domingo, janeiro 14, 2007

O CODU E O INEM

Publicitou-se que o CODU já estava em todo o país, mas nunca se disse que o INEM só funciona 24 sobre 24 horas nas grande cidades.

Este morreu e outros morrerão e a culpa nunca morrerá solteira, porque a culpa será sempre do(s) médico(s), nunca do(s) ministro(s), nem de quem planeia...

In TSF on-line:

"INEM demite-se de responsabilidades na morte de homem em Odemira
O INEM considera que as suas equipas médicas fizeram tudo ao seu alcance no socorro de um homem de Odemira, que demorou sete horas a chegar ao hospital em Lisboa, acabando por falecer. O ministro da Saúde quer perceber o que aconteceu de errado.

( 21:03 / 13 de Janeiro 07 )

O INEM considerou, este sábado, que as suas equipas médicas envolvidas no socorro de um homem de Odemira, que demorou sete horas a chegar ao hospital em Lisboa acabando por falecer, fizeram o que os meios disponíveis lhes permitiram.

Após averiguar o ocorrido, Nelson Pereira, director dos serviços médicos do INEM disse, em declarações à TSF, que a actuação dos seus profissionais, «em três momentos diferentes», decorreu «dentro da normalidade».

«Evidentemente que lamentamos sempre que estas situações ocorram», mas «se nos referirmos ao facto de que Odemira é, infelizmente, como algumas zonas do país, deficitária em termos de acessibilidades a cuidados de saúde diferenciados, em determinadas especialidades, é possível que situações destas aconteçam, referiu Nelson Pereira.

Um homem de 54 anos sofreu um acidente, esta segunda-feira, na estrada que liga freguesias de São Teotónio e Mil Fontes, no concelho de Odemira, para onde o centro de triagem do INEM enviou uma ambulância sem qualquer apoio médico.

Posteriormente, a vitima foi levada para o Serviço de Apoio Permanente de Odemira, onde esteve duas horas, embora sem receber o apoio médico devido, tendo em conta que aquela unidade não dispõe de médios para socorrer uma vítima politraumatizada e com lesões cranioencefálicas.

Depois disso, foi chamada uma viatura médica de emergência e reanimação do INEM, estacionada no hospital de Beja, que demorou uma hora a chegar ao local e outra para tentar estabilizar a vítima.

Foi então decidido evacuar o ferido por helicóptero para o hospital de Santa Maria, em Lisboa, mas, dada a gravidade das lesões, o helicóptero teve de voar a baixa altitude e a reduzida velocidade, tendo o indivíduo acabado por morrer.

Nelson Pereira justificou que para o local foi enviada uma viatura sem apoio médico, porque «em Odemira não existem viaturas com apoio médico», mas apenas em Beja, a 100 quilómetros do local.

Em todo o distrito de Beja, o maior do país, apenas existe uma viatura de emergência médica. No entanto, Nelson Pereira adiantou que esta situação pode mudar num futuro próximo, já que «está a ser equacionada, há algum tempo atrás, a possibilidade de ter outras unidades no distrito».

O director dos serviços médicos do INEM relembrou ainda que «o sistema duplicou o número de unidades nos últimos três anos e vai continuar com certeza a alargar a sua actividade».

Questionado pela TSF, o ministro da Saúde, Correia de Campos, mostrou-se «interessado em conhecer» o sucedido, acrescentando que irá «necessariamente actuar procurando conhecer o que se passou» e perceber «se por ventura alguma coisa de errado funcionou».
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10 comentários:

Anónimo disse...

é triste. da história sei o que li no Publico. E sei o fim: morreu um homem de 54 anos. Se era uma morte anunciada ou não, ninguém o saberá. Que me parece ter havido má triagem por parte de quem atendeu a chamada inicial, sim...
Transferir um politraumatizado para um SAP, acompanhado por bombeiros sem mais meios que a sua boa vontade, não sei.. parece-me arriscado. Quiçá tivesse sido mais prudente enviar directamente o senhor ao Hospital de beja e eem simultâneo a viatura do VMER ao encontro dele. Mas a culpa desta vez não morreu sozinha. Morreu acompanhada.
CF.

daniel tecelão disse...

Desgraçadamente neste país ainda se morre por incuria e incompetência.
E nunca há culpados é o sistema!!!

Anónimo disse...

Apenas uma graçola: no Telejornal o responsável do INEM disse que os cidadãos que não estão nas grandes cidades (Lisboa e Porto) não têm, naturalmente, o mesmo acesso a serviços médicos... O mesmo se passa em países desenvolvidos e referiu que uma situação semelhante numa região remota da Austrália ou no norte da Noruega teria os mesmos resultados...

Ora, Darwin e Adelaide, por exemplo, distam 3000 km. Oslo e Tromso ficam a 1643 Km de distância. Entre Odemira e Lisboa temos de conduzir APENAS 204 Km!!!!

Anónimo disse...

de facto a ligação entre o cerebro e a lingua em certas pessoas funciona a 33 rpm....
ou então que troquem de assessores. felizmente não ouvi essa frase..
CF

Medico Explica disse...

Eu ouvi a frase e ouvi-a muito bem.
Em Portugal confunde-se falta de planemamento com regiões remotas. Os Andes também são outro exemplo. A isso chama-se exercer medicina em regiões remotas e inacessíveis. O principal problema português é nunca se ter investido na emergência pré-hospitalar com técnicos paramédicos com gestos treinados para salvar vidas.
O Alentejo é apenas periferia de Lisboa, a largura de Portugal é de meia dúzias de metros...

doutorenfermeiro disse...

Eu sou a favor de uma rede pré-hsopitalar muito bem dotada de médicos e enfermeiros, e posicionada em locais estratégicos.
No caso das VMER, o seu número haveria de ser muito superior às existentes. Eu diria que Portugal, para ficar razoavelmente servido de VMER, necessitaria de mais de 200!
claro que não podemos esquecer as ambulâncias, e penso que também aí, uma equipa clínica (médico/enfermeiro) é muito importante.
Num país como Portugal, que marca a diferença em relação aos outros países, por ter médicos e enfermeiros no pré-hospitalar, a gestão territorial e de recursos humanos deveria ser repensada e melhorada!

Anónimo disse...

Ó doutorenfermeiro.. Portugal marca a diferença em ter médicos e enfermeiros no pré-hospitalar??
?????

Jorge Frazão disse...

Boa noite!
"Doutorenfermeiro"...
Não entendo de que forma a presença de enfermeiros, em contexto de emergência pré-hospitalar, nomeadamente a tripular ambulâncias é importante para um socorro eficaz.
Abraço!

Anónimo disse...

pk sera k o curso de medicina nao e igual ao de enfermagem? ganha juizo doutor...ahahah!!!enfermeiro

Paulo Ferreira disse...

Portugal é um país pobre com vícios de ricos, ter médicos e enfermeiros nas ambulâncias é um absurdo, não podemos esquecer que se anda a encerrar serviços de urgência, centros de saúde, maternidades simplesmente pelo motivo de se poupar uns euros.

Temos que aproveitar o que existe, e não andar-mos a inventar projectos que somente interessa para encher os bolsos de algumas pessoas que somente vêm no Pré-Hospitalar uma oportunidade de ganhar muito dinheiro e algum estatuto profissional.

Sim o aumento das redes de VMERs, mas em outros moldes, colocadas em centros de saúde, basta dar formação e equipamento, pela a proximidade aos locais de ocorrência, isso de accionar uma VMER a 50 quilómetros de um local de uma ocorrência, e pura loucura, em muitos casos somente servira para passar verificação de óbito alem de por em risco a tripulação e cidadãos pelos frequentes acidentes desses veículos.

Sim o aumento da autonomia dos tripulantes de ambulância, são sempre os primeiros a chegar ao local, e têm que ter mais autonomia, isso de ficar a ver o doente a morrer a espera de um médico tem que acabar, pelos menos aplicação de uma linha de soro, e elaboração de protocolos de actuação com supervisão médica.

Acabar com a criação de outra estrutura de socorro onde existem estruturas de socorro, como a criação de novas ambulâncias de socorro do INEM, sim criação novas unidades onde não existe nada, mas isso não interessa ao INEM, tem pouco impacto televisivo.

Financiar toda a estrutura de igual modo, porque em Portugal temos quem como o bolo todo e nada faz e depois temos os outros que ficam com a migalhas, e é obrigado a funcionar em igual moldes.

http://o-renascer-das-cinzas.blogspot.com