segunda-feira, agosto 13, 2007

Afinal Em Que Ficamos: Há Ou Não Há?

A notícia é do Correio da Manhã de 19 de Julho de 2007 e confirma aquilo que já se disse neste blogue.

Interessante, pois não ouvi nada na comunicação audiovisual. Opções!

Em conclusão: em Portugal não médicos a mais para a nossa população.

Começam é a haver faculdades a mais…

"Portugal supera Reino Unido

Médicos acima da média em Portugal


O número de médicos por mil habitantes (3,4) é superior à média dos países da OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (3.0). De acordo com um relatório ontem divulgado, o País supera o Reino Unido (2,4) ou o Japão (2.0).

Quanto às remunerações, o mesmo relatório refere que os médicos especialistas portugueses recebem mais do que os da Suécia ou os da Noruega."

O Publico também "postou" nesse mesmo dia, por Alexandra Campos:

"Portugal dispõe de mais médicos do que a média dos países da OCDE.

O número de médicos aumentou substancialmente nos últimos 15 anos e Portugal não é excepção.

Segundo um relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento) ontem divulgado, em 2005 havia 3,4 médicos por cada mil habitantes em Portugal, o que nos colocava ao nível de países como a França e a Alemanha e acima da média da organização (3 clínicos por mil habitantes).

A OCDE ressalva, porém, que os dados portugueses se referem ao total de clínicos inscritos na respectiva ordem profissional, não referindo os que se encontram efectivamente em actividade, ao contrário do que acontece com outros países. A profissão médica é "uma indústria em crescimento", nota a organização em comunicado, lembrando que, nos últimos 15 anos, o acréscimo foi da ordem dos 35 por cento e que hoje estão no activo cerca de 2,8 milhões de clínicos. Na maior parte dos países, este aumento deveu-se sobretudo ao crescente número de especialistas - o acréscimo registado entre os clínicos com especialidades foi de 50 por cento contra um aumento de apenas 20 por cento dos chamados generalistas.

À semelhança do que vinha acontecendo em anos anteriores, em 2005 Portugal o peso das despesas com a saúde aumentou, passando para 10.2 por cento do PIB (Produto Interno Bruto), acima da média da OCDE (9 por cento). Um em cada quatro países da OCDE gastam agora mais do que 10 por cento do seu PIB com a saúde, nota a organização. Os dados indicam que, entre 1990 e 2005, em Portugal as despesas com a saúde quase duplicaram, passando de 5,9 para 10.2 por cento do PIB. Na OCDE, em média, o crescimento foi bem menor, de 6.9 (em 1990) para 9 por cento do PIB (em 2005).

Uma explicação para este fenómeno é a de que o PIB português não tem crescido ao mesmo ritmo do dos outros países. De facto, os gastos em saúde per capita, no ano de 2005, colocavam Portugal nos últimos lugares da tabela (2033 dólares), bem abaixo da média da OCDE (2759 dólares)."

6 comentários:

Anónimo disse...

Se estes números forem os correctos, não se percebe porque é que estando nós com um número de médicos adequado para a população que temos, continuamos a precisar de ir buscar médicos a Espanha para colmatar as lacunas do nosso sistema nacional de saúde.

Penso que na Alemanha e na França (que estão ao nosso nível segundo a OCDE) não há a necessidade de ir buscar médicos "estrangeiros". Se assim é, das duas uma:

1- Ou os médicos portugueses trabalham menos que os médicos dos restantes países;

2- Ou existem falhas ao nível da organização nos microsistemas de saúde em Portugal.

Estes dados são mesmo para reflectir.

sara disse...

Eu cá aposto mais na primeira teoria apontada pelo comentário supracitado.

Anónimo disse...

Mote-se que o estudo toma em conta o número de inscritos na Ordem e não dos médicos efectivamente em exercício.

Curiosamente já vi as estatísticas exactamente opostas. Residi durante alguns anos na Alemanha e já vi estudos a indicarem que o número de médicos por cada 100.000 habitantes naquele país mais que duplica as estimativas portuguesas.

Nunca ouvi, diga-se de passagem, um profissional ou Ordem a dizer que faltam profissionais. A função de uma Ordem é a de proteger os seus membros - e o mercado dos seus membros - e não a de tutelar o público em geral, cujo interesse numa Ordem profissional é meramente reflexo.

Por outro lado, médicos é como a saúde: nunca são demais! Devem formar-se mais e mais médicos por forma não só a colmatar as falhas do sistema como igualmente a baixar os preços dos serviços privados de saude, para garantir que todos têm acesso a médico.

Anónimo disse...

Claro que em MÉDIA os médicos chegam. Sobretudo no interior. Há lá tantos... mas tantos. Estranhamente, deve ser dom a região, muitos falam espanhol... coisa estranha...
Só não sei é porque é que quando, vou a um hospital, tenho de estar horas à espera de um médico... Deve estar no interior do país a dar consultas. De certeza...

Anónimo disse...

é curioso o comentário anterior... para uns há poucos médicos para outros há muitos... para MIM em média os serviços médicos não chegam...

Já agora preferia médicos portugueses... não os havendo, sempre é melhor ter espanhóis que morrer pelo caminho!
/PB

SG disse...

Vamos lá ver se nos entendemos:

Esse ratio de habitante/médico é feito com o número total de médicos inscrito na Ordem dos Médicos ou não? (Nunca ninguém me soube explicar isso)

Em caso afirmativo é óbvia a razão por que o dito ratio é grande: muitos médicos (e cada vez mais) o Estado. Porquê? porque o Estado é mau patrão, dá , em geral, más condições de trabalho e paga péssimamente.
Ora, há muitos médicos que preferem tentar a sua sorte na Medicina Privada, que, para quem não sabe, é tão honrada, honesta e legítima como a Pública.

Para resolver este problema de falta de médicos no Serviço Nacional de Saúde há duas soluções extremas:

1. Dar melhor condições de trabalho, pagar melhor. Exigir excclusividade, pagando o que é justo, enfim competir com a privada e trazer os melhores médicos para trabalhar no SNS. Era um serviço inestimável que os Governos prestariam ao país e aos cidadãos que os elegem.

2. A outra solução é inundar o mercado de médicos para lhes retirar poder negocial e contratá-los por "tuta e meia", dar muitas equivalências aos colegas de leste e africanos. rezar para os espenhóis virem para cá. Se houver mais médicos, os Governos, através do SNS vão poder suprir numericamente a falta de médicos e ter alguém para receber os cidadãos que diariamente acorrem aos serviços de saúde. Realmente fica mais barato.

Agora adivinhem qual opção tem sido tomada pelos sucessivos governos?