domingo, agosto 15, 2004

Frases Esparsas, Sentidas Com Dor

".../...
Foi no IPO-Porto e na altura, eu via-a com falta de ar e a revirar os olhos e perguntei ao médico o que estava a acontecer, (é evidente que eu sabia que ela estava a morrer, mas queria saber o que se estava a passar) o médico respondeu com um certo ar de desprezo e falta de paciência :
- as pessoas morrem assim!
Eu dei a mão à minha mãe o tempo todo , cerca de meia hora de estertor, e fiquei com aquela dúvida, que se calhar só vou ver respondida quando chegar a minha vez..."


(M.)


(Sobre um caso familiar.)
".../...
De que forma um doente oncológico seguido num hospital público é acompanhado depois de se terem esgotado todas as hipóteses de intervenção cirúrgica e de se ter entrado já no último ciclo de quimioterapia paliativa?
Que papel têm os médicos oncologistas a partir desse momento?
É a unidade da dor (existente no hospital em questão) que passa a acompanhar o doente com maior proximidade?
E quando se agrava o quadro clínico, o doente é internado?
É nesse momento que o definem como doente terminal?
O que pode ele esperar de acompanhamento por parte do hospital enquanto doente terminal?"

"Sei que as minhas dúvidas provêem da enorme dificuldade de os médicos e os pacientes envolvidos em situações como esta enfrentarem e partilharem a aproximação da morte."

"(...) E vejo o tempo a passar, tempo precioso para que o doente se prepare, como melhor entender - mesmo que, já esclarecido, preparar-se, para ele, seja não se preparar! - e na posse de todos os dados, para o que se segue."

(F.)

".../...
O apoio psicológico às vítimas é completamente inexistente.
Recordo obsessivamente os dois sacos verdes de plástico com a roupa dos meus pais e as alianças deles embrulhadas em algodão e os anéis da minha mãe completamente desfeitos.
As instituições deviam ter particular atenção a estes traumas irreversíveis.

Em Inglaterra e em França já existem estas equipas."

(A.)