quinta-feira, março 01, 2007

Rupatadina, Ainda.

Um comentário anónimo reactiva os posts de 2005, aqui e aqui:

"Anônimo disse...
Além disso, o Rinialer NÃO está aprovado pela EMEA (Agência Europeia do Medicamento) nem pela FDA (Agência Americana de Comida e Medicamento). No que respeita à origem do fármaco, essa é Espanhola e o fabrico tb...
"

domingo, fevereiro 25, 2007

Autarcas: Um Exemplo Flagrante De Iliteracia Científica.

Sem mais comentários!

sábado, fevereiro 24, 2007

Sobre A Polémica Das Urgências: A Força Da Ciência Aguentará A Força Da Política!

Há muito que não subscrevo os editoriais do José Manuel Fernandes no Público.

Mas este, do dia 23/02/07, subscrevo-o integralmente!


"Da Patuleia a Chaves, a Valença, a... etc., etc.

Não se pede aos cidadãos que compreendam por que é melhor ter menos urgências, mas melhores - mas exige-se dos autarcas que não incendeiem o bairrismo e procurem, ao menos, compreender os argumentos da racionalidade.

Duas histórias curtas. Primeira: há quase 20 anos, os médicos de uma miúda que sofria de otites crónicas sugeriam aos pais que era melhor levá-la a um hospital francês. Os pais podiam pagar, levaram a filha e o diagnóstico surgiu num ápice: estava-se perante uma infecção rara mas fácil de curar. O médico francês, perante o desalento da família, sossegou-a sobre a qualidade dos médicos portugueses: "Aqui, observo destes casos várias vezes ao ano.

Lá, tenho colegas que se calhar vêem um ou dois na vida. Para mim o diagnóstico é mais fácil."

Segunda: há uma dúzia de anos, pouco tempo após a abertura de um novo grande hospital, o responsável pelo serviço de neurocirurgia pedia à respectiva administração para não lhe darem mais cirurgiões. Esta, porém, queria que houvesse sempre um neurocirurgião de turno nas urgências. O médico contra-argumentava: "Com mais cirurgiões, nenhum deles vai fazer o número de operações suficiente para ser realmente um bom profissional, e com a equipa que tenho consigo colocar um especialista no bloco operatório a tempo caso exista uma verdadeira urgência." A administração, ao que parece, tinha medo do que poderia um dia sair na comunicação social...

Estes dois episódios mostram como para haver excelência nos cuidados médicos, os médicos têm de ter experiência, ter visto muitos casos, ter operado muitas vezes. Isso não se consegue espalhando os profissionais por centenas de centros de atendimento, por muitas maternidades ou, também, por um número exagerado de urgências onde passam muitas horas inactivos.

Isso implica antes uma rede racionalizada que minimize a possibilidade de os médicos ficarem noites e noites de braços cruzados para depois, perante um caso mais complexo numa urgência "descentralizada" e pouco utilizada, acabarem a reencaminhá-lo para as urgências diferenciadas.

A verdade, contudo, é que nem sempre os argumentos de racionalidade ultrapassam o que por natureza é irracional. E não há que temer as palavras: é irracional pretender ter serviços de urgência abertos 24 horas por dia ao virar da esquina pois tais serviços, mesmo que fosse possível pagá-los, prestariam pior serviço que unidades especializadas, competentes, experientes e, por isso mesmo, raras.

Por isso, quando ontem se olhava para a imagem da primeira página do PÚBLICO, era quase impossível deixar de recordar imagens idênticas de revoltas antigas como as da Patuleia, essa quase guerra civil que se seguiu à revolta da Maria da Fonte.

E que levou Maria da Fonte à revolta? Uma medida menor e de elementar higiene pública: a proibição dos enterros dentro das igrejas. Também então a irracionalidade saiu à rua.Nos dias que correm já não se exige que se enterrem os mortos nas igrejas, mas da mesma forma que não se deseja ter lixeiras no quintal, reivindica-se um médico ou uma parteira em cada esquina. E nada disto mudará se, localmente, os eleitos não souberem passar da irracionalidade de quintal à discussão séria das alternativas.

Por exemplo: há discriminação do interior? Não: em 15 urgências que fecham, só três são no interior. Há discriminação política? Também não: dos 15 concelhos afectados, oito são governados pelo PSD, seis pelo PS e um pela CDU. Há menos serviços com um mínimo de qualificação? Não, pois se fecham 15 urgências, abrem 26.

Há ausência de critérios objectivos? Não, basta ler o relatório do grupo de trabalho.

O que há, isso sim, é muito sangue quente e um secular bairrismo.

Pelo que, ou o Governo aguenta este embate, ou então nunca fará uma das reformas que prometeu e que toca ainda mais nas sensibilidades localistas: a da redefinição do mapa judiciário.
José Manuel Fernandes"

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Pandemia!

No coments.
Imagens choque a 190 km/h.




(Da Internet.)

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Vergonha!

Portugueses entre os mais pobres da UE
20.02.2007, Isabel Arriaga e Cunha, Bruxelas
Estudo da Comissão Europeia revela que 14 por cento dos que trabalham vivem abaixo
do limiar de pobreza, num total de 20 por cento de pobres entre a população portuguesa

Portugal é um dos países da União Europeia (UE) onde o risco de pobreza é mais elevado, sobretudo entre as pessoas que trabalham, apesar de vários Estados-membros terem níveis de riqueza muito inferiores.
De acordo com dados ontem publicados pela Comissão Europeia, 20 por cento dos portugueses viviam em 2004 abaixo do limiar de pobreza - fixado em 60 por cento do rendimento médio nacional depois de incluídas as ajudas sociais - contra uma média comunitária de 16 por cento.
Entre os Vinte e Sete países da UE, apenas a Polónia e a Lituânia estavam em pior situação, com 21 por cento de pobres. Estes são, no entanto, países com níveis de riqueza particularmente baixos: o produto interno bruto (PIB) por habitante da Polónia ascendia no mesmo ano a 50,7 por cento da média comunitária e o da Lituânia a 51,1 por cento. Em Portugal, o PIB por habitante representava na mesma altura, 74,8 por cento da UE.
No extremo oposto está a Suécia, com 9 por cento de pobres, e um PIB por habitante equivalente a 120 por cento da média europeia.
A taxa de pobreza em Portugal confirma uma situação que se mantém relativamente estável desde o fim dos anos 1990, com uma curta excepção em 2003 (ver quadro).
Fraca consolação, o risco de pobreza em Espanha, Irlanda e Grécia, os antigos pobres da UE, está exactamente ao mesmo nível de 20 por cento que Portugal, apesar de os seus níveis de rendimento serem muito superiores: o PIB irlandês ascendeu, em 2004, a 141 por cento da média da UE, o espanhol a 100 por cento e o grego a 84,8 por cento.
Mas Portugal tem o pior resultado da UE num outro indicador, o dos trabalhadores pobres, o que significa que o salário não protege contra a precariedade: segundo os mesmos dados, 14 por cento dos portugueses com um emprego vivem abaixo do limiar de pobreza, contra 8 por cento no conjunto dos Vinte e Sete.
Na República Checa, cujo PIB é muito próximo do português (75,2 por cento da UE), os trabalhadores pobres são apenas 3 por cento da população.
Em Portugal, afirma Bruxelas, "o risco de pobreza após transferências sociais, e as desigualdades na distribuição dos rendimentos (rácio de 8,2 em 2004) são das mais elevadas na UE". As crianças - 24 por cento - e os idosos com mais de 65 anos - 28 por cento - "constituem as categorias mais expostas ao risco de pobreza", acrescenta.
Para a Comissão, o risco de pobreza é agravado com o aumento do desemprego - que subiu em Portugal de 4 por cento da população activa em 2000 para 7,6 por cento em 2005. Mas igualmente com a elevada taxa de abandono escolar (38,6 por cento em 2005 contra 42,6 por cento em 2000) - e o baixo nível de escolaridade dos jovens (48,4 em 2004 contra 42,8 por cento em 2000), dois indicadores em que Portugal está "muito abaixo da média da UE".
Bruxelas aconselha assim o país a garantir "a efectiva inserção social dos grupos de risco", através da adopção de medidas ligadas ao rendimento mínimo, e melhorar os níveis de qualificação dos desempregados, sobretudo dos menos qualificados e dos jovens.
Do mesmo modo, e tendo em conta que o envelhecimento da população será mais rápido em Portugal que em muitos outros Estados e que os seus custos com a saúde são mais elevados, Bruxelas aconselha o Governo a aplicar a reforma das pensões, melhorar a eficácia do sistema de saúde e resolver o problema do financiamento "regressivo" da saúde, incluindo através da redução dos custos financeiros com os grupos mais desfavorecidos.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Dramas Da Vida...

... que chegam ao consultório do médico (ou ao seu e-mail, cada vez mais frequente...):


"
.../...

... hoje é um dos dias mais tristes da minha vida: a ... foi viver com o pai, e agora não vou dar a volta atrás.

Pode ser que ela nunca mais me queira ver.

Mas a situação cá em casa era insustentável.

Espero que ela me queira ver nos fins de semana e férias.

.../..."

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Duas Realidades.

"Duas Realidades", publicado no jornal Tempo Medicina de 2007.02.12´.

"O grande acontecimento na Saúde, esta semana, é que um banal surto de gripe, causado por uma estirpe a que estamos já habituados, como disse o responsável da DGS, que em outro país europeu nem sequer mereceria notícia, em Portugal impôs a tomada de medidas de emergência — irónico desfecho de um raro episódio de perfeita consonância entre um povo e um governante.

Pois não estava o povo a identificar-se plenamente com o ministro, seguindo-lhe o exemplo, ignorando os vilipendiados e agonizantes SAP e acorrendo às Urgências em busca de uma sofisticada aspirina?

Um banal surto de gripe, aliás no início, bastou para desnudar uma sucessão de decisões precipitadas, sob a égide da poupança, que não poupou em conflitos e acrimónias escusados, que desmotivou profissionais de saúde cronicamente em luta contra a escassez de meios para assegurar o funcionamento do sistema, que cuidou da razia sem antes cuidar de alternativas, que fez orelhas moucas a todos os avisos, que fechou os olhos, por vezes, ao simples bom senso.

Aquilo que é a realidade para o ministro sobrepõe-se mal à realidade do País, o fato não se ajusta ao corpo; preparemo-nos para uma série de remendos, que é a solução para o resultado de medidas mal tiradas, se não se quer perder o pano todo."

domingo, fevereiro 11, 2007

Tenho Dúvidas Sobre O Que Se Está A Passar.

Publicado no Diário de Aveiro, hoje, dia 10-02-2007.

Esta notícia sobre o Hospital de Aveiro tem sido repetida desde há 3-4 dias em Portugal.

Motivou um comunicado do Ministério da Saúde com a medida inédita de abrir administrativamente e por imperativo legal os centros de saúde fora-de-horas devido ao excesso de procura dos serviços de urgência hospitalar.

Tenho dúvidas sobre o que se está a passar.
Será só uma consequência do encerramento anterior dos SAP e de outros serviços de atendimento ou uma antecipação de algo que se prevê que aconteça em breve?

"Hospital de Aveiro: Urgências «sem capacidade» para «procura anómala» de doentes
As urgências do Hospital de Aveiro não têm «capacidade de resposta» para fazer face à «procura anómala» de doentes nos últimos meses. Por isso, o director do serviço defende que o Centro de Saúde devia alargar o seu horário de atendimento

As urgências do Hospital Distrital Infante D. Pedro, em Aveiro, estão preparadas para receber, «no limite», uma média de 340 doentes por dia, mas pelo serviço tem passado um número muito superior de utentes.


Em Janeiro deste ano, aquela unidade hospitalar tratou uma média de 422 doentes, o que correspondeu a um aumento de 23 por cento. O dia 29 foi o mais congestionado, com 564 pessoas a recorrer ao serviço.

Os primeiros dias de Fevereiro foram ainda mais agitados, uma vez que foi prestado atendimento a 476 doentes diários, com um pico de 604 utentes tratados no dia 5. O aumento de casos foi, este mês, de 52 por cento.

O aumento da afluência às urgências do Hospital Infante D. Pedro começou a verificar-se no último trimestre do ano passado, revelou ao Diário de Aveiro o director do serviço. José Luís Isidoro refere que em Outubro, Novembro e Dezembro de 2006, as urgências receberam em média mais 67 doentes do que nos anteriores meses do ano, o que representou uma subida de 20 por cento. O dia com maior número de casos registados foi 26 de Dezembro, com 509 doentes.

Este crescimento deve-se essencialmente, segundo José Luís Isidoro, ao fecho do Serviço de Atendimento Permanente (SAP) do Centro de Saúde de Aveiro.

De acordo com o clínico, outro factor deve ser tido em conta, especialmente este ano, no acréscimo de atendimentos nas urgências: as gripes. «Em Janeiro e Fevereiro, a razão para o aumento de doentes são também os síndromas gripais», declarou ontem ao Diário de Aveiro.
Tudo somado, José Luís Isidoro conclui que, de Outubro a Fevereiro, se observa em relação a anos anteriores um «desvio padrão anómalo» no número de utentes tratados naquele serviço do estabelecimento de saúde aveirense.

Apesar do «enorme esforço e dedicação» dos profissionais que trabalham nas urgências, é «difícil» responder à «grande sobrecarga de doentes» que se tem registado nos últimos meses, adverte o director do serviço, lembrando que em alguns dias é atendido «quase o dobro» de utentes do que a capacidade instalada.

José Luís Isidoro conclui, por isso, que as urgências não dispõem de «capacidade de resposta» para fazer face à «procura anómala» de pessoas. Também por isso, o médico defende que o Centro de Saúde de Aveiro devia «dar uma ajuda» e alargar o seu horário de atendimento.

Aumento de doentes não justifica alargamento de horário

A gripe tem sido responsável por um aumento de doentes a recorrer às unidades de saúde de Aveiro, mas nada que justifique o alargamento do horário de funcionamento do centro de saúde local, como já sucedeu noutras regiões do país.

Os centros de saúde de Lisboa e Vale do Tejo, por exemplo, vão alargar o horário de funcionamento até às 22 ou 24 horas para responder a um acréscimo na procura de urgências que se tem verificado nos hospitais da região.

Em Aveiro, o afluxo às casas de saúde é agora maior, mas a «procura crescente» de cuidados médicos ainda não é suficiente para recomendar mais horas de actividade no centro de saúde, disse João Terrível.

O director do estabelecimento de saúde aveirense reconhece que o número de doentes com «sintoma gripal» subiu nos últimos dias, mas «nada de diferente em relação a anos anteriores». «Os números não são excepcionais» para justificarem o alargamento do horário do centro de saúde, afirmou ontem ao Diário de Aveiro.

Apesar disso, João Terrível e o delegado de saúde de Aveiro, Vieira da Silva – ambos responsáveis pela elaboração do plano de contingência local para a gripe das aves e para a gripe sazonal –, chegaram a admitir a possibilidade de alargar o número de horas de funcionamento do Centro de Saúde. «Mas os números ainda não nos obrigaram a isso», declarou o director da unidade de saúde.

Até ontem, João Terrível não tinha recebido «nenhuma indicação» para proceder ao alargamento de horário, estando a «aguardar ordens superiores» da Sub-Região de Saúde de Aveiro.

Na quinta-feira, o ministro da Saúde, António Correia de Campos, anunciou que os centros de saúde de Lisboa e Vale do Tejo vão alargar o horário de funcionamento a partir de hoje e até ao final do mês, medida que deverá alargar-se a todo o país conforme as necessidades detectadas em cada uma das cinco regiões de saúde.

Além de alargarem o horário de funcionamento, os centros de saúde passam também a fornecer gratuitamente, após a consulta e sempre que necessário, medicação para a febre e a dor em quantidade suficiente para 48 horas de tratamento.

O governante salientou que a actividade gripal em Portugal não está a ser mais intensa do que em anos anteriores, mas começou na segunda-feira passada a registar uma tendência de crescimento que as autoridades prevêem que venha ainda a aumentar.

Rui Cunha"

sábado, fevereiro 10, 2007

Voto SIM: Carminho & Sandra

"Carminho & Sandra
Carminho senta-se nos bancos almofadados do BMW da mãe. Chove lá fora. Encosta o nariz ao vidro para disfarçar duas enormes lágrimas que lhe rolam pela face. A mãe conduz o carro e aperta-lhe ternamente a mão. Há muito trânsito na Lapa ao fim da tarde. A mãe tem um olhar triste e vago mas aperta com força a mão da filha de 18 anos. Estão juntas. A caminho de Espanha.


Sandra senta-se no banco côr-de-laranja do autocarro 22 que sai de Alcântara. Chove lá fora. Encosta o nariz ao vidro para disfarçar duas enormes lágrimas que lhe rolam pela face. A mãe está sentada ao lado dela. Encosta o guarda-chuva aos pés gelados e aperta-lhe ternamente a mão. Há muito trânsito em Alcântara ao fim da tarde. A mãe tem um olhar triste e vago mas aperta com força a mão da filha de 18 anos. Estão juntas. A caminho de casa de Uma Senhora.


O BMW e o autocarro 22 cruzam-se a subir a Avenida Infante Santo.


Carminho despe-se a tremer sem nunca conseguir estancar o choro. Veste uma bata verde. Deita-se numa marquesa. É atendida por uma médica que lhe entoa palavras doces ao ouvido, enquanto lhe afaga o cabelo. Carminho sente-se a adormecer depois de respirar mais fundo o cheiro que a máscara exala. Chora enquanto dorme.


Sandra não se despe e treme muito sem conseguir estancar o choro. Nervosa, brinca com as tranças que a mãe lhe fez de manhã na tentativa de lhe recuperar a infância. A Senhora chega. A mãe entrega um envelope à Senhora. A Senhora abre-o e resmunga qualquer coisa. É altura de beber um liquido verde de sabor muito ácido. O copo está sujo, pensa Sandra. Sente-se doente e sabe que vai adormecer. Chora enquanto dorme.


Carminho acorda do seu sono induzido. Tem a mãe e a médica ao seu lado. Não sente dores no corpo mas as lágrimas não param de lhe correr cara abaixo. Sai da clínica de rosto destapado. Sabe-lhe bem o ar fresco da manhã. É tempo de regressar a casa. Quando a placa da União Europeia surge na estrada a dizer PORTUGAL, Carminho chora convulsivamente.


Sandra não acorda. E não acorda . E não acorda. A mãe geme baixinho desesperada ao seu lado. Pede à Senhora para chamar uma ambulância. A Senhora não deixa, ponha - se daqui para fora com a miúda, há uma cabine lá em baixo, livre-se de dizer a alguém que eu existo. A mãe arrasta a Sandra inanimada escada a baixo. Um vizinho, cansado, chama o 112 e a polícia.Sandra acorda no quarto 122 dias depois. As lágrimas cara abaixo. Não poderás ter mais filhos, Sandra, disse-lhe uma médica, emocionada. Sai do hospital de cara tapada, coberta por um lenço. Não sente o ar fresco da manhã. No bolso junto ao útero magoado, a intimação para se apresentar a um tribunal do seu país: Portugal.


Eu voto sim . Pela Sandra e pela Carminho. Pelas suas mães e avós. Por mim.

Rita Ferro Rodrigues "

(Publicado aqui)

Pôrra, Já Disse Que Voto Sim!

Será que alguém que por aqui passou duvida do meu empenhamento no referendo e no SIM.

Só os cegos é que não viram!

No que não entro é em discussões para as quais sei que não estou preparado. E se ouço vozes científicas a opinarem contraditoriamente só me resta "escolher" aquela com que mais me identifico. Não sou parvo, nem hipócrita.

Como não sou cientista, vou dar a minha opinião sobre o quê, como querem a comentadora NSQNU (jurista) e a Maria João do "sutiãn" (mas que apesar dos seus títulos académicos nem sabe o nome correcto da sua peça de vestuário: sutiã, s. m. do Fr. soutien-gorge).

Dou a minha opinião do que sei. Agora se o feto tem dor às 10 semanas ou 9, se tem terminações nervosa, se sofre, não sei.

O que sei é que será sempre FETO até nascer e só depois será BEBÉ.
O que sei é que a palavra NASCIMENTO se refere ao DAR À LUZ.
O que sei é que quem tem dor é a mulher que decide interromper a sua gravidez porque não tem condições para a manter. E que sofre por ser penalizada duas vezes neste país de juristas e professorers, doutorados, mestres, licenciados, muitos upgradeados.

Dasse, dha, não me chateiem!

Mas, meninas, tenham calma e espero que nunca tenham uma gravidez indesejada. Já sabem, se ganhar o SIM têm o problema resolvido, se ganhar o NÃO, ou vão a Espanha ou vão ao vão de escada ou às clinicas proprietárias dos VIP, que se empenham pelo NÃO.

Opinei!

"Ciência, convicções, fraude e a dor fetal."

"Em artigos publicados em revistas científicas (e não meras opiniões não fundamentadas, em debates televisivos), alguns têm defendido que o feto nunca sente dor.

Nunca, até ao fim da gravidez. Muito provavelmente, isto não é verdade. Não é crível que assim seja. Às 24 semanas estão já estabelecidas as ligações entre o tálamo e o córtex que permitirão ao feto estabelecer contacto com o mundo exterior e sentir. Todas as mães (e muitos pais) sabem que o seu feto (bebé, criança é só quando nasce!) reage a estímulos nos últimos 3 meses da gravidez. Reage com movimentos ("pontapés") a carícias dos pais, tranquiliza-se com a voz de ambos, com música agradável.

Os receptores nervosos começam a formar-se logo entre as 8 e as 15 semanas, mas são como tomadas sem corrente num edifício em construção; a electricidade só é ligada quando passa ser habitado. Ou seja, depois das 24 semanas. Muito provavelmente só às 30, quando a EEG mostra que o feto já consegue estar "acordado".

A evidência científica actual é a de que a dor implica percepção e consciência do estímulo doloroso. A dor é uma experiência emocional e psicológica, resultado de activação cortical. A reacção a estímulos externos, às 8 semanas, é um reflexo primitivo, que pode existir com estímulos não dolorosos. Como a nossa perna salta quando o martelo bate no joelho. É resultado de um curto-circuito entre receptores e músculos, através da medula espinal, sem passar pelo cérebro. Sem vontade e sem consciência. Sem dor.

O feto de 10 semanas não tem dor, não tem vontade, não tem vigília, não tem consciência. As primeiras ligações ao córtex cerebral em formação, acontecem entre as 23 e as 30 semanas. Mas anatomia é diferente de função. A evidência mais precoce de actividade cortical é entre as 29 e as 30 semanas.

Numa área cientificamente controversa, em pleno calor de uma campanha, afirmações não comprovadas (pseudo-científicas) são tudo menos honestas e responsáveis. Não há argumentos científicos neutrais. O que há são dados científicas, que passam o rigor da comprovação, da revisão por pares antes da aceitação por revistas internacionais. E mesmo estes estão sujeitos a um escrutínio permanente por parte de novos estudos.

A Organização Mundial de Saúde aconselha mesmo que se não deve dar anestesia ao feto antes do 3º trimestre para cirurgia ou abortamento. Por não estar provado que o feto sinta dor nos seis primeiros meses (muito pelo contrário) e pelos riscos aumentados para a grávida. As afirmações em sentido contrário ao estado actual dos conhecimentos, são apenas poeira lançada aos olhos de quem já não quer ver. São convicções e crenças de quem toma partido.
Provada, essa sim, está a dor das mulheres que sofrem as complicações de saúde e as consequências legais dos abortamentos clandestinos. E há que tentar acabar com ela, como tem vindo a suceder em tantos outros países.

Aos dogmas o "não" acrescentou a fraude e a argumentação pseudo-científica. O papel da ciência é fazer perguntas e pôr dogmas em causa, desconstruir mitos e crenças e fortalecer as nossas convicções.

Pela minha parte, estou cada vez mais convicto. Por isso só poderei votar SIM."


JORGE SEQUEIROS
MÉDICO GENETICISTA, PROFESSOR CATEDRÁTICO ICBAS E IBMC (UP).
PRESIDENTE DO COLÉGIO DE GENÉTICA MÉDICA (ORDEM DOS MÉDICOS);
MEMBRO DO CONSELHO NACIONAL DE ÉTICA PARA AS CIÊNCIAS DA VIDA. MANDATÁRIO DO MPE.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Vidas Desperdiçadas Em Potência (VII) : O Cunnilingus.

Este resumo não está disponível. Clique aqui para ver a mensagem.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

A Fraude Continua!

Comunicado de Imprensa - MÉDICOS PELA ESCOLHA

HONESTIDADE CIENTÍFICA: UNS TÊM, OUTROS NÃO!

O movimento MÉDICOS PELA ESCOLHA vem por esta via reagir peremptoriamente às declarações - ontem proferidas no programa da RTP Prós e Contras e hoje publicadas em alguns jornais - de Jerónima Teixeira, investigadora portuguesa na Inglaterra, sugerindo que um feto
sentiria dor antes das dez semanas de gestação.

Qualquer credibilidade científica que pudesse ser reconhecida a esta investigadora é obviamente maculada pela forma manipulatória como Jerónima Teixeira apresentou a sua argumentação, ao reconhecer ela mesma que "a sensação de dor no feto só está provada a partir das 22 semanas".

A primeira condição para se ser cientista é estar pronto a admitir o erro, que normalmente se apura através da avaliação dos pares: *no caso, é fácil verificar que não há consenso nenhum na comunidade científica de que um feto nas primeiras dez semanas sinta dor.

Todas as considerações feitas por Jerónima Teixeira sugerindo que o mesmo fenómeno poderá ser estabelecido antes das 10 semanas de gestação conformam mera especulação politicamente orientada e naturalmente incompatível e descredibilizadora de qualquer discurso científico sobre a matéria.

O que Jerónima Teixeira esconde, na realidade, ao dizer que às 10 semanas de gestação um feto tem já em desenvolvimento os "receptores de dor" é que *nesta fase, apesar do feto ter os referidos receptores, ESTABELECIDAMENTE NÃO TEM OS MECANISMOS que lhe permitam a PERCEPÇÃO DE QUALQUER DOR, nomeadamente as ligações cerebrais necessárias para tal
sensibilidade , como foi aliás bastante comprovado, sem qualquer contestação, no recente congresso da Ordem dos Médicos sobre o início da vida.

O movimento Médicos Pela Escolha lamenta, portanto, esta manipulação grosseira de dados científicos* que na verdade constituem uma completa fraude destinada a confundir a opinião pública e descentrar o debate da verdadeira questão colocada no referendo: a despenalização para o fim do sofrimento causado pelo aborto clandestino.

OU NÃO SENTIRÃO DOR AS MULHERES FALECIDAS POR ABORTO CLANDESTINO OU OS MILHARES DAQUELAS QUE SOFREM TODAS AS COMPLICAÇÕES DE SAÚDE QUE SE
CONHECEM DERIVADAS DO ABORTO CLANDESTINO?

Movimento Médicos pela Escolha

sábado, fevereiro 03, 2007

Vidas Desperdiçadas Em Potência (VI) : O Fellatio.

Continuando a exemplificar a frase do NÃO "Vidas Desperdiçadas Em Potência" , apresento hoje no sexto post o fellatio (na arte). São milhões de espermatozóides desperdiçados em cada ...

"SÍMBOLOS DE EROS NA SÉ DE LAMEGO / A erosão, natural ou artificial, ainda não destruiu o erotismo desta imagem" www.triplov.org.


Andy Warhol-Meyerovich Galley

Original antique Japanese color woodblock Kuniyoshi (1797-1861), Shunga (Spring picture). Date: c.1835. Chubon size: 10 1/2" x 8 2/3" inches. Fine impression.

"Mayan fellatio ritual" (da Internet)

"Un testimonio artístico del ejercicio de la prostitución femenina tratado sin reparos, es el dibujo grabado en una téssera / tessera de un prostíbulo de época romana, en la que se observa la acción que la prostituta va realizar al cliente" (da Internet)

Arte radiológica.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Voto SIM Porque Há Médicos Ainda Mais Demagógicos Do Que Eu!

No Primeiro de Janeiro de 01/02/07:


"Quatro especialistas cardiotorácicos contra a Interrupção Voluntária da Gravidez
Cirurgiões opõem-se ao fim de vida a pedido


Quatro cirurgiões cardiotorácicos “de prestígio” declararam ontem, na Ordem dos Médicos, apoiar o voto no «Não» no referendo ao aborto porque está em causa “se é ou não possível terminar uma vida individual, a pedido de um cidadão”.

Manuel Antunes, director do serviço de cirurgia cardiotorácica dos Hospitais da Universidade de Coimbra, afirmou que, no que toca ao Serviço Nacional de Saúde e caso vença o «Sim», o principal problema que se coloca é a escassez de recursos humanos para responder a “esta necessidade”.

A pergunta a referendar “não invoca qualquer razão médica e estabelece um prazo destituído de qualquer fundamento científico”, afirmam Manuel Pedro Magalhães, também director clínico do Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa,

João Queirós e Melo, director do serviço de cirurgia cardiotorácica do Hospital de Santa Cruz, em Carnaxide, e José Roquete, também director clínico da unidade privada Hospital da Luz.

Integrados no movimento informal «Somos médicos, por isso não», os quatro cirurgiões, acompanhados pelo director de cardiologia pediátrica Hospital de Santa Cruz, Fernando Maymone Martins, sublinharam, porém,

que não apoiam a condenação das mulheres que praticaram aborto. “Se estivéssemos a falar a favor de despenalizar, eu era a favor dessa lei”, explicitou Queirós e Melo, mas “o objectivo é liberalizar”.

Para sublinhar que se está a falar já de “vida humana” no período de gravidez até às dez semanas, Queirós e Melo apresentou um vaso minúsculo, com uma pequena planta, que “parece sem vida, mas vai ser um rododendro, com frutos e flores”.

SIM. Vamos Perder Tempo A Discutir Quando Começa A Vida?


Mas ninguém quer discutir quando acaba e porque acaba.

Encontros, seminários, congressos, prós-e-contras, televisões: discutir o início da vida para defender ou atacar a IVG às 10, 12, 14, 25 semanas.

Há tanta coisa mais importante para discurtir!

SIM, Voto Pela Vida, Voto Sim.

 


Há quem proiba os beijos, não há?
Posted by Picasa

SIM! É Nesta Vida Que Eu Acredito!

quarta-feira, janeiro 31, 2007

SIM, "Porque se não tivesse ajudado aquelas mulheres elas iam meter agulhas até ao útero para abortarem."

No Diário de Notícias de 29 de Janeiro de 2007:

"Tenho a consciência tranquila, sabe? Porque se não tivesse ajudado aquelas mulheres elas iam

meter agulhas até ao útero para abortarem. Há quem pense que isto das agulhas já não existe,

que o raminho de salsa [enfiado na vagina até ao colo do útero] já não existe.

Existe, pois! Todos os dias acompanho gente que vive em bairros de miséria. Essas pessoas não vão a Espanha!

Nem tomam Cytotec. Enfiam agulhas de tricô, sim.

Atiram-se pelas escadas abaixo, sim.

"As palavras, como rajadas, pertencem a José António Pinto, assistente social da Junta de Freguesia da Campanhã, Porto,...
"

SIM, Vaticano Mantém-se Contra Preservativo.

No Jornal de Notícias de 30/01/07:

"Uma mudança da posição do Vaticano sobre a utilização do preservativo "não está na ordem do dia", garantiu ontem o secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, monsenhor Ângelo Amato, contradizendo declarações de prelados como o cardeal italiano Carlo Maria Martini, segundo as quais o preservativo poderia ser considerado um "mal menor" em algumas circunstâncias. Mantém-se, assim, que a única recomendação da Igreja Católica para evitar a propagação da sida é a castidade, isto é, a abstinência ou a fidelidade conjugal. Monsenhor Amato indicou que a Congregação estuda a "hipótese de intervir de novo" sobre os temas bioéticos. Segundo o prelado, os "novos desafios" respeitam ao embrião, "que chega a ser considerado um produto biológico e não um ser humano", enquanto para a Igreja Católica "o respeito pelo embrião humano é um princípio antropológico não negociável"."

terça-feira, janeiro 30, 2007

SIM, É O MEU VOTO.

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quarta-feira, janeiro 24, 2007

Vidas Desperdiçadas Em Potência (V) : A Mórula Ou A Foto Do Dr G M Quando Era Pequenino. (Versão autocensurada.)

Morula III, 1983–84. Terry Winters (American, b. 1949). Lithograph printed in three colors with additions by hand in graphite pencil on Japanese handmade Toyoshi paper (torn to size); Sheet (irregular): 42 x 32 1/2 in. (106.7 x 82.6 cm); Signed (TW) and dated (1983–84), upper right; Numbered (30/36), upper left; Printers: Keith Brintzenhofe and Thomas Cox; Publisher: Universal Limited Art Editions (ULAE), West Islip, New YorkStewart S. MacDermott Fund, 1984 (1984.1051.3) Copyright © 2000–2006 The Metropolitan Museum of Art.


No Correio da Manhã de 29/12/2006: "A célula tem tudo o que nó somos. Gentil Martins defendeu ontem que a vida humana tem início no momento da concepção. O médico, especialista em cirurgia pediátrica e cirurgia plástica, reconstrutiva e estética deu o seu apoio à plataforma Não Obrigada, em mais uma recolha de assinaturas, desta feita, no Chiado,..."

Auto-censurado.


Dr X aos 76 anos. Dr X quando era pequenino.




Mais mórulas sem vida e com arte: Sarah Lutz - New York, The Morula Series.



Sarah Lutz exhibited her paintings at Audart in the Spring of 1997 - a body of work comprised of small canvas panels painted with geometric lines, squares and checkerboard patterns, .../... The evolution of Sarah's work has resulted in "The Morula Series", a collection of paintings of cell clusters or "morulae", which were exhibited at The Painting Center in New York in April of 2003. Sarah has been affiliated with The Painting Center since 1999. She has also had solo exhibitions at the Richmond Art Center in Windsor, Connecticut and at 55 Mercer Gallery in New York City. She exhibits regularly at DNA Gallery in Provincetown, Massachusetts.









Três * Títulos * Três

Diário Económico de 23/01/07:

"Tribunal confirma multa da AdC contra médicos."


Jornal de Notícias de 23/01/07

"Ordem multada por fixar preços."


Diário Digital 22/01/07 (2)

"Médicos: Confirmada multa da AdC à Ordem por preços fixos."

terça-feira, janeiro 23, 2007

Vidas Desperdiçadas Em Potência (IV) : O Condom.

(O sémen do rei Minos, filho de Zeus, era povoado por serpentes, escorpiões e lacraias que matavam suas amantes. Procris teve a idéia de introduzir uma bexiga de cabra em sua vagina para se proteger.)

Na senda da demagogia dos defensores do NÂO, temos que lutar contra a perda de vidas em potência.

O preservativo (condom) é um meio usado para desperdiçar milhões de vidas diariamente:


O seu inventor da era moderna: Gabriele Falloppio

bora lá ilegalizá-lo

como na "Ireland, condoms (and other contraceptives) were originally available only to those with a doctor's prescription (finding a doctor willing to prescribe them was very difficult - almost impossible if one was unmarried) or via the black market (usually smuggled from Northern Ireland). This was later altered to being available only to those over the age of 18 in pharmacies in 1985. Sale outside of pharmacies was only legalised in 1993, although stores such as the Virgin Megastore had in fact been selling them openly since 1988. The age limitations were also removed in 1993."

nas "The Philippines is a predominantly Roman Catholic nation, and the Catholic Church is a powerful force in Philippine politics. The Church teaches that only natural family planning methods are moral ways to prevent pregnancy, and opposes promotion of condoms for any purpose.
While condoms are legal in the Philippines, the government will not promote them or pay for their distribution. As of 2004, several local officials - including the mayor of Manila - had banned distribution of condoms in government health facilities, and some locations even ban government health workers from discussing condoms
."

e na Somália "In 2003, a powerful Somalian Muslim group banned selling or using condoms in Somalia. The punishments for violating this include flogging." (from Wikipedia).




O preservativo aconselhado pelo clero português.

O preservativo usado pelas tias apoiantes do NÃO.
O preservativo feminino.

O preservativo dos alcoólicos.


O preservativo do megalómanos.
As brincadeiras sempre existiram.
The pink condom.

Preservativo mais antigo que se conhece.
(Imagens retiradas de vários sites da Internet)


domingo, janeiro 21, 2007

TVI

"... terapêutica endovenosa directamente nas veias..." pois, pois, haveria de ser onde?

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Vidas Desperdiçadas Em Potência (III) : O Padre.

Continuando com a exemplificação de "vidas potencialmente desperdiçadas", palavra de ordem do NÃO, cabe agora a vez ao Padre.
Deus deu-lhe também a capacidade para se reproduzir.
Mas a Igreja retirou-lhe essa graça divina.
Produz espermatozóides como todo o género masculino, os quais, pelo voto de castidade (se o cumprirem) são desperdiçados.

Portanto depois da ilegalização da masturbação, das freiras, agora teremos que ilegalizar o Clero.

3. O Padre.


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Jean-Baptiste Greuze
The Widow and Her Priest, undated
The State Hermitage Museum, St. Petersburg, Russia

Sabia Que?

De um comunicado do Sindicato Independente dos Médicos no Jornal Virtual

"PODE ESTABELECER-SE A CONFUSÃO NOS CENTROS DE SAÚDE

Foi hoje libertado para a Comunicação Social um Relatório da Inspecção-Geral de Saúde que, ainda que não identificando qualquer relação entre os congressos patrocinados pela indústria farmacêutica e a prescrição médica, identificaria os 14 médicos maiores prescritores de medicamentos. Numa contabilidade à receita e aos custos dos medicamentos prescritos, o mais gastador seria um médico de um CS de Aveiro, prescritor de 95 receitas/dia, aliás suplantado por dois outros (de Santarém e de Guimarães) com mais de 100 receitas/dia.

Nada é divulgado quanto ao nº de doentes que esses médicos atendem por dia,
quanto às doenças que têm e
à sua idade (se são idosos e com várias doenças crónicas, por ex.)
quanto ao nº de utentes na sua Lista,
quantos doentes sem Médico de Família do seu CS atendem e respectiva medicação crónica renovam diariamente.

É omitido que faltam Médicos de Família nos CS, existindo cerca de 700.00 portugueses sem Médico de Família.

É omitido que cada receita do SNS não pode ter mais do que 4 medicamentos diferentes e de cada um mais do que 2 caixas.

É omitido que há medicamentos que são tomados cronicamente e que não são passíveis de serem prescritos em receita renovável tendo que ser prescritos logo na mesma consulta para não obrigar o doente a deslocar-se repetidamente ao CS.

É omitido que as receitas renováveis de 3 vias e com validade para 6 meses têm todas a data do mesmo dia.

É omitido que há medicamentos que apenas são comparticipados na sua embalagem mais pequena, tal como é omitido que os medicamentos são caros em Portugal e que são organismos estatais que fixam os PVP e as comissões dos intermediários.

A menos que seja provado que essas receitas não corresponderam a actos médicos e actos médicos perfeitamente tipificados,
a menos que se chegue à conclusão de que essas prescrições foram inadequadas às patologias dos doentes, então se calhar esses médicos até deveriam receber um louvor do Sr. Ministro da Saúde publicado em Diário da República por trabalharem demais!

Esta jogada populista e pretensamente intimidadora dos Médicos, geradora de eventual perturbação da relação de confiança médico/doente, procedimento a que já nos habituamos a ver ser utilizado pelo Ministério da Saúde em alturas de aperto e para desviar as atenções, pode vir a lançar a confusão nos Centros de Saúde…

E se a partir de amanhã os Médicos de Família

- se recusarem a atender diariamente mais doentes da sua Lista do que o nº referente a umas tantas receitas (60? 70? 80? 90?),
- se recusarem atender
- e renovar medicação crónica aos doentes sem Médico de Família?

- Se quando à noite forem trabalhar para um serviço de Urgência já tiverem ultrapassado a sua quota diária?

Se não aceitarem ser apelidados de “reis da receita”?

Querem que os Médicos apenas atendam utentes não doentes? Como é que vai ser, Sr. Ministro Correia de Campos?"

Nem Sei Que Nome Dar Ao Post! Ai Público, Público!

Tudo começou com uma análise ao perfil dos maiores prescritores do SNS por distrito: a tutela queria saber quem era e o que receitavam os 5 ou 6 maiores prescritores por Sub-região de Saúde.

Também se analisou o que prescreviam.

Depois, decidiu quem de direito, analisar os 14 maiores a nível nacional. Analisar isto é, fazer uma auditoria. Simplesmente uma auditoria clínica.

Mas hoje, o Público já titula "RECEITAS FALSAS", a RTP-1 fala em "EXPULSÕES DA ORDEM DOS MÉDICOS". Fala-se em "INQUÉRITOS DISCIPLINARES".

O bastonário entra no jogo, alarma, até propõe uma "INVESTIGAÇÃO DA POLÍCIA JUDICIÁRIA".

Eu sei porquê. O alvo é uma classe. Depois acusem-me de corporativista...

Será que a entidade que fez a auditoria (a ex-IGS ?) não poderia fazer um desmentido?

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Vidas Desperdiçadas Em Potência (II) : As Freiras.

Um óvulo transformado em ovo por um espermatozóide pode originar, em média e em cada mulher cerca de 444 potenciais vidas.

Não sei quantas freirinhas haverá no planeta, mas muitas vidas potenciais se perderão. Nem todas são como a Soror Mariana Alcoforado.

2. As Freiras
















Hieronymus Bosch, 1450?-1516.
Hertogenbosch, Brabante Setentrional, Holanda.
(retirado daqui)

terça-feira, janeiro 16, 2007

Vidas Desperdiçadas Em Potência (I) : A Masturbação.

Este blogue vai iniciar a publicação de algumas situações a ilegalizar, pois representam perdas em potência de vidas humanas: uma bandeira dos defensores do NÃO.

1. A Masturbação:

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Peter Johann Nepomuk Geiger, Erotic Aquarell about 1840 (Austrian, 1805-1880)

domingo, janeiro 14, 2007

Unsafe Abortion: The Preventable Pandemic. (Aborto Ilegal: A Pandemia Evitável)

É um artigo sério que se pode encontrar aqui: Unsafe abortion: the preventable pandemic (COPYRIGHT 2006 The Lancet Publishing Group).

Para reflexão:

"1 An estimated 19-20 million unsafe abortions take place every year, 97% of these are in developing countries.

2 Despite its frequency, unsafe abortion remains one of the most neglected global public health challenges.

3 An estimated 68 000 women die every year from unsafe abortion, and millions more are injured, many permanently.

4 Leading causes of death are haemorrhage, infection, and poisoning from substances used to induce abortion.

5 Access to modern contraception can reduce but never eliminate the need for abortion.

6 Legalisation of abortion is a necessary but insufficient step toward eliminating unsafe abortion.

7 When abortion is made legal, safe, and easily accessible, women's health rapidly improves. By contrast, women's health deteriorates when access to safe abortion is made more difficult or illegal.

8 Legal abortion in developed countries is one of the safest procedures in contemporary practice, with case-fatality rates less than one death per 100 000 procedures.

9 Manual vacuum aspiration (a handheld syringe as a suction source) and medical methods of inducing abortion have reduced complications.

10 Treating complications of unsafe abortion overwhelms impoverished health-care services and diverts limited resources from other critical health-care programmes.

11 The underlying causes of this global pandemic are apathy and disdain for women; they suffer and die because they are not valued."

Ourique, Já Em Agosto Se Morria Assim...

No Correio da Manhã de 24/08/06, por Alexandre M. Silva:

"Beja - Médicos não garantem 24 horas/dia
Família de acidentado critica serviço do INEM
Alexandre M. Silva

A vítima mortal, Jacinto Baptista, conduzia este veículo da marca Mercedes
Os familiares de Jacinto Baptista, um homem de 64 anos que faleceu no dia 14 de Agosto na sequência de um acidente de viação em Ourique, Beja, vão apresentar uma queixa ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) alegando falta de assistência à vitima no local do sinistro.
“Não compreendemos por que é que o meu pai não foi assistido no local do acidente por uma equipa do INEM e transportado para o Hospital de Beja pela Viatura Médica de Emergência Rápida (VMER), atribuída àquela unidade no dia 7 de Agosto”, acusou o filho, Vítor Baptista. “Os responsáveis dizem que o serviço funciona 24 horas por dia, mas no caso do meu pai foram os bombeiros que lhe deram assistência porque o veículo não estava operacional por falta de médico.”

O falecido, que conduzia um carro de marca Mercedes, sofreu, por volta das 02h30, uma violenta colisão de um outro veículo, no IC1, perto de Aldeia de Palheiros, Ourique. “Esteve três horas encarcerado e quando chegou ao hospital estava quase sem sangue. Acabou por morrer cerca das 11h00.” Vítor Baptista sublinhou ainda que, caso o resultado da autópsia confirme que o seu pai faleceu por falta de assistência irá apresentar uma queixa em tribunal.

LIMITAÇÕES EM AGOSTO

O administrador do Hospital de Beja, Rui Santos, admitiu que alguns turnos da VMER não se realizaram por falta de médicos com curso, mas sublinhou que o INEM tinha conhecimento das limitações do serviço em Agosto.

Sobre o sinistro no IC1, disse que “o falecimento deveu-se, sobretudo, às lesões”. Segundo fonte do INEM, a operacionalidade da viatura está a cargo do hospital e “foram encaminhados” todos os meios disponíveis para o acidente.
"

Só Pode Ser: O Juíz Do Luisão Era Do Benfica!

Outra história de juízes e alcoolemia no Diário de Notícias de 13/01/07, por Inês David Bastos.

"Juiz condenado por conduzir com álcool

Um juiz conselheiro jubilado acaba de ser condenado pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ) pelo crime de condução sob o efeito de álcool. O magistrado do Supremo - residente no Porto - foi apanhado pela Brigada de Trânsito da GNR na Estrada Nacional 218 (que dá acesso ao IP4) a conduzir a sua viatura com uma taxa de alcoolemia de 1,28 gramas por litro, que no teste efectuado mais tarde no Instituto de Medicina Legal do Porto subiu para 1,60. Recorde-se que a partir de 1,20 gramas por litro passa a ser crime.

O juiz conselheiro , segundo refere o acórdão do STJ que o condena a uma pena de multa de mil euros e à inibição de conduzir por três meses, elaborado pelo relator Pereira Madeira na passada quarta- -feira, foi interceptado pela BT no dia 30 de Maio de 2005 às 22.15, quando se dirigia para uma sua residência em Bragança. O caso seguiu para o Procurador-geral da República, que - por ser um juiz conselheiro - requereu ao Supremo o julgamento. O conselheiro pediu a abertura da instrução, alegando não existir qualquer infracção. Com que fundamentos?

A contestação

O juiz-conselheiro alega que a sua conduta não preenche "a tipicidade do crime em causa" por não ser verdade "que tivesse ingerido prévia e voluntariamente bebidas alcoólicas em excesso". O magistrado garante que se limitou a acompanhar a refeição "com meia garrafa de vinho" e um digestivo. E justifica que foi o facto de ter"tomado comprimidos para a dor de cabeça" que inflaccionou a taxa de alcoolemia detectada, com a qual disse ter ficado "surpreendido". O conselheiro argumenta ainda que, se "tivesse consciência do grau de alcoolemia, não teria iniciado a condução", que em mais de 40 anos como encartado "nunca provocou qualquer acidente" e que a viagem que "ia fazer era apenas de seis quilómetros".

Argumentos que não colheram qualquer fruto junto dos seus pares do Supremo, que o condenaram por unanimidade (assinam ainda o acórdão os conselheiros Santos Carvalho e Costa Mortágua).

Argumentos do Supremo

O acórdão sustenta que, para praticar o crime de condução sob o efeito de álcool, basta que a pessoa conduza com uma taxa de álcool no sangue igual ou superior a 1,2 g/l, não sendo sequer necessário o dolo, ou seja, a consciência da condução ilegal. "Qualquer condutor, seja ele quem for, tem de ter certos cuidados básicos durante a condução e antes dela (...) tais cuidados, necessariamente ao alcance das capacidades intelectivas e volitivas do juiz conselheiro (...), eram de redobrada observância", escrevem os juízes do Supremo, considerando que o conselheiro "devia ter evitado beber ou, pelo menos, evitar conduzir depois de beber
".

O CODU E O INEM

Publicitou-se que o CODU já estava em todo o país, mas nunca se disse que o INEM só funciona 24 sobre 24 horas nas grande cidades.

Este morreu e outros morrerão e a culpa nunca morrerá solteira, porque a culpa será sempre do(s) médico(s), nunca do(s) ministro(s), nem de quem planeia...

In TSF on-line:

"INEM demite-se de responsabilidades na morte de homem em Odemira
O INEM considera que as suas equipas médicas fizeram tudo ao seu alcance no socorro de um homem de Odemira, que demorou sete horas a chegar ao hospital em Lisboa, acabando por falecer. O ministro da Saúde quer perceber o que aconteceu de errado.

( 21:03 / 13 de Janeiro 07 )

O INEM considerou, este sábado, que as suas equipas médicas envolvidas no socorro de um homem de Odemira, que demorou sete horas a chegar ao hospital em Lisboa acabando por falecer, fizeram o que os meios disponíveis lhes permitiram.

Após averiguar o ocorrido, Nelson Pereira, director dos serviços médicos do INEM disse, em declarações à TSF, que a actuação dos seus profissionais, «em três momentos diferentes», decorreu «dentro da normalidade».

«Evidentemente que lamentamos sempre que estas situações ocorram», mas «se nos referirmos ao facto de que Odemira é, infelizmente, como algumas zonas do país, deficitária em termos de acessibilidades a cuidados de saúde diferenciados, em determinadas especialidades, é possível que situações destas aconteçam, referiu Nelson Pereira.

Um homem de 54 anos sofreu um acidente, esta segunda-feira, na estrada que liga freguesias de São Teotónio e Mil Fontes, no concelho de Odemira, para onde o centro de triagem do INEM enviou uma ambulância sem qualquer apoio médico.

Posteriormente, a vitima foi levada para o Serviço de Apoio Permanente de Odemira, onde esteve duas horas, embora sem receber o apoio médico devido, tendo em conta que aquela unidade não dispõe de médios para socorrer uma vítima politraumatizada e com lesões cranioencefálicas.

Depois disso, foi chamada uma viatura médica de emergência e reanimação do INEM, estacionada no hospital de Beja, que demorou uma hora a chegar ao local e outra para tentar estabilizar a vítima.

Foi então decidido evacuar o ferido por helicóptero para o hospital de Santa Maria, em Lisboa, mas, dada a gravidade das lesões, o helicóptero teve de voar a baixa altitude e a reduzida velocidade, tendo o indivíduo acabado por morrer.

Nelson Pereira justificou que para o local foi enviada uma viatura sem apoio médico, porque «em Odemira não existem viaturas com apoio médico», mas apenas em Beja, a 100 quilómetros do local.

Em todo o distrito de Beja, o maior do país, apenas existe uma viatura de emergência médica. No entanto, Nelson Pereira adiantou que esta situação pode mudar num futuro próximo, já que «está a ser equacionada, há algum tempo atrás, a possibilidade de ter outras unidades no distrito».

O director dos serviços médicos do INEM relembrou ainda que «o sistema duplicou o número de unidades nos últimos três anos e vai continuar com certeza a alargar a sua actividade».

Questionado pela TSF, o ministro da Saúde, Correia de Campos, mostrou-se «interessado em conhecer» o sucedido, acrescentando que irá «necessariamente actuar procurando conhecer o que se passou» e perceber «se por ventura alguma coisa de errado funcionou».
"

sábado, janeiro 13, 2007

Posição Da Federação Nacional dos Médicos Sobre A Decisão Ministerial De Controlo Electrónico Da Assiduidade

A recente divulgação da decisão do Ministro da Saúde em aplicar o controlo electrónico da assiduidade dos médicos e as reacções que tem suscitado, motivam a seguinte tomada de posição FNAM:

1. O controlo da assiduidade na Administração Pública encontra-se legislado para o conjunto dos vários sectores profissionais, ainda que não ajustado às respectivas especificidades.
Sempre houve casos de incumprimento e de menor empenho em todos os sectores profissionais. No entanto, está amplamente documentado que o incumprimento de horários, o absentismo e a baixa produtividade derivam fundamentalmente de disfunções institucionais e da inadequação dos métodos de organização de trabalho e de gestão.

2. Aproveitando um inquérito da Inspecção-Geral da Saúde que referiu a situação da grande maioria dos estabelecimentos públicos de saúde proceder ao controle da assiduidade através de “livro de ponto”, o Ministério da Saúde tomou a imediata decisão de aplicar sistemas electrónicos a esse controlo sem discussão prévia desta medida com as organizações sindicais. Procurou, ao mesmo tempo, passar para a opinião pública a mensagem de que, com esta medida, visava melhorar o funcionamento dos serviços e aumentar a sua capacidade produtiva. Estava assim encontrado o pretexto e justificação, para responsabilizar terceiros pelos maus resultados da sua gestão e pela incapacidade de reestruturação dos Serviços Públicos de Saúde até agora demonstrada pela actual equipa ministerial.

3. O controlo burocrático da assiduidade, electrónico ou por outros meios, é apenas um dos instrumentos de gestão e não seguramente o mais importante nas organizações modernas. Ao colocar o acento tónico no estrito cumprimento dos horários como forma de aumentar a produtividade, o Ministério da Saúde procura demitir-se de promover mecanismos de regulação interna centrada na contratualização, com alteração das regras de gestão intermédia das organizações de saúde e da criação de incentivos que discriminem positivamente os profissionais mais empenhados. Acresce ainda que a desresponsabilização dos Directores de Serviço e o esvaziamento do seu importante papel na garantia da concretização dos objectivos assistenciais, vem pôr em causa a desejável autonomia das unidades funcionais.

4. É uma evidência que o Ministério da Saúde tem sido incapaz de definir e contratualizar objectivos de produção para os serviços públicos de saúde, designadamente a nível das unidades hospitalares. Se assim não fosse, já há muito teria desenvolvido esforços na implementação dos Centros de Responsabilidade Integrados (CRI), em vez de continuar a ignorar a legislação que os consagra e que continua em vigor. Simultaneamente, nunca apresentou quaisquer medidas incentivadoras de aumento da produtividade destes serviços, limitando-se a focalizar a sua intervenção em cortes, sem critérios, nas despesas e nos recursos humanos.

5. A gestão de recursos humanos tem sido desastrosa. Pela forte desmotivação que origina, em nada contribui para a produtividade o sucessivo adiamento das negociações do Acordo Colectivo de Trabalho para os hospitais EPE e sobre Carreiras Médicas, deixando milhares de médicos sem qualquer enquadramento socioprofissional, à mercê do arbítrio das administrações.
O recente episódio com os médicos internos, que levou ao adiamento da colocação nas especialidades por o Ministério da Saúde não conseguir dar cumprimento às normas regulares de funcionamento quanto ao início de funções no Internato de 2007, é elucidativa do pouco respeito que os profissionais lhe merecem. Ao frustrar expectativas de jovens que anseiam entrar na vida profissional, o Ministério da Saúde não deu um sinal motivador a estes colegas em início de actividade.

Em defesa do direito constitucional á saúde e dos interesses socioprofissionais dos médicos, a FNAM continua empenhada na dinamização de soluções credíveis e tecnicamente sustentadas que visem reforçar o insubstituível papel das carreiras médicas e do SNS.


A Comissão Executiva da FNAM



Lisboa, 11 de Janeiro de 2007

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Não Era Personalidade Pública!

Assim se combate o alcoolismo em Portugal e na juventude:

- Quem é personalidade pública pode beber em excesso, que está perdoado!

- Se for "Comissária da PSP detida com álcool a mais"


No Portugal Diário de 10/01/07, por Cláudia Lima da Costa

"Agente conduzia com 2,39 g/l de álcool no sangue e teve acidente


"66 condutores detidos em operações stop.
205 condutores com excesso de álcool.

Uma comissária da PSP de Leiria foi detida na madrugada desta quarta-feira por estar a conduzir com uma taxa de alcoolémia de 2,39 g/l. A oficial da PSP foi detida pela GNR depois de ser interveniente num acidente de viação em Santo Antão de Leiria.
Segundo a PSP confirmou ao PortugalDiário o acidente de trânsito ocorreu às 2h00 da madrugada. A Brigada de Trânsito foi chamada ao local e depois de efectuar o teste de álcool constatou que a agente apresentava mais de 1,2 g/l e como tal teria que ser detida.
A Comissária foi presente ao juiz já nesta quarta-feira e enfrenta agora um processo-crime e um processo disciplinar na PSP.
"

Se o juiz fosse médico, era negligência.

Mas falou-se no juíz? Não! Só no Luisão.

(Esta minha mania de me sentir perseguido...)

terça-feira, janeiro 09, 2007

É Impossível Trabalhar Assim !

in Tempo Medicina, de 2007.01.08

Artigo do Prof. José Manuel Silva*

Em meu nome pessoal e no dos médicos, reclamo das condições em que
somos obrigados a trabalhar e declino quaisquer responsabilidades
pelos erros que possam ser cometidos em situações de sobrecarga nos
serviços de urgência de qualquer instituição de saúde

Excluindo os cada vez mais raros dias de relativa acalmia, amiúde a
procura da Urgência dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC)
ultrapassa amplamente a sua capacidade de resposta com eficiência.
No espaço central da Urgência, que foi dimensionado para 17 macas, é
frequente estar o dobro, o triplo, ou mais, de doentes!
Como especialista em Medicina Interna, estive de serviço à Urgência
dos HUC no passado dia 26 de Dezembro, das 9 às 21 horas. Nesse dia,
das zero às 24 horas, 604 doentes recorreram à Urgência (incluindo a
maternidade)! Na Urgência do Bloco Central, durante o dia, foram
admitidos quase 50 doentes por hora! Um verdadeiro mar de gente, que
provocou atrasos inaceitáveis, logo para a realização da primeira
triagem, e muitas horas de espera para os doentes menos urgentes.
Não é possível responder com atenção, humanidade, acuidade e
qualidade a tantos doentes, com as mais variadas queixas, patologias
e necessidades. O espaço físico não comporta esta quantidade e os
recursos humanos e técnicos, sobretudo os primeiros, são claramente
insuficientes nas horas de maior sufoco.
Em dias de maior enchente não há condições para observar os doentes,
nem macas suficientes para os deitar! Interrogamos um doente e estão
vários a escutar a conversa! Observamos outro doente e somos
acompanhados pelo olhar atento de uns quantos! Queremos auscultar um
coração mas o ruído de fundo parece o de uma discoteca! Necessitamos
de medir a tensão arterial e temos de ir, em verdadeira gincana
entre cadeiras e macas, buscar um aparelho que, muitas vezes, existe
em número insuficiente! Palpamos abdómens com doentes sentados
porque não há um local apropriado para os deitar! Queremos
concentrar-nos nos problemas de um doente e está outro a clamar para
que o despachemos! É necessária uma glicemia capilar mas, no meio da
confusão, já ninguém sabe onde está a máquina! É importante
administrar um medicamento ou colher sangue para análises, mas os
enfermeiros estão todos sobreocupados! É preciso transportar um
doente à ecografia, mas não há auxiliares disponíveis! Chega um
doente grave e está outro a gritar por um urinol! Os telefones tocam
por informações (por vezes, sobre o mesmo doente, são inúmeros
telefonemas!) ao mesmo tempo que os doentes (os que falam) solicitam
assistência! Tão depressa um doente está em risco de aspirar um
vómito quanto é necessário acorrer a um doente desorientado à beira
de se atirar da maca abaixo! Os frascos de soro de 100 cc esgotaram,
pelo que é necessário desperdiçar mais tempo a preparar diluições
com frascos de 500 cc! Etc., etc., etc...

Carta ao director clínico
Em Agosto de 2006 escrevi ao director clínico dos HUC uma carta, da
qual transcrevo o seguinte excerto: "O dia 22 de Agosto foi um dia
de enorme afluência de doentes à Urgência dos HUC, o que implicou um
trabalho profundamente absorvente e desgastante. O mal desenhado
espaço da Urgência (para o tipo de urgência hospitalar que ocorre em
Portugal) mais parecia uma feira, com ruído, confusão, gritos,
ordens, maus cheiros, falta de privacidade, calor, chamamentos,
lamentos, doentes em terceira fila, stress, pessoal subdimensionado,
etc. Os exageros da triagem de Manchester e os conselhos do ministro
da Saúde para que os doentes recorram às urgências hospitalares
vieram piorar o frágil desequilíbrio anterior. Como dizia um colega
ortopedista, quando sentia a agitação no seu sector da Urgência como
demasiada vinha apreciar a babilónia da sala de Medicina, o que lhe
permitia regressar mais animado e reconfortado à Ortopedia".
É completamente impossível trabalhar com qualidade desta maneira.
Para bem dos doentes, como profissionais de saúde tentamos cumprir a
nossa obrigação o melhor que podemos e sabemos, mas, como um dos
porta-vozes dos médicos, não posso deixar de denunciar que, ao
sermos compelidos a trabalhar nestas condições, seguramente que não
podemos evitar alguns erros que, de forma alguma, podem vir a ser
imputados à responsabilidade médica.

Denunciar nas instâncias apropriadas
É no cumprimento do parecer do Conselho Nacional do Exercício
Técnico de Medicina, da Ordem dos Médicos, sobre Recursos Humanos no
Serviço de Urgência, que escrevo estas linhas. Efectivamente,
segundo esse parecer, «os médicos devem denunciar, nas instâncias
apropriadas, a falta de recursos técnicos e/ou humanos para o
exercício da sua actividade com dignidade e segurança para os seus
doentes, não poderão, no entanto, declinar responsabilidades do que
ocorrer durante este exercício de actividade, em nome das ditas
insuficiências. Porém, na Constituição da República, no ponto 2 do
art.º 271.º, afirma-se: "É excluída a responsabilidade do
funcionário ou agente que actue no cumprimento de ordens ou
instruções emanadas de legítimo superior hierárquico e em matéria de
serviço, se previamente delas tiver reclamado ou tiver exigido a sua
transmissão ou confirmação por escrito"».
Infelizmente, os problemas que aponto à urgência dos HUC, apenas
porque os vivo intensamente cada vez que estou de serviço, são
extensíveis a muitos outros hospitais, senão a todos eles. Durante o
mesmo período, 540 doentes recorreram ao Serviço de Urgência do
Hospital de Aveiro, um hospital com muito menos recursos e que está
a rebentar de problemas de gestão! No dia 1 de Janeiro a Urgência do
Santa Maria foi um caos total, conforme vem referenciado na
comunicação social. Não é possível continuar assim!

Declinar responsabilidades
Por tudo isto, em meu nome pessoal e em nome dos médicos, ao abrigo
do art.º 271.º da Constituição, venho reclamar das condições em que
somos obrigados a trabalhar e declinar quaisquer responsabilidades
pelos erros que possam ser cometidos em situações de sobrecarga de
doentes nos serviços de Urgência de qualquer instituição de saúde.
Quem fecha serviços de atendimento permanente nos centros de saúde
sem alternativas efectivas, quem pretende encerrar serviços de
Urgência sem uma reforma profunda do sistema de Saúde, quem
desorganiza serviços de Urgência com a contratação de empresas de
mão-de-obra médica desligada da respectiva instituição, quem não
cuida de criar mecanismos de assistência aos idosos que dispensem o
recurso sistemático à Urgência hospitalar, quem não investe a sério
em verdadeiros cuidados paliativos, quem se preocupa mais com o
orçamento do que com os doentes, quem não tem conhecimento
suficiente para introduzir reformais racionais e não racionamento
cego, quem não dimensiona os recursos técnicos e humanos de forma
dinâmica em função das necessidades, quem não resolve os
constrangimentos ao fluxo de doentes, quem concede populares
tolerâncias de ponto sem cuidar de mecanismos de compensação e
rotatividade (só para as greves é necessário assegurar serviços
mínimos?), etc., etc., etc., quem governa deficientemente que assuma
integralmente as suas responsabilidades!
Basta! Não é justo nem aceitável que os médicos possam ser
responsabilizados pelas inevitáveis consequências negativas e
desnecessários riscos e prejuízos para os doentes que decorrem dos
cortes irracionais e dos erros e insuficiências de gestão e
organização dos responsáveis governamentais e seus representantes, e
da falta de condições adequadas para a prática de uma Medicina
humanizada e eficiente. É profundamente lamentável estar a perder-se
mais uma oportunidade para uma verdadeira, global e coerente reforma
do Serviço Nacional de Saúde.

*Presidente do Conselho Regional do Centro da Ordem dos Médicos
Subtítulos e destaques da responsabilidade da Redacção

8 de Janeiro de 2007 o2/n1545/t1/G.L

sábado, janeiro 06, 2007

Um Comentário Sobre A Medicina Privada

Medico Explica disse...

Quando se fala de medicina privada, está-se a falar de muita coisa.

● da banca e seguros e dos seus hospitais que estão sempre de vento em popa,

● de nichos de privada como é a fisioterapia (que vive de convenções e de prolongamentos escandalosos de tratamentos... é um caso para a ex-IGS),

● da estomatologia e da oftalmologia em que o Estado se demitiu completamente,

● da pediatria (outro escândalo, pois os pediatras que "sugam" contos e contos só para dizerem "o seu filho está muito bem!" e quando estão de facto doentes têm sempre o telemóvel desligado, entupindo os saps, os médicos de família e as urgências hospitalares),

● dos Profs. e outros, que delegam a consulta nos seus "ajudantes", mas a receitinha leva sempre o seu nome e

● de outros ainda que se valem do lobie na comunicação social (o jet-set da medicina como be disse CF)

e também da pequena privada, pequenos e médios consultórios das cidades, vilas e aldeias com forte tendência para desaparecer.... como o estão a ser o único local onde os doentes do interior podiam ter consultas públicas fora de horas: os SAPS.

Mas o senhor Ministro CC dos SAPS, só conhece o da sua rua, na capital... POR ISSO NÃO O FREQUENTA E DIRIGE-SE LOGO À URGÊNCIA HOSPITALAR, NA CAPITAL, POIS CLARO...

12:24 PM

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Hoje Fui Roubado!

Fiz o pagamento à Entidade Reguladora da Saúde.

Fui equiparado aos Mellos, aos Esprito Santos e por aí.