisti à animação do Chapitô.

Respirei ar puro qb (não posso dizer que fosse 100% puro, mas pelo menos era livre e não condicionado).

Gostei e vou repetir aproveitando outras folgas...

Gostei da simpatia dos comerciantes e respectivos "caixeiros".

Lembrei-me do que se passa nos bancos dos hospitais: como se pode ser simpático se a avalancha é muita?

Curtas II - A Katia Guerreiro

Afirmei num post anterior que a minha colega Katia Guerreiro quase tinha conseguido uma vaga no internato para a especialidade de oftalmologia

Ao que parece conseguiu, ilegalmente, uma coisa que os outros seus colegas não conseguiram porque a lei assim o impede: o chamado internato voluntário.

Este internato voluntário está proibido por directrizes da União Europeia as quais Portugal subscreveu e visa dar maior credibilidade aos internatos de especialidade.

A Katia Guerreiro, pode ter boa voz, pode ter muitas cunhas, pode ser mandatária do futuro Presidente da República, que se apresenta como o Salvador da Nação e o Redentor de males passados, MAS NÃO PODE ULTRAPASSAR AS LEIS E PRINCIPALMENTE ULTRAPASSAR OS SEUS COLEGAS

Na posição que ocupa deveria ser o exemplo de seriedade e de idoneidade. E não o símbolo da "cunhice", do "desenrascanço", "da ultrapassagem das normas", "da corrupção". É uma palavra dura, mas verdadeira.

Que abrace Cavaco Silva com a maior das forças, que explore a sua carreira de fadista, que retire os maiores e melhores proventos e depois que concorra ao internato da especialidade que quiser, submetendo-se ao respectivo exame legal para que seja uma oftalmologista ao serviço do bem público e não ao serviço da fácil exploração

Que seja séria!

Curtas I - A Rupatadina

Depois de terem investigado, quer o amigo boticário, quer a amiga Ivone Marques, acham bem que o Estado subsidie um fármaco justificando tout court que nada de novo traz à saúde dos portugueses e dê à empresa que o comercializa um prazo temporal para ganhar uns bons milhares de contos e avisando que depois lhe vai retirar a comparticipação?

Acham isto normal num Estado que se quer de Direito?

Não haverá aqui compadrios?

sexta-feira, dezembro 16, 2005

E Depois do Trauma?

Um novo blog de uma área muito específica, sexualidade depois de um trauma medular, mas cada vez com mais acuidade devido à cada vez maior sinistralidade rodoviária.

Parabéns à Ana.

quinta-feira, dezembro 08, 2005

E Os Lobies, Senhor?

E refiro-me ao lobie autárquico. Esse é o mais importante.

E continuo a perguntar: e para quando uma rede organizada de Emergência Pré-Hospitalar?

E para quando o encerramento de urgências hospitalares que distem escassos quilómetros?

"Serviços com baixa afluência vão fechar
Saúde reduz urgências

Os serviços de urgência dos centros de saúde que tenham uma afluência média inferior a dez utentes por noite, 25 no caso dos hospitais, vão são ser encerrados. Esta é uma das medidas de reformulação do sistema que o Ministério da Saúde vai implementar a partir de Janeiro. Por outro lado está previsto que qualquer utente, em qualquer ponto do país, passe a ter assegurado uma urgência a menos de 60 minutos de distância.

As medidas são anunciadas hoje pelo Diário de Notícias, onde se pode ler também que a nova rede passará a contar com três níveis de serviços diferenciados: urgências polivalentes (para os casos mais graves e complexos), médico-cirurgicas (de nível médio) e urgências básicas.

A distribuição dos doentes por estes três níveis de urgências deverá ser efectuada através do novo serviço telefónico de aconselhamento e encaminhamento, um novo «call center» que irá substituir a actual Linha de Saúde Pública e a de pediatria Trim Trim Dói Sói.

Para familiarizar os utentes de todas estas alterações será lançada em Janeiro uma campanha de divulgação denominada «Tempo e Competência são vida».
"

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Nem Sei Que Título Dar

JN de 01/12/05

"Cura de paciente inglês sem qualquer prova


A alegada cura de um portador de VIH, noticiada há cerca de um mês, não convence o virulogista Ricardo Camacho, desconfiado da veiculação original do caso através de um jornal que compra histórias sensacionalistas e não tem jornalistas credenciados ao seu serviço.

"Se o caso fosse real", comenta, "já teriam saído artigos em publicações científicas". Além disso, acrescenta, recorrendo aos contactos que tem com o director do Hospital Chelsea and Westminster, onde o paciente era tratado, este tem sido convocado para testes. Contudo, desde 2003 que aí não comparece
."

O importante é que a notícia saiu e alimentou a crendice...

terça-feira, novembro 29, 2005

Como Pensa Um Médico Quando Olha Para Si...

Agora que se tem falado na prescrição de fármacos por outros técnicos da saúde e depois de ter lido o documento original em inglês concordo com a generalidade das situações apresentadas. Isto é, a prescrição por enfermeiros e farmacêuticos deve até ser incentivada desde que obedeça a protocolos médicos bem definidos.

Porque raio é que a prescrição de vacinas deve ser um acto médico? Na prática já não o é.

Um enfermeiro ou farmacêutico pode e deve prescrever as vacinas do Programa Nacional de Vacinação (PNV).
Estão protocoladas as indicações, as contraindicações, as complicações e o seu tratamento.

Apenas têm que estar preparados para a sua administração. Neste exemplo a única coisa que muda é o autor da prescrição, porque a administração jé é da competência de um enfermeiro

Mas para saber como pensa um médico, leia este artigo científico publicado em 1998 na revista da AMB - Associação Médica Brasileira.

domingo, novembro 27, 2005

Vai Ser Lindo...

Particular atenção ao negrito.


"Nurses to prescribe drugs in the UK


UK’s Secretary of State for Health Patricia Hewitt announced .../..., nurses and pharmacists will acquire broad drug prescribing rights. Nurses and pharmacists will be able to attend an extra training course giving them permission to prescribe almost every licensed medicine for any medical condition - with the exception of controlled drugs. Nurses will become eligible to go through training three years after qualifying, and a recommendation from their employer will be required in order to take this course.

Patricia Hewitt said: "By expanding traditional prescribing roles, patients can more easily access the medicines they need from an increased number of highly trained health professionals.” And she continued "This is another step towards a truly patient-led NHS, giving patients the power to choose where and by whom they are treated."


This announcement raised concern within the British Medical Association. Dr James Johnson, Chairman of the BMA, said: “We need to meet urgently with the Secretary of State to clarify the conditions under which other professions can prescribe. It is difficult to see how healthcare professionals who are not trained to diagnose disease can safely prescribe appropriate treatment. The BMA will be seeking assurances from the government that patient safety will not be compromised by these changes.”"

quarta-feira, novembro 23, 2005

É Caricato ... Mas Foi Uma Decisão Clínica

Está aqui a história toda.

A médica foi prudente, e foi uma decisão tomada em benefício do doente, que muitas vezes não merecem estes cuidados, pois mesmo assim o Correio da Manhã angariou uma notícia e a dona Maria Imaginária, amanhã já poderá ser famosa!

"Operação cancelada no bloco" - aqui a caricatura.

José Carlos Campos - aqui o jornalista dos grandes casos.

Maria Imaginário - a protagonista.

As incorrecções -

"... viu ser cancelada a intervenção urgente para extracção do útero e ovários, devido a hemorragias frequentes, que esperava há seis meses." - se esperava há seis meses, embora necessária, não era urgente.

"A médica que iria operá-la decidiu, “no último momento”, não o fazer." - eis a cena: de bisturi em punho, coçou uma borbulha e disse: "Dah, não vou com a tua cara!"

“Olhou para mim e disse que eu não era sua doente e que não conhecia o meu processo, poria isso não me ia operar”, - médica competente e cautelosa.

“A doente, além de não ter assinado o termo de responsabilidade, é de risco: tem 49 anos, pesa 96 quilos e deveria ter deixado de tomar a pílula. Havia, por isso, risco de tromboembolismo”. - pois é, quis sexo até à última...

"A doente nega ter sido informada pelo seu médico para parar de tomar a pílula." - não ouvimos o médico, mas o facto da doente não assinar o consentimento e o termo de responsabilidade, levanta-me dúvidas.

"A intervenção foi adiada para segunda-feira." - onde se demonstra que não era urgente, como refere o jornalista.