sábado, agosto 28, 2004

Aos Senhores Jornalistas, Vendo

  1. Uma história sobre uma caspa (micose pelo Pytirosporum ovale ou Malassezia furfur) em jovem loira (boazona) de 25 anos. Liberal na relação com jornalistas.
  2. Uma história de manchas na pele (pitiríase versicolor) em jovem, 23 anos, bom corpo, boa figura. Tem uma história de 6 meses, com muitas consultas. Numa foi violado por um médico homossexual.
  3. Várias histórias de pé de atleta (tinea pedis) em vários atletas olímpicos. Uma das histórias, com preço a combinar, é a do contágio entre uma atleta e um médico particular, com a transformação da micose dos dedos dos pés em candidíase oral. A atleta está disposta a denunciar os vários chupões que o médico lhe fez no dedo grande do pé, enquanto a examinava.
  4. Uma história de um hidrocelo numa mulher (hidrocelo de Nuck) jovem, lésbica, morena. Tem como condição tirar uma foto em biquini com a sua companheira.
  5. Uma história de uma unha encravada (onicocriptose) infectada. Só para televisões. Boa imagem de uma unha fedorenta e podre devido às infeções e negligência médica. Oferece-se o almoço na residência do doente.
  6. Dezenas de histórias com várias vítimas de hemorróidas (prolapsos das veias que constituem o complexo hemorroidário). São possíveis várias combinações: vítimas masculinas, femininas, de várias idades, homo, bi ou heterossexuais, hemorróidas isoladas ou acompanhadas com prurido anal, fissura anal, cirurgia em directo do ânus, com ou sem rectorragias, hemorroidas trombosadas ou simplesmente mariscas anais. Também se vendem aos pacotes.
  7. Abcesso peri-anal. Possibilidade de transmissão em directo de um banco de um hospital público a uma drenagem. Os preços variam consoante os intervenientes. Desde chefe de serviço (mais barato) até a uma drenagem ilegítima feita por uma auxiliar disfarçada de médico (mais cara).
  8. Também vendo perguntas para consultórios on-line ou publicações impressas, do género: "Há vários anos que sofro de hemorróidas. Tenho 56 anos e tenho algum receio da operação. ...". Várias combinações. Para a Lux faz-se um preço especial.
  9. Várias histórias de flatulência (formação excessiva de gases digestivos, cerca de 17 ml/h, emitidos pelo ânus, o que origina entre 400 a 1400 ml/dia) com exclusividade sonora para as rádios com bufas, flatos (do latim: flatu), ventosidades ou peidos em directo. Grande exclusivo de um peido em directo na cara do médico e seu internamento por dificuldades respiratórias.

Abatamos Os Heróis! Elegia Às Vítimas!

"Se as vítimas provocam tanta emoção é porque a sociedade está ansiosa por encontrar vítimas."


Só assim se comprende que uma simples úlcera da córnea já dê direito a reportagem nos jornais com foto de corpo inteiro.

Condições: ser jovem, feminina, dizer mal dos médicos, dizer mal do Serviço Nacional de Saúde, fazer a elegia de uma clínica privada. Mesmo que se digam as maiores enormidades, quer a utente, quer o senhor jornalista.


Ou que um doente hipertenso e diabético(quantos milhares haverá neste país!) tenha honras de uma reportagem televisiva no prime time

(Oh Meu Deus! Protejei-me dos media!")


e onde se afirma que o Estado, bla bla bla bla bla.

Se a reportegem procurasse elucidar os 75% de hipertensos e diabéticos que não se tratam ou que desconhecem a sua doença, que vivem permanentemente no fio da navalha, apoiaria...

Mas também houve bom Fio do Horizonte, em 27 de Agosto, no Público.

Reproduzo algumas passagens da crónica do Eduardo Prado Coelho.

"O acontecimento teve uma enor­me repercussão. Uma mulher jovem, judia, transportando no metro parisiense o seu bebé, é vítima de um atentado, mais concretamente de ­uma violação colectiva, por um grupo de negros e muçulmanos, perante a indiferença de outros passageiros que se encontravam no outro extremo da carruagem. Tendo tido a coragem de denunciar este crime anti-semita, a mulher, que os “media” designaram como Marie L, foi considerada um caso exemplar da violência racista crescente em França. O próprio presidente Chirac se emocionou e defendeu que se criassem medidas para evitar esta vaga inquietante. Pouco tempo depois veio a descobrir-se que todo o de­poimento era completamente falso. Marie L. inventara tudo."

.../...

"Mas ela apostou sobretudo na repercussão mediática do que ia ficcionalmente cons­truindo: ela tornou-se verdadeiramente heroína da sociedade"

.../...

"Por outras palavras, vivemos numa situação em que as vítimas se transformam em heróis mediáticos. Se isto sucede, é porque não é hoje fácil ser herói. A forma de ser herói tem a ver com o crescimento do individualismo, que deixa o indivíduo entregue à sua própria solidão. Como declara Lucien Karpik, o próprio processo judicial se alterou. Anteriormen­te, julgava-se em nome do interesse geral. "Agora passou-se a um processo organi­zado como uma espécie de terapêutica da vítima. Com a ideia implícita de que esta é a única maneira de apagar o trauma. Hoje tudo está preparado para que a vítima se transforme no centro do processo. Assiste-se assim a um privatização da justiça que, sem que haja debate, se põe ao serviço de uma causa privada."
"Se o leitor vir com atenção um telejornal, verifica que se trata de encontrar vítimas da sociedade e que essas vítimas pretendem designar um nome que represente o rosto da culpa."

.../...

"Quando podemos dizer que a culpa é de X ou de Y, podemos dormir descansados. A sociedade contemporânea ama a compaixão. E as vítimas encontram no processo que as vitimiza o momento de glória que procuram ao longo de uma vida sem grandeza".

sexta-feira, agosto 27, 2004

segunda-feira, agosto 23, 2004

Esclarecendo Uma Dúvida...

A Púrpura secreta solicita um esclarecimento sobre as diferenças que possam existir entre médico de clínica geral e internista.

Esclarecimento oportuno, pois os dislates que os nossos queridos jornalistas "pespegam" nos jornais, com o beneplácito das redacções, é exasperante...

Ainda muito recentemente a jornalista Fernanda Câncio do Diário de Notícias, nos seus artigos sobre a hepatite C, acompanhada por alguns médicos pertencentes um novo lobie, "o lobie da hepatite C", confunde as terminologias entre médico de clínica geral, médico assistente e médico de família.

(Entre parêntesis: o que faz correr assim de repente tanta gente atrás da hepatite C? Será mesmo filantropismo? Será jornalismo de investigação? Serão notícias "encomendadas" por laboratórios? Serão os jornalistas ingénuos? E que laboratórios? Os de análises clínicas, que querem mais análises convencionadas? E mais generalizadas? Massificadas? Mesmo sem necessidade! Ou os laboratórios de medicamentos? De medicamentos de uso hospitalar? Do interferon? Tudo muito confuso.....)
  • licenciado em Medicina: todo o estudante que concluiu o curso de Medicina, sem qualquer período formativo pós- graduado e que não pode exercer Medicina.
  • médico indiferenciado: todo o médico licenciado em Medicina, com um período formativo de pós- graduado que lhe permite exercer Medicina não tutelada.
  • médico especialista: médico de qualquer Disciplina que fez um período de formação pós-graduada.
  • médico de clínica geral: médico que exerce clínica geral. Qualquer médico pode exercer clínica geral, desde médicos indiferenciados a médicos especialistas. Desde recém-licenciados a médicos reformados. É frequente médicos de especialidades não clínicas, exercerem clínica geral para ganharem mais uns cobres: virologistas, anátomo-patologistas, bacteriologistas, radiologistas, patologistas clínicos, médicos legistas, etc. Em geral fazem má clínica geral, exceptuando aqueles que a fazem de modo continuado e já há muito tempo, pois a clínica geral é uma actividade essencialmente prática e de ambulatório, em oposição à medicina hospitalar.
  • médico assistente: qualquer médico que assiste um determinado paciente, uma única vez ou por períodos prolongados, quer a nível ambulatório, quer a nível hospitalar.
  • médico de família: médico especialista com um período de formação específica em medicina familiar, cujas principais características serão, exercer a sua actividade no ambulatório, extra-hospitalar, isto é, na comunidade, próximo do paciente, utilizar nas suas consultas uma abordagem bio-psico-social da pessoa doente e seguir continuadamente famílias agrupadas em listas e cada elemento em particular, desde o nascimento até à morte. Previne, trata, referencia, reabilita, acompanha até ao fim da vida.
  • médico internista: médico especialista com um período de formação específica em medicina interna, cujas principais características serão, exercer a sua actividade intra-hospitalar, utilizando uma abordagem clínica por sistemas, aparelhos e órgãos e cuja actividade se distribui fundamentalmente pelos aparelhos cardiovascular, pulmonar, endócrino, digestivo, pelas doenças do tecido conjuntivo, infecciosas e todas as suas interrelações.

domingo, agosto 22, 2004

Os Mitos

A revista Lux é conhecida pelos mitos que fabrica e que vai alimentando de acordo com as conveniências do mercado social.

Mas numa crónica sobre saúde (cefaleias em crianças) alguns outros mitos são denunciados.

Pode ler-se:

O balanço entre a investigação excessiva, cara e até nociva, e a atitude demasiado despreocupada que pode atrasar o diagnóstico de doença grave não é fácil de estabelecer.”

Além do mais, o problema das dores de cabeça em crianças encontra-se rodeado de mitos.

O mito "mais comum é o de que problemas de visão são causa frequente de cefaleias. É falso. Excepcionalmente, crianças com estrabismo discreto poderão, ao fim de algumas horas de leitura, queixar­-se de dor ocular, mas na sua enorme maio­ria, na quase totalidade das crianças com dores de cabeça, essa não é a explicação.”

"Outro mito envolve a inflamação dos seios perinasais. É verdade, a sinusite não é, de todo, causa frequente de dores de cabeça!
Quando tal acontece, a dor é muito localizada e há sinais de infecção."

"Quantas crianças com cefaleias crónicas passam primeiro pelo oftalmologista, e depois pelo "otorrino", antes de irem ao neurologista."

"Também é frequente observar crianças com cefaleias que fizeram um electroencefalograma, vulgo EEG. É quase o mesmo que pedir um exa­me ao coração a quem se queixa de dores de ouvidos.
"O que fazer então?"
"Em primeiro lugar, tem de se estabelecer o diagnóstico, o que é feito quase sempre pela "história", isto é, pela informação detalhada fornecida pela criança e pela família. A recolha cuidadosa desses dados vale muito mais do que o exame físico, análises e radiografias.

"Felizmente, a maioria das crianças com cefaleias crónicas sofre de enxaqueca, que pode surgir em qualquer idade, até em bebés de colo. A dificuldade em encarar a luz, a sensação de náusea, e outros familiares com as mesmas queixas, são marcas desta "doença, incómoda mas benigna."

"Quais são então os sinais de alarme?

  • Temos especial atenção para as que despertam a criança do sono ,
  • são particularmente intensas ao acordar,
  • aliviadas pelo vómito,
  • que se localizam à nuca
  • ou que são sempre no mesmo lado.
  • se as queixas aumentam progressivamente de intensidade ou frequência."

"Isto só se consegue se o médico tiver disponibilidade e tempo para ouvir com atenção, não só a queixa que motiva a consulta, mas também todos os factores sociais, familiares e emocionais que rodeiam a criança."


sábado, agosto 21, 2004

Um Comentário Posto A Uma Posta Da "Mãe Adolescente"

"Fico satisfeito pela mãe adolescente seguir os "bons conselhos", sempre subjectivos, é verdade, dados desinteressadamente. Mas se a "mãe adolescente" é mesmo real, e eu inclino-me para acreditar que sim, tem qualidades que não podem ser desaproveitadas, e não só na escrita, mas também na personalidade, na capacidade de iniciativa, na solidariedade, na avaliação da sociedade que a rodeia.
Médico Explica"

E acrescento agora:
qualidades presentemente tão raras, não só na adolescência, mas também, na idade adulta.

Em geral, na sociedade em que vivemos.

quinta-feira, agosto 19, 2004

Arritmologia de Intervenção

Sabe o que é?

É uma sub-especialidade.

Sabe de que especialidade?

Eu, Chávez E Os Dentes.

Hoje, quinta-feira, fui ao dentista.

Confesso que ... com medo.
O velho fantasma imaginário das brocas, das agulhas e das fortes e intensas dores.

Paguei.
E vim com um orçamento para uma futura transformação das faltas em implantes dentários.

Cada implante rondará os 200 contos. Como preciso de vários, o melhor é pedir um empréstimo bancário para que a resolução do meu problema dentário não desiquilibre o orçamento doméstico e o profissional.

E isto porque os implantes presentemente serão a melhor alternativa para a minha boca e a de milhões de portugueses. Mas eu terei crédito no banco, os outros talvez não...

E lembrei-me do Chávez. Aquele populista que inverteu as expectativas e ganhou o referendo.
Falou-se das suas políticas sociais.

Enquanto guardava o orçamento lembrei-me de alguns programas sociais que li:

- um médico em cada bairro.
- tratar os dentes a todos os venezuelanos.
- fornecer um par de óculos a quem necessitasse.

Não digo mais nada....

quarta-feira, agosto 18, 2004

"Esteja por isso o povo tranquilo, eles, em geral, até sabem o que fazem".

From: Alfredo
To: medicoexplicamedicina@iol.pt
Sent: Wednesday, August 18, 2004 2:00 AM
Subject: A propósito das sub-especialidades


O engano supremo, para o qual este blog, mais uma vez, alerta os leigos.

Médico explica Medicina a intelectuais .../... é serviço público, à falta de outra alternativa a quem quer saber um pouco mais sobre o estranho mundo da Medicina em Portugal.

Sobre as sub-especialidades, uma mensagem, para quem quiser ser bem tratado e não se arriscar a por em causa a sua própria saúde, paradoxalmente, ao mesmo tempo que julga estar a ser muito consciencioso: nada sabem sobre qual a sub-especialidade que precisam. Nunca. Ou só por mero acaso acertam.

A triagem, e a referenciação, deve estar sempre a cargo de uma especialidade generalista: Medicina Interna, Medicina Geral e Familiar, Pediatria ou Cirurgia Geral.

A propósito disso posso referir um filme interessante: a 3ª parte do "Querido Diário" de Nanni Moretti, na qual ele conta um caso pessoal de doença. Teve comichão e, conclusão básica de leigo: "devo ir ao Dermatologista", pensava ele. Pois se a comichão é na pele e o "especialista da pele" é o Dermatologista. Nada mais errado, como ele veio a concluir da pior maneira: muito dinheiro gasto em muitos "especialistas da pele" de renome; muito sofrimento e transtorno pela persistência e agravamento dos sintomas; muita frustração pela não resolução do problema. Afinal tinha um cancro do sistema linfático (linfoma de Hodgkin), que ainda foi a tempo de ser curado.

Conclusão do autor: os médicos não percebem nada de doenças e só prescrevem porcarias múltiplas que não ajudam a melhoras. Ou seja, ainda não se deu conta da patetice da sua atitude.

Conclusão real de quem sabe/mensagem ao público: o "especialista", ou sub-especialista (porque especialistas são todos), geralmente pouco ou nada percebe fora da sua sub-especialidade. Por isso é bom que, quando a ele se dirigem, tenham a certeza que a doença diz respeito à sub-especialidade em causa. Sob pena de perderem tempo, dinheiro, e continuarem doentes.

E quem sabe são os médicos das especialidades generalistas, que estudaram para isso mesmo:

- Medicina geral e familiar: 6 anos de curso + 2 anos de internato geral + 3 anos de especialização;

- Medicina interna: 6 anos de curso + 2 anos de internato geral + 5 anos de especialização;

- Pediatria: 6 anos de curso + 2 anos de internato geral + 5 anos de especialização;

- Cirurgia geral: 6 anos de curso + 2 anos de internato geral + 6 anos de especialização.

Esteja por isso o povo tranquilo, eles, em geral, até sabem o que fazem
.

terça-feira, agosto 17, 2004

"A mãe da arte de Hipócrates"

O bisturi diz que:

"Relativamente ao tema do internato médico, lamento que o antigo e o recém aprovado [Decreto-lei] consagrem tão pouco tempo à medicina geral e familiar, a mãe da arte de Hipócrates, ou porventura pretenderão formar especialistas em fractura craniana por queda, sem conhecimento, ao menos rudimentar, do diagnóstico diferencial de síncope?"

Concordo. A Medicina como ciência tem centenas de anos e sempre foi generalista. Apenas em meados do século XX começou a verdadeira especialização e este século será o século das sub-especialidades ou super-especialidades.

Quanto mais super especializada for a Medicina, maior importância terão as especialidades generalistas: medicina geral e familiar, medicina interna e pediatria.

"O Escândalo da Casa Pia!" - Benefício da Dúvida

O Escândalo da Casa Pia! é um novo blogue. Esperemos que não seja um novo escândalo!

Dou o benefício da dúvida razoável.

é um "Blog dirigido por antigos alunos da Casa Pia e destinado a esclarecer quanto aos verdadeiros escândalos dessa instituição durante os anos que lá passámos. Mais do que a mitificação da instituição como "instituição de bem" e para o bem público, registaremos e analisaremos aqui os seus contornos mais sinistros para que fique claro o que pensamos sobre a dita."

"Sex, sun, sea, and STIs: sexually transmitted infections acquired on holiday"

Serviço Público: usem preservativo!

"Sex, sun, sea, and STIs: sexually transmitted infections acquired on holiday"

"The Dane in Spain was mainly on the Dane." These words were spoken by the late Dr Robbie Morton, drawing on three decades’ experience in venereology, about the sexual behaviour of holidaymakers and their risk of acquiring sexually transmitted infections (STIs) while abroad. Despite Morton’s years of clinical expertise his opinion would not survive the rigours of evidence based guidelines and at best would be graded as level 4, if at all. So is his assumption that sexual encounters while on holiday tend to be between people of the same nationality correct? What are the implications of international mixing on the risk of acquiring sexually transmitted infections? How should we manage people at risk before and after their holiday?

BMJ 2004;329:214–7 (British Medical Journal)

domingo, agosto 15, 2004

Frases Esparsas, Sentidas Com Interrogações

" .../...
Isto tudo para sugerir um post sobre este assunto [internatos médicos], não só para satisfazer a minha curiosidade como também para divulgar a questão a todos os que acompanham o seu blog.
A minha pouca experiência clínica "pede" por mais uns anos de formação geral que o actual sistema de ensino (nomeadamente o ainda pouco profissionalizante 6º ano) não oferece, mas à minha pressa de ser médico agrada-lhe os dois anos a menos de estudo.

E no centro deste dilema está a minha principal dúvida: Será que um médico especialista tem de ser conhecedor de áreas da medicina que provavelmente não lhe serão úteis no seu dia-a-dia, gastando tempo e neurónios em assuntos que lhe são apresentados na sua forma mais básica e abreviada, muitas vezes nem chegando a servir de experiência clínica útil? Ou esta é uma ideia completamente (ou relativamente) errada
?

(E. B. C.)

Frases Esparsas, Sentidas Com Lazer

".../...
(...) em relação às noites dos estudantes de Medicina, infelizmente, devido às rivalidades entreprofessores da Faculdade que querem que a sua disciplina seja a mais "respeitada", temos a vida bem "lixada" e pouco tempo para noites...
No entanto, há sempre festas da Faculdade e nessas também se vai directo para a Faculdade. E há sempre o Bairro Alto, quando não se podem perder muitas horas de sono. E agora, pelo menos em Santa Maria, há as Olimpíadas da Medicina, que é o "must" da diversão... E depois os ENEMs, os EMELs, etc..."

(L.)

"(...) A foto com a carioca "pintada de branco" não é protector solar - "apenas" àgua oxigenada cremosa misturada com descolorante, para lhes pôr os pelos loiros, mania de qualquer mulher brasileira...rs"

(M.S.)

Frases Esparsas, Sentidas Com Denúncia

" .../...
(...) em relação a Sousa Franco, diz o que toda a gente pensou mas ninguém teve coragem de dizer: que a arruaça e a falta de civilização daquela gente podem ter influído na morte de Sousa Franco. Involuntariamente, mas influíram."

(M.)

".../...
(...) Hoje em dia, infelizmente e por causa dessa promiscuidade, não podemos pretender que o comum mortal acredite que somos sérios. Pois não o parecemos.
Mas basta ver o exemplo execrável que vem de cima numa manchete de hoje...."

(A. V.)

Frases Esparsas, Sentidas Com Elogios

".../...
Em toda esta cadeia trágica, a única competência [do apoio psicológico] pertence aos bombeiros durantes os desencarceramentos."

(G.)

"Com ele [o blogue] , abre uma brecha no muro feito de tantos silêncios e ruídos de relação e comunicação que, na maioria dos casos, separa os médicos dos seus pacientes. (...)"

(F.)

Frases Esparsas, Sentidas Com Paixão

"Olá, cai em seu blog hoje, e confesso que estou confusa....vc é do Brasil???
preciso de uma ajuda...kkk
estou apaixonada por um médico...:' .... ele é recem formado .... será que tenho chances, ou agora ele tem outras coisas pra pensar... kkkk acho que na verdade o melhor profissional pra me ajudar seria um psicologo né? só sei disser que estou neurótica pelo médico.... não sei se pelo rapaz ... entende?
me mande seu msn caso tenha... adoria bater papo contigo.
"

(R.)

Frases Esparsas, Sentidas Com Crítica

" .(...) Quanto ao seu post, lamento alguns detalhes: aceitar ir a uma viagem, ainda que à tal fábrica de genéricos. Referir aceitar receitar umas caixitas a bem do DIM. Não é bonito e discordo. Mas tem o condão de mostrar como essas coisas se passam. São as viagens da treta aos congressos/apresentações da treta; são os passeios de burro pela serra; são as aulas de condução de risco; são os jantarinhos e almocinhos; são as coisas ainda mais graves, os casos de polícia. A minha filosofia na matéria é: um laboratório não financia nada sem a perspectiva de ter retorno; o médico deve-se cingir, na prescição, ao bem exclusivo do seu paciente (...).

" (...) Claro que é chato não ir a esses restaurantes com preços impossíveis, não fazer essas viagens, etc.... (...)

(A. V.)

" .../...
Mas continuo a achar que há muito para fazer e para pensar quanto à comunicação directa dos médicos e das várias instâncias e instituições a que estão ligados ou os representam e os utentes-pacientes."

(F. M.)

" .../...
Em todos os momentos do já longo, e complexo, historial clínico do familiar a que me refiro, os passos seguintes foram sempre bem explicados, pormenorizadamente em alguns casos. Até que, chegados à fase dos cuidados paliativos, o silêncio se instalou de repente.
Enquanto familiar, não quero contactar os médicos fora da presença do doente (...)"

(F. M.)

"Uma questão:
"Quantas vítimas serão "necessárias" num acidente para poderem receber apoio?
E as familias?"

(I.)

".../...
(...) Compreendo que o tenha dirigido [o blogue] sobretudo aos jornalistas, mediadores dessa relação [médico-doente] e, em muitos casos, geradores de ainda mais ruído."

(F.)

Frases Esparsas, Sentidas Com Dor

".../...
Foi no IPO-Porto e na altura, eu via-a com falta de ar e a revirar os olhos e perguntei ao médico o que estava a acontecer, (é evidente que eu sabia que ela estava a morrer, mas queria saber o que se estava a passar) o médico respondeu com um certo ar de desprezo e falta de paciência :
- as pessoas morrem assim!
Eu dei a mão à minha mãe o tempo todo , cerca de meia hora de estertor, e fiquei com aquela dúvida, que se calhar só vou ver respondida quando chegar a minha vez..."


(M.)


(Sobre um caso familiar.)
".../...
De que forma um doente oncológico seguido num hospital público é acompanhado depois de se terem esgotado todas as hipóteses de intervenção cirúrgica e de se ter entrado já no último ciclo de quimioterapia paliativa?
Que papel têm os médicos oncologistas a partir desse momento?
É a unidade da dor (existente no hospital em questão) que passa a acompanhar o doente com maior proximidade?
E quando se agrava o quadro clínico, o doente é internado?
É nesse momento que o definem como doente terminal?
O que pode ele esperar de acompanhamento por parte do hospital enquanto doente terminal?"

"Sei que as minhas dúvidas provêem da enorme dificuldade de os médicos e os pacientes envolvidos em situações como esta enfrentarem e partilharem a aproximação da morte."

"(...) E vejo o tempo a passar, tempo precioso para que o doente se prepare, como melhor entender - mesmo que, já esclarecido, preparar-se, para ele, seja não se preparar! - e na posse de todos os dados, para o que se segue."

(F.)

".../...
O apoio psicológico às vítimas é completamente inexistente.
Recordo obsessivamente os dois sacos verdes de plástico com a roupa dos meus pais e as alianças deles embrulhadas em algodão e os anéis da minha mãe completamente desfeitos.
As instituições deviam ter particular atenção a estes traumas irreversíveis.

Em Inglaterra e em França já existem estas equipas."

(A.)