domingo, janeiro 04, 2009

REALISMO SINDICAL VERSUS OVOS MÁGICOS À PIZARRO !

O SIM - Sindicato Independente dos Médicos comenta no seu Jornal Virtual na internet, de um modo que nos parece realista - de quem está no terreno e não abancado a uma secretária- e sensato, a natalícia Portaria assinada pelo Sr. Secretário de Estado da Saude, Dr. Manuel Pizarro, legislação essa amplamente divulgada pela Comunicação Social (divulgação esta aliás que é o que a máquina publicitaria governamental pretende...)

OVOS PARA OMELETAS PROCURAM-SE
Numa meritória e há muito aguardada iniciativa regulamentadora do DL 41/2007, foi publicada em DR a Portaria nº 1529/2008 de 26 de Dezembro, assinada pelo Sr. Secretário de Estado da Saúde, que define os Tempos Máximos de Resposta Garantidos (TMRG) e que permitirá garantir a prestação de cuidados de saúde sem carácter de urgência pelo SNS num tempo considerado aceitável e assegurando o direito dos utentes à informação sobre o tempo de acesso.


Estranha-se contudo a imposição de atendimento no próprio dia nos centros de saúde para as situações designadas como "motivo de doença aguda" quando, e chama-se a atenção do Sr. Secretário de Estado para tal, o seu Governo acabou com os serviços de atendimento urgente nos centros de saúde pelo DL 44/2007.
Registe-se que terá sido ouvida para a elaboração desta Portaria a MCSP. E a estranheza é tanto maior quando para os cuidados hospitalares esse TMRG é de 30 dias para uma "consulta muito prioritária" de acordo com a avaliação da triagem hospitalar (e no caso dos centros de saúde o caracter agudo é até estabelecido pelo utente)...

De igual modo se estranha a "urgência", ora de 48 horas ora de 72 horas consoante o local que se lê da Portaria!!!!, conferida à elaboração e entrega de relatórios e outras obrigações similares dos Médicos de Família.

Mais se nos afigura que em muitos locais e muitos centros de saúde não haverá recursos humanos médicos suficientes para garantir a chamada intersubstituição, tanto mais que é sabido que existem (e até prova em contrário pelo aguardado Registo Nacional do Utente) centenas de milhar de pessoas sem Médico de Família, que o ratio de pessoal de enfermagem/médico é deficitário impossibilitando muitas vezes uma triagem e aconselhamento prévios à consulta médica, e que poderá ser igualmente difícil a marcação de consulta programada no prazo de 15 dias quando há inúmeros Médicos de Família com listas de utentes de 2.000 e mais utentes (logo bem muito superiores aos 1.500 legalmente estabelecidos).

O Sindicato Independente dos Médicos, que não foi ouvido para efeitos de produção desta Portaria mau grado ter repercussão nas condições de trabalho dos Médicos, receia que os dados de 2009 relativos a violência sobre profissionais de saúde (e que mostrava serem os médicos de família os mais atingidos) se agravem, que o absentismo por burn out cresça exponencialmente, e que igualmente aumente o já preocupante número de pedidos de aposentação antecipada…
29 de Dezembro de 2008 o1/n2101/t1/G.L

4 comentários:

Anónimo disse...

Se não há médicos suficientes em Portugal, os únicos culpados são os sucessivos Governos que se deixaram sistemáticamente intimidar e chantagear pelos diferentes lóbis médicos, OM incluìda, que apenas se preocupam com o estatuto e qualidade de vida dos seus associados e para quem a existência de doentes é um mal necessário. O SNS está desvirtuado, refém dos interesses, sobretudo da classe médica, que em muitos casos se comportam como verdadeiros senhores feudais.

Anónimo disse...

Não são os médicos que contratam as pessoas para trabalhar... e muitos hospitais e Centros de Saúde deixam de contratar médicos porque dizem não haver dinheiro para contratar pessoal, mesmo que haja evidente falta de médicos... vão depois contratar tarefeiros a preços milionários... ou então exigem que os restantes médicos façam milagres, com portarias deste tipo como se fosse possível atender todos o mesmo tempo...
portanto, não são os médicos (do sistema público) que fazem o mercado, eles apenas aceitam a máquina que já está a funcionar, procuram obviamente os melhores contratos e quando terminam a especialidade (como no meu caso) são colocados na rua e vão ter de procurar outro poiso, mesmo que o hospital a que se dedicaram anos a fio esteja deficitário em médicos.

Quanto a esta portaria, obviamente que não vai ser cumprida em lado algum.... e os médicos têm razões mais que suficientes para comprovarem a impossibilidade da sua implementação, basta apresentarem o número de doentes que atendem e anexar a prova de qua o dia tem 24h e o turno de trabalho 8h ou 12h... ou querem que os médicos vejam 1 doente por minuto?

Anónimo disse...

Gostava de ver postado aqui a verdadeira opinião de um médico consciente acerca da estratégia da Universidade do Algarve para colmatar a "falta de médicos".

medicaquetambemexplica disse...

é uma portaria digna dos melhores truques de prestidigitação,´pena que vá ter tantos obstáculos pela frente que a regra vá ser o incumprimento.

como médica de um CS com pontómetro digital estou muito tranquila porque a minha semana já há muito que tem 40 horas de trabalho (e, nessas horas, ninguém me apanha sem ser a trabalhar efectivamente). portanto não sei como a isto vai ser possível acrescentar por exemplo a resposta a domciílios em 24 horas, que implica a disponibilidade diária de horário para domicílios (será que vão roubar isso ao horário de consulta programada? e depois como fica a resposta em 15 dias úteis? ou roubarão às horas não assitenciais? e como fica a emissão de relatórios e receitas em 48 horas? ou reduzirão ao tempo disponível por doente? terei de comprar uma ampulheta terminar as consultas no seu devido tempo, lá se indo para o galheiro os 7 passos da consulta de MGF, a abordagem holística, a disponibilidade para os "já agora" do final da consulta que são por vezes o seu real motivo de consulta). e, sobretudo, quem assegurará tanta acessibilidade aos doentes sem médico de família? aumentarão as listas? compromentendo a acessibilidade à mesma?