quarta-feira, agosto 20, 2003

"Com a campanha de angariação de utentes ..."

Achei piada a esta notícia no Público 19/08/03. A frase até é de um colega meu, Director de um Centro de Saúde.

Como dizem que há falta de médicos, a nova teoria é angariar utentes, que os médicos logo aparecerão.

Esta a conclusão (precipitada) depois da leitura da notícia, onde se afirma que determinada Extensão de Saúde com 800 utentes e sem direito a médico, com uma campanha de angariação de mais 700 utentes, conseguiu um "médico permanente".

Se a moda pega, teremos mais uma guerra entre as nossas freguesias: a transferência a peso de ouro de utentes de uma para a outra, para se conseguir um médico.

A SicNotícias e as Armas dos Psicólogos

Dizia ontem a SicNotícias, na promoção de um programa sobre cancro da mama que "médicos e psicólogos, juntarão as suas armas no combate ao cancro da mama". Está citado de cor e pode não ser exactamente assim, mas a mensagem era essa.

Por mais que pensasse, que investigasse, não descobri quais as armas dos psicólogos. Até fui ao Google e a resposta foi: A sua pesquisa - "cancro + mama + psicólogos + combate" - não encontrou nenhum documento.

E compreende-se: o combate ao cancro da mama, faz-se pela investigação da genética, da epidemiologia, do diagnóstico precoce, de novas técnicas de cirurgia, etc., mas sem armas psicológicas.

Contudo, a psicologia tem armas poderosas, e é muito necessária, quase imprescindível, mas para combater os efeitos do cancro da mama (de qualquer cancro!) na psique da pessoa, ou neste caso, no doente duplamente amputado (sim, a mastectomia é uma amputação!), fisica e sexualmente.

segunda-feira, agosto 18, 2003

Também Erro! (Corrijam-me por favor!)

"Caro "Médico [que] explica medicina a intelectuais"

Sigo com muito interesse o seu site. Se não fosse por ser "bloguista" cibertulia (seria pelo lado profissional - sou jornalista e procuro ouvir quem me (nos) aponte erros -, ou pelo lado "doméstico" (estou casado com uma jovem colega sua, ainda médica do internato geral). E, reparo, hoje, que "congestionou" o seu blogue com interessantes viagens pela blogosfera. Mas no melhor pano cai a nódoa: quando cita o trabalho da minha colega de redacção Tatiana Alegria, diz que é um trabalho do Diário Digital, certamente um lapso, que o link para a notícia desmente... Trata-se do PortugalDiário, claro. De resto, nada a acrescentar: pertinente, como sempre.
Obrigado pelo seu blogue.
jornalista do PortugalDiário
www.portugaldiario.iol.pt"

A opção por transcrever a mensagem na íntegra, tem apenas como objectivo demonstrar que não tenho nada contra os jornalistas. Pelo contrário. Negritos da minha responsabilidade.

Nota: também partilho a ideia de que as mensagens dirigidas ao e-mail do blogue, funcionam como cartas à redação (ou ao director) de um órgão de comunicação e como tal, podem ser publicitadas, desde que não solicitem o contrário.

domingo, agosto 17, 2003

A Doença de Alzheimer e Os Blogues

Respigo com a devida vénia este bilhete d' O Bisturi, de Segunda-feira, Agosto 11, 2003.

"Ter um blog previne a doença de Alzheimer.
Porque quem mantém uma vida intelectual activa está mais protegido, confirmam estudos recentes. Pacheco Pereira e Francisco Viegas, dois veteranos, penetraram neste mundo imenso timidamente e experimentam agora diariamente, para nosso gáudio, doses descomunais do elixir da eterna juventude."

O Abrupto E Os Impostos

E assim, abruptamente quedei-me no Abrupto, para lhe enviar a minha solidariedade bloguista.
Em 6/8/03, JPP disse que: "Quando se está revoltado, e não tenham dúvida que é essa a palavra exacta, pensa-se fazer algumas coisas nem todas sensatas".
Várias vezes, partilho os mesmos sentimentos àcerca dos impostos, quando determinados quadros intermédios (e alguns sindicalistas dos impostos) dos nossos serviços das finanças, se atiram a classes inteiras como sendo elas as únicas e no seu todo, as grandes responsáveis pela fuga aos impostos.
Em relação ao médicos, mais de metade trabalham apenas para os Estado, outros trabalham para empresas, seguradoras, clínicas privadas, com avenças com sub-sistemas de saúde, etc, onde fazem sempre a retenção de 20% dos honorários. Médicos em profissão liberal, pura, são já poucos!

Por outro lado, nestas férias, vi centenas de automóveis, supostamente de dois lugares para não pagarem um imposto que se chama IVVA, mas que colocam a rede ou outro separador, bem lá atrás, junto à bagajeira, usufruindo assim um automóvel de 4 lugares, pagando o imposto de um carro de trabalho. E que carros: jipes, mercedes, bmw, audis, etc.

E ninguém os investiga? Serão milhões de euros que fogem aos impostos ...
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O Cerco do Porto E A Maria Elisa

Navegando mais para Norte, parei junto ao Cerco do Porto, que na na Sexta-feira, Agosto 01, 2003, estava muito preocupado com a Maria Elisa e com quem a criticou: "Era o que me faltava vir para aqui defender a Maria Elisa. Ainda se ela fosse a primeira dama, dragonisticamente falando... Mas, como já vi em vários blogs referências à possibilidade de a suspensão de mandato que pediu, na AR, mais não ser do que um expediente fraudulento, devo recordar que a deputada eleita por Castelo Branco é um dos rostos em Portugal da fibromialgia, doença que não desejo a nenhum dos que a condenam sem tentarem aprofundar os factos."

Que a doença está na moda, é verdade. Que é complicado o diagnóstico, é verdade. Que não há ECD que a comprovem ou suspeitem, também é verdade. Que todos os sintomas são subjectivos e muito ligaos à psique, também é verdade. Já quase que não é uma doença, mas um status, já se começa a ouvir, nas consultas: "Sr Dr, eu Joana da Silva, fibromiálgica, venho pedir-lhe umas receitas.

O que eu condeno veementemente é o facto de se estar incapaz para uma actividade e não para outra semelhante e com a mesma justificação.

Outra situação muito criticável e que me levanta muitas dúvidas sobre muitos interesses que possam existir é o facto das senhoras doutoras Maria Elisa e Sousa-Uva apadrinharem uma nova associação de doentes, a MYOS, em Lisboa, quando no Cerco do Porto, bem lá dentro, já existia uma com trabalho efectuadao, a Associação Portuguesa de Doentes com Fibromialgia.

O Aviz E A Tristeza em Aviz

No meu contínuo navegar, fui encalhar na frase de FJV onde atesta: "Aviz tornou-se, definitivamente, a terra portuguesa onde há mais blogs por habitante. Além de O Maranhão, .../... e o Triste Aviz / Avis Linda. Como disse recentemente, acho isto corajoso numa terra de gente cada vez mais calada. E triste, já agora."

Conheço Aviz, e sei que é linda. Mas triste, é todo o Alentejo, quase que por por definição.
Cabe a intelectuais como FJV e outros, trazerem a alegria de viver para o Alentejo. Serão vanguardistas, mas enquanto o trabalho braçal vai fugindo para as cidades, é importante, mesmo que incompreendidos pelos poderes locais, mais interessados nos votos, que a massa crítica vá inundando o Alentejo.

A tristeza no Alentejo leva ao suicídio: "No que concerne à distribuição geográfica do fenómeno, a região de Lisboa e Vale do Tejo foi a que registou o maior número de suicídios, com 2052 casos (49 por cento do número total de casos), seguida do Alentejo com 751 casos. O Alentejo, porém, apesar de ter registado menos casos de suicídio do que Lisboa, é a região do país onde a taxa de suicídio é maior, uma vez que é ali que o número de suicídios por cada 100 mil habitantes é o mais elevado", segundo dados da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da UNL.

Flor de Obsessão E A Confusão do Tratamento da Mente

Hoje pude navegar por alguns blogs e armei-me em Apóstolo da Blogosfera (aquele que é enviado numa missão, evangelizador, divulgador de uma causa, missionário exemplar). É uma afirmação feita para puro gozo pessoal e em tom irónico.
Da mesma forma que julgo foram produzidas, na Segunda-feira, Julho 21, 2003, na Flor de Obsessão, as afirmações de que "Nunca consultei um terapeuta, um psicólogo, um psicanalista, um sexólogo, etc. .../... A antropólogos, também nunca fui. Amigos meus já foram. As consultas são caras e demoram muito. Uma pessoa tem que se deitar, o que é sempre desagradável. Não critico as pessoas que recorrem a psiquiatras e terapeutas. Acho muito bem (aqui, sem ironia)."
Só espero que a consulta com o antropólogo seja a ironia.
"Ouço muito bem e gosto muito de ouvir. Mas é aí que está o problema: quando ouço, quando ouço alguém a falar sobre mim, quero ficar a saber mais do que sabia."
"Acontece que a coisa raramente resulta: sempre que alguém começa analisar um problema meu, fico imediatemente a saber que esse alguém está a falar de si próprio. "
Mas como afirma que nunca foi a um profissional da psique, pressupõe-se que esse alguém da sua experiência, era um curioso ou curiosa nele. (No bom sentido, claro, e com ironia.)

A principal função do profissional da psique é ouvir, ouvir e ouvir, orientando o fluxo das ideias e das memórias. Fundamentalmente, só isito.
Agora, consultar um antropólogo, só mesmo em tom irónico!
("A Antropologia é o estudo do homem como ser biológico, social e cultural. Sendo cada uma destas dimensões por si só muito ampla, o conhecimento antropológico geralmente é organizado em áreas que indicam uma escolha prévia de certos aspectos a serem privilegiados como a “Antropologia Física ou Biológica” (aspectos genéticos e biológicos do homem), “Antropologia Social” (organização social e política, parentesco, instituições sociais), “Antropologia Cultural” (sistemas simbólicos, religião, comportamento) e “Arqueologia” (condições de existência dos grupos humanos desaparecidos). Além disso podemos utilizar termos como Antropologia, Etnologia e Etnografia para distinguir diferentes níveis de análise ou tradições académicas")

Médicos Bons, Médicos Maus

1) Médicos Maus – Diz o JN de 31/07/03, baseado numa notícia d'As Beiras, que ”70% das amputações do pé diabético são evitáveis". No artigo, sobre a inauguração de um Centro de Estudos do Pé, na Casa de Saúde Santa Filomena faz-se uma grande reportagem sobre a diabetes, o pé diabético, etc. Só não explicam o que me explicaram: os mesmos médicos, dentro do hospital, pouco criaram! A ser verdade ...

2) Médicos Bons – No Expresso de 05/07/2003, sobe o título Urgências Fatais, um médico denuncia que "está tudo mal na assistência dos hospitais aos sinistrados graves" através de um estudo inédito por ele conduzido. É o presidente da Sociedade Portuguesa de Trauma (SPT) e professor da Faculdade de Medicina de Lisboa. Mais se afirma: " estes resultados estão relacionados com «o mau funcionamento nas múltiplas áreas da cadeia do trauma», desde que acontece o acidente até à chegada do doente ao hospital, e entre serviços de urgência e internamentos."

3) Médicos Maus – Segundo a TVI (2003-08-14 20:30), "Dezenas de médicos acusados de corrupção" e "Laboratórios farmacêuticos ficam livres devido à lei da amnistia." Desenvolve depois: "Dezenas de médicos em todo o país estão a ser acusados pelo Ministério Público de corrupção continuada com a indústria farmacêutica. Há médicos que vão ser julgados e podem ser condenados a dois anos de prisão..
Mas também se cai no ridículo: "Um grupo de especialistas dos Hospitais de Santo António, no Porto, de Viseu e do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, foi acusado por causa de um fim-de-semana pago pela Roche numa herdade alentejana."

4) Médicos Bons – No Público de 11/08/03, um artigo de um médico (Presidente da Sociedade Portuguesa de Senologia) preocupado com os doentes com cancro: "Direitos dos Doentes com Cancro" Afirma: "Há sempre algum desconforto por parte dos profissionais de saúde quando se fala de "direitos dos doentes", nomeadamente de foro oncológico. Todos dizem que os direitos são imensos e os deveres diminutos ou quase inexistentes."
"Se estes direitos não podem ser cumpridos por deficiências legais, por incapacidade dos governantes, por pressões dos "lobbies", por carências em recursos humanos ou económicos, por gestões menos correctas ou até danosas - há o dever e o direito de as denunciar."
Os direitos: "Será admissível que um doente com cancro diagnosticado espere três ou quatro meses pelo tratamento adequado?
"Será admissível que o tratamento instituído não esteja de acordo com o "estado da arte" da doença?"
"Será justo que haja administrações que não propiciam ao doente o tratamento de "última linha" (nas diferentes especialidades) unicamente por critérios economicistas altamente discutíveis? "
"Será aceitável que haja desperdícios, sobreposições ou omissões no tratamento do doente oncológico?"
"Será de admitir que o doente não seja tratado com a dignidade e o humanismo que merece?"
"Tem o direito de ser tratado com a maior dignidade e direito à igualdade dentro das diferenças. Tem direito à preservação da sua integridade mental e física, ao respeito pela sua privacidade, à não discriminação sob o ponto de vista moral, cultural, ideológico e religioso.
"Tem o direito a uma adequada acessibilidade aos serviços de saúde, bem como ao diagnóstico e tratamento adequado e atempado. O doente oncológico tem o direito de exigir o tratamento mais eficaz para a sua doença, bem como escolher livremente a instituição em que deseja ser tratado. "
"Tem sempre direito a uma segunda opinião."
"Tem o direito de mudar de instituição e, se o seu estado o permitir, receber cuidados na sua casa."
"... ser garantida a melhor qualidade de vida, que passa pelo desaparecimento de sintomas, nomeadamente da dor."
"Tem direito a ser informado e a colaborar activamente nas eventuais opções que lhe são oferecidas em relação ao não tratamento, ao diagnóstico e tratamento, ao prognóstico e à evolução da doença".


5) Mellos suspeitos - No DE 05/08/03 e sobre o Hospital Amadora/Sintra, diz-se: Tribunal Arbitral rejeita relatórios e elogia gestão hospitalar dos Mellos.
O acórdão do Tribunal Arbitral sobre as divergências na interpretação do contrato de gestão do Amadora/Sintra é um documento que responsabiliza principalmente o Estado pelo litígio e que critica os organismos estatais, em especial a Administração Regional de Saúde de Lisboa (ARS), elogiando a gestão da José de Mello Saúde (JMS) isto é: um parecer de administrador da CUF prevaleceu sobre tese do Estado .
Nesta questão do Hospital Amadora-Sintra, necessito eu que alguém me explique o que se passa. Apenas sei que o Ministro da Saúde, foi gestor da Mello Saúde e que estão em jogo milhões de euros!

6) Médicos Bons - "Os meus sinceros parabéns pela sua página na net - pela militância bloguista e, fundamentalmente pela excelente ideia subjacente á página. É prioridade melhorar a cultura médica deste país: são tantos os disparates que se ouvem e vêem. Vim parar à sua página por acaso, sou agora fã incondicional. Sou seu colega de profissão internista e intensivista no H. V. Parabéns! F.F.

sábado, agosto 16, 2003

Viva A Tatiana Alegria! ou A Queda de Um Mito (Nadar de Barriga Cheia Não Mata!)

Logo, quando nasci, o pai dos weblogs, Jornalismo e Comunicação, duvidava da minha seriedade em relação aos jornalistas. Compreendi.
Nas, a prova de que estava enganado, é este bilhete de euforia e exaltação a uma jornalista, Tatiana Alegria, do PortugalDiário, que num artigo (16-08-2003 19:53) desmonta o velhinho mito de que não se pode ir para a àgua com a "barriga cheia".
Vejo muitos intelectuais, portadores de enormes conhecimentos (e barriguinhas), ficarem aterrados com a ideia das congestões, vejo muitas peças jornalísticas usarem e abusarem das mortes por congestão.
Aliás, para os jornais e para os nadadores salvadores todas as mortes no mar ou no rio, são por congestão.

Mas, a Tatiana Alegria, fez a sua investigação e publicitou aquilo que há muito eu e muitos médicos já sabiam. (Mas acautelem-se, pois há muitos médicos que também acreditam ainda, no mito das congestões).

Aconselho todos a ler o artigo na íntegra, mas aqui vão alguns excertos:
- "Uma pessoa saudável pode ir brincar com as ondas cinco minutos depois de almoçar ou jantar. Chapinar no mar apresenta vários perigos, mas nadar de barriga cheia não é um deles."
-"«A digestão não exige que se esteja paradinho a seguir a uma refeição. Apesar deste processo consumir energia, uma pessoa saudável tem perfeita capacidade para nadar com o estômago cheio», diz o médico e investigador José Pedro Cansado Carvalho."
- "A paragem da digestão, também chamada popularmente «congestão», segundo este médico, «é um mito popular português»."
-"O gastroentrologista António Sarmento partilha da mesma opinião: «Morre-se no mar fundamentalmente por três razões: hipotermia, exaustão e o que se chama morte súbita»."
-"... a necessidade de entrar na água devagar para que o corpo se habitue à baixa temperatura."

Afinal os Médicos Prescrevem Genéricos !!!

Num bilhete antigo escrevia como a comunicação social manipulava os números ao afirmar que mais de metade dos médicos não autorizava a substituição por genéricos.

Mas no Diário Económico de 8/08/03, "Os dados, a que o Diário Económico teve acesso, mostram que, no primeiro semestre de 2003, o mercado de genéricos apresentou um crescimento de 316% em valor e 266% em volume, face ao período homólogo de 2002. Até Junho, foram vendidos 3,8 milhões de medicamentos genéricos."

Como só os médicos podem prescrever, a conclusão é fácil ...

Entidade Reguladora da Saúde, Estarão os Médicos Contra?

Segundo o Diário Económico de 1 de Agosto de 2003, sim, pois o seu título é expressivo: "Médicos contra modelo da Entidade Reguladora da Saúde"

Lendo a notícia, ficamos esclarecidos. Afinal foi só um parecer da FNAM onde explicita a sua posição.
Diz a notícia: "Numa missiva muito crítica para com o modelo e até para o próprio autor do projecto – Vital Moreira – os médicos questionam a independência de uma entidade cuja direcção é nomeada pelo Governo e discordam da inamovibilidade do conselho directivo por cinco anos: «É chocante que num estado republicano, democrático e de direito se pretendam constituir entidade “monárquicas” eternizadas no poder», lê-se no documento, disponível no site da FNAM."

Respeito a posição da FNAM, talvez a principal organização sindical médica, agora em completa simbiose com o SIM, mas porque é que os jornalistas, generalizam um parecer decidido por uma direcção sindical a toda uma classe?

Quem nos corporativiza são os media. Os médicos, têm também muitos interesses contraditórios, veja-se a discusão nos vários jornais sobre o Centro Materno-Infantil no Porto ...

A Farsa dos Hospitais S.A. (do Jornal Virtual do SIM)

"Como é o caso daquele Hospital de Lisboa em que a Cardiologia parece já não poder executar mais ecocardiogramas e exames hemodinâmicos, pelo que é segredado aos médicos para reduzirem os seus pedidos de ECD e são utilizados subterfúgios para serem pagos não pelo hospital mas pela ARSLVT.
Daí que os pedidos de consulta externa pelos Cuidados Primários sejam “rateados” e que a tentação do “diga lá ao seu médico de família para lhe pedir este exame” cresça.
São assim subaproveitados os meios instalados, são assim incrementados os ganhos dos privados e convencionados, são assim sobrecarregados os médicos de família com pedidos de transcrição ilegais.
São assim postos em causa princípios éticos e deontológicos médicos e também a competência de gestores."

A serem verdade estes factos (e outros, pois são muitos os zuns-zuns que se vão ouvindo em vários hospitais), não sei o que dizer! Partilho da necessidade de se darem várias voltas completas aos nossos hospitais e centros de saúde, importando para as estruturas do Estado as regras das empresas privadas, mas em tudo tem que haver limites e não sei se na euforia anti-despesista, esses limites serão cumpridos.

Esperemos que a Entidade Reguladora da Saúde, que aí virá, vá regular (ou não!)estes aspectos menos éticos da actuação dos gestores dos nossos hospitais SA ou públicos.

sexta-feira, agosto 15, 2003

Elsa Raposo Luta Contra um Tumor! (Fomos Manipulados!)

Quando li na capa esta notícia, num escaparate, pensei: coitadinha deve ser um cancro! Veio-me à memória a forma como lidaram com os seus cancros, o Camacho Costa e o João Amaral. Cada um geriu a doença como quis. Público e privado. Estão no seu direito.
Mas, para a Elsinha lembrei-me de tudo: será na mama? Será no pulmão? No colo do útero? No fígado? Será um meningoblastoma? Um astrocitoma? Um linfoma? Um carcinoma epidermoide? Um teratoma? (este não é de certeza!). Um oligodendroglioma? Será um schwanoma maligno ? (ou melhor porque a terminologia também vai mudando entre nós: tumor maligno da baínha do nervo periférico).
Fiquei triste e depressivo durante vários dias.
Mas eis que, como queria estar actualizadíssimo sobre se o Zé Luís, é ou não homossexual, comprei mais uma de la boue. (TV Guia, nº 1280, ano XXV, 15 de Agosto de 2003, p. 116) e prontosss, já se falava na sensualidade da Elsa Raposo, até diziam que parou o trânsito e entre parêntesis a verdade: “tem um mioma no útero”.
Descansei, deitei foguetes! Afinal a nossa Elsa não nos vai deixar...

Mas o que é um mioma, ou melhor fibromioma? é um tumor benigníssimo do corpo do útero, que aparece em milhares e milhares e milhares de mulheres e que só se torna perigoso quando provoca hemorragias vaginais (metrorragias) que podem ser controladíssimas.

Pela memória do João Amaral e Camacho Costa e das inúmeras vítimas fatais de tumores malignos, Elsa Raposo e a Caras deveriam retratar-se, pedir desculpa e desaparecer por uns tempos.

E não se pode exterminá-los? (À la boue?)

quinta-feira, agosto 14, 2003

11/08 - Clara Ferreira Alves et la boue - Maria Elisa e as baixas por doença

Segundo CFA na sua última Pluma Caprichosa (La Nostalgie de la Boues, Única, Expresso nº 1606, de 9 de Agosto de 2003), "O país não está cintilante." Mais à frente, "fui abastecer-me de lixo, trash, lama, em francês boue." Pagou 5 euros. Boue é as Caras, as Vip, as Lux, as !Hola!.

Confesso que tenho uma outra forma de ler la boue. Não gasto um euro! Adoro ler as revistas com um ano ou dois de atraso. Foi o que fiz, no apartamento de férias.

Li na Caras (nº 367, de 24 de Agosto de 2002) que Maria Elisa afirmou: "porque sujeitei-me ao sufrágio e fui eleita por pessoas que confiaram em mim. .../... É uma questão de consciência. Tenho de respeitar e honrar essa escolha". O artigo intitulava-se "Maria Elisa Domingos é um caso sério"
Segundo os jornais, a deputada, sairá por baixa médica, para entrar em plena actividade jornalística na RTP. Será verdade? Será seriedade?

Que é uma pessoa doente, não duvido. Ela é que o afirma: enxaqueca grave, fibromialgia e ausência d' "o amor é ainda um capítulo adiado da sua vida", segundo a Caras.

Com todas estas doenças, talvez haja uma depressão (escondida?, não diagnosticada?, masqué?). Ou será que é por ser uma doença banal e do povo que não se mediatiza?

Mas a mensagem és esta: o Primeiro Ministro legisla no sentido de combater as baixas fraudulentas, uma sua deputada afirma-se doente para uma tarefa intelectual (no Parlamento) e vai executar outra tarefa, também intelectual (na RTP).

Quando se fala de baixas fraudulentas, inconscientemente se deduz que o médico (o malvado do médico!) também colabora com a fraude.

Mas enganem-se meus queridos jornalistas (queridos no bom sentido, pois sou amigo de alguns), algum médico recusaria uma baixa a uma doente com uma profissão intelectual, com eenxaqueca grave, fibromialgia e ausência d' "o amor é ainda um capítulo adiado da sua vida", ou depressão?
Não! Seria não cumprir a legis arte.
Só que depois de se fechar a porta do consultório, o médico já não é responsável por aquilo que o doente fará...

E termino com mais uma história:
Estava no início da década de 80, tinha iniciado o ex-Serviço Médico á Periferia, quando me aparece uma doente a pedir baixa por cansaço e dificuldades na marcha. Tudo bem, lá a ouvi e concluí que provavelmente falava com sinceridade e como o trabalho do campo é duro, passei-lhe a baixa. À noite, na habitual confraternização da equipa de médicos (que saudades!) pergunta-me uma colega: não foi à tua consulta uma doente "assim-assim" pedir-te baixa? Foi, respondi eu. Olha, diz-me a colega, essa doente pediu-me baixa e não lha dei, e ela afirmou que iria a pé (com dificuldades na marcha, pasme-se!), cerca de 14 km, entre a freguesia e a sede e traria de certeza como papel da baixa. Assim foi e assim fui ludibriado por uma doente pela primeira vez. E infelizmente isto repete-se muitas vezes, até no Parlamento ...

10/08 - XIS (Muitas) Ideias Para Se Ser Hipocondríaco

No repouso das férias folheei uma XIS antiga (nº 147, 30 de Março de 2002).
O que fui lendo:

- "27 mulheres testam vacina contra o cancro da mama",
- "Hormona do crescimento funciona." (Poupem os leitores, já funciona há dezenas de anos!)
- "Dependência do chocolate" (Parece que se confirma!)
- "Tui Na - Nome misterioso de uma massagem que faz bem a tudo" - título da capa, com chamada para o interior, onde se podem ler umas balelas e se publicitam as respectivas clínicas em Lisboa. (Este será o 3.598 enésimo nome de uma técnica de massagens! Para mim, bastavam-me as mãos da Fernanda Serrana a massajar-me o corpo para fazer bem a tudo!)
- Sobre "O Colesterol - em mais de 90% dos casos uma mudança nos hábitos alimentares reduz os níveis de colesterol" - afirma um naturopata. (O que não afirma é que a mudança de comportamentos em qualquer doença tem um êxito quase nulo, confirmado por estudos científicos.)
Cá por mim, faço como muitos dos meus colegas, ingiro diariamente uma aspirina de baixa dose e uma estatina para prevenir as doenças cardiovasculares, um dos flagelos da actualidade.
- "Inflência da Lua no nosso comportamento" (Provavelmente em muitos países - Libéria, Palestina/Israel, Iraque e mesmo EUA, a Lua está em eclipse há muito...)
- "Alimentação biológica - Traz inúmeros benefícios para a saúde" (Não são inumerados e não se pode confirmar cientificamente com estudos prospectivos este título, embora não se possa negar que é muito mais positiva.)

Em conclusão, a revista XIS, para além de ser uma revista comprovadamente hipocondríaca, é, sub-limiarmente a propagandeadora da iliteracia científica.

09.08 - Tudo Aconteceu Num Quarto de Hotel em Paris

Assim mente a Lux, na sua secção Vidas de Luxo (nº 171,09 de Agosto de 2003, p. 6).

E mente porque Marie Trintignant foi maltratada num quarto de hotel em Vilnius, capitla da Lituânia. Vários jornais noticiaram durante vários dias as notícias correctas e com a explicação exacta.

Mas para a Lux , violência doméstica é substituída por enorme briga. E assassinada por ter matado.

Provavelmente porque a secção se chama Vidas de Luxo e os luxuosos não batem nas mulheres e têm que ser poupados!

Marie Trintignant não tem culpa!

sexta-feira, agosto 08, 2003

MST

MST, para muitos será Miguel Sousa Tavares.
Para mim e para qualquer médico, MST é o nome comercial de comprimidos de sulfato de morfina. Morfina para "analgesiar" quem necessita (usa-se muito em doentes com tumores malignos com dores dificieis de controlar). E por vezes, o M(iguel)ST anestesia-nos com os seus disparates quando fala de Medicina. E é pena. Gosto de o ouvir. Gosto mesmo muito de o ouvir, mas confesso que, quando fala de Medicina, não acerta uma.

A última foi num Diário Económico de Julho. Afirma peremptoriamente que os médicos têm duas tabelas para pagamento das horas extraordinárias! Errado.
Vou tentar explicar (lhe):

- No regime de trabalho dos médicos, sempre houve dois regimes de horário: tempo completo e o tempo completo prolongado (acrescido de 12 horas).

- Desde há bastantes anos (no Ministério da drª Beleza) foi instituída uma nova modalidade que se aplicaria aos dois regimes antigos: a dedicação exclusiva.
- Se nos primeiros regimes (sem dedicação exclusiva) o valor da hora, quer ordinária, quer extraordinária era o mesmo, pois a fórmula que se aplica para determinar o seu valor parte do mesmo valor do salário base: ordenado recebido x 12 meses / 52 semanas x 35 horas (ou 42 horas no TCP).

- Com a introdução da dedicação exclusiva que automaticamente elevou o ordenado base par 140%, aplicando a mesma fórmula, os valores da hora normal de trabalho passaram a ser diferentes, consoante se trabalhava em dedicação exclusiva ou sem dedicação exclusiva.
Até aqui tudo bem, e ninguém contesta que quem tem dedicação exclusiva deva ganhar mais.

- O problema surgiu quando foi necessário determinar o valor das horas extraordinárias, que se determinam em função do valor de cada hora normal, aplicando várias percentagens de acordo com a hora do dia em que cada hora se executa.

- Nas urgências e SAPs, o médico sem DE começou a olhar para o lado e a ver o seu colega com DE, a fazer o mesmo serviço de banco e a receber cerca de metade do valor da hora do seu colega.

- Começaram as movimentações sindicais, para alguns sectores consideradas oportunistas, pois tinham também sido os sindicatos a propor anteriormente a dedicação exclusiva, e as tutelas, como estavam em jogo milhões de euros, decidiram aceitar as reivindicações desde que houvesse uma moeda de troca, que implicaria mais trabalho e a recuperação das listas de espera. Os sindicatos nais uma vez responderam afirmativamente.
Só que, o Estado foi retardando esse pagamento com vários argumentos até ao actual ponto de ruptura.

Salada Longa: Negligência dos Economistas, Error #754 , Cargosito, Família, Férias, Handwriting, Fibromialgia.

Peço desculpas aos leitores que por aqui têm passado e encontraram a última mensagem datada de 31.07.2003, sem qualquer explicação.
Pensaram logo e com razão, “o gajo foi para férias, e nem uma mensagem de aviso. É igual aos outros!”. (Em Portugal, os outros, pagam sempre com tudo!)

Nada disso: foi uma sucessão de factores não previstos, a que se juntou a previsibilidade de viver, também, para a família.

Elencando as desculpas:

1) Percorri no dia 30 de Julho, as várias operadoras de telemóveis para adquirir o produto que permitiria fazer a ligação fácil e rápida, entre o portátil e a Internet. Tudo esgotado. Optimus e Vodafone (com a TMN estou incompatibilizado). Conclusão: os economistas não avaliaram correctamente a procura desses produtos. Negligência ou erro? (As SMS e os UMTS, são a prova de que os economistas e as telecomunicações móveis têm uma relação difícil.)
2) No dia 1 de Agosto, consultei de manhã alguns doentes programados e outros de última hora, e de tarde, tinha programado, partir (finalmente!) para férias com a família, após uma última ida à blogosfera, já que não teria acesso à rede durante as férias.
3) Mas, durante o almoço telefonicamente um superior hierárquico comunica-me que a nomeação para um cargosito institucional (já esperado), tinha sido assinada pelo ministro respectivo e teria que tomar posse. Assim aconteceu e perdi mais umas horas.
4) Finalmente, quando me preparava para enviar um bilhete para o blog comunicando a ida para férias sem net, surge-me aquilo que mais se detesta na Internet: ERROR, este era o # 754, e sem qualquer outra explicação.
5) Por fim, com a família a pressionar, não havia opção possível: partir para férias sem dizer adeus à esfera dos blogs e aos seus habitantes.

O que ficou por responder:

- Ao Guerra e Pas sobre o handwriting e agradecendo as suas bonitas referências na mensagem enviada: o problema da escrita à mão dos médicos, não é só… dos médicos: já alguém tentou ler uma sentença de um juiz escrita à mão? É impenetrável e são dezenas e dezenas de páginas.
Talvez, quando nós e os juízes ou outras profissões, escrevemos, inconscientemente rabiscamos para nós ou para os nossos pares.
Mas confesso que inúmeras vezes não consigo compreender muitas cartas que recebo, sucedendo o mesmo com o receituário. Mesmo as médicas que costumavam ter uma caligrafia mais redondinha, evoluíram para o inelegível. É grave. Confesso que, eu próprio, há uns anos, e passados alguns dias, já não compreendia o que eu próprio tinha escrito.
Actualmente, o receituário e as guias terapêuticas, os relatórios médicos, as cartas para os colegas, etc., tudo é impresso em computador e portanto legível e "entendível".
Segundo vários estudos publicados, a única maneira de se corrigirem alguns erros médicos é através da informatização da nossa actividade.
Só discordo com o Guerra e Pas, quando este afirma que, é um acto voluntário, o escrever mal. Não! Talvez uma deformação profissional, de propósito, não.
Em relação à bibliografia, poderá encontrar na MEDLINE (se não poder entrar, diga) todos os artigos disponíveis sobre esse e todos os assuntos médicos que entender pes-quisar.

- Ao x, da Universidade de X.: a fibromialgia, tem muito que se lhe diga! Ou melhor, qualquer doença que passa a fronteira da Medicina para a Comunicação Social, é de suspeitar que possam existir outros interesses, que não o mero filantropismo. (Obscuros? Não o posso afirmar, mas…). O mesmo se passa com os medicamentos; quando se diz mal ou bem de determinado medicamento, sem as autoridades oficiais dos países se terem pronunciado, algo poderá estar escondido.
Os doentes são o meu barómetro! Quando começam a consulta pelo diagnóstico que já fizeram em casa ao assistirem à televisão…

Duas pequenas histórias verdadeiras:
- Uma doente senta-se e começa assim a consulta: “Sr. Dr., não sei se a palavra fibromialgia lhe diz alguma coisa, mas eu sei o que é e tenho todos os sintomas!" O diagnóstico clínico de depressão, já eu o tinha feito em anteriores consultas. Fibromialgia, não tinha.
- Há meses fui convidado, com muitos outros colegas para um jantar sobre determinado assunto médico. Sem ter sido anunciado, estavam presentes os principais responsáveis desse laboratório, que dissertaram sobre a empresa e sobre os seus principais produtos. Tudo bem, tudo normal.
Eis quando, um responsável afirma que o laboratório iria promover uma campanha nacional sobre determinada doença. Como? Muito simples. Nessa campanha participaria uma associação de doentes, que seria o motor da campanha e um grupo de personalidades públicas apoiariam (?!) essa mesma campanha. Tudo quase normal até aqui. Seguidamente informa que iria passar um pequeno vídeo referente ao início da campanha. O vídeo referia-se a uma gravação de um telejornal de uma televisão onde se referia tudo o que já tinha sido referido pelos responsáveis do laboratório, só que na notícia, em vez do nome do laboratório, aparecia o nome dessa associação de doentes.
Cada um conclua como quiser e extrapole para onde quiser.

sexta-feira, agosto 01, 2003

Verdade Muito Antiga

Segundo os jornais de hoje "Tribunal arrasa contas do Hospital de Tomar"

"O Tribunal de Contas publicitou ontem um relatório da auditoria que realizou à concepção e construção do Hospital de Tomar, no qual é extremamente crítico não só dos procedimentos seguidos com os construtores, mas também da própria construção do Hospital, considerando que ele não era necessário numa região que «já era, antes, comprovadamente excedentária»."

O Hospital de Tomar, presentemente faz parte do Centro Hospitalar do Médio Tejo, composto pelos hospitais de Tomar, Abrantes e Torres Novas.

Foi a maneira airosa de se descalçar uma bota que foi imposta pelos vários e sucessivos "poderes" autárquicos. Três hospitais de grandes dimensões num raio de 30-40 quilómetros.

Presentemente cada hospital, só tem algumas valências.

Honra seja feita ao actual presidente da Câmara de Tomar, que há uns anos defendeu publicamente que as parturientes tomarenses, poderiam e deveriam ter os seus filhos no vizinho Hospital de Abrantes, pois o de Tomar ficaria com algumas outras valências, mas sem obstetricia.

(Nota: publicado na esfera apenas em 08/08/2003 por dificuldades técnicas)