segunda-feira, outubro 10, 2005

Censura?

Três médicos condenados por negligência.
Erraram ou foram negligentes?
Não compreendi a notícia de nenhum jornal.
Mas no meu entender foram bem condenados, porque provocaram danos físicos desnecessários.

Mas compreendi, que um jornal disse mais qualquer coisinha que os outros. Foi um jornal regional. Depois de descrever os factos, transcreveu parte da sentença, afirmando:

"Na leitura da sentença, o juiz sublinhou que nunca esteve em causa o estabelecimento de um nexo de causalidade entre a terapêutica a que a doente foi sujeita e a sua morte - razão pela qual os clínicos não foram acusados de homicídio -e considerou importante que haja uma “mudança de atitudes” nos doentes e nos médicos. Sugeriu mesmo a criação de um seguro que possa cobrir erros clínicos não muito graves para evitar a “política de secretismo” na classe médica, por um lado, e, por outro, que os doentes pensem de “quando qualquer coisa corre mal a culpa é sempre do médico”.

O Diário de Notícias, preferiu omitir a parte que diz respeito aos doentes e apenas escreveu:

"O juiz considerou ser necessária uma mudança de atitude por parte dos médicos em geral, pois "em nenhuma actividade da vida se está ausente de crítica e ausente de erro". "Se houvesse um seguro, os médicos sentir-se-iam mais protegidos por falhas menores e não haveria tanto secretismo em meio hospitalar. Temos aqui médicos de prestígio e não é por errarem que vão deixar de ter prestígio", disse."

O Público (o chamado jornal de referência!) censurou pura e simplesmente todas estas passagens!

O Correio da Manhã mete os pés pelas mãos e publica apenas as afirmações negativas do juíz.

O Jornal de Notícias, de 07/10/05 seguiu os passos do Público: nada, rien, niente, nothing about the judge!


O jornal regional é "As Beiras" e a jornalista Tânia Moita

domingo, outubro 09, 2005

sexta-feira, outubro 07, 2005

A Voz Dos Enfermeiros

"Também poderemos catalogar os médicos em duas classes genéricas, das quais podem derivar n sub-classes não tão extremas.
1º Aqueles que sabem muito sobre a sua especialidade, mas que ignoram todas as outras, incluindo noções básicas de psicologia e trabalho em equipa. São profissionais altamente especializados, que encontram as soluções exclusivamente em resultados analíticos e outros exames, ignorando na maioria das vezes os comentários dos profissionais que passam 24 horas com os doentes e, ainda mais grave, ignorando as tentativas de comunicação por parte do doente, a quem não reconhecem nem o direito a ter opinião.
Para estes, a equipa de saúde é o médico. todos os outros existem para desempenhar tarefas, incluindo o próprio doente.
2º Aqueles que têm um espírito mais aberto, profundos conhecedores da sua área mas que entendem o indivíduo como sendo muito mais abrangente e complexo que a simples soma de órgãos que se podem avariar e arranjar. Estes reconhecem o valor do seu lugar, no seio de uma equipa multidisciplinar onde os outros profissionais têm uma palavra a dar e onde o doente é a primeira fonte de informação.

# posted by alguem que conhece a saúde por dentro
"

"Enquanto enfermeiro, licenciado e não há muitos anos, lamento que de facto hajam tantos profissionais de enfermagem incultos e sem capacidade de saber estar numa equipa multi-disciplinar (da qual não fazem parte só o médico e o enfermeiro). Porém, lamento muito mais que os hajam aqueles que não sabem estar na sua própria profissão e que desconhecem a sua ciência e a sua deontologia por completo. A Enfermagem não contempla fazer diagnósticos médicos ou prescrever fármacos. Contempla, isso sim, fazer diagnósticos de Enfermagem (ex. Risco de Infecção por Catéter) e prescrever Intervenções de Enfermagem (ex. Vigiar sinais de Infecção no local do Catéter). Enquanto colega de enfermeiros de várias gerações, considero que poucos sabem o que podem/devem fazer e que ainda menos reconhecem o seu potencial terapêutico, que é vasto.
Para concluir, um pedido: Não tenham pena dos enfermeiros, não os defendam como se de uns coitados se tratassem. Existem instituições próprias para isso.
Cumprimentos ao MEMAI e desculpem a extensão do texto.

# posted by Rui
"

quarta-feira, outubro 05, 2005

Há Anos Que Lhe Dizia

- Olha que o colesterol mesmo com valores quase normais pode obstruir as artérias!

- Olha que o teu passado de abuso do álcool, requer actualmente mais cuidado !

- Olha que o excesso de tabaco, mais o álcool e o colesterol, podem ser prejudiciais!

- Há dias, entre duas cervejas diz-me: "Ontem senti uma forte dor no peito, como nunca tinha sentido!"

- Não há discussão. Amanhã uma prova de esforço, já!

- Prova feita. Conclusão: positiva para isquémia coronária grave!

- Não há discussão. Amanhã cateterismo, já!

- Cateterismo efectuado. Confirmação óbvia: duas coronárias com obstrução acima dos 90%!

- Não há discussão, amanhã angioplastia, já!

- Oito dias depois, novamente entre duas cervejas, já com dois stents colocados e com a "canalização" desobstruída, conversámos sobre aquilo que hoje se faz em 8 dias e há bem pouco tempo demorava meses, pressupunha internamentos prolongados, intervenções delicadas: a isto chama-se Cardiologia de Intervenção. A isto chama-se evolução da Ciência.

- Acredito na Ciência e na Medicina e principalmente na massa cinzenta dos humanos. Por mais que os media difundam conceitos medievais da medicina.

Sim, cara Mónica, são horas absurdas aquelas que perco a ler e ouvir em horários nobres coisas absurdas sobre médicos, medicina e uma coisa normalíssima nos humanos: errar.

Quem nos faz deuses, são pessoas como você que querem fazer crer ao povo que um médico não pode errar, porque é médico. Só por isso.
Querem fazer crer que os médicos não são pessoas comuns e vulgares, que não erram, que não fazem falcatruas de colarinho branco ou preto, que não têm problemas económicos, que não têm prestações a pagar, que são assexuados e parafraseando o besugo, que não têm, até, tesão. Conheço médicos bem entesoados, outros sem, alcoólicos e abstémios, que bebem as cervejas e fumam os charutos do FJV e outros fundamentalistas em tudo. Conheço anarcas e fascistas. Que se irritam quando o seu clube perde, hooligans e santinhos. Crentes e descrentes.
Vernaculamente, uns são filhos da puta, outros uns gajos porreiros.

Eu ando por aí, perdido.

Há médicos como você: Chatos! Irritantes! Superiores! Mas com qualidade. Outros não.

Nota: e parabéns aos laureados com o prémio Nobel da Medicina, talvez um reconhecimento com uns anos de atraso.

terça-feira, outubro 04, 2005

Como Já Esperava ... (E Não Esquecer a Rupatadina!)

... o sr dr Raúl Boldão, físico teórico, não conseguiu explicar cientificamente (porque como físico deve basear toda a sua actividade na Ciência) qual o motivo pelo qual um enfermeiro, com o seu conteúdo funcional e formação própria, deve ter preferência na partilha do "poder" com um médico, também este com o seu perfil próprio e formação específica.
Limitou-se a plasmar o que habitualmente lê nos jornais e ainda por cima, mal.

Mas paciência.

Este blogue de facto existe para tentar elucidar indivíduos como o senhor, licenciados, intelectuais, que queiram elucidar-se sobre alguns aspectos da ciência médica. Agora, sr dr Boldão, o senhor está a anos-luz da realidade do seu país.

Quanto aos enfermeiros, divido-os em três categorias académico-sociais:

1) enfermeiros com o ensino básico até ao antigo 5º ano: são enfermeiros que foram aprendendo toda a sua prática com médicos aos quais se ligaram por laços profissionais e afectiovs. São boas pessoas, sociáveis, limitados na ciência e com bastantes dificuldades na língua portuguesa. Assumem a sua profissão apenas na vertente técnica.

2) enfermeiros com o 12º anos de escolaridade: são enfermeiros que após uns anos de aprendizagem nas antigas Escolas de Enfermagem atingiram o grau académico de bacharel. Foi uma aquisição de conhecimentos fundamentalmente teórico, com pouca prática. São os enfermeiros que mais questionam os médicos. Frustrados por eles próprios se sentirem secundários no sistema. A sua maior felicidade é, empiricamente, "acertar diagnósticos", prescrever como os médicos. Geralmente são infelizes, não assumem a essência da sua profissão, pouco sociáveis com os restantes membros das equipas das instituições, vivem em grupos fechados, menos limitados na compreensão da ciência médica e ainda com algumas dificuldades na língua portuguesa. Utilizam a sua profissão como promoção e reconhecimento social, que na realidade a profissão de enfermagem tem.

3) enfermeiros com o grau académico de licenciatura: (não confundir com enfermeiros com cursos posteriores de complemento) são enfermeiros licenciados, alguns possuem mais do que um curso superior (psicologia, sociologia, gestão, economia, assistentes sociais, etc). Diferem do grupo anterior por serem mais cultos, sociáveis, assumem a diferença entre médicos e enfermeiros,não vivem com a obcessão de diagnosticar ou medicar. Assumem a sua formação científica com abrangência suficiente e diversificada para não se restringirem ao mero "acto médico". Ser enfermeiro para estes jovens é, para além de actividades técnicas e de cabeceira, utilizar os conhecimentos adquiridos para gerir, promover, divulgar, organizar, trabalhando em equipa multidisciplinar com autonomia reconhecida pelos outro elementos e não imposta administrativamente.

Nota: há obviamente excepções a estas definições.

Fico Tonto Com Tantos Comentários!

"... Era bom, descentralizar o poder médico e dividi-lo com os enfermeiros por exemplo, esses sim, competentes e cumpridores, pelo que vejo nos hospitais. São uma classe muita experiente, com conhecimentos, humanos, inteligente e não consumem (?) dinheiro inútil ao SNS. A ex-ministra da saúde Leonor Beleza, bem sabia o valor dos enfermeiros, mas os médicos rapidamente trataram de a correr do ministério! Mas também não digo que seja todos bonzinhos, mas ao menos valem o dinheiro que levam... deviam levar muito mais!!! "

Gostava que o sr Raúl R Boldão [anonymous-comment@blogger.com] me explicasse cientificamente este comentário.

P.S. Não quero iniciar qualque guerra com os enfermeiros, pelos quais tenho elevada estima, especialmente pelos licenciados, pois trazem uma visão da enfermagem diferente e que foge à antagónica dicotomia médico-enfermeiro.

sexta-feira, setembro 30, 2005

Rupatadina: um escândalo político? Um caso de polícia? Um caso de "laxismo"?

A rupatadina é a substância química de um fármaco à venda em Portugal.
A investigação é para os jornalistas...

segunda-feira, setembro 26, 2005

Rupatadina: um escândalo!

Senhores jornalistas, eis uma boa investigação de âmbito nacional...

sábado, setembro 24, 2005

Uma Resposta II

Questiona o colega o título do blog. Não é o primeiro. Mas é o primeiro médico a fazê-lo.

De certeza que concorda comigo: a iliteracia científica nas outras profissões intelectuais, em muitos casos é escandalosa. Há juízes, jornalistas, escritores, advogados e muitas outras profissões cuja cultura geral sobre a Ciência e em particular sobre a medicina ultrapassa negativamente todas as barreiras.

Por outro lado há médicos que são excelentes escritores, linguistas, artistas, que "aguentam" tertúlias com especialistas das áreas das Letras e das Artes. Infelizmente o inverso não é verdade.

Isto para clarificar duas minhas afirmações. (Que aliás ao longo dos dois anos de actividade do blog, várias vezes referi. É só ir pesquisar no arquivo.)

A primeira: o título.

Eu não quero ter a presunção de ensinar nada a ninguém. Mas julgo ter a obrigação como especialista de uma área das Ciências em explicar dúvidas que alguém possa ter.
E o colega acredite, que alguns jornalistas me escrevem! Assim como outros me odeiam...

A segunda: o facto de me considerar um não-intelectual.

Não tenho dúvidas de que a profissão médica é uma profissão intelectual. Apenas quero transmitir que não sou intelectual das Letras & Artes, não tenho capacidade para discutir literatura, linguística, arte e por aí fora.

Sou médico. Escrevo e falo do que sei. Do que aprendi e do que vou aprendendo.

Tento corrigir o que está errado de acordo com o actual estadio do desenvolvimento da Ciência.

Mas sei que não detemos a verdade absoluto...

Uma Resposta

Caro Colega

No meu tempo não havia "nota de acesso" entendida como hoje.

Fiz o velhinho exame de aptidão a Medicina e entrei com mérito.

Quanto à qualidade dos blogs, concordo consigo e inclusivamente com a sua apreciação sobre este. Já não é o que era! No início dedicava-me a escrever activamente. Agora, após algumas tentativas falhadas para desistir, escrever é quase uma obrigação...
Pois como sabe a vida de médico tem poucos momentos de lazer “absoluto” …

E sempre disse neste blog que não era intelectual…

(Nota: esta resposta será também publicada como post.)

quarta-feira, setembro 21, 2005

Horas Extraordinárias

Na fábrica ao lado do meu local de trabalho, também se fazem horas extraordinárias quando as ordinárias não chegam e depois de o seu dono colmatar as necessidades de produção com o recurso a pessoal indiferenciado que vai encontrando por aí.

No meu local de trabalho, quando as horas ordinárias não chegam, por mais que se vá à rua pedir ajuda para colmatar as falhas, não se encontra pessoal preparado. Há sempre a hipótese de se contratarem os praticantes das ditas medicias alernativas, mas não sei porquê, essas medicinas não servem para serviços de urgência.

Só mesmo médicos é que praticam medicina!

Para melhor esclarecimento de quem me lê, a explicação do porquê das horas extraordinárias neste comunicado de um sindicato.

O SIM explica umas coisas...


"SIM - Sindicato Independente dos Médicos
Jornal Virtual do SIM

MINISTRO REINCIDENTE

O Senhor Ministro da Saúde reincide na crítica às horas extraordinárias dos médicos e à sua eventual ilicitude. Desta vez plasmou a sua populista opinião no Jornal Expresso de dia 17 de Setembro, sempre com a mesma finalidade: criar na opinião pública a certeza de os médicos estarem bem pagos e irregularmente. Com a esperança, certamente pouco humilde, que o Senhor Ministro leia o nosso jornal virtual, mas sem esperança que aborde publicamente esta situação com verdade, o Sindicato Independente dos Médicos explica a situação ao Senhor Ministro:

1)Os Conselhos de Administração dos Hospitais são nomeados por V. Exa.

2)Os Directores Clínicos são nomeados por V. Exa.

3)Os Serviços de Urgência são mantidos por V. Exa., mesmo para além do racional

4)Os Médicos não têm problemas em defender tecnicamente o encerramento de Urgências, mesmo contra a opinião dos autarcas. E V. Exa?

5)Os Médicos fazem as horas extraordinárias que lhes mandam fazer e, por incrível que pareça, são obrigatórias

6)Se os Médicos não fizessem horas extraordinárias os portugueses morriam sem assistência nas Urgências

7)Se os Médicos não fizessem horas extraordinárias, em montantes para além do terço do seu vencimento, as Urgências encerravam e os Internamentos ficavam sem assistência médica

8)Como V. Exa. bem sabe, a Saúde está, legal e obviamente, excluída da regra de não exceder um terço da remuneração base em Urgência, dado o interesse público

9)Os Médicos não controlam o numerus clausus das Faculdades de Medicina e assistem incrédulos à exportação de estudantes de Medicina e à importação de Médicos sem qualificação

10)Os Médicos não partilham responsabilidade com V. Exa. no risco acrescido de horas extraordinárias em Urgência


20 de Setembro de 2005"

sábado, setembro 17, 2005

Não Há Antídoto Que Resista

Uma jornalista aplicava o termo "antídoto" à vacina da gripe. E várias vezes. Num horário nobre, numa televisão primeira.
Não descortino antídoto para esta iliteracia científica instalada nos meios jornalísticos, nem vacina para a prevenir!

Uma jornalista da SIC-Notícias, apresentando um trabalho que realizou sobre depressão na adolescência (trabalho interessante, sem dúvida!) quando entrevistada para falar sobre a sua reportagem, fez uma palestra sobre depressão, generalizando conceitos, confundindo os telespectadores, quando deveria dissertar sobre a reportagem, as suas dificuldades, a ética de falar com doentes, os prós e os contras da publicidade ao suicídio, etc. Para falar sobre a doença, contratavam um médico.
Um jornalista é um jornalista, percebe de jornalismo, um médico é um médico, embora muitos queiram que não o seja.

Poça (para não ser mais agressivo). Não sei que fazer!

domingo, setembro 04, 2005

Hellas

Estou num evento cientifico europeu, na Grecia.

Com apoio da industria farmaceutica, confesso.

Mas com inscricoes a 700 euros, qual o medico portugues que se pode deslocar individualmente pagando do seu ordenado a inscricao, a viagem e a estadia?

quarta-feira, agosto 31, 2005

Ureter vs Uréter

Uréter - Cândido de Figueiredo e Lello (edições antigas), Academia das Ciências.

Ureter - Academia das Ciências.

Google (páginas de Portugal)

Ureter - 124 citações.
Uréter - 35 citações.

Portanto a dúvida fica. Mas não fica a pressão do jornal e do jornalista na influência exercida junto do marido da doente para apresentar queixa, já se sabe, por negligência.

Ao ler a notícia, independentemente de faltas menores e não querendo estar a defender os "barões da medicina" ou quaisquer outros "barões, mesmo do jornalismo, que também os há", o que aconteceu foi uma complicação previsível da cirurgia e entre uma morte escusada por choque hemorrágico ou a laqueação errada do ureter, prefiro a segunda.

Isto não invalida que a paciente não seja indemnizada pela instituição.

Os seguros existem para isso...

terça-feira, agosto 30, 2005

O Caso do Ureter Laqueado

Segundo o Correio da Manhã, n' O Caso do Ureter Laqueado esta "Paciente pondera queixa" (sic) já há algumas edições atrás.

Pressuponho que o jornalista ganhe por notícias enviadas para o Correio da Manhã e nesse caso a ponderação sempre tráz uns cobrezitos a mais.

Mas ainda ninguém explicou ao senhor jornalista que se escreve ureter e não uréter com acento?

segunda-feira, agosto 29, 2005

Eu Quero Descansar, Mas A Iolanda Não Deixa

No Correio da Manhã de hoje esta notável peça jornalística assinada por Iolanda Vilar sobre

"O Nódulo Gigante do Testículo do Senhor"
(título meu)

Em negrito os pontos que entendo como manipuladores das consciências de quem lê a notícia.

"Saúde: doente desespera por operação há seis meses
Ignorado pelos médicos
[título da Iolanda]

O doente de Armamar já não sabe o que mais há-de fazer para ver concretizada a operação cirúrgica

Um doente de Armamar espera há seis meses por uma intervenção cirúrgica a um nódulo num testículo. O Hospital de Viseu diz que faz a operação se receber informação da urgência do caso do médico de família. Este, por seu turno, afirma que há situações mais urgentes e o paciente já não sabe como ultrapassar a situação.


José Jesus Silva, de 58 anos, natural de S. Cosmado, tem visto agravar-se o seu estado de saúde e teme perder as forças para trabalhar, antes que o problema seja resolvido, “através de uma cirurgia simples.”

“Mal consigo trabalhar e desespero de noite para poder dormir ou até sentar-me à mesa para comer”, lamenta o doente, serralheiro de profissão, a quem o médico de família diagnosticou um pequeno nódulo no testículo esquerdo e elaborou uma primeira carta enviada ao Hospital de Viseu, dando conhecimento do caso, e que até agora não obteve qualquer resposta.

“Na última visita ao Centro de Saúde, o médico diagnosticou-me também uma infecção nos rins e outros problemas, que me impedem de exercer o meu trabalho”, conta José Jesus Silva, que despende por mês mais de 100 euros em medicação. “Como não tenho dinheiro para pagar uma cirurgia privada, sou obrigado a esperar meses e meses para acabar com este sofrimento”, diz, lamentando o facto de “descontar muitas dezenas de euros para a Segurança Social e quando é preciso não ser atendido de forma eficaz”.

O director clínico do Hospital de S. Teotónio, em Viseu, Cílio Correia, considera “infundadas” as críticas deste paciente e explica que o médico de família tem duas vias para resolver o problema do doente: “Não se pode descartar do problema e esperar simplesmente que o paciente seja chamado para cirurgia. Caso haja agravamento do estado de saúde, deverá renovar o pedido de consulta ou cirurgia, referindo o seu carácter de urgência, de modo a ser atendido no Serviço de Urgência deste hospital. Ou faz um contacto telefónico ou por carta com o Director de Urologia ou o médico de serviço, solicitando uma observação urgente”.

Mas, o médico de família considera que “estas não são as vias mais correctas para resolver a questão”, referindo que “caso solicitasse por essas vias uma observação ou cirurgia, estaria a ultrapassar pacientes com problemas oncológicos, que obviamente têm prioridade.”

FALTAM UROLOGISTAS

No contexto actual, as situações com carácter oncológico têm prioridade e o seu atendimento depende da avaliação de um conjunto de patologias e características do doente, explica o director clínico do Hospital de Viseu.

Segundo Cílio Correia, actualmente o Hospital de S. Teotónio presta cuidados de Urologia a meio milhão de pessoas e dispõe de quatro urologistas, um número considerado “insuficiente para dar resposta a todas as patologias”.

A partir de Setembro, garantiu, o Sistema Integrado de Gestão Nacional vai permitir alertar os doentes colocados em lista de espera cirúrgica, quando atinjam 75 por cento de um ano do prazo. “Nessa altura será avaliada a condição de saúde do paciente e a necessidade de transferi-lo para outro hospital”.


Nota do Explicador: se algo se pode depreender da leitura desta história é que não há razão para a frase "Ignorado pelos médicos".

Resta-me uma dúvida, a senhora jornalista viu e palpou o nódulo?

terça-feira, julho 26, 2005

Sobre O Humanismo Dos Médicos

Alguma palavra sobre os médicos? Não! Ninguém os está a acusar de nada.

Caso - Ucraniano teve alta em 2001 e só agora voltou a casa
Carlos Barroso

Internamento terá custado um milhão de euros
Um cidadão ucraniano sem recursos económicos que estava há cinco anos internado no hospital de Caldas da Rainha, apesar de ter tido alta clínica em 2001, regressou finalmente ao seu país. O hospital pagou as despesas que o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e a Embaixada da Ucrânia sempre recusaram assumir.


O caso só foi desbloqueado no dia 4 deste mês, quando o Centro Hospitalar de Caldas da Rainha (CHCR) pagou o bilhete de avião do imigrante, que foi acompanhado por um enfermeiro, pois está imobilizado do pescoço para baixo.

A viagem revestiu-se de um transporte especial, ocupando vários lugares e implicando o isolamento dos restantes passageiros. Daí o tarifário elevado: mais de cinco mil euros.

A administradora do CHCR, Maria do Rosário, revelou que o ressarcimento vai ser pedido ao SEF. “As despesas necessárias ao abandono do País que não possam ser suportadas pelo estrangeiro deverão ser suportadas pelo Estado, inscritas no orçamento do SEF”, argumentou.

A administradora estima que os cinco anos de internamento terão custado ao Estado perto de um milhão de euros. E foi menos uma cama no serviço de medicina física e reabilitação, com apenas 12 camas. “Foi um autêntico processo de hotelaria”, criticou.

Vitaliy Kulik, de 31 anos, tinha autorização de permanência em Portugal e foi encontrado caído na EN 360, em Junho de 2001. Terá sido atropelado. Entrou em coma com lesões graves a nível crânio-encefálico.

Seis meses depois, em estado vegetativo, recebeu alta do CHCR, pois o corpo clínico entendeu que não havia recuperação possível, devendo o doente ser entregue à família. Só agora regressa a casa
.

Começo a pensar que estou com a "mania da perseguição"...

domingo, julho 24, 2005

A Manipulação Sobre Médicos Já Chegou Ao Público

Carta de um médico:


"Em Março/Abril do ano corrente fui contactado telefonicamente por uma jornalista desse jornal que pretendia saber algumas informações técnico-científicas sobre uma intervenção cirúrgica obstétrico-ginecológica - a "curetagem uterina".

A referida jornalista colocou-me várias questões, tais como "de que intervenção em concreto se tratava, quais as suas indicações e ainda quais os seus riscos e possíveis complicações".
O que me era pedido enquadrava-se estritamente num âmbito genérico, sem qualquer ligação com nenhum caso concreto. E foi neste entendimento que acedi ao pedido e prestei as informações requeridas.Por isso, torna-se indispensável corrigir duas questões fundamentais decorrentes do tratamento jornalístico que muito tempo depois lhes foi dado.

1 - A primeira tem a ver com a interpretação não correspondente ao que eu disse quanto à possibilidade de ocorrer uma "perfuração do útero apenas se a intervenção for mal feita". De facto, não foi exactamente isto o que eu disse, mas antes que "este tipo de complicações era raro e que a sua ocorrência poderia ser mais frequente em caso de imperícia ou pouca experiência do operador". Como V. Exa. verifica, isto não é a mesma coisa que dizer "apenas ocorre se for mal feita".

2 - A segunda questão é bem mais grave.
De facto, a publicação das minhas declarações foi efectuada sob a forma de "caixa" inserida e fazendo parte integrante do texto de uma notícia publicada na edição do dia 14 de Julho, de tal forma que se transmite a ideia que as informações que prestei eram directamente relacionadas com a situação concreta constante da notícia publicada sob o título "Paciente apresenta queixa contra médica do Hospital de São João".Ora, na verdade, quando prestei as informações que a jornalista me pediu desconhecia totalmente o caso relatado, do qual apenas tomei conhecimento quando li a peça publicada no dia 14. Para além disso, mesmo que eu o conhecesse, não poderia nunca pronunciar-me publicamente sobre um caso concreto ou sobre o correspondente processo clínico.

Prof. Carlos Santos Jorge
Presidente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Ginecologia"


E o Público explicou a manipulação, sem a admitir ou pedir desculpa aos visados.

Resultado: o Correio da Manhã, perdão o Público passou uma mensagem errada apenas com o objectivo de julgar e vender notícias sobre médicos, queixas, negligência, erros e quejandos.
Ai Público, Público, olha que os teus leitores não são os do Correio da Manhã, nem da TVI.
São intelectuais que procuram uma informação isenta e não subliminarmente manipuladora.


"N.D. - O PÚBLICO colocou as questões de forma abstracta para obter uma consideração técnica genérica e não directamente associada a um caso concreto, pois considerámos que assim a reflexão médica resultaria mais genuína. O PÚBLICO reconhece que devia ter assinalado de forma explícita que a declaração do prof. Carlos Santos Jorge, editada como "caixa" autónoma no corpo de uma notícia, fora feita em abstracto e não se referia ao caso relatado a 14 de Julho."

sexta-feira, julho 22, 2005

As Fases Da Leitura De Uma Notícia Sobre Saúde

Fase 1 - Interesse: "Uma jovem de 20 anos, de boas famílias entrou no Hospital às 4 da manhã com aspecto de ter snifado coca"









Fase 2 - Espanto: "A jovem afirma que foi violada pelo maqueiro de serviço enquanto aguardava numa maca no corredor do Hospital"





Fase 3 - Confusão: "Ouvida a secretária do assessor do chefe de gabinete do vogal da comissão, nesse dia o maqueiro de serviço era uma maqueira".





Fase 4 - Não percebo nada disto, um brilhosinho nos olhos para a gaja que está ao lado da notícia que estou a ler.





Fase 5 - Tribunal: Segundo apuramos a família vai levar o caso até às últimas consequências, pois não se admite que um jovem (que não quis ser fotografada) seja tratada assim. Como assim? A família vai fazer queixa na Paróquia de Cascais e aconselhar-se com o Pároco da Quinta da Marinha. só depois irão para o Tribunal.


Fase 6 - Não percebo nada disto, mas a culpa é do médico.






Fase 7 - Off: O Tio da jovem depois de "a culpa é do médico" lhe ter explicado que foram retirados dois vibradores daqui, um dali, outro dacolá e outro avulso.

Para Si, Intelectual Ansioso(a) Com A Febre Do Seu Filhote

Leia este post de um jovem médico, ainda interno, mas que vai desabafando didacticamente aquelas noções básicas e importantíssimas que o comum dos mortais deveria saber, incluindo os meus amigos jornalistas... (que também têm filhos!)

terça-feira, julho 19, 2005

Atenção Médicos A Esta Linda Jovem


Dela poderá sair um tiro certeiro............

Vou Comprar Um Colete À Prova De Bala

Depois de ler a introdução a esta notícia do Diário de Notícias, tremi, chorei, e interroguei-me se amanhã deveria ir ou não trabalhar ou solicitar protecção para todos os médicos que, cada vez mais têm uma profissão de risco.

Não será esta notícia um incentivo ao crime? Ao assassínio? À justiça popular?

Que me diz a isto Ivone Marques, uma jornalista de quem gosto?


"O processo de Aida Edite dos Santos

"No outro dia, liguei para a TVI para dizer que percebo aquele homem que deu o tiro no médico para vingar a mulher. Se tivesse feito isso, já tinha saído da cadeia" O HCV não esclarece se houve inquérito interno para apurar responsabilidades "A actual Administração é absolutamente alheia à questão"


Em 21 de Outubro de 2004, o Tribunal da Relação de Lisboa anulou a sentença de absolvição de dois médicos arguidos no processo de crime de homicídio por negligência de Aida dos Santos, morta em 25 de Novembro de 1995 devido a sepsis. A nulidade, suscitada por recurso dos filhos de Aida, assentou na inexistência de um exame crítico das provas que, nas palavras dos juízes da Relação, permita que "qualquer pessoa siga o juízo e presumivelmente se convença como o julgador". Ou seja, a absolvição não está fundamentada.

De facto, mesmo para um leigo, [deve ser o jornalista com saudades da Inquisição] a sentença evidencia aspectos contraditórios.

Pela leitura retiro uma conclusão: se até para os doutos juízes houve dificuldade em atingir as mesmas conclusões, o que compreendo, porque na realidade a Medicina não é bruxaria e nunca se adivinha o minuto seguinte a um qualquer procedimento, para o jornalista tudo se resolve com tiros e mais tiros.

A jornalista chama-se Fernanda Câncio.

terça-feira, julho 12, 2005

A Gale(rinha)ria da Fama

A Sandra instrumentalizando o jornalista que está escondido. Será este jovem de cabelo liso? Ou será este o diabético? O jornalista escondido, poderia ser outro nome para este post...

O Jornal de Notícias E Este Jornalista Estão A Cometer Um Crime Contra A Ciência

do qual podem resultar várias mortes!

É um artigo demagógico, mentiroso e coloca em risco todos os diabéticos jovens que podem morrer se abandonarem a terapêutica e seguirem o "jornalista" Carlos Rui Abreu.

Mais uma vez lá está a conta bancária.... e o jornalismo de m****.

Vou continuar a hibernar... e viva a Câmara de Fafe, pois com Fafe ninguém fanfa, nem o Carlos Rui Abreu!

"Criança diabética sem dinheiro para tratamento
apelo David Faria tem melhorado graças a medicina natural
Câmara Municipal impossibilitada de comparticipar

Família olha com cepticismo para o futuro de David Faria


Carlos Rui Abreu"

"Os médicos dizem que se o David continuar assim morre". A situação de David Faria com 14 anos, de Fafe e diabético desde os sete é preocupante, mas um tratamento baseado em produtos naturais está a dar os primeiros sinais de esperança a esta família que luta com todos os meios para conseguir pagar os tratamentos. "O David está a reagir muito bem a estes tratamentos, os valores têm baixado, ele está melhor, mas nós não temos dinheiro para continuar com isto", confessou ao JN Sandra Faria, irmã de David.

Este tratamento natural, de que a irmã teve conhecimento através de colegas de trabalho, é visto pela própria como a última solução para um caso que já foi acompanhado por clínicos do Hospital Senhora da Oliveira, em Guimarães, de onde o David saiu "zangado com o médico", e Hospital de S. João, sem que surgissem resultados práticos. A ausência de resultados é, em parte, da responsabilidade do próprio David. "Ele, fruto da idade, nunca aceitou a doença e cometia muitas asneiras com a alimentação fora de casa", explicou Sandra Faria.

Agora, com a mãe reformada por invalidez e o pai a auferir um rendimento de cerca de 500 euros, a família não está a conseguir suportar o encargo deste tratamento que fica em média por 250 euros mensais. "Já abrimos uma conta e estamos abertos a todo o tipo de apoio, porque este tratamento não tem limite para terminar e eu vejo-o como a única forma de manter o meu irmão vivo", apelou Sandra Faria. A conta de solidariedade está já aberta na CGD 003503000008010790096.

David Faria não será ajudado pelos serviços de acção social do Município de Fafe. O vereador Raul Cunha rejeitou dar qualquer apoio a este jovem, "porque é uma medicina alternativa e não temos competências para suportar". Para Raul Cunha o sucesso que este tratamento natural está a ter deve-se simplesmente "à motivação psicológica que a medicina natural pode causar", uma vez que as pessoas que ministram essa medicina natural "foram mais eficazes para ultrapassar a barreira psicológica que essa criança tinha".

Raul Cunha falou ao JN como vereador da autarquia fafense, mas na sua qualidade de médico tem "dúvidas de que esse tratamento natural seja útil para o doente a não ser na questão psicológica".

O vereador lamentou ainda que "os médicos que acompanham o jovem não fossem informados
".

quinta-feira, julho 07, 2005

Terror. Terrorismo.

quarta-feira, julho 06, 2005

Nem a hibernar me deixam descansado!

O melhor jornal português para usar na casa de banho de alguns hospitais que não estão completas, postulava ontem em grosso título:

"A Medicina portuguesa na lista negra da Europa", a propósito de um aspecto particularíssimo da Medicina.

Como prémio ao jornalista, ofereço este bilhete sobre chupões e que me deixem hibernar sossegado...

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terça-feira, junho 28, 2005

Não Vejo Nada ...

Espreitadela


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domingo, maio 29, 2005

Hibernação

O Médico Explica Medicina A Intelectuais iniciou um período de hibernação com a sensação de que as suas explicações em nada contribuiram para a diminuição dos elevados índices de iliteracia científica...

segunda-feira, maio 23, 2005

"Relação de especial intimidade entre os médicos e os jornalistas"

Dr. Francisco George, no jornal Tempo Medicina

A recente ameaça de gripe das aves serviu de mote à discussão sobre a problemática da comunicação do risco. Na Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), médicos, responsáveis oficiais e jornalistas debateram formas de conseguir alcançar com êxito a difícil meta de informar sem alarmar.
No passado dia 18, a ENSP, em Lisboa, promoveu um painel debate sobre as dificuldades de comunicar em Saúde. Intitulado «Percepção do risco e comunicação em Saúde Pública – A gripe das aves», o evento partiu desta ameaça de pandemia para pensar a complexa problemática.
Integrado no curso de Mestrado em Saúde Pública da escola, o debate foi moderado pela Dr.ª Antónia Frasquilho, psiquiatra e Mestre em Pedagogia da Saúde. Neste painel participaram dois jornalistas – Manuel Acácio, da TSF, e Madalena Augusto, da SIC Notícias – e dois representantes de entidades oficiais, o Dr. Francisco George, Subdirector-Geral da Saúde, e a Prof.ª Teresa Paixão, virologista do Instituto Nacional de Saúde do Dr. Ricardo Jorge (INSA). Além destes, também deram os seus contributos o Prof. Paulo Moreira, especialista em Comunicação em Saúde, e a Dr.ª Isabel Marinho Falcão, que apresentou um estudo do INSA acerca do conhecimento da população portuguesa sobre a gripe das aves (ver caixa).
A moderadora abriu o debate enumerando quatro das muitas razões que explicam por que é importante que os especialistas e responsáveis da Saúde se aliem aos media, na comunicação de situações de perigo para a Saúde Pública. «Quando estamos perante uma situação de risco em Saúde, é preciso difundir a mensagem, ampliar o seu impacte, trabalhar com profissionais qualificados e também tonificar o impacte da notícia. Ora, os jornalistas são as pessoas indicadas para o fazer», afirmou a Dr.ª Antónia Frasquilho.
Contudo, nem sempre a comunicação do risco se processa da melhor forma, falhando sobretudo o último tópico mencionado, como demonstrou a moderadora, dando exemplos de notícias sobre a gripe das aves veiculadas pelos media nacionais. Segundo a Dr.ª António Frasquilho, «o medo e a dramatização são inimigos da boa comunicação do risco», enquanto o conhecimento e a sabedoria são os seus melhores aliados: «É importante informar, mas também é essencial criar conhecimento e ir para além do racional, ou seja, fazer a gestão das emoções. A contenção da população, a serenidade, são fundamentais e é aqui que a ética intervém», disse.
Já a Prof.ª Teresa Paixão, que expôs alguns factos e números da história da gripe das aves, sublinhou que esta «é uma realidade e um problema de Saúde Pública mundial, para o qual é preciso uma conjugação de esforços».

O desafio da nova Saúde Pública

O Dr. Francisco George defende que a «nova Saúde Pública» deve estabelecer com os meios de Comunicação Social uma «relação de especial intimidade». Segundo o Subdirector-Geral da Saúde, esta ligação tem que ser reforçada, até porque fenómenos como a gripe das aves, a SARS ou as ameaças bioterroristas «colocaram a Saúde Pública na linha da frente das preocupações nacionais e mundiais».
Por tudo isto, é essencial garantir a correcta informação à população, de modo a evitar o empolamento do problema. O Dr. Francisco George defende, nesse sentido, a disponibilização de informação, através da internet e de linhas telefónicas próprias e sempre disponíveis, mas esta deve funcionar apenas como um complemento do «imprescindível» trabalho efectuado pela Comunicação Social. «Sem os media não há comunicação do risco, nem adopção de medidas de Saúde Pública», sublinhou o responsável.
Já os jornalistas salientaram a importância de haver especialistas disponíveis para explicar os fenómenos e esclarecer a população, em tempo útil, uma das maiores dificuldades do trabalho jornalístico. «Nós temos uma pressão enorme em termos de tempo, e nem sempre os profissionais de saúde estão disponíveis para falar, quando uma notícia rebenta nas redacções. E nós precisámos de avançar a informação», explicou Madalena Augusto, que sublinhou a importância de media e especialistas de saúde fomentarem a referida «relação íntima». Por seu turno, Manuel Acácio frisou que «para os jornalistas, também é um risco dar notícias de saúde», pois estas têm um enorme impacte na opinião pública. Além disso, os dois profissionais da Comunicação Social alertaram para a importância de os especialistas de saúde saberem adaptar o seu discurso ao órgão para o qual estão a falar e terem em conta que quando se fala para as «massas» não se pode usar o «médiquês» e é preciso simplificar. «Tal como nós temos de saber fazer as perguntas certas, o lado da Saúde tem que ter a sabedoria de saber comunicar», afirmou o jornalista da TSF.
Por fim, o Prof. Paulo Moreira contou a sua experiência como relações públicas de um hospital para demonstrar que a comunicação de uma instituição de saúde deve ser não só reactiva, mas também pró-activa e que, em caso de risco ou crise, aquela deve estar preparada para reagir, 24 horas por dia, se necessário.

Maria F. Teixeira

sexta-feira, maio 13, 2005

Com A Falta De Inspiração Primaveril...

iniciam os doentes a sua colaboração literária neste blogue.

Mas ao lerem, tenham em atenção que (eu sei Catarina II que não gostas que eu diga isto, mas tu ainda estás no início da profissão e para ti tudo ainida é poesia!) são estes doentes as grandes fontes de informação dos nossos jornalistas.

Primeira colaboração:

- "Senhor doutor meti um continente no ouvido e derramou logo sangue!"

Assim explicava a sua hemorragia traumática do canal auditivo externo.

sábado, maio 07, 2005

É Tão Fácil ... Não Morrer Aos 56 Anos

... por lesões coronárias graves.

Há quanto tempo não mede a sua pressão arterial, só pedimos 2 x ano, para os saudáveis. Se for portador de doença hipertensiva, não esqueça que a terapêutica é diária e vitalícia (no actual estado do conhecimento científico).

E o colesterol? Sabe quais são os seus valores? Só pedimos o controle anual para os saudáveis. Para os outros depende do seu médico. Mas se tiver colesterol superior a 190 mg/dL, já sabe pode estar em risco de vir a padecer de lesões coronárias graves e das suas consequências.

Falar do tabaco diário? Não falo.

Admirava-o. É pena desaparecer.

Que o seu desaparecimento sirva para que amanhã alguém se dirija ao seu médico de família e peça uma análise ao colesterol. E meça a sua pressão arterial.

Não custa nada.

É pena que o "folclore" das picadas no dedo a que se assiste actualmente não se dirija a quem precisa. Não se dirija aos grupos de risco ainda não diagnosticados com factores de risco.

Não é a primeira vez que faço um post sobre alguém vip que desaparece precocemente por doenças evitáveis.

Não sei se você não será o próximo.... e os jornalistas serão um grupo de risco para a doença coronária.

domingo, maio 01, 2005

Do Interior Do Centro De Saúde De Cabeceiras De Basto

J. S., habitual leitor deste blogue enviou-me esta mensagem:


----- Original Message -----
From: xxxxxxxxxxx@clix.pt
To: xxxxxxx@yahoogrupos.com.br
Sent: Saturday, April 30, 2005 9:35 AM

"Só uma dica.

É mais um caso de guerrilha política (PS - autarca versus PSD - Directora do CS).

O caso já se arrasta há muito tempo com a divergência sobre a construção do Internamento do CS (recuperação do actual que está instalado num edifício da Misericórdia e em parceria com esta, já a pensar num regime de internamento para cuidados continuados, onde funciona o SAP - defendido pela Sub-Região e Directora do CS e um novo internamento em edifício anexo ao novo CS - defendido pelo autarca).

Os processos de "negligência" correm normalmente (inicialmente era 1) agora passam a 4, segundo parece, instigados pelo autarca.

Saúd...ações."


Senhores jornalistas façam jornalismo de investigação, não jornalismo de "pespegação"

O Conselho Regional Do Norte Da Ordem Dos Médicos A Reboque Da Comunicação Social

O jornal "Tempo Medicina" também com a mesma agenda da comunicação social generalista escreve que o presidente do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos "pede intervenção do Colégio de MGF para verificar as condições do exercício da profissão médica no Centro de Saúde de Cabeceiras de Basto"
É estranho que só agora o CRM da Ordem do Médicos se lembre de vir para a comunicação social pronunciar-se sobre assuntos que desconhece, representando com esta atitude mais uma "acha para atear a fogueira da negligência médica".
Melhor esteve o bastonário que não se pronunciou, não alimentando assim a especulação.
Era bom que os senhores jornalistas investigassem quem é o senhor que despoletou isto, que interesses se escondem por trás e que outras situações se passam em Cabeceiras de Bastos para o senhor prusidente ficar de repente tão interessado na negligência médica.
Preocupado ficava eu agora, pois nenhum médico pode actuar livremente e usar o seu raciocíneo clínico hipotético-dedutivo com o peso da suspeição em cima.
Se mais informações houver, serão partilhadas com os leitores.

sexta-feira, abril 29, 2005

O Folclore, O Comércio E A Ciência Lado A Lado Na Comunicação Social

Feiras da Saúde. Coimbra. Tecnologias da saúde, brincar aos médicos, fazer diagnósticos displicentemente. Fomentar a ansiedade e depressão, para depois "parangonar" que se consomem muitos antidepressivos. Investigação sobre a influência do ruído ao nivel das células humanas e pulmões. Células estaminais. Guarda, compra, vende e troca.

Só que floclore ouve-se várias vezes e a ciência passa apenas uma vez e às 15 horas de Domingo.

Mas às 20 horas fiquei a saber que numa aldeia perdida da Eslovénia se fabricam sapatos ....

terça-feira, abril 26, 2005

Visícula!? Oh Senhores Jornalistas…

… de tanto trabalhar para as classes mais desfavorecidas (para ser politicamente correcto) já a vossa linguagem se confunde com a do povo.

“Visícula”!? “Escuzou-se”!?.
Oh Meu Deus! Já não chegam os dislates científicos. Agora são os dislates na nossa querida Língua Mãe.

E a notícia também mudou, como o vento: agora já não são 4 mortes 4, em 4 anos 4, mas 3 mortes 3, em 2 anos 2!

Senhor jornalista (que não assinou o artigo!) fique a saber que vesícula ambulacrária é uma das vesículas existentes na base dos pés ambulacrários dos equinodermes. Percebeu? Não. Está no dicionário. Se não fosse a sua asneira eu também não sabia que existia uma vesícula ambulacrária.

Mas a vesícula que nos interessa é a vesícula biliar.

Mas o senhor jornalista do SAPO/SIC pespegou o que ouviu: VISÍCULA ... e assim enganou milhares de leitores.
Que sorte as notícias não colocarem a nossa vida em perigo, senão veja lá quantos não teriam morrido já…

E para os intelectuais que procuram o esclarecimento científico, sempre digo que todas as doenças têm aquilo a que nós, os médicos, chamamos diagnóstico diferencial: e no caso de muitos doentes com suspeita de enfarte agudo do miocárdio, o diagnóstico diferencial da dor é feito com algumas doenças da vesícula, como colecistites, litíases biliares com cólicas ou outras patologias do foro biliar ou digestivo.

Vem nos nossos livros, não é invenção minha.

Acordar Ao Som Da Música "Negligência Médica"

Está nos tops.

Até a TSF me acorda com a "caxa": 4 mortes 4, 4 mulheres 4, em 4 anos 4.

Isto é: a "negligência médica" agora é por grosso e retroactiva. Para a TSF, com uma reportagem e uma jornalista fazem 4 notícias 4.
"No poupar é que está o ganho", lá diz o nosso povo.

Não me pronuncio sobre se houve ou não negligência ou erro porque não tenho qualquer dado: apenas uma dor numa perna, um enfarte, uma provável peritonite e um feto morto "in-utero".

Pronuncio-me sobre os métodos. Agora entrevista-se o senhor presidente da câmara sobre as 4 mortes 4, 4 mulheres 4, em 4 anos 4.

Acreditem que me custa falar na morte.
Há 4 famílias de luto, a comunicação social explora desbragadamente estes sentimentos. Subiu-se de nível e entrevista-se, agora, o presidente da Câmara sobre se há ou não negligência médica.

Como o caso parece muito grave eu proponho ao senhor presidente que, até esclarecimento total se tomem as seguintes medidas:

1) encerramento imediato do Centro de Saúde de Cabeceiras de Basto até conclusão do inquérito e como medida preventiva.

2) impedimeto de todo o corpo clínico do referido centro de saúde de exercer quaquer acto médico até esclarecimento total, por um período nunca inferior a três anos.

3) aproveitar este período de três anos para facultar cursos, simpósios, congressos, jornadas credíveis aos médicos.

4) pagar de imediato e sem necessidade de receita médica, a cada habitante de Cabeceiras "uma restonância magnestética", "um taco ao corpo todo", "análises a tudo", "um antibiótico forte preventivo contra tudo" e "uma ida ao hospital de Braga, Guimarães ou Penafiel para todos os doentes que mostrem interesse nisso".

5) iniciar rapidamente a substituição de todos os médicos do referido Centro de Saúde por homeopatas, osteopatas, acupunctores, especialistas em musicoterapia e azinoterapia, florais de Bach, médicos tradicionais da China e África. As vagas restantes podem ser preenchidas pelas bruxas, endireitas e meninos-santos da região.

6) Ao fim destes três anos reformar compulsivamente a totalidade dos médicos do Centro de Saúde de Cabeceiras de Basto com o ordenado integral.

7) Propor à Ordem dos Médicos, por indicação da Inspeção-Geral de Saúde e da Associação da Imprensa Diária a proibição do exercício de Medicina a todos os médicos licenciados entre 1910 e 2005.

8) Alargar o "acto médico" a todas as pessoas que provem não serem médicos.

Com estas medidas irradiava-se a praga devastadora de negligência médica em Portugal e ninguém mais morreria no País.

sábado, abril 23, 2005

Bragança vs Póvoa de Varzim: As Duas Faces Da Mesma Moeda

Image hosted by Photobucket.com O "aneurisma dissecante da aorta intrapericárdica com tamponamento" que originou a morte de uma mulher jovem em Bragança (na foto um aneurisma dissecante extra-pericárdico) e a amiba da Póvoa (em baixo) que se introduziu numa criança provocando uma meningite e posteriormente a morte.

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A moeda é a condição raríssima destas duas situações.
Em relação à primeira, se um aneurisma já é pouco frequente, a sua dissecção ainda mais rara é, e se associarmos a situação aguda, intrapericárdica e numa jovem mulher, tornam-na presumo, talvêz tão rara como a da amiba (cerca de 100 casos descritos) . Segundo esta revista canadiana (aqui) a incidência desta patologia "in North America is about 5 to 10 cases per million people annually".
E o mais importante: "Incidence figures are generally based on autopsy studies. Unfortunately, TAD [thoracic aneurysm dissection] continues to be underdiagnosed before death."

Lá como cá.

Mas então que razões encontrou a Inspecção-Geral de Saúde para pronuncionar dois médicos em Bragança por negligência médica? Isto a notícia não esclarece e portanto também não me pronuncio sobre a eventual negligência. Aos jornalistas pespegantes (que pespegam, que não investigam porque não interessa.) também não interessa esclarecer. Só pespegar o que ouvem ou o que se vende. São pagos para isso. Coitados.

Mas interrogo-me: queixar-se-ia a paciente de uma dor lancinante, excruciante, "worst pain ever". Pelo que a jornalista do Público descreve não. Mas refere que a doente esteve internada três dias. É sinal de que os médicos queriam esclarecer a situação.

As doenças não trazem uma etiqueta com o seu nome pespegado. É preciso suspeitar delas. E a suspeita é em função de muitos factores e da prevalência dessas mesmas doenças.

Segundo o artigo científico referenciado, "typical TAD patients are 60 to 65 years old, have a history of hypertension, and are twice as likely to be men as women.", que como se pode ver eram sobreponíveis com as situações apresentadas em Bragança aos médicos.

Tenho mesmo uma curiosidade enorme em saber o que descortinou a IGS de negligente na actuação dos médicos ...
Queria louvar a atitude do delegado do Ministério Público ao ter arquivado o processo. Mas o facto de ter cedido às pressões dos media, dos advogados, da Inspecção-Geral de Saúde entristece-me.
A indepêndencia judicial falhou ...

E a amiba?

A amiba, talvez porque tenha um nome simpático foi mediática, apesar de ser assassina. Os médicos foram entrevistados na TV, deram entrevistas para os jornais, mas o paciente acabou por falecer.
Tenho a certeza que o diagnóstico não foi feito no primeiro dia da ida à urgência.

Se para a doença rara de Bragança há negligência, para a doença rara da Póvoa tem que haver uma medalha por serviços relevantes à causa da Ciência em Portugal. Talvez no próximo 10 de Junho sejam condecorados os médicos da Póvoa que descobriram a amiba e os juristas da IGS que descobriram o vírus da negligência médica num caso de "aneurisma dissecante da aorta intrapericárdica com tamponamento".

Para terminar: afirma o marido da infausta jovem de 23 anos ao Público, (obviamente que já apareceu nas televisões e jornais): "Eu tenho um filho que na altura tinha apenas três anos. Mais tarde, quando começar a fazer mais perguntas, quero ter respostas para lhe dar e quero que saiba que o pai fez tudo para esclarecer as circunstâncias da morte da mãe".

Ainda não sabe?
Então eu volto a dizer: a sua esposa faleceu de um aneurisma dissecante da aorta intrapericárdica com tamponamento cardíaco.

Espero que este filho goste sempre do pai e que mais tarde reveja os minutos de fama que a morte da mãe deu ao seu pai, guardados com muito carinho numa fita VHS ou em DVD.
E um recado à jornalista Ana Fragoso: não sei o que quer dizer "intrapericatória".
Presumo que quereria dizer intrapericárdica.
A palavra pericatória, com ou sem intra não encontrei em lado nenhum.


E é o Público um jornal de referência...

Eu Bem Avisei: "Os Médicos Podem Ser As Próximas Vítimas"

Quem o afirma não sou eu!

É um reconhecido jornalista e analista político, Dr Carlos Magno referido no jornal Tempo Medicina pelo jornalista Manuel Morato.


"Depois dos políticos e juízes, a prática já antiga nos Estados Unidos de processar médicos está a chegar a Portugal, e vai acontecer «de forma profissional, basta que alguém defina que esse é o alvo e decida o politicamente»".

"os médicos vão ser a próxima vítima do sistema mediático".

"Depois dos políticos e dos juristas, agora vêm os médicos, porque há uma desconfiança instalada», além de «um défice de contacto verbal e físico directo». E lança um desafio: «Da mesma maneira que há paradigmas no jornalismo, é preciso reinventar palavras que estimulem, inovem e alertem, porque as palavras estão gastas".

"As questões da saúde devem ser postas ao nível da ciência e da técnica, porque enquanto a linguagem da saúde está a perder força, a linguagem da tecnologia ganha espaço".

"Como sublinhou o Dr. Carlos Magno, hoje é muito difícil convencer a família de quem morreu num hospital de que não houve negligência. É que o «escândalo, quando não existe, inventa-se», explicou o comentador, que falou também das «imagens manipuláveis» da morte nos campos de futebol, argumentando como duas conhecidas citações: «”À velocidade da luz ninguém possui um corpo”». «As imagens não têm cheiro; portanto, temos que recuperar, através da palavra, o cheiro da imagem, porque isso de se dizer que “uma imagem vale mais do que mil palavras” é uma falácia».

"Para o analista político, também no sector das Saúde a imagem da racionalidade está a morrer na sociedade contemporânea. Por exemplo, como frisou, o discurso de alerta para o diagnóstico precoce tornou-se «absolutamente inócuo»: «Para reciclar a relação da Medicina com o cidadão, é preciso reciclar também a linguagem da saúde», reafirmou."

sábado, abril 16, 2005

Usem A Lupa, Não Esqueçam!

No seguimento do post anterior ... outros erros, outras negligências, sem julgamentos.

E não é muito difícil encontrá-los.

Com uma lupa aparecem em qualquer jornal.

Na mesma página do DN de hoje pode ler-se (usem a lupa, não esqueçam!):

"Amostras de vírus desaparecidas

... amostras do vírus potencialmente mortal, H2N2, enviadas, por erro, pelos EUA a mais de 3 700 laboratórios em 18 países."

Sobre o incêndio num hotel de Paris:

"... segundo as autoridades, o hotel foi objecto de um controlo ao sistema de prevenção de incêndios há menos de um mês. Na altura, os peritos concluiram que o edifício de seis andares cumpria as normas de segurança."

Erros, Negligências E Julgamentos; Outros Erros, Outras Negligências, Sem Julgamentos

Os jornais têm tido matéria farta estes dias sobre casos de julgamentos de médicos.

Ainda bem. É sinal de que a culpa não vai morrer solteira.

São médicos especialistas hospitalares. Ortopedistas, otorrinolaringologistas, anatomo-patologistas, radiologistas, cirurgiões e ginecologistas.
Todas elas muito requisitadas na medicina privada.
Talvez por isso a visibilidade mediática.

Num caso, ortopedistas e otorrinolaringologistas, especialidades bem cotadas na área privada, mas pelos vistos talvez não dando para todos, alguns dos meus colegas, para além do pagamento do SNS, incentivaram o pagamento particular em instituições do Serviço Nacional de Saúde.

Não é erro médico, nem negligência. É um mero caso de polícia.

Noutro caso, uma médica anatomo-patologista está ou foi condenada por negligência médica. De facto trata-se de um caso de negligência médica grosseira, pois essa médica mandou usar uma ampola de um medicamento (relaxante muscular) que lhe foi oferecido em Cuba e incluído na mala médica da seguradora.
É negligência médica grosseira, utilizar um medicamento desconhecido com tamanha facilidade. Talvez um paracetamol IM ou um opióide tivesse resolvido o problema.~

Mas a companhia de seguros, na minha óptica não se livra de responsabilidades: quem a mandou contratar uma médica anatomopatologista, isto é uma médica habituada a espreitar por um microscópio células doentes e saudáveis, sem prática clínica, chefiar uns serviços clínicos de uma companhia?
Seria muito mais aconselhado um médico com prática clínica habitual, quer generalista, quer hospitalar.

Mas este caso, para mim pecou pelas afirmações da juíza, que demonstrou não ter tido um juízo (raciocínio) independente, confessando indirectamente a pressão da comunicação social.

Este é um caso de negligência grosseira.

O último caso que envolve meia dúzia de médicos, radiologistas, cirurgiões e ginecologistas é um evidente caso de erro médico, até detectado pelos próprios durante o seu percurso, relacionado com erro de localização de determinada lesão maligna. Mas os peritos, que por certo o Tribunal ouvirá, melhor esclarecerão.

Este é um caso de erro médico, também passível de indemnização e até julgamento, mas será sempre um erro de localização.

Sintomático é que o JN encimou todos os casos durante vários dias, com o mesmo título: MÉDICOS ACUSADOS DE NEGLIGÊNCIA MÉDICA.

Tá a ver, cara amiga jornalista Ivone Marques, tenho ou não tenho razão de que vocês pespegam tudo sem qualquer rigor jornalístico ou científico?

quinta-feira, abril 14, 2005

31 De Maio - Dia Mundial Sem Tabaco

Para comemorar este dia da OMS, FJV desfez-se dos seus charutos particulares e fez-mos chegar aqui, ao meu posto de trabalho, cumprindo uma velha promessa:

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terça-feira, abril 12, 2005

No Rescaldo Das Conversas Com A Sogra

No rescaldo das conversas com a sogra, segundo o Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência (CEMBE) nos países desenvolvidos o grau de adesão às terapêuticas crónicas será de cerca de 50% e ainda inferior nos países subdesenvolvidos ou em vias de desenvolvimento.

Em relação ao aviamento das prescrições, 6 a 20% dos doentes não aviam as receitas e dos que aviam, 30 a 50% não cumprem o esquema proposto, omitindo doses.

As explicações são muitas, desde as económicas até à iliteracia científica de muitos doentes.

Mas (evidentemente) o estudo da Associação Nacional de Farmácias realizado a uma centena de utentes de farmácias da zona centro concluiu que a culpa era do médico quando os doentes não cumpriam as terapêuticas.

Só não disseram que, esse dinheiro não foi para o lixo (para o lixo foram os medicamentos). Foram directamente para os lucros das farmácias. E os farmacêuticos bem podiam ajudar a melhorar a adesão à terapêutica, não se limitando a vender os medicamentos, mas explicando a necessidade fundamental de cumprir a terapêutica do médico.

Mas quantos farão isso, se consideram os médicos seus inimigos? (vide qualquer intervenção do Sr Dr João Cordeiro).

domingo, abril 10, 2005

Quem Diria Que Poderia Acontecer?

"Segundo explicou ao DN fonte oficial do Infarmed, as fiscalizações "fazem parte da actividade normal e quotidiana" desta entidade e os resultados obtidos não traduzem qualquer indicador preocupante. Entre as irregularidades detectadas nas farmácias contam-se a venda de medicamentos fora do prazo legal e a ausência do nome dos requerentes em receitas de estupefacientes e psicotrópicos (como o multifenidato, a buprenorfina e a morfina)."


Isto é, foram aviados medicamentos fora de prazo e receitas sem identificação ...

O PÚBLICO Viajou A Convite Da ... Grunenthal

A Grunenthal é um laboratório médico.
É um laboratório com muitos interesses em vários tipos de analgésicos.
Analgésicos usados em cuidados paliativos.
O PÚBLICO foi convidado pela Grunenthal "ao congresso da Associação Europeia para os Cuidados Paliativos a decorrer na cidade alemã de Aachen".
E para que não haja dúvida escreve no fim:
"O PÚBLICO viajou a convite da Grunenthal."
A minha única dúvida é sobre a iniciativa: de quem foi a iniciativa do convite?

Conversas Com A Sogra ... Paradigmáticas De Conversas Com A Ciência

Título estranho, depois de o reler!

Mas são estes pequeno momentos que por vezes infirmam os postulados científicos.

O Domingo primaveril era convidativo a um almoço intimista, um bom naco de carne assada acompanhado por espumante Murganheira tinto de 1999.

Como sempre nos jantares com médicos e sogras, as doenças destas fazem sempre parte dos assuntos a discutir. Com a televisão a ajudar e a orientar o fluir dos pensamentos, falou-se de doenças e do médico santo que a curou e do médico excomungado que a não curou.

Palavra puxa palavra confessa que apenas faz metade da posologia que, quer o seu pneumologista, quer o seu médico de família a aconselham para a sua doença crónica.

Exclamei reflexa e subitamente:

- "Pois é. Aí está a explicação para as exacerbações nocturnas da sua doença!"
- "Você tem as exacerbações e eu as preocupações!"
- "Isso não se faz!", repliquei.
E acrescentei, sabendo que assistiu de manhã pela televisão à missa dominical:
- "Alguma vez reduziu as penitências do senhor padre?"
- "Ai, isso não!"
O que a Ciência nos diz através de inúmeros estudos é que os doentes portadores de doenças crónicas não cumprem as normas terapêuticas prescritas numa alta percentagem, apenas porque assumem que não é preciso. Que se sentem bem! Que a doença já era! Que não é necessário prevenir as exacerbações! E etc, etc, etc.
Mas o médico é que paga sempre... quando as coisas correm mal!

sexta-feira, abril 08, 2005

As Ondas de Solidariedade E A Imprensa

Esta notícia d' O Comércio do Porto assinada pela "nossa" leitora jornalista Ivone Marques (que muito se chateou comigo uns posts atrás!), bem escrita, descreve uma onda de solidariedade, provavelmente de sua iniciativa, que gerou um movimento de pessoas anónimas para doação e colheita de medula óssea pelo Centro de Histocompatibilidade do Norte.

O Povo é, quase por definição, solidário com o próximo.
Estas ondas apenas precisam de visibilidade para se transformarem em maremotos benignos, e aí a imprensa (e os jornalistas) têm um papel fundamental.

A recolha de medula óssea, mesmo que não se encontre um dador que sirva ao pequeno Tiago, é sempre positiva, não só porque aumenta a base de dados de dadores disponíveis e indentificáveis, mas também porque, com as colheitas efectuadas, outros Tiagos que não tiveram a visibilidade deste, poderão ser ajudados.

Mas esta notícia, exemplarmente correcta, fez-me lembrar outras.

Outras notícias, com outras correntes, onde despudoradamente foram explorados os nobres sentimentos de solidariedade do povo português.

E essas correntes surgem baseadas em falsos pressupostos científicos e ampliadas pelos media, porque, muitas vezes, aos media apenas... lá vou eu dizer mal dos jornais, do lucro, da iliteracia.

Não. Fico por aqui e parabéns Ivone Marques.

quinta-feira, abril 07, 2005

Sob A Sotaina, Perdão, Sob A Bata-Branca Esconde-se O Assédio

O assédio, qualquer assédio, é condenável. Por ser condenável, deixei a Inspecção-Geral da Saúde trabalhar e concluir que o médico foi "assediador" e que houve assediadas que se sentiram invadidas na sua intimidade e legitimamente protestaram.
Nada contra, tudo a favor.
Punir quem prevarica.
Julgar nos locais próprios.

Por essa razão não era minha intenção escrever qualquer linha sobre este assunto. Até que um colega leitor me enviou uma cópia da página do Correio da Manhã com um artigo pespegado por um jornalista pespegador.
Um Alexandre, de Évora, especializado em excitações.

Médicos e padres têm muito em comum, para além de assistirem a confissões, do sigilo, de perdoarem/curarem e até nas penitências: a dos padres sempre é mais barata do que aquelas ordenadas pelos médicos, mas cuja despesa fica na farmácia e na indústria farmacêutica. E para além de serem notícia quando assediam, têm também em comum o vestuário que pudicamente os cobre ou encobre.

Pudicamente, porque agora serão necessárias umas novas protecções para que o assédio não cresça sob essas vestes diabólicas.

O porno-jornalista do Correio da Manhã descobriu na sua investigação playboyniana que algumas doentes (talvez a loira da foto) notavam por baixo da sotaina do médico a prova de que estavam a ser assedidas.

Olhando para a minha bata-branca e para o meu assédio, (mesmo depois de ingerir duas pastilhas de viagra e de folhear mais umas porno-reportagens do porno-jornalista) fico triste, não noto que o meu assédio seja suficiente para bata se elevar!

Perguntei a uma enfermeira do lado de lá da enfermaria: "Senhora enfermeira, nota algum assédio por baixo da minha bata?"
Ao que me respondeu: "Não. Não noto nada! Mesmo nada. A sua bata está na mesma posição desde que a vestiu".

De lágrimas nos olhos, repito: "Mas não nota mesmo nada? Nem um cadechinho"

- "Pronto, fui enganado! Quem me mandou comprar o Viagra pela internet"

Fiquei descolhoado como se diz na minha terra.

Mas depois de interrogar a Loira-Oxigenada-De-Costas descubro que o assédio do dr X de Elvas é ainda maior que o do Frota, podendo assim ocupar os seus tempos livres da reforma a r

segunda-feira, abril 04, 2005

Eu Juro Que Ouvi

Uma jornalista da TSF (correspondente?) a falar na "pouco esclarecida morte do Papa".

Por outro lado, a Igreja que condena a eutanásia, permitiu que o Papa morresse devido à eutanásia passiva, ao não ser transferido para um hospital.

sexta-feira, abril 01, 2005

Últimas Notícias Sobre A Intrigante Agonia Papal

Este blogue tem conhecimento de que um grupo de jornalistas portugueses especializados em explorar os sentimentos das vítimas de "negligência médica", já se encontra a caminho da Cidade do Vaticano para investigar um hipotético caso de negligência médica, pois segundo as suas fontes, as primeiras notícias referiam-se a uma infecção urinária e segundo as senhoras Cristete, Suzete e Elizabete, habituais assessoras científicas deste grupo de jornalistas, NINGUÉM MORRE DE INFECÇÕES URINÁRIAS, pois as próprias são portadoras de colibacilo crónico, automedicadas com as florentinas e nunca morreram.


Um segundo grupo tentará entrevistar os familiares mais próximos do Papa.
Uma hipotética esposa clandestina, uns filhos ocultos, os avós provavelmente ainda vivos, mesmo os pais polacos.

O chefe de redacção já comunicou que sem familiares, a investigação da hipotética provável presumida negligência médica suspeita não avançará.


Eu sei que o Sumo Pontífice lhes perdoará, como me perdoará este post.

Mil Desculpas À S. Alves...

O catálogo apresentado no post anterior é da Senhora Dona Serrano, conhecida por ter vendido a sua gravidez a um banco...

quarta-feira, março 30, 2005

Novo Catálogo da Senhora Alves

Apresento em primeira mão o novo catálogo da S. Alves para novas promoções.

Estes artigos encontram-se em leilão neste blogue e têm selo de garantia assinado pela S. Alves.

1) "A minha placenta conservada que alimentou o meu néné durante 40 semanas."

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2) "O primeiro piolho do meu néné, conservado vivo."

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3) "A primeira lombriga do meu néné, está solitária, mas não é a bicha solitária."
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sábado, março 26, 2005

A Saúde É Uma Marca Que Vende

Escrevia-me há dias um jornalista com J, que a Saúde vende. Acrescento eu, como vendem sempre umas fotos mais arrojadas ou como em tempos vendeu o Benfica, ou outra marca qualquer. Tem saída. Vende-se. Publica-se!

Mas como a saúde vende, o que interessa é falar sempre de Saúde, dar conteúdo sério ou desenvolver as notícias para melhor se compreender,é um objectivo menor.

O que interessa é contar um caso (e para isso é necessário encontrá-lo, utilizando-se os olheiros, como no futebol), em que haja uma vítima que jaz na cama de um hospital e um familiar da vítima, por ordem de preferência filha, filho, conjuge, pais. Os honorários dependem muito do grau de parentesco entre o entrevistado e a vítima.

Os olheiros abordam as pessoas que saiem tristes ou a chorar dos hospitais.

Mas, se todos compreendessem um pouco de Medicina, muitas notícias passariam da secção Sociedade dos jornais, directamente para a secção de Humor

Lendo esta notícia do JN de fico sem saber qual é a notícia, qual é a negligência ou o motivo pelo qual a "Justiça poderá intervir num caso de alegada negligência médica" como postula o JN.

Imagino como surgiu a notícia:

- Tá lá! É do JN?

- É sim. Com quem deseja falar?

- Eu não quero falar com ninguém, mas é para porem aí no jornal que o meu pai depois de fazer um exame ficou pior do que estava. O meu pai foi vítima de negligência médica, é assim que se diz, não é?

- Eu sou de Chaves.

- Oh minha senhora, não desligue que atrás de si já está o nosso correspondente em Chaves com uma máquina digital e amanhã já está tudo no jornal com foto e tudo!
- Mas eu não quero foto porque não tenho tempo de ir ao cabeleireiro...

E a comprovar que este diálogo é verdadeiro está a notícia intitulada: "Exame ao pâncreas envolto em polémica" sem foto da filha da vítima de 76 anos que está entre a vida e a morte, embora não sei o que isto quer dizer: estará em coma? teve uma paragem cardíaca? Ou é para enfeitar a notícia?

Oh Amiga Ivone (que ficou muito chateada comigo por a ter incluído nos "jornalistas pespegantes"), isto que vai ler não é quebrar a privacidade?

Não é pespegar no jornal o que ouvem da boca dos outros? - "O paciente queixava-se de "dores de estômago" e "má disposição" frequentes".

"No entanto, a família garante que o hospital não informou a família nem o doente dos riscos do exame. E, por isso, prometeu recorrer à Justiça para responsabilizar o hospital pelo estado do doente. "Se tivessem informado dos gravíssimos riscos de vida que corria ao fazer o exame, ele teria consultado a minha mãe. O meu pai nunca assinou nenhum documento a autorizar o exame", assegurou Maria Teresa Esteves, filha do doente."

Oh senhora dona Maria Teresa Esteves, até uma simples injecção tem riscos que podem ser fatais.
Mas, se tivesse assinado o consentimento informado, já não era notícia, nem negligência.

Sendo assim, vou passar a pedir uma assinatura a todos os doentes à entrada para cada consulta, informando de todos os riscos que duma consulta e da terapêutica instituida podem resultar.

Ai vou, vou.

sexta-feira, março 25, 2005

E Porque É Que Isto Não Se Faz?

1) porque a jovem não está doente e não precisa de ser medicalizada.

2) porque a função dos psicólogos é promover a psicoterapia recorrendo a terapêuticas não farmacológicas.

3) porque a jovem é pobre!

terça-feira, março 22, 2005

Isto Não Se Faz!

São 18 anos risonhos e ao mesmo tempo envergonhados.


A vida não sorriu. A mãe faleceu de doença quando mais era precisa.


É natural que estes 18 anos tenham algumas carências. Mas por aquilo que pude hoje observar numa consulta de urgência, nada de grave.


Mas as escolas têm psicólogos.

Sou contra a "psiquiatrização" da juventude. É frequente hoje ouvir-se por tudo e por nada: "o pedopsiquiatra do meu filho."


Mas agora corre-se o risco da "psicologiarização".


Os psicólogos não são médicos. São muito importantes, mas as suas armas terapêuticas não são medicamentosas. Não podem prescrever!


O que ouvi hoje, deixou-me aterrado com a falta de ética (e de moral!) de um psicólogo de uma escola.


Quando perguntei à tia se a jovem tomava algum medicamento, a primeira reação foi negativa.
Mas depois diz a jovem:

- "Oh tia, e os medicamentos do psicólogo da escola?"

- "Tens razão. Senhor doutor, ela toma muitos produtos naturais receitados pelo psicólogo!"
- "E são muito caros! Têm que ser comprados sempre na mesma farmácia!"
Pois é, quanta ilegalidade: prescrição, produtos naturais, comissões, etc, etc.


E ainda perguntei:
- "E fala contigo a psicóloga? Conversa muito?"
- "Nem por isso!"

domingo, março 20, 2005

Tiro Ao Alvo: A Conspurcação De Um Artigo

O artigo da Visão até se lia com agrado, embora aqui e ali se vislumbrasse a má-fé do jornalista com a utilização da palavra "doutores".

Mas o título "Tiro Ao Alvo", é o exemplo paradigmático de como os media, e obviamente os jornalistas, encaram os personagens das suas notícias sobre saúde, que se chamam médicos e não "doutores".

Porque doutores há muitos e uma mosca ...... na careca de um doutor, como em qualquer porcaria, que até pode ser jornalista, licenciado (isto é, tirou uma licença) para escrever notícias de faca e alguidar relacionadas com a saúde.

Mas essa do "Tiro Ao Alvo", sendo o alvo o médico, é obra.

Nem uma crítica, nem uma palavra sobre violência, a pequena nota até justifica e branqueia o comportamento do agressor: a justiça não avança!

Mas o senhor que escreveu o artigo é jornalista?

sexta-feira, março 18, 2005

Estou Num Congresso ...

... em Italia.

Nestas convencoes e' que se trocam ideias.

Isto a proposito do meu ultimo post e de algumas mensagens que recebi, mas em nenhum congresso se discutem as "curas" de Cuba.

Era bom se fosse verdade.

Mas a vontade de curar e' muito forte e gastam-se fortunas para melhorias de 0,000001%. E os familiares acreditam nessas melhoras.

Eu acredito na mucosa nasal...

terça-feira, março 15, 2005

O Comércio Já Nos Habituou....

"Tetraplégico de Espinho precisa de 10 mil euros para se curar em Cuba."

Mas será que o Comércio não terá 2 000 contos para emprestar a este doente para se curar?Se a cura é tão certa... Vá lá jornalistas do Comércio, a dividir por todos não é quase nada e vocês garantem a cura, segundo o vosso título!
Ou será que estão a mentir? Será só para vender jornais?

E a explicação para a tetraplegia também não é correcta. Essa da asfixia originar tetraplegia é nova.

Fase II: Justiça Popular

Os media publicitam e ampliam.
Transformam a dor em ódio.
Encontram SEMPRE culpados entre as batas brancas.

A entrevista em horário nobre é sinónimo de razão para o acusador.

A irracionalidade é fomentada inconscientemente pelos media audiovisuais.


14-03-2005 Lusa:
"Portimão: Médico atingido a tiro dentro do tribunal.

"Portimão - Um médico foi hoje atingido a tiro no Tribunal de Portimão por um homem que o responsabiliza pela morte da mulher em 2002 no Hospital do Barlavento Algarvio, disse à Agência Lusa fonte judicial.
O incidente ocorreu cerca das 14:20, quando o médico espanhol de 45 anos e o homem de perto de 60 aguardavam pela chegada da juíza, no âmbito de um processo que o autor dos disparos intentou contra o clínico do Hospital do Barlavento Algarvio, em Portimão, e uma médica do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) por homicídio por negligência, pela morte da mulher
."

Se o médico morresse já era notícia nobre.

domingo, março 13, 2005

O Record da RTP 1 - Se Deus Existir Vai Excomungá-La

Ainda a sua filha luta contra a morte nas camas de um hospital, já a RTP 1, qual abutre, contrata (acredito que estas reportagens sejam sujeitas a contrato prévio, que até pode ser muito simples: dou-te 15 minutos de fama e vendes-te ao diabo) o pai para aparecer na televisão, bem penteado, roupinha domingueira a vociferar contra 4 médicos.
Repito quatro, four, quatre, agora a negrito quatro, agora com um tipo de letra mais visível: 4.
Sim. Foram quatro os médicos negligentes.
Que tenham errado, posso acreditar, embora seja difícil, mas como a Medicina não é uma ciência exacta, tudo é posssível.
Mas o que interessa é a notícia.
A ansiedade de projecção é tanta ...

quinta-feira, março 10, 2005

Tintura Idiota

O fim de uma consulta, geralmente não é no fim.

Quer dizer, há um fim, quando o médico se despede do doente e depois uma espécie de pós-fim, quando o doente diz:

- "Já agora, sr doutor..."

Hoje foi isso que se passou.
Já a consulta tinha terminado. Já se tinha programado outra. Já nos havíamos despedido com um afectuoso aperto de mão e dispara a doente de meia-idade:

- "Já agora, sr doutor tenho aqui no dedo do pé uma coisa preta que me poderia ver."

O médico tem sempre várias opções:

1) Mostre-me para a próxima consulta.
2) Isso não é da minha especialidade.
3) Vá ali ao guichet e peça à menina para marcar uma consulta para a especialidade das coisas pretas nos dedos dos pés.
4) Mostre ao seu médico de família, que ele resolve.
5) Minha senhora não me chateie (esta opção em geral é só idealizada).
6) Mostre lá isso, que eu estou com pressa.

Enquanto mentalmente escolhia uma opção, já a doente se re-despia para me mostrar o que a atormentava e dizendo com ar compenetrado:

- "Há uma semana que lhe ando a pôr a tintura idiota... e cada vez fica mais preto!"

- "Tintura idiota? Mas que é isso?"

- "Não sabe? Aquela tintura preta, em frascos!"

- "Ah!". Exclamei:

- "Tintura de iodo? Betadine!"

Mas a moral da história não é falar da iliteracia do nosso povo em relação a quase tudo que não passe na TVI, ou na Maria, ou na Ana ou na Pancrácia.

A moral é que, são estas mesmas pessoas as testemunhas oculares escolhidas pelos jornais e pelas televisões para emitirem as doutas opiniões sobre os acontecimentos diários do nosso Serviço Nacional de Saúde...

domingo, março 06, 2005

A Próstata: O Órgão Mais Comercial Do Corpo Humano

Já foram as amígdalas.
Já foi o apêndice.
As cataratas estão a deixar de o ser.

Ainda vai restando a próstata (ou próstala, segundo os meu doentes!)

Foi tema de capa da revista Pública e na atrapalhação jornalística (ou será negligência?) de produzir por atacado e para ontem, mas a que me vou habituando, ilustres colegas meus são apanhados na teia. No blogue Murcon, nesta queixa de Júlio Machado Vaz.

O Traque Do Papa, Segundo A Antena 1

Foi hoje que ouvi uma jornalista da Antena 1 afirmar que Sua Santidade tinha sido sujeita a uma traquetomia.

Fui ao dicionário e a palavra mais aproximada que encontrei foi esta:

traque: s. m. , de orig. onomat. , pleb., estrépito produzido pela saída de ventosidades expelidas pelo ânus; fig. , estrépito; estoiro.

Acredito que a senhora jornalista quisesse dizer traqueotomia ou traqueostomia, e embora a confusão tenha sido muita (até já li que traqueotomia e traqueostomia seriam sinónimos) os significados são:

Traqueotomia: s. f. do Gr. trakheîa + tomé, corte. Incisão cirúrgica para estabelecer a comunicação da traqueia com o ar exterior.

Traqueostomia: será o resultado da traqueotomia, isto é, um orifício permanente ou não, que permitirá a entrada e saída do ar dos pulmões.

O que nunca vi, garanto, foi um cirurgião ou qualquer outro médico provocar uma incisão num traque. Por mais que tentem não conseguem...

quinta-feira, março 03, 2005

I've Got Mail

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"É Cada Vez Mais Arriscado Ser Médico"

Extractos da conferência do Prof. João Lobo Antunes na Fundação Gulbenkian, intitulada "Para Onde Foi O Dr. João Semana?" publicados no jornal Tempo Medicina On Line.

"Os médicos da actualidade sentem «um desconforto» resultante do «afastamento» da prática diária em relação aos conceitos de humanidade tradicionalmente associadas à Medicina.
Esta e outras ideias foram defendidas pelo Prof. João Lobo Antunes que abriu o ciclo «Ao encontro da Medicina», com a conferência «Para onde foi o Dr. João Semana?». «É cada vez mais arriscado ser médico» por «razões próprias do saber médico, tão vasto e tão complexo, mas, também, por razões estranhas, extrínsecas à profissão».
Foi deste modo que o Prof. João Lobo Antunes resumiu o «desconforto» que muitos dos médicos de hoje sentem face ao «afastamento» da sua prática diária em relação às ideias de Humanidade tradicionalmente associadas à Medicina. Para este neurocirurgião e investigador, é preciso «dar alma» à profissão, formando médicos que sejam «homens e mulheres completos», capazes de atender ao «doente completo».

Deste modo, assinalou, cumprir-se-á o papel de «humanidade do médico, definida na proximidade ao outro», ou, nas palavras do Prof. Miller Guerra, que o conferencista citou chamando de «Mestre», o encontro do doente com o seu médico será o da «confiança que procura livremente uma consciência».

No encontro, promovido pela Fundação Gulbenkian, em conjunto com a Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa e a Fundação para a Ciência e Tecnologia e que teve lugar no passado dia 22, o Prof. João Lobo Antunes começou por recordar quem foi o Dr. João Semana, o médico «céptico», para quem a doença e a saúde, «na prática», era «coisa que se reduzia a muito pouco, mais gástrica, menos gástrica».

Trabalhando «de sol a sol», todos os dias, de onde retirou o apelido de «Semana», este médico, conhecido de todos através da obra de Júlio Dinis, partilhava a sua clientela «com charlatães», próprios da época, mas, também, com um outro médico, «bondoso, franco, sentencioso», o Dr. João José da Silveira. «Nascido em 1813, formado na escola médica do Porto em 1841, com uma dissertação sobre fístulas do ânus», este contemporâneo do Dr. João Semana «trabalhou em Ovar», e, «quando aconteceu a epidemia de febre amarela na região, foi dos poucos médicos que não abandonou o seu posto». Tal como o seu colega, o Dr. João Silveira era «céptico em relação aos progressos da Medicina moderna, do seu tempo», o que sintetizava numa expressão, «bem sei, bem sei, vocês curam à moderna, mas morre-se à antiga…». Desta época e destes médicos, resultou o que hoje se define como o Médico de Família, ou Clínico Geral, a quem o Prof. João Lobo Antunes chamou de «pediatras de adultos».

Médicos que trabalham num Mundo e numa sociedade em que a Medicina se transforma, perdendo em proximidade ao doente, enquanto ganham em conhecimento da doença. Informação e conhecimento «A cientização da Medicina teve uma consequência um pouco perversa, que foi atrofiar aquilo que chamamos o carácter providencial da Medicina, o seu exercício como ciência do indivíduo, e o seu papel pastoral», explicou o conferencista, citando um poema de Elliot: «Onde está a vida que perdemos vivendo/Onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento/Onde está o conhecimento que perdemos na informação».

Sublinhando que «informação, conhecimento e sabedoria são coisas diferentes», o Prof. João Lobo Antunes enumerou entre as causas que afastam os médicos do homem «a convicção soberba de que Ciência é capaz de aliviar todo o sofrimento». Segundo frisou, a partir dessa convicção, «não se pode pensar que aquilo que nós temos, a melhoria das taxas de mortalidade, da morbilidade, se deve apenas à Ciência médica. De facto, a melhoria das condições de vida, de nutrição, de higiene, foram igualmente decisivas», tal como a «evolução de conhecimentos», com a qual os médicos ganharam «uma base sólida», essencial para fundamentar «aquilo que fazemos».

Com os progressos evidentes permitidos pela Ciência, recordou este médico, «triunfantes e triunfais, nós declaramos o fim das doenças infecciosas… até que surgiu a SIDA», e enquanto se «mantém sem solução grande parte da patologia oncológica, ou como nos escapa, também, ainda muito, sobre as doenças cerebrovasculares». Entretanto, salientou, «o padrão das doenças alterou-se», e «predominam as doenças crónicas, incapacitantes», e os médicos vêem-se na situação de terem que lidar com «a preocupação» do doente, mais do que com a sua «doença», e têm que «enfrentar a subversão dos gestores autoritários» e «os clientes recalcitrantes, litigiosos», numa «prática diária» que já não resolve «problemas», mas «dificuldades».

Neste novo contexto da prática da Medicina, assiste-se à «pujança das Medicinas alternativas», as quais, frisou este neurocientista, de facto, «são alternativas, Medicina é que não».

Tudo isto enquanto o acto médico se fragmenta, com «cada vez mais especialistas», num contexto em que «os doentes têm muitos especialistas, mas não têm médico». Na procura de respostas que contribuam para aproximar, de novo, doente e médico, o Prof. João Lobo Antunes defendeu a importância de se entender que «a arte médica é aquilo que capta o contexto social do exercício da profissão». Ou seja, «que cuida da humanização da Medicina», e que promove o «agir pelo sofrimento do outro». Algo que, reconheceu, é, cada vez, mais difícil quando se perde a «assimetria» de conhecimento, e o doente começa a saber mais sobre a doença, perdendo-se, por consequência, «a essência do paternalismo», próprio de uma relação em que, entre médico e doente, «nós sabíamos mais do que eles»."


"Doentes e médicos mais distantes
Decorridos quase 40 anos desde o momento e que as «caixas de previdência» começaram a alterar a relação entre médicos e doentes, criando novas barreiras na relação entre estes, surgiram as seguradoras, que começam a fazer o mesmo. Foi deste modo que o Prof. Alexandre Sousa Pinto, que comentou a conferência do Prof. João Lobo Antunes, explicou porque razão doentes e médicos estão hoje mais distantes entre si. «Quando o Estado começou a gerir a Medicina, criou as caixas de previdência», passando «a burocratizar a nossa vida», lembrou este professor da Faculdade de Medicina do Porto, acrescentando que foi nessa altura que «as classes baixas deixaram de ver o João Semana», algo que, agora, começa a suceder com as classes média e alta, que «vão deixar de ver» este perfil de médico, passando a ter «consultas de 10 minutos», em que o médico é forçado «a olhar para certos aspectos» além do doente. Para este clínico geral, ou generalista, que afirma gostar «mais desse termo», o «caminho para evitar que o afastamento entre médico e doente se acentue» passa pelo reforço da formação dos médicos em ciências humanas, como a sociologia médica, a antropologia e a economia, para que «se atinjam todos os aspectos que hoje são necessários ao exercício» da profissão
."

terça-feira, março 01, 2005

Gostar De Ser Médico De Família

Anunciar no blogue o 22º Encontro Nacional dos médicos de família portugueses, subordinado ao tema "Gostar de ser médico de família" é uma homenagem que presto aos médicos de família que têm orgulho em sê-lo.

Fizeram a sua opção pela medicina generalista, pela medicina da proximidade e continuidade.
O cartaz também está esteticamente muito bem concebido. Merece a reprodução.


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Não se pode confundir a prática diária em muitos centros de saúde portugueses, com longas filas de espera, com péssima acessibilidade, com edifícios degradados, com burocracia em excesso, com a boa vontade de um punhado de médicos que há mais de 20 anos luta pela credibilização da sua especialidade junto da sociedade portuguesa.

A comunicação social pouco ou nada tem feito para esse credibilização. Apesar de muitos jornais publicarem inúmeras reportagens sobre a abertura de postos de saúde, de extensões de centros de saúde, de lutas reivindicativas para abrir mais e mais postos de saúde, a credibilização do médico de família ou da sua actividade não é feita com a pulverização destes postos sem condições mínimas, nos quais muitas vezes apenas existe uma secretária e duas cadeiras... e já agora o Simposium Terapêutico.

Dialogando com muitos médicos de família, sei que, para muitos, os centros de saúde actuais não são a melhor via. Pequenas unidades, mais próximas do cidadão, geridas por pequenos grupos de médicos, bem equipadas, confortáveis, íntimas, com um médico sempre disponível são ainda um sonho para muitos médicos de família que gostam de ser médicos de família...

Blasfémias

Mata-Mouros, Cataláxia, Cidadão Livre e Liberdade de Expressão

fizeram na blogosfera muito mais do que um ano, mas juntos,

no Blasfémias, embora seja hoje o seu primeiro aniversário, fizeram muito mais do que um ano de vida. Geraram vida na blogosfera com um dos mais importantes blogues actuais.

Só é pena a minha profissão não me permitir ler diariamente este e outros, mas aconselho.