sábado, janeiro 10, 2009

Saude 24 com fumo e fogo

As manifestações publicas sucedem-se, os partidos da oposição aproveitam para se porem em bicos de pés, fala-se em prepotência e perseguição política ( politica porquê? não será antes gestionária e ultraliberal?), mas a não renovação do contrato é ou não uma possibilidade legal nestes tempos de seguidismos e de subserviência ?...
É que uma coisa é despedimento e outra é não renovação...pode-se não gostar mas a contestação é mais difícil ...

Veja-se o que é escrito no jornal Publico de hoje

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A decisão da administração da LCS - Linha de Cuidados de Saúde, SA de dispensar sete enfermeiros do atendimento, que estavam em regime de prestação de serviço, está na origem da turbulência.

Quatro destes profissionais são testemunhas abonatórias da enfermeira supervisora Ana Rita Cavaco, suspensa pouco tempo depois de ser conhecida a carta que um grupo de oito enfermeiros da S24 escreveu à ministra Ana Jorge.

Ana Rita considera "miserável a perseguição política que a administração da LCS está a fazer aos enfermeiros". "Nunca pensei que conseguisse descer tão baixo. Hoje em dia até tenho receio de dizer quem são os meus amigos lá dentro porque são despedidos e perseguidos", disse.

Contactada pelo PÚBLICO, a LCS, através do seu assessor, Pedro Lemos, diz que "a não renovação do contrato é algo de normal na gestão de uma empresa" e desvaloriza o facto de as cartas que a administração escreveu aos enfermeiros não mencionar as razões porque foram dispensadas. "As pessoas saberão os motivos por que não viram os seus contratos renovados." Pedro Lemos negou que a decisão tenha alguma coisa a ver com o facto de aqueles enfermeiros serem próximos da supervisora e fundadora da S24, Ana Rita Cavaco.

11 comentários:

Anónimo disse...

Caro MEMAI,
o comentário que fez no post anterior vai nesta onda!
Abraço.

Carlos Enes disse...

Caro Médico:

Claro que a não renovação de um contrato de prestação de serviços é uma possibilidade legal. Mas, como sabe, há contratos desses fictícios (recibos verdes que disfarçam vínculos duradouros de prestação de trabalho subordinado, está a ver?).

De resto, esse é um primeiro ponto interessante. Já reparou que o serviço-bandeira da actual governação da Saúde é exercido por um exército de recibos verdes, através da contratação de uma empresa do banco público? Como é médico, pense no impacto nas carreiras, na estabilidade das equipas e na qualidade do atendimento nas urgências resultante das novas formas de contratação dos hospitais. Nesta analogia talvez encontre indícios interessantes para pensar neste assunto.

Depois este é, de facto, um problema político, no sentido lato. Estão em causa alguns valores constitucionais: o direito à Saúde, o direito à palavra, a proibição de sanções por delito de opinião, para lembrar apenas alguns.

Releia as denúncias originais da carta assinada, sublinho, assinada, de oito supervisores à Ministra da Saúde, sublinho, à Ministra da Saúde.

Depois, tente no Google fazer uma recolha arqueológica das notícias que se seguiram para reler também também as reacções da empresa e do MS. Aplique um primeiro filtro a essas leituras: quem falou verdade, quem mentiu, quem foi corrigindo posições públicas?

Dou-lhe alguns exemplos. O aconselhamento de medicamentos era feito por técnicos de farmácia ou por farmacêuticos, como respondeu a empresa e até o responsável da DGS pelo acompanhamento do contrato?

Estavam, ou não, feitos os estudos de avaliação da qualidade do atendimento previstos no contrato?

A central de atendimento funciona, ou não, sob supervisão médica? A directora clínica demora, ou não, meses a responder às questões técnicas que lhe são propostas? A directora clínica redigiu, ou não, directvas de resposta aos utentes tecnicamente erradas? Mandou ou não os enfermeiros "triar" o algorítmo de "hérnia inguinal" para responder a utentes como sintomas de "hérnia umbilical" (deixo para si um esclarecimento técnico quanto às consequências desta confusão)?

Existiam ou não instruções para diminuir a todo o custo o tempo de atendimento e, assim, aumentar a facturação?

Pense ainda no que aconteceu no pico da gripe. A linha perdeu milhares de chamadas (sempre acima dos 35 por cento). Voltando ao paradigma laboral, uma empresa assente em contratação externa de serviços tem, ou não, elasticidade para aumentar a sua capacidade de resposta consoante os fluxos de procura sazonais perfeitamente padronizados em Portugal?

Se descobrir quem falou verdade, peço-lhe para aplicar um segundo filtro a esta informação toda. Quem pagou pela mentira?

Quero que saiba que, por razões pessoais, me impedi de fazer notícias sobre este assunto. Mas não do prazer de o interpelar aqui.

Um abraço de bom ano!

CE

Medico Explica disse...

Meu caro Carlos Enes

Indubitavelmente estando ao lado de quem denunciou as prepotências desta empresa e call center que tem sido uma bandeira publicitária deste Governo, ao lado de quem está a ser vilipendiado por não ter tido medo de falar, o meu alerta vai para que se demarquem de aproveitamentos politico-partidarios.

Os elementos que cita (alguns) e as referências que faz podem (e devem)aliás ser lidas no seu blog, o Fragmentos de Apocalipse.

Aliás como médico e como beneficiário de uma coisa que muitos por essa Europa fora não têm,as Carreiras Médicas, melhor compreendo o que é o pessoal de Enfermagem não ter uma Carreira que os proteja e que proteja os doentes. Neste momento passam-se verdadeiros abusos na contratação desse pessoal. mas não é a mim que compete tal desiderato...onde está a Ordem dos Enfermeiros? e os seus sindicatos?

O Saúde 24 é um grande folclore...ainda há pouco tempo alguem comentava que os numeros anunciados como de grande taxa de utilização são afinal escassos...já aqui comentei aquele outdoor publicitário de que quando para lá ligavam, no Hospital já estavam à espera dessa pessoa...eu proprio tenho apanhado uma serie de faxes enviados pelo Saude 24 com atribuição errada de prioridade e aplicação errada de algoritmos...asinalo no formulario o que penso mas sei de muitos colegas que nem para ele olham, quanto mais avaliá-lo...Será que alguém vai coligir essas avaliações?

Ah...mas esta foi uma das medidas que iria dar um melhor atendimento às populações que viram ser encerrados os SAPs...e dar algum a ganhar a alguns...não? Mas esta é uma outra história

Vá pois metendo umas dicas sobre este assunto no seu blog já que, como diz, não pode usar a pena e a palavra na TVI.

Votos igualmente de um bom ano
Com estima

Medico Explica disse...

Meu caro Carlos Enes

Há pontos interessantissimos no seu comentário e que mereceriam uma ampla e publica divulgação para além da blogosfera...

Um deles deixou-me com a pulga atrás da orelha:
"Se descobrir quem falou verdade, peço-lhe para aplicar um segundo filtro a esta informação toda. Quem pagou pela mentira?"
Está a falar em sentido figurado ou directo?
A minha resposta vai logo de que quem paga pela mentira são os utentes e os contribuintes...mas haverá mais alguma coisa?

Um outro ponto tem a ver com a questão da hernia umbilical e da hernia inguinal...a diferença pode chegar à diferença entre a vida e a morte...
Aqui não há negligência médica nem denuncias à Ordem dos Médicos?

E muitas outras que por certo se ignoram...

Abraço do MEMAI...apareça sempre que possa por aqui

Vera Carvalho disse...

Pressões sobre quem denuncia o mau funcionamento da linha. É o País que temos

Anónimo disse...

O problema é que, quando se nasce torto, tarde ou nunca se endireita.
O princípio, as expectativas e os objectivos para que foi criada a Saúde 24, estavam e continuam errados!
A mistura do público e privado ia entrar em conflito mais cedo ou mais tarde.
Daí esta situação!
Depois o não solucionar correctamente a situação, quando da primeira carta à Ministra.
Esta não resolução efectiva dos problemas só provocou a acumulação dos mesmos e a formação de uma "bomba" que ao rebentar suja toda a gente.

Anónimo disse...

Ministra da Saúde nega disseminação intencional da gripe para promover Linha Saúde 24

Ana Jorge convocou uma conferência de imprensa para negar as alegações de que o seu ministério tenha provocado a epidemia de gripe como forma de promover a linha telefónica Saúde 24. Numa sala sem ventilação do serviço de doenças infecciosas do Hospital de Santa Maria, a ministra apresentou-se de nariz e olhos vermelhos, com voz rouca e pingo nasal, pedindo aos jornalistas para se aproximarem de forma a tornar o ambiente mais intimista. Sentado a seu lado, o director-geral de Saúde, Francisco George, manteve uma máscara cirúrgica na cara durante toda a conferência, desculpando-se com frieiras no nariz. “Estes rumores provam o nível de absurda desconfiança que reina no nosso país. Os portugueses devem aprender a confiar mais em quem os governa e apenas quer o seu bem”, explicou a ministra. Em seguida, propôs-se distribuir material com informação aprofundada sobre a questão, tossindo sobre cada um dos jornalistas que se aproximavam para receber o dossier, depois de ver rejeitada por unanimidade a proposta de saudação com beijo na boca. A oportunidade serviu ainda para promover uma vez mais as qualidades da Linha Saúde 24 e para assegurar que os telefones são atendidos por profissionais competentes, ainda que nem sempre sejam da área da saúde (há excelentes cabeleireiros, engenheiros paisagistas e operários de construção naval por exemplo), considerando-se perfeitamente terapêutica a mensagem gravada que saúda grande parte dos utentes com repetição da frase “pronto, já passou” em tom compreensivo.

ATCHIM

Carlos Enes disse...

Caro Médico:

Um destes dias, como sugere, devo escrever sobre isto no meu blog. Tenho resistido à tentação e digo a mim mesmo que é preguiça. Por outro lado, ando ainda a investigar uns pontos interessantes.

Perguntei quem pagou. Em dinheiro, os contribuintes, claro. Em saúde e maçadas os utentes (forçados, p.e.a deslocações desnecessárias aos CS e hospitais, como o meu amigo relata).

E com o emprego e o rendimento pagou, está a pagar, quem primeiro tentou reagir por dentro aos erros e depois confiou na MS para lhes pôr termo. O que aconteceu? Processos disciplinares, despedimentos, e o veto do PS à audição dos responsáveis na Comissão Parlamentar de Saúde.


Este ponto é importante: Ana Jorge é médica e por isso era suposto que tivesse percebido logo algumas coisas. Com mais um aspecto curricular: AJ, como pediatra e, suponho, que como (ex-)presidente da ARSLVT, esteve envolvida na criação da Linha Pediátrica "Dói Dói Trim Trim". Sabe mais do que a generalidade dos médicos.

Constatada a fragilidade democrática, a empresa autorizou-se a uma série de procedimentos pidescos, estou a ponderar a palavra, que hão-de ser denunciados a devido tempo.

Sobre o INEM e a S24 escrevi um post há meses dizendo que AJ não podia ignorar os problemas todos o tempo inteiro. Há uma série de danos para a imagem da linha que deviam ter sido evitados.

Neste fim-de-semana, o DGS atravessou-se à porta da empresa, ao lado dos enfermeiros e disse às televisões que até ponderava pedir a substituição da administração. Hoje recebeu os enfermeiros e depois a empresa. Ao fim do dia, deixo-lhe a novidade, foi chamado à MS.

Amanhã é um dia importante.

Anónimo disse...

Para que raio é necessário ser uma empresa privada a gerir a linha saúde 24?

É até uma linha de interesse público, que visa facilitar o acesso a uma informação, esclarecer uma dúvida,aliviar as urgências, ...


Esta economia de mercado é cada vez mais uma verdadeira anedota em que só acredita quem quer (ou a quem interessa!!)

Anónimo disse...

@ socied@de @ctu@l do bem est@r, m@is n~@o é que o coveiro d@ ideologi@ d@ mor@l e do dever!

San'Iago disse...

mais uma empresa privada que quer fazer da área "saúde" um negócio..
dá-se primazia à quantidade [€ entenda-se] enquanto a qualidade que está presente nos profissionais, é anulada...