terça-feira, outubro 04, 2005

Como Já Esperava ... (E Não Esquecer a Rupatadina!)

... o sr dr Raúl Boldão, físico teórico, não conseguiu explicar cientificamente (porque como físico deve basear toda a sua actividade na Ciência) qual o motivo pelo qual um enfermeiro, com o seu conteúdo funcional e formação própria, deve ter preferência na partilha do "poder" com um médico, também este com o seu perfil próprio e formação específica.
Limitou-se a plasmar o que habitualmente lê nos jornais e ainda por cima, mal.

Mas paciência.

Este blogue de facto existe para tentar elucidar indivíduos como o senhor, licenciados, intelectuais, que queiram elucidar-se sobre alguns aspectos da ciência médica. Agora, sr dr Boldão, o senhor está a anos-luz da realidade do seu país.

Quanto aos enfermeiros, divido-os em três categorias académico-sociais:

1) enfermeiros com o ensino básico até ao antigo 5º ano: são enfermeiros que foram aprendendo toda a sua prática com médicos aos quais se ligaram por laços profissionais e afectiovs. São boas pessoas, sociáveis, limitados na ciência e com bastantes dificuldades na língua portuguesa. Assumem a sua profissão apenas na vertente técnica.

2) enfermeiros com o 12º anos de escolaridade: são enfermeiros que após uns anos de aprendizagem nas antigas Escolas de Enfermagem atingiram o grau académico de bacharel. Foi uma aquisição de conhecimentos fundamentalmente teórico, com pouca prática. São os enfermeiros que mais questionam os médicos. Frustrados por eles próprios se sentirem secundários no sistema. A sua maior felicidade é, empiricamente, "acertar diagnósticos", prescrever como os médicos. Geralmente são infelizes, não assumem a essência da sua profissão, pouco sociáveis com os restantes membros das equipas das instituições, vivem em grupos fechados, menos limitados na compreensão da ciência médica e ainda com algumas dificuldades na língua portuguesa. Utilizam a sua profissão como promoção e reconhecimento social, que na realidade a profissão de enfermagem tem.

3) enfermeiros com o grau académico de licenciatura: (não confundir com enfermeiros com cursos posteriores de complemento) são enfermeiros licenciados, alguns possuem mais do que um curso superior (psicologia, sociologia, gestão, economia, assistentes sociais, etc). Diferem do grupo anterior por serem mais cultos, sociáveis, assumem a diferença entre médicos e enfermeiros,não vivem com a obcessão de diagnosticar ou medicar. Assumem a sua formação científica com abrangência suficiente e diversificada para não se restringirem ao mero "acto médico". Ser enfermeiro para estes jovens é, para além de actividades técnicas e de cabeceira, utilizar os conhecimentos adquiridos para gerir, promover, divulgar, organizar, trabalhando em equipa multidisciplinar com autonomia reconhecida pelos outro elementos e não imposta administrativamente.

Nota: há obviamente excepções a estas definições.

15 comentários:

Yakira disse...

Pois... eu nao me quero estar a "meter" muito neste assunto, mais ainda porque nao trabalho na area da saude, mas nao concordo muito com as categorias... na medida em que se há enfermeiros com a categoria de Bacherel nao são enfermeiros com o 12 ano... talvez falte mais uma categoria... além disso, esse chamado complemento para as pessoas que têm bacherlato é mais um rever de matérias já aprendidas e assuntos mais que sabidos pelos enfermeiros... do que propriamente continuacao de uma formacao.
Esta é a minha ideia...
Ja trabalhei em varios paises e devo dizer, que me faz alguma confusao o ensino da enfermagem em Portugal... mas isso seria para outro tema...
Ja agora, parabens pelo blog!

Raúl R Boldão disse...

De facto não gosto de este tipo de discusões, nem tão pouco é meu hábito alimentar este tipo de idiotices. Vou fugir à regra, porque me pareceu que a sua prepotência é directamente proporcional à sua ignorância. Que perceba de medicina, aí ninguém retira o seu mérito e reitero os meu votos para que continue a servir os utentes da melhor forma possível. Em relação à nossa discusão tenha apenas alguns pontos a referir.

1. ."...sr dr Raúl Boldão, físico teórico, não conseguiu explicar cientificamente (porque como físico deve basear toda a sua actividade na Ciência)" - Antes de mais, sim sou Raúl R, mas não Boldão, pois essa é a minha alcunha de infância. Como compreende, não pretendo de forma alguma expor o meu verdadeiro nome. Não era necessário eu exclarecê-lo, mas achei por bem que o saiba. Sim, sou sou físico, com muito prazer e dedicação. E não gosto que me trate por dr., pois este prefixo não consta no meu B.I., embora certamente tenha mais razões para ser doutor (aprendi no país onde complementei a minha formação que é inútil e de mau caracter usarmos os títulos académico no dia-a-dia... e digo-lhe que este conceito é um dos que eu mais gosto de incutir nos meus alunos)que o senhor, pois eu na realidade tenho um PhD. Se o senhor também é detentor do mesmo título, então devo felicitá-lo desde já. Em relação ao método científico, penso que o meu amigo sabe o que significa essa designação. Se não sabe (eu também já não tenho mais paciência para ensinar esse tipo de coisas básicas, sobretudo a intelectuais ), paciência. No caso de saber o que é, verá que a sua afirmação neste tipo de contexto é realmente estúpida.

2 - "Limitou-se a plasmar o que habitualmente lê nos jornais e ainda por cima, mal." - Se sabe o que significa "plasmar" (vem do latim plasmare), eu não plasmei (= modelar), eu citei o que li nos jornais, ou seja não moldei o tema para este se adequar à minha argumentação. Praticamente transcrevi o que estava escrito pelo (no relatório )Inspecção Geral da Saúde. Argumente como quiser, mas é o que está escrito e confirmado.

3 - "Este blogue de facto existe para tentar elucidar indivíduos como o senhor" - De facto elucida-me, senão não estaria aqui. Se me elucida bem ou mal é outra questão.

4 - "Quanto aos enfermeiros, divido-os em três categorias académico-sociais" - Ainda bem que é só o senhor que os divide assim, não é? Como já deve ter reparado, nutro bastante simpatia pelos enfermeiros, que me parece uma classe um pouco injustiçada, porque reconheço as suas capacidades. Além dos mais tenho muitos bons amigos que são enfermeiros: cultos, sociáveis, interessados, dedicados e acima de tudo inteligentes. Daí o facto do meu interesse na matéria (mais uma vez não era a minha obrigação esclarecê-lo, mas achei por bam fazê-lo uma vez mais...). Mas como sempre digo, sei reconhecer o bom e o mau. Também sei dividir os médicos em três categorias:
a) Médicos de crista alta: pensão que são os galos da capoeira. São os mais vlehos. Não olham para os doentes, diálogos evasivos e rápidos, pois pensam sempre que a inteligência do receptor não está à sua altura. São os da velha guarda. Já não se lembram bem da gramática e ortografia, por isso fazem rabiscos, para que ninguém pereceba as asneiras que escrevem. Usam sempre fato por baixo da bata e estetoscópio ao pescoço, para serem reconheçidos ao longe.

b) Médicos de crista baixa: geração intermédia que vive na sombra do velho poder médico. Ainda pensam que vivemos da década de 60. Colocam sempre no carro um dístico para serem reconhecidos como médicos. São mais atenciosos que a velha guarda, mas mantém o complexo de superioridade. Gostam de "ralhar" com os utentes quando este abrem os envelopes das análises (por ex.), porque acham-se na propriedade de tudo e todos, esquecem-se que o "envelope" é do utente e não deles. Não dão braço a torcer quando os enfermeiros sabem mais ou simplesmente têm razão. Escrevem blogs para "despejarem" as suas frustrações, mas ficam ofendidos com os comentários da opinião pública.

c) Médicos com a crista por nascer: simpáticos, recém-licenciados, afáveis, confiam nos enfermeiros, respeitam as suas opiniões e inclusivé pedem algumas. Mas percebem pouco de prescrições e medicina. Adoram os calendários, canetas e autocolantes que delegados de propaganda médica oferecem. São um pouco os "bobos da corte" nas urgências e nos internamentos fazem filinha como os "patinhos" atrás do médico mais velho. Têm um clio ou um Fiat Punto, mas SEM dístico, porque é uma vergonha uma médico guiar um carro desses. Nem podem com o esteto ao pescoço. Para eles rupatadina é uma marca de roupa!

Está ver, todos temos uma opinião.

Em relação a tudo o que disse em relação aos enfermeiros noutros posts, mantenho, pois são uma classe cumpridora e capacitada. Não vou discutir isso consigo, pois bem sei a sua opinião. É um médico clássico... que têm um fetiche para com os jornalistas.

Agora que sei que tem um blog, virei aqui com frequência para ler os seus "dislates" e claro, pode optar pelo monólogo que era habitual neste espaço. Agora que abriu um espaço para comentários, tem de saber viver com eles. E confesso, gosto de opinar.

P.s. Os enfermeiros certamente perdoam-lhe tudo o que disse de pouco abonatório acerca deles, pois são maduros e de espírito aberto.

alguem que conhece a saúde por dentro disse...

Também poderemos catalogar os médicos em duas classes genéricas, das quais podem derivar n sub-classes não tão extremas.
1º Aqueles que sabem muito sobre a sua especialidade, mas que ignoram todas as outras, incluindo noções básicas de psicologia e trabalho em equipa. São profissionais altamente especializados, que encontram as soluções exclusivamente em resultados analíticos e outros exames, ignorando na maioria das vezes os comentários dos profissionais que passam 24 horas com os doentes e, ainda mais grave, ignorando as tentativas de comunicação por parte do doente, a quem não reconhecem nem o direito a ter opinião.
Para estes, a equipa de saúde é o médico. todos os outros existem para desempenhar tarefas, incluindo o próprio doente.
2º Aqueles que têm um espírito mais aberto, profundos conhecedores da sua área mas que entendem o indivíduo como sendo muito mais abrangente e complexo que a simples soma de órgãos que se podem avariar e arranjar. Estes reconhecem o valor do seu lugar, no seio de uma equipa multidisciplinar onde os outros profissionais têm uma palavra a dar e onde o doente é a primeira fonte de informação.

Ena Rot disse...

São tantos os dislates que se escrevem por esses Blogs... BlogoSaudações colega de equipa dos Seres Humanos.

Anónimo disse...

Exmo MEMI

De um dos seus, julgo, mais assíduos leitores, espero que aceite o seguinte conselho.
Os que vinham a este blog vinham para ler o que o Exmo colega escrevia. Não vinham ler o que um qualquer físico teórico cioso do seu anonimato escrevia.
Isto dos comentários foi um desvario democrático que só lhe fica bem. Mas aceite a sugestão: acabe lá com isso, poupe-se ao desgaste de utilidade nula (a educação não se transmite pela net, ou se tem, ou não se tem), e quem quiser que lhe escreva para o mail, para que só fique publicado aqui o que S.Exa tão bem sempre filtrou no passado.

Alfredo Vieira

Raúl R Boldão disse...

Sr. Alfredo Vieira,
vejo que é um grande apreciador deste blog. Não generalidade é um conselheiro do MEMI. Agradeço-lhe a sua consideração e respeito pelo meu anonimato. Não percebo é o seu problema com o "físico teórico". Não gosta de físicos? Se não fossem os físicos, não vai electricidade, computadores, aviões, automóveis, não havia meios sofisticados complementares de diagnóstico, enfim, entende? Achei a sua opinião proveitosa, didática e vanguardista. Foi uma mais valia para o MEMI. Sem dúvida!

Medico Explica disse...

Para "alguem que conhece a saúde por dentro" - deverá ser enfermeiro. E dou-lhe os parabéns por essas duas bem reais definições de médicos. Acredito que o felicito. Deu uma resposta resumida, educada e "científica".
Parabéns!

Medico Explica disse...

para Ena Root - de acordo consigo, jovem enfermeira.

alf disse...

Alfredo Vieira, vê-se que bebeu pouco chá em miúdo... enfim.
Quanto à redutora classificação dos profissionais de enfermagem, entendo-a como uma "gracinha", já que não 'vejo' o 'Médico explica...' a levar a sério tal coisa (por isso mesmo o seu comentário - bem-humorado - ao comentário de 'raúl r boldão').

Anónimo disse...

nota bene:

Nunca quis insultar os físicos teóricos nem quaisquer outras profissões ou habilitações, para o caso das minhas palavras terem sido mal interpretadas. Tal seria estúpido e desprovido de qualquer senso. Aliás as minhas intervenções ultimamente têm sido no sentido de repudiar quem tem prazer em generalizar o que não é generalizável.

Deixo esse tipo de considerações a quem não se importa com o rótulo. Importava referi-lo, parece-me.

Alfredo Vieira

Raúl R Boldão disse...

Sr. Alfredo Viera, agradeço suas palavras. Repare que quando me refiro a uma classe, abro sempre parentesis para ressalvar que não é generalizável a todos, pois existem sempre excepções, poucas ou muitas, depende. Mas NUNCA coloco todos dentro do mesmo saco. Tal não seria justo ou tão pouco de bom senso. E sobre esta questão, não me pronunciarei mais. Mais certamente, se possível, continuarei a tecer os comentários que achar pertinentes neste blog, SE o ex.mo MEMI assim o permitir e disponibilizar essa possibilidade.
Os melhores cumprimentos.

Rui disse...

Enquanto enfermeiro, licenciado e não há muitos anos, lamento que de facto hajam tantos profissionais de enfermagem incultos e sem capacidade de saber estar numa equipa multi-disciplinar (da qual não fazem parte só o médico e o enfermeiro). Porém, lamento muito mais que os hajam aqueles que não sabem estar na sua própria profissão e que desconhecem a sua ciência e a sua deontologia por completo. A Enfermagem não contempla fazer diagnósticos médicos ou prescrever fármacos. Contempla, isso sim, fazer diagnósticos de Enfermagem (ex. Risco de Infecção por Catéter) e prescrever Intervenções de Enfermagem (ex. Vigiar sinais de Infecção no local do Catéter). Enquanto colega de enfermeiros de várias gerações, considero que poucos sabem o que podem/devem fazer e que ainda menos reconhecem o seu potencial terapêutico, que é vasto.
Para concluir, um pedido: Não tenham pena dos enfermeiros, não os defendam como se de uns coitados se tratassem. Existem instituições próprias para isso.
Cumprimentos ao MEMAI e desculpem a extensão do texto.

azurara disse...

Eu não me devia intrometer nesta questão tão particular. Mas não consigo evitar.
É que, quando vejo alguém, no caso um PhD, que até faz gala do seu conhecimento de "ortografia e gramática", escrever coisas como "exclarecê-lo" e "pensão que são galos..." ...
Bom, neste caso, prescrevo exercícios sistemáticos de releitura do texto produzido.
Cumprimentos

Johny disse...

Discussões saudáveis, sim. Agressões verbais, com educação. E aqui está uma boa receita para toda a gente se interessar por uma discussão, mesmo que se desvirtue por instantes. Se não houver uma boa dose de adrenalina, não há interesse nas discussões, é básico e está à vista!
Estão sim, de parabéns, por tentarem manter o nível! Aqui sim, nota-se a categoria da pessoa!!

Agora, lançando mais uma acha para a fogueira...Toda a gente dá contra os médicos...Nenhum atinge o patamar da perfeição... talvez existam demasiados maus exemplos... Mas...Querem que um médico seja Deus? Acerte sempre a primeira, seja sempre uma simpatia, dê sempre o jeito quando necessário, trabalhe 24 h/dia sempre que preciso, mantenha sempre a autoridade sem ser autoritário, saiba tudo e mais alguma coisa, aguente com a boa e má disposição de todos, chegue sempre a horas e saia sempre só quando tiver terminado o serviço, não ganhe mais diheiro que qualquer "eu", não desperdice, não viaje ao estrangeiro quando assim pode, não deixe ninguem morrer, dê sempre mais importância à opinião dos outros, que só trabalhe no SNS, que não cobre pelos serviços prestados, que seja sensível e acate todos os pedidos dos doentes, que saiba trabalhar em equipa mesmo que a equipa não saiba trabalhar em conjunto, que se declare culpado em todos os julgamentos por negligência que são interpostos pelos familiares de alguém que teve pouca sorte, que dÊ esperanças vãs a quem não deve, ou que simplesmente seja o seu filho nesta posição?

Somos humanos, diferentes, sociais, institivos e efémeros... Porque é que alguém há-de ser mais diferente, só por que todos assim quisessem ou desejassem?

Anónimo disse...

Achei piada à classificação dos enfermeiros. Divertiu-me. Nunca achei possível que algém vestisse a pele de Carl Von Linné e se dedicasse a catalogar as várias espécies de enfermeiros .Penso que o seu exercício tem validade e qualidade enquanto peça humorística e nisso tenho de lhe dar mérito.Mas aconselho-o a que se quiser seguir a carreira da comédia, a procurar substrato para as suas criações na sua própria classe, que é a geradora mais prolífica de situações hilariantes que actualmente se conhece.