sábado, dezembro 27, 2008

CHEGA DE HIPOCRISIA !!!

Saúde
Número de utentes nas urgências é 30 por cento superior ao normal devido a epidemia de gripe

27.12.2008 - 13h12 Lusa


As urgências hospitalares atenderam, em média, na última semana, cerca de 13 mil pessoas por dia, mais 30 por cento do que é habitual nesta época, segundo dados da Direcção-Geral de Saúde (DGS).

Em declarações à Lusa, o coordenador do dispositivo da DGS que monitoriza a afluência às urgências explicou que este aumento se deve, sobretudo, a uma epidemia de gripe, que deverá prolongar-se, pelo menos, durante os próximos 15 dias. "A média [de afluência às urgências] da última semana está acima das 13 mil pessoas por dia, quando o valor esperado para esta época varia entre as oito e as 10 mil", afirmou Mário Carreira.



Só na passada segunda-feira, por exemplo, 15 mil portugueses foram às urgências hospitalares de todo o país, o que representa um aumento de 50 por cento em relação à média normal de atendimento. "Estamos perante uma epidemia de gripe que está a causar esta elevada afluência aos hospitais. É provável que se mantenha ao longo das próximas duas semanas, até porque só na semana que vem é que deverá ser atingido o pico da epidemia", adiantou o responsável.



A DGS não dispõe ainda de dados relativos à afluência às urgências registada ontem, um dia que foi particularmente crítico em muitas unidades hospitalares, como o Amadora-Sintra, que chegou a ter um tempo de espera de cerca de 12 horas, mesmo para casos classificados como urgentes e muito urgentes.

No Hospital de Santa Maria (HSM), em Lisboa, o tempo de espera não foi tão grande, mas registou-se igualmente um "aumento do número de utentes atendidos", situação que "foi acalmando ao longo da noite e que se encontrava normalizada esta manhã", segundo o director clínico, João Correia da Cunha. Segundo Mário Carreira, a elevada afluência não se verificou apenas na região da Grande Lisboa, mas "um pouco por todo o país".



No Grande Porto, por exemplo, o Hospital Pedro Hispano, de Matosinhos, tem estado a registar grande afluência de utentes devido à gripe, o que provocou atrasos de sete a oito horas no atendimento.

Já no São João e no Santo António, os dois hospitais centrais da região, o número de utentes atendidos sexta-feira foi considerado normal.



No Algarve registou-se também um pico de afluência, apesar de esta não ter ultrapassado os parâmetros normais para a época, segundo disse à fonte do Hospital Central de Faro.



É isso mesmo! Hipocrisia!



Porquê esta crise na Grande Lisboa?

Lembrem-se agora do golpe de rins que os muchachos de Correia de Campos (e nomeadamente o seu mentor, o seráfico mentor e ex-presidente da ARSLVT, de nome António Branco , e que as más línguas dizem ser o iluminado conselheiro) tiveram que dar face ao entupimento dos SU hospitalares depois do fecho de SAPs e similares, reabrindo serviços dos CS da Grande Lisboa!!!



Porque é que no Grande Porto isso não aconteceu o ano passado e igualmente este ano segundo relatos que nos chegam dos médicos da região?

Porque não me acredito que a taxa de vacinação antigripal fosse exorbitante assim como tenho dificuldade em acreditar que o pessoal do Nuorte e do Puorto seja assim tão rijo, vou mais para um publico reconhecimento do bom senso do conselho directivo da ARS Norte, que manteve a funcionar os cinco SASUs da região e ainda deu continuidade ao prolongamento de horario de uma ou outra USF !



Tem custos, pois tem...mas isto é o SNS!



7 comentários:

Anónimo disse...

Já soube para que servia o SNS!
Neste momento tal é a confusão que já não sei! E principalmente das Urgências.
Nem mesmo sei se os lamentos dos Hospitais têm razão, parece-me infelizmente que não!
Vão tendo cada vez mais recursos e cada vez demoram mais a ver os doentes, parece-me que deveria ser ao contrário.
Em contrapartida um Médico de Família com uma lista de mais ou menos 1500 utentes tem de gerir na pior das hipoteses um "hospital com 1500" camas. Será este um desafio a ser tomado pelos colegas hospitalares?

Mário de Sá Peliteiro disse...

Talvez isto ajude a explicar a "epidemia".

Anónimo disse...

Engraçado, que numa das tiragens do JN, que falava acerca das Unidade Locais de Saúde (a sua organização), já sequeixam que a aflu~encia ou recurso a esse serviço tem vindo a aumentar. Ora, o que se passa é que com o fecho dos referidos SAp`s, claro está que as pessoas recorrem às urgências, até porque o que se faz nas iluminadas consultas complementares, não é o que se fazia nos referidos SAP`s. Não me parece que o Presidente do Conselho da Administração de saúde do Norte, na pessoa do Dr Maciel, seja um iluminado, até porque o pior está para vir, ainda faltam fechar SAp`s, e cá estaremos para ver o que vão acontecer aos serviços de urgências hospitalares. Aceita-se mais facilmente uma falsa urgência num SAP, do que numa urgência. Até que é para isso que devem de existir esses serviços 24 horas nos cuidados primários, no meu entender, ou seja: Acessibilidade fácil, aconselhamento em tempo útil, tratamento de casos agudos, como dores, etc. A maior parte da população é ignorante em problemas de saúde, logo o facto de desconhecerem o que é detrminada situação em si ou num familiar provoca stress, ansiedade e mau estar, logo justifica-se que haja um atendimento na área da saúde 24 horas por profissionais dos cuidados primários. >Como outras profissões: Bombeiros, policias ets, em termos económicos tb não se justifica o seu funcionamento 24 horas, mas se assim não fosse a população sentia-se insegura....E por que não na saúde??

Anónimo disse...

Oh, MEMI, é no mínimo deselegante falar em "pessoal do Nuorte".
Há muita gente no Norte que não fala assim. Os Transmontanos, por exemplo. E, claro, muitos Minhotos. De qualquer forma é sempre deselegante querer achincalhar as pessoas por terem um sotaque regional ou por usarem na sua linguagem regionalismos (que muitas vezes, estão muito mais correctos que os estrangeirismos usados na capital).
Um abraço.
Um médico das Beiras.

Medico Explica disse...

Tem razão, mas a intenção não era depreciativa.

Mas o colega sabe onde é feito este blog com três autores?

Anónimo disse...

Não, não sei, cheguei aqui há pouco tempo. E, a verdade é que até vou gostando de cá vir. Mas, mesmo que seja feito no Porto, isso não justifica, a meu ver, que se façam, num blog que é sério, considerações menos próprias.
Se é certo que o humor é, antes de tudo a capacidade de rirmos de nós próprios, e se são do Porto, podem rir-se de falar assim, lembrem-se que muitos por aí se sentirão das vossas palavras.
Mais um abraço deste médico das Beiras.
E, provavelmente, até breve, já que irei andando por aqui (enquanto Vocês também andarem).

Anónimo disse...

Para o primeiro anónimo: o problema é que os hospitais têm mais recursos mas isso traduz-se por mais máquinas, exames, etc e não por mais médicos. Quando comecei a trabalhar há 7 anos havia em cada serviço de urgencia o dobro dos médicos que há agora... só no HSJõao antes da restruturação do SU cada equipa de urgencia tinha mais de 50 medicos de diferentes especialidades contando com internos... depois criaram as equipas de urgencistas com meia dúzia de gatos pingados e espera-se que eles façam o trabalho todo que antes era feito por 50 pessoas!! Passaram logo os tempos de espera para 10 horas! É como na loja do cidadão... tb concentraram tudo num sítio e colocaram lá tantos funcionarios como havia em cada secção regional! Claro que agora tb se espera 1 dia inteiro para levantar o BI... é sempre o mesmo problema, falta de gestão de recursos...

e qdo há mais recursos isso não significa que seja melhor, porque não há doente com gripe que não saia de um SU sem o seu Rx e análises, duplicando e triplicando o tempo de espera para ter alta, já para nao falar nos custos.

E qto a uma lista de 1500 utentes ser igual a um internamento de 1500 camas... é daquelas comparações impossíveis e que dão vontade de rir!... numa lista de 1500 utentes metade nem recorrem a consulta e outra metade é vista 2 ou 3 vezes por ano, enquanto que os doentes do hospital têm de ser vistos todos os dias e alguns mais de 1 vez por dia... já para não falar que 1 doente internado pode demorar uma manhã inteira enquanto que uma consulta pode demorar 1 minuto!