sexta-feira, setembro 19, 2003

Maximizar / Restaurar

Do Adufe:
"Viva!
Sugestão:
Prima o botão maximizar / restaurar para ver todo o blog"

Do Pedro Rolo:
"Bom dia!
Desde já parabéns pelo seu blog!
Escrevo (para já) apenas para tentar ajudar na questão que levantou no seu post
acima mencionado.
Quando me acontece algo semelhante, o que faço é minimizar a janela e voltar a
maximizá-la.
Geralmente resulta!
Espero ter sido útil (afinal os Engenheiros de vez em quando também ajudam os
médicos!).
Cumprimentos"

Obrigado aos dois!

Agência Funerária Vilas-Boas

A blogosfera e Internet tem coisas interessantes.

Um bilhete meu de Terça, dia 09 de Setembro, apesar de não ter recolhido nenhum óscar do Mata-Mouros (como três anteriores tinham recolhido) recolheu várias e interessantes reacções da comunidade bloguística e não só. A divulgação pela Antena 3 dessa história levou-a a Portugal inteiro, do Minho ao Algarve.
Todas as localidades onde se passaram recentemente casos semelhantes, se viram identificadas.
E se se reconheceram identificadas, também os hipotéticos intervenientes se viram retratados.
O que não é verdade. Embora a história tenha acontecido na realidade, propositadamente não é localizável. E portanto não tem intervenientes conhecidos.
Uma crónica, tenta generalizar uma história verídica a um universo muito mais abrangente e demonstrar a hipocrisia desta sociedade.

Isto vem a propósito de algumas mensagens que recebi, querendo colar esta história a uma localidade que dá nome a um dos blogues mais conhecidos. A partir daí, tentou-se identificar os intervenientes e principalmente a Agência Funerária dessa localidade.

Tem razão o seu gerente em ficar indignado.
E tem razão porque, conhecendo eu os médicos dessa localidade por serem alguns do meu curso, tratei de me informar e tenho a dizer que a Agência Funerária Vilas-Boas, sempre tratou dos funerais com dignidade e profissionalismo e segundo me disseram antecipando por vezes o funeral e aguardando o recebimento dos subsídios.

Assim como há bons e maus médicos, também haverá boas e más Agências Funerárias. A do gerente Vilas-Boas enquadra-se como é óbvio na primeira.
Embora não o conheça pessoalmente, o autor deste blog só tem que lhe pedir desculpa e afirmar que a história não é localizável. Pode ser parecida com muitas que se passam em Portugal, mas não tem nomes, nem localidades.

As histórias deste blog fazem parte da minha vida profissional, mas também recolhidas em conversas com muitos colegas pelo País fora!

Confrades da Confraria das Novas Comunicações Virtuais

Mensagem ao Encontro de Blogues de Braga

"Venho desejar as maiores felicidades ao vosso (nosso) encontro.

Embora não saiba qual o futuro deste movimento, espero que concluam pela sua vitalidade, embora todos saibamos da vulnerabilidade e volatilidade de tudo isto.

Saudações

http://medicoexplicamedicinaaintelectuais.blogspot.com/

(Nesta atmosfera prefiro manter-me anónimo, mas não delinquente ou malfeitor)"

Também Eu Queria Saber ......

" @hotmail.com>

Data: Quarta-Feira, 17 de Setembro de 2003, 15:52

Assunto: Boa tarde!!

> Gosto muito do seu blogue, mas ultimamente só consigo ler a
> primeira parte
> de cada post, pois a barra do lado diteito é muito grande e eu não
> consigo
> ler todo o texto.
> Tem alguma solução??
>
> Obrigada e Felicidades,
> P C"


Quem ajudar esta leitora, estar-me-á a ajudar, porque isto também me acontece am alguns blogues de que gosto!

quarta-feira, setembro 17, 2003

Blog Anónimo, Sim. Blog Anónimo, Não.

Na esfera do blogues vai-se discutindo se os blogues deverão ou não ser anónimos.

O ouvido do nosso Barman diz que ouviu dizer no seu bar "Se estes revelarem algum tipo de talento escondido e quiserem fazer uso dele, podem vir a encontrar problemas em provar a sua autoria (lembro-me deste, daquele e de daqueloutro)".
O daqueloutro sou eu. Mas como não quero fazer uso de nada, linkei-me a mim próprio.

É giro.

Os blogues são assim. É tão fácil ter um blog. É tão fácil ter um, dois, três blogues, 100 blogues.
Podemos fazer de tudo: de parvos, egoístas, vaidosos, tristes, anedóticos, sérios, palermas, de homens, de mulheres, de adolescentes desorientados, de casados, de solteiros, de Deus, de deus, de deusas, de diabo, de bicho que escala as estantes. Posso trabalhar a dias, desejo casar.
Posso dizer que sou uma bomba, que estou desactualizado e desinteressante, que vivo numa trágico-comérdia. Posso dizer que mato mouros, que sou de esquerda ou de direita. Que como jaquinzinhos. Que sou alfacinha ou das terras do nunca ou do Maranhão. E posso dizer que sou o Joaquim, o Francisco, o Pacheco, o Pedro, o António, a Ana.
Até posso fazer um blog em nome de outro. O blogger não me pediu nenhuma identificação autenticada.
Até posso dizer que eu é que sou o responsável pelo Abrupto, ou sou o verdadeiro Aviz.

Para mim tanto faz!

Portanto, o que faz um blog é o que lá se escreve. O que faz um blog, não é a figura pública que lhe dá o nome, mas sim o que para lá atira (ou arquiva!). O Abrupto ou o Aviz são os mais visitados porque têm qualidade. Têm qualidade intrínseca e extrínseca, no conteúdo e na forma. No Abrupto, mesmo sem ler, olhar, já provoca prazer.
Em Portugal, ainda estamos presos a estigmas do fascismo, sim fascismo, e por isso ainda nos povoam medos e fantasmas: temos medo de denunciar, mesmo por uma boa causa. Temos preconceitos no anonimato, mesmo para fazer afirmações com qualidade.

Vou continuar no anonimato, não sei porquê. Talvez por timidez? É possível. Talvez, apenas, porque me apetece. É provável. É a minha liberdade.
Talvez o pipi, munca fosse o meu pipi, se dissesse quem é.

Outra questão, muito importante, é quando um blog se torna num caso de polícia. Ou porque é muito mentiroso, ou porque veicula ideologias ilegalizadas, ou faz apologia da violência gratuita. Ou ... Ou ... E nesses casos, as entidades policiais, se o entenderem podem actuar e descobrir com facilidade (maior ou menor) o criminoso.

Parafraseando o Barman: "Não! Não sou nenhuma figura pública nem coisa que o valha. E diga-se, não quero vir a ser. Acrescento ainda. Pagava para não ..." ser.

Este blog foi produto de uma isónia. Depois foi andando. Quando deixarem de cá passar. Fecha-se, vende-se, trespassa-se, abandona-se, suicida-se (o blog), tudo pode acontecer.

Sou apenas um médico anónimo.
Não sou o bastonário, nem presidente de nada, não sou quadro de nenhuma organização sindical, política ou autárquica. Sou desconhecido no Mundo, mas tenho o meu mundo e não o quero invadido, nem o quero largar.
Mas não sou parvo, nem ando de olhos fechados.
Mas agora vou fechá-los!

terça-feira, setembro 16, 2003

Como Eu Gosto da Minha Função Pública!

Férias.
Aproveito para frequentar uma formação de cinco dias, para não prejudicar a actividade assistêncial.
Sobre informática. Para gestores de rede.
Organizada nos e pelos serviços do Estado.
Hoje.
07h00 - Levantar.
08h15 - Viajar.
09h30 - Início programado.
09h31 - Staff: a password não dá acesso à rede.
09h32 - Staff: a password continua a não dar acesso à rede.
09h33 - Staff: a password continua a não dar acesso à rede.
09h35 - Staff: temos que telefonar ao "especialista" de informática do serviço, que está no outro lado da cidade.
09h50 - Chega o especialista.
09h51 - Staff: o especialista estuda o problema.
10h00 - Staff: o especialista continua a estudar o problema.
10h10 - Staff: já há diagnóstico, alguém mudou a password.
10h12 - Staff pergunta: quem mudou a password?
10h15 - Staff lembra-se: o computador veio de xxxx.
10h20 - Alguém do staff: outro distrito, outra intranet.
10h25 - Alguém do staff: mais perto são 100 km.
10h30 - Formandos: 1 médico, 1 enfermeiro, 12 administrativos: umas fazem malha, outras vão à loja dos trezentos local, umas falam das filhas, noras, netos, maridos, outros falam de futebol, do desaire do Benfica, outras falam da telenovela, o médico e o enfermeiro vão tomar café.
10h40 - O médico diz para o enfermeiro: onde nos viemos meter. Gestores de sistema?
10h50 - Staff: desculpem, mas temos que levar o computador a xxx, para se mudar a password ??!!!!=!"#$&//()=?»###.
11h00 - Staff: o melhor é irem tomar café.
11h01 - Eu: prefiro ir fazer pipi.
11h02 - O enfermeiro: eu vou fazer cócó.
11h30 - Staff: o melhor é irem almoçar e regressar às 14 horas.
14h00 - Formandos: regressamos.
14h01 - Staff: agora há uma avaria na rede.
14h30 - Staff: agora continua a avaria na rede.
14h40 - Staff: o melhor é irem tomar café.
15h00 - Staff: está quase, agora só nos falta ligar os vossos computadores.
15h10 - Staff: os computadores não ligam!
15h20 - Staff: porque será que os computadores novos não funcionam?
15h30 - Staff: já temos diagnóstico! Como os computadores são novos, ninguém se lembrou de instalar os sistema operativo.
15h45 - Staff: está quase.
16h00 - Formadora: (já deformada) vamos para outra sala, pelo menos dizemos qualquer coisa.
16h20 - Staff: podem ir tomar café.
16h30 - Staff: já podem entrar. Está tudo pronto.
17h30 - Fim da sessão.
17h31 - Formadora: até amanhã.

Isto não foi em Portugal.
Foi na Guiné-Bissau. E por causa das gargalhadas do Kumba Ialá.

Não, já sei. Foi mau olhado da Maya.

domingo, setembro 14, 2003

"É a política, estúpidos!", disse Francisco José Viegas

Não no Aviz, que está de férias, mas no JN.

Tentei transcrever umas ideias do artigo, mas aconselho a sua leitura. Não porque seja um artigo de fundo, mas porque lá se dizem várias verdades, semelhantes às que motivaram e motivam muitos dos meus bilhetes.
A "tabloidização da sociedade" como ele caracteriza tem um culpado. E esse culpado tem nome: comunicação social vs lucro fácil e não confundir com jornalistas vs profissão (coitados ao que são obrigados!).

Os programas podem ser ligeiros, generalistas, mas com qualidade. Sem nos venderem as Mayas, os Hermanos Josés (sim, a partir de hoje ficam no mesmo tabloide!)

Estou farto!
E ainda nos querem tirar o Canal 2 e a TSF.

Dr Manuel Antunes - Será o Paradigma do SNS ?

É óbvio que não!
Por mais artigos que se escrevam e que queiram demonstrar que o Dr Manuel Antunes tem a chave para a resolução dos problemas do SNS, não me convencem!

Nem mesmo Amílcar Correia, no Público de Domingo, de 07 de Setembro de 2003 , no seu artigo As Duas Listas de Espera do Ministro quando diz que:
"Porque o verdadeiro combate às listas de espera só terá lugar quando a exclusividade dos médicos no SNS deixar de ser o tabu que ainda hoje constitui entre a classe e a tutela. Especialistas como Manuel Antunes, o cirurgião dos Hospitais Universitários de Coimbra, têm insistido nessa tecla até à exaustão, mas sem grandes consequências políticas. Mas o que é certo é que serviços como o de Cirurgia Torácica que Manuel Antunes dirige, à semelhança do seu congénere do Hospital de S. João, no Porto, não dispõem de uma lista de espera. Por uma razão muito simples, embora aqui os tempos de espera clínicos sejam naturalmente mais curtos: exclusividade e dedicação da equipa".

E não me convencem porquê? Por um motivo muito simples. O Estado paga ao Dr Manuel Antunes aquilo que ele quer, isto é, milhares de contos por mês! São pagos e são bem pagos, porque ele merece.
Só que o SNS não poderia pagar milhares de contos mensais a todos os médicos que desejassem trabalhar 24h/24h, ou melhor estarem disponíveis para o SNS 24h/24h e serem chamados quando necessário! Além de exclusividade, porque estar exclusivo não é sinónimo de alargar o horário, de produzir mais, apenas é sinónimo de ganhar mais 40% do ordenado para o mesmo horário de trabalho, é necessário estar disponível 24 horas. E isto, é outro assunto, que se tem que pagar! E aí é que está o problema!

Alguem acreditaria que um cirurgião como o Dr Manuel Antunes, viria para Portugal ganhar 400 contos por mês, líquidos?

sexta-feira, setembro 12, 2003

Férias e Relatórios de ECD

A Tragico-ComeRdia em 12/09/2003 insurge-se (e até certo ponto com razão!) contra o facto de ter feito um EEG na medicina privada e o relatório escrito só lhe ser fornecido após o regresso de férias do médico/a que o efectuou. E que foi necessário o médico assistente, interceder para resolver o problema (mas os médicos de família/asistentes servem também para isso: "gerir os doentes na proximidade").

E como é óbvio, tem razão nas suas queixas, tanto mais que não há ninguém que aguarde um resultado impávido e sereno.
Eu quando vou de férias, tento não ficar com assuntos pendentes com os meus doentes. E se por acaso acontecer, forneço um meio de comunicação para o doente se esclarecer comigo.

Em relação aos exames, tenho a certeza que este relatório está normal. Os médicos que executam exames para outros, quando o executam, eles ou os técnicos, fazem com um relatório automático mental ou uma leitura na oblíqua.
Se o exame numa primeira abordagem mostrar indícios de qualquer coisa menos explícita (que poderá ser apenas uma variante do normal) fazem chegar esse relatório rapidamente ao utente com a indicação de o levar ao médico.

Por vezes tenho que acalmar alguns doentes porque os seus exames aparecem depressa de mais e "ainda por cima em correio azul, é porque estou a morrer, senhor doutor, se não vinham em correio normal."

Quando o doente paga, também paga a rapidez (apenas porque são poucos os que pagam), mas à luz das convenções, o doente do SNS tem que ser tratado de igual modo que o doente privado. Assim rezam as convenções com o Estado.

Por outro lado em Portugal exagera-se no consumo de exames, por pressão do utente. Não tenho dúvidas. Qualquer dorsita de cabeça, cefaleias para nós, leva logo com "um TACO à cabeça" porque o doente sabe que o vizinho da prima do marido da colega do serviço onde trabalha a melhor amiga, disse que conhece uma pessoa que é amiga da porteira do prédio onde mora o Jardel, e que ouviu dizer que o senhor do quarto andar tinha um tumor na cabeça e começou assim.

Mas, Tragico-ComeRdia, dou-lhe inteira razão, até para ficar descansada o médico executor do exame, poderia dizer apenas isto: está normal, depois mando o relatório.

quinta-feira, setembro 11, 2003

Há Quanto Tempo Não Oferece (Ou Recebe) Flores?

Hoje à meia-noite vou oferecer flores.

Sim, o médico explica medicina a intelectuais, vai oferecer flores hoje. À meia-noite.

O médico explica medicina a intelectuais vai oferecer a uma intelectual um ramo de flores à meia-noite.

O médico explica medicina a intelectuais vai explicar o seu sentimento sem palavras, mas com flores.

As palavras por vezes não aparecem quando as geramos nos nossos neurónios. Por vezes é necessário a ajuda de um psico(logico) ou de flores.

Hoje à meia-noite o médico explica medicina a intelectuais vai trocar os actos e as palavras pelas flores.

O médico que tenta explicar medicina a intelectuais, na unidade de saúde que agora gere, ordenou com a sua autoridade que se espalhassem ramos de flores semanalmente pelos locais públicos onde os utentes aguardam eternamante, vulgo, salas de espera. Foi a ordem que mais objecções levantou. Porquê?

Sim, o médico explica medicina a intelectuais, vai oferecer flores hoje. À meia-noite. À intelectual que o atura, aguenta, consente, padece, tolera, suporta, há mais de 20 anos.

quarta-feira, setembro 10, 2003

Caiu A Ponte !

Domingo.
Caiu a ponte.
Enterraram-se os mortos e trataram-se dos vivos.
A nomeação da comissão.
A comissão reuniu.
O relatório foi elaborado.
A culpa foi da borboleta.

Alguém ouviu falar na palavra engenheiros?

Ai se os médicos construissem pontes, ou mesmo se consultassem doentes em cima da ponte!

Coitadinha da Elsa Raposo

Tanta publicidade fez ao seu "tumor" que agora ninguém a quer, pois, segundo a Lux "Já não há casamento!"

Mas pergunto eu: quem se quer casar com um tumor e ainda para mais, mediático?

terça-feira, setembro 09, 2003

Íntima Fracção

Sou um recente admirador do Francisco Amaral e da sua fracção íntima.

Não posso acreditar que vá desaparecer.

A minha solidariedade.

Miséria Humana ou Coisas Que Uma Certidão de Óbito Esconde

É tanta a minha revolta contra a minha espécie (a humana, para quem não saiba!) que embora esteja num dilema, com a mente a puxar-me para o computador e os olhos a encerrarem-se e a puxar-me para a cama, com a revolta apossar-se de mim, decido escrever este bilhete.
Quase que ao vivo. Mas este blogue vive disso. Tentar explicar coisas que por vezes nem eu as compreendo.

Há duas horas emiti mais uma certidão de óbito.
Morte não natural, i.e., morte violenta. Entrada na urgência já cadáver.
Processos burocráticos mais morosos. Confirmação da morte. Comunicação à autoridade civil com ofício e impresso próprio, esta comunica com a autoridade judicial de turno que decide se prescinde ou não da autópsia.
Caso prescinda, foi este o caso, pois a causa da morte era óbvia, devida a um incêndio no domicílio, por inalação de monóxido de carbono e não por carbonização.
Viúva, meio rural, iniciam-se os contactos para a reclamação e entrega do corpo.
1º telefonema: "não tenho nada a ver com isso, o marido da viúva apenas me pagou para tratar dos assuntos bancários dela em vida. Se já morreu, não é nada comigo."
2º telefonema: "eu era sua cunhada, mas como o marido já morreu, não quero saber mais disso. Ela não gosta de mim."
3º telefonema: "Oh senhor doutor, eu sou sobrinho dela, mas ela não me ligava, eu ainda estou em estado de choque (não com a morte, mas sim com o incêndio!). Morava ao pé dela, mas compreende, não quero saber de nada".
4º telefonema: "eu sou uma vizinha, sei que ela deve ter um filho algures na Europa, mas não sei mais nada e não posso tomar conta do corpo."
5º telefonema: " Sr doutor, a minha agência funerária só pode responsabilizar-se depois de alguém assumir o pagamento".
6º telefonema: "Senhor provedor, tenho um favor a pedir-lhe em nome de uma cadáver, para que tenha um funeral minimante digno, pois todos os familiares com quem falei se recusaram a reclamá-lo."
7º telefonema: "Para o cangalheiro: Senhor, já pode escolher a urna, pois a Santa Casa da Misericórdia (não é a de Lisboa) encarrega-se de tudo."

Será que o desrespeito pela morte é característico da espécie humana. Se não há quem sinta a perda, um cadáver que pertenceu a um membro da nossa espécie já não tem valor?

Esta mulher pressentia que a sua morte seria um problema para a sociedade.

Assim se compreende que se tenha fechado em casa, com todas as portas trancadas com grandes trancas de madeira, que tenha fechado todas as portas interiores à chave, que tenha incendiado todos os cortinados dos quartos e se tenha deitado sossegadamente à espera da morte e da carbonização, para desaparecer deste mundo em cinzas.

Consta que um dia antes (como é habitual nos suicidas, procurarem alguma ajuda na véspera) foi encomendar-se a Fátima.

Eu vou dormir mergulhado na hipocrisia desta sociedade!

W32.Sobig.F@mm virus

Atenção

Tenho recebido dezenas de mensagens de muitos endereços electrónicos pertencentes a blogs (e não só) portugueses infectadas com este vírus.

Se daqui saiu alguma mensagem infectada é por culpa do IOL, (como pertence à TVI, não me admira!)POIS NÃO ABRO MENSAGENS COM ANEXOS NÃO SOLICITADOS .

segunda-feira, setembro 08, 2003

Apareci (Tarde Porque Voei ) e Gostei

"Meu caro
Não, não estou com nada de especial...
Só lhe queria dizer que hoje o "meu dicionário" meteu-se pelos seus domínios...
apareça
um abraço
A."

opiniondesmaker

E gostei porque não há erros, palavras bem escritas, significados bem aplicados.

domingo, setembro 07, 2003

O Mata-Mouros e o Médico Explica

Já escrevi em bilhetes anteriores que pouco navego pelos blogues.
Leio diariamente o Abrupto e o Aviz, e raramente navego.
Por isso não tenho coluna de links, embora saiba que há blogues de muita qualidade.
Quando coloco ligações, em geral referem-se a mensagens que recebo e respondo para a blogosfera.

Por isso, como me considero um outsider destas lides sinto-me lisonjeado e não posso deixar de agradecer os "prémios" que o Mata-Mouros me tem dado na sua REVISTA DE BLOGUES - Os Melhores da Semana, que começa a ser uma referência nesta margem (à margem) da (outra) Internet.

quinta-feira, setembro 04, 2003

Vou Voar e Tenho Medo

Confesso.
Tenho medo de andar de avião.
Que seria de mim se fosse deputado europeu!
Convem-me que só haja congressos médicos ocasionalmente e que hoje em dia a Internet seja um bom instrumento de reciclagem.

Assim o blog ficará sem actualização até Domingo, se a viagem for de retorno.

Estou muito melhor, presentemente só me intoxico com uma boas doses de Xanax (Alprazolan).
Tempos houve, em que começava com uns bons uisques na sala de embarque, já com uns xanaxes ingeridos previamente, mais um uísque logo à entrada e solicitado à hospedeira, mais uma refeição acompanhada com vinho tinto, seguida de um cognaque, enfim, bombas atrás de bombas.

Lembro-me de uma viagem intercontinental em que não me recordei da própria viagem.

Mas, para quem precisar de viajar por motivos profissionais, aqui estão umas simples dicas para enfrentar a fobia:

- "aprenda a enfrentar o objecto temido (a ansiedade pode aumentar, mas o medo vai diminuir)
- tente normalizar a respiração, que em momentos de nervoso fica curta e acelerada
- questione suas crenças
- construa um filme na sua cabeça (ensaie passo a passo toda a viagem, desde a chegada na sala de embarque até a aterrissagem)
- respire fundo e tente relaxar
- ouça música suave
- não divida o mérito de um vôo bem-sucedido com o calmante
- não trate a situação de forma catastrófica
"

Para casos mais graves mais vale consultar um psico(logico).
Como não sei se volto deste voo europeu, se não falar no blog alfacinha sou injusto. Só me penitencio por não ter respondido ao seu e-mail sobre técnicos vs intelectuais.
Para o Terras do Nunca, lembro a nossa conversa sobre as mortes pelo calor e a resposta do Ministro. Parece que adivinhámos.

terça-feira, setembro 02, 2003

Por Mais Brutos e Distantes Que Às Vezes Possam Parecer...

Era uma vez um médico que entrou de serviço, num domingo de manhã, numa unidade de saúde portuguesa.

Pronto para iniciar o seu turno de 12 horas, que o levaria até às 21h, fresquinho, depois de ler as gordas do Público, depois de um pequeno almoço substâncial, já com dois ou três cafés ingeridos e depois de espreitar o movimento da sala de espera, estava apto para iniciar o seu trabalho. Feliz e satisfeito, senta-se e aguarda a entrada do primeiro doente:
- “Então minha senhora, diga lá de que se queixa”, pergunta afavelmente.
- “De uma dorsinha no peito e como sofro do coração, vim ver o que se passa”, responde a doente de meia idade, com voz trémula, talvez com medo da reacção do médico.
- “Diga-me se lhe está a doer agora e há quanto tempo lhe dói”, perguntou o médico.
- “Agora é só uma dorsita, e dá-me muitas vezes”, responde a utente do Domingo de manhã, acrescentando de imediato:
- “Mas deve ser tudo dos nervos, porque ando muito nervosa”.
Uma rápida observação e o médico aceitou o diagnóstico proposto pela doente: crise de ansiedade.
- “Vai fazer ali um tratamento e dentro de meia hora já se sentirá melhor”. Disse-lhe o médico, prescrevendo aquela droga muito antiga, de acção rápida, politicamente incorrecta, mas de uma ajuda inexcedível nestes bancos e que a doente levaria à enfermagem para a administração.
Cerca de uma hora depois, novamente com a doente, perguntou o médico:
- “Então, está melhor?”
- “Oh senhor doutor, nem se compara, já não me dói nada”.
- “Então pode-se ir embora e não deixe de consultar o seu médico de família”.
- “Está bem senhor doutor, mas se me pudesse fazer um favor?”, diz a doentinha com a voz quase inaudível.
- “Diga lá o que precisa.” disse o médico, já adivinhando o favor.
- “É que a minha psiquiatra está de férias e acabaram-se os medicamentos dos nervos.”
- “Está bem, diga lá quais são.” Abre então o saco de plástico e despeja meia dúzia de caixas de medicamentos em cima da secretária.
- “Pronto já está. Pode ir-se embora".
Uns segundos de silêncio, uma certa relutância em se levantar, como que à espera que o médico perguntasse, como na mercearia:
- “Então minha senhora, deseja mais alguma coisa?”
- “Ai senhor doutor, precisava de um grande favor.”
- “Um grande favor? Mas que é que precisa agora?”
- “Ai senhor doutor, pela sua saúde, é para a minha filha, que tem 20 anos!”, diz começando a soltarem-se-lhe as lágrimas.
O tempo vai passando, o médico vai-se incomodando, mas como ainda está fresquinho, pergunta:
- “Então o que é que se passa com a sua filha?”
A doentinha abre a sua mala, retira um papel e diz:
- “Se me pudesse passar esta análise para a minha filha, que o seu médico de família também está de férias e foi ele que a mandou a esta médica e disse-me que era urgente.”

Abro o papel, leio o cabeçalho (de uma colega ginecologista) e a prescrição apenas de uma análise: CA 125.
Abri bem os olhos, mirei o facies triste da doente e pensei para mim:
- “Aqui está o verdadeiro motivo da consulta”.
O Cancro.
Provavelmente, quer o médico de família, quer a ginecologista suspeitam fortemente que a jovem deve ter um cancro do ovário. E a mãe, com o seu instinto maternal, também não estará a augurar nada de bom para a filha, caso contrário, não se teria sujeitado, numa manhã de Domingo a tal aventura.
Suspiro eu, pensando o que poderia fazer para lhe resolver o problema e cogitando só para mim: se esta história se passasse no final do turno de banco, como reagiria eu? Será que, estando com fome, cansado, olhando insistentemente para o relógio e aguardando a rápida entrada do meu substituto, teria os sentimentos com um limiar tão baixo, para não deixar de lhe fazer o favor? Ou não?
Aquilo que muitos esquecem é que os médicos também têm sentimentos, por mais brutos e distantes que às vezes possam parecer...

segunda-feira, setembro 01, 2003

Já Que O Abrupto Falou na Varíola...

O vírus (do grupo orthopoxvirus) de facto ainda não foi extinto.
A varíola (doença) na realidade já está extinta.
As requisições de vacinas burocraticamente também já estão extintas.

"A varíola (smallpox) era um problema praticamente em todos os países e o controle da doença era feito isoladamente pelos governos locais. Em 1959, a Organização Mundial da Saúde decidiu a realização de um programa global de erradicação da varíola. Em 08 de Maio de 1980, em assembleia solene declarou que "the world and all its peoples have won freedom from smallpox" estabelecendo assim o primeiro caso de erradicação global de uma doença. Desde então, acredita-se que o vírus da varíola só exista em dois laboratórios no Mundo (na Rússia e nos EUA) e já foi decidido pela WHO que estas amostras serão distruídas em 30 de Junho de 1999." Parece que esta decisão foi revogada a pedido dessas potências.

Um leitor deste blog, propôs que falasse das chamadas medicinas alternativas.
A resposta que lhe dou, está no parágrafo transcrito que se segue. Acredito e tenho fé na Ciência e a Ciência incorporará todas as descobertas que, pelo método científico forem validadas. Infelizmente, dessas práticas complementares, talvez nem 10% tenham demonstrado alguma coisa de válido.
O que não invalida que as pessoas se sintam bem quando as frequentam. A minha avosinha (enquanto viveu), sempre foi à bruxa e sentia-se sempre bem, aliviada. Era o seu antidepressivo e ansiolítico. Proibir, para quê?

"Na Europa, ao fim do século XVIII, cerca de 400.000 pessoas sucumbiam vitimadas pela varíola a cada ano, e um terço dos sobreviventes ficavam cegos. Nada menos do que cinco reis morreram de varíola no século XVIII, uma doença que alterou a linha de sucessão dos Habsburgo quatro vezes, em quatro gerações.
Antes de 1967, a vacinação era feita com um método de escarificação ou uma técnica de pressão múltipla. O Programa Intensivo proporcionou a oportunidade de desenvolver novos métodos. Primeiro, surgiu a pistola de injeção, e em seguida a agulha bifurcada, muito mais eficaz, que aplicava uma única dose da vacina. Depois de imergir as agulhas em um frasco de vacina reconstituída, depositavam-se as doses sobre a pele e se realizavam 15 riscos verticais através da gota.
A varíola endêmica foi erradicada em 20 países no oeste e centro da África em 1970, no Brasil em 1971, e na Indonésia no ano seguinte. A incidência de varíola caiu acentuadamente em 1972, com casos notificados em oito países endêmicos e na África e no sudeste da Ásia. Finalmente, em 1975 a varíola endêmica foi erradicada do continente asiático. Na Etiópia, a difusão da doença foi contida em 1976, e na Somália, o último caso natural de varíola data de 26 de Outubro de 1977. Posteriormente, em 1978, foram relatados dois outros casos por contaminação num laboratório. Esses casos acidentais foram, de fato, os últimos".
Aqui, podem ver "the last smallpox victim on earth".

E agora, a minha linha de glória: O Abrupto, na palavra anti-varíolicas, tem que deslocar o acento uma letra para a direita: anti-variólicas. (E obrigado pela referência).