domingo, março 19, 2006

Manuel Antunes: Quem Lhe Pagará As Horas Extraordinárias?

Manuel Antunes afirmava dias atrás, a propósito da redução de gastos em horas extraordinárias, "assim mais vale entregar as chaves"... do seu serviço de cardiologia nos HUC. Criticou o ministro e o seu governo porque lhe tocava no ordenado.
Sabemos da enorme dedicação do pessoal do seu serviço que recebe horas extraordinárias 24 sobre 24 horas. Não critico. As horas extraordinárias são para quem trabalha. E trabalha-se muito, não só no serviço do senhor dr Manuel Antunes, mas também em muitos outros serviços dos cuidados de saúde primários, secundários e terciários e altamente diferenciados. Uns mais visíveis que outros.

Mas, pergunta Manuel Antunes...

"Financiamento do Serviço Nacional de Saúde: chegou a hora de mudar?"

Sabemos que há muito que mudar no Serviço Nacional de Saúde.
Há abusos por parte dos profissionais e por parte dos doentes!
Há desperdício generalizado, por parte dos utentes e dos profissionais!
Há muita irresponsabilidade e desresponsabilização por parte das administrações, dos profissionais e dos, novamente, utilizadores!

E segundo Manuel Antunes: "optemos pelo princípio do utilizador-pagador. Em minha opinião, este é o melhor modo de contribuir para a sustentabilidade do nosso SNS e para evitar a perda da sua universalidade. De outro modo, são os mais pobres quem mais tem a perder."

E perderão.

O Serviço Nacional de Saúde tem que ser financiado pelo Estado no seu todo.
As regras têm que ser mudadas, os utilizadores têm que saber quanto custam ao Estado e têm que ser responsabilizados pelos seus gastos, assim como os prestadores têm que ser responsabilizados pelas suas prescrições...

5 comentários:

jocapoga disse...

Não é que o prof. às vezes tem razão? E não que noutras parece estar atingido pelos gazes que se escapam lá pelo bloco.

Serafim disse...

Finalmente a verdade vem à tona. O Professor M.A. e um brilhante médico, fabuloso cirurgião e competentíssimo gestor.
No entanto, desde que foi elevado à categoria de intocável pelos media pavoneia-se com os seus resultados sem que ninguém grite "o rei vai nú".
O prof.M.A. goza de um sistema de funcionamento da sua unidade que é impraticável se alargado a outra escala. Ou seja: ele faz o que faz como faz porque tem condições criadas pela defunda (politicamente, note-se) Leonor Beleza para o fazer. Quem não gostaria de ganhar milhares de contos por mês e repartir chorudos lucros por todos os funcionários, condições logísticas invejáveis, em troca de um aumento de produtividade?
O prof. M.A. erra quando em vez de reconhecer que a sua situação não é igual a nenhuma, por isso não é comparável com nenhum hospital ou serviço, diz que ele é que é bom e os outros são todos estúpidos!!!

Bem, claro que não falo da escandalosa selecção dos doentes. Ele diz que não tem listas de espera. Mas então o que fazem doentes da zona centro a serem operados em Lisboa e Porto?

Serafim disse...

continuando, que carreguei acidentalmente em enter:


Quando acabam as horas extraordinárias, o trabalho intensivo que realiza deixa de ser possível, tal como não é possível em mais nenhum serviço, porque as condições não são as mesmas.

Medico Explica disse...

Muito bem, Serafim. Acertou na "mouche".

Anónimo disse...

fico escandalizado que se critique quem luta por recursos...se o sr prof. M.A. tem uma situação de excepção é desejavel que o deixe de ser... mas não retirando recursos... antes pelo contrario dando aos outros serviços o que faz falta...
Estou surpreso com a afirmação:
"Bem, claro que não falo da escandalosa selecção dos doentes. Ele diz que não tem listas de espera. Mas então o que fazem doentes da zona centro a serem operados em Lisboa e Porto"
confesso que tinha a ideia que não havia espera ...ha manipulação da verdade nos media relativamente ao prof M.A.?...expliquem-me por favor...
Se não ha recursos para a saude...como existem tantos estádios de futebol??...não gosto de futebol... mas mesmo que gostase penso que as prioridades não seriam estas...
Não considero que a saude seja mais importante que a educação/formação... mas é indescutivel que é prioritária frente ao futebol, que aloca recursos surpreendentes...
T.M.