terça-feira, outubro 07, 2008

Ministra afirma que vacina contra a meningite não é eficaz!


"A maioria das crianças portuguesas recebeu a vacina contra a meningite pneumocócita, mas esta não se revelou eficaz, segundo a ministra da Saúde, que sugeriu que, enquanto pediatra, não prescreveria a Prevenar
«Cerca de 60 por cento das crianças foram vacinadas e apesar disso não houve uma mudança [na prevalência da meningite pneumocócica conjugada heptavalente]. Essa é uma das razões pelas quais a vacina não foi incluída no Plano Nacional de Vacinação», explicou a ministra Ana Jorge no Parlamento.
Questionada pela deputada do CDS-PP Teresa Caeiro sobre se, enquanto pediatra, já tinha prescrito ou poderia prescrever a vacina, Ana Jorge abanou a cabeça em sinal negativo, sugerindo que nunca o tinha feito.
«A comunidade de pediatras em Portugal recomenda a vacina, aliás como a própria Organização Mundial de Saúde. Hoje perguntei à ministra se, enquanto pediatra, já tinha prescrito ou poderia prescrever a Prevenar e a ministra fez que não com a cabeça, sugeriu que não a prescreveria. Não compreendo», disse à Lusa a deputada do CDS-PP, partido que propôs a introdução da vacina no Plano Nacional de Vacinação.
De acordo com a ministra da Saúde, está actualmente a decorrer um estudo para a identificação dos serotipos que prevalecem em Portugal.
«Esperamos que haja a curto-prazo vacinas com mais serotipos para se estudar a sua inclusão no Plano Nacional de Vacinação», afirmou a responsável.
Na Assembleia da República, a ministra adiantou ainda que os grupos de risco a quem deverá ser administrada a Prevenar «estão muito bem identificados», abrangendo «as crianças imuno-comprometidas, com doenças crónicas».
A decisão de não incluir a vacina contra a meningite designada pneumocócica conjugada heptavalente (Pn7) no Programa Nacional de Vacinação (PNV) foi conhecida no passado dia 26 de Setembro.
A decisão levou em conta vários elementos, entre os quais o facto de «o impacte positivo na saúde pública» da introdução desta vacina ser «questionável».
Outro elemento que foi tido em conta pelos especialistas foi o custo desta introdução: 15 milhões de euros em 2009
.
Em Portugal, foram vendidas nos últimos quatro anos mais de um milhão de embalagens da Prevenar, num total de 81,2 milhões de euros, segundo dados da consultora IMS Health disponibilizados à Lusa.
De acordo com o parecer técnico sobre a introdução desta vacina, o impacte na saúde pública é «questionável» porque «os estudos portugueses existentes sobre a doença» são «limitados», podendo «não reflectir, com rigor, a realidade nacional».
O documento refere ainda que «a percentagem de portadores de neumococos em alguns infantários do distrito de Lisboa, antes e depois da vacina, é sensivelmente a mesma, o que está de acordo com o esperado e confirma dados de estudos internacionais».
Os especialistas alegam, assim, que «o estudo realizado em Portugal pela empresa que comercializa a vacina não demonstrou custo-efectividade favorável à sua introdução no Plano Nacional de Vacinação».
A vacina tem um custo total de venda ao público a rondar os 300 euros."
Lusa / SOL 2008/10/07




Mas afinal ficamos sem perceber. A não inclusão da vacina no PNV, é devido a um problema económico ou a um real problema de falta de impacto na saúde pública?


Aguardando as próximas cenas, espera-se que haja uma conclusão!

4 comentários:

CarLoS disse...

A conclusão não sei, mas o comentário é óbvio: as crianças não votam, enquanto as mulheres a quem foi oferecida a vacina do HPV são potenciais eleitoras ... É a política! Em tempo de falta de dinheiro, escolhe-se o mais rentável.

Mia disse...

E como a Prevenar só custa 75€ e são precisas 3 doses... quem se lixa é o mexilhão.

Anónimo disse...

Queiram-me desculpar mas a Ministra aqui falou como médica e médica pediatra, assumindo essa condição com toda a responsabilidade e sinceridade...e a verdade é essa: a prevalência da meningite PNEUMOCOCICA ( não confundir com a Meningococica)não mudou...
Não esqueçamos os brutais interesses comerciais e ganhos económicos em jogo.
Tenho a elogiar a coragem evidenciada pela Ministra

Mónica (em Campanhã) disse...

não haver estudos que confirmem o benefício é diferente de haver estudos que confirmem que não há benefício. afinal há ou não?