sábado, outubro 25, 2008

Mortocracias...

INEM não transporta cadáveres de doentes que morram nas ambulâncias
25.10.2008 - 09h49 Lusa


Se um doente morrer a bordo de uma carrinha do INEM, o veículo detém-se e o cadáver tem de ser transferido para um transporte alternativo porque formalmente não pode seguir viagem na mesma viatura.


Esta norma pode dar origem a situações em que um corpo demore cerca de uma hora a ser transferido de veículo, como aconteceu esta semana no distrito de Bragança.

De acordo com a Lusa, o caso aconteceu na passada quinta-feira quando uma vítima de AVC (Acidente Vascular Cerebral, vulgarmente conhecida por trombose) faleceu a meio caminho entre Torre de Moncorvo e Bragança, na zona de Caravelas, próximo de Bornes. Segundo várias entidades envolvidas na operação e ouvidas pela Lusa, o corpo da vítima esperou mais de uma hora na estrada nacional 102 até estarem concluídos os procedimentos para ser transportada para a morgue de Bragança.


De acordo com o primeiro-sargento Camilo, da GNR Mirandela, aquela força de segurança foi chamada ao local por volta das 17h20. Segundo contou, uma ambulância do INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica) estava a transportar o doente, tendo vindo ao seu encontro a VMER (Viatura Médica de Emergência e Reanimação). O doente não resistiu a um AVC, acabando por falecer a meio dos cerca de cem quilómetros que separam Torre de Moncorvo de Bragança, tendo o óbito sido declarado pelo médico da VMER.


A partir do momento em que é confirmado o óbito, o INEM cessa a sua função e a ambulância pára, segundo disse Lusa fonte do Instituto sublinhando que "não é missão do INEM transportar cadáveres". Segundo explicou, quando ocorre o óbito é accionada a autoridade mais próxima, neste caso a GNR, que fica no local junto ao corpo até chegar o transporte alternativo.


A finalidade, de acordo com a fonte é "libertar os meios de emergência, nomeadamente as ambulâncias para a sua missão de socorro".

Porém neste caso, a VMER ficou imediatamente disponível, mas a ambulância do INEM que transportava o doente falecido manteve-se no local até chegar uma outra ambulância dos bombeiros de Mirandela que fez o transporte para a morgue de Bragança, onde chegou por volta das 19h30.


Delegado distrital de Saúde de Bragança discorda da norma


Os intervenientes admitem que este processo possa parecer "chocante", mas dizem que são as regras, de que discorda o delegado distrital de Saúde de Bragança. Victor Lourenço defende que "a ambulância em transporte do doente urgente deve seguir para a morgue", e não encontra qualquer justificação de saúde para este procedimento.

Para o delegado de saúde, a forma de resolver este tipo de situações e agilizar e libertar realmente os meios de socorro seria licenciar em Portugal os carros de transporte de cadáveres, à semelhança do que já acontece em outros países da União Europeia, nomeadamente na vizinha Espanha.

9 comentários:

Rosalvo disse...

Mas que grande disparate! Não conheço as regras, mas se isto é verdade, só pode ser um grande disparate! Mudem-se as regras, chiça! Que se determine ao INEM que, em caso de falecimento de uma pessoa transportada, seja a mesma transportada de imediato para o estabelecimemto de saúde mais próximo. Eu cá, se mandasse, mandava que fizessem isso mesmo antes da sair qualquer lei, despacho ou portaria!

Anónimo disse...

Muitas vezes é isso mesmo que acontece... o INEM mantem manobras de ressuscitação até chegar ao hospital em doentes que já se sabe serem cadáveres, que não vão resistir e têm indicação para cessar manobras ou que nem sequer tem indicação para iniciar suporte básico. Mas como é tão complicado depois lidar com esta situação e burocracias, preferem simular que ainda estão em acção de resusscitação e entregar doentes nas salas de emergencia, já cadáveres. Depois aqui é só passar a certidão de óbito.

Anónimo disse...

E se o portuguesito, expert em contornar as situações, umas vezes faz mal e só encrava o sistema, outras vezes ainda bem que o dessenrrasca, é sensato e contorna mesmo o sistema...é que na área da saúde, se fossemos seguir as regras à risca e as burocracias, todos os hospitais tinham de encerrar e o sistema parava completamente.

Fénix disse...

Não se entende o porquê do accionamento de outra ambulância para o transporte do cadáver, se esse já estava dentro de uma ambulância, somente devi seguir.
A remoção dos cadáveres é um problema grave e complexo, porque os cadáveres devem ser removidos por veículos e equipamento próprios, como a tripulação deve ter equipamento de protecção individual a apropriado e ter formação sobre o manuseamento e condicionamento do cadáver e para o transporte, como saber efectuar a limpeza da zona envolvente do cadáver de qualquer matéria orgânica ou cheiro, deixando a zona onde completamente limpa.

Os Bombeiros não são obrigados a efectuar remoção de cadáveres, mas muitos deles efectuam esse tipo de serviço, em virtude das avultadas receitas obtidas, que chegam a ser superior a 500% comparando com um transporte de um doente, e para efectuar esse tipo de serviço usam ambulâncias de socorro ou de transporte, veículos afectos unicamente ao socorro e ao transporte de doentes, sem que as tripulações disponham de equipamento nem conhecimentos no manuseamento de cadáveres, principalmente quando esses já se encontram em avançado estado de decomposição.

Existe a necessidade das entidades oficiais regulamentarem essa actividade, mesmo por uma questão de saúde pública, onde ambulâncias que transportaram cadáveres, alguns em avançado estado decomposição, passado algumas horas andam a transportar doentes e sinistrados, onde no meu entender deviam ser as agências funerárias locais as únicas entidades efectuarem esse tipo de serviço, em escalas rotativas, situação comum em qualquer país europeu
PUBLICADA POR FÉNIX EM QUINTA-FEIRA, MARÇO 27, 2008

Anónimo disse...

Uma pessoa que momentos antes tinha todos os direitos, quando exala o último suspiro passa a ser um incómodo monte de lixo. Ísto è no minimo uma enorme falta de respeito pela dignidade humana. Que sentido faz estar a fazer a transferência do cadáver? Tornou-se imediatamente um risco ambiental ou de sáude pública, tão grave que não possa ser transportado com toda a segurança para a unidade se saúde onde supostamente seria atendido se não tivesse sucumbido? Haja paciência para aturar burocratas, esses sim perigosos para o bem-estar das comunidades!

Menina_marota disse...

Um dia chegaremos ao cúmulo de ver os doentes na berma da estrada para as ambulâncias seguirem caminho...

india disse...

o problema é que, segundo os familiares da vítima,foram 4 horas, QUATRO HORAS SENHORES,à espera que o CODU decidisse afinal para onde ia o corpo e afinal quem o devia transportar. QUATRO horas na berma da estrada, sem qualquer respeito ou dignidade, QUATRO horas uma ambulância do INEM parada, por ordem do CODU, a aguardar novas ordens....como é que o médico explica esta medicina? a culpa não é dos médicos não, é do sistema, dos governantes que fazem estas leis sem ouvir quem anda no terreno e quem poderia explicar a medicina a intelectuais, não é verdade?

Anónimo disse...

Então e o mais elementar, quem certifica o óbito?
O condutor ou o enfermeiro e depois a certidão de óbito quem a passa?
Mais uma vez Portugal no seu melhor.
Viva o simplex!

Anónimo disse...

aiaiai... por favor! ainda dizem que este país não é de 3º mundo? isto não cabe na cabeça de ninguém!!!!!