domingo, março 12, 2006

Vocês Falam, Falam, ... Mas Os Médicos Também Sofrem

Para uns, os médicos são seres que nunca adoecem...

Para outros, os médicos têm que ser aquilo que Salazar impunha às enfermeiras e hospedeiras: não-seres humanos, estereotipos sempre ao serviço de quem precisa, com a nuance de qque, quem decide o quê e quando precisa é quem está "precisado". Doente imaginário ou real.

Para outros, ainda, os médicos são uma merda (todos os médicos são uma merda!) porque um deles fez merda ao próprio, ao primo, ao cunhado ou simplesmente ao vizinho!

Pois, mas os médicos também sofrem e são apanhados de surpresa muitas vezes e com a particularidade de desenharem logo o seu futuro próximo e verem o seu mundo a desmoronar num segundo.

No dia x falei horas com um médico amigo, revivemos o passado, falamos do presente e imaginamos o futuro próximo e longínquo, com muitos desenhos.

Marcamos novo encontro para quando o destino nos juntar, pois virtualmente vamos falando...

No dia x+1, perguntam-me:

- "Conheces o fulano?"
– "Perfeitamente, fomos colegas de curso!", respondo eu.
- "Olha, palpou uma adenopatia, foi ao hospital x e diagnosticaram-lhe um tumor com diversas metástases. Tá difícil! E esteve sempre assintomático!"

Difícil foi para mim gerir as emoções, mas lembrei-me: partilhar isto com o Mundo ajuda e assim talvez compreendam que os médicos são iguais a eles e não lhes podem resolver todos os seus problemas porque também não podem resolver os seus...

4 comentários:

1313 disse...

muito médicos apresentam-se como uma espécie de deuses ... mas não passam de simples sanguessugas

Sandra Feliciano disse...

Memi:

Obrigada por mais esta partilha de caracter tão pessoal.

Não há nada que lhe possa dizer para minorar a sua dor, que estas coisas da eterna perplexidade do homem perante os designios da vida e da morte têm de ser vivênciadas, digeridas e superadas internamente, por cada um de nós, a cada momento.

Por isso digo-lhe apenas que nem todos os "outros" olham os médicos através do filtro da desumanidade.

Há quem vos olhe simplesmente como são - humanos, semelhantes, irmãos - se solidarize convosco, se emocione convosco, vos respeite e vos aceite tal como são, com todas as maravilhosas perfeições e imperfeições inerentes à espécie humana.

Um abraço fraterno.
/S.

Mário de Sá Peliteiro disse...

Memi:

Um pedido de comparência em representação da blogosfera: http://www.gulbenkian.org/v1/home.asp

Dois pedido de opinião:
http://online.expresso.clix.pt/1pagina/artigo.asp?id=24758839

http://online.expresso.clix.pt/1pagina/artigo.asp?id=24758840

Anónimo disse...

O poeta (leia-se médico) é um fingidor
finge tão completamente
que chega a fingir que é dor
a dor que deveras sente!