sábado, maio 24, 2008

Mas Que Gira!

 

O Correio da Manhã proporcionou-lhe a visibilidade pela mão de Bruno Colaço o (bom) fotógrafo e Sofia Rato, a aprendiz de jornalista.

Pois, se este senhor em vez de ser levado pela sua gira filha gira aos desumanizados bancos dos hospitais onde sempre se deslocou por sintomas subjectivos, tivesse sido levado ao Centro de Saúde da sua área de residência, de certeza que o médico que o seguisse em continuidade temporal faria o diagnóstico.

Vão aos bancos dos hospitais das periferias das grandes cidades com sintomas como falta de apetite, confusão, etc. e depois queixam-se de ser mal observados.

A senhora jornalista Sofia Rato, deu voz a esta frase da senhora Mariana Gira Martins:

"O meu pai morreu à fome porque não conseguia engolir. Se o tivessem observado como um ser humano teria uma morte digna', afirmou a filha."

Eu afirmo com segurança:

- Este senhor morreu por negligência familiar. Se em vez de o empurrarem para os bancos dos hospitais onde foi assistido por médicos estranhos, tarefeiros, porventura de língua estrangeira, o paciente sofreu com a desumanização, a frustação, a incomodidade, a despersonalização, a angústia, o sofrimento que a família, talvez por desconhecimento, lhe ofereceu durante estes seis meses.

Quanto à senhora jornalista, cumpriu o seu papel. Que saudades do Torcato Sepúlveda...

 

 

 

  clip_image001Mariana Martins diz que viu o pai morrer à fome e à sede porque estava debilitado e não conseguia comer

23 Maio 2008 - 00h30

Almada - Homem de 83 anos tinha doença em fase terminal

Hospital falha diagnóstico

Joaquim Andrade Martins, de 83 anos, deu entrada pela primeira vez nas Urgências do Hospital Garcia de Orta, em Almada, em Março de 2006, com dificuldades em engolir, urinar e com falta de ar. Voltou ao hospital mais seis vezes nos seis meses seguintes e chegou a estar internado. As altas foram sendo passadas sucessivamente. Viria a morrer em Dezembro com um cancro no esófago que não lhe foi diagnosticado no Garcia de Orta.

'Os médicos diziam que ele estava a fazer uma birra por causa da idade. Como não comia davam-lhe vitaminas', disse ao CM a filha Mariana.

Alarmada com o peso e estado de saúde do idoso, a família decidiu levá-lo ao Hospital do Barreiro, onde passou a ser seguido. 'Fizeram-lhe uma endoscopia, algo que no Garcia de Orta nunca fizeram apesar dos nossos pedidos. O meu pai tinha cancro no esófago em fase terminal por isso não engolia. Passava dias inteiros só com água, daí ter emagrecido 18 kg', recorda a filha.

Contactado pelo Correio da Manhã, o director clínico do Garcia de Orta, Luís Antunes, diz que as várias idas do paciente às Urgências tinham como causa 'dispneia, confusão, recusa alimentar, prostração, retenção e infecção urinária e vómitos, sem referência a dificuldades de deglutição, não sendo necessária por isso a realização de uma endoscopia'.

'O meu pai morreu à fome porque não conseguia engolir. Se o tivessem observado como um ser humano teria uma morte digna', afirmou a filha.

DOIS ANOS PARA TER CONSULTA

No dia 21 de Agosto de 2006, Joaquim Andrade Martins teve alta da Urgência do Garcia de Orta, onde passou a noite, algaliado e com um cateter no braço. No dia seguinte regressou à Urgência: 'Feriram-no com a algália e ele teve uma hemorragia. O cateter foi retirado por mim', conta, entre lágrimas, a filha Mariana, que apresentou queixa no hospital e junto de várias entidades. Em Setembro de 2006 o hospital marcou uma consulta de Urologia para o paciente, que seria apenas este ano, em 2008.

No dia 21 de Agosto de 2006, Joaquim Andrade Martins teve alta da Urgência do Garcia de Orta, onde passou a noite, algaliado e com um cateter no braço. No dia seguinte regressou à Urgência: 'Feriram-no com a algália e ele teve uma hemorragia. O cateter foi retirado por mim', conta, entre lágrimas, a filha Mariana, que apresentou queixa no hospital e junto de várias entidades. Em Setembro de 2006 o hospital marcou uma consulta de Urologia para o paciente, que seria apenas este ano, em 2008.

'Recebemos uma carta a dizer para o meu pai estar no dia 5 de Maio na consulta', comenta a filha. 'Um doente de 83 anos com retenção urinária que determinou necessidade de algaliação tem indicação para consulta de urologia, mas não urgente', afirma Luís Antunes, do Garcia de Orta, sem explicar por que razão o idoso teria de esperar exactamente 21 meses para ser visto por um especialista em urologia.

Sofia Rato

2 comentários:

CÁ FICO disse...

Eu vou aderir ao boicote de 1 - 2 -3 de Junho à Repsol, BP e GALP

Mónica (em Campanhã) disse...

de acordo que nestes casos ir ao SU em vez de ao CS é má ideia para todos. mas não retira gravidade ao facto de os médicos que actualmente asseguram a linha da frente dos SU sejam, não só "tarefeiros, porventura de língua estrangeira" (como diz o MEMI), como também, frequentemente mal preparados e com "ordem para despachar" (é a minha experiência no SU para onde drena o CS onde trabalho).