quarta-feira, agosto 15, 2007

Viva A Inspecção Geral de Saúde! Viva A Jornalista Joana Ferreira da Costa!

E digo "viva" porque estamos no Verão, é dia abençoado e os médicos e todos os intervenientes na cadeia de uma emergência e da saúde em geral devem ficar satisfeitos com os resultados positivos de inquéritos a uma das actividades mais vigiadas do país.

Não é cunha à ex-IGS porque sou anónimo e ninguém me conhece (?!) e muito menos à jornalista que também não conheço.

Em relação aos inspectores da ex-IGS dos que conheço tenho boa opinião, na isenção e na tentativa de fazerem um trabalho de investigação exaustivo, quer nas suas auditorias, quer em relação aos inquéritos.

O "viva" para a jornalista deve-se ao facto de fazer uma notícia sem provocações subliminares anti-médico como é habitual nos media actuais.


Julgam eles, os media, que conseguem denegrir a imagem positiva da profissão, mas enganam-se como mostra o recente inquérito europeu, onde se demonstra que as campanhas anti-médico atingiram apenas os próprios médicos e não a população em geral, originando nesta camada profissional um efeito de ricochete na imagem dos jornalistas na classe médica e nos outros profissionais da saúde, por vezes com algum exagero, como eu por vezes demonstro.


"Inspecção diz que mulher que morreu na ambulância dos bombeiros em Vendas Novas foi bem assistida


A Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS) concluiu que não houve falhas na polémica assistência a uma mulher de Vendas Novas, que morreu na ambulância dos bombeiros a caminho do Hospital de Évora. Defende ainda que o fecho nocturno do atendimento permamente (SAP) no centro de saúde da localidade "não teve influência na assistência prestada, nem no desfecho".
Nas conclusões da investigação ao caso - pedida pelo ministro da Saúde, Correia de Campos - a IGAS afirma que os bombeiros voluntários de Vendas Novas chegaram junto da doente dez minutos depois do alerta de emergência . A mulher de 51 anos, com antecedentes de problemas vasculares, "estaria em paragem cardio-respiratória" e foi transportada "sem perda de tempo" para o hospital, lê-se no comunicado de imprensa enviado pelo gabinete de Correia de Campos.

A essa hora, pouco antes das dez da manhã, o centro de saúde estava já a funcionar em pleno, mas as orientações dos serviços do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) do encaminhamento da doente para a unidade de Évora foram as correctas. A ambulância dos bombeiros era a única disponível, já que a viatura médica de emergência e reanimação (VMER) de Évora "estava a assistir um doente com enfarte e edema pulmonar agudo".
"Ainda que o SAP de Vendas Novas se encontrasse aberto 24 horas por dia, dada a situação clínica da doente, que corresponde a uma emergência, seria altamente improvável a sua sobrevivência [numa unidade deste tipo]", acrescenta. A IGAS conclui que não encontrou "qualquer comportamento infractório, ou menos correcto" na "actuação de todos os envolvidos na assistência à vítima", pelo que decidiu arquivar o processo.

A morte da doente de Vendas Novas causou uma enorme controvérsia, por ter ocorrido menos de um mês após o ministro ter posto fim ao atendimento nocturno no centro de saúde.
O presidente da Câmara Municipal de Vendas Novas, José Figueira, acusou mesmo o ministro de ser responsável pelo desfecho trágico, por ter desrespeitado a ordem do Tribunal Administrativo de Beja, na sequência de uma providência cautelar interposta pela câmara para travar o fecho do SAP. "

in Publico, 15-08-2007.


2 comentários:

António Ventura disse...

Isto é tudo muito bonito, mas aposto que a IGAS (uff!) chegou a esta conclusão porque o ministro assim queria! Caso contrário, o ónus da situação caíria sobre a su deslumbrada cabeça, por ter encerrado o SAP.
Se a situação tivesse ocorrido num local sem polémicas à vista, não teriam aproveitado para dar mais uma machadada nos médicos?
Ainda tenho gravado na memória que "o SNS português é o melhor do mundo; só tem um defeito: ainda não conseguiu prescindir dos médicos".
Aceito apostas sobre a autoria desta afirmação...
Saudações cordiais.
António Ventura
www.emgestaocorrente.blogs.sapo.pt

Carago disse...

Meu caro Colega

Comungarei por certo das suas preferências clubísticas e nada há mais bonito e grandioso, a esse nível, que o Azul e Branco...mas para fundo fica um pouco berrante...perdoe o reparo.
Quanto à jornalista em questão, pois ela é uma das que sabe escrever sobre Saúde, não espanta que o faça neste caso como salienta