terça-feira, fevereiro 28, 2006

Conflito de Interesses.

No excelente blog Blasfémias este post sobre os diversos conflitos de interesse na Medicina.

Estando a actividade médica tão mercantilizada, desde o medicamento, a prevenção, as técnicas de diagnóstico, o apoio aos idosos, etc, etc, neste artigo pode ler-se que hoje em dia até os doentes têm os seus conflitos de interesse.

Acrescento: as faltas ao trabalho com "baixas" pagas, as indemnizações astronómicas pelas companhias de seguros, as percentagens de invalidez nos acidentes de trabalho,de viação, as reduções nos impostos, e até o "afecto" e a "pena" de quem está doente. Não nos esqueçamos que os primeiros hospitais eram hospícios onde se escondia quem estava doente...

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Acabou!

Com o extracto desta notícia da Lusa, onde se pode ler que uma professora universitária (mas não aplico a teoria boldânica e não incluo o senhor professor universitário de física, dr Boldão, no rol dos professores universitários a contas com a justiça) termina toda e qualquer resposta ao referido pofessor. A pouca qualidade dos seus argumentos, mas a sua repetição até à exaustão tem marcado a agenda deste blog.

Não pode ser!

O blog continuará, mas a agenda não será marcada pelo referido comentarista, embora o mesmo não seja banido dos comentários.

"27-02-2006 12:59:00. Fonte LUSA.
Saúde/Fraude: Burla superior a dois milhões euros leva seis arguidos a tribunal

Lisboa, 27 Fev (Lusa) - Seis arguidos, entre os quais três farmacêuticas,.../...

No âmbito deste processo, Gerarda Marques esteve em prisão domiciliária e Delmina Subtil foi obrigada ao pagamento de uma caução de 25 mil euros. Todos os arguidos estão actualmente sujeitos apenas ao Termo de Identidade e Residência (TIR).
Os restantes arguidos são Manuel Marques, marido da Gerarda Marques, que se fazia passar por enfermeiro, Artur Tavares, auxiliar de acção médica no Hospital de São José, em Lisboa, Henriqueta Marques dos Santos, professora universitária, Margarida Santos Leite e Rosário Mesquita Dias, ambas farmacêuticas.
"

domingo, fevereiro 26, 2006

Boldanices em bold

Diz o comentador residente e anti-médico primário deste blog, professor universitário de Física, sr dr Raúl Boldão:

"De acordo com este semanário, em média, cada médico, declarou como rendimento ilíquido anual, em 2003, qualquer coisa como 307.985€. O que, em moeda antiga, já sei que não estão para fazer contas por isso faço eu, representa, qualquer coisa como 61.745 contos. Ou, mensualizando, se tivermos a bondade de contar 14 meses por ano (com subsidio de férias e Natal), 4.410 contos por mês."

O sr Boldão e os seus acólitos já demonstraram que o seu grande problema são os ordenados dos médicos. Mainada.

Resumindo: INVEJA. Sempre foi um problema dos portugueses.

A INVEJA e a HIPOCRISIA. O Sr. Boldão diz que conhece médicos prevaricadores (casos de polícia e para a IGS) e afirma que os não denuncia porque são seus amigos. Mas, como apenas conhece as ovelhas negras desta nobre profissão, tem como princípio de análise a generalização: aliás, outra característica dos portugueses: o "eles" são os culpados de tudo.

Mas estou consigo Sr Boldão, também estou com inveja destes números que apresentou:
- se eu ganhasse 4,5 mil contos por mês, nem perdia tempo a discutir consigo.

E refere que é uma média!

Eu quero o meu dinheiro.

Quem se está a abotoar com a minha parte?

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Um Médico Às Mãos do Sr Dr Boldão!

  Posted by Picasa

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Ai Se Fosse Médico...

Como não é, apenas um diário regional (Diário de Leiria) contou esta história:

"Mulher acusa ‘padre’ exorcista de assédio sexual
m casal de Vila Franca, ele de 38 anos e ela de 31, pais de uma menina de cinco anos que sofre de hiperactividade, resolveram pedir ajuda espiritual, depois de esgotadas as tentativas através da medicina convencional e de não saberem como lidar com a situação. E foi ao 'padre' Humberto Gama, que conheceram através de reportagens televisivas, que decidiram recorrer, por três vezes.
Na primeira consulta, em Outubro do ano passado, e segundo relatou ao nosso Jornal o marido da paciente, nada de anormal se passou, tendo Humberto Gama referido que o problema não estava na criança mas sim na mãe, alegadamente possuída por um “espírito homossexual”, pelo que seriam necessárias mais consultas, ao que o casal acedeu.
No dia 28 de Dezembro voltaram à casa do 'padre', em Valinhos de Fátima, e foi aí que terão começado a acontecer práticas menos ortodoxas. Desta vez, e ao contrário da primeira consulta, o marido e a filha da suposta vítima já não estiveram ao seu lado, uma vez que terá sido levada para um quarto onde se encontrava, para além do 'padre', uma alegada enfermeira. "Aí, e para além de lhe ter apertado várias partes do corpo, ele introduziu o dedo na vagina da minha esposa e disse a essa rapariga que o fizesse também. Isso seria, segundo ele, para empurrar o espírito", recorda o homem, ainda longe de imaginar que no dia 11 de Janeiro deste ano é que o 'exorcismo' teria contornos mais perversos.
"Nesse dia ele foi sozinho para o quarto com a minha esposa, beijou-a na boca, apalpou-a, voltou a introduzir o dedo na vagina e exibiu o sexo dele enquanto gritava 'ama-me, ama-me!'", relatou o homem que só mais tarde teve conhecimento de tudo isto, uma vez que a esposa, temendo uma reacção mais violenta do marido, não lhe contou de imediato o sucedido, apesar de estranhar as práticas de exorcismo que lhe foram aplicadas, chegando mesmo a marcar uma quarta consulta "porque a minha esposa estava cada vez pior e eu fazia de tudo para ela ficar boa".
A quarta consulta nunca chegou a realizar-se, mas o casal 'consultou' a PSP de Fátima, onde apresentou queixa, "para evitar que mais pessoas sejam vítimas deste homem devasso e imoral disfarçado de padre e que só quer extorquir dinheiro às pessoas. Nós não queremos um tostão só queremos que seja desmascarado, para que não haja mais vítimas".
O marido da alegada vítima de abusos sexuais sublinha ainda o facto de Humberto Gama, a quem acusa de ter "mau carácter", dizer sempre que "os outros é que são doidos, doentes, e malucos com imaginação", para “se defender dos crimes hediondos que comete".
“Tentativa de extorsão”

Confrontado com estas acusações, Humberto Gama, que já foi acusado outras duas vezes por práticas de idêntico cariz, assegura que esta "não foi a primeira e não vai ser a última queixa contra mim", já que "tudo isto se trata de uma organização" que tem por objectivo denegrir a sua imagem.
Segundo o 'padre', o casal que agora o acusa de assédio sexual, "anda a ser tratado em psicologia e neurologia, que já correu seca e meca, não houve bruxo, não houve ninguém que eles não tivessem contactado", mas acabaram por bater lhe bater à porta, na sua residência perto de Fátima (possui outra em Murça).
"Vieram cá a primeira vez e eu disse-lhes que pensava que o mal vinha dela e do marido e não da filha. Depois voltaram uma segunda vez e eu tratei-os aqui (numa sala), sempre juntos, e aí eu disse-lhe que aquilo não era comigo, não era do meu aforro, porque aquilo é uma esquizofrenia" e porque "o pai estava aqui aos murros na mesa, e a mãe a tremer, eu e a enfermeira que estava comigo levámos a senhora para um quarto para impedir que a criança visse aquilo", recorda o 'padre'.
O casal voltou uma terceira vez, mas Humberto Gama diz que tudo o que eles contam se passou na segunda consulta e que da terceira já nem os queria atender mas acabou por fazê-lo. E mais, assegura o exorcista, "depois de todas estas coisas e das queixas ainda tentaram marcar uma quarta consulta, via telefone, e insultaram a minha empregada porque ela lhes disse, que se queria uma nova consulta, é porque gostou".
Para este homem, que até já foi candidato do CDS-PP à câmara de Murça, todo este caso é uma tentativa de extorsão de dinheiro, à semelhança de outros casos que já lhe sucederam, pelo que não tem problemas em sentar-se no banco dos réus, "porque depois quem pede uma indemnização sou eu", assegura, frisando que tudo não passou de "uma masturbação intelectual" de alguém que, ao contrário dele, "tem medo de dar a cara" e que neste caso “é a minha palvra contar a dela”, porque eu só estou aqui para ajudar as pessoas, e elas querem ser ajudadas.
O 'padre' explica ainda que o exorcismo "é uma energia que pode aparecer em qualquer parte", pelo que não faz sentido "colocar a mão na cabeça de uma pessoa, se o mal que ela tem está nas costas, e que os médicos também tocam nos pacientes", e desafiou-nos a assistir a um exorcismo para mostrar que fala verdade."

sábado, fevereiro 04, 2006

É Tudo Muito Complicado...

Anjos e demónios dos medicamentos
Artigo de João Paulo de Oliveira

Será o enquadramento legal em vigor suficiente para evitar conflitos de interesses entre médicos e companhias farmacêuticas? Para dez médicos americanos, liderados pelo Prof. Troyen Brennan, da Harvard University, não. Para o Prof. Paul Rubin, da Emory University, restringir a capacidade de comunicação da Indústria Farmacêutica (IF) porá em causa a Saúde Pública.
O actual contexto não poderia ser mais propício ao debate das relações entre médicos e IF. Persistem ainda os ecos da retirada do mercado de vários medicamentos, agravada por posteriores alegações de subtracção de dados «inconvenientes» sobre a sua segurança por parte dos investigadores e pelo envolvimento de prestigiadas revistas médicas na divulgação de informações desvirtuadas que os seus editores tomaram como boas; há cientistas que assumem ter falseado o resultados das suas pesquisas e utilizado o bom nome daquelas publicações para construírem uma glória efémera ou obterem dinheiro de forma menos lícita; há a polémica sobre os ghostwriters, médicos que serão principescamente pagos para assinar artigos com informação distorcida que não escreveram, credibilizando-os. E, last but not the least, há a crise económico-financeira em que os sistemas de Saúde procuram flutuar: em 2005, parlamentares ingleses quiseram policiar o marketing farmacêutico para reduzir a factura em medicamentos, alegando que muitos fármacos são prescritos sem que se conheça o seu perfil integral de efeitos secundários. Os seus esforços não foram avante, porque a IF é a terceira actividade mais lucrativa e pujante do país, e a ministra da Saúde, Jane Kennedy, afirmou à BBC ser do interesse do Governo britânico que a IF «mantenha a sua forte posição», sem prejuízo de continuar a pugnar por uma relação cada vez mais equilibrada entre as partes.

Tensão matricial

Estes afloramentos de uma tensão matricial que governa as relações entre a IF, os médicos e o poder ocorrem por vagas, mas a actual, tantos são os casos e os aspectos, gera desconfiança, mesmo um descrédito crescentes sobre a Indústria Farmacêutica e sobre os cientistas que para ela ou com ela trabalham, e não pode, por isso ser ignorada. O artigo de Brennan et al. é prova dessa inquietação. Publicaram um artigo na edição do passado dia 25 da JAMA, no qual propõem um conjunto de novas medidas restritivas da interacção entre médicos e IF, baseados em estudos que quantificam os aspectos negativos dessa interacção para os profissionais de saúde e para os doentes.
As medidas propostas incluem a proibição de aceitação de presentes, independentemente do seu valor, e a regulamentação da oferta de amostras e do financiamento da participação em congressos e simpósios. Na raiz destas propostas está, por exemplo, o artigo de Dr. Ashley Wazana, publicado também na JAMA em Janeiro de 2000.
Neste artigo, o psiquiatra da Universidade de Montreal, no Canadá, analisou 29 estudos sobre o relacionamento entre médicos e Indústria Farmacêutica, e concluiu, na maioria deles, pela existência de resultados negativos dessa interacção, nomeadamente prescrição não-racional, e prescrição crescente de fármacos mais recentes e caros sem vantagem demonstrada sobre os antigos da mesma classe, tendo os médicos demonstrado «falta de preocupação com a influência de presentes, material promocional, refeições e almoços de trabalho», que estarão na origem do favorecimento da companhia com a qual interactuam. Isto apesar de, como reconheceu o autor do artigo em declarações a The Medical Post, a introdução de guidelines nesta área ter «alterado significativamente as coisas».
No editorial que acompanhava o artigo da JAMA, o Dr. Robert Tenery, do American Medical Association Council on Ethical and Judicial Affairs, temperava as conclusões do Dr. Wazana, notando que «os delegados de informação médica podem ser uma valiosa fonte de informação para os médicos» e que «seria irrealista propor que todas as refeições, entretenimentos ou financiamentos são anti-éticos».

Outro ângulo

Que «as coisas» não estão bem é evidente, mas como não há só uma verdade, será curioso examiná-las de outro ângulo, o que fez o Prof. Paul Rubin, na Regulation (Verão de 2005), a propósito do artigo do Dr. Wazana.
Escreve o docente de Economia e Direito na Emory University: «Os delegados de informação médica (DIM) recebem incentivos para venderem “excessivamente” os seus produtos; mas também fornecem informação de confiança acerca dos benefícios dos seus fármacos. Ao analisar os efeitos dos esforços de promoção e de vendas, é importante considerar os aspectos positivos e negativos do marketing farmacêutico». Ora, «a literatura é geralmente crítica daqueles esforços, centrando-se nos aspectos negativos da promoção (...) e embora se exprima em termos empíricos e científicos, e faça uso de dados, sofre de algumas fraquezas», acrescenta o Prof. Rubin, que não hesita em afirmar: «Se os mesmos métodos e nível de rigor fossem utilizados na análise de outro problema — por exemplo, a efectividade de um medicamento —, as publicações científicas rejeitariam a investigação e a FDA não aprovaria o fármaco». O articulista aponta, na análise em apreço, viéses de selecção, insistência no estudo de fármacos inefectivos e uma escolha de endpoints da qual, como o próprio Dr. Wazana salienta, está ausente, em todos os estudos revistos, o bem-estar do doente. O resultado, escreve, é que «não existe evidência na literatura de malefício para os doentes da promoção e do marketing farmacêutico; o que existe é evidência ambígua e fraca de prescrição imprópria com base num estudo holandês de 1982». Os outros estudos «mostram simplesmente que o contacto com os DIM cria uma impressão favorável da companhia e que os presentes levam a um contacto mais frequente com os DIM. Estes efeitos seriam maléficos se a promoção levasse a prescrição incorrecta ou lesiva para a saúde», mas não existem dados que o demonstrem.
De acordo com o articulista, uma das principais bases da economia de mercado — e ainda não inventámos outra menos má — é que «as actividades realizadas em proveito particular levam muitas vezes a benefício público». A seu ver, isto também é verdade para a IF.

O cerne da questão

No fim do artigo, o Prof. Rubin vai ao cerne da questão. Em 1983, Avorn e Soumerai sugeriram que um centro académico poderia fornecer melhor informação aos médicos do que os DIM, e que a Medicaid, a HMO ou a Veteran’s Administration poderiam financiar estes programas. Até hoje, nota o articulista, «nenhuma destas entidades se dispôs a fazê-lo (...). Não admira, porque o custo de fornecer informação aos médicos sobre medicamentos ronda os 11 biliões de dólares por ano (...). Mesmo que o actual processo de promoção de fármacos tenha falhas, é difícil pensar numa alternativa praticável. Também era bom que todos os médicos lessem regularmente jornais médicos, mas não lêem»...
Assim, o Prof. Rubin pensa que se os regulamentos e os códigos de Ética tornarem a capacidade de comunicação da IF «mais difícil ou mais cara, o custo não será apenas suportado pelas companhias. A principal consequência será que muitos médicos aprenderão menos sobre medicamentos, o que se reflectirá negativamente na saúde dos doentes».
As sociedades confiaram a investigação, produção e comercialização de medicamentos e outras terapêuticas à IF, e esta não tardou a construir empórios cotados na bolsa. Ora, este é um contexto onde, como os últimos anos têm demonstrado amplamente, a perversidade está sempre pronta a saltar, porque a pressão dos accionistas, a exigirem lucros de forma cega e permanente, é tremenda. Mas se a Humanidade tem hoje mais tempo de vida e com melhor qualidade de vida, deve-o em grande medida, no que dos medicamentos depende, à IF — onde decerto não apenas se movimentam anjos. Como em lado algum, de resto.
O debate em curso, que é legítimo, necessário, mesmo urgente, tem revelado por todo o Mundo onde se trava com mais calor algumas posições sem esforço etiquetáveis de hipócritas, mal fundamentadas, até maldosas, em certos casos. Espera-se que de todos os lados acabe por prevalecer o bom senso e o compromisso com o progresso.
Sem lucros não há investigação, e sem investigação o futuro da Humanidade estará ameaçado. Será concebível um Mundo onde, subitamente, se abandone a busca de novas moléculas para tratar melhor ou curar qualquer das patologias que continuam a afligir os seres humanos? Ou estarão os cidadãos dispostos a financiar, através dos seus impostos, um ministério da Investigação para o qual trabalhem todos os investigadores em Biomedicina, dotado de um orçamento construído no pressuposto de que os custos do desenvolvimento de uma nova molécula rondam hoje os mil milhões de euros?

joao.oliveira@tempomedicina.com

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Agrediu Um Médico. É Um Santo!

O autor, Francisco Pedro de Leiria ou Carlos Ferreira, que presumo serão jornalistas, (do Correio da Manhã, está tudo dito) noticiam hoje a agressão de um doente a um médico na urgência de um hospital.

Seria de prever uma notícia pedagógica condizente com uma agressão gratuita. Mas não. O senhor jornalista apresenta o agressor como vítima e o médico como vilão. É óbvio que o doente descarregou a sua frustração por ter um "tomate inflamado" e portanto não poder dar a sua quequasita habitual, no médico, mas a sua intensão seria agredir a instituição.

Refere o senhor jornalista que as agressões têm vindo a aumentar. Sem dúvida. E notícias como esta, com foto e tudo, são o motor desse aumento em progressão geométrica.

"Pedro Cordeiro afirma que agrediu o médico porque foi mal atendido no Hospital de Leiria

Um doente com uma inflamação num testículo perdeu a paciência nas urgências do Hospital de Santo André (HSA), em Leiria, e agrediu um médico a murro na cara. O clínico está de baixa e vai processar o agressor, que continua sem o problema de saúde resolvido.

Pedro Cordeiro, de 44 anos, tem passado os últimos cinco meses em aflição, por causa de uma inflamação no testículo esquerdo. A primeira vez que o problema surgiu deslocou-se ao Hospital de Leiria. Recebeu um diagnóstico desanimador. “Disseram-me que o problema só se resolvia com uma operação.”

Três dias depois, o serralheiro voltou às urgências, com o mesmo problema. O diagnóstico manteve-se, mas com uma variante. “O especialista mandou-me pedir credenciais ao médico de família para apresentar nas consultas externas, mas nunca fui chamado pelo hospital.”

Há quatro meses, regressou às urgências, passou uma tarde com gelo na zona inflamada, recebendo alta a seguir. Terça-feira, a inflamação voltou a manifestar-se. O doente dirigiu-se de novo ao hospital, com o testículo “do tamanho de um punho fechado”, sendo recebido pelo mesmo especialista. Quando este lhe disse que teria de “entrar na lista de espera das operações”, Pedro Cordeiro perdeu as estribeiras e agrediu-o a murro. A PSP tomou de imediato conta da ocorrência.

ADMINISTRAÇÃO INDIGNADA

Segundo o director clínico do HSA, o caso “não justifica atendimento num serviço de urgência”. Por isso, o doente foi orientado “para tratamento cirúrgico através da consulta externa do hospital”.

Hélder Leitão lamenta a excessiva pressão por parte do doente para contrariar as regras de acesso aos cuidados hospitalares não urgentes e que, por causa da atitude “indigna e reprovável”, o clínico tenha sofrido “danos físicos consideráveis” e ficado de baixa médica.

OFENSAS E AGRESSÕES SUCEDEM-SE

AUMENTO

Um estudo efectuado pela Direcção-Geral de Saúde concluiu que as agressões a profissionais de saúde têm vindo a aumentar. As zonas mais problemáticas, segundo o estudo, são o Norte, Centro e Lisboa e Vale do Tejo."

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

"O doente perdeu a confiança no médico"

No jornal Tempo Medicina:

Carneiro Chaves sugere contrato para reabilitar imagem da profissão
A necessidade de elaborar um contrato entre os médicos e a sociedade para que esta recupere a confiança nos clínicos e a redefinição do modelo que rege a prática médica foram dois conceitos-chave da conferência com que Carneiro Chaves assinalou a sua jubilação.
«O doente perdeu a confiança no médico», disse Francisco Carneiro Chaves, defendendo a realização de um «contrato entre o médico e a sociedade» em que a «a sociedade reconheça o que é a Medicina, o que os médicos fazem no seu dia-a-dia e aceitem a existência de uma margem de erro nas suas decisões».
O gastrenterologista falava aos jornalistas no final da conferência «Medicina clínica e profissionalismo», tema escolhido para assinalar a sua jubilação, numa cerimónia que decorreu no passado dia 27 de Janeiro, na Aula Magna da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP).
Um dia antes de completar os 70 anos, Carneiro Chaves deixou em aberto o lugar de director do Departamento de Medicina do Hospital de S. João, que ocupava a par da actividade como professor catedrático da FMUP.
«Antigamente a confiança no médico era ilimitada», lembrou, acrescentando também não ser isso o que se pretende. O que se quer, vincou, é que, sendo muito mais informados e interventivos que antigamente, os doentes e a sociedade em geral têm que ser capazes de entender a Medicina não como uma questão estritamente técnica, mas como uma arte. «As expectativas criadas por uma cultura de divulgação científica e a tentativa apressada, feita sem senso, de passar achados científicos para a prática clínica justificam, pelo menos em parte, uma exigência da opinião pública que muitas vezes está para além do que é razoável», disse.
Ao mesmo tempo, lembrou, as organizações que dominam os vários sistemas de saúde «exercem pressões, levadas por vezes ao excesso, e por isso indesejáveis, em áreas que não são da sua competência, como quanto ao número de doentes a observar num dado período de tempo, ao mesmo tempo que incentivam ou impõem restrições ao recurso a outras especialidades, ao pedido de meios auxiliares de diagnóstico ou à prescrição de fármacos».
A divulgação, por parte da comunicação social, de erros ou insucessos da profissão sem o respectivo «destaque dos aspectos positivos» conduz também, nas palavras do especialista, ao «aparecimento frequente de litígios e de queixas de má prática que criam no médico insegurança e são determinantes na prática da chamada medicina defensiva».

Profissionalismo

Limitação importante à intervenção clínica é a escassez de recursos, «sejam técnicos ou económicos», disse, frisando que, não sendo a solução destes casos da responsabilidade dos médicos, cabe-lhes a eles «enfrentá-los e apelar para a sua solução. Também a burocracia, as guidelines e «as condições impostas pelas organizações ao exercício da profissão como a sobrecarga de trabalho, os horários excessivos e o pagamento inadequado» são factores a ter em conta, e a explicar aos doentes, quando se trata de limitações à prática da medicina clínica e que «ameaçam por todo o lado os valores do profissionalismo».
E o profissionalismo, conceito que, lembrou, congrega múltiplas características da profissão, como sejam «os deveres para com o doente como o respeito e a integridade; a resposta às necessidades do doente e da sociedade para além dos interesses do médico; a responsabilidade perante o doente, a sociedade e a profissão; o compromisso para a excelência e o desenvolvimento profissional contínuo; a capacidade de dar uma resposta que tenha em conta a cultura e os valores de cada doente», deve ser um desígnio a perseguir pelos médicos. E, assim entendido, o profissionalismo «pressupõe para além de uma adesão estrita aos princípios éticos da profissão, a capacidade do médico criar uma verdadeira inteligência emocional que lhe permita conhecer as suas próprias emoções assim como as emoções dos outros e geri-las».
Carneiro Chaves propõe, então, um novo modelo para a prática da Medicina, diverso do que considera a actividade limitada exclusivamente à aplicação dos conhecimentos científicos na solução dos problemas de saúde. Os médicos devem também ser educados, disse, para servirem como «agentes de mudança, que lhes permita intervir ajudando os doentes a ajustarem-se à mudança que representa a doença, o sofrimento e a morte que continuam a ser inerentes à condição humana».
Na sua intervenção, o professor defendera ainda a necessidade de o papel de interlocutor entre o doente e as várias especialidades que muitas vezes se agrupam para o tratar caber a um médico com formação generalista, como é o caso dos especialista em Medicina Interna, na prática hospitalar, e os médicos de família, no ambulatório, «sem que se pretenda defender, em todas as circunstâncias, a liderança das equipas médicas por estes especialistas», frisou.

Paula Mourão Gonçalves

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Eu Não Dou E Apelo A Que Ninguém Dê!

SE EM PORTUGAL NÃO HÁ TRATAMENTO, O SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE ATRAVÉS DO E-114 PERMITE O TRATAMENTO NO ESTRANGEIRO, GARTUITAMENTE!


"Ajudar menino com epilepsia

Todo o homem é meu irmão é uma rubrica do JN, com mais de três décadas de existência, que foi criada para ajudar a resolver problemas sociais, por falta de resposta das entidades competentes. Qualquer pedido de apoio deve ser dirigido por escrito para Todo o homem é meu irmão, Rua de Gonçalo Cristóvão, 195, 1º andar, 4049-011 Porto. Esclarecimentos adicionais através do telefone número 222096125. As ajudas financeiras devem ser depositadas na conta com o NIB: 003300000000039712196

O JN associa-se a uma campanha de angariação de fundos para ajudar o Sérgio, uma criança de três anos de Viana do Castelo com epilepsia profunda.

Os pais do menino desesperam por não terem meios financeiros que permitam o tratamento do filho em Espanha, numa intervenção médica que o poderia salvar.

Segundo a mãe, Sandra Araújo, são precisos 10 mil euros para viagens e tratamentos.

O Sérgio sofre de epilepsia profunda que lhe estará a matar as células do hemisfério direito do cérebro.

Fundo comum

A. Santos 10 euros

Anónimo 50

M.N. 20

Anónimo 10
"

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Ganda Caxa do JN

"8 Médicos 8 de Viseu acusados de homicídio por negligência"

Nada mais: 8 médicos 8 actuaram com dolo perante uma doente. Se o Hospital de Viseu tiver 80 médicos eu sugeriria uma outra caxa.

"10% dos médicos do Hospital de Viseu são negligentes!" Ora, nesse caso o referido hospital deverá ser encerrado já! É um perigo para a Saúde Pública dos portugueses.

Erro de diagnóstico houve de certeza e a familia da doente deverá ser ressarcida pelos serviços públicos da correspondente indmenização.

Diz o filho que a vai pedir e bem choruda, mas não é para já! Diz ele que não tem pressa. Pudera. Como pode pedir a indmnização se ainda nem sequer houve julgamento!

Mas não estou contra isso. As companhias de seguros existem para pagá-las.

Passemos ao caso: segundo se lê, a paciente morreu de complicações devidas a uma hérnia estrangulada.

Uma hérnia estrangulada é uma situação urgente e em mais de 95% dos casos de fácil diagnóstico. Geralmente é o próprio doente que faz o diagnóstico, de tão fácil que ele é.

Portanto, restam os 5% para situações em que por diversos motivos a hérnia encarcerada não é diagnosticada. Até é possível que a dor seja referida em local diferente da localização da hérnia.

Lendo partes do despacho do Senhor Delegado que o JN transcreve, fico com a impressão de que se tratará de uma verdadeira peça lapalissiana:

Diz-se:

- "não efectuaram o diagnóstico correcto e instituindo a terapêutica adequada", obviamente se a senhora morreu...

- "não procederam da forma mais correcta ao reequilíbrio da paciente", obviamente se a senhora morreu...

- "se os oito médicos tivessem adoptado como deviam e podiam os procedimentos adequados à praxis médica", obviamente se a senhora morreu... não foram os procedimentos adequados.

Em conclusão: não necessito de ler muito mais para concluir que se trata de um erro médico e não negligência médica.

Até considero que, se a doente em duas idas ao hospital foi observada por 7 médicos, foi muito bem observada, só que os médicos erraram no diagnóstico, mas se todos erraram é porque o quadro clínico não era sugestivo de tal patologia

(Ouço agora que até a SIC Notícias (cada vez mais uma TVI para intelectuais...) transformou os filhos da inditosa senhora em estrelas...)

P.S.: lembro-me de um caso passado comigo, já há mais de uma década, em que o único sintoma de uma hérnia encarcerada era um quadro de tosse que o doente iniciou sem causa aparente. Só depois de internamento hospitalar e de bastantes exames complementares se diagnosticou a existência de uma hérnia inguinal encarcerada. Só a cirurgia fez para a tosse.

Ai se esses filhos fossem filhos do meu doente. Ai se o senhor delegado fosse o mesmo.

Houve erro e a família deveria ser indmnizada directamente pelo hospital e rapidamente, sem recurso a tribunais.

Para o tribunal só os casos de negligência verdadeira.

Nota: os Juízes e os delegados quando erram o que lhes acontece? São acusados de negligência?

quarta-feira, janeiro 25, 2006

O Lobie Bem Insiste, Mas...

From American Journal of Health-System Pharmacy

Complementary and Alternative Medicine for Upper-Respiratory-Tract Infection in Children
Posted 01/17/2006

Roxane R. Carr; Milap C. Nahata

Abstract
Purpose: Evidence on the efficacy and safety of complementary and alternative medicine (CAM) for the prevention and treatment of upper-respiratory-tract infection (URTI) in children is reviewed.

Summary: A search of the literature to June 2005 identified six clinical trials examining the use of herbal medicines and nine trials of other CAM therapies. All articles were critically evaluated for adherence to standards of efficacy and safety research. Echinacea did not reduce the duration and severity of URTI. Andrographis paniculata or echinacea decreased nasal secretions (p < 0.01) but not URTI symptoms. A combination of echinacea, propolis, and ascorbic acid decreased the number of URTI episodes, the duration of symptoms, and the number of days of illness (p < 0.001). Echinacea was associated with a higher frequency of rash compared with placebo (p = 0.008). Neither ascorbic acid nor homeopathy was effective. The efficacy of zinc was not clear, and zinc may be associated with adverse effects in children. Osteopathic manipulation decreased episodes of acute otitis media (p = 0.04) and the need for tympanostomy tube insertion (p = 0.03) in children with recurrent acute otitis media. Stress-management therapy reduced the duration of URTI compared with relaxation therapy with guided imagery or standard care (p < 0.05).

Conclusion: Current data are generally inadequate to support CAM for the prevention or treatment of URTI in children.

domingo, janeiro 22, 2006

Nem A "Ofalmologista" Katia Guerreiro Abriu Os Olhos Ao Povo

O Povo votou, está votado, algumas dezenas de milhar de portugueses fizeram o fiel da balança deslocar-se para a direita. Noutras alturas, esses mesmos deslocaram para a esquerda.

Uma candidatura que tem nos seus mandatários, um cidadão como João Lobo Antunes, de reconhecidos méritos e uma cidadã, também médica, Katia Guerreiro, representante portuguesa do oportunismo e do "desenrasca" dá muito que pensar!

Mas convém não esquecer: o maior aliado de Cavaco foi o PS e o seu Secretário-Geral - José Sócrates.

sábado, janeiro 14, 2006

Ainda a Katia: sem comentários...

No Diário Digital de ontem:

"A fadista é médica oftalmologista, que conhece Cavaco Silva há cerca de dois anos, não teme que a colagem a um político possa prejudicar a sua carreira." - Até os jornalistas se enganam.

Alguém me enviou a cópia de uma carta da direcção do Colégio de Oftalmologia a autorizar o internato voluntário em oftalmologia num serviço idóneo não podendo ultrapassar as capacidades formativas desse mesmo serviço, definidas pelo Colégio. Ora, se a Katia diz que está a trabalhar num serviço de oftalmologia, presumo que não estará a fazê-lo como interna geral, se está em oftalmologia, estará ou ilegalmente ou a retirar o lugar a alguém que fez exame e lá não conseguiu ficar.

O documento está em formato TIF e não sei como pô-lo on-line. Será enviado a quem o solicitar por e-mail.

sábado, janeiro 07, 2006

Para A Filipa Carvalho, Futura Médica

... mas com interesse para todos.

Pediu-me a Filipa se poderia postar sobre a "relação médico-paciente".

Esta relação é a base de todo o acto médico.

Para a sua investigação deixo-lhe aqui dois livros e um link português (haverá milhares na Internet!)

- Médicos com Emoções. Autores: John Salinsky, Paul Sackin.

- "O Médico, o seu Doente e a Doença" (trad. Port./ed. Climepsi/98).

- Grupos Balint

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Patient safety / Risk management

Publicado no jornal Tempo Medicina

Artigo do Dr. Ciro Costa*

"Errar é humano
Patient safety / Risk management é assunto muito discutido nos Estados Unidos, Austrália e Europa. Nos Estados Unidos com particular ênfase por vários motivos. Um deles foi o aparecimento de um livro — To err is human — que fala de cerca de 45 a 98 mil perdas de vidas por erros no sistema de saúde e de um número pelo menos 10 vezes superior em morbilidade séria com a mesma causa. O outro dos motivos é que a lógica da culpa, que existe no sistema, torna a Medicina mais defensiva, cada vez mais cara, por um lado, enquanto, por outro lado, os prémios de seguro de responsabilidade médica têm custos exorbitantes e aumentos exponenciais sempre que há uma decisão judicial com elevadas indemnizações.

No Estado de Nova Iorque, em 2004, o seguro de responsabilidade chegou aos 100 mil dólares/ano!!! Há muitos médicos que limitam ou mesmo abandonam a actividade por não poderem suportar o prémio de seguro. Há especialidades - por exemplo Obstetrícia — que «desapareceram» de alguns condados.

A tendência até agora tem sido culpar os médicos. Ao fim e ao cabo são eles que dão a cara e decidem. Na maior parte dos locais, projecta-se a responsabilidade dos actos nos médicos e a definição da qualidade assistencial exclusivamente na avaliação/punição da performance individual dos profissionais nas suas diversas vertentes.

Logicamente, sendo eles considerados os «culpados» devem ser castigados quando há algo que não corre bem e, por outro lado, para que tudo corra bem têm de ser «perfeitos» do ponto de vista técnico e científico. Para isso nada melhor do que «obrigá-los» a terem muitos conhecimentos, impondo a frequência de acções de formação - os créditos - e levando isso até ao extremo com a recertificação periódica para o exercício profissional.

Mas nos países do mundo em que isso é levado muito a sério, com formação médica contínua individual obrigatória organizada e recertificação profissional individual periódica, continua a haver um elevado índice de «erros médicos» como o provam diversos estudos (The Harvard study — 1991, The Utah/Colorado study — 1999, The UK pilot study — 2000, Tue quality of australian health care study — 1995, The danish pilot study — 2001, etc.).

A conjugação destes dois factores, Medicina defensiva e custos de seguro ligados à responsabilidade profissional, tornam, a curto prazo, o exercício médico quase impossível pela parte dos profissionais e com custos assustadores e proibitivos para a sociedade, colocando cada vez mais cidadãos sem acesso a cuidados de saúde. Ora isto não é aceitável em países civilizados.

Nos Estados Unidos há um forte movimento na sociedade envolvendo médicos, políticos, opinião pública e organizações para impor, por lei, um tecto (até 500 mil dólares) às indemnizações por danos não patrimoniais e, assim, limitar os custos de seguro nos orçamentos de saúde. Têm tido um sucesso limitado - até agora poucos estados adoptaram leis deste género.

Nova organização da prática médica

A prática médica terá também de ser organizada de outra maneira. É preciso mudar os processos de controlo, avaliação e actuação se quisermos ter êxito na guerra por uma Medicina de qualidade, centrada na segurança do paciente e diminuindo o risco da nossa actividade.

A nossa actividade é de alto risco, tal como, por exemplo, a indústria nuclear, a indústria química ou o transporte aéreo. Nestas indústrias há políticas de qualidade muito rigorosas que diminuíram drasticamente os erros e acidentes, pelo que teremos algo a aprender com eles. O risco de acidente ou erro na prestação de cuidados de saúde é comparado ao do montanhismo e ligeiramente menor que o bungee jumping!!! É um sistema muito pouco seguro mas poderia ser muito pior se não fossem os cuidados que os profissionais têm e a vigilância que há sobre o sistema.

Os voos charter e a indústria química revelam melhores níveis de segurança e, no topo desta lista de actividades de risco, temos o transporte aéreo regular, os caminhos-de-ferro e a indústria nuclear. Estas últimas actividades atingiram o topo da segurança porque alteraram os seus procedimentos e implementaram políticas adequadas.

A grande diferença está na forma como se olha para os erros. De uma maneira geral, num sistema organizado, os erros serão do sistema, resultam de várias falhas concorrentes e não dos indivíduos em si. Um erro deve servir para aperfeiçoar e melhorar o sistema de modo a evitar repeti-lo. E não se melhora o sistema castigando o vector do erro, mas sim analisando o que correu mal e o que se deve fazer para não voltar a acontecer. Uma política de castigo, vergonha e punição a quem é considerado o responsável da falha leva a que se tente desculpar, a esconder o problema ou a transferi-lo para outrem em vez de encarar a falha de frente, expondo-a para que seja possível evitá-la no futuro.

Portanto, temos de mudar a cultura das nossas organizações e utilizar os conhecimentos das ciências da segurança para tornar a nossa actividade mais segura.

Erros são causados por maus sistemas

O erro é próprio da actividade humana, não pode ser alterado por punição, mas pode ser evitado e podemos proteger os doentes das suas consequências. Na epidemiologia do erro, até agora, os erros eram falta de cuidado, davam origem a queixas, vergonha e punição e, por isso, considerava-se que se deveria insistir no treino individual para a perfeição.

Mas não, os erros são causados por maus sistemas e não por más pessoas. As queixas e a punição tornam as coisas piores. É muito melhor aprender com o erro e redesenhar os processos de actuação. Por isso começam a ser adoptadas políticas de prevenção e estudo dos erros nos serviços de saúde.

Devemos melhorar o desenvolvimento científico e técnico nesta área do conhecimento aproveitando e adaptando o que de melhor se faz em outras actividades mais avançadas em termos de segurança.

Há muito a fazer para melhorar as nossas hipóteses de evitar os erros:
- Adoptar medidas simples, como a obrigatoriedade de serem comunicados todos os acontecimentos adversos;
- Desenvolver sistemas padronizados e rigorosos de identificação dos doentes e dos locais da cirurgia;
- Criar bases de dados de efeitos adversos por comunicação voluntária;
- Fazer auditorias clínicas periódicas, como instrumento de aprendizagem de gestão de risco clínico.
- Promover cultura de informação e aprendizagem.
- Melhorar o relacionamento entre os diversos níveis de decisão, alterando os argumentos de autoridade e hierarquia nas instituições para decisões partilhadas e discutidas transversalmente.
- Fazer campanhas de formação em questões específicas, como por exemplo, lado errado da intervenção, prevenção de infecções, identificação de doentes, prevenir erros de medicação.
A Ortopedia está em foco nestes problemas. Num estudo italiano, a especialidade registava 16,5% das queixas, contra 13% da Oncologia, 10,6% da Cirurgia e 10,8 % da Ginecologia. Por isso quando se fala e discute «erro médico», a Ortopedia e os ortopedistas devem estar na linha da frente.

*Ortopedista no Centro Hospitalar
de Coimbra (Hospital dos Covões)
"

A Notícia Mais Patética do Ano!

Mas será que o JN não tinha mais nada para dar aos leitores?

"Lojistas em vez do INEM no socorro a diabéticaindignação Instituto é acusado de não ter prestado assistência devido à proximidade do hospital, mas garante que doente não quis ser transportada"

Fernando Oliveira - o jornalista inventor.

"Adelaide Vicente, uma das lojistas que assistiram vítima, estava revoltada com actuação do INEMUma mulher de 50 anos que sofreu, ontem de manhã, uma crise de hipoglicemia (níveis baixos de açúcar no sangue) à entrada do centro comercial Cristal Park, na Rua de D. Manuel II, no Porto, teve de ser socorrida pelos lojistas daquele espaço, porque, segundo estes, o INEM entendeu não enviar meios de assistência para o local, sob o argumento de o Hospital de Santo António situar-se a poucos metros.

O Instituto de Emergência Médica contrapõe, assegurando que nos dois contactos telefónicos efectuados para o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) foi dito que "a vítima não queria ser transportada ao hospital". Por outro lado, sublinha que se tratou de uma situação sem gravidade e que a doente poderia encaminhar-se para o hospital "de modo próprio".

Certo é que o caso gerou indingação entre os lojistas. "Chamámos o INEM e responderam-nos que não vinham buscar a senhora porque estávamos a dois passos do hospital e podíamos ser nós a levá-la", protestou Adelaide Vicente, uma das comerciantes que auxiliou a vítima.

A mesma lojista garante, contudo, que a doente não estava em condições de ser levada por populares para a unidade hospitalar, situada a cerca de 200 metros.

A vítima, Maria Lima, que sofre de diabetes, explicou, ao JN, que sentiu-se mal pouco depois de ter ido a uma consulta nas instalações do antigo CICAP, onde teria de voltar para deixar uma amostra de urina. "Quem me valeu foram as pessoas do shopping, que me deram água com açúcar e pão", salientou.

ERA ISTO QUE O INEM IA FAZER???? ATÉ O SENHOR JORNALISTA PODERIA TER DADO UM COPITO DE ÁGUA À DOENTINHA.

Alguns comerciantes lamentam que não tenha havido sequer "instruções por parte do INEM" para o tipo de assistência a prestar.

O Instituto reitera, contudo, que os contactos telefónicos com os seus profissionais decorreram de forma "assertiva", "tendo a médica de serviço no CODU inclusive garantido a colaboração do segundo contactante para acompanhar a senhora nessa hipotética deslocação (ao hospital), o que não veio a acontecer pela senhora em questão ter entendido não ser necessário".

"Vítima sem sinais ou sintomas de gravidade""

A situação em questão dizia respeito a uma senhora consciente, sem sinais ou sintomas de gravidade, apresentando apenas ligeiras tonturas", sublinha o Gabinete de Comunicação e Imagem do INEM, justificando, dessa forma, o facto de o caso não ter sido rotulado com carácter de urgência.

No mesmo esclarecimento, enviada ao JN, o Instituto insiste que a vítima tinha "fácil acesso" ao serviço de Urgência do Hospital de Santo António. "Não pode nem deve o INEM a desviar meios de assistência pré-hospitalares imprescindíveis a outro tipo de ocorrências de maior gravidade para situações que não revistam um carácter de emergência", acrescenta o mesmo esclarecimento, realçando que se trata de um "procedimento habitual", pelo que não configura qualquer tipo de actuação menos correcta".

da-se...

quarta-feira, dezembro 28, 2005

Comissões & Comissões

Respigado de uma notícia do Diário de Notícias de 28/12/2005:

"Há mais médicos por habitante e menos casos de sida diagnosticados no ano passado, comparando com 2003.

Estas são as conclusões mais relevantes das estatísticas do INE para a área da saúde e as melhores notícias para a população.

Outro dado positivo a reter é a diminuição da mortalidade infantil, que baixou para 3,8 por mil, ou seja, menos 0,3% do que em 2003 e menos 1,7 se a comparação for feita com 2000.

No ano passado, havia 334 médicos por cada cem mil residentes, um dado que representa uma subida de 1,5% em relação ao ano anterior. Mas se a comparação recuar até 2000, a subida é de 5,4%.

O número de infectados com o vírus HIV no nosso País não pára de crescer, mas os 642 novos casos diagnosticados no ano passado são inferiores aos registados em 2003, uma descida de 22,7%.

As más notícias na saúde prendem-se com as causas de morte no nosso País. Por cá, e segundo dados de 2003, as doenças do aparelho circulatório, como os acidentes vasculares cerebrais (AVC) e ataques cardíacos, continuam a liderar a tabela, representando 37,6% dos óbitos.

Em segundo lugar surgem os tumores malignos (com 20,8%) que têm crescido a um ritmo anual de 1,9% desde o ano 2000."


Alguém órgão da comunicação social mediatiza as comissões (se é que as há!) contra o tabagismo (cancro do pumão), contra o colesterol e os enfartes e AVCs, as comissões contra a hipertensão e a diabetes, afinal as principais causas de morte em Portugal, para não falar da morbilidade que provocam.

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Curtas V - Anúncio Público

Este blog anuncia publicamente que vota Manuel Alegre, depois de muito pensar.

Deixou de ser indeciso.

Curtas IV - Boas Festas

Sim.
Boas Festas para todos e um bom Natal para os cristãos e com os presépios, para os católicos.

O nascimento de Jesus de Belém foi EM Abril.

""O Nazareno" se refere um grupo de influência oriental Yogi, que professava a pobreza e deixava crescer o cabelo e a barba, "Cristo" foi após ter sido batizado por João.


Foi criado pelo Imperador Constantino nesta data, para substituir e desviar da festa tradicional do Solestício de Inverno a 21 Dezembro, esta sim humanista, ecológica e ligada à natureza.


Na sua forma insidiosa tradicional, a Igreja Católica durante a sua longa ditadura de 300 anos, gerida pelos infernais tribunais da inquisição (1523-1823), impôs a sua celebração e como facto de identidade nacional procurou a sua perpetuação.


Ainda hoje apesar de sómente 20% dos portugueses serem de facto católicos pela prática semanal e aprendizagem da catequese, outros 50% se assumem católicos por aquela imposta tradição (limitando-se o seu ser, na frequência dos três actos de celebração pública comum a todas as civilizações aqui apropriados pela Igreja católica (nascimento/ casamento/ morte e gozo destas férias público-católicas cíclicas (natal (sol. inverno), páscoa (equinócio primavera, realçada a sua importância com quarentena prévia iniciada no carnaval e relacionada mesmo com o ciclo lunar, cai sempre na 1ª lua cheia), santos populares (sol. verão), s. miguel (equinócio outono)), isto depois de 95 anos de Estado pretensamente laico e republicano.

Ademais, tendo nós com o racionalismo, entrado na cultura linear modernista (com história), a celebração de festividades cíclicas (sem passado e futuro) encontra-se esvaziada, facilitando a sua apropriação comercial, numa ideologia liberal e de mercado, em que o lucro sobre os outros manda.


Assim desejo a todos
UM SUAVE INVERNO, com tranquilas noites familiares e um forte reforço da sua identidade local e UM BOM ANO DE 2006.
Eduardo"



Nota:
Transcrição quase completa de um mail enviado a um colega (que teve a amabilidade de mo reenviar) por outro colega.

Curtas III - Fui Às Compras À Baixa

Aproveitando uma folga de trabalho dominical fui às compras à baixa lisboeta a meio da semana

Confesso que não a frequentava há bastante tempo. São os Colombos, as Amoreiras, os shoppings em geral.

Gostei e vou repetir

Fiz compras grandes em lojas pequenas e compras pequenas em lojas grandes.

Apertei o parafuso dos óculos numa óptica de bairro e comprei o jornal a um ardina

Comprei o último CD. Almocei e lanchei

Visitei grandes lojas de informática. Vi as últimas novidades na FNAC.

Vi pessoas bem dispostas e assisti à animação do Chapitô.

Respirei ar puro qb (não posso dizer que fosse 100% puro, mas pelo menos era livre e não condicionado).

Gostei e vou repetir aproveitando outras folgas...

Gostei da simpatia dos comerciantes e respectivos "caixeiros".

Lembrei-me do que se passa nos bancos dos hospitais: como se pode ser simpático se a avalancha é muita?