segunda-feira, abril 17, 2006

A História Dos Pés.

Num século que se quer de excelência para tudo, há erros indesculpáveis.

Continuam a ser erros, mas erros grosseiros, independentemente das causas que os originaram ou de efectiva negligência, se se apurar.

Aparte "os 15 minutos de fama" da jovem esparrachada com o seu fato de treino no sofá da sala, concordo que sofreu desnecessariamente e que deve ser indemnizada convenientemente pelo Estado, por danos físicos e morais.

Este erros não podem acontecer!

13 comentários:

Anónimo disse...

E neste caso, existe negligência? Os responsáveis podem/irão sofrer alguma consequência?

Medico Explica disse...

Erro e grosseiro houve de certeza. Negligência? É necessário averiguar as condições em que o erro aconteceu. Se foram ou não feitos todos os procedimentos habituais, por exemplo consultar o processo clínico antes da cirurgia. Mas independentemente da sansão, a indemnização já deveria estar em andamento e não aguardar por qualquer decisão sansionatória. O erro é visível e a paciente já está a sofrer.

Anónimo disse...

Importa-se de explicar que história é essa dos pés??

AV

Medico Explica disse...

Caro Colega:

Jornais, revistas, televisões, rádios, internet, tudo falou da jovem de Vila Real que entro no hospital para uma cirurgia ao pé direito e foi operada ao pé esquerdo...

Anónimo disse...

Já percebi o problema em questão.
Não sabia.

AV

Anónimo disse...

Não era necessário caricaturar a pessoa em causa! Não lhe fica nada bem. Devia sim caricaturar a equipa médica (todos) que cometeu tal negligencia! Sim, negligencia! A não ser que fosse o pessoal administrativo que tenha escrito na ficha a perna errada! Quanto ao ser o estado a pagar indeminizações. Ou seja, todos nós a pagarmos por tal erro, não concordo! Pague um seguro médico se houver e responsabilizem-se as pessoas não as instituições....
madrid

Anónimo disse...

O Sr. anonymous concerteza que não está a pensar bem....

Responsabilize-se a pessoa e pronto, sentença via net?

O piloto, o médico, o juiz, tal como o mecânico, o técnico de informática ou o gestor de uma qualquer instituição pública, um deputado, o técnico do telefone ou da TVcabo?

Têm todos o mesmo salário? Têm todos as mesmas responsabilidades? Têm todos o mesmo risco (de erro)?Trabalham por conta própria ou de outrém? Têm os meios devidos ao seu alcance, pelo que os erros são imputáveis exclusivamente ao próprio? Têm todos as mesmas condições de trabalho?

Veja lá (apenas) algumas das variantes que, levianamente, desconsiderou na sua apreciação....

AV

Anónimo disse...

percebi perfeitamente o que o senhor AV postou. Só não sei se este percebeu aquilo que eu escrevi. Transferindo as responsabilidades inerentes a uma profissão para a guarda das instituições pode conduzir a varias injustiças. Não se trata de culpar fulano ou beltrano. Trata-se de apurar as causas do erro e usa-las como arma de arremesso na prevenção de futuros erros. Imagine que um motorista da carris causa um acidente na via publica. Quem paga os prejuizos resultantes do hipotético erro cometido pelo motorista. Um seguro!! Ou será que é a entidade patronal a arcar com as despesas? Não! Então num hospital publico ou privado têm que se a apurar responsabilidades para que por exemplo um seguro cubra esses prejuizos. A ideia de que todos temos que pagar os erros uns dos outros, já nos causou muitos dissabores. Um exemplo disso é o actual estado da classe politica.
fique bem
Madrid

Anónimo disse...

A questão é precisamente essa. Quem paga o seguro? O Estado/Hospital, ou o próprio?

Se calhar entendi mesmo mal, mas no seu post anterior pareceu-me subjacente que teria que ser o próprio.

AV

Anónimo disse...

Castigo severo para o sr. ortopedista que anda a "dormir" em serviço!!
Se calhar estava com pressa para ir para a privada ganhar mais uns patacos!
Uma coisa é certa: o estado (todos nós) não deve pagar por um erro que um simples ortopedista fez.... ou o próprio ortopedista ou seguros... alguém tem que pagar, agora o estado não!

Medico Explica disse...

Oh Sr Boldão, à senhora do pé ou a qualquer utente de um serviço, o que interessa é o ressarcimento rápido da sua indemnização e não como acontece agora que esperam anos e anos para ser indemnizadas. As instituições (públicas, privadas, sociais) devem estar cobertas por um seguro. Depois de se determinar de quem foi o erro e de quem foi a responsabilidade, se houver negligência deverá ser essa pessoa - o director do hospital, ou o ortopedista, ou o arquivista, ou até o maqueiro, imagine que foi o maqueiro que foi buscar o doente errado? Como se pode ver pode haver muitos intervenientes num acto operatório. Ou o senhor Boldão pensa que o ortopedista, antes de operar, vai perguntar à doente qual o pé que ela quer que se opere? Não, as coisas são muito mais complexas, mas o doente, e é esse que eu defendo, não deve ser prejudicado pela investigação. Há uma instituição, há um acto, há um erro, há um prejudicado. Estes são os factos. A indemnização deve ser rápida.

Medico Explica disse...

Resposta ao Sr Madrid. desculpe, mas defender um doente não é incompatível com a caricatura do mesmo, neste caso, da jovem. Porque está ela na cama? e não numa cadeira? Porque está de fato de treino (os pijamas do nosso povo) e não vestidinha como toda a gente? Porque é preciso falar com a mãe, a tia, o pai, o piriquito, o cão, o merceeiro, o amante, etc. Esta era uma cirurgia simples. E se a indemnização for rápida, até haverá mais erros a ser descobertos, mas menos circo mediático. Ou então faz-se um desconto na indmnização por cada minuto de TV. Se o prejudicado tiver uma actividade comercial, isto também lhe dará lucro!

Anónimo disse...

Como é habitual, o(s) anónimo(s) são implacáveis na sentença e na punição. Já parece que estou a defender negligentes, o que só para aqueles que me conhecem parecerá ridículo, mas de maior reconhecimento também não preciso.

Ou seja, não é o caso, julgo que os negligentes devem ser exemplarmente julgados, e punidos em conformidade.

Apenas salientei nuances destas notícias sensacionalistas, não por deixarem de ser (hipoteticamente) acertadas, mas porque não precisam de ser acertadas para serem veiculadas, com efeitos destruidores (nestes casos) para uma carreira, para uma reputação, causando sofrimento para uma vida mais aos que dela dependem. E para já, não se sabe se é (e pode até ser que seja) acertada. Para isso haverá investigação, ou inquérito, como deve ser.

Obviamente que só com uma boa imaginação se concebe que os motoristas de autocarros têm seguro. A empresa que os contrata terá. E assim também deve ser, para rápido ressarcimento de um dano a uma vítima (é o ressarcimento possível, insuficiente, estamos todos de acordo, mas não se pode ainda voltar com os erros atrás, mesmo os negligentes).

Outra coisa é a culpa. E há tantas nuances aí também, Sr(s) anónimo(s). Nuances que não vêm descritas nessas notícias. E que não contam no subconsciente daqueles que as vêem.

E há finalmente as sentenças destes casos (essas sim, deviam ser o princípio da notícia), que só vêm a lume quando convém, quando coroam a adivinhação da notícia leviana, ao serviço da denúncia.
A vida estragada dos outros todos que se lixe, por mais negligentemente caluniada que tivesse sido. Sem seguro que lhes valha, sem reconhecimento público (porque qualquer notícia é um direito sagrado, tal como qualquer jornalista que está por detrás dela está imune a negligências nestes quadros legais da actualidade).

Ou seja, esses ficam todos sem perdão, e por causa alguma a não ser a de ter parado na ponta da pena de um acéfalo irresponsável qualquer, com acesso a um meio de comunicação de massas.

Nuances....

AV