domingo, abril 16, 2006

Indústria Farmacêutica Acusada De Fabricar Doenças Para Vender Mais

No Diário de Notícias de 12/04/06:

"O receio instintivo da morte e da doença está a ser aproveitado pela indústria farmacêutica para aumentar as suas vendas, denuncia um relatório divulgado ontem.

Segundo o estudo de David Henry e Ray Moynilhan, apresentado numa conferência médica que decorre até quarta-feira na Austrália, as grandes empresas são responsáveis por muitas prescrições desnecessárias de medicamentos. Mas, mais grave do que isso, chegam ao ponto de promover tratamentos para doenças cuja existência nem sequer está comprovada.

As consequências destas práticas vão desde o desperdício de recursos financeiros, que poderiam ser utilizados no combate a doenças verdadeiramente graves, a problemas de saúde motivados pelo uso indevido de medicamentos.

Os autores deste trabalho, um médico e um jornalista especializado, denunciam a existência de uma verdadeira teia de influências não oficial, montada entre a indústria farmacêutica e grupos de media e publicidade. A estratégia consiste em criar a necessidade e depois apresentar a solução milagrosa.

"Esta prática é demonstrada muito explicitamente nas campanhas de sensibilização sobre as doenças financiadas pela indústria", indica o relatório publicado na School of Medical Practice and Public Health. "É mais frequente estas serem destinadas a vender medicamentos do que a iluminar, informar ou educar sobre a prevenção de doenças ou a manutenção da saúde".
Entre os exemplos de situações alegadamente empoladas pela indústria conta-se a "síndrome das pernas irrequietas" (RLS). Desde 2003, a multinacional GlaxonSmithKline tem promovido a ideia de que o que muita gente encara como um simples tique nervoso, habitual em situações de tensão, é afinal "uma síndrome comum mas ainda não reconhecida" para a qual, naturalmente, já existe um medicamento: o Ropinorole.

Outra doença dos tempos modernos é a disfunção sexual feminina (FSD). Alguns especialistas descrevem-na como a versão feminina da disfunção eréctil, e garantem que afecta 44% das mulheres, Outros, garantem que as descrições desta condição são, no mínimo, vagas. No entanto, já há empresas a trabalhar na solução.

Mais frequentes, segundo os autores deste estudo, são os diagnósticos errados de doenças verdadeiras , devido às campanhas que convidam os médicos e os consumidores a estarem "atentos" a sinais. Nesta lista incluem-se desde comportamentos normais das crianças, que são confundidos com hiperactividade e perda de atenção, aos problemas erécteis de homens com mais de 40 anos."

8 comentários:

Anónimo disse...

O problema não está nas doenças falsas, essas são uma minoria. O problema está nas doenças comuns, que afectam milhões de pessoas e para as quais os critérios de diagnóstico são cada vez mais abrangentes, o que leva a que cada vez mais pessoas tenham as doenças. Ex. há poucos anos, os hipertensos eram os que tinham TA acima dos 160/90 mmHg, agora esses valores estão bem mais baixos o que implica que tensões acima dos 130/80 já são hipertensão. Antes eram considerados diabéticos os que tinham glicemia > 200mg/dl, agora > 110 já é anormal. Ora, com criterios cada vez mais baixos, daqui a nada, somos todos hipertensos e diabéticos e claro, estamos todos a tomar medicação para essas doenças. Há quem diga que é a industria que pressiona para estas mudanças nos critérios de diagnóstico para ter cada vez mais doentes que precisam de ser tratados. Este é um aspecto, o outro é o das profilaxias. Antes os doentes tomavam medicamentos para tratar as doenças... agora isso não chega. Agora tomam para tratar as doenças e para prevenir outras doenças, porque todos os dias são publicados estudos da eficácia dos medicamentos para prevenir outras coisas. O hipertenso e o diabético não tomam só os medicamentos para isso, já têm que tomar aspirina para evitar tromboses, medicamentos para o colesterol para evitar enfartes, outros medicamentos para evitar insuficiencia renal, mesmo que não tenham nenhum desses problemas, mas é para prevenir! O doente com trombose que antes saía do hospital com uma aspirina agora sai com mais 2 ou 3 medicamentos só para prevenção. E neste momento passa a ser má prática quem não prescrever todos os medicamentos que estão comprovados serem eficazes na prevenção. Assim agora cada problema trata-se com muito mais medicamentos que há poucos anos atrás, o que implica uma despesa exorbitante. Claro que a industria é quem patrocina estes estudos dos medicamentos milagrosos que previnem tudo e mais alguma coisa!

Para onde estamos nós a caminhar??

Anónimo disse...

Uma coisa é prevenção primária, e não se discutem estudos como o UKPDS entre outros que demonstram os malefícios de glicemias >110mg/dl, nem as convenções do NCEP sobre dislipidemias e HTA.

Outra coisa é competência no diagnóstico e na indicação terapêutica, e os problemas que se verificam quanto aos distúrbios de atenção na criança entram nesse campo. E não convém confundi-los com os outros pseudo-problemas.

Sobretudo, a indústria vai atrás da tendência da sociedade "higiénica" em que vivemos, em que tudo se tem que resolver com uma cápsula. A culpa não é apenas dessas sociedades que visam o lucro (convém nunca esquecê-lo).

Ou seja, mais uma vez, não percebo qual é a novidade, isso é tudo muito velho.
A não ser que seja para se educar na saúde e na doença. Mas isso não está sequer em questão, julgo, nos tempos que correm....

AV

Anónimo disse...

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Lenita disse...

Aqui na Alemanha a industria de substitutos sintéticos de insulina protesta vivamente contra estudos que demonstram que essa variante da insulina não apresenta quaisquer vantagens, sendo muito mais cara. Apesar dos vários estudos, eles teimam em afirmar que tem vantagens, porque querem vender o seu produto, é óbvio.
É preciso lata.

Anónimo disse...

Em relação ao que disse o anônimo das 11:46 AM, responendo à sua questão "Para onde estamos nós a caminhar??" a resposta é: para uma população com cada vez maior esperança de vida. è no entanto duvidoso que essa maior longevidade esteja associada a qualidade de vida, mas isso já é outra questão.
É óbvio que existe hoje em dia enorme pressão por parte da indústria farmacêutica no sentido de se prescrever cada vez mais fármacos e cada vez mais precocemente. No entanto essas pressões são, no geral, devidamente sustentadas por grandes estudos utilizando o inquestionável método científico. Penso que se trata de uma questão incontornável. Podemos criticá-la, ma sdificilmente evitá-la. É como a globalização. Podemos apontar-lhe inúmeros erros e desvantagens, mas
é certo que ela está aí para ficar. Pelo menos até à próxima grande revolução social.
Pedro G

Anónimo disse...

A verdade é que em Portugal também não existe da parte institucional grande esforço no sentido de melhorar a qualidade da prescrição, de modo que o que impera é a força do marketing farmacêutico. E é impossível para qualquer médico manter-se simultaneamente actualizado do ponto de vista técnico e ser um especialista em estatística de modo a conseguir interpretar correctamente todos os aspectos de um estudo científico. Mesmo nos países onde a preocupação económica é mais marcada, a prescrição médica está emparedada entre as questões do marketing e a questão do controlo de custos. Como exemplo, o estudo que validou a importância que é dada aos diuréticos (a classe de anti-hipertensores mais barata do mercado) nas últimas guidelines de HTA, tem graves erros metodológicos.
Pedro G

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