quinta-feira, novembro 27, 2008

Exames médicos mais rápidos sem credencial do SNS

27.11.2008, Alexandra Campos, Público
"Associação detectou enormes disparidades nos preços praticados em 12 tipos de exames. O custo de uma colonoscopia oscila entre os 90 e os 350 euros
Já se sabia que os utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS), quando fazem exames de diagnóstico, são por vezes discriminados nas unidades privadas a favor dos que se dispõem a pagar os testes do seu bolso. A Entidade Reguladora da Saúde investigou recentemente quatro queixas, fez recomendações e alertou para o problema. Mas a associação de defesa de consumidores Deco demonstrou ontem que este tipo de situação continua a ser relativamente frequente - ocorreu em 15 das 180 marcações que colaboradores da associação efectuaram, de forma anónima e pelo telefone, com o fim de confirmar este fenómeno. Uma clínica propôs-se reduzir de 187 para 12 dias o tempo necessário para fazer uma colonoscopia, caso a pessoa pagasse a totalidade do exame (150 euros) em vez de usar a credencial do médico de família. "Os prazos encurtam de tal maneira que é escandaloso", comenta Teresa Rodrigues, coordenadora do estudo.A Deco constatou ainda enormes disparidades nos preços de 12 exames em 529 hospitais e clínicas privados. Por exemplo, uma colonoscopia pode custar entre 90 e 350 euros, enquanto o preço de uma mamografia oscila entre os 30 e os 101 euros; o electrocardiograma mais barato fica por 3,87 euros, enquanto o mais caro custa dez vezes mais. Por isso, a Deco recomenda às pessoas (sobretudo aquelas que vivem nos centros urbanos e têm um grande leque de escolhas) que façam uma pesquisa antes de agendar um exame (
www.deco.proteste.pt). "A disparidade de preços é alucinante. Parece não haver uma regra", nota Teresa Rodrigues. Lisboa, Faro e Angra do Heroísmo (Açores) são as cidades onde a generalidade dos 12 exames estudados fica mais cara. O Sul do país é mais caro, em quase todos os exames considerados. A publicar na edição de Dezembro da Proteste, o estudo permitiu também perceber que cerca de um quarto dos locais visitados não afixavam as tabelas de preços.Sem mostrar surpresa pelos resultados da investigação, o presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada, Teófilo Leite, explica que as unidades convencionadas com o Estado são obrigadas a ter "um critério no agendamento" dos exames. "Os hospitais têm que gerir a sua carteira de clientes, dando espaço proporcional para cada convenção", justifica. Estabelecendo quotas, portanto? "Não gosto dessa palavra, prefiro falar em regras de agendamento", responde. Fechado há dez anos, o regime de convenções está a ser revisto, processo que se arrasta há meses."


Nada que não se saiba para quem trabalha no SNS, já que recebemos as queixas dos utentes.

Obrigado à DECO "por ter posto a boca no trombone", aguardamos que na sequência deste estudo, faça a devida participação formal na IGAS, para futura correcção do problema.

7 comentários:

Mário de Sá Peliteiro disse...

E a DECO quem atenderia primeiro? E os indignados com a discriminação a quem dariam prioridade?

Ciclicamente a DECO indigna-se. O sector privado então causa-lhe indignações múltiplas. Uma delas prende-se com o facto de Exames médicos no privado mais rápidos sem credencial Em Abril deste ano, o PÚBLICO na sequência das queixas de discriminação por parte de utentes do SNS que procuravam marcar exames em clínicas privadas revelou que por uma ecografia pélvica uma clínica recebe como preço total 14 euros se o utente for do SNS, 19 se for da ADSE, quase 40 euros se for de uma seguradora e mais de 50 se se apresentar como particular. Nos primeiros dois casos, o reembolso demora vários meses; nas seguradoras leva menos tempo (pode rondar um mês) e o particular paga na hora.

Para a DECO nada disto importa. E muito menos importa que o SNS trabalhe mal. A DECO vira a questão ao contrário e vá de se mostrar indignada com os privados simplesmente porque eles atendem primeiro quem paga mais e mais rápido. Curiosamente a DECO apesar de fortemente apoiada pelo Estado português - o que é mesmo que dizer que beneficiada com o dinheiro dos contribuintes - é muito zelosa no que respeita ao pagamento dos seus serviços: ou se é associado ou não há esclarecimento. Sobre esse assunto a DECO nunca fez qualquer inquérito e muito menos se indignou. Mas deixando a DECO propriamente dita para outra oportunidade será que esta associação não poderia ser um bocadinho mais isenta?

Helena Matos no Blasfémias.

Eu limito-me a acrescentar que a DECO é uma multinacional, uma sociedade anónima, logo tem como objectivo principal o lucro.

CarLoS disse...

Mas então a solução para a "má gestão" dos médicos (esses malandros...) não era dar poder aos gestores e ao "mercado"? Isto que descrevem como sendo um pecado mortal, chama-se mercado, concorrência e gestão. Afinal, querem, ou não querem? É que querer "sol na eira e chuva no nabal" não costuma funcionar.

Sahaisis disse...

bonito sim senhor...

Medico Explica disse...

Caro Mário de Sá Peliteiro

Fui sócio da Deco no seu inicio. "desarrisquei-me" quando começaram a fazer promoções de treta para angariar novos sócios, tipo, inscreva-se que lhe dou um isqueirito. Mas isso não invalida que o trabalho da DECO, pelo menos até agora tem sido isento (foge-me algo?)

Anónimo disse...

Já alguma receberam os prémios que a DECO oferece pela subscrição... uma vez recebi uma suposta camara de video que mal se via a imagem... teve de ir directamente para o lixo ..pura fraude. E são estes senhores os defensores dos direitos dos consumidores qdo são os primeiros a fazer publicidade enganosa?

SG disse...

As empresas de saúde convencionadas também são empresas privadas, logo o seu objectivo é o lucro, claro que mantendo a qualidade dos actos prestados. Dentro do consultório é condenável que o tratamento seja diferenciado. Em relação ao agendamente, não me parece que haja qualquer problema a que se estabeleçam quotas (qual o lproblema da palavra?) para os diversos pagadores.

Anónimo disse...

Essas entidades fazem tudo para conseguir a Convenção com o SNS, sem a qual não seriam viáveis, mas depois tratam os utentes de forma discriminatória. Ainda que sejam empresas que têm como fim último o lucro, se não cumprem as obrigações que assumiram, o Estado tem a obrigação de proceder à cassação da respectiva Convenção.