terça-feira, abril 07, 2009

Vamos Lá Falar A Sério!

O bastonário da Ordem dos Médicos, caiu que nem um patinho na artimanha do João Cordeiro.

O Dr João Cordeiro é o único interessado em fazer crer à população que isto é uma guerra entre classes.

Mas não! É uma guerra entre a indústria de genéricos: por um lado o João Cordeiro e os Mellos, pelo outro a APOGEN e a APIFARMA. Aí é que está o âmago da disputa.

Obviamente que os utentes terão sempre a ganhar. Os doentes podem ganhar os trocos. O Dr João Cordeiro ganhará milhões de euros, muito mais até que a própria ANF e as farmácias de oficina, ditas comunitárias.

Mas isso será também uma questão que para os próprios farmacêuticos discutirem entre si.

Se as farmácias puderem trocar de medicamentos, em termos práticos o perigo é enorme. Obviamnete que a farmácia trocará pelo laboratório que lhe der maior margem de lucro. Compreende-se e aceita-se. Mas poderá acontecer e já acontece, que o doente sempre que vai à farmácia e traz o mesmo medicamento, mas de laboratórios diferentes, confunde e por vezes duplica ou triplica as respectivas tomas. Conheço uma farmacêutica, minha amiga e com quem discutimos isto várias vezes, que, vende os genéricos que lhe darão a maior margem em cada momento, mas, para evitar confusões, cola com fita-cola as caixas antigas às caixas novas para o doente não duplicar as doses.

Outra questão que se tem falado, é a questão dos delegados de informação médica (DIM). Hoje em dia há muitos laboratórios de genéricos que apenas têm delegados que visitam farmácias e não visitam os médicos. Tudo bem. São menos pessoas a chatearem-nos...

Agora, dando de barato que o capitalismo tem as suas regras e que a indústria farmacêutica investe no prescritor, geralmente elevando a sua molécula à melhor do mundo, se contabilizarmos a percentagem que gasta cm a indução da prescrição (e esta indução, tanto pode ser pagar um simples almoço, com um bom vinho, ou uma viagem a um congresso, mas também pode ser a manipulação de estudos, a influência em sociedades científicas, em associações de doentes, etc.) é muito inferior às percentagens do lucro da própria indústria, assim como ao lucro da distribuição e comercialização.

Presentemente, com a evolução da sociedade, da ciência e da engenharia, as ciências farmacêuticas evoluiram muito, são importantíssimas no desenvolvimento de novas moléculas e tecnologias de fabrico, mas perdem, sem dúvida, na comercialização do medicamento. E será que a comercialização será uma Ciência Framacêutica? Ou antes uma Ciência Económica ou de Markting?

As farmácias como as conhecemos tenderão a acabar: mais tarde ou mais cedo, o doente poderá abastecer-se na própria indústria através da Internet ou por outros meios, por exemplo, um simples SMS, poderá fazer chegar à sua casa a embalagem que está em falta. A farmácia, hoje em dia, é apenas um intermediário, ou evolui e muito ou perde.

E o dr João Cordeiro, apenas está a defender os seus interesses imediatos e não o futuro, a médio ou a longo prazo, das farmácias...

Tenho dito.

15 comentários:

Anónimo disse...

Continuando a falar a sério, já que de outra maneira não falei aqui nem em outro lugar, de quem é o Laboratório Almus?

LProlog disse...

Parece haver alguém esquecido no meio desta conversa toda. Quem decide a marca do medicamento (e não o medicamento em si) deve ser quem o compra, o cliente/utente e não o médico nem o farmacêutico. Tanto um como o outro poderão aconselhar com base na sua experiência, no seu conhecimento ou no seu lucro, mas a decisão final da escolha da marca, tem de recair sobre quem compra, sobre quem paga; este é que sabe se pode pagar um medicamento de marca, ou se só tem dinheiro para um genérico, se está habituado com as caixas de um ou de outro. Não percebo porque isto custa tanto a interiorizar (ou se calhar até percebo).

Catsone disse...

O sr bastonário, que muito respeito, cai sempre nas artimanhas... infelizmente.
Acho que o doente tem, realmente, sido esquecido no meio disto tudo. Esquecido pelo simples facto de não entender "patavina", nem de medicina, nem de terapêutica.
Acho graça que digam que quem tem que decidir sobre a marca do medicamento é o próprio doente. Quando uma grande parte não sabe sequer ler, como vai decidir sobre que marca de ciprofloxacina ou fluoxetina escolher? Sejamos francos.
Existem meia dúzia de laboratórios de genéricos nos quais confio. Existem outras marcas que nem sei se são laboratórios ou empresas criadas para vender medicamentos que compram nos laboratórios de outras marcas. A Labesfal, por exemplo, vende fármacos para vários outros "laboratórios". Se eu quiser vender medicamentos, posso comprar um lote de comprimidos, submetê-los à aprovação do INFARMED e depois distribuí-los pelo país a um menor preço. Será isso melhor para o doente ou puramente "lei de mercado"?
Desculpa lá o "off-topic"

NA disse...

Falemos pois a sério, porque este post é um insulto à classe farmacêutica. Pegando só em alguns pontos:

-"Se as farmácias puderem trocar de medicamentos, em termos práticos o perigo é enorme."
->Porquê?

"Obviamnete que a farmácia trocará pelo laboratório que lhe der maior margem de lucro."
->E os médicos não prescrevem o que lhes traz também maior lucro (em viagens, presentes e afins), ou serão eticamente superiores aos farmacêuticos?

"Mas poderá acontecer e já acontece, que o doente sempre que vai à farmácia e traz o mesmo medicamento, mas de laboratórios diferentes, confunde e por vezes duplica ou triplica as respectivas tomas."
->E o médico não muda também a prescrição conforme lhe convém, novamente, com base nos lucros que daí poderá obter?

Haja seriedade!

NA

LProlog disse...

O sr. Catsone é que pelos vistos não percebe "patavina" da realidade. É médico, "compreendo" o seu desprezo pela vontade do doente/utente. O doente não precisa de perceber nada de medicina e de terapêutica para escolher uma marca que vai comprar. E até os analfabetos, sabem a diferença entre o caro e o barato; ou será que os analfabetos não sabem ir ás compras? Será que o sr. não escolhe, p.e., a marca do leite que compra? ou para isso tem de ser expert em leites? "Sejamos francos." Já agora, podia explicar porque confia nuns laboratórios e não noutros, ainda que quem tem de confiar ou não é o doente, que o vai comprar, pagar e tomar. Seja o doente analfabeto ou não, não lhe cabe a si tomar decisões por ele, ou não concorda? Quanto á parte de "vender medicamentos, posso comprar um lote de comprimidos, submetê-los à aprovação do INFARMED e depois distribuí-los pelo país a um menor preço. Será isso melhor para o doente ou puramente "lei de mercado"?", para além de não fazer sentido, vê-se que não percebe "patavina" da produção/distribuição de medicamentos e assim sendo, seria melhor ter estado calado, mas... até os analfabetos podem dar a sua opinião e manifestar a sua vontade, não é?...

Anónimo disse...

""Obviamnete que a farmácia trocará pelo laboratório que lhe der maior margem de lucro."
->E os médicos não prescrevem o que lhes traz também maior lucro (em viagens, presentes e afins), ou serão eticamente superiores aos farmacêuticos?

"Mas poderá acontecer e já acontece, que o doente sempre que vai à farmácia e traz o mesmo medicamento, mas de laboratórios diferentes, confunde e por vezes duplica ou triplica as respectivas tomas."
->E o médico não muda também a prescrição conforme lhe convém, novamente, com base nos lucros que daí poderá obter?"

1. Se numa farmácia se dispensa o q tem maior margem. É justo, é correcto, é normal... N tem nada a ver com ética. É a componente comercial da Farmácia. Que gera lucro, que paga imposto e que cada vez mais investe na qualidade do corpo técnico, das instalações, dos serviços... É lucro para investir. Viagens, e outras prendinhas é um bonus que nada acrescenta à sociedade, ao utente financiador. Aliás... o que daí vem é um médico mais ambicioso e menos disponível. Anda a viajar...

2. Na minha Farmácia observo regularmente as vendas. E tenho laboratórios que aumentam exponencialmente as vendas perto do Verão de Sinvastatina e Omeprazol (ou outro inibidor da bomba de protões). Dps é dada continuidade à terapeutica? Não! O utente beneficiou da terapeutica? Não! O estado beneficiou da prescrição? Não! A Farmácia beneficiou? Sim, no curto prazo mas obviamente que Não no longo prazo pois os recursos são limitados e qto melhor forem aplicados melhor para todos os que necessitam do SNS.

Quanto à Almus. Explico... a Almus é um laboratório de MGs da distribuidor internacional Alliance-Boots. A Alliance é detida em Portugal em 49% pela ANF e 2% pelo grupo Mello. Estava previsto o lançamento do 1º MG da Almus em Fevereiro de 2009 mas tudo foi adiado para não haver qualquer hipotese das mentes mais fracas confundirem uma boa política com um oportunismo comercial. Espero ter explicado o suficiente...

Qto ao Dr. João Cordeiro ganhar mais q a própria ANF, não sei! Que tenha conhecimento ainda n tem posição de destaque em nenhum laboratório de MGs, mas se tiver e se com isso ganhar bom $ só tenho que lhe dar os Parabéns! É um bom estratega, é trabalhador e certamente merece. Pena n haver mais em Portugal com a mesma visão e empenho.

Em relação à ideia de colar nas caixas a caixa antiga, não só não é original como é prática em muitas Farmácias. Mais... eu registo com autorização da CNP e dos Utentes a terapeutica na minha base de dados. Por isso sei o que tomaram, qdo tomaram e de que laboratório tomaram. Tb sei se há ou não interacções com a medicação passada (aspecto em q alguns médicos são um bocadito... fraquinhos...), sei se estão a duplicar, sei qual é a posologia e posso confirmar e estimular o seu cumprimento... Sei! Pq invisto! Pq me dedico! Pq sou Farmacêutico!

Acho q é isto que moi o MEMaI e outros médicos menos informados.

A Matos disse...

Desculpem a intromissão, sou enfermeiro há 18 anos.
Não venho defender os médicos. Venho culpar o Sr. Cordeiro. É diferente.
Esta não é uma luta em prol da defesa dos interesses dos consumidores que sucumbem à crise, passando por dificuldades na aquisição de fármacos. É claramente uma guerra de interesses económicos (toda agente sabe, até o meu filho com 13 anos sabe!).
O Sr. Cordeiro defende a sua propriedade de distribuição grossista, fazendo uso de uma bandeira supostamente altruísta.
E as farmácias, como instituições comerciais que são, estarão sempre inerentes a promiscuidades sócio-económicas. Claro como a água.
Estava visto que os médicos iriam sempre sair vitoriosos, não obstante o "peso" político da ANF.
O Sr. Cordeiro que não se preocupe, mas as supostas culpas relacionadas com a fragilidade finaceira do povo, serão, se tal, imputadas aos médicos, por isso... consciência tranquila.
As farmácias também terão pouco com o que se preocupar, basta que os seus profissionais cumpram rigorosamente a lei, respeitando escrupulosamente a prescrição médica.

Todos nós conhecemos os meandros complexos deste sector, em particular do farmacêutico e, por vezes, rementendo-nos para a simplificação das questões, a solução e/ou prognóstico da respectiva surgirá bem mais límpida ao fundo do túnel.

Obrigado pela paciência e disponibilidade na leitura desta minha humilde, sublinho, humilde opinião.

Medico Explica disse...

Gostava que me explicassem como pode o doente escolher se o Sr João Cordeiro propõe a existência apenas de dois généricos em cada farmácia?

Quanto à Almus: só ainda não está no mercado porque o Sr João Cordeiro não tem conseguido ser tudo: regulador, fabricante, importador, distribuidor, comerciante e prescritor. Mas, sem dúvida que o homem tem valor: é uma das pessoas mais espertas e combativas. Só que usa muita demagogia.

Anónimo disse...

Estou a ver que o MEMaI tem acesso a informação confidencial. Informação que n é livre pq estamos a falar de empresas cotadas em bolsa... Afinal é mto mais que um médico.

O Dr. João Cordeiro sugeriu a existência de apenas 2 laboratórios por GH, n impôs. E nas Farmácias manda o proprietário e o DT... De qq forma, e do meu caso falo, se o utente optar por um MG q n tenho disponível em menos de 6 horas terei acesso ao mesmo e será dispensado. É q as Farmácias ao longo dos anos conseguiram montar uma estrutura de distribuição única em dimensão e eficácia.

Anónimo disse...

Felicito o MEMAI pela abertura às diversas opiniões.

No meio desta questão, sem querer acrescentar mais achas à fogueira, urge questionar se há Ministra da Saúde, se há política de saúde para este país.

Pessoalmente, parece-me haver uma comissão de gestão do Ministério da Saúde, com o propósito de adiar, adiar, adiar, à espera que cheguem as eleições.

A própria Ministra terá sido escolhida, também com este propósito. O seu low-profile encaixa que nem uma luva.

Qual a visão de política de saúde para o próximo decénio?

Os ACES ???

Não vi parto mais difícil. A ordem é atrasar, atrasar, atrasar!

Isto é de quem sabe o que está a fazer e acredita no que faz?

Não me parece!

Anónimo disse...

E as clínicas médicas são o quê? Instituições de solidariedade social? Ou as consultas a 100€/5 minutos são o altruísmo dos médicos a funcionar em prol dos utentes?

Não seja ridículo senhor!

um utente analfabeto disse...

E quando começa o Min. Publico, a perseguir criminalmente, todos os médicos, que encaminha os pacientes que observam em banco, para as suas consultas de centenas de euros nos seus consultórios privados, em vez de os encaminharem para um consulta da especialidade no SNS? Não são esses os verdadeiros proxenetas, que depois de chularem o paciente, chulam o estado quando recebem 2000€ para fazer um banco de 12 horas, e depois ainda vão chular viagens às farmacêuticas?

Quantas vezes não fui, eu mal atendido no SNS? Quantas vezes não fui negligenciado por médicos com pouca vontade de trabalhar? Quantas vezes me receitaram seretaides quando poderiam ter receitado o asmatil?
Quantas vezes me tentaram encaminhar para os seus consultórios privados, depois de me recitarem 200€ em medicamentos de "marca" (quando havia genéricos disponíveis), e depois ainda tinham a lata de dizer que não havia consulta da especialidade no SNS!
Quantas vezes não cometeram erros, nas receitas? Quantas vezes não deixaram de me explicar o que tinha e o que iria ser o medicamento, e teve de ser o farmacêutico a explicar tudo?

Por essas e por outras, deixei há muito de recorrer a médicos, quando tenho algum problema vou à farmácia e explico, se o farmacêutico me recomendar um determinado medicamento, tomo-o, e só vou ao médico se este me recomendar nesse sentido. Até hoje, depois de adoptar este sistema, melhorei bastante dos problemas de saúde, e poupei imenso dinheiro em médicos sem qualquer ética.

Classe médica deste pais, tenham vergonha, do que são, percam essa vossa arrogância nojenta, e aprendam com os farmacêuticos. Que podem muito bem ser comerciantes realistas de medicamentos, mas vocês não passam de prestadores de maus serviços, como qual Portugal Telecom, sempre à espreita de uma distracção do cliente para lhe chular, mais uns trocos.

Já agora, toda a gente com 2 dedos de testa, sabe que farmácia é o curso mais difícil, e mais completo na área da saúde. Portanto os senhores médicos, podem largar toda essa prepotência académica, e deixar de insinuar sobre as qualificações dos outros, e começarem a pensar se estão, vocês próprios, habilitados a fazer, o que defendem que os outros não estão! Eu como utente, confio, não em quem usa o canudo a dizer que é médico, ou farmacêutico. Confio antes, em quem me dá provas da sua competência, seja a recomendando-me o melhor medicamento para a situação, seja ao explicar-me (porque não sou médico nem farmacêutico) do que estou a falar e o que é um antihistaminico e o que é que ele faz. Seja quem me dá, um atendimento decente, e não me trata, como um ignorante. Por estas e muitas outras razões confio, nos farmacêuticos.

KGB disse...

Há aqui duas situações interessantes: farmaceuticos que querem regular um mercado, cuja prescrição é exclusvia dos médicos, e quere fazer igual o seu status aos dos médicos. Esta guerra é desiquilibrada, admitam...

Catsone disse...

Tanta imbecilidade, meu Deus.
1º sou médico com um orgulho enorme e já fiz muito pelos meus utentes, muito mais do que aqueles que vêm para aqui cheios de razão;
2º se calhar os médicos, sabendo que o curso de farmácia é o mais difícil, fugiram com medo e foram para medicina;
3º parece que a dificuldade do curso turvou-lhe a mente e não percebe nada daquilo que escrevi. eu sou duma especialidade que encara a pobreza dos doentes de frente. A analogia com o leite é coisa de génio, é exactamente a mesma coisa a um antibiótico ou um antiHTensor. Com uma pirâmide etária invertida, idosos dependentes para tudo, iletrados (sim, é a triste realidade) se disserem que uma furosemida é igual ao lasix mas mais barata, adivinha qual vai ser a eleita?
4º eu confio mais em determinados laboratórios, naqueles com que tenho melhor experiência, nos nacionais. Eu não confio nos laboratórios "Carolina Pereira" ou "Nova Onda", você conhece. Quantas marcas de genéricos não têm sequer laboratório?
5º vomitem a vossa ladainha, se existem muitos médicos que não se importam com os doentes, existe uma grande maioria que leva a sério o seu juramento. Quanto aos farmacêuticos, não generalizo, mas a defenderem uma ANF puramente interessada em lucros, revelam, sim, um total desinteresse pelo utentes.

Admito que falem e me mandem para onde quiser, agora, dizer que não entendo o que se passa, estando no terreno, e, principalmente, tomado por alguém que não se interessa pelos utentes, partindo de alguém que nem sequer me conhece, é algo que mete asco.

Anónimo disse...

O utenteanalfabeto é mesmo analfabeto e analfabruto. Da-se. E pensar que o voto dele é igual ao meu. Carago! Oh homem. Você é mesmo pato para ir tratar a sua asma à privada. O seu médico de família sabe muito bem tratá-la, Hoje me dia é fácil. A minha é há montes de anso tratada no CS. E é mesmo analfabeto. Então não sabe que ainda há mais baratos que o asmatil! Foi o farmacêutico que lhe enfiou essa? Foi pato duplamente. Se tivesse comprado os componenetes em separado, saiam a metade do preço.